sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

De olho no higrômetro


Sim, vocês se lembram o que é um higrômetro! Não estou nem questionando o fato de saberem o que é porque estudamos isso na escola, por isso escolhi o verbo lembrar. Vou usar uma questão de múltipla escolha para provar que vocês sabem o que é.

Higrômetro é um equipamento que nos permite medir:
a) A umidade relativa do ar;
b) A humildade das pessoas;
c) A viscosidade do óleo que lubrifica a barriga dos crocodilos de papo amarelo;
d) A popularidade dos presidentes.

Não disse?! Pois bem, agora que você lembrou, vou explicar porque devemos monitorar a umidade do ar.
Não que Fortaleza não tenha um clima que agrida a saúde, mas o daqui do Canadá agride de forma diferente. Algumas lições de cuidados com a saúde no clima daqui são aprendidas facilmente, apesar de na porrada. Por exemplo, quando desci do taxi que peguei no aeroporto, tive que levar algumas malas pesadas subindo bons lances de escada. Eu fiquei ofegante e, inocentemente, respirei pela boca no ar seco e bem frio do inverno. Isso me rendeu uns 5 minutos de tosse forte e sem conseguir falar. Podemos brincar de soprar para fazer fumaça e falar normalmente nesse ambiente externo seco e frio, mas inspirar o ar pela boca é algo que só fazemos poucas vezes até aprender que não dá.
Por outro lado, existem outros detalhes que nem sempre percebemos. Hoje falo, ou melhor, escrevo sobre a umidade relativa do ar dentro de nossos lares.
Meu aprendizado também foi na porrada, apesar de eu já estar atento. Na primeira vez que medi a umidade aqui no nosso apartamento, ela estava em somente 10% já que este estava desocupado. Depois de passar o esfregão molhado no piso todo, tomar banho e cozinhar (Sim! Eu mesmo!), esta aumentou para uns 25%. Quando acordei no dia seguinte, achava que o meu nariz estava cheio de catarro. Quando me assoei na pia, ela ficou toda vermelha de sangue arterial, aquele vermelho beeeem vivo. Mesmo passando água no chão todo, deixando a banheira e a pia com água, a umidade não passava de 30% e eu tinha esse problema com o nariz e com a garganta seca. Tem gente que também sente dor de cabeça e principalmente quem trabalha muitas horas com computadores pode ter problemas de ressecamento dos olhos. A atenção à tela faz com que pisquemos pouco. Isso, aliado à mania de coçar os olhos me rendeu uma conjuntivitezinha leve que me fez ter a única falta ao trabalho do ano.
A umidade de ambiente para ambiente. Depende do tamanho, do tipo de aquecimento, do ajuste de temperatura deste, do quanto que se usa o banheiro e a cozinha, água e exaustores, da vedação e de vários outros fatores. Quanto à faixa de humidade ideal, pelas pesquisas que fiz vi que esta varia. No nosso caso, percebemos que nos sentimos melhores quando esta fica entre 40 e 50%. Cuidado que a umidade alta também é prejudicial! Ela causa a proliferação de agentes alérgicos como ácaro, fungos, mofo, etc. Isso pode acontecer naturalmente nos apartamentos de subsolo. Estes podem precisar de um desumidificador, ao contrário de outros. Por outro lado, se a humidade estiver bem ajustada, tendemos a ter menos problemas de alergia.
Como no nosso apartamento, com o nosso perfil de utilização e no meio do inverno a umidade fica em uns 30%, temos que usar um umidificador. Nesse inverno, mesmo com o umidificador no máximo, a umidade não chegava nos 40%, enquanto que no inverno passado, tinha que regular para evitar que chegasse aos 60%. Descobri que era por causa das infiltrações de ar nas frestas das janelas. Depois de vedadas (e mesmo assim só parcialmente), ficou como era antes. Também a temperatura aumentou de um a dois graus por causa de alguns poucos metros de fita adesiva, tipo um durex largo, nessa frestas.
Existem basicamente três tipos de umidificadores. Um deles eu nem lembro mais, porém nunca o vi à  venda. O tipo que não recomendo é o de vapor fresco. Ele faz barulho por usar um ventilador, temos que trocar o filtro de tempos em tempos e refresca o ambiente, o que não é lá uma uma prioridade nacional no inverno! O tipo mais apropriado, a meu ver, é o de vapor tiède/warm/morno. Ele aquece a água, logo, não tem ventilador e assim, não faz barulho, nem tem filtro e ainda ajuda no aquecimento. Comprei esse modelo da Honeywell por 50$ no Canadian Tire, mas outros devem fazer bem o seu papel. E também uso um só para o apartamento todo, que é grande (uns 110 metros quadrados).
Sugestão: Se não quiser gastar dinheiro, peça emprestado um termômetro que seja também higrômetro para saber como está seu lar (o meu já está emprestado, mas podem se acotovelar na fila que vai se formar depois dessa postagem!). Essa foto é a do nosso termômetro higrômetro, embora tirada no verão. Ele está marcando 10h09 da manhã, 29,3°C de temperatura interna, 66% de humidade interna e 30,4°C de temperatura externa transmitida sem fios pelo outro termômetro. Caso a umidade medida esteja baixa, compre tanto o umidificador quanto o higrômetro para poder controlá-la (lembre-se que a umidade alta também é maléfica). Isso porque o Ministério da Saúde NÃO adverte, mas a umidade baixa é prejudicial à saúde.
Ahh! Não esqueçam de tomar vitamina C e feliz 2011 com muita saúde!!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O que é o natal?




Desde adolescente eu me incomodava com a imagem que se faz do natal. Por que colocam algodão em um pinheiro de plástico para se passar por neve em plenos 34° graus no meio da caaringa nordestina? Como é que o gordo Papai Noel passa pela chaminé para deixar os pres...epa! O que é uma chaminé?!?! Tá! Eu sei o que é uma chaminé, mas chaminé em Fortaleza?!?! Já pararam para pensar o calor que os Papais Noéis sentem por usar uma roupa de frio em um lugar onde a temperatura mais baixa que registrei foi 24 graus, chovendo e de noite? Tem alguma coisa errada nessa história, aliás, várias.
Começando pelo fim: Isso é uma imagem de um natal de países frios, onde tem pinheiros, neve, chaminés, trenós e, dentre muitas outras coisas, onde as pessoas usam gorros de Papai Noel, acreditem, com a função de deixar a cabeça aquecida!! Encontrei algumas pelas ruas daqui.
Moramos em um desses países nos quais o pinheiro enfeitado e coberto de neve é de verdade e tudo mais passa a fazer sentido. Quase tudo. No Brasil desejamos feliz natal para todo mundo, mas derrepente, se eu fizer o mesmo ao meu colega de equipe que é indiano, posso estar o ofendendo pois ele provavelmente tem outra religião. Poderiamos convidar os nossos amigos ucranianos para a nossa festa de natal, mas como eles são católicos ortodoxos, comemoram o natal no dia 7 de janeiro. E o mais intrigante é que mesmo para muitos dos católicos apostólicos romanos como nós, natal é o dia do Papai Noel! Quanto a isso, tanto faz estar no Brasil ou no Canadá. Não se houve falar do nascimento de Jesus, mas Papai Noel, Pére Noël, Santa Claus ou Saint Nicolas está em todo lugar.
Pois bem, além dessas questões, natal para mim sempre foi sinônimo de reuniões de famílias. A do meu pai, por exemplo, é bem grande e sempre reúne muita gente. São gerações sob os olhares carinhosos da matriarca, minha querida avó. No natal passado eu já havia sido contratado por telefone e estava organizando tudo às pressas para vir para cá. Meu tio, habilidoso que é com as palavras, sempre faz um belo discurso. Mas este do natal passado só repercutiu seu eco um ano depois. Não sei se de propósito ou não, mas ele enfatizou ainda mais a questão da família presente, próxima, unida, vivendo o dia a dia, um do outro. Se por um lado o natal do menino Jesus simboliza o renascimento, e as nossas vidas renasceram depois daquele natal, por outro, o natal família ficou um pouco vazio. Se por um lado estamos no cenário perfeito do dito "espírito de natal", por outro lado, faltam os atores principais.
Mas mesmo com a distância física das grandes famílias, pois continuamos nos vendo e conversando via Skype, o sentimento de família continua forte. Isso porque, como muitos nos disseram que aconteceria, a nossa célula familiar de pai, mãe e filhos está mais unida e forte. Nos divertimos mais e juntos, não só adultos e só crianças. Somado a isso, tivemos uma noite bastante alegre e agradável em companhia de amigos brasileiros que, como nós, passam seu primeiro natal aqui. Criamos laços de verdadeira amizade com muita gente por aqui. Amizade solidária, inclusive. As dificuldades de um imigrantes são tantas que ajudamos a outros que muitas vezes nem sabemos quem são. Isso sim também é natal! Ajudar ao próximo sem esperar nada em troca e até sem nem saber que ele é nos permite experimentar o autruismo realmente sincero. Esse é um bom presente de natal sem cair no chavão do consumismo.
Para mostrar que o natal não está nos símbolos visíveis, mas como um sentimento dentro de cada um de nós e que se manifesta de formas diferentes, deixo aqui uma música que me tocou muito e que lembro até hoje. Estava sozinho há quase um mês e prestes a rever a família que estava vindo para cá, quando vi esta magnífica interpretação na abertura dos jogos de inverno de Vancouver, 2010. A letra dá margem a várias interpretações. Não passo nenhuma mas mesmo assim você vai criar a sua, mesmo se não entender nada da letra.

Feliz sentimento de natal.







sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz natal


Uma postagem curta para desejar que os seus projetos, sejam de continuar morando no Brasil, de vir morar no Canadá ou de continuar morando aqui, se realizem com sucesso, felicidade, paz e com as graças de Deus.

