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domingo, 22 de setembro de 2013

Niagara Falls




CA-Niagara Falls Flickr.

Como os destinos mais próximos já foram visitados, estamos tendo que viajar para cada vez mais longe. Finalmente, após esses 3 anos e meio vivendo aqui, topamos a parada de ir até tô tonto, digo, Toronto. E como Niagara Falls fica pertinho, resolvemos aproveitar e conhecer também.

Sem paradas, seriam umas nove horas de viagem. São longos 930Km, mas contando ida e volta, com mais uns passeios em cada cidade, acabamos gastando uns 2000Km de gasolina, pneus e coluna vertebral. A propósito, registro aqui meu "arre égua" por ter pago 1,42$/litro em Montréal e apenas 1,22$/litro em Toronto! Não notei diferença significativa de qualidade da pavimentação ao passar do Québec para Ontário.

Aviso aos navegantes: Um amigo disse que o GPS dele mandou ir pelo outro lado do Lago Ontario e isso faz com que de uma hora para outra, deem de cara com a barreira da fronteira com os EUA. Segue o diálogo que ele disse ter tido com a oficial da fronteira:
-O que vocês vão fazer nos EUA?
-Não tenho a menor ideia!
-(risos). Vão para onde?
-Niagara Falls.
-Ahh! É normal. Acontece com muita gente. Foi o GPS, né?
-Isso.
-E aí? Vão passar ou voltar?
-Já que viemos por esse lado, vamos continuar por aqui mesmo.

Moral da história: Se tiverem o visto estadunidense, é recomendável levar para não ter que voltar ao caminho canadense, o que aumenta o percurso já longo. Senão, é bom prestar atenção para não pegar o caminho que passa pela fronteira.

Para ter mais diversão para as crianças, ficamos em um hotel chamado Americana. A maior vantagem dele é o parque aquático indoor pas pire/nada mal, como podem ver nas fotos. Como a cidade não é tão grande (embora maior do que eu esperava), a localização dele em relação às cataratas (ô nome feio em português, viu?) não é um problema.

Chegando na atração principal que obviamente é a região onde podemos ver as quedas d'água (ficou melhor agora), ficamos deslumbrados. Além do espetáculo da natureza, os parques são bonitos e os estabelecimentos comerciais têm um jeito de Disneylândia (apesar de nunca ter pisado nem perto!).

Outra atração imperdível é o MarineLand. Reserve um dia só para explorá-lo, porque é grande e cansativo, principalmente se estiver fazendo o calor escaldante que encontramos.

Dada a proximidade de Toronto, é bem comum que Niagara Falls seja incluído no roteiro e a meu ver, vale a pena principalmente para quem tem crianças. Mas não deixa de ser interessante também para os adultos. Só o que me frustrou foi não ver ninguém caindo das cataratas dentro de um barril como via nos desenhos animados do Pica-pau e outros.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Eu posso te mandar de volta ao Brasil agora mesmo! Parte 2

Depois fui pegar as malas. Como estava entrando com mais de 10.000$, segui para alfandega/aduana/customs/douane. Lá, já começei pagando o primeiro mico. estava com uma mala pequena, uma grande, a super mochila Tabajaras e a pasta de documentos. Quando tirei o formulário de muamba, faltou mão. Então, eu o segurei temporariamente com os lábios.
-Ei! Não bote na boca! Eu vou pegar nele!
-Desculpe, desculpe!
-OK
Ao contrário do que fazia com os outros, ele não reteve o formulário e me encaminhou para uma sala. Legal é que o aeroporto é bem grande e às vezes saimos por um lado diferente do que entramos, então, é bom perguntar para onde fica o próximo passo, senão perdemos tempo por causa do tamanho do aeroporto. E quatro horas de conexão podem não ser suficientes, caso tenha que fazer tudo que eu tive que fazer e com as filas.

