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segunda-feira, 4 de abril de 2011

A solidariedade que nos une


Imigrar não é fácil e não é para qualquer um. Eu nunca tive dúvidas de que uma das nossas missões aqui era de ajudar outros imigrantes a superar suas dificuldades. Às vezes me sinto mal por não poder ajudar mais, mas temos também nossas limitações. Por esses dias, duas histórias que se entrelaçam reforçaram esse sentimento de solidariedade que une nós brasileiros que moramos aqui, que é algo realmente sincero e bonito.
Uma amiga me perguntou se eu poderia ajudar em uma mudança, fato esse que é muito comum por aqui. Disse que ajudaria como pudesse com caixas, com o carro (embora seja um sedan) e com a mão de obra. Nesse dia, mal cheguei do trabalho, comi um sanduíche e já sai.
Lá, encontro outros 3 brasileiros que também foram para ajudar. Eu ainda não conhecia um deles e uma das donas dos objetos. De cara, já ganhei dois novos amigos. Outro brasileiro ajudou emprestando seu apartamento que já não é lá tão grande para guardar alguns móveis temporariamente. O trabalho é cansativo: móveis pesados, muitas idas e vinda, escadas, encher e esvaziar os carros, etc. Começei às18h30 e só cheguei em casa às 01h00, ainda para tomar banho e "jantar". Mas o sentimento de estar sendo útil, de estar ajudando em algo importante, já vale a pena. Só ver a expressão de gratidão já paga tudo, por isso recuso dinheiro. E ainda mais, tivemos bons momentos de diversão. Brasileiro faz piada em cima de tudo.
Enquanto isso, a outra dona dos objetos estava internada no hospital. Teve fortes dores causadas por pedras na vesícula e sofreu duas cirurgias. Seria algo realmente difícil para ela, que imigrou e mora sozinha. Mas um desses amigos que estava ajudando na mudança levou-a para o hospital às duas horas da madrugada. Muitos outros se revezaram fazendo companhia a ela no hospital. Enquanto começava essa postagem, era a Mônica que estava com ela até a hora limite para visitas, que é 21h00. Graças a Deus ela está bem e deve ter alta amanhã.
 O ponto dessa postagem é convocar todos os futuros e atuais imigrantes a formarem uma grande família e ajudarem como puderem uns aos outros. Dar informações, passar experiência e tirar dúvidas via blog e listas de discussões é somente o básico. Mesmo quem chega muito bem preparado, com muito já resolvido ou encaminhado, às vezes ainda precisa de uma mão. Imagine então quem chega totalmente fragilizado, sozinho, sem conhecer ninguém, falando mal o idioma. Para esses, proponho que, se possível, nos ofereçamos para ir pegar no aeroporto, hospedar em casa, dar dicas e acompanhar de perto. Uma espécie de padrinho de imigração.
Me ajudaram quando cheguei aqui. Quando eu ajudo alguém e este me diz que está me devendo, eu digo: dê continuidade à corrente do bem. Retribua a quem precisar. Você também está convocado!

