A saga de uma família de retirantes cearenses, comedores de rapadura,
rumo à terra onde a Cana dá.
Fortaleza -> Ceará -> Brasil -> Canadá -> Quebéc -> Québec
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Moradia para quem chega em Québec
Para quem está vindo para Québec (e serão muitos nesse inverno) e está procurando onde ficar, vale a pena dar uma conferida nessa postagem, onde passo links sobre onde ficar o primeiro mês e dicas sobre locação. Uma novidade é que existem organismos que dispõem de pessoas que procuram tanto um local temporário quando "definitivo". Conheço um brasileiro, que se chama Leonardo, trabalha no Soiit e que sempre mapeia os imóveis disponíveis com antecedência para poder sugerir aos recém chegados. O serviço é tão completo que ele leva a pessoa de carro para conhecer esses imóveis. Um luxo!
Eu encontre esse site do Centre Multiethnique e pensava que ele trabalhava para esse organismo, já que diz explicitamente que fazem isso. Além do mais, Soiit é mais direcionado para a orientação ao emprego e/ou capacitação.
Pelo jeito, esses e mais outros organismos se sobrepõem nas suas finalidades de ajuda aos imigrantes. Achei relevante para deixar registrado aqui.
domingo, 6 de novembro de 2011
Temperatura em casa
Uma coisa que eu tinha muita curiosidade sobre o Canadá quando eu ainda estava no tórrido Ceará era se o "quentinho" de dentro das casas e apartamentos era apenas força de expressão e se mesmo no aconchego do lar sentiríamos frio. Isso porque em Fortaleza, quando saímos do ambiente externo a 35°C e entramos em um ambiente com ar condicionado a 24°C, venhamos e convenhamos, para muitos cearenses é frio.
Vou usar minha resposta preferida: sim e não. Isso porque existe uma faixa de temperatura que são ajustadas nos lares e também a sensação de temperatura varia de pessoa para pessoa. Outro fator que no começo distorce esse aspecto é a questão de como se vestir em casa. Mas vamos por partes, como dizia Jack o estripador.
Em relação à temperatura, que às vezes é fixa e determinada pelo proprietário ou pode ser ajustada até por compartimentos, existe uma certa variação. Fiz um levantamento informal e nada científico perguntando às pessoas qual a temperatura dos seus lares. As respostas estão no gráfico do topo dessa postagem. Como podem ver, a maior concentração está entre 21 e 23°C, mas 20°C e um pouco abaixo também é usado.
Quanto à sensação, depois de saírmos do Ceará e passarmos por uma variação de 34°C a -26°C, com respectivas sensações térmicas de 44°C a -40°C, o nosso referencial de temperatura mais agradável muda. Os 23°C a 24°C passam a ser a faixa onde eu e a Mônica e as crianças nos sentimos mais confortáveis, nos vestindo como faziamos no Ceará: short ou bermuda e camisa de malha de manga curta. Sinceramente, a partir dos 25°C para cima eu já começo a me incomodar, mas como disse, isso varia de pessoa para pessoa.
Mas deixar o lar a 24°C enquanto lá fora está entre -10 e -20°C, que é o típico do inverno, demanda energia que implica em custo. Somos felizardos porque o Québec tem as tarifas de energia mais baixas do Canadá que são mais vantajosas para chauffage/heating/aquecimento que o uso dos combustíveis fósseis. Na França, pelo que me contaram, os pobres coitados ajustam entre 16 e 18°C. Vale ressaltar que quanto mais baixa a umidade, menos frio sentimos, mas cuidado para não deixá-la muito baixa. Recomendo controlar em 40% no inverno.
Eis como chegamos na faixa típica do gráfico, fazendo um pequeno ajuste cultural nos nordestinos. Usar pouca roupa é confortável quando estamos no calor. Mas existem roupas de tecido bem confortável que podemos usar em casa que nos permite baixar alguns graus e continuarmos nos sentindo na temperatura ideal. Como exemplo, uma calça e até mesmo, se for o caso, um blusão de moletom por cima de uma blusa. Para os pés, meias ou pantufas. As meias têm o inconveniente de serem escorregadias e para quem tem escadas, não recomendo, enquanto que as pantufas podem ter o solado emborrachado. Isso vai até o limite onde sentimos frio nas mãos e não é lá tão interessante escrever no computador com luvas.