Feliz natal

Joyeux noël

Merry christmas

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lazer de inverno




Na postagem anterior, devo ter assustado muitos pretendentes ou mesmo futuros residentes permanentes do Canadá. Acho que também assustei algums turistas potenciais, inclusive da família. Désolé/sorry/sinto muito, mas faz parte da minha responsabilidade de mostrar os dois lados da piasse(piastre)/loonie/moeda de 1 dólar.
Para compensar e mostrar que o inverno aqui não é um preço a pagar, o lado ruim do Canadá ou pagar os pecados, esta postagem mostra um pouco das oportunidades de lazer que o inverno proporciona, sobretudo para quem uma família ou pretende constituir uma aqui.
As crianças adoram a neve. É macia, pode ser modelada, não irrita os olhos com a areia e é escorregadia. Depois de transformar nosso ambicioso projeto de construir um iglu em mais modesto de construir um forte de neve, descobrimos que temos que ter ferramentas mais produtivas. Os tijotos feitos com uma caixa de papelão dão muito trabalho e esta não durou muito. Não passsamos do terceiro andar de tijolos e uma chuva derreteu tudo. O interessante é que a neve estava boa e o acabamento fica perfeito. Às vezes a neve fica parecida com açucar e não dá para fazer nem uma bola de neve, quanto mais um bonhomme de neige/boneco de neve.




Os adultos aproveitam a neve para esquiar, tanto no plano (ski de fond) quanto descendo, de esqui ou planche de neige/snow board. Pretendemos fazer mais essa aventura ainda nesse inverno. Mais prático, barato e universal mesmo é a patinação. É o esporte de inverno mais popular. Aqui temos patinoires/skate rinks/pistas de patinação gratuitos externos e internos com uma boa infraestrutura de apoio. O da Place d'Youville (mapa aqui), por exemplo, tem um sistema de refrigeração que permite seu funcionamento começar antes e terminar depois do período de temperaturas negativas. Já o Anneau Gaétan-Boucher (mapa aqui) tem uma pista em formato de zero de 400 metros de extensão por 12 metros de largura. No interior, além dos três patinoires utilizados para partidas de hockey e patinação artística, tem desde um microondas de uso público (e gratuito) até a lanchonete (essa é paga, claro!). Nos que eu conheço, sempre tem um serviço de aluguel e afiação de patins. Nesses dois que eu citei, tem também armários (basta levarmos os cadeados) e aluguel de suportes para crianças. 


Não só no verão a prefeitura promove eventos de lazer para as famílias. Este, por exemplo, conta com dois tobogãs de gelo super rápidos, além das boias e pessoal de apoio. Apenas para reforçar, grátis, ou melhor, conta já paga pelos impostos. Tinha também um grande labirinto feito de pinheiros com uma casa iluminada no seu fim, bem como alguns carros decorados.










E além de tudo, ainda temos a infraestrutura fornecida pela própria mãe natureza. É comum vermos pais puxando as crianças em trenós, aproveitando as calçadas cobertas de neve e existem lugares interessantes para que elas possam usá-los para deslisar. Aqui perto tem o Parc des Braves que é inclinado, o que proporciona uma descida bem longa. Ideal para fazê-los gastar as baterias nas subidas! Depois ficam beeeem calminhos! Infelizmente, por engano, acabanos não gravando a descida das crianças e somente a minha tentativa de fazer uma trilha. Nem funcionou, porque cada descida teve um caminho diferente e nem mesmo serviu para eu me divertir porque por causa do meu peso, o trenó desceu muito devagar. Além do mais, a neve lá estava no meio da canela. Mas dá para ter uma ideia.








Tudo isso, somado ao fato de que não temos mais a mínima preocupação com a violência faz com que tenhamos muito mais programas de lazer externos que tínhamos no Brasil, mesmo no inverno. Mesmo quem tem bebês faz tudo mesmo com eles: patinação e cooper empurrando carrinho (tem carrinhos próprios para corrida), bicicleta puxando reboque fechado, etc. e com temperaturas bem negativas.
É por isso que digo que enquanto a Europa para por causa de um inverno mais rigoroso, o canadense faz piquenique. O inverno aqui é normal e faz parte da nossa vida, quer queira ou não!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Piquenique na tempestade de neve




Quando eu só conhecia areia e sol, eu tinha medo do inverno canadense. Um amigo meu que na época morava em New Jersey tentava me convencer que o inverno não era bicho de catorze chifres (sete cabeças). Quando eu comentei sobre o caos que estava na Inglaterra por causa de neve, ele me disse que é porque lá neva pouco e eles não têm estrutura para isso, ao contrário do Canadá. A frase dele era mais ou menos assim: Quando cai uma nevezinha na Europa, é o fim do mundo. No Canadá, se cai uma tempestade de neve o canadense vai fazer piquenique no parque. C'est sûr et certain/é seguro e certo que se trata de um exagero, mas nem tanto.
A Lara tinha um aniversário para ir. A casa da amiga dela fica fora da cidade, bem longe. Olhei pela janela e vi que São Pedro estava dormindo e o Windows do computador dele que controla o clima estava travado, mostrando aquela telinha azul linda que todo mundo adora. Vamos lá? Ninguém disse que não, então vamos!
Mas que cearenses atrevidos, viu? Caia uma baita tempestade de neve, ou como dizem os québécois, tempaaaeeeiiite de naaaeeeiiige. A neve era fina mas caia como que jogada de balde. O vento estava bem forte, o que causava um poeiral de neve ou, como se diz em francês mas somente no Québec, poudrerie. O vento jogava a neve gelada no rosto, mas rapidinho chegamos no carro. O carro está um chiqueiro! Não é só de neve. Tem lama da areia que jogam para dar mais aderência à pista. Com o vento então, os bancos ficaram cheios de neve. Acrescente mais 10 minutos de raspagem mínima do gelo grudado nos vidros (curtindo a "brisa") para poder digirir, mesmo assim vendo tudo borrado.
Para sair então, estanquei de cara. a neve acumulada segura o carro. Também se acelerar mais que o necessário, o pneu patina e o carro não sai. Para sair do estacionamento que fica no andar superior, tem uma curva em descida. Se não tiver cuidado, o carro deslisa e bate na quina do prédio.
As ruas principais estavam com menos neve por causa do eficiente serviço de déneigement/remoção de neve de Québec, mas as outras estavam com neve raspando embaixo do carro. Algumas transversais ficam com uma parede de neve na curva por causa da neve raspada pelos caminhões do déneigement. Nas saídas, dá para passar de primeira a quinta com o carro quase parado. Inclusive, quanto mais aceleramos, menos o carro anda. Nas curvas, além de não vermos por causa da falta de limpeza do vidro lateral, se não tivermos cuidado o carro derrapa e sai da pista ou bate no carro ao lado. O bizu é baixar e subir os vidros laterais para limpá-lo. Quanto a derrapagem, só praticando mesmo. E onde é que está a pista mesmo, hein? Será que eu estou na contra mão? Para completar, gruda gelo nos limpadores de parabrisa. Para evitar, o bizu é colocar ar quente na saída de ar perto do parabrisa (desembaçador). O vidro quente derrete o gelo dos limpadores e este volta a limpar mais que sujar.
Na ida, a visibilidade estava bem ruim e pegamos uma estrada. Depois fomos levar o Davi para brincar no shopping. Quando saímos de lá para pegar a Lara, aí é que estava pior mesmo porque já estava de noite...quero dizer, de dia mas estava fazendo preto, não, não! Isso é como se diz em francês (il fait noir). Estava escuro, mas de dia em plenas 16h30 da tarde. Bom, agora acho que dá para entender.
A ruazinha da casa da amiga da Lara parece que nunca viu uma pá na vida. A neve estava mais alta que a parte de baixo do carro. O desmiolado aqui, ao invés de parar na esquina e ir a pé já que era bem perto, resolveu ir de carro e ainda fazer a manobra para retornar no meio da rua. Resultado? O carro atolou, claro! Depois de uns bons vai-e-vens (será que é assim o plural dessa palavra composta?), consegui tirar o carro. Existem uns kits para desatolar carros. É tipo uma esteira para colocarmos debaixo dos pneus. Custa 20$ e acho que vale a pena, mas perde a graça! Claro que temos que andar com uma pá no porta malas. Ao menos isso eu comprei.
O começo da nossa rua é uma ladeira da cidade baixa para a cidade alta. O carro quase que não subia. A chegada em casa é que foi ainda mais legal. Abri a cancela e quem disse que o carro ia para frente? Voltei um pouco e aí, se arrastando como uma tartaruga ele foi. Só que o nosso estacionamento fica no andar de cima, com uma rampa inclinada e em curva. Quanta engenharia para o inverno! Ao menos o carro do canto depois da curva não estava lá porque ou o carro sobe mas deslisa de lado e passa por essa vaga, ou nem sobe! E foi o caso. Eu tive que tentar e voltar umas 6 vezes para cavar o caminho para que o carro pudesse subir. Tinha mais que um palmo de neve fofa acumulada. Fofa no sentido próprio! Nessa hora eu não estava muito carinhoso com ela. Vejam na foto o rastro que o carro cavou que é fundo mesmo sem ter chegado no chão.

