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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

FRRRRR



Eu ouvi alguém dizer que depois de -20°C, é tão frio que tanto faz a temperatura que nem sentimos a diferença.  Pantoute!/De feito nenhum! Eu decoro a temperatura mínima de cada inverno. Em 2010, fez -26°C e a já a -20°C o corno displicente motorista de ônibus me deixou congelando no meio do nada, completamente perdido e o próximo ônibus só passava depois de uma hora como contei nesta postagem. Em 2011 também fez -26°C, mas a sensação térmica chegou a -44°C como filmei e comentei nessa postagem. O inverno de 2012 foi chamado em uma reportagem da RDI de "o inverno que foi interrompido" de tão fraco e atípico. Mesmo assim, chegamos nos -24°C.

Esse inverno resolveu dar uma "refrescada" na lembrança dos québécois de idade mediana e mais avançada, ao chegar aos -29°C e sensação de -42°C. A temperatura mais fria em Québec desde quando começaram a registrar foi de -36,5° em 1972 como podem ver aqui. Não só isso. Quando a temperatura dá um mergulho desses, normalmente passa um ou dois dias e retorna a sua faixa típica acima dos -20°C. Mas passou cerca de uma semana de frio mais intenso, o que eu não tinha visto ainda. E mesmo quando a temperatura começou a subir, o vento gélido continuou impiedosamente a subtrair ao menos 10°C de sensação térmica. Comentei com uma colega de trabalho que mora em Boston, a apenas seis horas mais ao sul de Québec, que era o dia mais frio da minha vida. E ela respondeu que o dela também!

Passar dos -20°C parece romper um limite físico como a barreira do som, pois algumas coisas mudam visivelmente. Em vários lugares, começa a criar gelo na parte de baixo das janelas, mesmo as de boa isolação com vidro duplo e que ficam logo acima dos aquecedores regulados a 22°C. Quando abria a porta de manhã cedo, o choque térmico criava uma fumaça que entrava na casa. Mas o que mais apresenta mudanças são os carros. Muitos deles não dão partida e a quantidade de acionamento dos serviços de socorro mecânico aumenta absurdamente. 70% deles, por causa de bateria fraca. Ao me virar para colocar mochilas no bagageiro, quase bato o rosto na quina da porta traseira do carro porque ao invés de subir como sempre, ela simplesmente parou no meio do caminho. Mesmo esperando alguns minutos para o carro esquentar, tudo fica duro: direção hidráulica, freio, embreagem (no carro antigo que tinha). O carro fica tão doido que tem horas que ele avança uma marcha por engano e volta para a anterior imediatamente.

Não vou mentir. É frio pra burro, cavalo, boi e tudo quando é bicho, mais ainda para os bípedes (ir)racionais. O carinha do "Têtes à claque" conta que os ursos têm 5 cm de pele (será?) e mesmo assim, ficam até a primavera escondidos em uma caverna. E nous autres/nós? Compramos luvinhas no Walmart! Mesmo com o meu aparato que me permite praticar snowboard a -20°C sem que o frio me incomode (a atividade física ajuda), não dá para fazer piquenique no parque a -29°C. Só o que podemos fazer é controlar as duas outras variáveis: reduzir o tempo de exposição ao mínimo possível. Sabe as compras de supermercado? Que tal fazer antes do que a previsão meteorológica mostra como alerta em vermelho? Sem dúvida nenhuma, com um carro fica muito mais suportável.

Hein? A outra variável? Que outra vari...ahh, sim! A outra é a cabeça! Me perguntam em várias situações:
-Mas você não sente frio?
-Claro que sim! Não tenho a camada de gordura por baixo da pele para me proteger e uso menos roupa que a média das outras pessoas.
-E como você aguenta o sofrimento?
-Sendo masoquista!

domingo, 6 de novembro de 2011

Temperatura em casa

 Uma coisa que eu tinha muita curiosidade sobre o Canadá quando eu ainda estava no tórrido Ceará era se o "quentinho" de dentro das casas e apartamentos era apenas força de expressão e se mesmo no aconchego do lar sentiríamos frio. Isso porque em Fortaleza, quando saímos do ambiente externo a 35°C e entramos em um ambiente com ar condicionado a 24°C, venhamos e convenhamos, para muitos cearenses é frio.

Vou usar minha resposta preferida: sim e não. Isso porque existe uma faixa de temperatura que são ajustadas nos lares e também a sensação de temperatura varia de pessoa para pessoa. Outro fator que no começo distorce esse aspecto é a questão de como se vestir em casa. Mas vamos por partes, como dizia Jack o estripador.

Em relação à temperatura, que às vezes é fixa e determinada pelo proprietário ou pode ser ajustada até por compartimentos, existe uma certa variação. Fiz um levantamento informal e nada científico perguntando às pessoas qual a temperatura dos seus lares. As respostas estão no gráfico do topo dessa postagem. Como podem ver, a maior concentração está entre 21 e 23°C, mas 20°C e um pouco abaixo também é usado.

Quanto à sensação, depois de saírmos do Ceará e passarmos por uma variação de 34°C a -26°C, com respectivas sensações térmicas de 44°C a -40°C, o nosso referencial de temperatura mais agradável muda. Os 23°C a 24°C passam a ser a faixa onde eu e a Mônica e as crianças nos sentimos mais confortáveis, nos vestindo como faziamos no Ceará: short ou bermuda e camisa de malha de manga curta. Sinceramente, a partir dos 25°C para cima eu já começo a me incomodar, mas como disse, isso varia de pessoa para pessoa.

Mas deixar o lar a 24°C enquanto lá fora está entre -10 e -20°C, que é o típico do inverno, demanda energia que implica em custo. Somos felizardos porque o Québec tem as tarifas de energia mais baixas do Canadá que são mais vantajosas para chauffage/heating/aquecimento que o uso dos combustíveis fósseis. Na França, pelo que me contaram, os pobres coitados ajustam entre 16 e 18°C. Vale ressaltar que quanto mais baixa a umidade, menos frio sentimos, mas cuidado para não deixá-la muito baixa. Recomendo controlar em 40% no inverno.

Eis como chegamos na faixa típica do gráfico, fazendo um pequeno ajuste cultural nos nordestinos. Usar pouca roupa é confortável quando estamos no calor. Mas existem roupas de tecido bem confortável que podemos usar em casa que nos permite baixar alguns graus e continuarmos nos sentindo na temperatura ideal. Como exemplo, uma calça e até mesmo, se for o caso, um blusão de moletom por cima de uma blusa. Para os pés, meias ou pantufas. As meias têm o inconveniente de serem escorregadias e para quem tem escadas, não recomendo, enquanto que as pantufas podem ter o solado emborrachado. Isso vai até o limite onde sentimos frio nas mãos e não é lá tão interessante escrever no computador com luvas.

Mas o que acho mais confortável mesmo em relação ao lar aqui no Canadá é o sono. Devido ao frio, as casas têm uma isolação térmica muito eficiente. Esta isolação reduz a quase nada o ruído externo. Na hora de dormir, faz um silencio ensurdecedor! E a temperatura fica fixa durante a noite toda, o que se traduz em um sono de muita qualidade. O ruim mesmo é sair debaixo dos cobertores quentinhos para ir trabalhar. Mas aí é querer mordomia demais, né?

Halloween 2011

Como nessa postagem do ano passado já dei uma visão geral do Halloween, agora vou falar de outros aspectos, sobretudo do que aconteceu neste ano.

Primeiro, no trabalho parece que ficaram ainda mais malucos. Quando cheguei para trabalhar, tinha uma imitação de teias de aranha gigantes na sala e um doido que passou o dia todo trabalhando enrolado nela. Vejam na foto seguinte.

Depois, chega o outro maluco só de bermuda e um pano por cima de um dos ombros como um homem das cavernas. Para ficar mais realista, ele se sujou todo de lama que parecia um mendigo daqueles bem largados. Depois do almoço, levei um susto com o baita arroto que ele deu. Logo depois, disse: Désolé! Je joue mon rôle!/Desculpem! Estou interpretando meu papel (personagem). O detalhe é que apesar de sua boa camada adiposa, passou o dia com frio por ter pouca roupa para se cobrir, até porque as laterais eram abertas. E o pior é que ficou só com o terceiro lugar no concurso, perdendo feio para o monstrengo da esquerda nessa outra foto.

Para a minha surpresa, aqui na nova vizinhança em Lebourgneuf tem muito movimento de porta em porta e é bem animado. Corrigindo a postagem do ano passado, aqui se diz Joyeuse Halloween/Feliz Halloween, lembrando que os québécois não pronunciam o H de Halloween, fato esse que me incomoda principalmente quando falam "l'alloween" ou "d'alloween". They ave (have) a problem with the H!/Eles têm um problema com o H!

Neste ano, uns amigos nossos chamaram outros brasileiros para o Halloween superproduzido na casa deles. Só para dar ideia, tinha até máquina de fumaça! Muita gente compareceu, inclusive, era difícil saber quem era quem com as fantasias. Vejas as fotos que escaparam da pouca luminosidade.




