domingo, 25 de dezembro de 2011

Processo de imigração municipal de Québec


O título dessa postagem é meio esquisito, mas cumpre sua função de instigar a curiosidade. Na verdade, não é um novo processo de imigração. Trata-se de uma nova forma de imigrar para o Canadá que começou a abrir suas portas por volta de outubro.Um lado ruim dela é que é quase restrita a Québec (cidade), embora acabe espirrando um pouco para empresas que tenham escritórios aqui e em Montréal. Outro é que parece se restringir a um subconjunto das funções da área de TI. Porém, uma vez sendo selecionado, o premiado pode chegar aqui com emprego e em apenas dois a três meses, sem nem mesmo ter dado entrada em algum processo de imigração como residente permanente.

Hum...Eu acho que estou começando a construção da casa pelo telhado, como vi fazerem aqui perto de casa. Vamos começar pelo sub-solo. Tudo começou com um projeto da prefeitura de Québec para alavancar seu desenvolvimento. Deram incentivos para empresas se instalarem por aqui, mas a carência de mão de obra bem capacitada tornou-se uma barreira para elas.

Para contornar essa limitação, criaram uma instituição chamada Québec Internacional. Essa faz missões de recrutamento de profissionais desde 2008, sendo majoritariamente na França. Nesse ano, decidiram explorar o potencial do mercado brasileiro, mesmo não sendo um país francófono.

O resultado dessa missão foi um sucesso total, mesmo as empresas tendo se queixado do nível de francês dos candidatos. A taxa de retenção para a segunda entrevista das outras missões fica por volta de 20%. Essa mesma taxa na missão do Brasil ficou em 70%. Imaginem se o nível do francês estivesse bom! Pelas notícias que peguei aqui e acolá, estimo que nesse inverno estejam desembarcando aqui e em Montréal mais de 20 brasileiros com vistos de trabalho temporário, que tem uma validade de 3 anos. É um intervalo de tempo suficiente para fazer do zero ou continuar um processo e ter um visto de residente permanente. Essa é uma das matérias que saiu na imprensa local.

O melhor é que isso abre portas para que outros possam vir, mesmo sem ter uma missão ao Brasil em andamento. As portas ficaram abertas para os brasileiros se candidataram às vagas ofertadas pela missão de Paris que ocorreu no começo de dezembro. Mais que isso, abre o precedente para qualquer um que seja de TI, dentre as funções autorizadas pelo governo à emissão de visto de trabalho temporário, e para qualquer empresa. Eu consegui convencer o RH da empresa onde trabalho a aderir a essa modalidade de visto para ter portas ainda mais abertas a imigrantes. Já temos um brasileiro bem qualificado que passou pelas entrevistas e negociação de salário, e que está dependendo unicamente do trabalho do advogado de imigração contratado pela empresa para obter esse visto. Outro brasileiro que pude apresentar ao RH tem um excelente CV, com muita experiência, mas teve dificuldades de conversar na entrevista. Mesmo assim, as portas ficaram abertas para quando ele estiver com um nível de francês aceitável.

Por enquanto o processo do visto de trabalho temporário ainda está meio nebuloso e cada caso é um caso particular. Espero ter informações mais concretas baseado nesses casos quando estes terminarem para compartilhar com todo mundo.

Termino mais essa longa postagem (para não perder o costume) com a frase da recrutadora da empresa, falando sobre o sucesso da empresa no futuro depender fortemente da imigração:
"On a pas le choix car si on veut beaucoup d'expertise et il y a une pénurie de bons candidats, alors, vive l'immigration!"
"Nós não temos escolha porque se queremos muita experiência e existe uma carência de bons candidados, logo, viva a imigração!"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mudanças no processo do Québec



Como avisado pelo Gilles do BIQ (Bureau d'Immigration du Québec) e relatado nessa postagem, o processo do Québec mudou. A diferença mais impactante é que antes o nível do francês e inglês declarado na demanda de CSQ era validada na entrevista.

Agora, o candidato tem que mandar o(s) teste(s) de proeficiência junto dos outros documentos para começar o processo. Isso significa que não vai mais ser possível "ganhar tempo" dando entrada no processo mais cedo e continuar estudando francês para atingir o nível requerido até a entrevista. Pior é que, além de aumentar os custos, corre o risco de não dispensar a entrevista. Isso não é oficial e sim a minha interpretação do aviso do BIQ que copio no final da postagem.

Algumas pessoas perguntaram nas listas se os candidatos tinham que fazer também um teste de proeficiência em inglês. Não faz sentido, visto que o governo do Québec quer justamente o contrário que é promover o francês. Mas fica a alternativa de quem sabe inglês para ganhar alguns pontos a mais caso sejam necessários. Isso existe também no processo federal, embora acredite que seja raramente usado e que seria ao inverso: fazer o teste em francês para ganhar pontos extra.

Segue o aviso do BIQ:

Bom dia,

Pedimos a gentileza de tomar conhecimento das mudanças referentes ao processo de envio das demandas de imigração ao Escritório do Québec em São Paulo:

  • Informamos que o Ministério de imigração e das comunidades culturais do Québec determinou a reorganização das operações dos escritórios localizados em territórios estrangeiros. Em razão destas mudanças, as atividades do Escritório de Imigração do Québec em São Paulo serão transferidas ao México e, a partir de 1° de janeiro de 2012, será necessário enviar as demandas de certificado de seleção diretamente ao escritório de Imigração do Québec no México, no endereço abaixo:

                        Délégation générale du Québec
                        Bureau d’immigration du Québec à Mexico
Av. Taine 411, Col. Bosque de Chapultepec (Polanco)
México, D.F. 11580 Mexique
 
As atividades de promoção, bem como as entrevistas de seleção, continuarão a ocorrer no Brasil.

  • Todos os novos candidatos à imigração na categoria “Trabalhadores Qualificados” que desejam obter pontos no quesito “conhecimento de francês” (tanto o requerente principal como o cônjuge), bem como de inglês (apenas para os requerentes principais), deverão, a partir de agora, demonstrar seus conhecimentos em expressão e em compreensão orais apresentanto, no momento do envio de sua demanda, os resultados de um teste de competências lingüísticas realisado através de um estabelecimento reconhecido pelo Ministério. Os testes aceitos são, para o francês: DELF ou DALF ou TCFQ ou TCF ou TEFaQ e, para o inglês, o  IETLS. Para mais informações sobre os testes requeridos, consulte:
    1. Para os testes TCFQ, TCF, DELF e DALF: www2.ciep.fr/tcf/Centres/Liste.aspx
    2. Para os testes TEFaQ e TEF: www.fda.ccip.fr/tef/centres
    3. Para o teste de inglês IELTS: www.ielts.org

A aplicação das novas regras se aplica às demandas recebidas no escritório a partir de 7 de Dezembro de 2011.

Para obter informações sobre o processo, acesse www.imigrarparaquebec.ca

Atenciosamente,
Bureau d’Immigration du Québec à São Paulo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E as portas do Canadá se fecham mais...



Alexei Nostradamus previu mudanças no processo do Québec nessa postagem de julho de 2010. Aconteceu mais ou menos o que eu escrevi. Transcrevo aqui o texto que uma pessoa da École Québec (que pediu para não ser identificada) mandou para uma das listas de imigração sobre a conversa que ela teve com o Gille do Bureau d'immigration du Québec.


Salut tout le monde,

Conversei com Gilles ontem a noite depois da palestra sobre imigração. Fiquei sabendo de umas coisas que quero comunicar para vocês. 

A partir de janeiro ou fevereiro, o escritório de imigração do Québec ficará em Mexico City. Assim, o processo vai demorar mais ainda. 

Também, em janeiro ou fevereiro, começarão a obrigar os candidatos à imigração a fazer a prova de francês. Isso também deixará o processo mais demorado pq vocês terão que atingir o nivel de francês necessário antes de mandar a documentação. Hoje, vocês podem mandar a documentação com nivel menor e continuar estudando para ter o nivel de francês necessário no dia da entrevista.

Porque? O Primeiro Ministro do Québec, Jean Charest, pediu para a Ministra da imigração diminuir o orçamento ainda mais. Não é que eles não querem mais imigrantes, mas eles não querem gastar tanto com eles. E não é que eles querem menos Brasileiros. O escritorio de Paris vai ser em Montréal. Estão simplesmente diminuindo os gastos.

Gilles me disse também que acha que o processo federal não vai ser mais rápido ano que vêm. Tomará que ele esteja errado!

Conclusão: Recomendo aos que tem condição de mandar o dossiê en janeiro (que tem como conseguir os documentos necessários e que jà tem um tempinho de francês), mandarem em dezembro mesmo.

Se vocês estiverem na dúvida se podem mandar ou não, me liguem na escola. Meus horários até 22/12:
2a, 4a e 6a: 14 às 19 (a menos que esteja dando aula)
3a e 5a: 10 às 19 (também a menos que esteja dando uma aulinha)

Bonne chance à tous!

p.s. Os que não poderão mandar até o final do ano, não se preocupem que reorganizaremos o programa para prepara-los para a prova!

domingo, 13 de novembro de 2011

Primeira neve de 2011-2012

A exotérica data de 11/11/11 passou e ainda não foi agora que o mundo se acabou. No dia seguinte, tivemos a primeira neve desse inverno que está chegando. Podem me chamar de bobão, mas está começando o nosso terceiro inverno e ainda ficou deslumbrado contemplando a neve caindo. Acho um espetáculo da natureza muito bonito.

