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terça-feira, 6 de março de 2012

Tirando a neve, parte 2.1

Esse é o suplemento do complemento, por isso é a parte 2.1. O amigo Taz colocou como comentário o vídeo que eu queria e que estava faltando: o trator tirando a neve do estacionamento. E melhor ainda, ele disse que o preço pago pelo serviço para uma garagem desse porte fica entre 300 e 350$ por inverno. Parece ser caro para o pouco tempo que o trator leva para limpar, mas com uma boa tempestade, esses estacionamentos desse tamanho e sem abrigo perto da rua consomem facilmente mais de uma hora e meia de trabalho.

Valeu Taz!




segunda-feira, 5 de março de 2012

Tirando a neve, parte II

De tempos em tempos, eu gosto de mostrar o lado não tão "bonitinho" da vida daqui do Canadá. Faço isso para não ficar como uma propaganda enganosa. Mas o meu amigo Tarcizo fez um comentário justo: assim fica parecendo que todo mundo tem que fazer essa musculação de tirar a neve de casa. E pela pergunta que um leitor fez, também fica parecendo que isso é algo bem frequente. Por causa disso, resolvi dar mais esclarecimentos como um complemento.

Começando pelo começo. Quando chegamos aqui, é quase certo começarmos alugando um apartamento. Nesse caso, geralmente o déneigement/remoção de neve é responsabilidade do proprietário e o inquilino não precisa se preocupar com nada, a não ser não escorregar e cair quando colocar o pé fora da porta! Olhe que acontece!

Os que compram uma casa têm algumas opções. Uma delas é contratar uma empresa que faça o serviço. Pelo que sei, paga-se por inverno e o preço varia com a área. Alguns exigem que tiremos o carro antes (que pode ser bem cedinho!) para que o trator limpe todo o estacionamento, outros limpam apenas a entrada. Isso acontece, claro, quando temos um abrigo. Acredito que geralmente a parte da entrada da porta da casa até o estacionamento ou a rua fique por conta do proprietário mesmo, mas é a parte mais leve do serviço.

Os aposentados da rua de trás que gostam de ter alguma ocupação, mas não têm mais condições de encarar entre meia hora e duas horas (dependendo da casa) de serviço pesado, adoram usar suas soufleuses/sopradoras de neve. Uma vez, vi um deles limpando mesmo a rua até a casa de frente. Mas não são só eles que usam soufleuses. Quem não gosta da "brincadeira" ou não tem tempo a perder com o serviço, fazem essa opção de bom custo benefício. Uma soufleuse potente, de boa marca e com bons recursos pode começar na casa dos 500$. O investimento se paga em poucos invernos. Rapidinho e quase sem fazer força, ela joga a neve toda para onde quisermos. O motor a gasolina a faz andar e ainda tem marchas para controlar a velocidade.

Já a galera da minha rua, que foi aberta em 2006, é jovem, disposta e ativa ou.... gastaram o dinheiro com outra coisa! Eu me incluo em ambos os casos. A maioria se diverte tirando a neve como eu. Bom, se eles não se divertem aí fica ruim!

Outro detalhe é que nem todo mundo pode acordar mais cedo para remover a neve e tirar o carro. Eu sou um desses. Um carro pequeno pode facilmente ficar atolado na neve da saída caso neve muito. Mas eu tenho o trunfo de ter um quatre pattes/quatro patas (carro com tração nas quatro rodas). Meto a ré, vou embora e deixo para tirar a neve quando volto para casa.

E em relação à frequência, é bem irregular e depende de São Pedro. Já tive que tirar muita neve durante uma hora cada dia, por três dias seguidos. Mas depois disso, passaram-se umas três semanas sem cair um floco de neve. Também tem vezes que cai pouca neve e basta meia hora de trabalho.

Para terminar, achei esse vídeo que mostra alguns aspectos da neve do inverno: um homem usando uma soufleuse, o trator raspando a neve para a margem da pista e o conjunto trator-soufleuse e caminhões removendo a neve. Alguém perguntou se a rua não ficava estrangulada porque eu e os outros jogáva-mos a neve na rua. A nossa rua é mais larga justamente para isso. Mesmo com acúmulo, dá para passar um trator entre dois carros estacionados um em cada lado. Eu é que não arrisco deixar o meu nessas condições! E quando acumula, esse comboio passa removendo a neve. Por sinal, acabou de passar por aqui.

O chato é que esse vídeo começa logo assustando pois mostra a poeira da neve soprada pelo vento forte em um cenário nada acolhedor! E lá vamos nós novamente!



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tirando a neve




Estou inaugurando agora uma nova modalidade de postagem, mas não sei como denominá-la. Bom, o formato texto é o mais clássico, podemos usar links e faço minhas traduções no próprio texto com cores para apresentar palavras e expressões interessantes. Mas descrever as cores do outono não é a mesma coisa que mostrá-las nas fotos. E uma foto vale por mil palavras, mas não expressa bem a velocidade de uma descida de tobogã na neve nem mostra quão forte está o vento.

Já faz um bom tempo que tenho editado vídeos para o blog, mas ainda não tinha percebido que posso colocar conteúdo falado nele ao invés de deixar tudo escrito (Dãã!! Meio óbvio, né?). É bem mais interessante fazer comentários enquanto mostramos o que está sendo comentado.

Não pretendo transformar o blog em um vlog (vídeo log) até porque consome mais tempo e demora mais para ser publicado. Mas vou procurar usar esse formato onde for mais apropriado, na medida do possível.