Hoje eu aprendi algumas lições sobre carros para o clima daqui. Freios ABS são muito importantes e meu carro é um dos raros que não os tem. Tração nas quatro rodas não é luxo e nem só para quem faz off road; Carros grandes também não. Eles são mais pesados e afundam mais na neve fazendo contato com o asfalto, mesmo tendo pneus mais largos e que melhoram a aderencia; Carros sedan têm a desvantagem de não poderem ter o limpador do vidro traseiro, que é bem recomendável para essas situações. Vidros elétricos facilitam a limpeza dos vidros laterais e comemos menos neve nessa manobra. O meu também não os tem! A trava mecânica das portas congela e não abre enquanto que a elétrica não tem esse problema. Para isso, compramos um degelante no Canadian Tire. Já está no nosso planejamento trocá-lo por um SUV (sport utility vehicle)/VUS (véhicule utilitaire sport)/VUS (pau pra toda obra) no próximo ano.
Vocês são uns loucos! Sim, somos! Mas a rua estava cheia de outros loucos. O estacionamento do shopping estava cheio (confiram no vídeo). Os pilotos canadenses voam com nevasca. Enfim: todo mundo aqui é louco. Como digo sempre, não tem clima que impeça o québécois de sair de casa e ter sua vida normal, faça chuva congelante, faça sol de onda de calor. Ficar trancado em casa o inverno todo também deixa qualquer um louco. E sabe de uma coisa? Adoro fazer rally na neve. Acho que depois dessa eu tirei a minha carteira de inverno. E de quebra, ainda fico com mais uma história para contar para vocês!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Palestra sobre adaptação cultural ao mercado de trabalho canadense


Finalmente, depois de mais de dois meses de trabalho de tradução e inserção de legendas, agora temos os valiosos vídeos do Lionel Laroche mais acessíveis aos brasileiros. Quem já tem um bom nível de inglês pode pensar que foi um trabalho em vão. Porém, quem tem um nível intermediário perdia conteúdo e principalmente quem vem para o Québec somente com francês ficava totalmente excluido.
E essa palestra é realmente muito importante. Diria até obrigatória e não só para quem vai procurar emprego, mas com certeza também para quem já está empregado. O Lionel explica as sutis e invisíveis diferenças de comportamento dos canadenses e dos imigrantes, baseado na própria experiência vivida por ele e por vários outros imigrantes que ele tem aconselhado através das agencias para as quais ele trabalha.
Além de advertir sobre as armadilhas que a nossa experiência anterior em uma cultura tão diferente nos coloca, a palestra é bem divertida, com boas piadas.
Gostaria de agradecer à ajuda voluntária e altruísta das pessoas que compraram essa nossa ideia de permitir que mais imigrantes brasileiros possam abrir os olhos através da experiência do Lionel. Foi um trabalho de transcrição, tradução e inserção de legendas que tomou muito tempo de quem já não tem tanta disponibilidade, e sem nada em troca senão a satisfação de estar ajudando aos outros nessa difícil caminhada de imigração. São eles: Carlos Luz Junior, Denise Marques Leitão e Grazi Siqueira.

Aproveitem a palestra: http://vimeo.com/album/1486530

sábado, 4 de dezembro de 2010

Voilà, c'est l'hiver!


Eu achei interessante esse texto da tarefa de escola da Lara. Ele mostra um ponto de vista sobretudo mas não exclusivamente de uma criança em relação ao inverno daqui. Não só o inverno em si, mas também o espírito do natal, do ano novo e tudo que gira em torno dessa temporada. É curioso a forma com a qual ele ressalta  as contradições do nosso inverno, seu lado ruim e seu lado bom.
Uma delas, que é a sua base, é a antagonia entre o frio extremo do lado de fora e o calor aconchegante do lar. Isso pode ser percebido na palavra foyer que em francês quer dizer ao mesmo tempo lareira e lar.

Aí está o inverno chegando,
Aí está o inverno que se desencadeia.
Aí está o vento que atormenta,
Aí está a neve que se impacienta!
Em todo canto a ventania sopra,
A neve invade tudo.
O vento e o frio fazem o nariz formigar,
Os nossos pés ficam gelados!

Procuramos nossos gorros e cachecóis,
Nossos macacões, rapidamente nos preparamos.
Queremos afiar nossos patins,
Tirar nossos esquis, finalmente escorregar!
Fazer grandes bolas,
com a neve que rolamos,
Construir um forte com coragem,
Essas brincadeiras são da nossa idade!

Em breve será período de festas,
Não é isso que nos incomoda.
Nós gostamos de rir, cantar, dançar,
nos divertir, também compartilhar!
No alvorecer deste novo ano,
É bem deslumbrante.
Todos começam na primeira hora,
Com o nosso bom humor!

Esperamos esta estação fria,
Repleta de grandes expedições.
Nós apreciamos esta temporada branca,
Pontilhada de grandes emoções,
De flocos, faíscas
que brilham nas nossas pupilas!
Aí está o inverno que se instala,
De um ar bem triunfante!


Voilà, c'est l'hiver qui s'amène,
Voilà, c'est l'hiver qui se déchaîne.
Voilà le vent qui se tourment,
Voilà la neige qui s'impatiente!
Partout le blizzard souffle,
Partout la neige s'engouffre.
Le vent et le froid picotent le nez,
On a les pieds gelés!

On cherche nos tuques et nos foulards,
Nos salopettes, vite on se prépare.
On veut aiguiser nos patins,
Sortir nos skis, glisser enfin!
Former de grosses boules,
Avec la neige qu'on roule,
Bâtir un fort avec courage,
Ces jeux sont de notre âge!

Bientôt ce sera le temps des fêtes,
Ce n'est pas ça qui nous embête.
On aime rire, chanter, danser,
S'amuser, aussi partager!
À l'aube de ce Nouvel An,
C'est bien éblouissant.
Tous debout à la première heure,
Avec notre bonne humeur!

On espére cette froide saison,
Remplie de grandes expéditions.
On chérit cette blanche saison,
Parsemée de grandes émotions,
De flocons, d'étincelles
Qui brillent dans nos prunelles!
Voilà, c'est l'hiver qui s'installe,
D'un air très triomphal!

Suzanne Blain

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Placar empatado com a pluie verglaçante


A pluie verglaçante/chuva congelante dessa vez foi bem mais tranquila. Teve muita calçada com gelo, mas não tanto quanto da outra vez do inverno passado. Por exemplo, tudo isso que estão vendo no chão dessa calçada da foto é gelo mesmo. Também estamos mais treinados por causa da patinação e mais maceteados. Nenhuma queda ou batida de carro dentre os conhecidos, mas teve um cara da empresa na qual trabalho que teve duas fraturas na perna. Ai!
Para ver o que é trauma. Eu dobrei a esquina do trabalho e lembrei que da vez passada, eu tentei subir esse quarteirão de calçada, mas era impossível. Eu pegava embalo, mas descia escorregando. Lembrei também que eu ficava imaginando que quem dobrasse a dita esquina, iria escorregar no imenso tobogã e só iria parar no asfalto da rua. Só que dessa vez, eu estava em cima e descendo. Fiquei parecendo um bobão pisando de leve com a ponta da bota a cada passo para saber se era gelo ou chão molhado, porque é bem difícil de distinguir.
Isso porque também lembrei que da outra vez, quando cai, foi justamente após pensar que tudo era chão molhado e que não tinha gelo. Melhor bobão pisando devagarinho que bobão de video cacetada!
O mais legal que eu achei foi a escada da saída do condomínio para a calçada. Dei um escorregão, mas estava segurando no corrimão de tubos metálicos. Só que este também estava congelado! Escorregou o pé, escorregou a mão! Samba, samba, balança, mas não cai!
Na postagem passada o placar terminou 1x0 para a dona verglas. Agora ficou 1x1! Let's go Remparts, let's go! clap, clap!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A volta da Branca de Neve




Calma lá! Esse do vídeo sou eu! A Branca de Neve... bem, deixe-me explicar.
Recapitulando, em janeiro quando cheguei em Toronto para fazer o landing, eu vi uma cidade sem neve em pleno inverno. Fiquei meio encucado, mas tudo bem. Mas quando o avião sobrevoou Québec, fiquei surpreso e encantado! A cidade estava toda... Branca de Neve! (Detalhes nessa postagem).
Pois bem, passados 10 meses desde a minha chegada aqui, eis que ontem começou a nevar novamente em Québec, deixando a nossa cidade ainda mais charmosa! Tem quem simplesmente tolere, tem quem não goste, tem quem deteste, mas eu e as crianças continuamos adorando o inverno!
Por falar nisso, ainda falta cerca de um mês para o inverno de calendário, mas já estão todos considerando que é inverno. É similar a quando dão boa noite às 03h30 da tarde ou bom dia às 20h00. A natureza varia tanto que as pessoas deixam de ser rigorosas quanto à cronologia oficial.
Interessante é que toda vez que olho pela janela para fora, levo um susto! Uau! Como a paisagem mudou da noite para o dia! A impressão que dá é que eu cheguei em uma cidade no inverno, depois fui para outra e agora estou de volta à primeira. A mudança visual é radical.
Muitos aspectos da nossa vida são cíclicos, mas não se passam da mesma forma. Não são círculos, mas espirais. Nesse inverno estamos de carro, o que é bom e é ruim. É bom porque temos mais liberdade de destino e de horário. Também, apesar do meu masoquismo, devo reconhecer que é bem mais confortável andar de carro com aquecedor que a pé a -20°C. Mas ainda estamos no patamar de -8°C por enquanto. O lado ruim é que dirigir na neve e no gelo é mais arriscado. Eu não vou mentir: sempre gostei de off-road e rally, só que nunca tive a oportunidade de experimentar. Pois bem! Ei-la! Um off-road on-road! Um rally de casa até o supermercado! A Mônica é que não está gostando nada dessa estória. Ela é quem usa o carro durante a semana. A bicicleta foi hibernar (claro!) e agora vou voltar a ter tempo para ler meus livros nos ônibus.
Seção de avisos! Inverno também é uma temporada de chutes, digo chutes/quedas! A neve escorrega um pouco. A neve amassada escorrega mais. Quando a temperatura fica positiva, a neve derrete e fica tudo cheio de água. Depois, fica negativo e a água congela. Aí esse gelo escorrega ainda mais! E estou falando daquele gelo brilhante como cubo de colocar em bebidas. Aí depois neva por cima e o gelo escondido vira uma armadilha. Levei um baita escorregão nessa daí, depois cavei para mostrar na foto. Ela fica exatamente atrás do nosso carro. Só agora sei porque deixaram para ocupar essa vaga por último! Se aproveitaram do matuto do cearense!