Mas o que acho mais confortável mesmo em relação ao lar aqui no Canadá é o sono. Devido ao frio, as casas têm uma isolação térmica muito eficiente. Esta isolação reduz a quase nada o ruído externo. Na hora de dormir, faz um silencio ensurdecedor! E a temperatura fica fixa durante a noite toda, o que se traduz em um sono de muita qualidade. O ruim mesmo é sair debaixo dos cobertores quentinhos para ir trabalhar. Mas aí é querer mordomia demais, né?
Vou usar minha resposta preferida: sim e não. Isso porque existe uma faixa de temperatura que são ajustadas nos lares e também a sensação de temperatura varia de pessoa para pessoa. Outro fator que no começo distorce esse aspecto é a questão de como se vestir em casa. Mas vamos por partes, como dizia Jack o estripador.
Em relação à temperatura, que às vezes é fixa e determinada pelo proprietário ou pode ser ajustada até por compartimentos, existe uma certa variação. Fiz um levantamento informal e nada científico perguntando às pessoas qual a temperatura dos seus lares. As respostas estão no gráfico do topo dessa postagem. Como podem ver, a maior concentração está entre 21 e 23°C, mas 20°C e um pouco abaixo também é usado.
Quanto à sensação, depois de saírmos do Ceará e passarmos por uma variação de 34°C a -26°C, com respectivas sensações térmicas de 44°C a -40°C, o nosso referencial de temperatura mais agradável muda. Os 23°C a 24°C passam a ser a faixa onde eu e a Mônica e as crianças nos sentimos mais confortáveis, nos vestindo como faziamos no Ceará: short ou bermuda e camisa de malha de manga curta. Sinceramente, a partir dos 25°C para cima eu já começo a me incomodar, mas como disse, isso varia de pessoa para pessoa.
Mas deixar o lar a 24°C enquanto lá fora está entre -10 e -20°C, que é o típico do inverno, demanda energia que implica em custo. Somos felizardos porque o Québec tem as tarifas de energia mais baixas do Canadá que são mais vantajosas para chauffage/heating/aquecimento que o uso dos combustíveis fósseis. Na França, pelo que me contaram, os pobres coitados ajustam entre 16 e 18°C. Vale ressaltar que quanto mais baixa a umidade, menos frio sentimos, mas cuidado para não deixá-la muito baixa. Recomendo controlar em 40% no inverno.
Eis como chegamos na faixa típica do gráfico, fazendo um pequeno ajuste cultural nos nordestinos. Usar pouca roupa é confortável quando estamos no calor. Mas existem roupas de tecido bem confortável que podemos usar em casa que nos permite baixar alguns graus e continuarmos nos sentindo na temperatura ideal. Como exemplo, uma calça e até mesmo, se for o caso, um blusão de moletom por cima de uma blusa. Para os pés, meias ou pantufas. As meias têm o inconveniente de serem escorregadias e para quem tem escadas, não recomendo, enquanto que as pantufas podem ter o solado emborrachado. Isso vai até o limite onde sentimos frio nas mãos e não é lá tão interessante escrever no computador com luvas.
Mas o que acho mais confortável mesmo em relação ao lar aqui no Canadá é o sono. Devido ao frio, as casas têm uma isolação térmica muito eficiente. Esta isolação reduz a quase nada o ruído externo. Na hora de dormir, faz um silencio ensurdecedor! E a temperatura fica fixa durante a noite toda, o que se traduz em um sono de muita qualidade. O ruim mesmo é sair debaixo dos cobertores quentinhos para ir trabalhar. Mas aí é querer mordomia demais, né?