Dizem que depois do terceiro inverno começamos a detestá-la, mas acho que depende de cada um e possivelmente não vai ser meu caso. Tem uma diferença considerável dessa vez. Agora estamos morando em uma casa e eu vou ter que tirar a neve da entrada da casa e da garagem. É o famoso verbo pelleter, que significa cavar com uma pelle/pá. Já me fizeram muito medo contando sobre o famoso invernão de 2008. Um cara com quem eu conversava no parque me contou que chegou uma hora que não conseguia mais jogar a neve para cima da trinchera de entrada da casa dele porque estava alta demais e não tinha mais onde colocar tanta neve. Quack!!! Exagero? Olhem essa foto que achei na Internet desse inverno de 2008 aqui em Québec e me digam se é ou não.



Ao menos nesse inverno temos um abrigo que vai nos poupar bons minutos de limpeza do carro, atividade essa que a Mônica se queixava muito. Também, mesmo antes de nevar já estávamos nos beneficiando dele porque os vidros do carro não ficam cheios de gelo das geadas. Mesmo assim, o serviço de déneigement/remoção de neve a joga na entrada da garagem e pode ficar bem "bonitinho" para sair de manhã cedo, já estando atrasado. Vamos ver.

Gravei um video curto dessa primeira neve que começa a transformar Québec na Branca de Neve. Faço algumas observações prévias porque baseado em experiências anteriores, sei que algumas pessoas vão tirar conclusões erradas do que vão ver: Esse carro preto em frente à nossa casa não é nosso e essas casas que aparecem são as casas dos vizinhos filmadas à partir da nossa, que não foi incluida. E também, antes que perguntem para que eu coloquei duas hastes na entrada da garagem, elas servem para que saibamos por onde podemos passar depois que o chão estiver cheio de neve sem subir nas pedras.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fim do horário de verão 2011


Essa vai ser mais rápida do que espirro de pincher (aquela versão super reduzida do doberman que é todo elétrico). É só para avisar que acabou hoje (primeiro domingo de novembro) o horaire avancé/daylight saving time/horário de "verão" (primavera-verão-outono). Para não repetir o conteúdo, leiam a postagem análoga de 2010.

domingo, 6 de novembro de 2011

Bateram no nosso carro!


-Alexei, bateram no nosso carro e a bateria está acabando!
-Quack!!!

Batida já é por si só algo estressante. E em um país onde tudo é diferente, para resolver o problema em um idioma novo é ainda mais estressante. Graças a Deus, ninguém se machucou, o que já é um grande alívio.

Na verdade, essa é a quarta vez que batem em um carro nosso nesses um ano e dez meses que estamos aqui. Os québécois são muito habilidosos para dirigirem em alta velocidade, até mesmo em tempestades de neve. Mas parece que são desatentos quando o asfalto está seco, que foi a situação das quatro ocorrências.

A primeira batida causou apenas um arranhão na pintura do parachoque traseiro. A segunda não mudou muita coisa no que já estava arranhado. A terceira foi em um estacionamento e não vimos. Ela causou um vinco na porta e nenhum desses casos foi suficiente para merecer manutenção.

Mas essa última vez foi mais forte. O cara desatento bateu com força suficiente para estragar a parte de plástico do parachoque traseiro do nosso carro e acabar a frente do carro dele, que não andava mais. Esse é o principal motivo de termos comprado um carro grande, um SUV: a segurança. Não só a segurança passiva da maior resistência a impactos com seis air bags, mas também a ativa para andar na neve com melhor tração, controle e frenagem. Fazia pouco tempo que tinhamos comprado e eu adoro carros, mas aprendi a ter desapego com meu pai. Enquanto eu dirigia, bateram em um carro dele que eu gostava muito. Quando meu pai me viu irritado com o cara que bateu e triste com o estrago, ele disse: ninguém se machucou e isso é o que importa. O carro é lata que se conserta na oficina e depois de algum tempo acabamos trocando por outro de qualquer forma.

Mas então, o que fazer? Não sabia ao certo como proceder mas disse para a Mônica ligar para a seguradora que eles a orientariam. Perguntam inicialmente se alguém se machucou. Se sim, tem que acionar a polícia. Caso contrário, basta pegar certos dados do condutor. O Desjardins dá um formulário com duas partes para ficar dentro do carro para essas ocasiões. Uma parte está parcialmente preenchida com nossas informações para passarmos para a outra pessoa envolvida no acidente. A outra parte é para ser preenchida com as informações requeridas dessa pessoa.

O motorista do outro carro foi super educado e humildemente assumiu logo a culpa, pedindo desculpas pelo susto e transtorno. Mesmo não sendo obrigatório, ele acionou a polícia que fez um relatório e passou o número desse para ambas as partes. E foi só isso! Quando liguei para a Mônica para dizer que o prestativíssimo amigo Tiago estava vindo para irmos ao encontro dela, já não estava nem mais lá no local do acidente.

Em casa, conforme a orientação da seguradora, ligamos para fazer o acionamento e dar mais detalhes. Foi basicamente relatar o que aconteceu e repassar os dados do outro condutor. Feito isso, a atendente explicou como seria o processo e já deu a indicação de uma oficina que fica perto de casa.

Fui à oficina em um sábado para tirarem as fotos e para fazerem um orçamento para ser avaliado pela seguradora. Apesar de ter danificado exclusivamente a parte plástica do parachoque que nem é pintado, custou a bagatela de 1800$. Ouch! Na sexta-feira, me ligaram da oficina dizendo que tinha sido aprovado e que poderia deixar o carro. Deixei-o na segunda-feira e me emprestaram um Toyota Yaris com câmbio automático e retrovisores, travas e vidros elétricos. É a seguradora que paga o uso desse carro, mas eu tive que devolvê-lo com o tanque cheio. Na quarta-feira o carro já estava pronto, novinho de novo e sem nenhuma marca de acidente.

A seguradora disse que caso eu quisesse consertar o carro antes de eles receberem o relatório da polícia, que levou duas semanas, eu teria que pagar a franquia à oficina e ser ressarcido caso realmente não fosse nossa culpa. Não me cobraram, mas também não foi nossa culpa mesmo. Por isso, não ficamos com nada no nosso histórico, que causaria uma alta no custo dos próximos seguros. O interessante é que a culpa não é contabilizada como sim ou não, mas como um percentual. Suponho que existam situações onde cada parte fica com 50% da culpa. Também imagino como seria a apuração da culpa sem o acionamento da polícia, visto que cada seguradora paga o prejuízo do seu cliente, cobram a franquia de quem tiver culpa e se resolvem entre si para ressarcir a outra. Acho que fariam um batimento dos relatos de ambas as partes para chegarem a uma conclusão.

Um colega meu disse que por causa da questão de histórico de culpa, que se não me engano é reportado a um cadastro compartilhado entre as seguradoras, em casos menores, as partes podem negociar para não acionar as seguradoras. O fato é que nem mesmo os próprios nativos sabem dizer como é que isso funciona ao certo, mas estou muito satisfeito com o atendimento e a clareza da nossa seguradora. Agora já posso é explicar para os nativos ao invés de perguntar!

De qualquer forma, melhor mesmo é prevenir e dirigir com prudência, atenção e cuidado, principalmente no inverno. E por falar em prevenção, é bom deixar o telefone da seguradora, bem como o seu número de apólice no porta-luvas do carro!

Temperatura em casa

 Uma coisa que eu tinha muita curiosidade sobre o Canadá quando eu ainda estava no tórrido Ceará era se o "quentinho" de dentro das casas e apartamentos era apenas força de expressão e se mesmo no aconchego do lar sentiríamos frio. Isso porque em Fortaleza, quando saímos do ambiente externo a 35°C e entramos em um ambiente com ar condicionado a 24°C, venhamos e convenhamos, para muitos cearenses é frio.

Vou usar minha resposta preferida: sim e não. Isso porque existe uma faixa de temperatura que são ajustadas nos lares e também a sensação de temperatura varia de pessoa para pessoa. Outro fator que no começo distorce esse aspecto é a questão de como se vestir em casa. Mas vamos por partes, como dizia Jack o estripador.

Em relação à temperatura, que às vezes é fixa e determinada pelo proprietário ou pode ser ajustada até por compartimentos, existe uma certa variação. Fiz um levantamento informal e nada científico perguntando às pessoas qual a temperatura dos seus lares. As respostas estão no gráfico do topo dessa postagem. Como podem ver, a maior concentração está entre 21 e 23°C, mas 20°C e um pouco abaixo também é usado.

Quanto à sensação, depois de saírmos do Ceará e passarmos por uma variação de 34°C a -26°C, com respectivas sensações térmicas de 44°C a -40°C, o nosso referencial de temperatura mais agradável muda. Os 23°C a 24°C passam a ser a faixa onde eu e a Mônica e as crianças nos sentimos mais confortáveis, nos vestindo como faziamos no Ceará: short ou bermuda e camisa de malha de manga curta. Sinceramente, a partir dos 25°C para cima eu já começo a me incomodar, mas como disse, isso varia de pessoa para pessoa.

Mas deixar o lar a 24°C enquanto lá fora está entre -10 e -20°C, que é o típico do inverno, demanda energia que implica em custo. Somos felizardos porque o Québec tem as tarifas de energia mais baixas do Canadá que são mais vantajosas para chauffage/heating/aquecimento que o uso dos combustíveis fósseis. Na França, pelo que me contaram, os pobres coitados ajustam entre 16 e 18°C. Vale ressaltar que quanto mais baixa a umidade, menos frio sentimos, mas cuidado para não deixá-la muito baixa. Recomendo controlar em 40% no inverno.