Chegando nesta sala, o cara tirou a clássica dúvida do que colocar no formulário de Goods to Bring/Goods to Follow (bens de entrada/bens posteriores). Eu perguntei se deveria declarar as roupas e ele respondeu sorrindo que não. Apenas coisas de valor. Entendi como fiscalização antimuamba, já que a vizinha estava levando cachaça e outras bebidas em várias garrafas e o fiscal estava vendo até o conteúdo delas contra a luz. Ele também riscou a linha onde eu declarava dinheiro e disse que não era necessário declará-lo. Eu mostrei a relação das séries de travellers cheques bem organizadinha com os valores, totais, etc. e ele adorou pois tinha que preencher em um formulário e ficava mais prático assim. Aí, ele disse:
-Quatro celulares?!
-Cinco.
-É muito, não?
Entendi que estava fazendo uma insinuação e que mais uma vez, se o inglês e a humildade não estivesse sendo bem utilizados, poderia entrar em fria, mesmo com o aquecimento do aeroporto.

-A minha esposa trabalha em uma operadora celular e eu trabalhei também. E essas operadoras dão celulares para os funcionários.
-Ahh sim! Tudo bem.
Na saída, embarquei novamente as malas, simplesmente colocando-as em uma esteira. Ainda perguntei ao funcionário se elas iriam para o Québec mesmo. Ele disse que havia uma triagem baseada no número da etiqueta. E chegaram mesmo. A galera da lista disse que tem um aviso de que temos que colocar com as rodinhas para cima e que eles reclamam quando não o fazem. Nem vi o aviso, mas intuitivamente fiz assim mesmo. Oba! Menos um mico.

Saindo de lá, fui atrás do embarque para Québec. Li o cartão de embarque e não encontrei o número do treco de embarque. Realmente não tinha. Perguntei a uma funcionária e ela disse que era o treco 2 e escreveu somente 128 no cartão. Estou usando a palavra treco porque me esqueci o termo que ela usou. Quando subi, vi a indicação de terminal 1. Andei um bocado e achei o 3. Então perguntei ao faxineiro onde ficava o terminal 2. Ele disse:
-Foi desativado. Não existe terminal 2.
Ué!! E agora? Depois que percebi que 128 era o número do portão de embarque. Putz ! O aeroporto de Fortaleza só tem 6 portões de embarque, como é que eu ia saber que no aeroporto de Toronto a numeração vai até 136?! Depois de andar uma eternidade, achei-o no final do final de um corredor. Interessante que vi dois carrinhos motorizados levando pessoas com dificuldades de locomoção, com motoristas. Pensei até em pedir carona porque as pernas estavam cansadas.

Quando terminou tudo e fui sentar para descançar, já era 08:00h e o voo saia às 09:20h. Tentei usar a rede Wifi do aeroporto para ligar para casa do super Voip phone Nokia Tabajaras, mas não funcionou e perdi meus 6$ por uma hora de acesso. Acho que barram a porta do protoloco SIP. Tentei ligar do telefone da Bell que usa cartão de crédito (tem vários desses lá), mas ele disse que a operadora utilizada para esse destino não aceitava cartão de crédito.
O voo para Québec foi num avião Bombardier pequeno da Jazz/Air Canada. Tinha filas com 2+1 assentos, que é menos que os 2+2 do Boeing 737e Airbus A320. Tinha uma parte da parede do meu lado solta e também uma argola da cortina. A aeromoça deu um jeito na cortina. Dessa vez, os avisos eram dados primeiro em francês e depois em inglês, já mostrando a mudança de província. Como já era dia, pude ver que Toronto e o lago são muito grandes, vi a Sears Tower, e vi que só tinha umas sujeirinhas de neve. Era tão pouca que nem tinha percebido que era neve. Achava que era areia, já que não era tão branca.
Depois de tantas horas de voo, o trecho de uma hora até Québec foi moleza. Quando ficamos abaixo das nuvens, vi a cidade linda. Estava com tanta neve que apelidei-a de Branca de Neve.
Cheguei, peguei as malas rapidinho porque tinha pouca gente, e fui trocar as notas de 100$ que o super papai me deu. Na casa de câmbio, a mulher trocou uma por 5 notas de 20$. Sai para pegar um taxi. Nesta hora, ficou mais complicado, porque troquei o inglês que estava me saindo super bem pelo francês meia boca. Consegui me comunicar mas por segurança, mostrei o endereço escrito. O cara não era muito de conversa e eu sou mas, dadas as circunstâncias, só coube perguntar qual era o nome de uma avenida e depois se as pessoas de lá falavam inglês. Ele respondeu que todo mundo lá fala inglês. Dei um desconto na expressão "todo mundo" e fiquei feliz, porque não era o que eu pensava.
Na hora de pagar, dei duas notas de 20$ e nem conferi o troco que teve moedas. Não foi nem por confiança. É que as porcarias das moedas tem os número bem pequenos e escondidos. Temos que decorar logo para poder usá-las sem demorar e atrapalhar. Ele falou umas coisas que não entendi. Depois que ele saiu, lembrei do lance da grojeta/tip. Acho que o que ele tinha falado era que não tinha o troco exato e que ele iria arredondar para mais porque tinha me ajudado com as malas.
Finalmente, cheguei ao apartamento da Ana, que é uma brasileira que mora há 10 anos em Québec e que aluga um quarto do seu apartamento para os recém chegados. Aí, pude finalmente voltar a falar sem dificuldades em português e ter a segurança e o bem estar de um lar, embora não seja meu.
E vendo maravilhado a parte baixa da Branca de Neve até o horizonte a partir da janela do meu quarto que termino essa emocionante aventura com final feliz.