Essa postagem de outro blog fala bem do impacto que o Halloween tem nas crianças com a inevitável superexposição à qual eles são submetidos nessa cultura macabra e amedrontadora. Em geral, os nossos reagem bem em todos os ambientes que vamos. Até porque, tem muito também de uma festa de fantasias de todo tipo como um carnaval, não somente as de terror. A exceção é o medo de aranhas que o Davi tem e uma loja que vimos nos Estados Unidos que jogava pesado. Um dos bonecos pegou a Lara de surpresa e ela não quis mais entrar lá, mesmo sabendo que era só um boneco. O vídeo que gravei nessa loja não passa o mesmo impacto porque o som não é alto como o da loja. Mas meu instinto sádico para sustos ficou imaginando esses bonecos na escuridão da noite sendo acionados pela pisada no sensor estrategicamente colocado no caminho de entrada da casa. O requinte de crueldade é um fundo musical de filme de suspense para preparar e amplificar a descarga de adrenalina.





Continuamos na linha de participar e mesclar a cultura local com a nossa, mesmo dessa vez eu não tendo encontrado uma fantasia para usar. Vou tentar no próximo encontrar uma boa fantasia com a qual eu possa ir até para o trabalho. O problema é acharmos uma que nos permita usar o casaco, pois uma fantasia fininha a zero graus é um verdadeiro terror!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Frrrrette!!




Certa vez, vi um vídeo no qual uma pessoa entrevistava alguns québécois perguntando sobre palavras e expressões que só existem aqui. Em uma delas, a pessoa perguntou o que é frette/frio e a pessoa respondeu brincando que frette est plus froid que froid/frette é mais frio que frio. A galera da França não sabe o que é isso, nem a palavra, nem o frio daqui.
Estou atrasado na postagem, mas o assunto continua sendo válido. Segundo as estatísticas da Météo Media, no mês de janeiro, que é o mais frio, a média de temperatura máxima é de -7,5°C; a temperatura média é de -12°C e a média de temperatura mínima é de -16,5°C. Pas pire/nada mal, mas tranquilamente suportável se estivermos bem vestidos e preparados psicologicamente.
A pancada mesmo é quando tem uma queda de temperatura mais forte, que foi o que aconteceu pela primeira vez nesse inverno. Não deve ter durado uma semana, que é o típico, e nem foi tão abrupta quanto pode ser. Aqui em Québec, a temperatura chegou a -26°C com sensação térmica de -44°C, mas não foi tão diferente nas outras cidades canadenses do lado leste.
Colegas de trabalho me disseram que os carros mais modernos não precisam de nada em especial para esses dias de frio mais severo. Digo isso porque vemos carros que têm uma tomada pendurada para aquecer o motor mas o meu, por exemplo, nem tem. Quanto à descarga da bateria, me disseram que só acontece se a mesma já estiver no final de vida. Mesmo assim, não deu outra: o assunto de começo de expediente foi se o carro pegou logo ou deu trabalho. O nosso, que tem o pequeno motor 1.6, pegou de primeira mas rodou pesado como quando a bateria está descarregada. Mas foi por causa do óleo mais viscoso por causa do frio e não por causa da bateria. Dizem que quem tem problema mesmo são os donos de motores grandes como um V8 de seis litros (6.0). Estes não são tão raros assim em um lugar que tem uma gasolina de 1,20$/litro, que pesa no nosso bolso como se fosse R$1,20/litro. A propósito, está caro pra burro! Quando cheguei aqui custava só 1,00$/litro! As empresas de socorro automotivo como a CAA têm bastante trabalho nesses dias.
Outra coisa que percebi que muda é a aderência dos pneus. Eu vi uma caminhonete fazer uma curva derrapando igual a carro de rallye e por pouco não bateu em um poste. O asfalto fica mais escorregadio, mesmo sem neve ou gelo aparente. Um colega explicou que isso se deve mais ao endurecimento da borracha dos pneus, mesmo esses de inverno sendo bem mais moles que os convencionais.
Para quem não tem carro, é só colocar uma bermuda, sandálias, uma camiseta e pronto... para ir para o hospital! Temperaturas muito baixas podem causar queimadura de pele, dependendo do frio, do tempo e da presença de humidade como a que sai do próprio nariz. Para um frio extremo, o ideal seria usar todo o arsenal de frio e procurar passar o mínimo tempo possível exposto. Mas, como mon pays ce n'est pas un pays, c'est l'hiver/meu país não é um país, é o inverno, a vida continua! Algumas comissões escolares fecharam suas escolas, mas não a nossa. Acho que ela só fecha quando o vento fica tão forte que leva as crianças, que 75Km/h ainda não é suficiente ou quando cai muita neve em pouco tempo que o trânsito fica difícil. E até mesmo as pessoas que trabalham em ambientes externos continuaram trabalhando! C'est la vie/é a vida (essa mesmo quem não fala francês conhece!).
Para completar, durante o final de semana deu um problema no sistema de aquecimento que é coletivo e não pode ser ajustado por nós. A temperatura caiu dos agradabilíssimos 24°C para apenas 17°C. É a segunda vez que acontece em um ano. Por isso, comprei o contrário de ventilador, que não é rodalitnev. Se chama radiador parabólico. Ele tem o formato e gira como um ventilador, mas gera calor e o direciona através de uma parábola. Futuramente ele vai servir para termos um aquecimento mais eficiente quando precisamos de calor em somente uma parte de um aposento. Por exemplo, eu fico até uma hora da madrugada no computador e se tivéssemos o aquecimento elétrico controlável, poderia baixar a temperatura da enorme sala e deixar o aquecedor direcionado para onde fico. Olhe só a foto do garoto trabalhando!


Concluo resumidamente com apenas uma frase polêmica: Ainda assim, prefiro uma semana de -30°C a um ano todo de +30°C!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A volta da Branca de Neve




Calma lá! Esse do vídeo sou eu! A Branca de Neve... bem, deixe-me explicar.
Recapitulando, em janeiro quando cheguei em Toronto para fazer o landing, eu vi uma cidade sem neve em pleno inverno. Fiquei meio encucado, mas tudo bem. Mas quando o avião sobrevoou Québec, fiquei surpreso e encantado! A cidade estava toda... Branca de Neve! (Detalhes nessa postagem).
Pois bem, passados 10 meses desde a minha chegada aqui, eis que ontem começou a nevar novamente em Québec, deixando a nossa cidade ainda mais charmosa! Tem quem simplesmente tolere, tem quem não goste, tem quem deteste, mas eu e as crianças continuamos adorando o inverno!
Por falar nisso, ainda falta cerca de um mês para o inverno de calendário, mas já estão todos considerando que é inverno. É similar a quando dão boa noite às 03h30 da tarde ou bom dia às 20h00. A natureza varia tanto que as pessoas deixam de ser rigorosas quanto à cronologia oficial.
Interessante é que toda vez que olho pela janela para fora, levo um susto! Uau! Como a paisagem mudou da noite para o dia! A impressão que dá é que eu cheguei em uma cidade no inverno, depois fui para outra e agora estou de volta à primeira. A mudança visual é radical.
Muitos aspectos da nossa vida são cíclicos, mas não se passam da mesma forma. Não são círculos, mas espirais. Nesse inverno estamos de carro, o que é bom e é ruim. É bom porque temos mais liberdade de destino e de horário. Também, apesar do meu masoquismo, devo reconhecer que é bem mais confortável andar de carro com aquecedor que a pé a -20°C. Mas ainda estamos no patamar de -8°C por enquanto. O lado ruim é que dirigir na neve e no gelo é mais arriscado. Eu não vou mentir: sempre gostei de off-road e rally, só que nunca tive a oportunidade de experimentar. Pois bem! Ei-la! Um off-road on-road! Um rally de casa até o supermercado! A Mônica é que não está gostando nada dessa estória. Ela é quem usa o carro durante a semana. A bicicleta foi hibernar (claro!) e agora vou voltar a ter tempo para ler meus livros nos ônibus.
Seção de avisos! Inverno também é uma temporada de chutes, digo chutes/quedas! A neve escorrega um pouco. A neve amassada escorrega mais. Quando a temperatura fica positiva, a neve derrete e fica tudo cheio de água. Depois, fica negativo e a água congela. Aí esse gelo escorrega ainda mais! E estou falando daquele gelo brilhante como cubo de colocar em bebidas. Aí depois neva por cima e o gelo escondido vira uma armadilha. Levei um baita escorregão nessa daí, depois cavei para mostrar na foto. Ela fica exatamente atrás do nosso carro. Só agora sei porque deixaram para ocupar essa vaga por último! Se aproveitaram do matuto do cearense!


