Essa é mais uma daquelas postagens com um vídeo turístico de Québec que nos deixa maravilhados. Mesmo eu que moro aqui há mais de três anos e conheço tudo o que é mostrado no vídeo, ainda fico de queixo caido com tanta beleza.
Dessa vez, é um vídeo criado com uma técnica chamada timelapse ou hyperlapse que consiste em tirar fotos com intervalo regulado por um temporizador e passado por um processo de transformação em vídeo. A magia desse vídeo é que pode-se ver fenômenos que são muito lentos para serem percebidos em algo mais dinâmico. Também, isso permite captar melhor a luz ambiente tornando as imagens noturnas mais vivas.
Com vocês, Nocte lumen! (provavelmente, luz noturna)
Québec | NOCTE LUMEN | Hyperlapse from DFDesign on Vimeo.
A saga de uma família de retirantes cearenses, comedores de rapadura,
rumo à terra onde a Cana dá.
Fortaleza -> Ceará -> Brasil -> Canadá -> Quebéc -> Québec
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
domingo, 30 de setembro de 2012
Separa-tismo
Poi Zé. Essa história de separatismo estava meio de lado até o Parti Québécois voltar ao poder, partido este que foi fundado pela fusão dos principais movimentos separatistas québécois em 1968. Agora o assunto voltou à tona e enquanto agrada uns, incomoda vários outros.
Tudo começou no começo, claro! A colonização da América do Norte não hispânica começou aqui em Québec pelos franceses, que foi chamada de Nouvelle France/Nova França. Posteriormente, os ingleses dominaram os franceses depois de anos de guerras.
Para dar o tom de quão sério o assunto já chegou a ser, em 1970, o Front de Libération du Québec/Frente de liberação do Québec sequestrou e matou o ministro provincial Pierre Laporte no evento chamado Crise de outubro, que colocou o exército nas ruas de Montréal.
Fizeram um referendum em 1979 e perderam para os federalistas que tiveram cerca de 59% dos votos. Já em 1995, o segundo referendo foi mais tenso. Dessa vez, os separatistas perderam por apenas 1%.
Reza a lenda que houve um êxodo de empresas de Montréal preocupadas com a possibilidade de separação. Reza outra lenda também que o aeroporto Mirabel, o segundo de Montréal, já tinha terras desapropriadas para ser transformado no grande concentrador do país, mas o governo federal mudou para Toronto, bem como outros investimentos para "cortar as asas" do Québec e deixá-lo mais dependente. Quando digo que reza a lenda é porque eu li ou ouvi, mas não tenho nem certeza, nem a fonte.
A volta do PQ ao poder reacende as discussões e receios associados à essa tensão social histórica. Um simples simbolismo usado por esse partido na cerimônia de tomada de posse, que foi a remoção da bandeira do Canadá da sala do parlamento onde foi realizada já causou muita crítica.
Outra bandeira do PQ (juro que o jogo de palavras foi sem querer) é a defesa da língua francesa, que pretendo detalhar melhor em outra postagem. Eles pretendem reforçar a lei 101 que define que o francês é o idioma oficial que deve ser usado no estado, no ensino, trabalho, comércio, negócios, etc. Isso é mais um motivo de insegurança em um grupo social particular, que são os québécois anglófonos. Digo particular porque são uma minoria em uma província francófona de 8 milhões de habitantes, dentro de um país majoritariamente anglófono de 34 milhões de habitantes somados aos 314 milhões de vizinhos estadunidenses. São a minoria da minoria.
Sim, mas quer dizer que o Québec agora vai virar um país independente? Acho difícil. Na minha humilde opinião, o PQ vai preparar terreno para fazer outro referendo se e quando achar que tem chances. Se isso acontecer, acho difícil mas pode ser que consigam mais de 50%. A maioria já viu o prejuízo econômico que isso causaria e não simpatizam com a ideia. Vale ressaltar que o Québec recebe uma boa grana do governo federal, seu perfil de endividamento é comparável ao de países problemáticos da Europa e teria novas despesas a arcar depois de ter sua autonomia.
Mas se der maioria do "sim" no referendo, o Québec se separa, né? Não é assim tão fácil. Eles iriam negociar junto ao governo federal que obviamente não quer perder a província de maior extensão territorial, um quarto da já reduzida população do país, recursos naturais, uma via de transporte fluvial estratégica e ainda de cara deixar as províncias do Atlântico separadas do resto do país com outro país no meio. Também, 51% não é nada expressivo para uma decisão tão drástica. Para ter representatividade, teria que ser a opinião de uns 75% dos québécois a meu ver.