Eis como chegamos na faixa típica do gráfico, fazendo um pequeno ajuste cultural nos nordestinos. Usar pouca roupa é confortável quando estamos no calor. Mas existem roupas de tecido bem confortável que podemos usar em casa que nos permite baixar alguns graus e continuarmos nos sentindo na temperatura ideal. Como exemplo, uma calça e até mesmo, se for o caso, um blusão de moletom por cima de uma blusa. Para os pés, meias ou pantufas. As meias têm o inconveniente de serem escorregadias e para quem tem escadas, não recomendo, enquanto que as pantufas podem ter o solado emborrachado. Isso vai até o limite onde sentimos frio nas mãos e não é lá tão interessante escrever no computador com luvas.

Mas o que acho mais confortável mesmo em relação ao lar aqui no Canadá é o sono. Devido ao frio, as casas têm uma isolação térmica muito eficiente. Esta isolação reduz a quase nada o ruído externo. Na hora de dormir, faz um silencio ensurdecedor! E a temperatura fica fixa durante a noite toda, o que se traduz em um sono de muita qualidade. O ruim mesmo é sair debaixo dos cobertores quentinhos para ir trabalhar. Mas aí é querer mordomia demais, né?

Halloween 2011

Como nessa postagem do ano passado já dei uma visão geral do Halloween, agora vou falar de outros aspectos, sobretudo do que aconteceu neste ano.

Primeiro, no trabalho parece que ficaram ainda mais malucos. Quando cheguei para trabalhar, tinha uma imitação de teias de aranha gigantes na sala e um doido que passou o dia todo trabalhando enrolado nela. Vejam na foto seguinte.

Depois, chega o outro maluco só de bermuda e um pano por cima de um dos ombros como um homem das cavernas. Para ficar mais realista, ele se sujou todo de lama que parecia um mendigo daqueles bem largados. Depois do almoço, levei um susto com o baita arroto que ele deu. Logo depois, disse: Désolé! Je joue mon rôle!/Desculpem! Estou interpretando meu papel (personagem). O detalhe é que apesar de sua boa camada adiposa, passou o dia com frio por ter pouca roupa para se cobrir, até porque as laterais eram abertas. E o pior é que ficou só com o terceiro lugar no concurso, perdendo feio para o monstrengo da esquerda nessa outra foto.

Para a minha surpresa, aqui na nova vizinhança em Lebourgneuf tem muito movimento de porta em porta e é bem animado. Corrigindo a postagem do ano passado, aqui se diz Joyeuse Halloween/Feliz Halloween, lembrando que os québécois não pronunciam o H de Halloween, fato esse que me incomoda principalmente quando falam "l'alloween" ou "d'alloween". They ave (have) a problem with the H!/Eles têm um problema com o H!

Neste ano, uns amigos nossos chamaram outros brasileiros para o Halloween superproduzido na casa deles. Só para dar ideia, tinha até máquina de fumaça! Muita gente compareceu, inclusive, era difícil saber quem era quem com as fantasias. Vejas as fotos que escaparam da pouca luminosidade.




Essa postagem de outro blog fala bem do impacto que o Halloween tem nas crianças com a inevitável superexposição à qual eles são submetidos nessa cultura macabra e amedrontadora. Em geral, os nossos reagem bem em todos os ambientes que vamos. Até porque, tem muito também de uma festa de fantasias de todo tipo como um carnaval, não somente as de terror. A exceção é o medo de aranhas que o Davi tem e uma loja que vimos nos Estados Unidos que jogava pesado. Um dos bonecos pegou a Lara de surpresa e ela não quis mais entrar lá, mesmo sabendo que era só um boneco. O vídeo que gravei nessa loja não passa o mesmo impacto porque o som não é alto como o da loja. Mas meu instinto sádico para sustos ficou imaginando esses bonecos na escuridão da noite sendo acionados pela pisada no sensor estrategicamente colocado no caminho de entrada da casa. O requinte de crueldade é um fundo musical de filme de suspense para preparar e amplificar a descarga de adrenalina.





Continuamos na linha de participar e mesclar a cultura local com a nossa, mesmo dessa vez eu não tendo encontrado uma fantasia para usar. Vou tentar no próximo encontrar uma boa fantasia com a qual eu possa ir até para o trabalho. O problema é acharmos uma que nos permita usar o casaco, pois uma fantasia fininha a zero graus é um verdadeiro terror!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pneus de inverno mais baratos


Conversando com meus colegas de trabalho aficcionados por carros, descobri que podemos reduzir o preço dos pneus de inverno utilizando aros menores e compensando na altura da banda do pneu. Fiz uma tabela para exemplificar. Normalmente, só baixamos um degrau no diâmetro do aro (geralmente, un pouce/one inch/uma polegada), mas esse caso do exemplo é diferente. O modelo básico do carro tem aro 17' e o de 18' é um pneu mais "esportivo", mas não muda nada estruturalmente que possa atrapalhar. Uma dessas coisas que pode impedir essa redução é o tamanho do sistema de freios, por exemplo. Daí, mesmo este carro tendo aros de 18', podemos pular para 16' porque ele poderia ter os de 17' também sem nenhuma diferença estrutural. Um detalhe importante é que se não constar no manual, acho prudente ter uma resposta oficial da concessionária confirmando que podem ser usados sem problemas. O uso não oficial pode levar a uma perda na garantia, bem como até danificar o carro.
Esses preços são do pneu Michelin Latitude X-Ice Xi2 no Canadian Tire. Usei esse pneu na comparação porque está disponível nas três medidas, mas não o recomendo. Ele parece ser muito bom para gelo, mas não para neve. E das cidades mais importantes do Canadá, Québec é uma das que tem mais neve.
Lembrando que o aro bom para inverno é aquele de aço, preto, sem calota e bem feioso. Não é legal ficar batendo aro bonito que quebra ou calota nos meio-fios escondidos debaixo da neve! No inverno, achamos algumas calotas soltas e quebradas nas ruas.
Continuo adepto à fisolofia de ter os pneus de inverno montado nos aros e trocá-los eu mesmo em casa como descrito nessa postagem. Depois de dois ou três invernos, passa a ser mais barato. Até meu vizinho de 71 anos faz isso!


Modelo Aro Pneus 1 pneu 4 pneus Economia
Luxo 18' 235/60R18 $242.50 $970.00 $0.00
Básico 17' 235/65R17 $212.50 $850.00 $120.00
Reduzido 16' 235/70R16 $185.50 $742.00 $228.00

domingo, 23 de outubro de 2011

Metablog de imigração para o Canadá


Você sabe o que é um metablog? Eu nunca tinha ouvido falar do conceito, mas faz sentido. O Thiago Mattos é um estudante de jornalismo e para o seu trabalho de conclusão de curso, ele resolveu fazer análises de casos de imigração de brasileiros para o Canadá.
Através de uma entrevista via Skype, ele estuda a estória da imigração desde a motivação até os resultados atuais desse processo, passando também sobre a questão da participação dos nossos blogs nessa aventura. O resultado é um raio-x bem objetivo e fiel de cada caso e blog, que é adicionado ao seu blog sobre blogs! Por isso o nome de metablog.
Nessa postagem ele explica melhor a sua ideia e essa postagem é a sua visão desse nosso blog rapaduresco e da nossa entrevista. Para quem quer conhecer outros blogs, eis uma fonte a ser acompanhada.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ducentésima postagem


Como disse na ocasião da centésima postagem, é bem mais difícil atingir essa marca com esse nosso blog. Isso porque procuro fazê-las de forma rica, com descrições detalhadas (Eu sei! Detalhadas até demais!), fotos e vídeos. Somado a isso, planejo antes de escrever e sou muito meticuloso, chegando a fazer até duas revisões.

Ultimamente, tenho produzido menos. Para a tranquilidade de vocês, caros leitores, não é preguiça nem desinteresse. É porque além das atividades normais, estou reformando o atelier para transformá-lo em quarto de visitas e recentemente, estava montando o abrigo de inverno para o carro. Nessa brincadeira, acumulei uma fila de postagens, mas isso me incomoda e vou me esforçar mais para transformá-la em mais páginas desse nosso livro virtual. Aproveitei a ocasião para mudar um pouco a cara do site, para ganhar novos ares.

Como diz o cara caíndo de um prédio ao passar pelo quarto andar: até agora, tudo bem! Com essa motivação, espero continuar o blog até no mínimo poder escrever sobre o passaporte canadense. Sei que vocês vão me ajudar também. Que venha a tricentésima postagem!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sistema de saúde canadense, parte III


Como disse na postagem da parte I, o sistema de saúde canadense é sempre algo bem polêmico. Tem gente que diz que é péssimo, tem gente que diz que é suficiente, tem gente que diz que é bom, etc. A conclusão que eu cheguei já faz muito tempo é que é tudo isso pois varia com diversos fatores como, por exemplo: gravidade do problema, o próprio problema, cidade, dia, horário, local de atendimento, profissional que atende, referencial de experiências anteriores, etc.

Na verdade, o sistema de saúde que considero é tão abrangente que começa em casa. Uma alimentação saudável aliada a atividades esportivas (viva a patinação!) colabora muito na prevenção de doenças. Ao menos no inverno, vitaminas e tomar água de tempos em tempos também previne. Tenho uma garrafa no trabalho para evitar ficar com a garganta seca por causa da baixa umidade. Mesmo assim, quando a garganta começa a reclamar, uso pastilhas Cepacol (aqui não tem própolis) para cortar logo no começo. Quando o problema é no nariz, um spray de solução salina regularmente lava tudo e faz milagres.