Achas que é o pior que pode acontecer? Amanhã vai ter outra vez a maior molecagem que São Pedro conseguiu inventar: A pluie verglaçante/chuva congelante. É um fenômeno raro quando a água cai líquida e congela ao entrar em contato com  as superfícies. Talvez seja mais seguro sair de casa logo de patins de gelo. Taí! Boa ideia! Foi a única vez que não adiantou meus anos de experiência com patins, skate e artes marciais. Os meus dois pés foram para o alto e aterrisei de ombro (detalhes nessa postagem). Dica valiosa que muitos me deram no inverno passado: não andem com as mãos nos bolsos. Em uma queda, pode ser que fiquem presas e caiam de cotovelo. Ouch/ai!
Mas não tem nada como voltar a ser criança e brincar com a Lara e o Davi de guerra de bolas de neve, fazer um bonhomme de neige/boneco de neve e a nossa patinação em família de todos os finais de semana. Afinal, como diz a música, "C'est l'hiver, c'est l'hiver, c'est l'hiver..." (É o inverno).



domingo, 14 de novembro de 2010

Halloween


Ralou o que? O ween! O termo halloween, ou como os québécois chamam "l'alloween" (l'halloween) veio de all hallows eve, que significa noite de todos os santos. É uma festa tradicional de alguns povos anglo-saxões, que veio parar aqui na América do Norte. Esta é comemorada na noite de 31 de outubro a primeiro de novembro.
Quando perguntei a um québécois o que significava a festa, primeiro ele disse que não sabia a origem. Depois, que era a festa dos mortos e das assombrações. Por último, que se tratava na verdade, da festa onde as pessoas gastam um bocado de dinheiro com fantasias e decorações, mas sem saber qual a origem e o real significado.
O fato é que o halloween mexe com todo mundo aqui no Québec também, embora não tenham uma orígem anglo-saxônica. Só para terem ideia, a empresa na qual trabalho, além da decoração, fez um concurso de fantasias. Não tenho certeza, mas acho que quem ganhou foi um cara que foi com uma fantasia extremamente convincente de personagem do filme Avatar, com direito a rosto pintado e rabo comprido.
Na instituição de lazer daqui do bairro, o Loisir Montcalm, teve uma festinha gratuita (na verdade, já paga pelos impostos, assim como muitas outras coisas) para as crianças. Teve uma bruxa comediante, abóboras para as crianças pintarem, brincadeiras, pintura de rosto e bombons, é claro!
A noite, fomos convidados pela vizinha para participar do pedido de bombons de porta em porta. Faltando 15 minutos para sairmos, resolvi entrar no clima e improvisei uma fantasia maluca. Batizei-a de Fernando Collor ninja corno. Lembrei que quando criança eu colocava uma blusa na cabeça com as mangas amarradas atrás que lembra um  ninja. Na saída, a vizinha ofereceu os chifres, daí o termo corno. E o Fernando Collor? Bem, vocês se lembram do episódio onde ele disse que quando nasceu tinha "aquilo roxo"? Pois bem, foi a cor que escolhi por ser macabra e por ter um lençol para me cobrir. Por coincidência, os chifres eram da mesma cor.

Eu pensei que só existissem fantasias amedrontadoras, mas tem horas que parece um carnaval. Tem fantasias de robô, de Papai Noel, de super-heroi, de presidiário e de Senhor Macho! Esse cara, a propósito, era macho mesmo! Com um frio de 2°, ele saiu conosco e com a criançada de casa em casa vestindo somente uma bermuda, uma camisa, a capa e um par de tênis. E olhe que tinha aquele ventinho "refrescante" e começou a cair alguns floquinhos de neve tímidos! Mas não tem essa de frio não. Canadense que é canadense não deixa de sair de casa por causa de nenhuma condição climática. E lá fomos nós pedir bombons na estratégica e rica Avenue des Braves. Cada mansão milionária que vou te contar!
Em inglês, existe a tradicional frase "tricks or treats", que significa mais algo do tipo "doces ou travessuras". Mas em francês, a meninada diz mesmo é "me dá uns bombons!" ou nem diz nada! Em compensação, tem alguns donos de casas que pedem que alguém cante algo como forma de pagamento. Quem quer participar da brincadeira, decora a casa e deixa as luzes acesas. Porém, tem casos que fica meio difícil de saber. Olhem, a galera compra bombons é de toneladas! As crianças chegaram em casa com sacos cheios e são muitas crianças batendo nas portas durante horas.
Como sempre digo, até atravessar a rua aqui é diferente. E olhe que basta ir para Montréal para mudar de regras outra vez! Imigrar é estar aberto às novidades e experimentar essas curiosidades. Integração não é só uma questão de aprender o idioma. É se harmonizar com a cultura, os valores e tradições. Só não esqueça de escovar bem os dentes depois de comer tantos bombons! Pensando bem, acho que foram os dentistas que inventaram essa festa!



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais dicas para o próximo inverno


Estamos passando para o segundo dos três meses de outono, o que teoricamente estaria em um momento apropriado para escrever sobre roupas de inverno. Mas para muitos eu devo estar chegando atrasado com essas dicas. Desculpem! Eu estava (mais) envolvido com as traduções da palestra imperdível do Lionel Laroche sobre adaptação cultural para o mercado de trabalho canadense. Quando estiver pronta, publico aqui. Esse inverno promete! Boa leitura e curtam o friozinho, BRRR!!!!!!

As seguintes postagens já falam do assunto:
Inverno ou inferno?
Manual de roupas para frio - Parte zero
Manual de roupas para frio

O Fernando Katayama, como sempre altamente detalhista no sistema de vestimentas em camadas para o inverno, estruturou o seu conhecimento neste documento chamado "Como se vestir no inverno".

Eu achei esse email do Pastor Carlos, que tem bem mais invernos que eu, muito objetivo e esclarecedor, então estou reproduzindo-o aqui.

Infelizmente Ana, não dá para fazer isso pelo website e promoção boa, vc sabe como é, especialmente aqui que são verdadeiramente promoções. Vc pode chegar na loja e não ter nada e 5 minutos depois eles colocam, como vc pode chegar, ter e vc decidir ir olhar para ver se acha algo mais e qdo volta, não tem mais.
Me perdoe, não sei quem disse, mas está totalmente equivocado, os isolantes térmicos são totalmente diferentes e é o que mais reflete no preço. Depois do tipo, tem, quantas gramas de isolante térmico, outra coisa que reflete no preço e no que vc irá receber de frio, pois se tiver maior gramas, custa mais e te protege melhor. Existem vários tipos de materias externos, que fazem grande diferença, o melhor deles e o mais resistente é o Gore-Tex, mas é o que custa mais. Depois, tem o windproof e watherproof, não compre um que não seja bom nos dois quisitos, pois normalmente, os de baixa qualidade, muito mal é waterproof, mas não é windproof, portanto, vc ficará bem desde que não vente. Nisso tbm tem diferença, pois alguns são as duas coisas, mas não são bons em nenhum desses quisitos, outros, podem aguentar até mesmo 24 horas levando "água" na cabeça, outras são waterproof, mas não são breathable, se for, seguramente custa mais, mas é infinitamente melhor, pois vc pode transpirar que ela não irá molhar, o suor irá sair, tudo isso são coisas que fazem o preço. É como diz o ditado: "Vc tem aquilo que paga".
Outra coisa, não compre jaquetas rebook, nike, enfim, essas marcas tradicionais, não são especializadas e na maioria das vezes, são boas somente para o inverno brasileiro. Jaqueta de inverno é Burton, HH, Orage, Columbia, North Face, Canada Goose, Patagonia, Merrell, Clorophylle, Montain Hardware, Arc'teryx e assim vai. A Kanuk é muito boa, mas eu particularmente, acho o design horrível, mas isso é o meu gosto pessoal, para mim tem um visual muito de pessoa mais velha, mas muita gente gosta e a qualidade é indiscutível. Não sou de comprar coisa pela marca, porém, qdo se fala de jaqueta, no Canadá, onde temos um dos invernos mais rigorosos do mundo, por causa do vento, pois ontro dia conversava com um Suéco, ele me disse que aqui (Montreal) o inverno é muito mais rigoroso do que lá, por causa dos ventos que temos. Vc está na rua, a -10C e está tudo bem, de repente, começa a ventar e a temperatura despenca para -30C em questões de minutos, é terrível. Até -10C, é tudo alegria, mas qdo baixa disso, a coisa pega.
Enfim, eu sempre digo, comprar uma boa jaqueta de inverno, parece ser a coisa mais fácil do mundo, o brasileiro pensa que é, mas na realidade, é uma das coisas mais complicadas, pois precisa de um pouco de conhecimento técnico para comprar a coisa certa e não gastar dinheiro a toa.
Não conheço muitos websites para isso, além destes: http://winterjackets.ca/index.php http://www.sportsexperts.ca/sportsexperts/accueil.html http://www.lacordee.com/ http://www.leyeti.ca/ Winners é uma excelente opção, porém, chega tudo na quinta e como é um outlet store, chega a mercadoria na quinta e as vezes tem alguma coisa no teu número, as vezes não, etc... precisa ter um pouco de sorte para chegar na hora certa.
Um conselho te dou, não compre nada pela web, pois mesmo essas marcas que te disse, tem as jaquetas que são somente shells, ou seja, é somente para proteger o camarada do vento e da água e são caros, parecem jaquetas, mas não são, são feitos para ski, etc... e não tem a função de esquentar, enfim, só dá para comprar olhando, tocando, conversando com o vendedor, etc... e que seja um bom vendedor, que conhece aquilo que vende.
Espero de ter ajudado um pouco.

sábado, 16 de outubro de 2010

Ventinho em Québec




Hoje a volta para casa foi legal. Quando sai da empresa, a MétéoMédia anunciava rajadas de vento de até 74Km/h, mas vi a informação de que chegaram a 89Km/h. Quando me preparava para sair de bicicleta, uma senhora passou e disse: -Você é corajoso para andar de bicicleta nessas condições! E eu respondi; -É mais emocionante!
Na verdade, não é o fim do mundo. Apenas temos que ficar atentos aos "empurrões" que mudam de sentido! Legal que em um trecho de vento lateral, eu andava com a bicicleta inclidada, mesmo em linha reta. A soma do vento e da chuva com a temperatura de 6°, dá uma boa desculpa para ficar em casa. De fato, iriamos fazer compras, mas o tráfego estava meio complicado devido a quedas de árvores e postes.