Achas que é o pior que pode acontecer? Amanhã vai ter outra vez a maior molecagem que São Pedro conseguiu inventar: A pluie verglaçante/chuva congelante. É um fenômeno raro quando a água cai líquida e congela ao entrar em contato com  as superfícies. Talvez seja mais seguro sair de casa logo de patins de gelo. Taí! Boa ideia! Foi a única vez que não adiantou meus anos de experiência com patins, skate e artes marciais. Os meus dois pés foram para o alto e aterrisei de ombro (detalhes nessa postagem). Dica valiosa que muitos me deram no inverno passado: não andem com as mãos nos bolsos. Em uma queda, pode ser que fiquem presas e caiam de cotovelo. Ouch/ai!
Mas não tem nada como voltar a ser criança e brincar com a Lara e o Davi de guerra de bolas de neve, fazer um bonhomme de neige/boneco de neve e a nossa patinação em família de todos os finais de semana. Afinal, como diz a música, "C'est l'hiver, c'est l'hiver, c'est l'hiver..." (É o inverno).



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Nota 10


No trabalho, nós temos uma reunião periódica individual com o chefe. No começo, serve para dar diretrizes de como tudo funciona. Depois, passa a ser uma espécie de feedback bidirecional. No meu caso, rapidamente passou a ser uma reunião de discussão de sugestões de melhoria de processos e ideias novas que tenho. Nessa última reunião, ele disse que estavam muito contentes de terem me contratado porque, além de outros fatores positivos, eu era proativo e contribuia com algo a mais. Isso não me altera muito. Tenho os pés no chão. Mas é bom saber que sou bem visto na empresa.
Mas hoje, na reunião com a professora da Lara, fui pego de surpresa.  Elogio para cá, elogio para lá, e eu continuava indiferente na estória achando que era gentileza da parte dela, que dizia isso para todos os pais. Mas, dentre outros detalhes que provavam o contrário, o mais forte foi o ela contou que disse para a turma toda.
"Crianças, vocês sabem que a Lara está aqui há menos de um ano. Vocês a acompanharam desde quando ela chegou e sabem que ela não falava nada de francês. O boletim dela está cheio de notas altas, mas particularmente em leitura, ela foi a única da turma a conseguir 100%. Isso quer dizer alguma coisa, não?"
Sim. Quer dizer muito! Quer dizer que chegamos aqui cheios de medo, incerteza e assustados com tanta mudança. Mas Deus tem sido tão bom para nós que no Brasil eu não chorava por nada e aqui, acho que é a terceira vez que eu choro. Isso acontece por me preparar tanto para as dificuldades e ser pego de surpresa com esses presentes divinos. Eu não tenho nem como descrever esses momentos. As vezes é até uma coisa boba como ver o sol se pondo enquanto escuto uma música no carro, ver uma árvore dourada do outono, o vento no rosto quando desço a ladeira de bicicleta, etc.
Desculpem o sentimentalismo da postagem, mas imigrar é isso também. Adversidades, provações, mas também superações e recompensas. Que as graças de Deus acompanhem suas caminhadas também.

domingo, 14 de novembro de 2010

Difícil de traduzir


-Entendeu o que ele disse?
-Sim.
-E o que foi?
-Ehhh..
Parece mentira, né? Se entendeu o que foi dito, e tem uma alta capacidade de expressão em português, como é que ainda tem que parar para pensar em como vai dizer? A questão é que existem frases que têm uma estrutura ou sutilezas que passam de longe sem nenhuma equivalência em português. E eu, para completar, sou perfecionista e não gosto de passar só a ideia geral perdendo os detalhes. Dou dois exemplos:
"Tu est pas mal drôle!". O pas mal é equivalente a "nada mal". Para explicar, vou começar com outra frase: "C'est pas mal froid". Quer dizer "o frio não está nada mal". A primeira frase quer dizer que tu estás engraçado, somado a ideia do nada mal. O mais próximo que encontrei foi "de engraçado, tu não estás nada mal".
Em inglês, tenho como exemplo o trocadilho "I'm a dam engineer". Se eu somente traduzir, vai ficar "eu sou um engenheiro de represas". Porém, dam é homônimo homófono de damn, que significa ao pé da letra maldito mas tem outras sutilezas. Caramba! Detonei no homônimo homófono, hein? Quer dizer que as duas palavras têm a mesma pronúncia. Então, a frase soa ao mesmo tempo como "eu sou um engenheiro de represas" e "eu sou um puta engenheiro". Desculpem o palavrão, mas damn também soa como palavrão e serve como enfatizador. E essas sutilezas são bem difíceis de serem expressadas e principalmente para falar sem muito tempo para pensar.
E para matar qualquer tradutor, tem a frase que foi feita de propósito para ser impossível de ser escrita. "Un sot avait pour mission de faire parvenir le sceau d'un seigneur à son roi. Il l'a mis dans un seau et est parti à cheval. Le cheval a fait un saut et les trois ..... sont tombés". Que dizer: "Um idiota tinha como missão levar um carimbo de um senhor a seu rei. Ele o colocou dentro de um balde e saiu a cavalo. O cavalo deu um salto e os três ..... caíram. Sot/idiota, sceau/carimbo e seau/balde se pronunciam do mesmo jeito (lembram dos homônimos homófonos ?). Quando falada a frase, usamos no espaço pontilhado essa pronúncia para dizer que os três elementos cairam ao mesmo tempo. Porém, cada uma se escreve de uma forma diferente.
E aí?

Halloween


Ralou o que? O ween! O termo halloween, ou como os québécois chamam "l'alloween" (l'halloween) veio de all hallows eve, que significa noite de todos os santos. É uma festa tradicional de alguns povos anglo-saxões, que veio parar aqui na América do Norte. Esta é comemorada na noite de 31 de outubro a primeiro de novembro.
Quando perguntei a um québécois o que significava a festa, primeiro ele disse que não sabia a origem. Depois, que era a festa dos mortos e das assombrações. Por último, que se tratava na verdade, da festa onde as pessoas gastam um bocado de dinheiro com fantasias e decorações, mas sem saber qual a origem e o real significado.
O fato é que o halloween mexe com todo mundo aqui no Québec também, embora não tenham uma orígem anglo-saxônica. Só para terem ideia, a empresa na qual trabalho, além da decoração, fez um concurso de fantasias. Não tenho certeza, mas acho que quem ganhou foi um cara que foi com uma fantasia extremamente convincente de personagem do filme Avatar, com direito a rosto pintado e rabo comprido.
Na instituição de lazer daqui do bairro, o Loisir Montcalm, teve uma festinha gratuita (na verdade, já paga pelos impostos, assim como muitas outras coisas) para as crianças. Teve uma bruxa comediante, abóboras para as crianças pintarem, brincadeiras, pintura de rosto e bombons, é claro!
A noite, fomos convidados pela vizinha para participar do pedido de bombons de porta em porta. Faltando 15 minutos para sairmos, resolvi entrar no clima e improvisei uma fantasia maluca. Batizei-a de Fernando Collor ninja corno. Lembrei que quando criança eu colocava uma blusa na cabeça com as mangas amarradas atrás que lembra um  ninja. Na saída, a vizinha ofereceu os chifres, daí o termo corno. E o Fernando Collor? Bem, vocês se lembram do episódio onde ele disse que quando nasceu tinha "aquilo roxo"? Pois bem, foi a cor que escolhi por ser macabra e por ter um lençol para me cobrir. Por coincidência, os chifres eram da mesma cor.

Eu pensei que só existissem fantasias amedrontadoras, mas tem horas que parece um carnaval. Tem fantasias de robô, de Papai Noel, de super-heroi, de presidiário e de Senhor Macho! Esse cara, a propósito, era macho mesmo! Com um frio de 2°, ele saiu conosco e com a criançada de casa em casa vestindo somente uma bermuda, uma camisa, a capa e um par de tênis. E olhe que tinha aquele ventinho "refrescante" e começou a cair alguns floquinhos de neve tímidos! Mas não tem essa de frio não. Canadense que é canadense não deixa de sair de casa por causa de nenhuma condição climática. E lá fomos nós pedir bombons na estratégica e rica Avenue des Braves. Cada mansão milionária que vou te contar!
Em inglês, existe a tradicional frase "tricks or treats", que significa mais algo do tipo "doces ou travessuras". Mas em francês, a meninada diz mesmo é "me dá uns bombons!" ou nem diz nada! Em compensação, tem alguns donos de casas que pedem que alguém cante algo como forma de pagamento. Quem quer participar da brincadeira, decora a casa e deixa as luzes acesas. Porém, tem casos que fica meio difícil de saber. Olhem, a galera compra bombons é de toneladas! As crianças chegaram em casa com sacos cheios e são muitas crianças batendo nas portas durante horas.
Como sempre digo, até atravessar a rua aqui é diferente. E olhe que basta ir para Montréal para mudar de regras outra vez! Imigrar é estar aberto às novidades e experimentar essas curiosidades. Integração não é só uma questão de aprender o idioma. É se harmonizar com a cultura, os valores e tradições. Só não esqueça de escovar bem os dentes depois de comer tantos bombons! Pensando bem, acho que foram os dentistas que inventaram essa festa!