domingo, 3 de outubro de 2010

Outono






Tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim, fora os discos (em vinil) da Roberta Miranda, dos quais os dois lados são péssimos.  O verão se foi, mas as canicules/ondas de calor felizmente também. Em compensação, começou a esfriar mais rápido. A brasileirada começa a reclamar do frio. Aí São Pedro resolve dar uma colher de chá: -Tudo bem! Vou mandar uma massa que ar quente para vocês! Só que a massa de ar quente muitas vezes vem com humidade. Resultado? Umas três semanas onde quase não se vê o sol! Choveu até dar alerta! O nível dos rios subiu mas não teve nada grave. Só que os canadenses são muito preocupados com isso e a infraestrutura para chuvas é muito boa, ao menos comparada com a Terra do Sol (Fortaleza), que alaga facilmente. Isso não é típico. O normal é a quantidade de chuvas acompanhar a senóide (o mestrado já acabou! Esqueça isso!) da variação de temperatura.
-Está chovendo demais? Pois pronto! Vou mandar uma massa de ar seco! Só que normalmente a massa de ar é seca por causa do frio, que reduz a evaporação. Lá vai o mercúrio do termômetro cair! (metaforicamente, porque nosso termômetro é digital). Agora está fazendo 5 graus e a previsão é para cair até 3 graus entre hoje e amanhã. Abaixo de 5 graus, se chover, não chove, neva. E olhe que estamos apenas nos primeiros 10 dias do outono! Esse inverno promete compensar a moleza do outro!
Mas, voltando à filosofia do tudo-tem-um-lado-positivo, dou alguns exemplos de vantagens do frio para servir de consolo aos que o detestam:
-Podemos beber água gelada da torneira, sem precisar usar a geladeira;
-A temperatura dentro de casa fica estável o tempo todo, o que é excelente para dormir;
-Por causa do aquecimento, as janelas de vidro duplo ficam sempre fechadas e o silêncio é ensurdecedor;
-E a que eu mais gosto: Não suar na subida das terríveis ladeiras, de bicicleta, mesmo que seja debaixo de chuva como aconteceu em vários desses dias.
Outro ponto positivo, que é o grande atrativo do outono (nossa! Só vim falar dele agora!), que é o espetáculo de cores! Agora ficou difícil dizer qual estação é a mais bonita. As folhas fazem uma gradação de cores e tons do verde, passando pelo amarelo, laranja, rosa, vermelho, marrom até o roxo. Vocês podem ver a primeira sequência de fotos para ter uma ideia. Provavelmente vou fazer outra sequência daqui há algum tempo. Digo ter uma ideia porque só ao vivo para ter a real noção. Isso porque tem também o charme das ruas cheias de folhas secas, o barulho que as crianças adoram fazer ao andar por elas, quando o vento passa, derruba as que estão nas árvores e faz um balé com as que estão no chão.
A título de curiosidade, por esses dias o sol está nascendo às 06h45 e se pondo às 18h25, que é mais próximo do que estávamos acostumados no Brasil.
Em relação ao lado bom e o lado ruim, percebo dos canadenses que realmente amam a vida daqui, que o segredo é não se incomodar com os aspectos ruins e saber apreciar os bons e belos momentos que cada estação nos proporciona. Até mesmo o fato das estações se alternarem e tudo ter essa dinâmica de mudança. Se não for assim, fica igual a ter que ouvir à força o disco da Roberta Miranda que só tem lados ruins! Eca!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

E a porta do Canadá se fecha mais


Eu peço desculpas pelo atraso nas postagem de notícias como a do terremoto e esta. Da próxima vez vou escrever algo curto mesmo para ser publicado no mesmo dia.
Bom, a novidade não foi nada boa para quem ainda vai começar o processo de imigração para vir morar aqui. O governo canadense fez outra mudança no processo federal e reduziu a já curta lista de 38 profissões admissíveis em vigor desde 27 de fevereiro de 2007 para somente 29 nos processos recebidos a partir de 26 de junho de 2010. Eis a página oficial e esse é um artigo com a explicação do ministro.
A única profissão da área de informática foi sumariamente extinta. Ela tinha uma grande fatia dos processos pela facilidade de se conseguir emprego e falta de regulamentação, que permite começar a trabalhar imediatamente sem burocracia. Isso pegou muita gente de surpresa e causou uma enorme frustração em quem se preparava para começar a materializar o sonho.
Alexei Nostradamus prevê o seguinte: a quantidade de processos do Québec vai aumentar e o percentual de pessoas que vai fazê-lo com intenção de ir para outras províncias também. Grande dedução, mestre! Ohh!! Agora já especulando bastante e sem nenhuma base, eu penso que o processo do Québec pode acabar mudando também para se adequar à essa nova realidade. Algumas ideias nebulosas que passaram pela minha cabeça: acabar com as entrevistas e exigir teste de proeficiência; aumentar o grau de exigência desse teste para não precisar gastar com a francisação. Esse ponto também favoreceria a redução da utilização desse processo como porta dos fundos para ir para outra província, já que os candidatos teriam que investir mais no francês. Outra coisa que poderia acontecer também é aderir ao modelo de lista fechada de profissões, a exemplo do processo federal. Em compensação, eu maneraria na queda abrupta de pontuação da idade após 35 anos.
Não se desesperem pelos meus devaneios agourentos, mas também não se confiem de que as portas vão sempre estar abertas porque, como podemos ver, os processos se adaptão às mudanças de cenário.

