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domingo, 17 de novembro de 2013

Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro você mesmo e poder abrir sem medo um Mac Book no ônibus




É muito difícil explicar alguns fatos da sociedade brasileira para quem não tem vivência em outra sociedade bem diferente. Por isso que normalmente não tento explicar porque saí do Brasil.

Basicamente, é porque percebi que o Brasil não está errado e precisamos consertá-lo. Infelizmente, cheguei à conclusão de que ele está do jeito que a sua sociedade quer, senão, já teria mudado. Claro que não é tão simples assim e existem diversas sociedades no Brasil. Mas esse artigo que um brasileiro que mora na Holanda explica de forma bem clara e objetiva a essência do problema.

Se você entender e concordar com o ponto de vista do autor, vais entender porque eu digo que não é o Brasil que está errado. Eu é que estava errado tentando mudá-lo nadando contra a corrente, quando o certo era sair de lá.

O texto se refere à Holanda, mas o Canadá e muitos outros países se encaixam perfeitamente na descrição.

Boa leitura!
http://blog.daniduc.net/2009/09/14/da-relacao-direta-entre-ter-de-limpar-seu-banheiro-voce-mesmo-e-poder-abrir-sem-medo-um-mac-book-no-onibus/

domingo, 30 de setembro de 2012

Separa-tismo




Poi Zé. Essa história de separatismo estava meio de lado até o Parti Québécois voltar ao poder, partido este que foi fundado pela fusão dos principais movimentos separatistas québécois em 1968. Agora o assunto voltou à tona e enquanto agrada uns, incomoda vários outros.

Tudo começou no começo, claro! A colonização da América do Norte não hispânica começou aqui em Québec pelos franceses, que foi chamada de Nouvelle France/Nova França. Posteriormente, os ingleses dominaram os franceses depois de anos de guerras.

Para dar o tom de quão sério o assunto já chegou a ser, em 1970, o Front de Libération du Québec/Frente de liberação do Québec sequestrou e matou o ministro provincial Pierre Laporte no evento chamado Crise de outubro, que colocou o exército nas ruas de Montréal.

Fizeram um referendum em 1979 e perderam para os federalistas que tiveram cerca de 59% dos votos. Já em 1995, o segundo referendo foi mais tenso. Dessa vez, os separatistas perderam por apenas 1%.

Reza a lenda que houve um êxodo de empresas de Montréal preocupadas com a possibilidade de separação. Reza outra lenda também que o aeroporto Mirabel, o segundo de Montréal, já tinha terras desapropriadas para ser transformado no grande concentrador do país, mas o governo federal mudou para Toronto, bem como outros investimentos para "cortar as asas" do Québec e deixá-lo mais dependente. Quando digo que reza a lenda é porque eu li ou ouvi, mas não tenho nem certeza, nem a fonte.

A volta do PQ ao poder reacende as discussões e receios associados à essa tensão social histórica. Um simples simbolismo usado por esse partido na cerimônia de tomada de posse, que foi a remoção da bandeira do Canadá da sala do parlamento onde foi realizada já causou muita crítica.

Outra bandeira do PQ (juro que o jogo de palavras foi sem querer) é a defesa da língua francesa, que pretendo detalhar melhor em outra postagem. Eles pretendem reforçar a lei 101 que define que o francês é o idioma oficial que deve ser usado no estado, no ensino, trabalho, comércio, negócios, etc. Isso é mais um motivo de insegurança em um grupo social particular, que são os québécois anglófonos. Digo particular porque são uma minoria em uma província francófona de 8 milhões de habitantes, dentro de um país majoritariamente anglófono de 34 milhões de habitantes somados aos 314 milhões de vizinhos estadunidenses. São a minoria da minoria.

Sim, mas quer dizer que o Québec agora vai virar um país independente? Acho difícil. Na minha humilde opinião, o PQ vai preparar terreno para fazer outro referendo se e quando achar que tem chances. Se isso acontecer, acho difícil mas pode ser que consigam mais de 50%. A maioria já viu o prejuízo econômico que isso causaria e não simpatizam com a ideia. Vale ressaltar que o Québec recebe uma boa grana do governo federal, seu perfil de endividamento é comparável ao de países problemáticos da Europa e teria novas despesas a arcar depois de ter sua autonomia.