Fica aqui minha primeira experiência mostrando o trabalho que dá tirar a neve de casa, embora eu goste (ao menos, por enquanto!). Desculpem minha ga-gagueira e falta de organização das frases. Foi tudo de improviso e não tive tempo de regravar na mesma ocasião pois, tinha uma tonelada de neve para tirar! Prometo que na próxima vai ser melhor. Obrigado à minha assistente de câmera, a Lara!

domingo, 13 de novembro de 2011

Primeira neve de 2011-2012

A exotérica data de 11/11/11 passou e ainda não foi agora que o mundo se acabou. No dia seguinte, tivemos a primeira neve desse inverno que está chegando. Podem me chamar de bobão, mas está começando o nosso terceiro inverno e ainda ficou deslumbrado contemplando a neve caindo. Acho um espetáculo da natureza muito bonito.

Dizem que depois do terceiro inverno começamos a detestá-la, mas acho que depende de cada um e possivelmente não vai ser meu caso. Tem uma diferença considerável dessa vez. Agora estamos morando em uma casa e eu vou ter que tirar a neve da entrada da casa e da garagem. É o famoso verbo pelleter, que significa cavar com uma pelle/pá. Já me fizeram muito medo contando sobre o famoso invernão de 2008. Um cara com quem eu conversava no parque me contou que chegou uma hora que não conseguia mais jogar a neve para cima da trinchera de entrada da casa dele porque estava alta demais e não tinha mais onde colocar tanta neve. Quack!!! Exagero? Olhem essa foto que achei na Internet desse inverno de 2008 aqui em Québec e me digam se é ou não.



Ao menos nesse inverno temos um abrigo que vai nos poupar bons minutos de limpeza do carro, atividade essa que a Mônica se queixava muito. Também, mesmo antes de nevar já estávamos nos beneficiando dele porque os vidros do carro não ficam cheios de gelo das geadas. Mesmo assim, o serviço de déneigement/remoção de neve a joga na entrada da garagem e pode ficar bem "bonitinho" para sair de manhã cedo, já estando atrasado. Vamos ver.

Gravei um video curto dessa primeira neve que começa a transformar Québec na Branca de Neve. Faço algumas observações prévias porque baseado em experiências anteriores, sei que algumas pessoas vão tirar conclusões erradas do que vão ver: Esse carro preto em frente à nossa casa não é nosso e essas casas que aparecem são as casas dos vizinhos filmadas à partir da nossa, que não foi incluida. E também, antes que perguntem para que eu coloquei duas hastes na entrada da garagem, elas servem para que saibamos por onde podemos passar depois que o chão estiver cheio de neve sem subir nas pedras.



domingo, 6 de novembro de 2011

Temperatura em casa

 Uma coisa que eu tinha muita curiosidade sobre o Canadá quando eu ainda estava no tórrido Ceará era se o "quentinho" de dentro das casas e apartamentos era apenas força de expressão e se mesmo no aconchego do lar sentiríamos frio. Isso porque em Fortaleza, quando saímos do ambiente externo a 35°C e entramos em um ambiente com ar condicionado a 24°C, venhamos e convenhamos, para muitos cearenses é frio.

Vou usar minha resposta preferida: sim e não. Isso porque existe uma faixa de temperatura que são ajustadas nos lares e também a sensação de temperatura varia de pessoa para pessoa. Outro fator que no começo distorce esse aspecto é a questão de como se vestir em casa. Mas vamos por partes, como dizia Jack o estripador.

Em relação à temperatura, que às vezes é fixa e determinada pelo proprietário ou pode ser ajustada até por compartimentos, existe uma certa variação. Fiz um levantamento informal e nada científico perguntando às pessoas qual a temperatura dos seus lares. As respostas estão no gráfico do topo dessa postagem. Como podem ver, a maior concentração está entre 21 e 23°C, mas 20°C e um pouco abaixo também é usado.

Quanto à sensação, depois de saírmos do Ceará e passarmos por uma variação de 34°C a -26°C, com respectivas sensações térmicas de 44°C a -40°C, o nosso referencial de temperatura mais agradável muda. Os 23°C a 24°C passam a ser a faixa onde eu e a Mônica e as crianças nos sentimos mais confortáveis, nos vestindo como faziamos no Ceará: short ou bermuda e camisa de malha de manga curta. Sinceramente, a partir dos 25°C para cima eu já começo a me incomodar, mas como disse, isso varia de pessoa para pessoa.

Mas deixar o lar a 24°C enquanto lá fora está entre -10 e -20°C, que é o típico do inverno, demanda energia que implica em custo. Somos felizardos porque o Québec tem as tarifas de energia mais baixas do Canadá que são mais vantajosas para chauffage/heating/aquecimento que o uso dos combustíveis fósseis. Na França, pelo que me contaram, os pobres coitados ajustam entre 16 e 18°C. Vale ressaltar que quanto mais baixa a umidade, menos frio sentimos, mas cuidado para não deixá-la muito baixa. Recomendo controlar em 40% no inverno.

Eis como chegamos na faixa típica do gráfico, fazendo um pequeno ajuste cultural nos nordestinos. Usar pouca roupa é confortável quando estamos no calor. Mas existem roupas de tecido bem confortável que podemos usar em casa que nos permite baixar alguns graus e continuarmos nos sentindo na temperatura ideal. Como exemplo, uma calça e até mesmo, se for o caso, um blusão de moletom por cima de uma blusa. Para os pés, meias ou pantufas. As meias têm o inconveniente de serem escorregadias e para quem tem escadas, não recomendo, enquanto que as pantufas podem ter o solado emborrachado. Isso vai até o limite onde sentimos frio nas mãos e não é lá tão interessante escrever no computador com luvas.