Depois de um ano e nove meses posso dizer com mais segurança que apesar do rigor do clima canadense, adoecemos consideravelmente menos que em Fortaleza. Mas, inevitavelmente, adoecemos. Nessas horas, começamos o diagnóstico em casa mas com o devido cuidado de não ultrapassar nossa capacidade e responsabilidade, afinal, não somos profissionais. Depois, vamos subindo a escala de acordo com o que acontecer.

Vou contar outro caso prático para ilustrar um exemplo de utilização dos vários recursos do sistema de saúde. O Davi teve uma febre leve. No começo, não é fácil saber a causa. Já tendo sido recomendado de outra situação, demos um antitérmico chamado Advil que temos em casa. Aqui em Québec não tem farmácias 24 horas, logo, é bom ter alguns remédios que possam ser úteis até o dia seguinte.

Passados três dias com alternância entre febre fraca e ausência de febre, ele começou a ficar com a secreção típica das sinusites e a  professora dele disse que tinha mesmo um virus rondando a escola. Para que ele possa dormir melhor, almofadas em baixo do colchão para deixar a cabeça mais alta como recomendado por uma enfermeira da emergência da outra ocasião.

Mas na escola, ele dorme na horizontal e acabou acordando com dor no ouvido. Chegando em casa, liguei para o Info-Santé Québec, no número 811. A enfermeira do atendimento fez várias perguntas e chegou à conclusão que eu suspeitava: do jeito que estava não era caso de emergência. Disse que o Advil aliviaria e recomendou um pano quente ou frio para ajudar, o que desse mais resultado. Mas se piorasse, disse ela, leve-o à emergência. Perguntei se seria indicado o CHUL, onde levei da outra vez e ela confirmou. Enquanto eu ligava, ele estava cada vez melhor, logo, poderia dormir tranquilo.

No dia seguinte, poderia levá-lo a uma clínica que fica no Place de la Cité, mas preferi o médico de família. Em geral, ele atende com rendez-vous/hora marcada, mas também atende sem, sujeito a espera maior ou mesmo não ser atendido. Cheguei às 13h30 e o consultório abria às 14h00. Fui munido de carrinhos, livros, água e comida e passamos bem as três horas de espera (desde as 13h30), já que não tive como marcar um rendez-vous. De fato, ele tinha uma tudite (rinite, laringite, faringite, e tudo mais...) e o médico passou o antibiótico.

Ao comprar o remédio, o farmaceutico sempre explica muito bem como administrar o medicamento e às vezes dá até uma folha de instruções. Me perguntaram se eu tinha um assurance medicaments/seguro medicamentos privado ou se usaria o do plano de saúde público. Mostrei a carteirinha do seguro complementar fornecido pela empresa e o preço do remédio caiu de 25,75$ para 2,58$.

A informação tem um papel importante nessa área e algumas pessoas têm más experiências também por mau uso do sistema de saúde. Experimentando e conversando, pegamos macetes e fazemos o melhor uso possível do que está ao nosso alcance. Mesmo sabendo que o sistema não é perfeito, até agora não tive maus relatos na nossa cidade. E o Davi está novamente derrubando a casa!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Livro em francês


Já duas pessoas me perguntaram que livro eu sugiro para praticarem a leitura em francês. Como em Fortaleza não encontramos absolutamente nenhum livro para vender em francês, não tenho ideia do que possa estar disponível no Brasil.

Porém, tem um livro escrito por uma canadense que achei interessante por dois motivos: primeiro porque a história é legal e tem tudo a ver com imigração e segundo porque conta detalhes da vida daqui, acompanhando as mudanças das estações. O livro conta as experiências de uma québécoise que se muda para uma província anglófona e tem muitas das dificuldades que nós imigrantes temos ao chegar aqui, mesmo estando no seu próprio país! Ele retrata também a salada de inglês e francês e suas nuances em relação à identidade cultural, por exemplo.

O livro se chama "La maudite québécoise" e está custando, como dizemos em francês, uma "vintena" de dólares (20$). Não sei a viabilidade e custo para a entrega no Brasil, mas acho que é possível de ser comprado pela amazon.ca.

Fica aí a dica de uma leitura agradável, de um nível de francês acessível e com um gostinho de Canadá.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Cirque du soleil


Esse é mais um dos eventos que eu estava devendo a vocês e a mim também. Pronto! Dívida paga! Aqui em Québec, o Cirque du soleil tem uma temporada de apresentações gratuitas durante o verão, aberto a todo mundo. Por ocasião da visita de nossos amigos recém chegados em Montréal, fomos conferir o espetáculo. Esta apresentação do circo québécois mais famoso do mundo se chama Les chemins invisibles/Os caminhos invisíveis. Eis a página deles.

O show é uma rica mistura de recursos que bombardeia os nossos sentidos. Tem projeções de vídeos psicodélicos nas paredes, música enérgica ao vivo, jogos de luzes coloridas e pulsantes, fogo, movimento, fantasias, maquiagem, surpresa, espanto, deslumbre e emoção. É impressionante como eles criam fórmulas novas a todo momento, não só nas performances mas no conjunto todo.

Quem quiser ficar mais perto tem que chegar cedo. Mas mesmo chegando tarde e ficando no final, ainda viamos bem o show. Infelizmente, esqueci de levar o meu principal material de trabalho de reporter, a fiel câmera. Mas para a nossa sorte (minha e de vocês), o nosso amigo Carlos filmou usando o celular e pude editar os vídeos.

Muito recomendado o programa. Dizem que as apresentações pagas e em locais apropriados é ainda mais interessante que essas. Imagino como seja! O Cirque du Soleil não é um circo. É o circo!


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Imposto de renda


Se o animal que representa o imposto de renda brasileiro é o leão, o do imposto de renda canadense deve ser uma esfinge: corpo de leão e cabeça complicada de humano. Nem reclamo da mordida, que é um pouco menor que a do leão brasileiro, porque vemos todo o retorno dele até no lazer "gratuito". Mas quanto à complicação...

Tudo começou quando eu era pequeno e via o meu pai com folhas e folhas de declaração de imposto de renda e a calculadora de lado. Ele fazia a declaração dele e de mais outras pessoas por gosto. Quando chegou a minha vez de fazer declarações de imposto de renda, virei uma cópia do meu pai.

Chegando aqui, nada mais natural que querer fazer a minha própria declaração, mas tem boas diferenças. Primeiro que não existe declaração simplificada como no Brasil. A declaração é completa e com toneladas de campos. Para piorar, na verdade são duas declarações para duas agências diferentes: a federal e a provincial. Multiplicando por dois contribuintes, eu e a Mônica, viraram quatro declarações completas.

Mas tem o programinha para ajudar né, Paraíba? Sim, mas sou cearense! Tem gente que se decepciona quando vê que os programas de preenchimento da declaração de imposto de renda são pagos, enquanto que o da Receita Federal é gratuito. Na verdade, não é gratuito. É pago indiretamente via impostos. Em compensação, aqui temos diversidades de produtos que concorrem entre si para oferecer a opção mais facil de ser usada e que dá mais esclarecimentos em relação ao que temos direito de abatimento para maximizar o retorno. O que comprei funciona baseado em perguntas que são dirigidas de acordo com as opções de respostas que damos, como em uma entrevista. Usei o ImpôtRapide de luxe/TurboTax standard da Intuit que custou na época 20$.

Porém, mesmo com descrições bem mais explicativas do que o help do programa da Receita Federal, tudo aqui é diferente. Existem conceitos novos e termos específicos ou diferentes. Também, a primeira declaração tem que ser feita em papel, mas não precisamos preencher formulários porque o programa imprime tudo. A partir da segunda, podemos usar o programa para enviar via Internet.

Como eu mandei nos últimos dias de abril, pertinho do prazo final, demorei a receber minha restituição. A última delas aportou na nossa conta corrente no dia 15 de agosto. Mas dizem que depois da primeira, recebemos o dinheiro duas semanas depois de enviar, mesmo que seja feita nos primeiros dias do prazo e antes mesmo de abril.

Outra opção é usar o serviço gratuito de voluntários, mas somente para quem tem uma renda abaixo de determinado limite. Porém, eles não são profissionais da área e sim pessoas que têm experiência prática como eu vou ter daqui a mais umas declarações. Ganhando mais que esse limite, existem profissionais e empresas que cobram algo entre digamos 30 e 60$ para fazê-la. Além da praticidade e segurança em relação ao faça você mesmo, existe a possibilidade ou mesmo a tendência de termos um retorno maior quando feito por gente que conhece bem melhor as regras do jogo.

Guardem os recibos de serviços médicos, odontológicos, de garderie/creche, service de garde da escola, de camp de jour/colônia de férias e de recarga mensal de cartão de transporte! Sem eles, não podemos declarar e ter esses reembolsos!

No meu caso particular, eu gostei de tê-la feita eu mesmo porque tomei mais conhecimento de como funciona para tentar otimizar nossas ações e termos mais retorno. Também, como a nossa restituição somou 2800$, acredito que não tenhamos perdido nenhum dos recursos que tínhamos à nossa disposição, dada nossa situação. Mas sugiro que, a não ser que tenham muita paciêntia, tempo e gosto pelo assunto, contratem alguém para fazer a de vocês!