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
Comprando um imóvel - Introdução
Baixar ancora! Passada a fase inicial de insegurança, chega uma hora na qual alguns imigrantes resolvem adquirir uma casa ou apartamento em vez de continuarem em imóveis alugados. Vou relatar como está acontecendo no nosso caso, bem como explicar as nossas escolhas e repassar alguma experiência e informações que obtivemos durante esse processo. Pretendo quebrar o assunto em algumas postagens para poder descrever melhor, já que o assunto é vasto.
Ministério da Saúde adverte: Não tomem as informações daqui como sendo o recomendado para o seu caso em particular. Cada um tem uma história de imigração diferente e algumas das nossas decisões podem não ser as melhores para a sua situação. Também, as informações daqui não são 100% garantidas porque dependem de banco, cidade, província, mudam com o tempo e posso ter entendido errado. Enfim: Pode ajudar, mas faça o seu próprio caminho e busque as informações mais detalhadas.
Para começar, já tive notícias de imigrantes brasileiros que compraram casa com apenas 6 meses aqui, como tem muitos que nunca vão comprar uma. Muitos porque não conseguem e outros porque acham que não vale a pena. Tem gente que prefere aplicar o dinheiro no Brasil e pagar aluguel. Outros não se sentem seguros o suficiente para se comprometerem a este ponto de se enraizarem nas terras nórdicas. Por isso, nem mesmo a questão de comprar um imóvel pode ser visto como algo que tenha que acontecer.
No nosso caso e opinião, os 945$ por mês somam mais de 11.000$ por ano. O que vamos ter pago no final dos 17 meses de alugel vai superar o valor do carro que custou 14.000$. Porém, ao contrário do carro e da casa, esse dinheiro não vai fazer parte do nosso patrimônio e vai simplesmente evaporar. Outro fator é que para comprar a casa, temos o dinheiro da venda do apartamento do Brasil que só está sendo concretizada nesse ano. Viemos para cá com o dinheiro dos dois carros que tínhamos. Logo, a ideia é pagar uma parte da casa e trocar o pagamento de aluguel por uma prestação de financiamento que vai acumular patrimônio.
Outro fator que pesa é que é bem difícil de encontrar casas para alugar, principalmente com a mesma relação custo benefício dos condo/condomínios de apartamentos. E, como aqui é bem seguro, pensamos que uma casa é bem mais interessante para uma família que tem dois filhos que um apartamento. Mas, há também quem não queira ter os trabalhos e/ou custos e preocupações que uma casa requer: cortar a grama, déneigement/remoção de neve, manutenção, etc. Isso vai muito do perfil de cada um e depende também da casa. Tem casa que tem toldo para o carro e para a entrada, não tem calçada e por isso, dispensa o déneigement. Eu gosto de serviços de casa. Desde quando tivemos o nosso primeiro apartamento que eu mesmo instalava todas as luminárias, os porta-toalhas dos banheiros, os varais de teto, etc. Também procuro consertar o que conseguir, incluindo a parte hidráulica e elétrica. Acho que vou gostar da parte de carpintaria que é um hobby comum entre meus colegas de trabalho, bem como me faz lembrar quando acompanhava curiosamente o trabalho do meu avô.
Além desses aspectos, teríamos que nos restringir a apartamentos de concreto por causa do barulho que o Davi faz no piso (o vizinho de baixo no começo dava umas vassoradas no teto!), ou um apartamento que não tenha subsolo, que são poucos. Não moraríamos em subsolos. Muitos apartamentos de concreto têm carpete no piso, que não é bom para quem tem facilidade de ter rinite como a Mônica e o Davi.
Em seguida a esta postagem, vou dedicar a próxima ao planejamento de orçamento para saber quanto que se pode adquirir de dívida de financiamento, seguido de outra para falar do financiamento propriamente dito. Na sequência, um pouco do que está envolvido na escolha do imóvel e finalmente, o passo a passo de como funciona todo esse processo com seus detalhes formais.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Serviços de utilidade pública de outros blogs
Juntei um lote de postagens úteis em relação à imigração, desde o mais geral para o Canadá, até o mais específico para nossa cidade, Québec. Bom proveito.