Mas se der maioria do "sim" no referendo, o Québec se separa, né? Não é assim tão fácil. Eles iriam negociar junto ao governo federal que obviamente não quer perder a província de maior extensão territorial, um quarto da já reduzida população do país, recursos naturais, uma via de transporte fluvial estratégica e ainda de cara deixar as províncias do Atlântico separadas do resto do país com outro país no meio. Também, 51% não é nada expressivo para uma decisão tão drástica. Para ter representatividade, teria que ser a opinião de uns 75% dos québécois a meu ver.

O que me incomoda não é a separação, mas a perturbação que o PQ vai causar na tentativa disso. Por exemplo, já vejo mais discussões enérgicas entre anglófonos e québécois nos comentários de notícias. Os analistas dizem que provavelmente a Pauline Marois vai fazer uma série de exigências de mais autonomia ao governo federal que, obviamente, vai negar. Essa negação deverá ser usada como combustível para inflamar o sentimento de necessidade de soberania.

No mais, estimam que o seu governo minoritário não dure muito porque os partidos de oposição vão se preparar e quando tiverem alguma boa oportunidade, vão pedir novas eleições e pode ser que o PQ caia novamente.

Mas se mesmo assim tudo acontecer fora do que eu prevejo e o Québec se tornar um país independente, eu tenho uma solução: imigrar para o Canadá!!! Já fizemos isso uma vez e possivelmente poderiamos fazer novamente!

domingo, 5 de agosto de 2012

Conhecendo o Canadá



Descobri esse vídeo muito interessante que mostra um pouco de cada província e território do Canadá. Tem muitas coisas bonitas e interessantes para serem vistas por aqui. Ainda não conhecemos quase nada, mas temos tempo para viajar e conhecê-lo melhor.

http://www.youtube.com/watch?v=BbCM0rZuBbw&feature=share

sábado, 24 de abril de 2010

Decom? Me venderam o Canadá como sendo o céu...