Mas o que acho mais confortável mesmo em relação ao lar aqui no Canadá é o sono. Devido ao frio, as casas têm uma isolação térmica muito eficiente. Esta isolação reduz a quase nada o ruído externo. Na hora de dormir, faz um silencio ensurdecedor! E a temperatura fica fixa durante a noite toda, o que se traduz em um sono de muita qualidade. O ruim mesmo é sair debaixo dos cobertores quentinhos para ir trabalhar. Mas aí é querer mordomia demais, né?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Nossos vizinhos não existem!


Nooooosa Senhora! Nunca vi vizinhos tão simpáticos, prestativos e calorosos quanto os nossos. E não estou falando dos que moram apenas em uma casa.

Tudo começou antes mesmo do começo. Antes da mudança do apartamento para a casa, eu trazia as coisas menos importantes e menores mas que enchiam completamente o carro. Na segunda-feira à noite, lembrando que as coletas de lixo passam na terça-feira, coloquei o latão de lixo (grande, de plástico e com rodinhas) comum e o de lixo reciclável (aqui todo mundo faz coleta seletiva) na rua.

Quando cheguei com mais caixas na terça-feira à noite, cadê os latões? Quack! O lixeiro nem pega neles! É um braço mecânico que vira os latões para dentro do caminhão. Eu sou louco mas tenho certeza que os coloquei na rua pois lembrava que eram mais pesados do que o que imaginava. Quando estacionei o carro na "garagem" (é só o chão), percebi que eles estavam novamente no quintal. Algum dos vizinhos, sem ainda nem nos conhecer, fez a gentileza de levá-los da rua para o quintal. Até hoje não sei quem foi.

Aqui as casas não têm muros. O vizinho do lado esquerdo tem uma cerca no quintal para as crianças não sairem e o do lado direito tem uma cerca viva que não impede de vermos quem está no quintal por causa do desnível do terreno. Já para o vizinho de trás, não tem nada a não ser o desnível pelo fato do terreno dele ser cerca de um metro mais alto que o nosso. Dessa forma, quando estamos nos quintais, podemos ver e ouvir uns aos outros. Assim, logo nos primeiros dias os próprios vizinhos puxaram conversa, se apresentaram e deram as boas vindas.

Um belo dia, escutei os gritos do Davi um pouco mais longe. Quando fui ver, ele estava dentro da cerca do vizinho da esquerda, brincando com os filhos deste. Valei-me meu Santo Aleixo! O menino já invadiu a casa do vizinho sem pedir! Quando cheguei lá, descobri que os filhos do vizinho é que tinham pedido à mãe deles para brincarem com o Davi lá. Logo depois, a mãe deles me perguntou se poderia levar o Davi para tomar banho de jet d'eau/jato de água com os filhos dela no parque. Na outra semana, eram os filhos deles que estavam lá em casa.

Outra vez, a Mônica me ligou avisando que iria sair e a Lara não queria ir com ela. E aí? Como é que faz? A Lara fica na casa da Denise! Hein? Tranquilo! Já está tudo acertado! Quando cheguei, a Lara estava desenhando e conversando com os vizinhos de trás, um casal de aposentados maravilhosos. Como a sua filha é comportada! E de quebra nos mostraram o interior da sua casa, que é enorme. E isso tudo em menos de 20 dias!

O Ivan, marido da Denise, este é tão solícito que até me encabula. Me ensinou a cortar a grama e emprestou a máquina de cortar grama portátil para fazer o acabamento antes de eu comprar a minha.

Em um final de semana que estávamos com visitas, ele me chamou. -Eu estou vendo que estás com visitas. Eu tenho quatro cadeiras no cabanon/remise/depósito (externo) que não uso. Vamos pegar para as suas visitas? Outro dia: -Sua esposa contou que ainda não compraram a mesa e as cadeiras do patio/"varanda" do quintal porque não cabem no carro. Quando quiseres, me avise que vou com você para trazermos no meu reboque. Não só foi comigo, como ainda se ofereceu prontamente para ir ao outro Canadian Tire lá do outro lado da cidade quando disse que não tinha mais no que fica mais perto de onde moramos.

E ele não me deixa arrodear o quarteirão! -Você vem cansado do trabalho. Não precisa fazer toda essa volta. Passe pelo terreno e vá direto ao quintal da sua casa que é mais rápido. Muitas vezes, quando estou em frente à casa dele, ficamos uma meia hora conversando. Nessas conversas, ele me apresenta outros vizinhos das casas próximas, que são bem humorados.

Quando fui devolver as cadeiras dele, ele saiu com essa: -Não! Você pode precisar delas quando chamar seus amigos! Eu tenho muitas no meu patio e na garagem. Não tenho como usar e só estávam guardadas. Se você quiser e não se incomodar com elas, se tiver espaço no seu cabanon, fique usando-as! E aí se segue a frase que escutamos demais por aqui que explica e resume o porquê de tanta gentileza: Ça me fait plaisir!/É um prazer para mim!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Comprando um imóvel - Passo a passo


Agora vou descrever como se passa mais ou menos todo o processo de compra de um imóvel aqui no Canadá, ou ao menos aqui no Québec. Começa com a muita meditação transcendental, yoga e exercícios de respiração. Depois de estar bem zen, é recomendável pesquisar e ler muito, afinal, o assunto é bem vasto.