Imigração para o canadá: por onde começar?
Onde ficar durante o primeiro mês em Québec.
Locação de imóvel: guia para imigrantes.
Canadá, um pais, duas nações.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Criando um belo plano de imigração...furado!
Pô, cearense! Ao invés de dizer como fazer um bom plano, tu vai dizer como fazer um plano furado! Bom, evitando os erros estamos na direção dos acertos.
Na verdade, não tem regra porque cada caso é um caso bem particular. Também muita coisa do que vou dizer aqui não é necessariamente errado, desleixo, mancada, furo, ingenuidade, falta de informação, brabice, lezeira, etc. Eu mesmo fiz várias dessas coisas e no final saiu tudo muito bem. Apenas, tenho visto muitos casos de imigração, suas decisões e consequências. Também já vi muita frustração de quem fica e de quem acaba voltando, dizendo que o Canadá não passa de uma grande mentira. Daí, acho interessante no mínimo que vocês tenham conhecimento de alguns pontos e que talvez possam melhorar o plano de vocês. Vamos a eles:
- Época de chegada: Começando pelo mais importante que é o primeiro emprego. Tem profissões que tem mais procura de emprego em determinada época do ano, que não é necessariamente a mesma para outras. Um fator é o período prolongado de férias de verão. Ele esquenta para algumas atividades como as ligadas a turismo e atividades de lazer, mas alguns projetos esfriam porque muita gente tira férias. Vale a pena pesquisar para a sua área.
Chegar logo de cara no inverno pode ser um peso desnecessário. Já temos que comprar as roupas caras de inverno logo, fica escuro às 16h30, não dá tempo de se adaptar ao frio e não é legal fazer transporte de móveis e eletrodomésticos grandes no frio.
As garderies começão a abrir vagas um pouco antes do verão porque depois das férias algumas crianças atingem a idade mínima para começar a estudar nas escolas.
Quem pretende entrar no curso de francisação não quer chegar muito antes para não esperar demais, mas se chegar perto demais, pode ficar sem vaga. Isso varia também de cidade para cidade.
- Procura do primeiro emprego: Dizem que um currículo fora do formato daqui corre sério risco de ir para a lata de lixo (do Windows !) sem nem ter sido lido. ˝Poxa, o cara não se deu nem o trabalho de saber como é que se faz um currículo!˝, pensa o analista de RH. Isso pode prolongar desnecessariamente essa fase. E pouco ou muito, mas o nível de idioma quase sempre atrapalha. Estude muito! Ainda não vai ser suficiente!
- Falta de informação: Neste quesito, existem inúmeras possibilidades. Não pesquisar a área de trabalho na cidade escolhida, não saber o que precisa fazer para exercer a profissão, quando é regulamentada (acreditem, tem gente que só descobre quando chega). Tem gente que morre de medo do frio daqui. Eu mesmo era um deles! Mas por outro lado, tem muitos o subestimam e negligenciam o fato de que vão passar meses de frio extremo todo ano, como se não fosse motivo suficiente para trazer arrependimento.
- Expectativas e frustração: É muito chique morar em pais desenvolvido, primeiro mundo, América do Norte, um quase-que-moro-nos-estados-unidos, etc. Dá para criar mil expectativas de ter uma casona com um gramado na frente, uma lareira para o natal, um Corvette na garagem, etc. Principalmente quem tem um padrão de vida muito bom no Brasil. Tudo bem, eu peguei pelo extremo, mas para muitos, o que acontece é o extremo oposto: desempregado gastando em dólar o que juntou em reais, sem nome no mercado, sem passado, sem amigos (ou quase), sem família, quase surdo-mudo por causa do idioma, andando de ônibus e a pé no frio, em um apartamento pequeno que às vezes só tem o banheiro separado e o resto é um cômodo só, e por aí vai. Para quem é humilde, essa ˝queda˝ não representa problema nenhum. Porém, muitos se sentem em uma situação humilhante pois se vêem como ricos que viraram pobres. E o que a família e os amigos no Brasil vão pensar? Será que você está disposto a pegar um survival job/emprego básico(˝bico˝)?
