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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Quantas nações tem o Canadá?


Dia 15 de agosto (que em francês dá trabalho de entender, porque a palavra toda se resume à pronuncia como a da letra "u"), comemora-se a fête nationale de l'Acadie/festa nacional da Acádia. Outra festa nacional?!?! Não vou falar dela, até porque não foi comemorada aqui em Québec (que eu saiba). O que chama a atenção, entretando são os acadianos por si mesmos e a extensão da visão do Canadá multinacional que o entendimento dos acadianos leva.
Acadioquê? Bom, vamos começar pelo começo. Muitos sabem que se fala inglês no Canadá, óbvio. Mas fora da comunidade de imigrantes, tem muita gente que não sabe que se fala francês aqui. Mesmo muitos canadenses do lado anglófonos não sabem de verdade a relação entre os francófonos e o Québec, que não é uma relação direta um para um. Complicou agora? Vamos explicar.
A América do Norte não hispanica foi primeiro colonizada pelos franceses em 1534, que fundaram os primeiros assentamentos da nova colônica francesa onde é atualmente a nossa cidade de Québec. Depois os ingleses vieram para também colonizarem o imenso continente. A moda era chamar de Nova França, Nova Inglaterra e a Nova Espanha, que deu origem ao México.
Eis que, voltando aos acadianos, estes vieram do oeste da França a partir de 1604 para as bandas do que hoje são as províncias de Nouveau-Brunswick e Nouvelle-Écosse. Só que a história deles se desenvolveu de uma forma diferente dos québécoises da Nouvelle-France. Uma diferença histórica é que os québécoises tiveram a opção de continuarem no seu território, mesmo que dominados pelos ingleses. Já os acadianos, foram mortos, deportados e levados como mão de obra semi-escrava para o sul dos Estados Unidos, como no estado que tem um nome bem francês: Louisiana. Com essa diáspora, eles acabaram se espalhando também pelas Antilhas, Guiana Francesa e até na...França!
Acredito que opressão inglesa forçou a mescla entre o francês e o inglês e deu origem ao chiac, que é uma mistura maluca que não basta saber francês e inglês para conseguir entender. Vejam esse exemplo: " Ej vas tanker mon truck full de gas à soir pis ej va le driver. Ça va êt'e right la fun". E mesmo falando francês, alguns deles fazem o som do R como no português ao invés do R gutural típico. Mais forte que isso é o fato de, mesmo não tendo um território definido nem oficial, eles têm uma bandeira (mostrada no começo da postagem) e um hino. Isso é a expressão da sua identidade cultural como nação, diferente até mesmo dos québécoises que, ao contrario desses, são uma nação reconhecida oficialmente pelo governo federal. E é também por causa deles, acadianos, que Nouveau-Brunswick é a única província do Canadá onde tanto o inglês quanto o francês são idiomas oficiais.
Mas já que falei da terceira nação, fora os descendentes de ingleses, os québécois e acadianos, ambos descendentes de franceses, porque não falar também das primeiras nações? Esse é o nome que se dá aos diversos povos ameríndios (nomezinho bonito, né?) que já habitavam aqui antes dos europeus chegarem e que ainda mantêm seus costumes, embora visivelmente em conflito com os valores do mundo moderno. É deles que os nomes Canadá e Québec vêm, dentre muitos outros. E eles têm radios nos idiomas deles, programas de tv e também seu dia e sua festa. Eles também são reconhecidos pelo governo, que lhes dá algumas prerrogativas legais que, embora eu tenha usado esse termo muito bonito em advoguês, eu não sei dizer quais são. Entrando nessa seara (que não é o Ceará), já se perde um pouco a visão clara de onde começa e onde termina cada nação, bem como seus idiomas. O território de Yukon é oficialmente bilíngue, Nunavut tem além do inglês e francês, o Inuktitut e Inuinnaqtun. E o território chamado de Territórios do Nordeste é uma verdadeira farra: 11 idiomas oficiais!
Vejam que curiosa é essa placa "pare" bilíngue no norte do Québec. É bilingue, mas é francês e inuit!