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Curiosidades 4


Como o salário mínimo daqui é alto, cerca de 1600$/mês caso sejam 40 horas semanais, algumas profissões simplesmente não existem (ou quase) como frentista de posto, borracheiro, jornaleiro e porteiro. E como se faz sem porteiro? Cartão de proximidade. Eu tenho um para a cancela do estacionamento do condomínio, um para a entrada na escola fora do horário padrão e um para entrar no trabalho. Quis dar uma de improvisador criativo colocando o da cancela em uma abertura no painel do carro e deu tão certo que descobri que foi feito para isso mesmo!
Você que está estudando francês: cleaner é limpar, catcher é capturar, drifter é derrapar, fixer é consertar, starter é inicializar e closer é fechar. Faltou avisar que todas essas palavras são do inglês e a galera transforma em francês. O ruim é perceber e decodificar isso em um diálogo!
Cuidado com a abrangencia das palavras em francês! Embrasser é abraçar, mas também abraçar e beijar, como também simplesmente beijar! Por sua vez, un baiser ou le baiser é um beijo ou o beijo, mas como verbo, baiser não significa beijar (função do embrasser) mas sim aquele verbinho terrivelmente feio começado com a letra F, tanto em português como em inglês! Opa! Cuidado!
Ainda no tópico francês, com uma questão cultural embutida: mur significa parede. E muro? O que é isso? Aqui, quando muito, algumas raras casa têm somente uma cerquinha baixa para as crianças não sairem! Inclusive a área ao redor das casas não é delimitada, principalmente quando a disposição delas é irregular. É de todo mundo e de ninguém em particular. Adoro isso!
"Quando eu chegar no Canadá, vou alugar uma casa!". Bem,são muito poucas as ofertas de casas para alugar e talvez os preços sejam inviável para o imigrante recém chegado. O que todo mundo que tenho notícia aluga mesmo são apartamentos ou, como chamam, condo (de condomínio). Depois de estabilizada a vida, podes voltar a morar em uma bela casinha de jardim verdejante.
O diálogo assimétrico onde um fala em um idioma e outro em outro idioma não é tão comum quanto eu pensei, principalmente depois de assistir o filme Bon cop, bad cop. Normalmente alguém comuta para o idioma do outro, mesmo que ambos sejam exímios bilíngues. Mas é algo incrivelmente natural, normal e faz parte do meu cotidiano. No trabalho, um colega nosso fala mais em inglês, mas eu sempre falava com ele em francês. Agora estou voltando a falar em inglês com ele porque o meu francês já está melhor e quero continuar evoluindo o inglês. E apesar de eu sempre falar em português com a Lara para que ela não desaprenda, ainda acontece de ela comutar para o francês e ficarmos conversando em idiomas diferentes. Ela nem nota. Os québécois que escutam a conversa é que ficam doidos porque só entendem a metade!
No Brasil, ouvi do próprio cara que trabalhava no atendimento do número de emergência dos bombeiros que mais de 80% das ligações eram trotes. Por causa disso, os atendentes dos números de emergência só consideram válidas as emergências que têm ao menos duas ligações para descartar a maioria dos trotes. Aqui, o acionamento não pode ser ignorado porque tem muitos incêndios devido às construções de madeira e eles chegam em 5 a 15 minutos, dependendo da região da cidade. Se algum desavisado cair na brincadeira de fazer um trote, não tem problema! Eles vão ao destino na mesma pressa. Apenas o gaiato vai receber a cobrança do acionamento indevido! Até alarme desregulado dá cobrança de acionamento indevido, o que força o dono a regulá-lo apropriadamente.
Descobri que alguns carros têm uma central que recebe via rádio-frequência a leitura de pressão dos pneus e alarma no painel se algum deles sair da faixa recomendada. O mais legal é que qualquer sensor de qualquer fabricante funciona com qualquer marca e modelo de carro! Claro que não funciona no meu carrinho porque ele não tem essa central! Quem sabe o próximo!

Let's go Rempart, let's go





Mas tenha vergonha, fã de hockey frajuto! Como é que assiste a um jogo de hockey ao vivo somente depois de 9 meses! Bom, Quando cheguei, tinhamos muitas coisas para resolver, a rotina era muito cansativa, nem sabia onde ficava o Colisée Pepsi, achava que tinha que pegar dois ônibus, ir sozinho, etc. Quando a vida se estabilisou mais, acabou a temporada de hockey.
Passado o verão e recomeçada a temporada, ainda estava assistindo só pela televisão, mas já não tinha desculpas. De uma só vez, todos os elementos favoráveis aparecereram do nada. O colega de trabalho Cristiano me deu dois bilhetes para o jogo do Remparts de Québec, a torre de comando autorizou o voo (cujo circunflexo caiu, a exemplo de alguns aviões) e o amigo Eliomar topou ir comigo na hora. Perfeito! Valeu pelo patrocínio, Cristiano! Valeu pela companhia, Eliomar!
Infelizmente, o time daqui de Québec, o Remparts, é um time da LHJMQ (Ligue de hockey junior majeur du Québec), porque o time de Québec que participava da Liga Nacional de Hockey (LNH ou NHL), o Nordiques, foi vendido em 1995. Estão tentando ressuscitá-lo, mas para isso, o primeiro passo seria derrubar o Colisée Pepsi, que é considerado pequeno e
velho, para construir um com capacidade adequada e multi-funcional para ter rentabilidade viável. O governo federal disse que banca a obra, mas não tudo. Tem que ter sou (no linguajar popular, quer dizer um centavo, centavos e também dinheiro, equivalente a "pratas" em português) privado também.
De qualquer forma, isso não tira a emoção de ver a torcida fazendo barulho, as musicas de incentivo e as porradas da rondelle/puck (o que chamamos de bola, mesmo sendo um cilindro mais largo que alto) na proteção de acrílico.
Siga só a sequência de filme. Rondelle no campo de defesa do Remparts. Eles avançam em direção ao gol do time adversário. Meu instinto aranha dispara! Opa! Vai ser o primeiro gol, eu estou sentindo! Tiro a máquina do bolso, ligo, espero a inicialização (e o time avançando), aponto, ajusto o zoom, (e o time tocando a rondelle no campo de ataque), apressadamente, giro a chave para o modo de vídeo, aperto o botão e pronto: está gravando! Poucos segundos depois....plaf e GOOOOOLLLL!!!!!! Eu sabia!! Eu sabia!!! Uhuu!!!! E de quebra, ainda estou gravando o gol para meus leitores do... epa! O visor está escuro! Por que?!?! IDIOTAAAAAA!!!!! Eu apertei o botão de desligar ao invés do botão de começar a gravar!!! calvaire!!!(palavrão québécois). Religuei às pressas e gravei ao menos a comemoração APÓS o gol.




Me desculpem, torcedores de futebol, mas eu nunca gostei desse esporte. Mesmo se gostasse, não teria coragem de ir a um estádio com a violência que se passa nos jogos. Por outro lado, além de eu me tornar fanzão de hockey, é muito agradável ir assistir um jogo. Respeito total, mesmo quando tem torcedores de um time se manifestando isolados no meio dos torcedores do time adversário. Vai gente de todas as idades, desde bebês de colo até senhores de idade e senhoras torcedoras fervorosas, como as duas que estavam na nossa frente. O ambiente é tão agradável que nem faz frio, nem calor, ao menos onde estávamos!





Fico imaginando final de Copa Stanley no Centre Bell de Montréal, com a barulhenta e enérgica torcida do Canadiens respondendo à mensagem do painel que circunda a arquibancada: faites du bruit/façam barulho. Talvez eu ainda assista uma partida dessas, talvez até uma do Nordiques, caso consigamos tê-lo de volta. Mas por enquanto, com uma vitória de 4 a 1 sobre o time de Prince Edward Island, me diverti bastante gritando Let's go, Remparts, let's go!! Vamos lá, Remparts, vamos lá!! Clap, clap!! Epa!! Porque não é allons y ao invés de let's go?! Bem...saladas de país bilíngue. Normal!

sábado, 6 de novembro de 2010

Horário de primavera-verão-outono


Amanhã, como é o primeiro domingo de novembro, vai terminar o horário de "verão" que passa a primavera, o verão e o outono. Assim, às 02h00 (am) os relógios devem ser ajustados para novamente para 01h00 (am) e assim, passaremos a acordar mais tarde. Existe atualmente uma diferença de uma hora entre aqui (Québec) e Fortaleza (de onde eu vim). Agora vai passar a ser duas horas.

Detalhes nesses links:
http://en.wikipedia.org/wiki/Daylight_saving_time
http://www.timetemperature.com/tzca/daylight_saving_time_canada.shtml

sábado, 30 de outubro de 2010

Cuidado com o carro!