O que me incomoda não é a separação, mas a perturbação que o PQ vai causar na tentativa disso. Por exemplo, já vejo mais discussões enérgicas entre anglófonos e québécois nos comentários de notícias. Os analistas dizem que provavelmente a Pauline Marois vai fazer uma série de exigências de mais autonomia ao governo federal que, obviamente, vai negar. Essa negação deverá ser usada como combustível para inflamar o sentimento de necessidade de soberania.
No mais, estimam que o seu governo minoritário não dure muito porque os partidos de oposição vão se preparar e quando tiverem alguma boa oportunidade, vão pedir novas eleições e pode ser que o PQ caia novamente.
Mas se mesmo assim tudo acontecer fora do que eu prevejo e o Québec se tornar um país independente, eu tenho uma solução: imigrar para o Canadá!!! Já fizemos isso uma vez e possivelmente poderiamos fazer novamente!
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Eleições, queda, separatismo e atentado
Fiuuu!!! Deixem-me pegar ar para começar. Mas por onde eu começo sem escrever uma postagem longa como um livro? Bom, lá vai. Era uma vez...Ontem foram as eleições provinciais do Québec. Elas são convocadas quando o primeiro ministro achar mais conveniente...para ele! Tem um prazo máximo, claro. Ainda não somos cidadãos canadenses e por isso não pudemos votar ainda (2014 vem aí!). Os québécois tinham basicamente três escolhas expressivas:
PLQ (Parti Libéral du Québec). É o partido do Jean Charest, que era o primeiro ministro há 9 anos. Eles estão atolados até os chifres em escândalos de corrupção, defendem os interesses dos grandes grupos econômicos, não se importam em devastar os recursos naturais se isso se traduzir em dólares (vide Plan Nord) e são federalistas (Canadá).
PQ (Parti Québécois). Liderado pela Pauline Marois, prega o nacionalismo (o orgulho da nação québécoise), a defesa do francês (reforçar a lei 101) e o polêmico souverainisme/separatismo.
CAQ (Coalition Avenir Québec). Fundado também pelo seu principal representante, François Legault, fundiu-se com o ADQ (Action Démocratique du Québec) e tem apenas uns 10 meses de vida. Apesar de ter umas propostas interessantes, mas com implementações esquisitas, impraticáveis e sem fundamento, seria ainda assim a minha escolha por não ter nem a corrupção do PLQ, nem o radicalismo e o perigoso separatismo do PQ.
Aqui o voto não é obrigatório, mas mesmo assim, cerca de 75% dos eleitores foram às urnas para decidir o rumo de suas vidas. Encerrada a votação às 20h00, começou imediatamente a apuração que já contava com alguns votos antecipados, já que é possível votar em alguns dias antes. As eleições são indiretas, logo, vemos em tempo real na televisão e no site a quantidade de certos ou prováveis deputados eleitos de cada partido. O partido que tiver mais deputados escolhe o seu primeiro ministro, que já é conhecido antes mesmo da curta campanha eleitoral de um mês.
A previsão era de vitória fácil do PQ, mas a tensa apuração mostrava um empate técnico entre o PLQ e o PQ. Uma hora um estava na frente, outra hora era o outro partido. Eu já estava roendo as unhas dos pés. Lentamente, a tendência se definia e acho que por volta de 22h00 eles anunciaram que não tinha mais como reverter a situação. O PQ de Pauline Marois havia ganho as eleições com um governo minoritário. Isso quer dizer que eles não obtiveram mais da metade da quantidade de deputados, mesmo se contarmos com o quarto partido que o apoia.
O texto ainda não está tão longo, né? Pois continuando...
Um pouco antes de meia-noite, eis que começa a confusão. Dois agentes de segurança pegaram a Pauline pelos braços e a levam apressadamente para fora do palco. A platéia não entendeu nada porque não sabia, mas um homem armado de um rifle e uma pistola fez ao menos dois disparos, matando uma pessoa e ferindo gravemente outra dentro do Métropolis, que era onde a Pauline estava fazendo seu discurso de vitória. Na saída, este usou algum artefato para atear fogo na parte de trás do prédio, sendo preso logo depois pela polícia. Enquanto era levado para dentro do carro, o québécois anglófono disse em francês "Les Anglais se réveillent!/Os ingleses estão se acordando!", "C'est la vengeance!/É a vingança!".
Ainda não se sabe ao certo se esse cara pretendia realmente matar a Pauline ou se tem problemas mentais, dentre outros detalhes. Mas acredita-se que foi um fato isolado que não representa a real situação da população.