Aqui a galera é meio apocalíptica. Passaram nada mais nada menos que dois carros de polícia e cinco caminhões de bombeiros fazendo um barulhão enquanto eu chegava perto de casa. Legal que fica piscando uma luz estroboscópîca no semáforo que acho que é acionado remotamente para facilitar o deslocamento deles.

Uma bela hora da noite, simplesmente faltou energia. Curiosamente, ontem mesmo eu estava pensando nisso ao pesquisar algumas opções de casas para comprar. Se não tiver lareira e o aquecimento for elétrico, como é que fica quando faltar energia e lá fora estiver fazendo -25°? Pergunta retórica, né? Fica frio!!! Também para (não existe mais o acento diferencial em "pára") o aquecimento da água gelada, o fogão elétrico e o microondas. Por sorte, a HydroQuébec trabalha bem. Essa foi apenas a segunda interrupção de energia em nove meses aqui, e durou menos de uma hora. É porque dadas as circunstancias, não dá para evitar mesmo uma pane.

domingo, 3 de outubro de 2010

Outono






Tudo na vida tem o lado bom e o lado ruim, fora os discos (em vinil) da Roberta Miranda, dos quais os dois lados são péssimos.  O verão se foi, mas as canicules/ondas de calor felizmente também. Em compensação, começou a esfriar mais rápido. A brasileirada começa a reclamar do frio. Aí São Pedro resolve dar uma colher de chá: -Tudo bem! Vou mandar uma massa que ar quente para vocês! Só que a massa de ar quente muitas vezes vem com humidade. Resultado? Umas três semanas onde quase não se vê o sol! Choveu até dar alerta! O nível dos rios subiu mas não teve nada grave. Só que os canadenses são muito preocupados com isso e a infraestrutura para chuvas é muito boa, ao menos comparada com a Terra do Sol (Fortaleza), que alaga facilmente. Isso não é típico. O normal é a quantidade de chuvas acompanhar a senóide (o mestrado já acabou! Esqueça isso!) da variação de temperatura.
-Está chovendo demais? Pois pronto! Vou mandar uma massa de ar seco! Só que normalmente a massa de ar é seca por causa do frio, que reduz a evaporação. Lá vai o mercúrio do termômetro cair! (metaforicamente, porque nosso termômetro é digital). Agora está fazendo 5 graus e a previsão é para cair até 3 graus entre hoje e amanhã. Abaixo de 5 graus, se chover, não chove, neva. E olhe que estamos apenas nos primeiros 10 dias do outono! Esse inverno promete compensar a moleza do outro!
Mas, voltando à filosofia do tudo-tem-um-lado-positivo, dou alguns exemplos de vantagens do frio para servir de consolo aos que o detestam:
-Podemos beber água gelada da torneira, sem precisar usar a geladeira;
-A temperatura dentro de casa fica estável o tempo todo, o que é excelente para dormir;
-Por causa do aquecimento, as janelas de vidro duplo ficam sempre fechadas e o silêncio é ensurdecedor;
-E a que eu mais gosto: Não suar na subida das terríveis ladeiras, de bicicleta, mesmo que seja debaixo de chuva como aconteceu em vários desses dias.
Outro ponto positivo, que é o grande atrativo do outono (nossa! Só vim falar dele agora!), que é o espetáculo de cores! Agora ficou difícil dizer qual estação é a mais bonita. As folhas fazem uma gradação de cores e tons do verde, passando pelo amarelo, laranja, rosa, vermelho, marrom até o roxo. Vocês podem ver a primeira sequência de fotos para ter uma ideia. Provavelmente vou fazer outra sequência daqui há algum tempo. Digo ter uma ideia porque só ao vivo para ter a real noção. Isso porque tem também o charme das ruas cheias de folhas secas, o barulho que as crianças adoram fazer ao andar por elas, quando o vento passa, derruba as que estão nas árvores e faz um balé com as que estão no chão.
A título de curiosidade, por esses dias o sol está nascendo às 06h45 e se pondo às 18h25, que é mais próximo do que estávamos acostumados no Brasil.
Em relação ao lado bom e o lado ruim, percebo dos canadenses que realmente amam a vida daqui, que o segredo é não se incomodar com os aspectos ruins e saber apreciar os bons e belos momentos que cada estação nos proporciona. Até mesmo o fato das estações se alternarem e tudo ter essa dinâmica de mudança. Se não for assim, fica igual a ter que ouvir à força o disco da Roberta Miranda que só tem lados ruins! Eca!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Mãe natureza, pai clima


A mãe natureza aqui é linda! Cara estação tem sua beleza e seu charme. Só vendo mesmo para acreditar. E olhe que nem vimos ainda o outono, que dizer ser um festival de cores e tons de amarelo, laranja, vermelho, marron, entre outros. As folhas já começaram a cair!
Mas o papai clima é severo! Tudo que imaginarem de fenômeno climático tem aqui. Só que tem também outros que vocês não vão conseguir imaginar. Começa por uma coisa boba, mas que é diferente para quem vem do Ceará. Aqui chove! Dããã!! Claro, né! É, mas no Ceará agente passa bem sem o guarda chuva. Para os menos destemidos que vêm também do Ceará, às vezes quando chove tem trovão. Normal também, né?!?! E vemos na televisão os estragos dos raios nas árvores e até nas casas. Também esses raios provocam incendios no norte da província quando está seco. Normalmente a chuvinha é fraca e basta colocar um casaco. Eu vou e volto do trabalho na super bike e acho é bom porque diminui o calor na hora da subida da ladeira. Mas tem horas que chove de tal forma que quase não vemos nada quando dirigimos. E o aviso vermelhão da Météo Média de orage violent/tempestade violenta sempre me fazem ficar de orelhas em pé.
Saindo da matutice da caatinga, já viram nessa postagem que, embora mais raro, tem momemtos que tem vendaval, né? 74Km por hora dá para assanhar o cabelo. Embora não seja dos piores como os famosos que tem no golfo do México, tive notícias de tornados ou ciclones. Não entendo muito disso para saber diferenciá-los, mas agente vê na televisão alguns pequenos estragos que eles fazem.
Recompondo o cabelo, a temperatura aqui varia muito. Às vezes tão rápido quanto cair 24°C em apenas 14 horas como nessa postagem. No inverno a temperatura fica normalmente em um patamar de um pouco menos que -20°C e no verão, o calor vai até uns 25 a 28°C. Mas durante alguns dias,  frio piora para menos de -30°C e nas canicules/ondas de calor como a que contei aqui, chegou a 34°C e sensação térmica de 44°C. Vancouver não conta nessa porque lá tem temperaturas de Europa e é uma excessão no Canadá. Por isso que muitos vão para lá. Também tem cidades mais ao norte que têm um patamar de frio pior que as cidades mais badaladas, como por exemplo, Edmonton que chegou a -46,1°C com sensação térmica de -58,4°C nesse inverno passado. E o inverno é looooooongo!
Quando se fala em neve,  os ameríndios têm acho que 14 ou 16 palavras diferentes para descrevê-la. Vai desde a que parece chuva mas não molha, passando pela tradicional até a fina que combinada com o vento, faz a poudrerie/poeiral, que é um fenômeno que não tem em todo lugar do mundo onde neva. Mesmo restrito à região leste, a geografia causa uma diferença no volume de neve de forma que neva pouco em Toronto, médio em Montréal e Ottawa, e muito aqui em Québec. O inverno passado foi atipicamente fraco e tinha neve no meio da coxa fora das valas de entrada do nosso apartamento. Me disseram que no inverno retrasado, nevava sem parar e para cavar a neve, tinha que fazer força para jogá-la na montanha da altura de uma pessoa.
Para carinhosamente aterrorizar você, caro leitor, vamos sair da seção incômodo para a seção perigo! Que tal uma chuva de granizo? (granito é outra coisa!). São aquelas pedrinhas de gelo! Para quem conheçe o sul do Brasil, isso não é novidade. Mas não é tão comum assim e muito menos as que tem pedras grandes. Senão a galera não deixava o carro fora e a garagem cheia de tranqueira! (agora eu pareci paulista!). Mas tem! E no clima maluco de Calgary, caiu nesse verão como contado e apropriadamente registrado com fotos pelo Vitor no seu blog. Lá, no verão passado, nevou! E como viram nesta postagem, aqui teve um tremor de terra de magnitude 5 perto de Ottawa e que tremeu aqui, a 400Km de lá. Mas depois de somente um mês (curioso: 23/6 e o outro 23/7), teve outro de magnitude 4,1 entre Québec e Trois-Rivières que, por ser mais próximo, balançou mais o prédio onde eu trabalho. Disse a minha colega de trabalho: Outra vez! Que meleca!
E que tal sair de casa com capacete, joelheiras e cotoveleiras? Talvez também com um treco de prender em baixo das botas que tem umas travas metálicas. Para que?  Para não ver os pés mais altos que a cabeça em um escorregão caso aconteça uma pluie verglaçante/chuva congelante com a que contei aqui. Em uma condição particular, a água cai líquida e congela ao tocar nas superfícies, formando uma camada de gelo que às vezes é bem safada. Parece uma calçada molhada.
Não me interpretem mal. A intenção não é fazer com que todo mundo desista de vir para cá ou ficar detonando o Canadá como os insatisfeitos. Mas acho que tão importante quando conhecer os atrativos, é também saber o que tem de ruim para não se decepcionarem. Repito a frase que li em algum lugar e agora descobri que é do Bob Dylan: "Some people feel the rain. Others just get wet/Alguns sentem a chuva. Outros somente ficam molhados".

