Já fazem dois anos! Passa rápido mesmo, como eu escrevi na postagem sobre o
primeiro ano.
Do ponto de vista formal, ganhamos o direito de renovar nossos vistos de residente permanente por mais 5 anos, mesmo que passemos os 3 anos restantes desses vistos fora daqui. Mas isso não está nos nossos planos! A ideia é daqui a mais um ano darmos entrada nos pedidos de cidadania, fazermos a prova e possivelmente ainda em 2014, termos os nossos passaportes canadenses. Ou seja, esse direito de renovação vai acabar não tendo utilidade para nós.
O que acontece com um imigrante que mora aqui há dois anos varia muito. Mais uma vez o Ministério da Saúde adverte: não peguem o nosso caso como exemplo para achar que vai ser assim com vocês! Cada caso é um caos, digo, caso!
Gosto de começar pelo idioma, porque é um ponto chave na integração. Depois de dois anos, estamos confortáveis para falar em francês. A Lara está como uma nativa, inclusive no sotaque. O Davi ainda fala torto, mas seria a mesma coisa em português. Ambos continuam entendendo quase tudo que falamos em português mas os avós do Davi, que vieram nos visitar, não entendem mais o que ele fala porque tem mais francês que português. Tem horas que a Lara fala somente em francês, e tem horas que fala somente em português com alguns erros que considero irreversíveis mas não tão sérios. Exemplos: "Ela disse de sair...", "Eu pintei em azul...", "Eu vou ir...", etc. Eu acho que falo em francês e em inglês com apenas alguns erros, mas como sou perfeccionista, eles me incomodam principalmente quando tenho que fazer alguma apresentação na empresa. No meu caso, ainda tem o agravante de que a maior parte da minha equipe fica na Hungria e Ucrânia, além de ter que interagir com pessoas dos EUA. Logo, fico me incomodando com a imperfeição de dois idiomas diariamente, mas sei que o importante é se comunicar bem e isso está acontecendo.
Engatilhando o assunto, tivemos boas conquistas. Eu fui promovido recentemente de desenvolvedor ("programador") a arquiteto (de software) e a Mônica, que é engenheira eletricista de formação, conseguiu um emprego na área de TI. Desde primeiro de julho,
o dia da loucura, moramos na nossa casa e não mais em um apartamento. Me livrei do estresse do Davi pulando e trotando no chão de madeira com um vizinho embaixo. Também trocamos o carro por um
quatre pattes/quatro patas (4x4) bem apropriado e seguro para a cidade que é, dentre as mais importantes do Canadá, a que mais neva e que tem muitas ladeiras, muitas delas bem íngremes.
Engatilhando mais uma vez (parece até que é de propósito). Estando no nosso terceiro inverno, já temos bons macetes para combater o frio. Mas eu deixei de usar cachecol, sous-vêtement (camada por dentro da calça) e por baixo do casaco, sempre uso somente uma camisa de manga curta, mesmo quando está mais frio que -20°C. A patinação é há muito tempo nosso esporte predileto e ainda curto hockey, embora o Canadiens de Montréal estar muito fraco esse ano.
Ainda não fomos ao Brasil visitar a família e parentes, que está programado para agosto desse ano. Mas como temos contato com as pessoas que estão no Brasil pelo Facebook e por Skype, curiosamente, estamos tendo choques culturais inversos. Em muitos aspectos nossos hábitos e pontos de vista mudaram. Agora, quando vemos determinados acontecimentos no Brasil, achamos esquisito e às vezes até absurdo.
Deus tem nos dado muitas bênçãos nesses dois anos de nova vida aqui e já sentimos que aqui é a nossa casa. Tivemos muitas batalhas, muitas conquistas e continuamos avançando com passos firmes e fortes! Que venha o terceiro ano!