segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tirando a neve




Estou inaugurando agora uma nova modalidade de postagem, mas não sei como denominá-la. Bom, o formato texto é o mais clássico, podemos usar links e faço minhas traduções no próprio texto com cores para apresentar palavras e expressões interessantes. Mas descrever as cores do outono não é a mesma coisa que mostrá-las nas fotos. E uma foto vale por mil palavras, mas não expressa bem a velocidade de uma descida de tobogã na neve nem mostra quão forte está o vento.

Já faz um bom tempo que tenho editado vídeos para o blog, mas ainda não tinha percebido que posso colocar conteúdo falado nele ao invés de deixar tudo escrito (Dãã!! Meio óbvio, né?). É bem mais interessante fazer comentários enquanto mostramos o que está sendo comentado.

Não pretendo transformar o blog em um vlog (vídeo log) até porque consome mais tempo e demora mais para ser publicado. Mas vou procurar usar esse formato onde for mais apropriado, na medida do possível.

Fica aqui minha primeira experiência mostrando o trabalho que dá tirar a neve de casa, embora eu goste (ao menos, por enquanto!). Desculpem minha ga-gagueira e falta de organização das frases. Foi tudo de improviso e não tive tempo de regravar na mesma ocasião pois, tinha uma tonelada de neve para tirar! Prometo que na próxima vai ser melhor. Obrigado à minha assistente de câmera, a Lara!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Le domaine de la forêt perdue




Le domaine de la forêt perdue from Alexei Aguiar on Vimeo.

Nossos queridos amigos também vindos do Ceará mas que moram em Montréal nos propuseram um programa diferente. A primeira coisa bizarra...hum...bizarro é muito comum em francês, mas é menos usado em português. A primeira coisa esquisita que saltou aos olhos foi o nome do lugar: Le domaine de la forêt perdue/O domínio da floresta perdida. É o que?!?! É o tipo de situação onde entendemos o que foi dito, mas não o que quer dizer. Me veio à ideia duendes, cavaleiros medievais e maconha mofada temperada com veneno de rato.

Bom, é uma fazenda que tem uma pista de patinação em forma de labirinto com 10 Km de extensão total. Além da patinação, tem os animais para as crianças verem. Sounds interesting/parece interessante! E onde fica isso? Fui consultar no site deles. Notre-Dame-du-mont-Carmel?!?! Hein?!?! Ahh bom! Porque é que não arredondam logo para Trois-rivière (ou troière como eu ouvi uma mulher de lá pronunciar)? É bom porque fica no meio do caminho entre Québec e Montréal, que não é longe. Principalmente quando já viajamos para Montréal o suficiente para não sabermos dizer quantas vezes foram.

Pagamos 14$ por adulto e 12$ por criança. Esses 4 ingressos nos deram direito a compra de produtos da fazenda na saída. Escolhemos um pote de mel puro. Lá é rústico, mas tem estrutura para a quantidade de visitantes, que não era pouca. Tem um galpão com muitas mesas para refeições e outro que não entrei, mas que tinha microondas. Não recomendo levarem para almoço feijoada, buchada, sarrabulho, e outras comidas pesadas e indigestas (a poutine, que é típica do Québec, entra na lista), sob o risco de não ter patinação depois do almoço.

O gelo estava muito bom, principalmente para eu que estava me acostumando a patinar em qualquer buraco. Tem uma máquina que eles desenvolveram para passar pela pista toda com pouco reabastecimento. Quanto à questão de ser um labirinto e se perder, bom, até que pode. Mas não é lá um labiriiiiinto com Minotauro e tudo mais. A melhor definição que eu pensei para esse labirinto foi que pediram para fazer um quadriculado de pistas, mas quem o fez tinha tomado umas cachaças e ficou ondulado. Também, o terreno é bem comprido, mas não tão largo. Se usarmos o tradicional macete para labirintos de seguirmos sempre com a mão na "parede" da direita ou da esquerda, em no máximo 2,8Km percorre-se todo o perímetro exterior e volta-se ao ponto de partida. Cuidado que isso fura para labirintos que tem ilhas, que é o caso, mas basta ir até a borda e seguir a regra.

Na entrada eles vendem baratinho um saquinho pequeno com comida para darmos aos animais. O Davi morria de rir com um cervo comendo na mão dele, porque devorava a comida rápido como um aspirador de pó. Vacas, cavalos, carneiros e bodes são animais de fazenda mesmo. Mas achei curioso que tem também lá lhamas, pôneis e emas ou avestruzes (nunca sei dizer quem é quem).