O leão morde, mas a esfinge além de morder, diz: decifra-me ou devoro-te!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Jeitinho brasileiro no Canadá


Esse texto do link é uma análise brilhante sobre o que está envolvido na cultura do jeitinho brasileiro e suas consequências, usando como contraponto a cultura canadense. Eu não conseguiria escrever tão bem quando o autor, por isso estou repassando-o aqui sem adicionar nada. Apenas um conceito que tenho que é pertinente ao assunto: Nos tornamos adultos quando seguimos regras porque temos a maturidade de entender o porque delas e não somente porque tem alguma autoridade que nos obriga a isso.

http://www.oitoronto.ca/17814/o-jeitinho-brasileiro-no-canada/

domingo, 11 de setembro de 2011


Eu me inscrevi no serviço Communauto, mas estava esperando uma primeira utilização dele para fazer uma postagem.  Mas como os nossos amigos de Montréal já escreveram uma postagem interessante, vou redirecioná-los para o blog deles. Assim vocês já podem tomar conhecimento.
Basicamente, é um serviço onde pegamos um carro em um dos inúmeros pontos espalhados na cidade e pagamos somente a utilização por blocos de meia hora.
Apenas duas observações muito importante que me decepcionaram muito mas não tiram a sua utilidade em situações mais específicas:
1) Só podemos nos inscrever no serviço com no mínimo um anos de histórico de crédito;
2) Temos que devolver o carro no mesmo ponto onde pegamos, ao contrário do serviço equivalente de bicicletas, o Bixi de Montréal.
Entretanto, continua sendo interessante para nós como segundo carro ocasional, já que não é interessante para nós ter dois carros.

http://indoemboahora.wordpress.com/2011/09/09/communauto/

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A TPM da Irene


Essa tal de Irene estava mesmo com raiva. Saiu do sudeste dos EUA até o nordeste do Canadá quebrando tudo! Começou anunciado (agora tratando no masculino) como um furação de categoria 3, mas rapidinho foi reclassificado como categoria 2 lá pela Carolina do Norte.

Alertas nervosos em todo o caminho previsto ao longo da costa leste dos dois países, mas como tinha um raio anormal de centenas de kilômetros, cobria uma região bem grande. Um em cada cinco estadunidenses foi afetado por ele. A sempre agitada Nova York parou! Os três aeroportos, metro e comércio ficaram fechados. Houve ordem de evacuação nas regiões mais facilmente alagáveis dela e de outras cidades. Quem ficou teve que se preparar: Madeiras nas janelas, lanternas, estocagem de comida e de água potável, etc.

Se tivéssemos ido ao Brasil por Nova York, teríamos o nosso voo de retorno cancelado. Estávamos agendados para irmos de carro nesse final de semana do furacão para Portland, Maine. Mas quando começaram as reportagens, tratei logo de cancelar.

Mais para o sul, a violencia do furacão foi mais forte, mas é uma região menos populosa. À medida que ele se deslocou rumo ao norte, foi perdendo a força devido à temperatura mais baixa e ao adentrar no continente, se distanciando do mar. Em Nova York, os estragos foram menores que o que esperavam, mas ainda assim, alagou partes da cidade, uma parte do metro subterrãneo, derrubou árvores, estragou carros, casas, e causou muitas panes de energia. Saldo: 10 mortes e entre 5 e 7 bilhões de prejuízo nos EUA.

Chegando no Canadá, a Tia Irene já estava mais calma. Chegou aqui como uma tempestade tropical. Sherbrooke recebeu mais chuva e ventos mais fortes que Montréal e Québec. Aqui em Québec, a previsão era de 100mm de chuva e ventos de mais de 100Km/h. Foi muito mais tranquilo que o esperado. Nem teve tanta chuva assim e o vento só chegou a uns 74Km/h. Eu já peguei esse patamar de vento duas vezes nos invernos e achei pior porque como eram nevascas, a visibilidade fica muito reduzida. Também, no meio da semana é complicado, porque algumas vezes as escolas fecham, mas o resto da cidade continua. Já a tia foi camarada e veio mais forte somente na noite de domingo e madrugada de segunda-feira.

De qualquer forma, foi suficiente para derrubar algumas árvores e deixar alguns lares sem energia. Aqui em casa, só teve uma falta de energia de apenas uns 10 segundos mas teve gente que ficou assim por mais de 24 horas. A boulevard Laurier amanheceu com seus shoppings e prédios comerciais sem energia e deve ter passado boas horas assim. No Québec todo, cerca de 180.000 lares foram afetados por panes de energia. Não tive nenhuma notícia de alagamento, mas ainda acho que fizemos uma boa escolha em morarmos longe de rios e em um lugar bem alto.

Nevascas, tempestades, tremores de terra (tivemos o terceiro, que dá uma média de 2 por ano), onda de calor, chuva congelante: Aqui tem de tudo um pouco de fenômenos naturais. Nosso vizinho tem 71 anos e ele disse que o pior que ele já viu acontecer aqui foram alguns galhos grandes de árvore que foram quebrados. Se for assim, esses espetáculos da natureza apenas dão uma pitadinha a mais de emoção nas nossas vidas. Teve muito marmanjo morrendo de medo da Irene!

sábado, 27 de agosto de 2011

Chute Montmorency






Essa é mais uma dívida que eu tinha para com todo mundo, inclusive nós! Como é que pode? Um ano e sete meses morando aqui sem ter conhecido la chute Montmorency/a queda d'água Montmorency? E para piorar, vejo gente que vai conhecê-la na primeira semana de chegada.

Bom, mas vamos lá. É bonito e vale a pena visitar. Ela tem uma parte alta e uma baixa. Ambas possuem estacionamento pago. Pagar um não dá direito ao outro, segundo um amigo meu. O teleférico também é pago e é por trecho e por pessoa.  Xii! Espantei os turistas! O lance é estacionar em cima, descer pelos trocentos degraus da super escada e depois subir de teleférico. Fica menos caro e mais interessante. Nessa página temos os horários e preços.

Além do passeio que pode ser feito eu qualquer época do ano (imagino), tem o festival de queima de fogos que acontece no final de junho e ao longo de julho. É L'International des Feux Loto-Québec. Quem quiser levar comida, tem mesas e cadeiras para o tradicional piquenique, como encontramos em muitos parques, praias e outros locais públicos de lazer daqui. Tem um restaurante no Manoir na parte de cima, e também tem uma lanchonete na parte de baixo, caso a fome aperte de forma imprevista.

Como uma imagem vale por mil palavras e um vídeo vale por mil imagens, paro o blá-blá-blá por aqui e deixo-os com as fotos e o vídeo.





sábado, 20 de agosto de 2011

Película solar


Como vocês já sabem, muitos produtos aqui são mais baratos que no Brasil, mas geralmente os serviços são mais caros. Às vezes, muito mais baratos os produtos e muito mais caros os serviços. É aquela história: todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer. Todo mundo quer ganhar bem mas não quer pagar o salário dos outros.

Não preciso dizer que aqui também tem sol e ele também maltrata. Entrar em um carro que ficou horas debaixo do sol é cruel. Tem muitos carros aqui que têm película solar, ao menos no verão. Acho que passado o verão, os donos tiram para aproveitar melhor o calor do sol quando está frio, além de voltar a ter uma boa visibilidade. Vou validar ou não a minha teoria até o inverno.

Como a fisolofia do faça você mesmo é muito forte por essas banda, também por causa dos serviços caros, acho que a turma instala as películas solares eles mesmos. Com a tecnologia de hoje, acho que não precisa ser um expert para colocar sem bolhas. Tomara que eu esteja certo!

No Canadian Tire (o que não tem lá?), encontrei essas pellicules ou films solaires/películas ou filmes solares entre 16 e 20$. Me pareceu barato demais até ler a parte que diz que cobre um vidro traseiro ou dois laterais. Mesmo assim, só não comprei e instalei eu mesmo porque o verão já está indo embora, mas toda vez que entro no carro forno, fico pensando na decisão. Mais no próximo verão eu vou experimentar e dou mais dicas. Lembrando que nosso carrinho não tem condicionador de ar. Afinal, para que? O Canadá fica quase no Pólo Norte!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Obtendo o visto estadunidense por aqui


DEIXEM OS CELULARES EM CASA E CONTEM ATÉ 1000! Depois eu explico melhor.

Alguém tinha que ter escrito sobre isso antes de eu bater cabeça na marra. Por causa de um planejamento baseado em achismos, acabamos não podendo ir para o Brasil nessas minhas férias. Daqui para Fortaleza e vice-versa é sempre complicado. O trecho complicado de Fortaleza faz com que a rota mais rápida nos faça perder 12 horas para descer até São Paulo e voltar. Via Air Canada na vinda, gastamos 24 horas de viagem e eu não consegui dormir.

Para as duas semanas que tirei de férias nesse mês, teríamos novamente a rota YQB(Québec) -YYZ(Toronto) -GRU(Guarulhos) -FOR(Adivinhe!). Mas indo pelos Estados Unidos, poderiamos fazer uma conexão em New York ao invés de Toronto e isso reduziria a viagem em 5 horas, além de alguns bons dólares multiplicados por 4 passagens. Então decidimos que era a hora de tirar o visto estadunidense (americano, todos nós que moramos nas Américas também somos!)

Ai vem a primeira má assunção (em minúsculo, é o ato de assumir algo): Temos que minimizar o risco de ter os 560$ do processo (140$ cada) jogados no lixo, já que ouvimos muitas histórias de vistos negados mas no Brasil e no Equador. Para isso, vamos esperar comprar a casa para ter mais vínculos com o Canadá. O furo é que pelo que vi, a impressão é que sendo residente permanente e mostrando uma carta da empresa que comprova o emprego aqui, para eles é suficiente. Um amigo meu disse que o contrato dele era temporário e disseram que bastava ele conseguir uma carta da empresa que dissesse que eles tinham a intenção de renovar o contrato.