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

E as crianças? Como vão?


Para os pais que ficam angustiados com a adaptação dos filhos, vou contar agora como estão os nossos após seis meses de adaptação. Muito bem, obrigado! Claro que não vai ser regra geral e absoluta, mas foi como muitos me disseram: Esqueça a adaptação das crianças que você vai ficar surpreso de ver como é rápida. O problema somos nós adultos (véios!).
Primeiro que criança faz amizade muito facilmente e nem precisa falar. Uma chega para a outra, sorri e sai correndo. A outra responde com outro sorriso e sai correndo atrás! Pronto! Já começou uma amizade! O Davi então, muito cara de pau, conversa com todo mundo que passa em português que às vezes nem nós entendemos. Mas ele não está nem aí. O objetivo dele é que alguém fale algo de resposta e consegue. Também, a necessidade de comunicação das crianças é menos sofisticada que a nossa e só o contexto muitas vezes já diz tudo.
A parte que dá mais ansiedade é deixar a criança nos primeiros dias na escola, como eu escrevi nessa postagem. A Lara adorou a escola e não teve nada que a incomodasse, pelo contrário, ficou até ansiosa para chegar logo o dia no qual ela começaria a chegar um pouco antes e ficar um pouco depois da aula. Porém, ela teve uma recaida na timidez extrema que tinha e que foi magicamente corrigida pela escola Casa de Criança onde ela estudou enquanto estávamos no Brasil. Simplesmente ficou muda durante os três primeiros meses de escola. Antes de entrar na escola, ela passou mais um mês sem muito contato com o mundo exterior. Um pouco disso foi por causa do evento que contei nessa postagem.
Mas, como haviam me contado que acontecera com outra criança, depois desses três meses a mudez acabou. Depois das aulas, não tive mais um pingo de preocupação em relação à sua comunicação quando ela começou o camp de jour/colônia de férias.
Ela já está com a cabeça pensando tão naturalmente em francês que percebemos no português como quando ela diz: "O Davi é lá" (ao invés de dizer está aqui), "Eu vou ir", "depassar na fila", "mais grande", "isso faz mal" (isso dói), "isso é por (pour/para) brincar", dentre muitos outros exemplos.
E a pronúncia? Meu Deus! Bastam três vezes para um fonema novo já sair perfeito! E ainda me faz passar vergonha! "Papai, não é du (U igual ao do português) lait. É DU (com o fonema que mistura o U e o I) lait!", "shhh (je suis em francês québécois) prête! Você quer dizer prêt (pronuncia-se como pré sem o T)? Papai! Eu sou menina! É prête (pronuncia-se prét, com o T)!". Xi!!! Foi mal!!! Sem contar que ela conhece palavras que eu não conheço, e vice-versa. Assim, todo mundo é professor e aluno ao mesmo tempo. Ahh! E já aprende com sotaque daqui! Enfim: O vocabulário ainda não permite falar de forma tão sofisticada e ainda comete alguns errors, mas está falando muito bem. Principalmente para quem tem somente alguns poucos meses de contato com o idioma.
O Davi começou em uma garderie en milieu familiale/creche em meio familiar, que nada mais é que uma mulher de paciência budista que toma conta de até seis crianças em casa. Nada muito interessante para o Davi, já que os outros eram bebês. Para matar o tédio, ele desregulava o aquecimento do apartamento até ficar pegando fogo, destrancava e abria a porta, brincava de pular por cima do bebê deitado no chão (ai meu Deus!) e outras bêtises/besteiras ou bobeiras. Mas ele não gostava porque não tinha nada muito interessante para fazer.
Depois que ele foi para uma garderie grande e que tem estrutura de escola, uma CPE (Centre de la Petite Enfance), mudou tudo, inclusive a nossa dor no bolso! Pagávamos uns 500$/mês e agora só 150$/mês porque ela é subsidiada pelo governo. Nada como ter muita coisa interessante para brincar, com muitos coleguinhas para bater..., digo, brincar! Bom, ele não é o recordista de estrelinhas de bom comportamento na agenda, mas já melhorou muito. Tem dias que a professora começa a escrever assim: "Afff!!!!...". Mas ele está adorando e percebemos no dia a dia que agora ele também está aprendendo francês.
O carinha é uma figura! Muitas vezes quando ele aprende uma palavra em francês, ele substitui a do português e não a usa mais. É tão curioso que ele diz "sim" em português e sempre "non/não" em francês! E às vezes ele faz gozação com quem fala francês e responde com um blá, blu, blé, blô, ... -Davi, o que é que tu está dizendo? "Eu tô falando com ela", apontando para a simpática senhora que pergunta algo a ele. Legal é que outro dia ele disse: Go papa! Go é vai em inglês e papa é papai em francês, que é como ele me chama agora.
A adaptação tem sido quase que puramente ao idioma. As comidas são as mesmas, adicionadas gostosas novidades. Quando ao frio, as crianças sentem bem menos que os adultos e adoram a neve. Parece que a circulação sanguínea deles é mais eficiente. Sinto pela temperatura das mãos. Também, conversando com amigos, dá a impressão que eles adoecem menos aqui que no Brasil. O resto é só festa. Muitos parques, muitos brinquedos interessantes, muita área verde para correr, praia de rio ou de lagoa, piscinas públicas gratuitas, muita área para andar de bicicleta, etc. e ainda com segurança.

domingo, 28 de março de 2010

Chegou a primavera!




Desde o 20 de março entramos na primavera aqui do lado de cima da linha do Equador. Tivemos uma mudança abrupta no clima, que pode ser percebida nas fotos e no vídeo deste post. A paisagem ficou do jeito que eu gosto, bonitinha.
Vocês estão pensando que eu errei as fotos e o vídeo, não é? Pois não errei não! A neve tinha praticamente desaparecido e a grama reinava. Passou uns dois dias nevando e juntou acho que mais de 20cm de neve, embora a temperatura média estivesse nos agradáveis zero graus. Ficou tudo branquinho novamente. Depois da passagem desse "sistema" (jargão meteorológico), veio o sol! Aí sim, ficamos na primavera, não é? Nada! A temperatura caiu de +10 para -14 graus em apenas 14 horas. Isso mesmo! 24 graus em 14 horas! E a sensação térmica estava de -22 graus. Ou seja, de sensação, caiu 32 graus. Ficamos com frio de inverno, embora não seja o mais frio que faz no inverno. Um cara na rua que esperava o sinal de pedestres comigo comentou: "Frette comme l'hiver, uhh?/Frio como o inverno, não?" Frette é regionalismo daqui do Québec.
Eu quase saí do trabalho nesse dia para ir pegar a Lara na escola, porque o vento estava com rajadas de 60Km/h e com esse frio todo. Conversando com uma colega e mãe que tem filho na escola, ela disse que a escola não estava fechada, então não era caso de emergência. Confiamos e tratamos como normal. Eu fiquei de coração apertado, mas a Mônica disse que a Lara estava na boa, brincando no pátio (externo) da escola e o Davi parava para ficar tirando a neve de todo carro que ele passava perto. Pense numa figura! Ou seja, não estavam nem aí para o frio. Quem bom! Ainda bem que me preocupei a toa.
Hoje, uns 4 dias depois da queda de temperatura, voltamos aos 6 graus e a previsão agora é subir até 20 na próxima semana. Só que vai demorar um pouco para a grama ficar mais verde e as flores colorirem a cidade. Para não dizer que nada mudou, antes só se viam corvos no céu. Agora apareceram umas gaivotas brancas para contrastar.
O vídeo foi feito na nossa caminhada matinal até a escola da Lara. Dá uma noção melhor da vida daqui no inverno do que as fotos.
A propósito, subi os quase 100 degraus de l'escalier de la Pente-Douce/A Escada da Ladeira Suave (nome da rua. Pegadinha de falsos cognatos, né?) e andei mais 600 metros de subida até a nossa casa. Parece mentira, mas a -6 graus eu tive que tirar as luvas e abrir o casaco até o fim para não ficar suado do calor que fazia! Por outro lado, se ficarmos parado por muito tempo, dá frio de adormecer e doer nos pés e mãos. É mais outro fator do frio.