Também nessa linha de raciocínio, existe a fórmula que diz que a satisfação é diretamente proporcional à boa experiência percebida, mas inversamente proporcional à expectativa criada. Seguindo essa fórmula, o ideal seria se concentrar para superar o lado ruim sem ficar sonhando muito com o lado bom, até porque, como já escrevera (adoro o mais-que-perfeito !) em outra postagem, aqui não é o céu.
- Contar com o incerto: ˝Eu vou morar ali porque assim que chegar vou logo comprar um carro˝. ˝Desculpe, senhor, mas o banco não financia para quem não tem histórico de crédito.˝ Ops! ˝E nós pagaremos essa conta com os 460$/mês da francisação˝. ˇLamento, mas não tem mais vagas nessa turma. Agora só no outono!˝. ˝E todo mundo diz que vou estar contratado em no máximo dois meses, já que sou de TI.˝. Não sei de onde tiraram essa regra que serve para todo profissional de TI com toda essa certeza! Já vi um caso do cara passar anos como faxineiro e nunca mais ter exercido a profissão que tinha de TI. Tendencia, sim. De fato. Mas certeza, não dá. Até porque depende da área de atuação específica e também da cidade.
- Superestimar a empregabilidade: Pegando o gancho do assunto anterior, tem empresa aqui doida para contratar mas não encontra gente para a vaga. Tem deles que diz que o cara não precisa nem falar inglês, nem francês. Pode falar até tagalo (idioma falado nas Filipinas). Mas muitos desses casos são de procura de profissionais bem qualificados, que têm uma excelente experiência. À medida que o nível de exigência baixa, o universo de candidatos fica maior e os canadenses começam a levar vantagem em relação aos imigrantes. Por isso, não contem que vai continuar sendo gerente quando chegar aqui, ou na mesma função, ou que vai ter uma rede de contatos boa como a que tinha no Brasil.
Também não é bom apostar em um bom salário e se comprometer com gastos altos porque o aluguel, por exemplo, quase sempre é de no mínimo um ano. Como também se comprar aquele carrão à vista e o emprego demorar, pode ser que esse dinheiro faça falta. E também acabam aparecendo contas imprevistas como possíveis (depende da instituição) taxas extras caso não possa pegar os filhos no meio da tarde na escola ou garderie/creche. Então, bote uma folga no orçamento.
- Não incluir toda a família no projeto: A vida da família toda vai mudar, então, todos devem estar incluidos no projeto. Se, por exemplo, o cara está trabalhando, com o idioma bom e bem integrado à sociedade mas a esposa que queria trabalhar ou estudar só fica trancada dentro de casa, sem aprender o idioma e isolada da sociedade, isso tende a se tornar um problema. Para muitos, não necessariamente o trabalho é essencial, mas ter alguma ocupação que tenha interação social é importante como estudar ou fazer trabalho voluntário.
No caso do ex-profissional de TI que virou faxineiro foi o contrário. A família toda estava há anos bem estabelecida e amando o Canadá mas ele, depois de 5 anos como faxineiro aqui, pensava em voltar para o Brasil.
Eu sei que estou pegando pesado e às vezes soa exagerado. É porque para muitos acontece tudo de bom e tomara que seja o seu caso, mas para outros, é realmente uma péssima experiência e muito se deve ao que acontece ainda antes de vir para cá. Por isso que de tempos em tempos eu perco alguns leitores por falar de coisas ruins, mas posso continuar dormindo de consciência tranquila.
Ter a cabeça nas nuvens, mas os pés no chão não é para qualquer um, já dizia a girafa!