A segunda foi em relação a prazos. Aqui no Canadá, cada cidade entre as mais importantes tem seu consulado ou a embaixada (em Ottawa (já perceberam que eu abuso (dos parênteses?))). Os canadenses não precisam de visto para entrar nos Estados Unidos. E além disso, Québec só tem cerca de 512.000 habitantes e a proporção de imigrantes é bem menor que de outras cidades. Eu imaginava que agendar uma entrevista e conseguir o visto seria bem rápido por causa desses fatores. Que nada! Quando eu terminei de preencher os quilométricos e estúpidos formulários DS-160, dei de cara com uma página que dizia que não tinha disponibilidade para entrevistas! Em Montréal e Ottawa também não estava nada tranquilo. Fiquei tentando diariamente até conseguir uma vaga e finalmente só fizemos a danada da entrevista hoje, cerca de dois meses após o começo do processo.

Quando percebemos que não ia dar tempo de tirar o visto, a única e restrita rota da Air Canada estava proibitivamente cara, mas já era! Não cometam os mesmos erros que nós cometemos! Agora vamos ter que esperar o fim do ano ou começo do seguinte para visitar a família e amigos.

Agora falando do processo, essa página dá o endereço das páginas dos consulados de cada cidade (http://www.usembassy.gov/). De página em página, vais acabar encontrando a que interessa. Recomendo ler tudo, mas adianto que vão ter que preencher o formulário DS-160 que é poche en 'stie!!/chato pra @#&%$*!! Nessas horas, é bom saber inglês. Para piorar, tive que preencher quatro vezes, porque apesar de ter um aplicante principal, é um visto para cada membro da família! Preenchia um e dava uma pausa de bons minutos xingando os yankees paranóicos. Esses formulários têm toneladas de perguntas idiotas como: Você é terrorista? Você vem para os EUA praticar atos de terrorismo? Você pretende financiar atividades terroristas aqui? Quem vai responder, SIM!!! ISSO MESMO! Eu quero explodir essa bodega? Você pretende se envolver com negócios de prostituição nos EUA? SIM! Adivinhe a mãe de quem eu vou contratar?!?!?!

1, 2, 3, 4,... 1000! Desculpem, caros leitores! Passou! O site avisa que não podemos entrar "nas seções do consulado" com eletrônicos, incluindo controle remoto do alarme do carro, dentre outras coisas. O senso comum é que o guarda guarda (não foi proposital, mas vou deixar assim mesmo) esses objetos na entrada, né? Né...ca! Da rua mesmo o rotundo guarda já avisa que não pode entrar com eles. E aí? Ele diz: Não sei! Se não puder deixar em casa ou no carro, talvez possa deixar em algum hotel ou restaurante, mas aí é com você! O cara do hotel quase vizinho fez esse favor. Não foi antipático nem grosseiro, mas também não foi gentil como costumeiramente são e nem sorriu. Acho que não fui o primeiro a pedir esse favor.

Entrando no cofre forte do Tio Patinhas, temos que tirar tudo que é metálico para passar nos raios Z (mais modernos que os X), inclusive os cintos! Eu já estava tirando a obturação do dente mas ele disse que não precisava. Dentro da caverna do Batman tem quatro guichês blindados. Dois estavam sendo usados por funcionárias québécoises para receber os documentos e fazer as perguntas básicas. Se for o caso padrão, vai ser só entregar os passaportes, cartões de residente permanente, a carta da empresa comprovando o emprego, de preferência com salário, data de contratação, cargo, etc., folhas de salários (rolerite) e, claro, as folhas de confirmação do....DS-160 impressas com foto e código de barras. A Mônica disse que era estudante e ela pediu algo para confirmar. O cartão da Laval foi suficiente. As perguntas são do tipo: Qual seu status aqui? Quando chegaram? O que fazem aqui (trabalho, estudo, etc.)? O que pretendem fazer nos EUA? (como respondi no maldito formulário, papocar a bodega e contratar a tua mãe!) Turismo! Qual cidade? (Bagdad!) Portland e New York. Tome um chazinho de cadeira enquanto o consul te chama no outro guichê, por favor!

O consul até que limpou um pouco a imagem. Foi simpático, brincou com o Davi e nem fez muitas perguntas. Basicamente, confirmou o que já sabia sem pegadinhas. Como todo bom presidiário, tivemos as nossas digitais digitalizadas (também não foi proposital!) e ele nos deu um papelzinho dizendo que os vistos foram aceitos e que vamos receber os passaportes de volta em torno de uma semana. No site diz que, em geral, são 3 dias úteis. Somando com os inúteis, dá mais ou menos na mesma.

Tenho ouvido muito falarem que mesmo pedindo somente o B2 de turismo, eles dão o B1 de negócios e B2, com validade de dez anos. Tive notícia de até um bebê ganhou o B1/B2 e assim, está apto a fazer negócios no Zestado Zunido. Só pretendemos usá-los por dois anos até termos os passaportes canadenses, mas melhor sobrar que faltar. Por falar nisso, a validade do passaporte brasileiro tem que ter ao menos 6 meses a contar da previsão de visita para que não expire lá, visto que é o prazo máximo de permanencia. E também em cada entrada no país, o oficial de fronteira vai avaliar o caso particular e mesmo com o visto, a entrada pode ser negada.

Agora vamos aproveitar esses suados vistos e pretendemos viajar até Portland, a maior cidade do estado de Maine, que fica vizinho ao Québec e fica no litoral. Como de carro, fica a umas cinco horas e meia daqui, podemos usar até um final de semana sem ser nas férias para conhecer. Depois, mas ainda sem previsão, pretendemos conhecer a Big Apple! Não é uma loja grande da Apple! É Niu Iórque, maxo matuto!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Festival d'Été 2011 - John Fogerty



O que? Você não sabe quem é John Fogerty? Eu também não sabia! Mas basta dizer que ele era compositor, cantor e guitarrista do Creedence Clearwater Revival. Piorou? Hum...Pois veja os vídeos que vais reconhecer duas músicas deles (Pretty Woman foi uma das poucas do show que não é dele). O CCR é a típica banda que tem muitas músicas conhecidas, mas que poucos sabem de quem são. Pior ainda quando as músicas são mais famosas por intermédio de outros como o Rod Stewart e a Bonnie Tyler que cantaram "Have you ever seen the rain?".

Começando pelo começo. Quando cheguei para o show, pela primeira vez vi pouca gente e pude ficar perto do palco. Só então pude perceber uma vantagem considerável em relação aos telões: A amplitude. Nos telões, vemos as imagens bem maiores que o palco longe, mas são mais focadas e restritas. Já olhando para o palco, vemos menor mas toda a cena ao mesmo tempo.

Antes da atração principal, teve uma banda legal chamada The Sheepdogs que tinha toda a sonoridade e o visual dos anos 70. Uma verdadeira volta no tempo, pois conseguiram reproduzir fielmente a ambiencia musical da época. Infelizmente, ao final do show deles, minhas costas e meus pés já estavam detonados da maratona. 1,5Km de caminhada em subida íngreme até o show, com mais a volta. No dia anterior, fiquei seis horas em pé durante o show das três bandas.

A atração principal começou seu show. Apesar das décadas de carreira, o camarada ainda tem muito gás para o palco, fez a maioria dos solos e sua voz está perfeita. Curiosamente, na décima quarta música que diz "I wanna know have you ever seen the rain comming down on a sunny day"/"Eu quero saber se você já viu a chuva cair em um dia ensolarado", começou a chover e era chuva de verdade como podem ver no vídeo. Depois de mais duas músicas, completando dezesseis, resolveram parar o show enquanto a chuva passava por questões de segurança. Poucos dias depois, a estrutura de palco de um festival em Ottawa desabou por causa de uma rajada de vento. O pessoal daqui sabe o clima que têm!

Eu já estava com as costas e pés acabados, estava chovendo muito, já tinha visto dezeseis músicas e resolvi voltar para casa para me preparar para a nova semana de trabalho, pois era domingo. Depois de 10 minutos de pausa, ainda tocou mais outras doze músicas. Mas de qualquer forma, já valeu a noite por colecionar mais um nome que fez a histórica da música. Até o Festival d'été de 2012! Quem serão as atrações?













segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Pega o ladrão!


É meus colegas. O "cerumanu" é um bicho esquisito. Nem mesmo aqui na pequena, pacata e segura Québec, não estamos livres dos ladrões. E ainda mais em um bairro mais afastado e tido como ainda mais tranquilo!

Estava eu tranquilamente em casa, quando por volta de umas 21h20 ouvi um estouro e um alarme de carro soando. Meu instinto aranha começou a zumbir e aquela cena me pareceu muito familiar. Mas como meu cérebro já passou um ano e meio sem nem um minutinho de estado de alerta, ignorei. Ouvia vozes falando mais alto que o normal e o instinto aranha buzinando direto. Ahh! Não é nada. Até que não aguentei e abri a porta para ver o que era.

Eis que vejo no estacionamento do parque que fica na esquina, um cara imobilizando outro no chão dizendo: Calme-toi! Calme-toi! Tranquille! Sinon je pète ta gueule!/Se acalme! Se acalme! Fique quietinho! Senão eu papoco teu focinho! Pensei que fosse briga, mas depois lembrei do carro. Daí, fui saber o que era que estava acontecendo.