Portanto, colegas, é um programa legal para quem gosta de patinar e de quebra curtir a natureza. Nesse dia, acho que patinamos uns 7Km e o bonitão do Davi nem reclamou porque estava sendo puxado no trenó, só curtindo.

sábado, 21 de janeiro de 2012

730 dias, 104 semanas, 24 meses, 8 estações, 2 anos


Já fazem dois anos! Passa rápido mesmo, como eu escrevi na postagem sobre o primeiro ano.

Do ponto de vista formal, ganhamos o direito de renovar nossos vistos de residente permanente por mais 5 anos, mesmo que passemos os 3 anos restantes desses vistos fora daqui. Mas isso não está nos nossos planos! A ideia é daqui a mais um ano darmos entrada nos pedidos de cidadania, fazermos a prova e possivelmente ainda em 2014, termos os nossos passaportes canadenses. Ou seja, esse direito de renovação vai acabar não tendo utilidade para nós.

O que acontece com um imigrante que mora aqui há dois anos varia muito. Mais uma vez o Ministério da Saúde adverte: não peguem o nosso caso como exemplo para achar que vai ser assim com vocês! Cada caso é um caos, digo, caso!

Gosto de começar pelo idioma, porque é um ponto chave na integração. Depois de dois anos, estamos confortáveis para falar em francês. A Lara está como uma nativa, inclusive no sotaque. O Davi ainda fala torto, mas seria a mesma coisa em português. Ambos continuam entendendo quase tudo que falamos em português mas os avós do Davi, que vieram nos visitar, não entendem mais o que ele fala porque tem mais francês que português. Tem horas que a Lara fala somente em francês, e tem horas que fala somente em português com alguns erros que considero irreversíveis mas não tão sérios. Exemplos: "Ela disse de sair...", "Eu pintei em azul...", "Eu vou ir...", etc. Eu acho que falo em francês e em inglês com apenas alguns erros, mas como sou perfeccionista, eles me incomodam principalmente quando tenho que fazer alguma apresentação na empresa. No meu caso, ainda tem o agravante de que a maior parte da minha equipe fica na Hungria e Ucrânia, além de ter que interagir com pessoas dos EUA. Logo, fico me incomodando com a imperfeição de dois idiomas diariamente, mas sei que o importante é se comunicar bem e isso está acontecendo.

Engatilhando o assunto, tivemos boas conquistas. Eu fui promovido recentemente de desenvolvedor ("programador") a arquiteto (de software) e a Mônica, que é engenheira eletricista de formação, conseguiu um emprego na área de TI. Desde primeiro de julho, o dia da loucura, moramos na nossa casa e não mais em um apartamento. Me livrei do estresse do Davi pulando e trotando no chão de madeira com um vizinho embaixo. Também trocamos o carro por um quatre pattes/quatro patas (4x4) bem apropriado e seguro para a cidade que é, dentre as mais importantes do Canadá, a que mais neva e que tem muitas ladeiras, muitas delas bem íngremes.

Engatilhando mais uma vez (parece até que é de propósito). Estando no nosso terceiro inverno, já temos bons macetes para combater o frio. Mas eu deixei de usar cachecol, sous-vêtement (camada por dentro da calça) e por baixo do casaco, sempre uso somente uma camisa de manga curta, mesmo quando está mais frio que -20°C. A patinação é há muito tempo nosso esporte predileto e ainda curto hockey, embora o Canadiens de Montréal estar muito fraco esse ano.

Ainda não fomos ao Brasil visitar a família e parentes, que está programado para agosto desse ano. Mas como temos contato com as pessoas que estão no Brasil pelo Facebook e por Skype, curiosamente, estamos tendo choques culturais inversos. Em muitos aspectos nossos hábitos e pontos de vista mudaram. Agora, quando vemos determinados acontecimentos no Brasil, achamos esquisito e às vezes até absurdo.

Deus tem nos dado muitas bênçãos nesses dois anos de nova vida aqui e já sentimos que aqui é a nossa casa. Tivemos muitas batalhas, muitas conquistas e continuamos avançando com passos firmes e fortes! Que venha o terceiro ano!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Moradia para quem chega em Québec


Para quem está vindo para Québec (e serão muitos nesse inverno) e está procurando onde ficar, vale a pena dar uma conferida nessa postagem, onde passo links sobre onde ficar o primeiro mês e dicas sobre locação. Uma novidade é que existem organismos que dispõem de pessoas que procuram tanto um local temporário quando "definitivo". Conheço um brasileiro, que se chama Leonardo, trabalha no Soiit e que sempre mapeia os imóveis disponíveis com antecedência para poder sugerir aos recém chegados. O serviço é tão completo que ele leva a pessoa de carro para conhecer esses imóveis. Um luxo!

Eu encontre esse site do Centre Multiethnique e pensava que ele trabalhava para esse organismo, já que diz explicitamente que fazem isso. Além do mais, Soiit é mais direcionado para a orientação ao emprego e/ou capacitação.