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Mas as flores têm espinhos - Procurando um apartamento para alugar
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| Jour de neige |
Para não ser notificado pelo Decon/Procon por fazer propaganda enganosa, vou contar também alguns aspectos ruins daqui, afinal, quem pediu meu passaporte não foi São Pedro, ou seja, aqui não é o céu.
Não, senhores e senhoras, não vou reclamar do frio porque a temperatura baixou de zero para -5 novamente e ficou uma maravilha outra vez! Com zero graus tive até que tirar gorro, cachecol, abrir o zíper do casaco até o fim e trocar as luvas pelas finas para não derreter de calor! E não estou falando de ficar em ambientes aquecidos e sim da rua. Nos ambientes aquecidos, não aguento ficar nem com o suéter por cima da camisa (de manga curta). Ô gente! Vim de Fortaleza! Quente pra caramba, lá!
Estou falando de coisas que já sabia que iria encontrar e, como já estava preparado com as piores espectativas, não me decepcionei. Pelo contrário, não contava com a parte boa e me surpreendi.
Pois bem, estou na fase de alugar um apartamento e vi que realmente existem barreiras. Um apartamento que simpatizei foi alugado logo e nem deu tempo de visitá-lo. O outro, a imobiliária não me aceitaria porque eu não tenho um histórico de crédito para eles examinarem, pois sou recém chegado. Eles disseram que só com um fiador canadense. E olhe que já tenho um emprego e conta no banco com um dinheirinho bom! Imagine quem chega desempregado, que é o caso da grande maioria. Sem pedir, já se ofereceram para ser meu fiador porque os brasileiros daqui são muito solidários. Depois, me disseram que isso é uma prática ilegal, mas que alguns escritórios fazem, assim como pedir cheques adiantados como garantia. Não achei isso na legislação imobiliária (Régie du Logement http://www.rdl.gouv.gc.ca/) para comprovar. Se alguém achar, me avisem para eu divulgar, por favor.
Mas foi até bom, porque achei um apartamento maior e mais barato. Fui ao escritório e preenchi uma ficha com dados pessoais, profissionais e referência bancária. Amanhã (para mim, porque no Brasil já é amanhã) vou ver se a pesquisa deles me aprova ou reprova.
Para referência de custo, é um 5½ (três quartos, sala, cozinha e banheiro. 3+1+1+½) que fica em uma região nobre, muitíssimo bem localizada. Fica a dois quarteirões do metro que não é metro, mas é como se fosse (Metrobus), da farmácia, do supermercado, posto de gasolina, caixa eletrônico conveniado do HSBC, perto de duas escolas e entre as principais artérias que cortam essa parte da cidade, de oeste a leste. Isso por 845$/mês. E opcionalmente podemos alugar uma garagem fechada com portão elétrico por 45$/mês.
Também já tinha acumulado o registro de duas ocorrências de pessoas vasculhando a lata de lixo, embora os pobres daqui tenham uma renda paga pelo governo, subsídio de moradia e recebem comida de graça. Morrer de fome e de frio, não morrem. Eles procuram latas e garrafas porque aqui o dinheiro desses recipientes é devolvido em máquinas nos supermercados. E hoje vi o primeiro pedinte. O cidadão veio muito educada e humildemente me pedir dinheiro e também não insistiu quando disse que não tinha. Me disseram que não devemos dar porque a conta já está paga pelos impostos.
E apesar de gente que mora aqui há uma década nunca ter ouvido nenhum relato de assalto, furto tem. se deixar a bicicleta de bobeira na calçada sem cadeado, pode acontecer de ela mudar de dono. Aí também já é pedir demais, né!
Enfim: Não o céu com sexo e ainda mais sem camisinha. Quem vier com espectativas altas pode ter decepções. O melhor é se preparar para as dificuldades sem contar com o lado bom e ter uma boa surpresa como o que aconteceu comigo.
Seguem as fotos de um charmoso e branquinho dia de neve com a agradável temperatura de -5 graus.
Agora vou dormir meu sono de alta qualidade com a temperatura constante e com um silêncio ensurdecedor por causa do isolamento térmico.
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