Um menor não tão menor assim passou por uma caminhonete cabine dupla que estava lotada até o teto de objetos no banco de trás, em um cantinho escuro e escondido de um circulador pequeno. Ele não viu ninguém por perto e escolheu o carro como vítima. O estouro que eu ouvi foi um golpe de machado. Isso mesmo! Um machado pequeno no vidro lateral traseiro. O alarme disparou. Acho que ele não esperava isso e correu assustado. No estacionamento do parque ao lado, tinha um cara que devia ter lá seus vinte e poucos anos e resolveu dar uma de herói. Apesar do machado na não, o Bruce lee correu atrás dele, deu um chute na canela e derrubou o ladrão amador. Caido no chão, ele aplicou algum golpe para imobilizá-lo enquanto as pessoas que chegavam chamaram a polícia.

O Bruce Lee perguntava seu nome e quem eram seus pais para ele ligar e contar o que aconteceu, mas esse não falava nada. Dois carros da polícia chegaram entre 5 e 10 minutos depois da ligação, e olhe que moramos mais afastado do centro! Chegando lá, os policiais pegaram a versão do dono do carro, do Bruce Lee e do meliante. Isso foi suficiente para revistarem, algemarem e retirarem tudo dos bolsos e inspecionarem minunciosamente. Trancado dentro do carro, começaram a pegar depoimento das testemunhas. O dono do carro teve que preencher uma ficha de ocorrência no local enquanto que o outro carro da polícia foi para a delegacia.

Apesar de ser um caso isolado, que foi uma tentativa de furto e não de roubo (não tinha ninguém no carro), que o ladrão foi pego, etc, etc, etc. É decepcionante para mim. Eu sei que nenhum lugar da terra está livre disso (quem sabe no Polo Norte?). Mas não esperava ver isso tão perto da nossa casa. Ser humano é ser humano no mundo todo, com suas qualidades e seus defeitos. O que muda são as proporções.

domingo, 7 de agosto de 2011

Festival d'été 2011 - Joe Satriani e Metallica




A loucura começou bem antes do show. Os mais malucos acamparam na noite anterior para guardar os lugares mas próximos da entrada, e assim garantirem as suas partidas antecipadas para ocuparem os melhores lugares perto do palco. Quem chegou até duas horas da tarde mais ou menos conseguiu entrar, mas ficaram entalados na entrada sem ver nem mesmo os telões. Eu cheguei lá para as seis horas e vi uns três quarteirões de multidão ocupando quase a largura da rua toda, iludidamente pensando que entrariam no espaço principal. Mais uma vez me surpreendi ao ver que não tinha nada delimitando a largura da fila, mas mesmo assim havia uma faixa lateral na rua desocupada e ninguém furava esta. Nesses casos, esperava que as menores distancias livres fossem ocupadas primeiro. Mas na rua, quem quisesse poderia furar a fila. Ao menos teria acesso físico! Se o pessoal iria gritar alguns sacres/palavrões québécois eu não sei.

Eu já sabia que iria para a zona F, uma região grande mas que fica por detrás do palco e que tem somente um telão. Melhor assim. Era menos tumultuado e não conseguiria ver o palco de qualquer maneira se estivesse nas região das outras seções. Impresionante é que mesmo em um show de rock pesado como esse, ainda assim tinha carrinhos de bebês e crianças acompanhando os pais.





Acho que já chegou a hora de dizer que depois de uma banda québécois e antes do show do Metallica teve a apresentação do Joe Satriani. Coitado! É um exímio guitarrista, fez uma bela e profissional apresentação, mas foi brutalmente ofuscado pelo brilho metálico. Eu fiz o mesmo aqui nessa postagem para dar mais realismo. Acho constrangedor ver que a maior vibração da galera não foi durante seu show mas quando ele disse quem seria a próxima atração. Pauvre toi!/Coitado de ti!





Já a atração principal fez cerca de duas horas e meia de show detonante. Os principais hits da sua carreira fizeram a multidão de 115.000 metaleiros (alguns senhores e crianças não eram tão metaleiros assim) ir à loucura. "Era meu sonho vivenciar isso aqui", disse James Hetfield, vocalista e guitarrista. "Meu também!", disse o comedor de rapadura brasileiro de nome russo que mora no Canadá. Não encarei o que ele disse como o puxa-saquismo tradicional movido pelo marketing. O que acho que ele quis dizer é que é um privilégio de poucos músicos poder sentir a energia de uma maré de gente gritando e se agitando como a que ele viu.

Como no conto de Cinderela, meia noite acabou o show porque regras são regras. Mas eles ainda passaram muito tempo agradecendo, aplaudindo o público, jogando palhetas e baquetas e se despedindo.

Mais uma vez, todo mundo saiu devagarzinho, educadamente e sem empurrar. Apenas uns gaiatos de plantão cantando alto as músicas brego-românticas do Eric Lapointe (que se apresentou também em outro dia) e fazendo piadas. E eu, de sorriso de orelha a orelha, colecionei mais um show inesquecível propiciado pela nossa capital do metal que faz parte das rotas das grandes atrações musicais.

N'importe quoi...
Je t'appelais dans la nuit...
Pour te dire...
N'importe quoi...
(letra da música do Eric Lapointe)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Festival d'été 2011 - Elton John




É a segunda vez que vou ao imperdível Festival d'Été. Dessa vez o laissez-passer/passe livre que dá direito a todos os shows dos 11 dias custou 65$. No ano passado ele custou apenas 50$. Os amigos equato-brasileiros Carlos, Ângela e seu filho vieram de Montréal para conferir seu ídolo, Sir Elton John.

A exemplo da outra atração principal, o Metallica, tinha algo entre 100.000 e 120.000 pessoas na área cercada dos Plaines d'Abraham. Ficamos na seção F, no alto que fica atrás do palco. Embora não pudéssemos ver os músicos no palco (na frente mas longe também não seria tão diferente), tinha um dos vários telões perto e através dele que assistimos tudo. Em compensação, estávamos em um lugar tranquilo para ficar com as crianças, como em um piquenique: Cobertures na grama, lençol, comida, joguinho, etc. O volume do som nessa seção não é alto, logo, eles não se sentem incomodados. Não fomos os únicos. Facilmente encontrávamos carrinhos de bebês e muita gente fica é sentado na grama mesmo.

Acredito que o show teve duração de duas horas e meia e foi uma amostra das melhores músicas da carreira do cantor inglês. É a fórmula perfeita para recordação eterna dos fãs. Começa pouco depois de escurecer, que nessa época acontece por volta das 21h00 e vai até o limite de meia noite. Tanto na entrada quanto na saída teve filas, mas estas fluiam sem empurrões nem confusão, bem canadense.

É bom saber que mesmo com filhos, dá para curtir shows com um mar de gente sem confusão, na tranquilidade e com segurança.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Processo de Manitoba MPNP Strategic Initiatives - Exploratory Visits


Embora as portas do processo federal estejam cada vez mais fechadas, do processo do Québec possam também se fechar e ambas tenhas suas restrições e dificuldades, eis que surge uma alternativa. É bem verdade que já existiam outras alternativas, mas acabavam ficando muito limitadas como, por exemplo, a ter uma oferta de emprego antes mesmo de imigrar. A novidade da qual falo agora é a nova modalidade do MPNP (Manitoba Provincial Nominee Program), chamada Strategic Initiatives - Exploratory Visits.

Por ela, o candidato precisa enviar por email seus documentos mostrando seu potencial como skilled worker e seu interesse em fixar-se na província. Se a resposta for positiva, o candidato poderá fazer uma viagem exploratória às suas custas para conhecer a vida local, sondar o mercado de trabalho na sua área e conhecer o que puder. A obtenção do visto de "turismo" canadense é de total responsabilidade do candidato. Uma entrevista será marcada no final da visita. Nesta, o candidato terá que provar que se identifica com a província, em qual vizinhança pretende morar, o que aprendeu, o que visitou, quais serviços utilizou, as empresas com as quais fez contato para explorar oportunidades potenciais (para o(a) esposo(a) também, se for o caso), entidades profissionais que regulamentam a profissão e, principalmente, porque o candidato acha que é um forte candidato ao programa. É recomendado comprovar o que puder através de documentos.

Por ser uma província não muito procurada e sem muito prestígio, é bem fácil imaginar que vão existir candidatos querendo usar esse processo como porta dos fundos para ir para outras províncias. Os responsáveis pelo processo não são tolos e dão a entender pelo texto de que o candidato vai ter que se rebolar (no sentido figurado somente) para provar que pretende realmente se estabelecer e continuar morando lá.

Como vantagem, eles dizem que o processo incluindo a parte federal é acelerada. O outro ponto positivo que vejo é que dá a entender que a exigência de inglês é menor. Caso opte pelo exame de proeficiência que é usado no processo federal, o IELTS, a nota mínima é 5. Caso seja usada a auto avaliação do MPNP, basta se enquadrar no nível de 6 pontos que diz "Applicant has received some instructions and/or has to be employable in Manitoba".

A documentação às vezes fica confusa, misturando a nova modalidade com anteriores. Daí, entendera (eu gosto do finado pretérito mais-que-perfeito) que seria necessário ter algum parente para endossar o pedido. Mas um colega de lista de imigração do Canadá passou o link de um documento PDF que dá mais detalhes que, embora também deixe margem a interpretações, parece confirmar que não precisa de parentes mesmo.