Uma ordem lógica começaria por uma conversa com um courtier hypothécaire/mortage broker/corretor financeiro ou com o gerente do seu banco. À ce moment-là/nessa hora (a nossa gerente fala isso a cada 15 segundos. Até a Lara fica rindo), dizemos quanto ganhamos e gastamos (sobretudo ou exclusivamente prestações relativas a crédito) para saber quanto podemos financiar. Também dizemos quanto dispomos para dar de entrada e quanto podemos pagar de prestação relativa a este financiamento. Com isso, alguns cenários poderão ser exercitados com as modalidades disponívels, variando também o prazo de financiamento. A intenção é sair com uma resposta positiva para a seguinte pertunta: Se eu satisfizer essas condições, provavelmente poderei fazer o financiamento desse valor, não é? Uma pesquisa de mercado pode dar outros pontos de vista, como também outras taxas de juros e condições.

Essa primeira etapa (ou segunda, caso passe pela Yoga) vai determinar o valor máximo usado para a fase de procura do imóvel. Para isso, podemos nos servir de um corretor imobiliário ou fazermos por conta própria. O corretor pode dar orientações sobre os imóveis e tomar conta do processo. Porém, isso vai custar até 5% do valor do imóvel. Quem paga é o vendedor, mas esse custo pode estar embutido no valor do imóvel. Se tiver também um corretor do lado do vendedor, os dois dividirão esse valor.

Atrevido que somos, estamos fazendo tudo aqui por conta própria. Isso depende do grau de ousadia e de gosto por emoções fortes de cada um. Usamos o site do Du Proprio para pesquisar as casas e para seguir as instruções e documentos publicados. Mesmo não fazendo a compra através desse, recomendo dar uma lida nos documentos modelo. Usando o Du Proprio, o vendedor paga apenas uma pequena taxa bem inferior à de corretagem. Depois de algumas visitas e análises, começa a brincadeira.

Para comprar um imóvel, temos que fazer uma offre d'achat/oferta de compra, onde preenchemos um documento com o preço que nos propomos a pagar, bem como condições, opções e datas. Como exemplos mais usuais de condições, menciono a de apresentação da carta ou certificado de financiamento (obtido posteriormente) e uma vistoria do imóvel. O descumprimento da apresentação do certificado de financiamento no prazo estipulado desobriga o vendedor. Já um relatório da vistoria indicando problemas que impliquem em custos significativos desobriga o comprador. Porém, uma vez que o vendedor aceite a oferta e as condições sejam satisfeitas, essa offre d'achat passa a valer como um contrato de obrigação de compra e venda. Caso seja quebrado, a parte lezada (vocês sabem qual é o sentido correto!) pode processar a que o descumpriu. Se tiver negociação de preço, esta terá que ser feita através de uma outra offre d'achat. Um detalhe interessante e conveniente é que podemos negociar para estipular uma data de efetivação da compra alguns meses à frente. Isso permite que façamos a negociação antes de terminar nosso contrato de aluguel. Só começamos a pagar o financiamento no mês seguinte à essa data, fato esse que evita pagar aluguel e financiamento ao mesmo tempo.

Uns 500$ muito bem empregados são esses da vistoria. O profissional que fez a minha tinha a norma toda na cabeça (norma e não a Norma). Ele me deu uma verdadeira aula de casa canadense.
-Está vendo essa brecha entre os tijolos?
-Defeito né?
-Não! Tem que ter isso para que a água de alguma eventual infiltração possa sair!
...
-Olhe aqui esse espaço de dois dedos entre o solo e a parte de baixo da escada (de concreto).
-Tem que preencher, né?
-Não! O solo se move devido ao gelo e degelo. Isso serve para evitar que a escada seja quebrada!
...
-Está percebendo que tem vento frio circulando aí no telhado?
-Hum...(sábio grunhido depois de dois foras)
-Tem que ser assim para não mofar a lã de isolamento térmico e a madeira.

 À ce moment-là, voltamos ao financiamento. Dessa vez, tendo o valor exato, é para valer. O valor de entrada fica retido para que a instituição possa dar garantia de que o financiamento vai ser feito. A madame à ce moment-là nos sugeriu criar uma conta épargne/poupança para que esse dinheiro retido tenha rendimento enquanto não chega o dia da efetivação da compra. Assinada a papelada, entregamos o certificado de financiamento para os vendedores. A intituição financeira envia toda a documentação de sua parte para o notaire/tabelião que já tem que ser escolhido na hora de preencher a offre d'achat. Caso não tenha um, pergunte qual o banco ou a instituição finaneira recomenda.

O notaire é a pessoa que vai validar toda a documentação e efetivar a compra. O vendedor receberá o dinheiro e nós, as chaves. A partir desse momento, o imóvel passa a ser nosso  com seus direitos e deveres, inclusive os custos. O nosso notaire vai cobrar 1150$. Ele vai estipular outros custos que teremos que pagar como a irônica tax de bienvenue/taxa boas vindas que é 0,5% sob os primeiros 50.000$, 1% sob o resto até 250.000$ e 1,5% sob o que exceder esse último valor. Também devemos pagar a parte proporcional das taxes municipales/taxas municipais. As taxes scolaires/taxas escolares (essas últimas traduções bem que poderiam ser dispensadas) são pagas por volta de julho e agosto. Essas duas taxas normalmente são informadas nos sites de anúncios de imóveis e devem ser incluidas na planilha de custos mensais.