Já que o CAQ era novo demais para ganhar, acabei preferindo esse resultado. O corrupto e arrogante Charest saiu do poder de forma vergonhosa. Além de seu partido ficar como segundo, este nem se reelegeu como deputado e resolveu abandonar a carreira política. A minha interpretação do resultado foi que os eleitores estavam entre rejeitar a corrupção ou o separatismo. No final das contas, dando um mandato minoritário ao PQ, ficamos com um bom compromisso entre os dois problemas. Falta agora eu falar do separatismo e da lei 101 em outras postagens.
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domingo, 29 de julho de 2012
Conhecendo o Québec pela arte
Também ainda não havia contado que gosto de fotografia. Não sou lá um artista, mas estou procurando aprender. Nesse aprendizado, acabei topando por acaso com material de excelentes fotógrafos québécois.
A fotografia, ainda que bem amadora, começou como hobby para mim quando cheguei aqui e queria registrar tudo para o blog e para posterioridade. Não precisei gastar muita massa cinzenta para perceber que seria interessante deixar que os profissionais mostrassem a vida aqui de Québec, do Québec, do Canadá e da América do Norte a vocês leitores.
Não são fotos de blogueiros, claro. Mas dá para conhecer a beleza da natureza daqui em cada estação, a arquitetura, o lazer, os esportes, as fisionomias das pessoas, na seção de espetáculo do Michel, podemos ver que tem muito metaleiro aqui em Québec, as atrações turísticas, e muito mais para quem gosta de "respirar" a vida à distância.
Quem sabe um dia eu chego lá.
http://michelemond.com
http://www.mathieudupuis.com
sábado, 7 de abril de 2012
Ville de Québec
Há séculos... bom, na verdade há alguns anos, eu e outros temos repetido a mesma ladainha em relação ao nome da cidade. Como por esses dias a frequência tem se acentuado, resolvi escrever aqui para poder reaproveitar a explicação e fazer o velho copiar e colar. A questão é que muitos brasileiros chamam a cidade de Ville de Québec, mas também toscamente de Ville DU Québec, Québec Ville, Ville Québec, Vila do Québec, Cidade do Québec, Cidade de Québec, e por aí vai.
A cidade se chama simplesmente Québec. Não dá confusão com a província porque o artigo faz a distinção. Então, quando falando da cidade, dizemos:
Québec é uma cidade bonita; Moro em Québec; Vou a Québec; Venho de Québec.
Já em relação à província, dizemos:
O Québec é uma província bonita; Moro no Québec; Vou ao Québec; Venho do Québec.
É análogo a dizer que Fortaleza é capital do Ceará, por exemplo.
Ville de Québec é usado para se referir aos órgãos municipais, da mesma forma que Ville de Montréal, Ville de Gatineau, etc. Quando alguém se refere à prefeitura, usam o termo ville e a sede da prefeitura é o Hôtel de ville. Eis uma página da Ville de Montréal para ilustrar o exemplo:
http://ville.montreal.qc.ca/portal/page?_pageid=5798,86299744&_dad=portal&_schema=PORTAL
Outro é o Service de police de la Ville de Montréal:
http://www.spvm.qc.ca/fr/
Perguntei ao meu chefe se por alguma razão histórica ou seja lá qual for, se justificaria chamar a cidade de Ville de Québec ao invés de simplesmente Québec. Ele me respondeu que a chamam de Ville de Québec, as pessoas cujos idiomas nativos não suportam a distinção entre a cidade e a prefeitura usando o artigo como se faz em francês como, por exemplo, o inglês (que usa Quebec e Quebec city).
Para terminar, um vídeo que mostra a cidade com várias pessoas, inclusive o prefeito bradando: Ça c'est Québec.
http://www.youtube.com/watch?v=7XXnD8Ftae8
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Turismo em Québec
De tempos em tempos, alguém vem para cá para conhecer a cidade e nos pergunta quais são os lugares mais interessantes. Resolvi fazer uma lista de sugestões com uma breve descrição para que a própria pessoa faça suas escolhas, de acordo com o gosto, a estação do ano e o clima mais apropriado (atividades internas e externas).