Com uma base de várias nações mesmo antes da colonizações européias, passando por estas e somada à forte imigração que reina até hoje (Toronto tem mais de 50% de imigrantes), dá para perceber porque o Canadá é um país extremamente tolerante à diversidade cultural. E nós que chegamos aqui só temos a ganhar assimilando essa qualidade. D'accord? Right? Certo?

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Canada Day


Aqui em Québec, a cidade estava cheia de bandeiras e o povo passou o dia nas ruas por causa do Canada Day.
Agora vamos colocar os pingos nos Is, já que pela revisão ortográfica, não existe mais tremas nos Us. As bandeiras são as da fête nationale/festa nacional do Québec, que ainda estão lá desde o dia 24 de junho, inclusive no nosso balcon/varanda. Bandeiras do Canadá, salvo onde teve uma tímida celebração oficial, só as que já existiam mesmo.
Quanto ao povo nas ruas, na verdade não estavam comemorando o Canada Day que, propositalmente escrevi somente em inglês. Aqui no Québec, o Canada Day é mais o dia de se mudar. Este artigo da Wikipedia o chama de Fête du déménagement/Festa da mudança.
Vamos começar do começo para explicar o fenômeno. O Canadá é um país com duas nações, fato este que foi oficializado há poucos anos. É bem fácil nomear a nação québécoise, descendente de franceses. Porém, é difícil de denominar o resto. Canadá menos Québec? Aí vocês dizem: anglófonos! E o lado anglófono de Montréal? Um pouco por isso, outra parte por questões separatistas mesmo, Canadá (que estou escrevendo cada vez mais esquecendo o acento. Se não fosse a revisão!) também significa a outra nação que habita o pais junto da nação québécoise.
Ponto número dois: Os franceses colonizaram primeiro a América não-hispanica e depois foram subjulgados pelos ingleses. Somado a isso, até décadas atrás, existia uma opressão destes e os québécois mais velhos que viveram estes tempos ainda remoem este rancor.
Conclusão: Que sentido faz comemorar o dia da rainha da Inglaterra? Melhor batizá-lo de dia dos patriotas. Por falar nela, a Elisabeth II está visitando algumas provincias do Canadá como já o fez outras vezes, mas não pisa no Québec, claro! A popularidade dela aqui não é das mais altas.
Pois bem, a concetração de contratos começando justamente nesse dia é uma conveniência de uma data chave, por ser dia primeiro, com o fato de ser no verão, ou seja, férias. Mas, também é uma forma de protesto, manifestado através da indiferença, por ter bem mais significado para a outra nação. Inclusive, vossa majestade, que curiosamente ainda é rainha do Canadá também (quack!!! Também da Austrália, Nova Zelandia, Jamaica e uma pancada de outros países) estava lá na festa em Ottawa. Lá sim, teve festa como a fête nationale/festa nacional daqui. Viu? Fica bem mais como cara de uma festa para cada nação que a festa do país todo.
Voltando ao que aconteceu. Teve um desfile militar e uns brinquedos infláveis no parque, mas até a chuva apareceu para minimizar o evento. Sim! São Pedro também é souveranist/separatista. Vive la pluie libre! (nota do tradutor: Esse chato faz a brincadeira e eu que me arrebento para explicar em poucas palavras. "Viva o Québec livre" é o slogan dos separatistas por causa da frase dita em 1967 por Charles de Gaulle, que era o presidente da França). Vale ressaltar que, apesar de às vezes parecer, eu não sou separatista!
Por outro lado, o começo da ave. Bevédère tinha congestionamento de caminhonetes, reboques e furgões. Uma loucura o dia todo! Eu também fui participar de uma mudança, mas foi leve porque os nossos amigos já pegaram um apartamento com a parte pesada toda resolvida. É! Pegar no pesado! Aqui, cerca de 70% das mudanças são feitas pelas proprias pessoas, sem contratar empresas. Apenas alugam os veículos, quando não conseguem emprestado. Faz parte da filosofia do faça você mesmo. Estou devendo falar sobre esse assunto.
Por isso, se quiserem saber como foi o Canada Day, infelizmente terão que procurar o blog de alguém que more no "Canadá", porque aqui o que se via mesmo era a fête du déménagement e muita gente pegando no pesado!