A maratona está terminando! Falta transferir a titularidade da energia elétrica, programar a mudança e comprar a carne. Sim! Depois de estar no novo lar, normalmente em pleno verão, é hora de chamar os amigos para comer um churrasco de comemoração! Mas não deixe a churrasqueira perto da parede porque o vinil da camada externa de isolação térmica derrete fácil e pode causar um incêncio. A propósito! Não deixe para fazer o seguro do imóvel depois. Faça-o imediatamente. Você pode perder tudo porque de tempos em tempos vemos notícias de incêncios por aqui!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Comprando um Imóvel - Financiamento


Esse é um assunto que no começo assusta mesmo quem já conhece financiamentos no Brasil, mas depois de um tempo, passamos a nos sentir mais a vontade com esse novo mundo. Ministério da Saúde adverte: o conteúdo dessa postagem é bem técnico, logo, indigesto para alguns. Deixe o Engov ao alcance.

Primeiramente, vale salientar que as taxas de juros de financiamento no Brasil estão no mesmo patamar das do Canadá, só que no Brasil é ao mês e aqui é ao ano! Plaft! Levei um tapa na cara quando tive essa notícia antes mesmo de chegar aqui. Para ser mais claro e não deixar dúvidas: Pagava 2,5% ao mês de juros no apartamento do Brasil (por isso quitei o mais rápido possível) e aqui tem financiamentos com taxa de 2,35% ao ano, que torna viável pagar ao longo de décadas. Também tem outra diferença sutil e cruel: No Brasil, o efeito cascata dos juros compostos é mensal, enquanto aqui é semestral (pelo que me disseram, pois pensava que era anual). Isso significa que em um financiamento de 20 anos, paga-se juros sobre juros 240 vezes no Brasil e apenas 40 vezes aqui.

Vamos começar pelo mais fácil que é o prazo ou período de financiamento. O máximo que vi é de 35 anos, mas não é garantido de se conseguir. O típico é fazermos financiamentos entre 20 e 30 anos. Quanto maior for o período, maior será o valor financiado ou menor será a prestação, porém, pagar-se-ão (eita mesóclise arretada!) mais juros. Outra coisa que é novidade para quem vem do Brasil são os termos. Um termo é uma espécie de contrato que estipula as condições do financiamento durante um período de 1 a 5 anos, sem alterações (ou quase).

Podemos até cancelá-lo, mas sob penalidade estipulada. Findo (significa terminado, viu?) o termo, temos que negociar outro para continuar o financiamento, mas não necessariamente com a mesma instituição financeira. Isso nos permite magaziner/pesquisar no mercado para escolher as melhores condições.

Em relação ao valor de entrada, teoricamente este pode ser até zero, mas tem implicações. Vou começar do mais normal para o mais forçado. Se dermos ao menos 20% do valor do imóvel, ou seja, financiar os outros 80%, não incorremos em custos extra. Entre 5% e 20% de entrada, somos obrigados a pagar um seguro do financiamento para evitar as bolhas financeiras que causam crises econômicas como a de 2009. Sai meio salgado. No nosso caso, gastaríamos quase 10.000$ a mais por causa desse seguro que penso poder ser pago em prestações. E sem nada de entrada, seria o caso de um empréstimo para ter os 5% de entrada, porém, isso impacta na capacidade de endividamento do qual vou falar posteriormente. Não conheço detalhes dessas duas opções porque não as achei interessantes.

Já que falei em capacidade de endividamento, vou aproveitar o gancho e falar sobre o valor máximo que podemos financiar. É determinado por dois fatores. Um deles é a prestação máxima que bolso consegue suportar. O outro é dado pelo cálculo que leva em consideração as prestações de créditos que temos contratados em relação à renda conjunta. Grosso modo, a soma das prestações de empréstimos e financiamentos (incluindo o do futuro imóvel), mais a média de uso dos cartões de crédito ou um percentual do limite destes, tem que ser inferior a 38% da renda conjunta. Na página do HSBC tem uma calculadora que dá uma ideia desse valor. Porém, para o cálculo mais exato, a nossa gerente colocou outros gastos não relacionados a crédito no sistema do banco e não sei como isso é avaliado em detalhes.

Agora temos o ponto que causa mais indecisão e insegurança: a modalidade de financiamento. É uma combinação de tempo do termo (1, 3 ou 5 anos), termo fechado ou aberto e taxa de juros fixa ou variável.

Um termo fechado é aquele onde o valor extra que podemos injetar é limitado a 20% do saldo devedor por ano. Isso dá ao agente financeiro uma garantia de que ele vai ter algum lucro durante o termo. Já o termo aberto permite que injetemos o quanto quisermos na data do aniversário, o que permite até sua quitação total antecipada. Por isso, os agentes financeiros utilizam uma taxa de juros mais alta para cobrir o risco de não ter o retorno esperado devido a essa liberdade. Essas injeções podem reduzem automaticamente (ao menos no caso do HSBC) o período de financiamento.

E taxa de juros variável é tentadora pelo seu valor menor no momento da contratação, mas que corre o risco de subir de acordo com o que acontecer no mercado. A taxa de juros fixa é mais alta, mas dá a garantia de não ter surpresas durante o termo todo. Causa estranheza para alguns o fato de que essa taxa de juros fixa ser mais alta quanto mais longo for o termo, embora seja sempre uma taxa anual e não de todo o termo. É que quanto mais longo for o termo, maiores são os riscos de alta da taxa prime que rege os financiamentos, logo, maiores os custos de garantia de lucratividade. Daí, cada agente financeiro faz seus pacotes, mas não necessariamente com todas as combinações. O HSBC, por exemplo, tem várias opções de termos fechados, mas para termo aberto, só tem de 3 anos e com taxa de juros variável.