Alguém já tinha me dito que depois de um tempo aqui, nosso referencial mudava. Estou me referindo mais especificamente à falta de educação e respeito dos motoristas, sobretudo, cearenses que foram eleitos por duas pessoas diferentes que conheci e que rodaram o Brasil como os mais mal educados do Brasil. Eu já sabia que o québécois é o que menos respeita o trânsito no Canadá, mas com o referencial que tinha, era um avanço e tanto. Pois bem, agora quando um motorista passa pela faixa de pedestres amarela (as normais não brancas), com uma placa pare e em uma região turística, eu me incomodo. Quando o que vem atrás faz a mesma coisa, fato esse que já aconteceu, eu me irrito.
Mas vá lá, eu tenho o costume de não confiar mesmo, então está tudo bem! Não está não! Hoje, estava em uma avenida badalada, cheia de turistas desavisados. O cruzamento tinha umas passagens de pedestres em paralelepípedos que contrastam com o asfalto. Um carro deu o sinal para dobrar, mas parou pouco antes de fazer a curva. Pensei logo: ele me viu e me deu a preferência, como manda a lei. Atravessei tranquilo! Só que ele não tinha olhado coisa nenhuma e parou por outro motivo. Quando eu estava no meio da travessia, ele resolveu dobrar de vez na rua na qual eu estava e ainda sem me ver! Se eu não tivesse corrido e pulado, ele tinha me atropelado, pois freou depois da trajetória que fiz! TABERNAKE!!!/$%?&$%?&*%?&!!! Somente pensei, porque nem adiantava gritar já que os carros agora estão todos com os vidros fechados por causa do frio. Mas não deixei de jogar meu olhar fulminante de praga que incinerou o motorista que ficou reduzido a cinzas. Na esquina, os outros pedestres olharam com espanto e desaprovação a atitude do motorista. Mas, por sua vez, muitos pedestres québécois cruzam a rua onde não deve e nem respeitam os semáforos.
No outro lado do Canadá, amigos me contam que nem olham mais se vem carro antes de atravessar a rua, porque sabem que serão respeitados, a não ser que esteja em Ottawa onde tem os québécois de Gatineu circulando também (não é, Carlos Last?).
A questão é: será que a latinidade québécois tem o gene de ser mais aberto e simpático, mas também mais desrespeitoso às normas? O brasileiro teria essas qualidades e defeitos mais ao extremo, enquanto que o lado anglófono do Canadá teria pessoas mais frias e corretas como alguns que já moraram em ambos lados contam?
O que você acha?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Da capital nacional para a capital federal




Dando prosseguimento à nossas excursões turísticas, esticamos um pouco mais o nosso alcance de viagens de carro e fomos até a nossa capital federal. São cerca de 450Km e 5 horas de viagem a partir daqui de Québec. Para Montréal, destino da nossa primeira viagem, fomos pela autoroute/estrada 40 que fica do lado de cá do rio São Lourenço. Dessa vez, fomos pela autoroute/estrada 20, do outro lado do rio. Ambas estradas são impecáveis em qualidade, segurança e conforto. Além de ser ligeiramente mais perto indo pela 20, achamos que tem mais pontos de apoio (postos, lanchonetes, etc.) ao longo desta. Uma estratégia que se mostrou bastante apropriada para quem viaja com crianças é dividir em dois trechos, fazendo uma pausa para almoço e descanso em Montréal. Devido à viagem anterior, dessa vez as crianças foram bem mais à vontade, foram brincando e não acharam ruim. Por falar em Montréal, que terra curiosa! Só no tempo de lavar as minhas mãos e as do Davi no banheiro, ouvi francês, inglês, árabe e chinês!




Ao chegarmos em Ottawa, tivemos uma impressão muito boa. Paramos em um parque à beira do rio Rideau que é bastante bonito e agradável. Tinha um playground com uma espécie de ruína de construção da Grécia antiga para as crianças explorarem.
À ce moment-là/nessa hora (nota do tradutor: os québécois usam e abusam dessa expressão), percebi de cara o bilinguismo da cidade. Ouvi uns 5 grupos de pessoas conversando em francês e apenas um grupo em inglês. Porém, a cidade é mais anglófona por ser de Ontário. É porque do outro lado do rio, fica Gatineau, que pertence ao Québec. Não é coincidência. A capital canadense fica na fronteira para simbolizar a neutralidade entre as suas duas principais nações. Ao contrário de Montréal que é metade inglesa e metade francesa, em Ottawa as placas das ruas são bilingues como, por exemplo, "rue Elgin st." (street/rua).
Chegamos finalmente ao hotel para um merecido descanço. Ficamos no Days Inn, do qual gostamos muito. A localização dele é estratégica. A poucos quarteirões, temos uma pizzaria, supermercado, mercadinho e um shopping center. Ainda tenho saudades da imensa cama king size/très grand (nota do tradutor: é o maior dos três tamanhos de cama de casal) com colcha extremamente macia.
A cidade é bem organizada e limpa, ao menos por onde passamos, e tem mais prédios altos que Québec. O outono deu um toque especial às fotos. E por fazer uma comparação, aí vai um aviso importante que não me deram: Cuidado para não atropelar uma multidão de pedestres de uma só vez! Aqui em Québec, os principais cruzamentos têm uma fase do semáforo exclusiva para pedestres, podendo estes inclusive atravessar em diagonal. Eu, muito acostumado com isso, ia dobrar à direita. Derrepente, quando o sinal abriu e começei a fazer a curva, eis que uma multidão atravessa a rua! Tabarouette/caracas!!! Que susto! Temos que esperar uma oportunidade para poder dobrar. Enquanto isso, o trânsito de carros fica parado até a velhinha atravessar sozinha. Quando ela chega no outro lado, lá vem uma lesma se arrastando e por aí vai. Do que vi, percebi que lá o respeito às leis de trânsito é bem mais rigoroso. O pedestre pode atravessar com bem mais segurança, procura atravessar nas esquinas e na hora certa. Bem... encontrei um québécois tentando atravessar a avenida com o semáforo de pedestres no vermelho, que ia e voltava se arriscando. A sua esposa, de voz muito estridente e de um sotaque québécois carregadíssimo disparou impiedosamente: Ataaaeeeiiinds, lô (attends, la)!! Tu peux casser ta taaaeeeeiiiite (tête)!!/Espere aí!! Tu pode quebrar tua cabeça!! Eu adoro ver esse tipo de situação curiosa!
 Outra diferença cultural interessante é que lá, as pessoas procuram ficar do lado direito da escada rolante para que outros possam passar pela esquerda. Só percebi porque já havia lido sobre esse costume em um blog de Vancouver.




A parte mais turística da cidade fica na região próxima ao parlamento. Onze horas da manhã e eis que toca a famosa melodia de sinos do Big Ben londrino. Isso me fez perceber que o parlamento de Ottawa tem uma semelhança estética ao britânico. Do outro lado do canal Rideau, no Major's Hill Park, tem uma colina que nos permite ter uma vista muito bonita do rio, das pontes, do canal Rideau e dos prédios do Parliament Hill.




Mas o que eu gosto mesmo de fazer quando estou em uma cidade nova não é visitar os pontos turísticos. É "respirar" e sentir a cidade como ela é, com todos os detalhes. É, por exemplo, perceber que a mescla étnica da cidade é diferente da de Québec; ver que a faixa de ônibus e taxis que é apenas preferencial em Québec e em Ottawa tem uma placa bem grande mostrando que se paga uma multa de 150$; que o grande e moderno prédio espelhado reflete um castelo antigo; que se escuta gente conversando em francês, mas muito atendimento dos comércios é feito somente em inglês; que existem placas de carros com um nome ao invés da mistura aleatória; que eu ainda me expresso melhor em inglês que em francês e, finalmente, que parece que eu estou em outro país!





A única queixa que tenho da cidade é que conhecemos alguns parques, mas só encontramos playground para as crianças se divertirem em apenas um deles. Coversando com um casal de avós que mora em Gatineau, eles disseram que de fato, comparando com Québec, tem poucos. Nos indicaram um em Gatineau, mas não tivemos tempo de procurá-lo. Aqui em Québec é difícil encontrar um parque que não tenha brinquedos e que normalmente estes são variados e interessantes, seja este parque de bairro ou mais turístico.
Confirmamos nossa intuição de que seria a segunda opção de moradia depois de Québec. Ambas têm uma fórmula que considero bastante interessante: são cidades menores e por isso não têm os problemas das grandes metrópoles, mas com uma excelente infra-estrutura por serem capitais que ficam nas duas províncias mais fortes do Canadá. Epa! Eu não disse que Ottawa é a capital de Ontário! Eu sei que é Toronto! E Ottawa ainda tem uma vantagem que é de estar na fronteira e permitir ter os dois mundos ao mesmo tempo: morar na québécois Gatineau e trabalhar na ontarian Ottawa. Afinal, o único separatista que vi lá foi o rio!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Carros bem calçados para o inverno