Neige de printemps

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Família reunida




Este comercial da Tim Hortons é muito parecido com o que aconteceu com a chegada na nossa família aqui, só que ainda não provei desse bendito café, típico daqui. Na verdade, eles fizeram este comercial porque essa é a mesma história de muitos imigrantes que chegam no Canadá.
Após muitas horas cansativas de viagem, chegaram todos bem. Ao contrário do meu landing/procedimento de imigração, o deles foi super tranquilo. Disseram que não seria necessária a presença da Alessandra no setor de imigração porque a super intérprete também fala português. A mulher é ninja! Mas mesmo assim, a Alessandra pode entrar lá e desenrolou tudo.
O Davi aprontou só o previsto mesmo, como ficar correndo no corredor (o nome já diz tudo!) no voo até São Paulo e deu umas escapadas rápidas nos aeroportos. No voo até Toronto, foram dormindo, o que é uma benção divina, já que é muito cansativo e monótono.
Já que voltei a fita, agora vou saltar para o primeiro contato com o frio. Considero assim porque para entrar e sair no super Corolla vermelho zerinho (alugado, gente!), não tem graça. Colocamos o kit de inverno made in Ceará do Davi e da Lara e fomos para as montanhas de neve da entrada do nosso apartamento. Dá neve na altura da coxa, sem exageros. Com menos de um minuto, o Davi já soltou um "frio papai!". Fiquei meio preocupado. A Lara disse que estava tudo bem. Fiquei espantado porque ela fechava janelas e portas em Fortaleza dizendo que estava com frio! E estava fazendo uns -4 graus aqui. Eis que o Davi teve a curiosidade de afundar até o joelho na neve e começar a cavar. Paixão à primeira vista. A Lara começou a fazer bolinhas de neve e também adorou.
Derrepente, a situação ficou ao contrário do que eu esperava. A friorenta da Lara não estava nem aí para o frio e brincava de escalar o Everest. E o Davi estava com as mãos, as pernas e os pés encharcados de água, porque só o que era impermeável era o casaco. Quando eu dizia para entrarmos porque estava frio, ele dizia: Fio não, papai! Fio não! Ele só saiu à força e chorando.
De fato, mais recentemente, com zero graus, eles sairam para a varanda e passaram alguns minutos só de roupa de casa e pantufas tirando a neve. Saí para ver como estava e vi que estava bem frio mesmo para ficar só de roupas comuns. Pra dentro todo mundo! E as pantufas estavam encharcadas de neve. Ou seja, a preocupação ficou ao contrário. A Mônica também não achou ruim, até porque está fazendo um climazinho bom nesse fim de inverno, e este está sendo mais quente que o normal. No próximo inverno estaremos melhor preparados e com carro. Além do mais, o frio vai chegar gradualmente e não com o choque que tive de vir no meio do inverno.
No dia seguinte, fomos aos shoppings vizinhos (Place Sainte-Foy, Place de la Cité e Place Laurier) comprar as roupas e botas para todos ficarem devidamente equipados. Com o kit, eles podem se divertir no parquinho cheio de brinquedos interessantes que tem aqui pertinho de casa.
No final de semana seguinte, fui mostrar Vieux-Québec à família e à prima turista. Não preciso dizer que acharam super interessante.
De comida, o Davi e eu estamos comendo desesperadamente. Nunca comi tanto na minha vida. Parece que o corpo pede calorias por causa do frio. Tem muito do que estávamos acostumados no Brasil, mas tem também novidades muito gostosas. Só a Lara que está vendo problemas nas comidas, mas já era assim no Brasil. Nada de novo, nada fora do esperado.
Enfim, a adaptação mesmo fica só por conta da comunicação. Eu já estou me sentindo mais à vontade para resolver problemas via telefone e já me expresso melhor no trabalho, mesmo que seja em inglês muitas vezes. Também não está como eu quero, mas tenho que ter paciência. Agora é a vez da Mônica passar pelo ritual enquanto não chega o curso de francisação.

La famille est arrivé

sábado, 30 de janeiro de 2010

Frente fria do Ceará


Frette

Chegou por essas bandas uma frente fria que veio do sul. Acho que veio do Ceará. A temperatura agora caiu... caiu não. Despencou. Vai passar uns dias assim, mas me disseram que não fica muito tempo nesse patamar.
A noite de anteontem para ontem teve muito vento e neve. Os monstrinhos (caminhões) de déneigement/remoção de neve passaram a noite e madrugada raspando a neve do asfalto para a lateral da pista e soltando sal e areia. O sal baixa o ponto de fusão da água e faz com que a neve da pista derreta. E a areia aumenta o atrito e diminui a patinação dos carros. É por isso que a neve e o gelo ficam marrons, dando um aspecto de sujeira.
Pois bem. A manhã de ontem foi diferente. Fui fazer uma tarefa doméstica que não fazia desde quando saí do Ceará: déneigement da escada de entrada e da varanda de trás do apartamento. A pá é imensa, mas a neve não pesa muito. Moleza! Fiquei com dúvidas em relação a onde derrubar aquela montanha de neve porque tinha uns carros perto das varandas. É porque sempre a relacionamos com a areia, que é o mais próximo que conhecemos. Mas quando a neve caia, o vento a espalhava muito. Matuto é matuto.
Fazia -16 graus com sensação térmica de -24 graus, mas como diz o leitor César: ... e a vida continua.
O porém é que como eu tinha feito algum esforço físico, meus pés suaram e ficaram frios.
Ao fim do trabalho, criei coragem e fui conhecer a Canadian Tire e comprar umas roupas nos 3 shoppings de Sainte-Foy que ficam a uns 200 metros de lá. A diferença para se viver com esse patamar de frio é que temos que turbinar o kit de inverno e/ou passar menos tempo na rua.
No meu caso, o máximo do kit de inverno foi o seguinte: Secar bem os pés e entupi-los de talco. Usar as meias de lã de esportes de inverno e as sintéticas por cima (lembrando: Algodão não!); Sous-vêtement/ceroulas por baixo da calça jeans, camiseta de mangas curtas são suficientes, suéter ou blusão grosso por cima e o super manteau/casaco como terceira camada; Gans/luvas de tecido (opcionais) com luvas grossas impermeáveis por cima; Cachecol no pescoço e gorro de malandro na cabeça (aqui todo mundo é malandro) com o capuz do super casaco, de preferência ajustado para ficar mais fechado.
Com esse aparato, pude enfrentar além do frio extremo, as rafales/rajadas de vento de 55Km/h. O magro véio aqui só não saiu voando porque tinha colocado umas pedras de calçamento na mochila!
A Canadian Tire, apesar do nome, tem de tudo. É imenso e tão variado que não vale nem a pena eu tentar descrever.
Dois quarteiõezinhos da parada até lá, depois dois quarteirõezinhos até o shopping, depois atravessar a boulevard (avenida que tem canteiro central) até a parada é tranquilo com este frio. Principalmente porque essa parada de volta para casa é uma das poucas que são aquecidas ;).
Hoje, amanheci com espírito aventureiro extremo. Nem me reconheço, pois era muito medroso para esse tipo de aventura. Hoje, apesar do "solzão" que apareceu, fazia -20 graus com sensação térmica de -34 graus!!! Pancada! Um dia perfeito para ficar deitado na caminha quente, não é? Mais meu lema agora é: Faça chuva congelante, faça sol polar, eu estou na rua. Resolvi ver os eletrodomésticos que um cara anunciou. Geladeira, fogão (os fogões daqui são elétricos e não a gás), lavadoura e secadoura por 800$ tudo. Somando os novos, daria uns 2500$ a 3000$. E no final das contas, estão pouco usados, em bom estado e o cara ainda vem deixar em casa! Evitou a dor de cabeça de eu ter que alugar uma caminhonete para dirigir pela primeira vez na neve, e conseguir gente para fazer musculação.
Pois bem, fui no Trajecto, a ferramenta da companhia de transportes daqui para ver o... trajeto! Anotei o esquema cujo percurso era mais simples e curto e quando vi o horário, faltavam só 6 minutos. Se não pegasse esse metrobus, o próximo me faria esperar muito mais que 11 minutos para pegar o seguinte. E como estava frio para burro (depois vão perceber que o burro era eu), sai às carreiras. Peguei o ônibus bem na hora e fiz a "conexão" na boa.
Até então, estava funcionando o lance de pedir para o motorista me indicar onde fica a parada certa. É assim que fazem aqui. Desci onde ele me disse e procurei a rua de referência. Nada. Nem para lá, nem para cá. Derrepente me vi sem saber onde estava, sem saber para onde tinha que ir, e a -34 graus. Sem panico! Pense! Eu conhecia a linha que voltava pelo mesmo caminho, logo, poderia desistir e voltar para casa. Não!!! Sou brasileiro e não desisto nunca! Teimooosso! Primeiro de tudo, entrei na loja de conveniência do posto para ver o que pudia fazer em um local aquecido. Lá, ninguém achava as ruas nem no mapa, nem na lista. Até que uma mulher que estava fazendo compras disse que ficava para lá, e que tinha que pegar o ônibus. Sabendo que ficava para frente, finalmente achei no GPS do celular enquanto esperava o ônibus. Até que percebi que essa linha não era muito badalada e que em um dia de sábado, poderia esperar algo como uma hora. Liguei para o cara para avisar do que tinha acontecido, já que aqui os atrasos são mal vistos e decidi ir andando. Andar esquenta e ficar parado esfria. Foi só uma caminhadazinha de uns 2Km no frio polar! Fiz uma parada em um restaurante para me aquecer, aproveitar o banheiro e tome rua novamente. Boa dica essa da parada para aquecimento. Cheguei na casona do cara e valeu a pena. Ele me deu carona de volta e ainda vai deixar os eletrodomésticos no meu apartamento.
Enfim: Dá para encarar o frio, reforçando o kit de inverno e passando pouco tempo na rua. Mas se quiser aproveitar o carnaval daqui por horas, tem kits mais potentes. Existe, por exemplo, uns saquinhos com areia térmica que quando abertos e chaqualhados, dão até 12 horas de aquecimentos dentro das luvas e botas. E existem outros materiais e roupas para para praticar esportes de inverno nessa temperatura e durante horas a fio.
Tá bom! Já escrevi demais para um post! Até.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Inverno ou inferno ?