Há um bom tempo venho me incomodando com um cearense, cabeça chata, comedor de rapadura que está fazendo propaganda enganosa do Canadá. Ele só mostra o lado bom como se o Canadá fosse o céu, perfeito e impecável. Só um doido não viria morar aqui! Resolvi ligar para o Decom porque o produto não é como ele me vendeu.
Pois bem, tendo me dado conta da responsabilidade que é fazer uma imagem daqui para que outros possam tomar uma decisão tão importante e impactante, resolvi equilibrar a balança e mostrar também problemas e desvantagens que eu vejo aqui. Como sempre, tudo é muito subjetivo. O que é grave para um, é despresível para outro e vice-versa. E até a mesma pessoa muda de critérios de acordo com a sua fase da vida, por exemplo, depois que nasce o primeiro filho. Vale observar é que alguns pontos como a garderie/creche são particulares ao Québec, enquanto outros podem ser generalizados para o Canadá todo. Mas as outras cidades e províncias também tem seus pontos negativos que não estou relatando aqui, principalmente as mais populosas.
Hoje é um bom dia para escrever esse post porque uma das dificuldades daqui resolveu nos pregar uma peça: a garderie. É realmente difícil de encontrar vagas nas garderies de Québec e, pelo que leio, do Québec (incluindo Montréal). Existem delas que são subsidiadas diretamente pelo governo provincial e que custam só 7$/dia. Conversando com québécoises (e já fazendo amizades), ouço estórias de colocar o nome na lista de espera enquanto o bebê ainda está na barriga e também de esperar até dois anos para ser chamado para a mais próxima de casa.
Descobrimos que tem pré-maternal a partir de certa idade e antes dos 6 anos, que é a idade para começar na escola (se não me engano). Porém, a única que tinha vaga antes do começo do ano letivo (setembro) custa somente a bagatela de 800$/mês! É um aluguel de apartamento, ou comprar um carro 0Km financiado em somente 18 meses. No meio termo, temos as garderies não subsidiadas, normalmente en milieu familial/em meio familiar, resumindo: uma casa com até seis crianças. Tem de 25 a 30$/dia, que dá uns 660$/mês e pasmem: se tiver a sorte de pegar uma com vaga e não fechar logo, rapidinho ela é ocupada. A Mônica recebeu hoje a confirmação do curso de francisação começando em maio e as duas vagas que encontramos já sumiram.
Quase sempre o que tem para alugar são apartamentos. E dificilmente eles são en béton/de concreto. O mais comum é ser quase todo de madeira, tendo uma camada fina de tijolos vermelhos por fora para proteger e talvez um esqueleto estrutural de concreto. Daí, ouvimos os passos do vizinho de cima, ou o trotar dos potrinhos cheios de energia como o Davi. Coitado do nosso vizinho do sub-solo! Não sei como ainda não chamou a polícia (ela é usada para resolver problemas de barulho entre vizinhos também). Outro fator é que de tempos em tempos vemos no noticiário canadense um incêndio. Por causa disso, existe um tipo de doido a mais aqui: o piromaníaco. O piro não é relacionado a pirar, nem outra coisa que vocês possam imaginar. Vem de piros, ou fogo. Isso! O cara vem com um coquetel Molotov e floft! (nem sei de onde tirei essa onomatopéia) Lá se vai um condomínio inteiro.
Não sei se é o ar seco, o frio ou os dois, mas é comum ver pessoas tossindo e pigarreando (o bichinho do ram, ram pegou você...), mesmo não estando gripadas com com *.nite (rinite, faringite, laringite, etc.). Até na televisão às vezes acontece de fazerem o ram, ram, pedirem desculpas e continuarem. Depois de ajustar a humidade para 40%, quase não temos mais isso.
Vais sair do Brasil porque não aguenta (viva o fim do trema) a corrupção na política? Aqui tem também! É inerente ao poder e à fraqueza humana. O primeiro ministro do Québec está levando porrada porque nomeou um juiz que financiou a sua campanha eleitoral, existe uma denúncia de favorecimento de empresas de informática que prestam serviço para o governo e um parlamentar federal está sendo acusado de ser lobista que trabalha apenas para algumas empresas ao invés de defender os interesses do povo. E olhe que ainda não consigo ficar antenado por que não escuto a televisão quando a meninada está por perto. Lembra do chão de madeira? Pocotó, pocotó, pocotó...
Até na nossa pacatíssima cidade de zero ou um homicídio por ano tem furtos. Roubaram a bicicleta de uma brasileira que estava presa com uma corrente (a bicicleta! Não a brasileira!). Infração de transito? Tem sim senhor! Bem menos, é claro, mas a galera faz umas gambiarrazinhas também. E não é imigrante não! Conta o conterraneo Carlos Germano (ou Carlos Last) que em Ottawa, se alguém infringe a lei no transito, podes ver que a placa é do Québec. Hum...bem...er... Porém, é raro ver coisas mais graves como avanço de sinal vermelho. Mas agora que o inverno se foi, quase toda semana vejo o carro da polícia parando infratores. Ahh! Acabou a moleza, não é!
E adolescente é adolescente no mundo todo. O parquinho infantil aqui perto é usado pela galera da escola secundária que fica a um quarteirão para baderna na hora do almoço. Eles brincam nos briquedos que não apropriados para o peso deles e o chão fica um lixo!
O que mais...? Não preciso dizer que o frio do inverno congela até a alma. E por causa da areia que jogam nas ruas para dar mais aderencia por causa da neve e do gelo, a cidade fica marrom de lama. Vais lavar o carro a -20 graus? E os tapetes com lama? Só agora é que estão lavando as ruas e calçadas. Ao menos fazem isso.
Ahh!!! Também, vendedor é vendedor em todo lugar do mundo. Se bobear, os caras te pegam. E mentem também, mesmo sendo de forma sutil, dissimulada ou por omissão.
E, embora não tenhamos precisado usar ainda e não podermos falar por experiência própria, o sistema de saúde daqui (instituições privadas e plano de saúde do governo) é melhor que o sistema público do Brasil, mas pior que o sistema privado. E não tem escolha. O rico e o pobre pegam a mesma fila e esperam até horas para serem atendidos.Não se pode dizer que não é democrático. Ao menos existe uma triagem por grau de urgência. Dizem que os hospitais tem muita estrutura e poucos profissionais de saúde. O lance é levar uma vida saudável para prevenir e ir escalonando de acordo com o caso: farmaceuticos, clínicas e por último os hospitais. Alguns procedimentos podem ter uma espera de alguns meses.
Tá bom, né? E olhem que nem falei dos problemas relacionados à nossa condição de imigrantes aqui porque eles vão desaparecendo com o tempo. Também, se não tivesse defeitos, não se chamaria Canadá e sim paraiso celestial! Mas mesmo com esses e outros defeitos, me sinto como tendo nascido para morar aqui.