A neve já está chegando! E vem mais cedo esse ano. No inverno passado, estávamos sem carro ainda e nem precisamos nos preocupar. Compramos o carro com algum risco de outra neve na primavera, mas não aconteceu.
Agora, temos que usar os pneus de inverno. Tanto porque a partir do dia 5 de dezembro o seu uso é obrigatório aqui no Québec, quanto porque aqui em Québec, sem eles fica emocionante demais para dirigir! Pense só a quantidade de neve que cai aqui, mais que noutras cidades canadenses, e nas várias ladeiras bem inclinadas que ligam a cidade alta à cidade baixa! Uou!!
Os pneus de inverno são mais biscoitudos, com sulcos mais largos, desenho apropriado e a borracha é tão mole que conseguimos deformar os biscoitos com a mão. Assim eles deformam e tiram a neve dos sulcos, enquando que os outros ficam lisos como pneus carecas. Também a temperatura muito baixa requer uma boracha adequada.
Conselho do amigo Idevan: Compre-os logo porque depois da primeira neve, as lojas ficam lotadas! Fiz minha pesquisa e já resolvi o problema. Porém, não sem antes consultar a comunidade sobre duas possibilidades: Pagar para trocarem os pneus ou comprar com aros e trocar em casa.
A primeira possibilidade é a que aparece logo, e é mais cômoda. O sujeito vai à loja, compra os pneus e paga o serviço de desmontagem dos pneus toutes saisons/all seasons/para todas as estações, montagem dos pneus de inverno e equilibrage/balanceamento. Pelo que me disseram, esse serviço custa ao menos 65$. Só que, passado o inverno, tem que pagar novamente para recolocar os pneus originais e balancear novamente. A parte ruim é que tem que agendar horário, que dependendo da época, pode ser bem difícil ou em horários chatos.
A segunda possibilidade é comprar os pneus, com mais quatro aros e pagar o serviço de montagem e balanceamento, que é mais barato. O dos meus saiu por 32$ (na Canadian Tire). Cada aro custa 50$ (aro 14, de aço). Nesse caso, o lado ruim seria trocar os pneus em casa, mas em compensação, não precisaria pagar nem marcar horário. O serviço de montagem dos pneus inclui a troca deles, mas é só na primeira vez.
Depois de dois invernos, a primeira opção custaria 4 x 65$ = 260$. A segunda já sai mais barato, por 200$ + 32$ = 232$. A partir daí a primeira opção fica 130$ mais cara a cada ano, enquanto que a segunda se mantém no mesmo valor. Foi a que eu optei! Até por ser adepto da filosofia do faça você mesmo.
Para finalizar, mais uma gafe de matuto que acha que neve é igual a areia. O meu diálogo com o vendedor:
-Qual é o carro?
-Kia Rio 2010.
-Aro 14, né?
-Sim. Eu vou querer o 185.
-185?
-Sim.
-A velocidade?
-Não!
-O preço?
-Não! A...como se diz? É larjura? (fazendo a mímica que não dá para fazer por telefone)
-Largura?
-Isso!
-Mas o pneu original do seu carro é 175! Para que você quer um mais largo?
-Para andar melhor na neve! (claro, bicho brabo!)
-Mas é justamente o contrário! É pior!
-Hein?!?!?!
-O pneu mais largo afunda menos e não encosta no asfalto. Fica deslisando na neve. Também nas curvas ele cava menos na neve e derrapa mais lateralmente.
-Ai é?!?! (então o bicho brabo sou eu! Inclusive porque o 185 é mais caro!) Obrigado pela informação! Vou querer 175 mesmo!
Confirmei a teoria do vendedor com outras pessoas. Fica aí a dica para não quere usar pneus de bugre na neve!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais dicas para o próximo inverno


Estamos passando para o segundo dos três meses de outono, o que teoricamente estaria em um momento apropriado para escrever sobre roupas de inverno. Mas para muitos eu devo estar chegando atrasado com essas dicas. Desculpem! Eu estava (mais) envolvido com as traduções da palestra imperdível do Lionel Laroche sobre adaptação cultural para o mercado de trabalho canadense. Quando estiver pronta, publico aqui. Esse inverno promete! Boa leitura e curtam o friozinho, BRRR!!!!!!

As seguintes postagens já falam do assunto:
Inverno ou inferno?
Manual de roupas para frio - Parte zero
Manual de roupas para frio

O Fernando Katayama, como sempre altamente detalhista no sistema de vestimentas em camadas para o inverno, estruturou o seu conhecimento neste documento chamado "Como se vestir no inverno".

Eu achei esse email do Pastor Carlos, que tem bem mais invernos que eu, muito objetivo e esclarecedor, então estou reproduzindo-o aqui.

Infelizmente Ana, não dá para fazer isso pelo website e promoção boa, vc sabe como é, especialmente aqui que são verdadeiramente promoções. Vc pode chegar na loja e não ter nada e 5 minutos depois eles colocam, como vc pode chegar, ter e vc decidir ir olhar para ver se acha algo mais e qdo volta, não tem mais.
Me perdoe, não sei quem disse, mas está totalmente equivocado, os isolantes térmicos são totalmente diferentes e é o que mais reflete no preço. Depois do tipo, tem, quantas gramas de isolante térmico, outra coisa que reflete no preço e no que vc irá receber de frio, pois se tiver maior gramas, custa mais e te protege melhor. Existem vários tipos de materias externos, que fazem grande diferença, o melhor deles e o mais resistente é o Gore-Tex, mas é o que custa mais. Depois, tem o windproof e watherproof, não compre um que não seja bom nos dois quisitos, pois normalmente, os de baixa qualidade, muito mal é waterproof, mas não é windproof, portanto, vc ficará bem desde que não vente. Nisso tbm tem diferença, pois alguns são as duas coisas, mas não são bons em nenhum desses quisitos, outros, podem aguentar até mesmo 24 horas levando "água" na cabeça, outras são waterproof, mas não são breathable, se for, seguramente custa mais, mas é infinitamente melhor, pois vc pode transpirar que ela não irá molhar, o suor irá sair, tudo isso são coisas que fazem o preço. É como diz o ditado: "Vc tem aquilo que paga".
Outra coisa, não compre jaquetas rebook, nike, enfim, essas marcas tradicionais, não são especializadas e na maioria das vezes, são boas somente para o inverno brasileiro. Jaqueta de inverno é Burton, HH, Orage, Columbia, North Face, Canada Goose, Patagonia, Merrell, Clorophylle, Montain Hardware, Arc'teryx e assim vai. A Kanuk é muito boa, mas eu particularmente, acho o design horrível, mas isso é o meu gosto pessoal, para mim tem um visual muito de pessoa mais velha, mas muita gente gosta e a qualidade é indiscutível. Não sou de comprar coisa pela marca, porém, qdo se fala de jaqueta, no Canadá, onde temos um dos invernos mais rigorosos do mundo, por causa do vento, pois ontro dia conversava com um Suéco, ele me disse que aqui (Montreal) o inverno é muito mais rigoroso do que lá, por causa dos ventos que temos. Vc está na rua, a -10C e está tudo bem, de repente, começa a ventar e a temperatura despenca para -30C em questões de minutos, é terrível. Até -10C, é tudo alegria, mas qdo baixa disso, a coisa pega.
Enfim, eu sempre digo, comprar uma boa jaqueta de inverno, parece ser a coisa mais fácil do mundo, o brasileiro pensa que é, mas na realidade, é uma das coisas mais complicadas, pois precisa de um pouco de conhecimento técnico para comprar a coisa certa e não gastar dinheiro a toa.
Não conheço muitos websites para isso, além destes: http://winterjackets.ca/index.php http://www.sportsexperts.ca/sportsexperts/accueil.html http://www.lacordee.com/ http://www.leyeti.ca/ Winners é uma excelente opção, porém, chega tudo na quinta e como é um outlet store, chega a mercadoria na quinta e as vezes tem alguma coisa no teu número, as vezes não, etc... precisa ter um pouco de sorte para chegar na hora certa.
Um conselho te dou, não compre nada pela web, pois mesmo essas marcas que te disse, tem as jaquetas que são somente shells, ou seja, é somente para proteger o camarada do vento e da água e são caros, parecem jaquetas, mas não são, são feitos para ski, etc... e não tem a função de esquentar, enfim, só dá para comprar olhando, tocando, conversando com o vendedor, etc... e que seja um bom vendedor, que conhece aquilo que vende.
Espero de ter ajudado um pouco.

sábado, 16 de outubro de 2010

Ventinho em Québec




Hoje a volta para casa foi legal. Quando sai da empresa, a MétéoMédia anunciava rajadas de vento de até 74Km/h, mas vi a informação de que chegaram a 89Km/h. Quando me preparava para sair de bicicleta, uma senhora passou e disse: -Você é corajoso para andar de bicicleta nessas condições! E eu respondi; -É mais emocionante!
Na verdade, não é o fim do mundo. Apenas temos que ficar atentos aos "empurrões" que mudam de sentido! Legal que em um trecho de vento lateral, eu andava com a bicicleta inclidada, mesmo em linha reta. A soma do vento e da chuva com a temperatura de 6°, dá uma boa desculpa para ficar em casa. De fato, iriamos fazer compras, mas o tráfego estava meio complicado devido a quedas de árvores e postes.



Aqui a galera é meio apocalíptica. Passaram nada mais nada menos que dois carros de polícia e cinco caminhões de bombeiros fazendo um barulhão enquanto eu chegava perto de casa. Legal que fica piscando uma luz estroboscópîca no semáforo que acho que é acionado remotamente para facilitar o deslocamento deles.

Uma bela hora da noite, simplesmente faltou energia. Curiosamente, ontem mesmo eu estava pensando nisso ao pesquisar algumas opções de casas para comprar. Se não tiver lareira e o aquecimento for elétrico, como é que fica quando faltar energia e lá fora estiver fazendo -25°? Pergunta retórica, né? Fica frio!!! Também para (não existe mais o acento diferencial em "pára") o aquecimento da água gelada, o fogão elétrico e o microondas. Por sorte, a HydroQuébec trabalha bem. Essa foi apenas a segunda interrupção de energia em nove meses aqui, e durou menos de uma hora. É porque dadas as circunstancias, não dá para evitar mesmo uma pane.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Serviços de utilidade pública de outros blogs 2.0i

Se outros já escreveram melhor do que eu escreveria, não faz sentido eu gastar bala com o assunto. Porém, acho interessante repassar para vocês, então ai vai outra leva de redireções a postagens de outros blogs:

Primeiro uma palestra que eu considero imprescindível para todos os imigrantes, sejam futuros, atuais, que vão procurar emprego, que já trabalham ou mesmo os que nem vão trabalhar. Infelizmente é em inglês, mas o palestrante fala bem explicado. Eu, a Denise e outros que venham a aceitar a missão vamos traduzir essa palestra para que mais pessoas possam ter acesso a ela. O conterrãneo Chuck, ou Tarcizo fez alguns comentários sobre ela nessa postagem.