Pelo jeito, esses e mais outros organismos se sobrepõem nas suas finalidades de ajuda aos imigrantes. Achei relevante para deixar registrado aqui.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Musée de la civilisation





Essa é mais um daquelas postagens bem atrasadas sobre atrações turísticas de Québec. Até o Davi conhecia o Musée de la civilisation e somente eu ainda não.

A exposição que me interessava mais era a de Roma. Recomendo se informar do horário da visita guiada. Peguei uma parte da explicação da guia em inglês e outra em francês e vi que o conteúdo histórico que elas passam é muito rico e curiosa. Tem esculturas, pinturas e objetos de várias épocas separadas por zonas: antiguidade, era medieval, renascença, era barroca e era moderna. Infelizmente vocês não vão poder ver quase nenhuma foto dessa exposição porque um segurança veio me avisar que é proibido tirar fotos. Ops! Outra coisa que é bom se informar é que era de graça em dois dias da semana, mas não no que fomos! Dããã!!! Custou 13$ por cada adulto e não precisamos pagar pelas crianças.

O museu é bem high-tech, com projeções em placas de metal com efeitos, receptores sem fios com fones de ouvido para a visita guiada e até aplicações para iPhone e iPod.

Na exposição sobre a Radio Canada, trocentas televisões e terminais touch screen para conhecermos um pouco da estória dessa rede de comunicação que faz parte da vida do canadense há décadas. Tem umas seções com tratamento acústico a base de paredes forradas com esponja com formatos triângulares para ouvirmos a sonoridade original do rádio antigo. Outra coisa que podemos ver são televisores, rádios e câmeras antigas, bem como vestimentas e outros objetos que nos remetem a épocas antigas.

Havia também uma exposição sobre gravuras dos Inuit, conhecidos no Brasil como esquimós, mas não tivemos tempo de vê-la.

Interessante mesmo para as crianças é uma parte de ciências que tem várias experiências práticas com as quais eles podem interagir. O que eu mais gostei foi o simulador de terremotos. Infelizmente, a simulação de terremoto de magnitude 7 na gravação foi mais fraca que a anterior.



É um programa cultural e diferente. Infelizmente, ainda não conheço os outros museus da cidade como por exemplo, o Musée de l'Amerique française, que é o mais velho museu do Canadá. Mas com certeza, quando eu passar por lá, vou escrever uma postagem para vocês.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Processo de imigração municipal de Québec


O título dessa postagem é meio esquisito, mas cumpre sua função de instigar a curiosidade. Na verdade, não é um novo processo de imigração. Trata-se de uma nova forma de imigrar para o Canadá que começou a abrir suas portas por volta de outubro.Um lado ruim dela é que é quase restrita a Québec (cidade), embora acabe espirrando um pouco para empresas que tenham escritórios aqui e em Montréal. Outro é que parece se restringir a um subconjunto das funções da área de TI. Porém, uma vez sendo selecionado, o premiado pode chegar aqui com emprego e em apenas dois a três meses, sem nem mesmo ter dado entrada em algum processo de imigração como residente permanente.

Hum...Eu acho que estou começando a construção da casa pelo telhado, como vi fazerem aqui perto de casa. Vamos começar pelo sub-solo. Tudo começou com um projeto da prefeitura de Québec para alavancar seu desenvolvimento. Deram incentivos para empresas se instalarem por aqui, mas a carência de mão de obra bem capacitada tornou-se uma barreira para elas.

Para contornar essa limitação, criaram uma instituição chamada Québec Internacional. Essa faz missões de recrutamento de profissionais desde 2008, sendo majoritariamente na França. Nesse ano, decidiram explorar o potencial do mercado brasileiro, mesmo não sendo um país francófono.

O resultado dessa missão foi um sucesso total, mesmo as empresas tendo se queixado do nível de francês dos candidatos. A taxa de retenção para a segunda entrevista das outras missões fica por volta de 20%. Essa mesma taxa na missão do Brasil ficou em 70%. Imaginem se o nível do francês estivesse bom! Pelas notícias que peguei aqui e acolá, estimo que nesse inverno estejam desembarcando aqui e em Montréal mais de 20 brasileiros com vistos de trabalho temporário, que tem uma validade de 3 anos. É um intervalo de tempo suficiente para fazer do zero ou continuar um processo e ter um visto de residente permanente. Essa é uma das matérias que saiu na imprensa local.