O que desestimula muitos pretendentes é o fato de Manitoba não ser uma província conhecida, sem glamour e sem o porte e agito das grandes metrópoles como Toronto, Montréal e Vancouver. Não conheço nada de lá pessoalmente mas Winnipeg, a capital da província, tem o porte médio de Québec, Ottawa e Calgary, o que deve proporcionar, a exemplo destas, uma boa qualidade de vida.

Se você considera que tem uma boa empregabilidade e não está preso à ideia de se fixar em uma província ou cidade específica, fica aí a alternativa.

Mais detalhes:
http://www2.immigratemanitoba.com/browse/howtoimmigrate/strategic/pnp-exploratory-visits.html
http://www2.immigratemanitoba.com/asset_library/en/pn/pnpkit0909.pdf

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Mudança de formulários do processo

Acabei de ver a notícia de que mudaram os formulários de obtenção de todos os vistos canadenses. Agora é online com validação e geração de código de barras. Leiam mais detalhes no link abaixo.

http://www.cic.gc.ca/english/information/applications/skilled.asp

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Nossos vizinhos não existem!


Nooooosa Senhora! Nunca vi vizinhos tão simpáticos, prestativos e calorosos quanto os nossos. E não estou falando dos que moram apenas em uma casa.

Tudo começou antes mesmo do começo. Antes da mudança do apartamento para a casa, eu trazia as coisas menos importantes e menores mas que enchiam completamente o carro. Na segunda-feira à noite, lembrando que as coletas de lixo passam na terça-feira, coloquei o latão de lixo (grande, de plástico e com rodinhas) comum e o de lixo reciclável (aqui todo mundo faz coleta seletiva) na rua.

Quando cheguei com mais caixas na terça-feira à noite, cadê os latões? Quack! O lixeiro nem pega neles! É um braço mecânico que vira os latões para dentro do caminhão. Eu sou louco mas tenho certeza que os coloquei na rua pois lembrava que eram mais pesados do que o que imaginava. Quando estacionei o carro na "garagem" (é só o chão), percebi que eles estavam novamente no quintal. Algum dos vizinhos, sem ainda nem nos conhecer, fez a gentileza de levá-los da rua para o quintal. Até hoje não sei quem foi.

Aqui as casas não têm muros. O vizinho do lado esquerdo tem uma cerca no quintal para as crianças não sairem e o do lado direito tem uma cerca viva que não impede de vermos quem está no quintal por causa do desnível do terreno. Já para o vizinho de trás, não tem nada a não ser o desnível pelo fato do terreno dele ser cerca de um metro mais alto que o nosso. Dessa forma, quando estamos nos quintais, podemos ver e ouvir uns aos outros. Assim, logo nos primeiros dias os próprios vizinhos puxaram conversa, se apresentaram e deram as boas vindas.

Um belo dia, escutei os gritos do Davi um pouco mais longe. Quando fui ver, ele estava dentro da cerca do vizinho da esquerda, brincando com os filhos deste. Valei-me meu Santo Aleixo! O menino já invadiu a casa do vizinho sem pedir! Quando cheguei lá, descobri que os filhos do vizinho é que tinham pedido à mãe deles para brincarem com o Davi lá. Logo depois, a mãe deles me perguntou se poderia levar o Davi para tomar banho de jet d'eau/jato de água com os filhos dela no parque. Na outra semana, eram os filhos deles que estavam lá em casa.

Outra vez, a Mônica me ligou avisando que iria sair e a Lara não queria ir com ela. E aí? Como é que faz? A Lara fica na casa da Denise! Hein? Tranquilo! Já está tudo acertado! Quando cheguei, a Lara estava desenhando e conversando com os vizinhos de trás, um casal de aposentados maravilhosos. Como a sua filha é comportada! E de quebra nos mostraram o interior da sua casa, que é enorme. E isso tudo em menos de 20 dias!

O Ivan, marido da Denise, este é tão solícito que até me encabula. Me ensinou a cortar a grama e emprestou a máquina de cortar grama portátil para fazer o acabamento antes de eu comprar a minha.

Em um final de semana que estávamos com visitas, ele me chamou. -Eu estou vendo que estás com visitas. Eu tenho quatro cadeiras no cabanon/remise/depósito (externo) que não uso. Vamos pegar para as suas visitas? Outro dia: -Sua esposa contou que ainda não compraram a mesa e as cadeiras do patio/"varanda" do quintal porque não cabem no carro. Quando quiseres, me avise que vou com você para trazermos no meu reboque. Não só foi comigo, como ainda se ofereceu prontamente para ir ao outro Canadian Tire lá do outro lado da cidade quando disse que não tinha mais no que fica mais perto de onde moramos.

E ele não me deixa arrodear o quarteirão! -Você vem cansado do trabalho. Não precisa fazer toda essa volta. Passe pelo terreno e vá direto ao quintal da sua casa que é mais rápido. Muitas vezes, quando estou em frente à casa dele, ficamos uma meia hora conversando. Nessas conversas, ele me apresenta outros vizinhos das casas próximas, que são bem humorados.

Quando fui devolver as cadeiras dele, ele saiu com essa: -Não! Você pode precisar delas quando chamar seus amigos! Eu tenho muitas no meu patio e na garagem. Não tenho como usar e só estávam guardadas. Se você quiser e não se incomodar com elas, se tiver espaço no seu cabanon, fique usando-as! E aí se segue a frase que escutamos demais por aqui que explica e resume o porquê de tanta gentileza: Ça me fait plaisir!/É um prazer para mim!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Qual vai ser o seu novo nome?


Inicialmente, eu pensava que quando chegasse aqui o meu nome completo se mantivesse o mesmo. Até poderia, mas quando fui tirar o primeiro documento canadense, o NAS (Numéro d'assurance social)/SIN (Securitity Insurance Number)/número de seguridade social, a funcionária do Service Canada me fez a seguinte pergunta: Qual sobrenome você quer manter? Pego de surpresa, eu disse Aguiar que é o último sobrenome que veio do meu pai e que passou aos nossos filhos. Ploft! Acabara de mudar de nome sem saber as implicações.

Quando cheguei ao banco para abrir a conta, a gerente perguntou meu nome: Alexei Barbosa de Aguiar. E ela disse: - Bom, oficialmente seu nome é Alexei Aguiar segundo o seu cadastro do NAS, e eu tenho que seguir o nome oficial. - É? Então tá. É bom saber. Já com um amigo meu, aceitaram o nome brasileiro diferente do que estava no NAS.

Depois disso, usei sempre Alexei Aguiar em todos os outros cadastros. Com o tempo, percebi que não foi algo planejado, mas foi bem conveniente. Primeiro porque alguns formulários como o de envio de encomendas dos correios mal tem espaço para escrever Alexei Aguiar. Segundo porque, devido às colisões de nomes, alguns cadastros mais exigentes pedem o sobrenome (último) da nossa mãe quando era solteira como forma de desambiguação. Não por acaso, é justamente o Barbosa que foi suprimido, já que temos também no Brasil uma certa convenção social de utilizar o sobrenome do pai no final e passá-lo aos filhos.

Agora se eu tivesse suprimido o Aguiar? Vejamos:

Nome completo brasileiro: Alexei Barbosa de Aguiar
Nome: Alexei
Sobrenome da mãe: Barbosa
Sobrenome do pai: de Aguiar

Escolhendo Aguiar:
Nome completo canadense: Alexei Aguiar
First name/prénom: Alexei
Last name/nom: Aguiar
Mother's maiden name/nom de naissance de la mère: Barbosa

Escolhendo Barbosa:
Nome completo canadense: Alexei Barbosa
First name/prénom: Alexei
Last name/nom: Barbosa
Mother's maiden name/nom de naissance de la mère: Barbosa

Esquisito, não? Isso causaria ainda mais confusão que o meu nome russo (que eu adoro)  já causa.

Mas, porém, entretanto, todavia, contudo... isso não é regra. Os próprios québécois usam dois nomes e/ou dois sobrenomes como Marie-Claire Legrand-Dubois, porém, ligados por hífens. E tem brasileiros que usam um sobrenome em alguns cadastros e dois sobrenomes em outros, ou mesmo outras formas.

Vale também citar que a interação de quem mora aqui com empresas estadunidenses é forte, logo, estamos sujeitos a problemas quando usamos acentos em sistemas que foram concebidos para nomes e endereços de lá. Recentemente eu mudei o cadastro no site que gerencia as ações que a empresa onde eu trabalho dá e escrevi Québec com o acento. O sistema aceitou, mas trocou o "é" por dois caracteres completamente malucos. Também, é interessante pensar em qual nome e qual sobrenome pode causar dificuldades de pronúncia, principalmente em inglês que é foneticamente bem mais limitado que o francês.

Outro fator que afeta o futuro nome é a limitação de comprimento no formulário que entregamos no landing ou mesmo erros de digitação nesse. Segundo relatos, uma vez truncado ou errado, o máximo que podemos fazer depois de chegar aqui é suprimir o nome ou sobrenome em questão, mas não permitem que o corrijamos.

Não quero impor regras, até porque nem mesmo as conheço e vejo que registram nomes de formas bem variadas. Mas é bom que saibam que os seus nomes poderão mudar e o que isso pode ajudar ou atrapalhar um pouco. Só um último aviso que me passou pela cabeça agora. É bom pesquisar se algum nome, sobrenome ou apelido tem um significado engraçado ou feio em inglês e em francês. Exemplos: Cacá em francês quer dizer cocô e Cris soa como crisse, que é um palavrão québécois bem pesado!