Canada Day


Aqui em Québec, a cidade estava cheia de bandeiras e o povo passou o dia nas ruas por causa do Canada Day.
Agora vamos colocar os pingos nos Is, já que pela revisão ortográfica, não existe mais tremas nos Us. As bandeiras são as da fête nationale/festa nacional do Québec, que ainda estão lá desde o dia 24 de junho, inclusive no nosso balcon/varanda. Bandeiras do Canadá, salvo onde teve uma tímida celebração oficial, só as que já existiam mesmo.
Quanto ao povo nas ruas, na verdade não estavam comemorando o Canada Day que, propositalmente escrevi somente em inglês. Aqui no Québec, o Canada Day é mais o dia de se mudar. Este artigo da Wikipedia o chama de Fête du déménagement/Festa da mudança.
Vamos começar do começo para explicar o fenômeno. O Canadá é um país com duas nações, fato este que foi oficializado há poucos anos. É bem fácil nomear a nação québécoise, descendente de franceses. Porém, é difícil de denominar o resto. Canadá menos Québec? Aí vocês dizem: anglófonos! E o lado anglófono de Montréal? Um pouco por isso, outra parte por questões separatistas mesmo, Canadá (que estou escrevendo cada vez mais esquecendo o acento. Se não fosse a revisão!) também significa a outra nação que habita o pais junto da nação québécoise.
Ponto número dois: Os franceses colonizaram primeiro a América não-hispanica e depois foram subjulgados pelos ingleses. Somado a isso, até décadas atrás, existia uma opressão destes e os québécois mais velhos que viveram estes tempos ainda remoem este rancor.
Conclusão: Que sentido faz comemorar o dia da rainha da Inglaterra? Melhor batizá-lo de dia dos patriotas. Por falar nela, a Elisabeth II está visitando algumas provincias do Canadá como já o fez outras vezes, mas não pisa no Québec, claro! A popularidade dela aqui não é das mais altas.
Pois bem, a concetração de contratos começando justamente nesse dia é uma conveniência de uma data chave, por ser dia primeiro, com o fato de ser no verão, ou seja, férias. Mas, também é uma forma de protesto, manifestado através da indiferença, por ter bem mais significado para a outra nação. Inclusive, vossa majestade, que curiosamente ainda é rainha do Canadá também (quack!!! Também da Austrália, Nova Zelandia, Jamaica e uma pancada de outros países) estava lá na festa em Ottawa. Lá sim, teve festa como a fête nationale/festa nacional daqui. Viu? Fica bem mais como cara de uma festa para cada nação que a festa do país todo.
Voltando ao que aconteceu. Teve um desfile militar e uns brinquedos infláveis no parque, mas até a chuva apareceu para minimizar o evento. Sim! São Pedro também é souveranist/separatista. Vive la pluie libre! (nota do tradutor: Esse chato faz a brincadeira e eu que me arrebento para explicar em poucas palavras. "Viva o Québec livre" é o slogan dos separatistas por causa da frase dita em 1967 por Charles de Gaulle, que era o presidente da França). Vale ressaltar que, apesar de às vezes parecer, eu não sou separatista!
Por outro lado, o começo da ave. Bevédère tinha congestionamento de caminhonetes, reboques e furgões. Uma loucura o dia todo! Eu também fui participar de uma mudança, mas foi leve porque os nossos amigos já pegaram um apartamento com a parte pesada toda resolvida. É! Pegar no pesado! Aqui, cerca de 70% das mudanças são feitas pelas proprias pessoas, sem contratar empresas. Apenas alugam os veículos, quando não conseguem emprestado. Faz parte da filosofia do faça você mesmo. Estou devendo falar sobre esse assunto.
Por isso, se quiserem saber como foi o Canada Day, infelizmente terão que procurar o blog de alguém que more no "Canadá", porque aqui o que se via mesmo era a fête du déménagement e muita gente pegando no pesado!