Um amigo havia me advertido que alguns agentes financeiros dão uma remise en argent/bônus para nos tentar a escolher uma modalidade mais dispendiosa para nós e mais lucrativa para eles, uma espécie de armadilha. No nosso caso, não era nada abusivo. Bastava não escolher termos de 1 ano nem o termo aberto que teríamos direito a 1.000$ para ajudar a pagar os custos de compra da casa.

Sim, tomador de água de côco, mas qual é a melhor modalidade? Bom, depende da situação de cada um. Se você vai receber um valor bem grande depois de contratado o financiamento, podes fazer uma espécie de adiantamento desse dinheiro esticando o prazo para 30 anos e depois fazer a injeção maior para fazer uma redução mais drástica desse prazo. Lembrando que o termo fechado limita a 20% do saldo devedor por ano.

Se você gosta de fazer projeções da taxa prime levando consideração a crise no oriente médio e os terremotos do Japão, como também gosta de curtir emoções, pode ser que a aposta da taxa variável dê melhores resultados que pagar a taxa fixa que já foi calculada levando em conta o risco. Mas pode ser que a taxa prime suba descontroladamente. Podemos ter a opção de mudar de variável para fixa durante o termo, mas vai ser com o a taxa fixa do momento da mudança, que vai ser maior que a do começo do termo caso a mudança seja justamente por causa da alta da prime. E quanto ao prazo do termo, vai depender do seu grau de segurança de manter as condições inalteradas durante esse tempo.

Recomendo fazerem o que eu não fiz. Eu deveria ter consultado um courtier hypothécaire/mortage broker/corretor financeiro que dá conselhos e pode indicar a melhor taxa de juros dentre as financeiras para cada modalidade. Me sugeriram procurar a Multi-prêt. Porém, não queria perder essa casa e consegui o certificado de financiamento para entregar aos vendedores na véspera do prazo final, porque o dinheiro já estava na nossa conta do HSBC. Além do mais, as taxas do HSBC para clientes premier ficavam próximas das melhores do mercado indicadas no site da Multi-prêt, e vai ser somente durante os 3 anos desse primeiro termo.

Complicado e trabalhoso, né? Mais ne capote pas/Mas não capote("caia para trás")! Ainda falta eu explicar como funciona o processo de compra da casa como um todo, onde até para fazer uma negociação de preço, cada oferta tem que ser formalizada por escrito!

sábado, 16 de abril de 2011

Comprando um Imóvel - Orçamento


Em geral, não se compra um imóvel pagando todo de uma só vez. As taxas de juros daqui são absurdamente inferiores às do Brasil, logo, podemos fazer um financiamento para conseguir algo melhor. Para saber quanto vamos dispor somando a entrada com o valor financiado, precisamos saber quanto podemos pagar de prestação mensual de financiamento.
Uma ideia simplista que logo aparece na nossa cuquinha é a de substituir o valor do aluguel pelo financiamento. Interessante, mas normalmente não funciona. Os custos enquanto morando de aluguel provavelmente serão diferentes dos custos de quando moramos no nosso próprio imóvel. No mínimo, o seguro deve mudar, até porque vai passar de um seguro dos bens que estão no imóvel para o do próprio imóvel, incluindo os bens.
Mesmo se não fosse devido a essa situação, é sempre recomendável ter um orçamento e acompanhá-lo de tempos em tempos. Para nós que já o fazemos desde quando casamos, há 11 anos, é bem mais fácil de conhecer todos os ítens. Para quem vai começar, vai ser um bom exercício de lembrar de todos os gastos para que seja o mais fiel possível à realidade.
Fica muito mais prático de fazer e atualizar um orçamento usando um software de planilha eletrônica como o Excel, do pacote Microsoft Office ou o Calc do OpenOffice, que é gratuito. Feito o orçamento uma primeira vez, eu copio a folha da planilha para gerar outros cenários futuros possíveis ou para uma atualização quando algum elemento muda.
A minha planilha é dividida em duas seções: receitas e despesas. Na seção de receitas, normalmente  colocamos somente o(s) salário(s) líquidos, descontado tudo o que for pertinente, mas podem existir outras fontes como um aluguel. Caso o salário seja variável, temos que fazer uma média dos últimos valores. Uso a função média para guardar os valores, assim posso saber quantos e quais desses foram considerados. No final da seção, temos o total de receitas.
A seção de despesas é que, em geral, é mais "emocionante". Temos que procurar incluir tudo que é recorrente. Para os ítens cuja recorrência é anual, podemos quase sempre dividir por doze para ter seu impacto distribuido mensalmente. O custo de aquecimento, por exemplo, varia consideravelmente do verão ao inverno. Porém, ao menos a Hydro-Québec, que é a companhia elétrica daqui, tem um plano equalizado. Com este, pagamos o mesmo valor durante 12 meses e depois é feito um ajuste. Senão, com um pouco de disciplina podemos fazer nós mesmos essa equalização, guardando as sobras e injetando nos meses mais dispendiosos.
Alguns ítens são sempre constantes e muito fáceis de serem lembrados como tv por assinatura. Outros mais variados vão requerer observação ou estimativa como gasto de combustível do carro. Recomendo incluir, mesmo que seja uma estimativa não muito precisa, os ítens relativos a gastos com roupas e lazer. Os extratos da conta e dos cartões de débito e crédito ajudam a fazermos esse levantamento.
O seguro varia de acordo com a sua abrangencia de cobertura, com o imóvel e até com o fato de ter um hidrante perto ou não. Tenho dois valores para casas que consegui perguntando, um de 40$/mês e outro de 70$/mês.
Em sites de anúncios de imóveis como o DuProprio  e Remax, podemos ver ítens importantes como as taxas municipais, taxa escolar, custo de eletricidade (que muitas vezes embute o aquecimento), bem como outras. Caso o imóvel que procuras não tenha esses valores, podes usar sites como esses para ter uma ideia do custo. Para quem quer ter uma casa, vale citar que no inverno, alguém tem que tirar a neve da calçada e do estacionamento. Uma amiga me disse que optou por pagar 300$ por inverno. Em alguns casos, a casa não tem calçada e podemos usar toldos para o estacionamento e entrada da casa. Assim, só remove a neve quem quer fazer algum exercício para queimar as calorias do chocolate quente. Eu gosto de exercício, mas não tenho lá essas calorias todas.
O interessante é que fazendo dessa forma, a conta em geral não condiz com a realidade, mesmo que sejamos bem precisos. Isso ocorre porque existem custos que não são recorrentes ou cuja periodicidade é irregular. Exemplos: comprar os pneus de inverno, comprar patins, uma viagenzinha, etc. Para prever esse tipo de custos e deixar a planiha mais equilibrada e real, acrescento uma folga percentual aos custos. Quando o nível de variação e incerteza é maior, uso 20%, como nos primeiros meses de Canadá. Hoje, por estarmos em uma situação mais estável, baixei esse valor para 10%.
Não gosto de usar cartão de crédito. Para o efeito de praticidade, uso o cartão de débito. O problema do cartão de crédito é que ele estimula o efeito de comprar com o dinheiro que não temos, o que atrapalha o controle por ter efeito retardado. Compras parceladas então são uma armadilha traiçoeira. As contas vão se acumulando sem "doer" a curto prazo. Quando percebemos os gastos mais altos, já era! Ainda passamos meses de "ressaca" financeira.
No mais, vale uma regrinha boba que até meus amigos formados em economia e contabilidade sabem, mas negligenciam: Temos que gastar menos que ganhamos! Parece óbvio mas nem todo mundo consegue se conter.
Pronto para começar? Divirtam-se!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Comprando um imóvel - Introdução