O melhor é que isso abre portas para que outros possam vir, mesmo sem ter uma missão ao Brasil em andamento. As portas ficaram abertas para os brasileiros se candidataram às vagas ofertadas pela missão de Paris que ocorreu no começo de dezembro. Mais que isso, abre o precedente para qualquer um que seja de TI, dentre as funções autorizadas pelo governo à emissão de visto de trabalho temporário, e para qualquer empresa. Eu consegui convencer o RH da empresa onde trabalho a aderir a essa modalidade de visto para ter portas ainda mais abertas a imigrantes. Já temos um brasileiro bem qualificado que passou pelas entrevistas e negociação de salário, e que está dependendo unicamente do trabalho do advogado de imigração contratado pela empresa para obter esse visto. Outro brasileiro que pude apresentar ao RH tem um excelente CV, com muita experiência, mas teve dificuldades de conversar na entrevista. Mesmo assim, as portas ficaram abertas para quando ele estiver com um nível de francês aceitável.

Por enquanto o processo do visto de trabalho temporário ainda está meio nebuloso e cada caso é um caso particular. Espero ter informações mais concretas baseado nesses casos quando estes terminarem para compartilhar com todo mundo.

Termino mais essa longa postagem (para não perder o costume) com a frase da recrutadora da empresa, falando sobre o sucesso da empresa no futuro depender fortemente da imigração:
"On a pas le choix car si on veut beaucoup d'expertise et il y a une pénurie de bons candidats, alors, vive l'immigration!"
"Nós não temos escolha porque se queremos muita experiência e existe uma carência de bons candidados, logo, viva a imigração!"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mudanças no processo do Québec



Como avisado pelo Gilles do BIQ (Bureau d'Immigration du Québec) e relatado nessa postagem, o processo do Québec mudou. A diferença mais impactante é que antes o nível do francês e inglês declarado na demanda de CSQ era validada na entrevista.

Agora, o candidato tem que mandar o(s) teste(s) de proeficiência junto dos outros documentos para começar o processo. Isso significa que não vai mais ser possível "ganhar tempo" dando entrada no processo mais cedo e continuar estudando francês para atingir o nível requerido até a entrevista. Pior é que, além de aumentar os custos, corre o risco de não dispensar a entrevista. Isso não é oficial e sim a minha interpretação do aviso do BIQ que copio no final da postagem.

Algumas pessoas perguntaram nas listas se os candidatos tinham que fazer também um teste de proeficiência em inglês. Não faz sentido, visto que o governo do Québec quer justamente o contrário que é promover o francês. Mas fica a alternativa de quem sabe inglês para ganhar alguns pontos a mais caso sejam necessários. Isso existe também no processo federal, embora acredite que seja raramente usado e que seria ao inverso: fazer o teste em francês para ganhar pontos extra.

Segue o aviso do BIQ:

Bom dia,

Pedimos a gentileza de tomar conhecimento das mudanças referentes ao processo de envio das demandas de imigração ao Escritório do Québec em São Paulo:

  • Informamos que o Ministério de imigração e das comunidades culturais do Québec determinou a reorganização das operações dos escritórios localizados em territórios estrangeiros. Em razão destas mudanças, as atividades do Escritório de Imigração do Québec em São Paulo serão transferidas ao México e, a partir de 1° de janeiro de 2012, será necessário enviar as demandas de certificado de seleção diretamente ao escritório de Imigração do Québec no México, no endereço abaixo:

                        Délégation générale du Québec
                        Bureau d’immigration du Québec à Mexico
Av. Taine 411, Col. Bosque de Chapultepec (Polanco)
México, D.F. 11580 Mexique
 
As atividades de promoção, bem como as entrevistas de seleção, continuarão a ocorrer no Brasil.

  • Todos os novos candidatos à imigração na categoria “Trabalhadores Qualificados” que desejam obter pontos no quesito “conhecimento de francês” (tanto o requerente principal como o cônjuge), bem como de inglês (apenas para os requerentes principais), deverão, a partir de agora, demonstrar seus conhecimentos em expressão e em compreensão orais apresentanto, no momento do envio de sua demanda, os resultados de um teste de competências lingüísticas realisado através de um estabelecimento reconhecido pelo Ministério. Os testes aceitos são, para o francês: DELF ou DALF ou TCFQ ou TCF ou TEFaQ e, para o inglês, o  IETLS. Para mais informações sobre os testes requeridos, consulte:
    1. Para os testes TCFQ, TCF, DELF e DALF: www2.ciep.fr/tcf/Centres/Liste.aspx
    2. Para os testes TEFaQ e TEF: www.fda.ccip.fr/tef/centres
    3. Para o teste de inglês IELTS: www.ielts.org

A aplicação das novas regras se aplica às demandas recebidas no escritório a partir de 7 de Dezembro de 2011.

Para obter informações sobre o processo, acesse www.imigrarparaquebec.ca

Atenciosamente,
Bureau d’Immigration du Québec à São Paulo