Tenho muita coisa interessante para contar, mas acho que a prioridade para o nosso caro leitor, futuro imigrante é mesmo o inverno.
Não dá para dizer como vai ser com vocês porque é uma experiência extremamente pessoal, mas vou contar alguns aspectos para tentar lhes dar uma ideia.
Cheguei no meio do inverno, mas só peguei até -8º com sensação térmica de -15º. Vai esfriar mais de amanhã em diante e aí vou ver como fica.
O incômodo do frio é função basicamente de três fatores: Kit de inverno (roupas e acessórios), tempo de exposição e postura em relação ao frio.
Se tiver um kit apropriado, sente-se menos frio, senão, pode ser bem ruim. O meu casaco/manteau protege até a altura do nariz se eu fechar o ziper até o final. O capuz protege contra o vento de trás, mas não de frente. É um The North Face, que é uma marca boa e custou cerca de 200$ com os impostos (os preços daqui não incluem os impostos e concordo). Gostei muito dele porque tem vários recursos, ajustes e é duplo. São dois casacos, um dentro do outro. Se colocar com um suéter/pull por cima de uma camisa qualquer, não sinto frio no tórax.
Uso ceroulas/sous-vêtement por baixo de uma calça jeans ou de sarja. Também não sinto frio nas pernas.
As botas/botes são muito importantes. Comprei da Columbia por uns 100$. Tem 400gr de Thynsulate, que é um isolante térmico e impermeabilizante que deixa o pé "respirar" mas não molha as meias na neve. A indicação é para -43º, mas isso é bem relativo. Meu sapatenis cumpriu a função de chegar até o shopping, mas a neve em cima dele derreteu e molhou a meia, além de ser muito escorregadio para andar no gelo que fica nas calçadas. Não sentia frio nos pés também até começar a trabalhar. Isso porque no trabalho, faz uns 23º que é agradável, mas suo muito nos pés e nas mãos, logo, mesmo trocando de meia na volta, o pé suado fica frio.
Para as mãos, comprei luvas/gans grossas da Hotpaws. Não lembro exatamente, mas custou uns 30$. Ela esquenta bem, mas depois de muito tempo, passo a sentir um pouco de frio nas mãos. Talvez porque suo muito as mãos também.
Infelizmente o rosto fica mais exposto. Tem como cobrir o rosto com o cachecol, máscara de ladrão de banco, etc., mas nunca usei o cachecol para isso. Fica parecendo um ninja com o gorro. Só uso o cachecol e o gorro por prevenção, para não adoecer. O gorro cobre os ouvidos e também é baratinho. Estou usando um cachecol emprestado da Kanuk muito macio. Não sei quanto custa, mas vou tentar comprar dele. Acho que um cachecol normal custa uns 10$. No rosto, o nariz chega a ficar dormente e é normal ficarmos com coriza, já que as mucosas precisam de proteção.
Lembrando que não tenho nada de tecido adiposo, mas até agora não fiquei tremendo de frio. Com 0º, fui ao supermercado sem luvas, cachecol, gorro e de sapatenis. Mas as mãos chegavam geladas, claro.
Quanto ao tempo, atravessar a rua entre dois shoppings não precisaria de nada de frio. Só não faço isso parar não parecer um doido. Uma caminhada de seis quarteirões é tranquila para mim. É tanto que nas primeiras caminhadas entre a casa e as paradas de ônibus ou supermercado, achava sem graça e ia tirar foto das redondezas. Ao contrário dos metrobus que passam a cada 3 minutos, o que vai para o trabalho (que pego literalmente na porta de casa e desço a um quarteirão do trabalho) passa a cada 15 minutos. Ele é extremamente pontual. Ficar parado esfria mais que ficar andando, então 5 minutos parado me dá uma sensação de mais frio que 20 minutos andando (já andava rápido por costume). O vento faz muita diferença. Dá um tapa no rosto. Por isso as paradas são aquários de vidro e umas poucas são grandes e têm até aquecimento.
E o último fator é totalmente subjetivo. Tem gente que dá muita importância a desconfortos. Esses vão sofrer, porque é um prato cheio para reclamações. Já eu, estou tirando o inverno de letra porque sou masoquista. Estou com saudades das dores nos dentes do aparelho ortodontico que usava. Realmente para quem puder, é muito recomendável vir aqui no inverno para saber se vai tolerar passar a vida aqui ou não.
No mais, tem outros incômodos como o trabalho de tirar e colocar o kit todo. Eu me incomodo é com o calor que faz se não tirar o casaco e o suéter nos ambiente aquecidos. Os canadenses não ligam para isso, não sei como. Outro incômodo é patinar sem patins. Aqui em Québec, neva muito e às vezes, passo um quarteirão todo andando no gelo. Em alguns lugares e em algumas situações, fica uma camada de gelo sobre a calçada e escorrega muito mesmo. Estou falando de gelo mesmo como os cubos do congelador e não de neve. Ainda bem que andava de skate quando era adolescente. Me deu equilíbrio para passar por isso, mesmo nas ruas inclinadas.
No mais, nos shoppings, no trabalho e nos ônibus, faz uma temperatura boa. Em casa, para mim, 20º incomoda um pouco os pés e as mãos, mas 23º fica bom. Se o aquecimento for comum e não for regulável, parece que podemos usar aquecedores elétricos para complementar.
Moral da estória: Estou adorando chutar os montes de neve, todo dia eu saio, faça neve (bem comum), faça sol (muito pouco), e não conto o inverno como ponto negativo. Mas outros vão achar bem incômodo sim e podem colocar em cheque a decisão de morar aqui. Cada um é cada um.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Manual de roupas para frio - Parte zero


Esta postagem deveria ter sido escrita antes da parte 1, que se chama apenas Manual de roupas para o frio. Porém, só agora a aula original do Fernando Flitz Katayama foi resgatada da lista de discussão Canada Immigration Brasil. Minha parte foi a tradução de internetês, sem acento, com abreviações e erros, para o português. Também o registro aqui e a divulgação.
Segue a explicação original, com um complemento recente:



Evite algodão na primeira camada. Algodão retém água. Materiais sintéticos de evaporação rápida são mais eficientes. Trabalhe com o layer system, que nada mais é que camada sobre camada.

Base layer: O que fica em contato com a pele, deve ser de material sintético de evaporação rápida. É justo e deve ficar colado ao corpo. Cuidado para não comprar um com muito isolamento, você suará demais. Tudo depende da atividade que irá fazer.

Mid layer: É o material mais isolante. Evite novamente algodão, como moleton de algodão.

Top layer: É a última camada. À prova d'água e com bastante transpiração. Materias como Gore-tex. Esta camada protege contra água, neve e vento.

Para o pé: Pé é parte do corpo, funciona igualzinho.
Base layers: Meias e sapato à prova d'água. Gaste um pouco mais e pege um com Gore. Cuidado ao comprar sapatos com isolantes térmicos. Dependendo do que você vai fazer, suará tanto que seu pé ficara molhado. Meias como Smartwoll funcionam muito bem, ou Lans Marino. De novo, esqueça algodão !

Mantenha-se seco. Lembre-se: Quanto mais ar parado melhor. O corpo aquece o ar, que te mantém aquecido. Portanto, não deixe o ar sair. Uma boa touca. Tem muito sangue na cabeça. Mulheres e homens cabeludos: não saiam com o cabelo molhado. Congela e quebra.
Para mão: luvas. Pode-se fazer o mesmo sistema. Contudo, não é essencialmente necessário. Mas use uma boa luva. O frio queima tudo.
Para quem quer o casacão de pluma: Não deixe molhar. O segredo é colocar um bom base layer. Não se movimente muito. Alguém já viu pato com frio ficar correndo por ai ?! Não! Então não se mova.
Materias sintéticos estão substitundo as plumas, por menor volume e igual (similar) isolamento. Thermolite, Primaloft, fazem o muito bem serviço.
Não precisa comprar o super casacão, porque vai ficar no armário. Faça camadas que assim voçê tem melhor uso durante o ano todo, trocando as camadas conforme o necessário.
Pra quem tá chegando, sem o bolo de dinheiro, pega o que tem e improvisa. Dá certo.
Monte seu layer system Tabajara ! Compre um sapato, impermeável com solado preferencialmente Vibram ou similar.
E que mais? Vai passar um friozinho até aprender !!!

Lojas em Toronto:
- Eddy Bouer;
- Boat House;
- Sportchek/Coast Mountain;
- MCC;
- Eurobound;
- Sportinglife.


Sobre base layers: Tem que ser justo. Se você for tamanho M, compre M. Eles são feitos justos. Mas cuidado com o que vai fazer. Se vai de casa pra estacão/ponto, depois trabalho, não precisa.
Lembre-se que o que está por baixo da roupa e não é facil de tirar. Overheat é coisa perigosa.
Se for pra usar só para esportes, compre os que te mantém seco. Se for pra fazer coisa que não faça muito movimento, pegue o que te mantém mais aquecido.
Procure, 100% lã, como Smartwool (são caras, de ótima qualidade), ou misturados, mas 75% lã ( Helly Hanson, Arcteryx).