Baixar ancora! Passada a fase inicial de insegurança, chega uma hora na qual alguns imigrantes resolvem adquirir uma casa ou apartamento em vez de continuarem em imóveis alugados. Vou relatar como está acontecendo no nosso caso, bem como explicar as nossas escolhas e repassar alguma experiência e informações que obtivemos durante esse processo. Pretendo quebrar o assunto em algumas postagens para poder descrever melhor, já que o assunto é vasto.
Ministério da Saúde adverte: Não tomem as informações daqui como sendo o recomendado para o seu caso em particular. Cada um tem uma história de imigração diferente e algumas das nossas decisões podem não ser as melhores para a sua situação. Também, as informações daqui não são 100% garantidas porque dependem de banco, cidade, província, mudam com o tempo e posso ter entendido errado. Enfim: Pode ajudar, mas faça o seu próprio caminho e busque as informações mais detalhadas.
Para começar, já tive notícias de imigrantes brasileiros que compraram casa com apenas 6 meses aqui, como tem muitos que nunca vão comprar uma. Muitos porque não conseguem e outros porque acham que não vale a pena. Tem gente que prefere aplicar o dinheiro no Brasil e pagar aluguel. Outros não se sentem seguros o suficiente para se comprometerem a este ponto de se enraizarem nas terras nórdicas. Por isso, nem mesmo a questão de comprar um imóvel pode ser visto como algo que tenha que acontecer.
No nosso caso e opinião, os 945$ por mês somam mais de 11.000$ por ano. O que vamos ter pago no final dos 17 meses de alugel vai superar o valor do carro que custou 14.000$. Porém, ao contrário do carro e da casa, esse dinheiro não vai fazer parte do nosso patrimônio e vai simplesmente evaporar. Outro fator é que para comprar a casa, temos o dinheiro da venda do apartamento do Brasil que só está sendo concretizada nesse ano. Viemos para cá com o dinheiro dos dois carros que tínhamos. Logo, a ideia é pagar uma parte da casa e trocar o pagamento de aluguel por uma prestação de financiamento que vai acumular patrimônio.
Outro fator que pesa é que é bem difícil de encontrar casas para alugar, principalmente com a mesma relação custo benefício dos condo/condomínios de apartamentos. E, como aqui é bem seguro, pensamos que uma casa é bem mais interessante para uma família que tem dois filhos que um apartamento. Mas, há também quem não queira ter os trabalhos e/ou custos e preocupações que uma casa requer: cortar a grama, déneigement/remoção de neve, manutenção, etc. Isso vai muito do perfil de cada um e depende também da casa. Tem casa que tem toldo para o carro e para a entrada, não tem calçada e por isso, dispensa o déneigement. Eu gosto de serviços de casa. Desde quando tivemos o nosso primeiro apartamento que eu mesmo instalava todas as luminárias, os porta-toalhas dos banheiros, os varais de teto, etc. Também procuro consertar o que conseguir, incluindo a parte hidráulica e elétrica. Acho que vou gostar da parte de carpintaria que é um hobby comum entre meus colegas de trabalho, bem como me faz lembrar quando acompanhava curiosamente o trabalho do meu avô.
Além desses aspectos, teríamos que nos restringir a apartamentos de concreto por causa do barulho que o Davi faz no piso (o vizinho de baixo no começo dava umas vassoradas no teto!), ou um apartamento que não tenha subsolo, que são poucos. Não moraríamos em subsolos. Muitos apartamentos de concreto têm carpete no piso, que não é bom para quem tem facilidade de ter rinite como a Mônica e o Davi.
Em seguida a esta postagem, vou dedicar a próxima ao planejamento de orçamento para saber quanto que se pode adquirir de dívida de financiamento, seguido de outra para falar do financiamento propriamente dito. Na sequência, um pouco do que está envolvido na escolha do imóvel e finalmente, o passo a passo de como funciona todo esse processo com seus detalhes formais.