Ainda estou devendo as fotos. Calma! Vai já.

Eu posso te mandar de volta ao Brasil agora mesmo!

Saindo do avião no aeroporto de Toronto, pude ver que ele é muito grande. Fiz a filosofia de seguir a manada (muuuu!!). Tem umas esteiras móveis nas quais esqueceram de colocar a placa "veículos lentos à direita". Digo isso porque muitos brasileiros ficam parados, já que ela se move, e os canadenses passam voando.
Chegamos a umas cabines de não sei qual órgão. Neste, entregamos nosso formulário de declaração de muamba  que é entregue no avião. Não achei legal preenchê-la durante o voo e tive que a preencher enquanto estava na fila. Basicamente, dizemos de onde viemos, se temos objetos comerciais (mesmo que não os vendamos), se temos dinheiro a ser declarado, etc. Não tem uma categoria de imigrantes, mas temos que preenchê-lo como todos os outros. A mulher ficou olhando para o meu passaporte e para mim. Saquei logo: -É que eu cortei o cabelo.
Meu cabelo ia até o meio das costas e agora é curto. E ela:
- Notei.
Depois, segui para o birô de imigração. Que coisa esquisita: Vim do Ceará para ficar suando a camisa em uma sala que tem até ventiladores em pleno Canadá, no meio do inverno! Bizarro.
Pois, bem. Vocês devem estar curiosos para saber o porque do título deste post. Vamos lá.
Cheguei com a minha pasta super organizada, com tudo necessário para o procedimento de landing. Aí a funcionária perguntou o meu endereço para mandar o PR card. Mostrei o endereço impresso por recomendação da Ana (vou explicar quem é em outro post) porque eles poderiam não me entender por ser francês. Aí ela perguntou:
-O que é que você vai fazer no Québec ?
-Consegui um emprego lá.
-E cadê o seu &$#& ?
-Como ?
-Para ir ao Québec você precisa do &$#&.
-CSQ ?
-Isso.
-Não tenho.
-Você não pode ir ao Québec. Você não sabia disso? Você não pode trabalhar no Québec, nem seus filhos poderão estudar lá.
-Um amigo meu disse que o governo dá uma carta de aceitação do Québec que substitui o CSQ.
-E o seu amigo trabalha na imigração? O Québec é outra coisa. Eles têm lá as regras deles e tudo funciona diferente lá.
-Não.
-Eu posso te mandar de volta ao Brasil agora mesmo, e cancelar os seus vistos, sabia? Vocês vão perder tudo o que fizeram.
Fui pego de surpresa. Passei por malandro ou desinformado. Por causa disso, nem lembrei que fui à palestra da Soraya só para perguntar se tinha algum problema e ela me disse: "Sem problema. basta fazer a conexão em Toronto e pronto. É previsto esse movimento entre os dois processos". E a Soraya é da imigração do Québec.
-O que eu faço agora então? Cancelo o voo e me estabeleço em Toronto como o meu planejamento inicial?
Disse isso mais estava imaginando perder o bom emprego e fazer um baita improviso de planos na hora. Não tinha nem o telefone de ninguém de Toronto.
-Se eu te liberar, como vou saber se vais ficar em Toronto e não vais trabalhar ilegalmente no Québec ?
Então ela se levantou e foi conversar com outro funcionário. Depois de bons segundos de expectativa, na volta ela disse:
-Vou te liberar mas não vais poder usar este endereço para o PR card. Quando você resolver este problema, mande o endereço neste formulário para você poder receber seu PR card. Enquanto isso, não vais poder sair e voltar ao Canadá por causa da falta dele. Vá tratar desse problema com o governo do Québec para resolver a sua situação senão não vais poder nem trabalhar nem seus filhos poderão estudar lá.
Pedi mil desculpas pelo transtorno e agradeci muito pela liberação, mas muito chateado por ter passado por isso, me sentindo culpado. Ainda não lembrava do que a Soraya tinha dito.