Estão querendo ressuscitar o Nordiques, o time da liga nacional de hockey que existia aqui em Québec. Para isso, o primeiro passo é a construção de um anfiteatro multifuncional de porte adequado. O amigo que mora aqui, Idevan, resumiu muito bem a estória, inclusive com fotos nessa postagem do seu blog.

domingo, 3 de outubro de 2010

Outono






Tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim, fora os discos (em vinil) da Roberta Miranda, dos quais os dois lados são péssimos.  O verão se foi, mas as canicules/ondas de calor felizmente também. Em compensação, começou a esfriar mais rápido. A brasileirada começa a reclamar do frio. Aí São Pedro resolve dar uma colher de chá: -Tudo bem! Vou mandar uma massa que ar quente para vocês! Só que a massa de ar quente muitas vezes vem com humidade. Resultado? Umas três semanas onde quase não se vê o sol! Choveu até dar alerta! O nível dos rios subiu mas não teve nada grave. Só que os canadenses são muito preocupados com isso e a infraestrutura para chuvas é muito boa, ao menos comparada com a Terra do Sol (Fortaleza), que alaga facilmente. Isso não é típico. O normal é a quantidade de chuvas acompanhar a senóide (o mestrado já acabou! Esqueça isso!) da variação de temperatura.
-Está chovendo demais? Pois pronto! Vou mandar uma massa de ar seco! Só que normalmente a massa de ar é seca por causa do frio, que reduz a evaporação. Lá vai o mercúrio do termômetro cair! (metaforicamente, porque nosso termômetro é digital). Agora está fazendo 5 graus e a previsão é para cair até 3 graus entre hoje e amanhã. Abaixo de 5 graus, se chover, não chove, neva. E olhe que estamos apenas nos primeiros 10 dias do outono! Esse inverno promete compensar a moleza do outro!
Mas, voltando à filosofia do tudo-tem-um-lado-positivo, dou alguns exemplos de vantagens do frio para servir de consolo aos que o detestam:
-Podemos beber água gelada da torneira, sem precisar usar a geladeira;
-A temperatura dentro de casa fica estável o tempo todo, o que é excelente para dormir;
-Por causa do aquecimento, as janelas de vidro duplo ficam sempre fechadas e o silêncio é ensurdecedor;
-E a que eu mais gosto: Não suar na subida das terríveis ladeiras, de bicicleta, mesmo que seja debaixo de chuva como aconteceu em vários desses dias.
Outro ponto positivo, que é o grande atrativo do outono (nossa! Só vim falar dele agora!), que é o espetáculo de cores! Agora ficou difícil dizer qual estação é a mais bonita. As folhas fazem uma gradação de cores e tons do verde, passando pelo amarelo, laranja, rosa, vermelho, marrom até o roxo. Vocês podem ver a primeira sequência de fotos para ter uma ideia. Provavelmente vou fazer outra sequência daqui há algum tempo. Digo ter uma ideia porque só ao vivo para ter a real noção. Isso porque tem também o charme das ruas cheias de folhas secas, o barulho que as crianças adoram fazer ao andar por elas, quando o vento passa, derruba as que estão nas árvores e faz um balé com as que estão no chão.
A título de curiosidade, por esses dias o sol está nascendo às 06h45 e se pondo às 18h25, que é mais próximo do que estávamos acostumados no Brasil.
Em relação ao lado bom e o lado ruim, percebo dos canadenses que realmente amam a vida daqui, que o segredo é não se incomodar com os aspectos ruins e saber apreciar os bons e belos momentos que cada estação nos proporciona. Até mesmo o fato das estações se alternarem e tudo ter essa dinâmica de mudança. Se não for assim, fica igual a ter que ouvir à força o disco da Roberta Miranda que só tem lados ruins! Eca!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O petit Antoine vai à escola


Vemos nos filmes e desenhos animados as crianças norte-americanas indo para a escola sozinhas. Não tem nada demais na televisão. Quando vemos a opção no formulário para autorizar a criança a sair da escola sozinha, fica mais concreto, mas ainda longe da realidade.
Mas quando eu vou com a Lara para a escola e frequentemente encontramos o petit/pequeno Aintoine de cinco ou seis anos andando pelo menos cinco quarteirões sozinho, dá uma sensação esquisita!
-Salut, Antoine! Diz a Lara.
O petit Antoine olha para ela, sorri, não dá um piu e continua a caminhar! Quando chega no cruzamento, ele para, olha para um lado, olha para o outro, os carros param e ele atravessa com a maior naturalidade.
Como é que os pais deixam o filho ir sozinho para a escola? Como é que eles têm coragem!? Além dos motoristas respeitarem, ao menos na região próxima às escolas, se a nossa cidade não for a mais segura das de certo porte, é com certeza uma das mais seguras.
Mas mesmo assim, vai que a escola fechou por algum problema como falta de água? Aqui a falta de água é algo muito importante porque se acontecer um incêncio, não tem como apagá-lo. Só pode ter alguém em casa para recebê-lo de volta! Não consigo imaginar deixarem o filho ir para a escola e a casa ficar trancada vazia.
De qualquer forma, eu ainda não teria coragem de deixar a Lara ir sozinha para a escola. Ainda não estamos nesse nível de confiança, embora de vez em quando eu tenha alguns ataques de displicência em relação a furtos. Por exemplo, outro dia quando me dei conta, estávamos há centenas de metros da minha mochia no parque, e a minha máquina fotográfica estava em cima dela. Quando voltei, estava lá, graças a Deus!
Também de vez em quando, saíamos e as janelas ficavam abertas (no verão, claro!) e a porta destravada. Tudo bem! Não é no térreo! Mas fica na varanda a meio andar de altura somente. Eu subo e desço muitas vezes pela varanda.
Ministério da Justiça adverte: Não é certo fazer isso! Se der bobeira, pode aparecer algum voleur/ladrão, porque aqui tem também, afinal, gente é gente no mundo todo.
É um choque cultural ainda esquisito para nós, mas com certeza, bem mais agradável que o oposto quando um canadense vai ao Brasil!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Faça atenção à lingua mãe


O título dessa postagem foi propositadamente escrito assim, de uma forma esquisita, para ilustrar um fenômeno que acontece com quem vive em um ambiente que tem uma língua diferente da materna. A frase original seria "Fais attention à la mother langue". Já forma mais usual no português seria "Tenha cuidado com a língua materna". Mais esquisito ainda é saber que com algum tempo, se não cuidarmos, podemos falar assim sem nem percebermos. Mas para o  brasileiro que vive no Brasil, vai soar esquisito como gringo falando.
Eu já estava querendo escrever sobre esse assunto, mas apareceu uma motivação mais forte. Tudo começou quando encontramos por acaso um brasileiro com a sua filha que também moram aqui. Vou deixar no anonimato porque não sei se ele se incomodaria com a publicação. Ele me parecia meio paranóico com a questão das crianças vivenciarem bem o português. Coisas do tipo só falar português em casa, desenhos animados em português via Internet ao invés dos das tv's daqui. Ele perguntava, por exemplo, se tinhamos amigos brasileiros que tinham crianças para que nossos filhos conversassem em português, e por aí vai.
Determinada hora, não sei como, mas ele contou a estória que explica essa postura. Ele é filho de pais não brasileiros. No começo, falavam o idioma materno em casa mas depois de algum tempo, passaram a conversar somente em português. Ele disse que começou a esquecer o idioma materno e depois, perdeu a capacidade de se comunicar neste.
A parte que me tocou foi dizer que a sua avó gostava muito dele, mas apesar de querer muito, não conseguia conversar com o seu neto pois não falava português. Por isso que ele insistia muito para que a filha não perdesse o português.
Eu sabia que as crianças podiam perder um idioma, mesmo sendo o materno, mas não sabia que era fácil assim. E mesmo os adultos não perdendo a capacidade de se comunicar, existe uma tendência de falar esquisito como extrangeiro. Vejo muitos brasileiros cometendo erros de português influenciados pelo francês sem perceber, como por exemplo: "Eu tenho um acento (sotaque) muito forte em francês"; "Eu adoro patinagem"; "Ele vai ir ao trabalho", "...ai eu acionei a vila (prefeitura, Ville de Québec, Ville de Montréal, etc.)", "Não depasse o colega na fila.", "Fiz por habitude (costume, hábito)", "Essa palavra tem dois sensos (sentidos)" e "Faça atenção! (tenha cuidado)". E existem também as interferências que não são erros de português, mas que denunciam por não serem a forma mais usual como: "Isso é bizarro (e nunca dizer esquisito)", "Não importa qual (qualquer um)" e por aí vai. Se eu começar a escrever assim, por favor me avisem! Eu me policio muito, mas pode acontecer.
Outro caso foi uma família que conheci no parque aqui perto. Os pais e as duas filhas estavam conversando em inglês impecável. Quando foram brincar com a Lara, as duas falavam francês também impecável. Começei a conversar com os pais em inglês porque não sabia se falavam francês. O pai nasceu em Nouveau-Brunswick e tem o inglês como lingua materna, ao contrário da mãe das meninas. Mas os pais dele convencionaram de alternar um dia falando em cada idioma. Como aqui em Québec o francês está muito presente, esse casal resolveu só falar em inglês em casa para tentar equilibrar. "Não queremos que as nossas filhas percam o inglês que já falam".
Moral da estória? É difícil aprender um novo idioma e é um desperdício perdê-lo. E isso acontece! Eu estou extremamente incomodado porque já tentei várias vezes e não consigo mais conversar em espanhol como eu fazia no Brasil, quando tinha que me relacionar à trabalho com argentinos, chilenos, uruguaios, etc. Aqui tem muitos latino-americanos que falam espanhol. Temos que praticar e manter o que já adquirimos com tanto esforço. Até concordo que nos primeiros meses seja importante falar francês ou inglês em casa para ajudar na adaptação, mas depois de alguns meses, quando todos já estiverem com um nível razoável de conversação, também acho igualmente importante manter o português em casa.
Eu, eu penso que sim. Pensais vós como isso? (Essa foi de propósito também!)