sábado, 9 de abril de 2011

Comprando um imóvel - Bençãos de Deus




Desculpem-me os ateus (eu já fui um), mas tantas bençãos concentradas em apenas um dia não podem ser simples obra do acaso. Dia 7 de abril, completamos 11 anos de um casamento bem maduro, forte e estável. Nesse mesmo dia, por ocasião da avaliação de performance do ano passado, meu chefe fez mil elogios, deu uma nota acima da média, um bom aumento e mais ações da empresa para somar as que eu tinha e nem sabia! Na época da contratação, com meu francês sofrível, devo ter passado sem entender o que era. Dá uma graninha boa!
Ontem, uma amiga ficou com as crianças para comemorarmos comendo rodízio de carnes na churrascaria brasileira Le Milsa e curtir um agito no Chez Dagobert. Obrigado de coração, Josete!
Mas o foco da postagem foi mesmo a conquista da primeira casa, que também se concretizou nesse mesmo dia 7. Uhuuu!!! Foi uma batalha de meses gastando noites fazendo mil cenários financeiros com toneladas de planilhas eletrônicas (já te disse mais de um milhão de vezes para não falar desse jeito exagerado!), pesquisando muito como funciona todo esse processo aqui e pesquisando os imóveis propriamente ditos. Tivemos momentos estressantes como a complicada transferência do dinheiro do Brasil para cá a conta-gotas pelo Global View do HSBC. Só pudemos cumprir o prazo devido a ajuda essencial do amigo Taz (não sei se ele se incomoda de eu citar o nome real) e da sua esposa que usaram as suas contas Premier para acelerar a transferência. Obrigadão a vocês dois! Sem essa ajuda, poderíamos ter perdido essa casa.
A compra proriamente dita vai ser realizada quando fizermos o equivalente à escritura do imóvel, mas por enquanto temos o que seria um contrato de obrigação de compra e de venda que nos garante esse próximo evento. Os atuais donos deram o ok para a construção da sua futura casa em Montréal e temos o contrato de aluguel do atual apartamento até o fim de junho. Por isso, faremos a "escritura" e nos mudaremos no finalzinho desse prazo.
Quanto à casa, não é uma enorme de três andares com piscina, lareira e tudo mais, mas tem o que precisamos e está de bom tamanho para começar. É um bungalow/casa isolada que tem somente dois quartos. Mas futuramente, moveremos a parede para expandir o que é hoje um atelier e transformá-lo em terceiro quarto. Também poderemos tirar a parede que separa a sala do subsolo de um espaço de guardar bagulhos (tranqueiras no dialeto de São Paulo) para manter o tamanho da mesma. A casa foi construida em 2005 e decorada com muito bom gosto pelo casal de aposentados. Eles vão levar os móveis e eletrodomésticos, mas vão nos deixar as cortinas, luminárias, a imensa máquina de lavar, o condicionador de ar, o échangeur d'air/trocador de ar (renova o ar, controla a unidade e minimiza a perda de calor da troca do ar), reostatos de controle temperatura programáveis, armários, o móvel do escritório e até a churrasqueira. Nesse verão vamos convidar os amigos para comer churrasco! Não vamos ter muito trabalho com neve no inverno porque não tem calçada e eles também vão deixar um toldo para o carro e outro para a entrada da casa.
Um ponto bastante interessante para nós é que tem um grande parque a poucos metros de lá, com um playground variado, campo de futebol, quatro quadras de tênis que viram um dos dois patinoires no inverno, jatos de água para o calor do verão, ciclovia quilométrica, dentre outras coisas. A futura escola da Lara fica a 1Km de casa como a daqui, mas passando por dentro do parque, que é mais interessante. As fotos dessa postagem foram tiradas do anúncio. Se clicarem na foto, vai abrir o álbum com fotos maiores. Nesse link do Google Maps, temos a visão da casa e nesse outro a visão do parque.
Como juntamos muitas informações sobre esse assunto, criei uma série de algumas postagens para poder explicar mais detalhes cada aspecto desse processo da conquista do lar doce lar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Casinha simpática




Ainda não é hora de procurar a casa ou apartamento para comprarmos, mas resolvemos dar uma espiadinha para sentir como é. São muitos aspectos a serem avaliados: Preço, localização, tamanho, idade, vizinhança, etc. Acho que é uma constante no Canadá todo. Nas regiões mais centrais os imóveis têm uma tendência a serem mais velhos e menores. E na periferia, tem muitos imóveis mais novos e maiores. As cidades crescem para fora.
Mas na verdade, estou embromando. O que eu queria mesmo era mostrar as fotos dessa casa que me deixou apaixonado. Bateu certinho com o meu gosto. Infelizmente, nem forçando a barra não é o momento para comprar, mesmo que fizessemos essa imprudência de comprar estando aqui somente a poucos meses. Teria que conseguir alguém para continuar o contrato de aluguel de um ano. E também o apartamento do Brasil vai valorizar muito depois de resolvido o problema de escritura.
Ahh...mas que dá vontade, dá!

p.s. Desde alguns posts mais antigos, estou usando a galeria de fotos cuja foto de apresentação muda, mas a galeria mesmo é acessada clicando na foto.