Quando cheguei aqui em Québec, fui logo à tarde ao MICC (Ministère de l'Immigration et des Communautés Culturelles) que, por sorte, fica a um quarteirão daqui. Já a funcionária de lá, muito simpática, explicou o seguinte: O CSQ é só um documento para a etapa de seleção do processo que lhe dá o visto de residente permanente. Se você já tem o visto, não faz sentido falar de CSQ. Você pode fazer tudo o que um residente permanente tem direito, tendo ou não o CSQ. A única diferença é que durante o primeiro ano, quem tem CSQ vai ter direito ao subsídio do Québec nas universidades, se você ou a sua esposa quiserem estudar, e você vai pagar como alguém que mora em outra província. A exceção desse ponto, vais ter tudo igual a quem tem o CSQ.
Poxa, passei por essa situação toda de graça! Um susto desgraçado! Ficou parecendo que fui vítima da rixa entre o Québec e o resto do Canadá.

continua...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pulando a linha do Equador sem dormir

Desculpem a velocidade das postagens, mas é muita coisa para contar em pouco tempo que estou tendo aqui. Vocês sabem, né: passear, conversar sobre os maçetes, fazer compras no shopping, tirar fotos...he, he, he. Essa moleza vai já acabar!

O voo da Air Canada saiu às 22:30h (horário local) e estava cheio. Percebi logo que já estava em território internacional. Muitas conversas em várias línguas. Ao meu lado, sentou um cara da Arábia Saudita que estava estudando em uma universidade de Vancouver. Aliás, quase todos os brasileiros que tive contato estavam indo para Vancouver. Conversamos um bocado em inglês. Foi bom porque serviu de aquecimento para Toronto.
A viagem é realmente muito longa. Principalmente para quem não consegue dormir. 10 horas de sono, é como se fosse uma viagem curta, mas para ficar acordado, é outra coisa. Fiquei no assento do meio e não consegui nenhuma posição que fosse confortável o suficiente. Talvez no assento vizinho à janela pudesse escorar a cabeça, mas não pude escolher o assento. Quando cheguei aqui, vieram me dizer que a "boia" que eu havia visto era um apoio para a cabeça que colocamos no pescoço, justamente para este caso.
O avião é bem grande. As filas tinham 3+3+3 assentos. Cada assento tem uma tela sensível ao toque com menus. Tem filmes (inglês, francês e achei um em espanhol), programas, músicas, indicações de viagem, etc. Tem também um conector que me pareceu ser USB. O meu vizinho disse que podemos colocar nossos próprios vídeos e músicas. Não garanto a informação! As aeromoças e os aeromoços são muito educados e simpáticos. Achei interessante que ao menos uma aeromoça falava português e alguns anúncios também eram feitos em português.
Serviram um jantar de avião. Comi um frango com não lembro o que, com uma salada de mamão com melão e tinha um pãozinho. No café da manhã, perguntavam se queriam $%*&#@# ou @*#$*#. Depois entendi que a segunda opção era scrambled eggs (ovos mexidos) e que a primeira era uma nome que não conhecia e que não lembro agora. Parecia com cheese. Pedi este segundo e quando comi, perbi que era um tipo de omelete aerado com queijo. De tempos em tempos eles passam perguntando se queremos beber algo. Certa vez, perguntei que horas eram e percebi que não basta. Tem que dizer de onde porque Fortaleza está com fuso-horário GMT-3, São Paulo com GMT-2 por causa do horário de verão e Toronto com GMT-5. No meio da madrugada, apertei o botão de chamar a aeromulher (a maioria tinha cabelos grizalhos, logo...). Quando ela veio, já estava com a garrafa e o copo adivinhando que era isso que eu queria.
Chegamos em Toronto às 05:30h (horário local) com -3º e como estava escuro, não deu para ver direito como é.