Este post também dá dicas de inverno muito interessantes e valiosas.

sábado, 25 de abril de 2009

Manual de roupas para frio


Ver primeiro Manual de roupas para o frio - Parte zero

Quem sou eu, pobre coitado, para falar sobre roupas de frio ! Moro em um estado que tem quatro estações: Chuvas (que chamam errôneamente de inverno), calor, seca e estiagem. Calma leitor ! Não vá embora ainda.
Existem bom posts de quem já está lá como esse, esse e também a opinião discutida em grupo.
Quem acompanha a lista de discussão Canadá Immigration Brasil deve ter visto uma thread sobre o que vestir para aguentar o frio abaixo de -30º. Como é um assunto recorrente, resolvi registrar aqui para os demais como guia de sobrevivência no gelo. Lá vai:

----- Alexei -----
Um amigo meu que está em Edmonton disse que até -10º, a roupa aquece o suficiente. Porém, abaixo isso, só o tórax fica quente. As pernas, braços e cabeça ficam frios. Já vi em algum lugar que é apenas questão de comprar a roupa certa. E aí ? Dá para encarar um passeio a -33º se tiver com uma roupa apropriada ou não tem jeito ?

----- Leo -----
Dica: uma "manota" que muito estrangeiro desacostumado com frio extremo dá é o de comprar roupas de skiing (especialmente calças) achando que é roupa de inverno e sair passeando pela cidade. Na verdade, obviamente, depende de cada um pois as roupas de skiing funcionam e vc pode passear a -33 (se o vento não te levar!) sem problema, mas prepare-se para risinhos dos nativos qdo entrar em algum estabelecimento durante seu passeio.

** detalhe: em ambientes fechados, as pernas raspam quando vc anda e fazem um barulho ridículo! hehe

----- Luis Felipe -----
Cara, a -33 vc nao vai querer passear. So vai sair de casa pra fazer o que precisa. -33 doi ate a espinha de tanto frio. Nao pode deixar nada do corpo exposto que doi e congela. O vento é cortante.

Agora, se vc tem vocacao pra esquimo, dai é com vc.

----- Marina Garcia -----
Dica de quem vive em NY. Compre um par de UGG boots.Se a temperatura tiver ate -15 nao precisa usar ceroula, um casaco bem pesado e comprido (compre da north face ou columbia) com botas de cano longo sao suficientes. Alem do gorro compre um protetor d orelhas pro vento nao entrar por baixo (E entra).cachecol, de lã, de cashemere...

E o mais importante..
Nao compre no Brasil pq os precos sao exorbitantes. Tenho amigas morando no Canada q vem pra NY comprar roupas. Entao minha ultima recomendacao eh q quem puder, faca uma escala em NY e va ao woodbury commons premium outlets pra comprar suas roupas de frio. Eu posso ajudar com todas as infos pra quem vem pra ny. Aconselho tambem o ebay

----- Johelma -----
Alexei:

-10 celsius já é bastante frio e a pessoa só deve sair de casa com roupas apropriadas como listo a seguir:

1) meias térmicas
2) botas para neve
3) ceroulas (importantíssimo)
4) casaco para frio intenso de várias camadas e um capuz que cubra toda a cabeça inclusive a boca.
5) luvas para frio intenso (Thinsulate)
6) Gorro para a cabeça (importantíssimo)

Outra coisa importante é nao deixar o corpo esfriar. Já saia de casa vestido da maneira listada acima e com tudo fechado, assim o corpo nao esfria. Com esse paramento todo você poderá circular na rua com -30 celsius sem problema. Quando entrar num lugar aquecido simplesmente vá abrindo tudo e tirando os items pequenos (luvas, gorro, etc.)

-- Luiz -----
Alguma ideia do custo disso tudo ?

----- Johelma -----
Luiz'

Preços meio chutados para roupa de homem em $ canadense:

1) meias térmicas - $5.00 o par
2) botas para neve - no mínimo $50.00 o par
3) ceroulas (importantíssimo) - $10.00
4) casaco para frio intenso de várias camadas e um capuz que cubra toda a cabeça inclusive a boca. - no mínimo $200.00
5) luvas para frio intenso (Thinsulate) - $20.00
6) Gorro para a cabeça (importantíssimo) - 10.00

---- Fritz -----
ja dei um monte de infos aqui na lista sobre o que comprar e como comprar.
ta em algum lugar por ai.
eu perdi e nao to afim de reescrever tuuuuuudoooo... se um bom samaritano procurar e encontrar, por favor post ai de novo.

comprar nos US, sempre vale a pena.
o preco de agluns casacos caem para 50%.

para completar o que a johelma colocou:

1) meias $29.00 smartwool
2) botas com isolante termico e solas vibram: minimo $150
3) ceroulas - base layer, se voce quiser cozinhar: hally hason / under harmor minimo $50 ( para esportes compre de menor densidade)
4) jackets: depende do sistema que ta usando: $250 a 1000
5) luvas de $40 a 150
6) toca arcteryx / north face de $ 25 a 40

----- Marcus -----
Eu, minha esposa e minhas filhas passamos o ano novo debaixo de -22, com sensacao de -30, entre 21:00 e 01:00, ao ar livre. assistindo a um show c/ fogos a meia-noite...

Tudo depende de como voce esta vestido e como encara o frio...

Eu nao deixo de sair por causa de temperatura... Mas cada um é cada um...

----- Johelma -----
Com a roupa apropriada a pessoa pode ficar ao ar livre com qualquer temperatura.

----- Denise -----
Nossa, o manual do Flitz é tipo para sobreviver ao ar livre no Polo Norte... Eu achei um pouco complexo, mas bem interessantes as dicas. eu só discordo porque odeio material sintético junto ao corpo, não absorve o suor e esquenta muito.

Cada um tem seus gostos e manias no inverno, e o imigrante aos poucos vai se adaptando e descobrindo suas preferências.

O básico mesmo é uma boa bota, um bom casaco, gorro, luva, ceroula e, se quiser, cachecol. Assim dá para encarar qualquer temperatura, mas o problema é a cara descoberta quando faz menos que -20.

É bom que o casaco tenha capuz que fecha na frente para não voar com o vento, e bolsos laterais quentes e fundos para as mãos. Tem gente que usa casaco sem capuz, mas, pelo menos no começo, eu não aconselho, porque é o capuz que corta o vento. Eu gosto do casaco um pouco comprido, para aquecer a parte de cima das pernas. Realmente com um casaco bem comprido acho que dá até para dispensar a ceroula. Eu não dispenso, porque aquece bem as pernas, mas vai de cada um. As ceroulas (êta nome feio) aqui são bem práticas, tipo calça de cotton lycra, fininha, mas bem quentinha, não é aquela coisa horrorosa que vem à mente quando pensamos em ceroulas. Dá pra comprar no Wal Mart, Zellers, Aubanerie (no Quebec), custa uns 10$.

Gorro é importante para aquecer as orelhas e a cabeça, porque o capuz do casaco não aquece muito, só mais protege do vento, etc.

A maioria das pessoas não usa luvas grossas, deixa as mãos no bolso quentinho do casaco. Eu só uso luvas de lã daquelas que esticam, fininhas, de 1 dólar, porque não incomoda e são práticas... Mas tem luvas de couro forradas (muita gente usa nos dias frios), e aquelas luvas de ski super quentes. Eu gosto de luvas fininhas para não ter que tirar a luva na hora de pegar o cartão do ônibus ou a chave. Agora que empurro carrinho de bebê, já peguei - 15 e pensei em reconsiderar a minha opção de luvas, mas agora está esquentando, continuo com as luvas fininhas.

Cachecol para a maioria das pessoas é importante. Nos dias muito frios, muita gente cobre metade da cara para se proteger. eu não uso cachecol, porque me sinto enforcada. Já tentei tapar a cara nos dias frios, mas a respiração faz com que o cachecol fique úmido, forma até um gelinho. Eu não curto aquele negócio gelado na cara, mas acho que muita gente prefere aquele cachecol molhado e gelado que o vento. Vai de gosto. Minha opção é escolher um casaco com um bom capuz, que fecha no queixo.

E as botas são importantes. Não precisa exagerar. qualquer bota de inverno normal serve. Atenção que nem todas vêm impermeabilizadas, e às vezes é preciso passar um spray impermeabilizante que vendem nas lojas de sapato. como é que couro pode ser permeável eu não entendo, mas, whatever...

Eu uso meia normal embaixo da bota, tem gente que usa meias mais quentes, diz que tem meia térmica. Sei lá. Vai de gosto.

Não precisa comprar casaco e botas caros para serem bons, é só observar as características dos casacos ou botas na hora de escolher. Meu primeiro casaco custou 60$ e era ótimo, durou 2 invernos. Há excelentes casacos na faixa de até 200$.

Mas se vestir no inverno vai muito de gosto pessoal, hábitos, e também até do corpo da pessoa e sua resistência ao frio. O problema é que o imigrante recém chegado ainda não teve tempo de se acostumar, então dicas de quem está acostumado com o inverno são válidas. Depois dá para sair contando que anda na neve de All Star (eu já vi um monte de gente com All Star no inverno, não sei como). Mas, enfim, no começo é bom se proteger bem.

Acabei escrevendo mais do que tinha planejado...

Mas, enfim, não tem segredo se vestir no inverno, é só comprar as roupas certas, aqui no Canadá.

----- Fritz -----

entao voce entendeu porque o material que nao absorve suor...

porque se absorver, como o algodao, voce gela!esquenta, e é isso que voce quer, caso queira ficar quente.
nao é complexo. é tecnico.
usa quem quer.