Vieux-Québec
Essa é obrigatória. É a parte mais antiga da cidade, que foi a primeira colônia da América do Norte não hispânica. É cercada por uma imensa muralha e conserva um ar antigo que lembra a Europa (apesar de eu nunca ter pisado para lá para comparar). Na parte alta tem o Chateau Frontenac, cartão postal da cidade, com uma linda vista para o rio São Lourenço. Na parte baixa tem uma pintura enorme em uma parede que é muito interessante, além de várias outras coisas que vale a pena ver.Sejam benvindos à máquina do tempo
Travessia do rio São Lourenço/Lévis/Boulevard Champlain
Se estiverem de carro, uma boa pedida é atravessar o rio São Lourenço de Traversier/Ferry Boat/Balsa, dar uma volta por Lévis (a cidade que fica no outro lado do rio) vendo as bonitas casas que ficam às margens do rio, e voltar por uma das duas pontes imensas que liga as duas cidades. Chegando de volta a Québec, usualmente passo por baixo das pontes pegando a boulevard Champlain e dou uma parada para mostrar uma torre de madeira em um pier que invade o rio. Depois, sigo a boulevard Champlain.Citadelle
Foi a mais importante fortificação britânica construida na Amérida do Norte. É o ponto natural mais alto e fica em Vieux-Québec.Observatório
É um prédio alto de onde dá para ter uma boa visão da cidade e identificar alguns pontos turísticos.Plaines D'abraham
É uma área imensa, com muitos kilômetros de extensão. Tem muitas áreas verdes, uma visão do rio São Lourenço, o Musée de Beaux Arts e próximo deste, tem um playground para as crianças, uma pista de patinação que vira pista de ski de fond no inverno. As pessoas também vão para lá para jogar futebol, freesbie, ou simplesmente ler debaixo das árvores ou se bronzear aproveitando o sol de verão. Um ótima pedida para um pique-nique para aproveitar a natureza, inclusive já tem os conjuntos de mesas com bancos.Museu da Civilização/ Museu de belas artes
Dois dos museus da cidade.Hotel de glace/Hotel de gelo
No inverno, é uma atração curiosa ver esse hotel que tem dezenas de quartos e é todo feito de gelo. A iluminação colorida dá um toque artístico, tem bar, uma capela e um tobogã de gelo.Village Vacances Valcartier
É o maior parque de inverno da América do Norte, com vários tipos de tobogãs de neve diferentes, dos mais suaves aos mais radicais. Tem centenas de câmeras de ar e cabos de aço com ganchos para nos puxar para os altos dos tobogãs.Aquarium
É uma espécide de zoológico de animais marinhos, com muitos peixes, répteis, anfíbios, morsas, focas, ursos polares, e outros.Plage Baie de Beauport
Praia de rio com playground e jatos d'água para as crianças, bem como restaurante e esportes aquáticos.Vamos a la playa?
Plage Jacques Cartier
Praia de rio nativa, mas com banheiros, bebedouros e mesas para pique-nique.Chute Montmorrency
Queda d'água natural enorme, interessante em qualquer estação do ano. Recomendo estacionar em cima, descer pelas escadas e pagar o teleférico somente para subir.Projeção no moinho
Durante o verão, existem seções de exibição de vídeos na imensa superfície dos silos do moínho, no porto. Atualmente a projeção está sendo feita em 3D.Festival d'Été
Como o próprio nome diz, esse festival acontece no verão. São 11 dias de dezenas de atrações musicais e outros divertimentos em vários pontos da cidade. Tive o privilégio de assistir Rush, Iron Mainden, Dream Theater, Elton John, Metallica e John Fogerty pagando apenas o laisse-passez.Red Bull Crashed Ice
Québec todo ano sedia a final da competição de descida em velocidade com obstáculos sobre o gelo. É a Meca desse tipo de competição, com as pistas mais longas, rápidas e emocionantes. Ocorre por volta de março.Jogo de hockey do Remparts no Colisée Pepsi
Como vocês sabem, o hockey aqui no Canadá é o esporte nacional como o futebol é no Brasil. É um ambiente fechado e aquecido que tem desde bebês de colo até idosos. Durante o dinâmico jogo, tem as músicas de incentivo, festa nos gols e nos intervalos do jogo tem sorteios, brincadeiras, jogo das crianças, etc. Tem jogo excluindo quase somente o verão.Patinação
Existem muitas pistas gratuitas interessantes para a prática da patinação. Quem quiser experimentar, normalmente tem patins de aluguel. A pista da Place d'Youville é a aberta que começa mais cedo e termina mais tarde porque tem refrigeração artificial. A do rio Saint-Charles é comprida e ao longo do rio. A do Anneau Gaétan-Boucher é uma pista de dimensões olímpicas com 400 metros de perímetro por 12 metros de largura. No Galeries de la Capitale tem uma pista de hockey grande em ambiente fechado, que garante a diversão praticamente o ano todo.Vamos patinar?
Sky e snowboard
Sendo a cidade onde mais cai neve dentre as principais do Canadá, esses esportes são bem praticados aqui. Só conheço o Relais du Lac Beauport, que fica a 14Km daqui de casa, mas existem também o Stoneham a 23Km e o Mont Saint-Anne, a 47Km.Carnaval
O carnaval daqui é bem familiar, com atividades divertidas, tobogãs, esculturas de gelo, apresentações, etc. Existe também o desfile que passa por 3 roteiros na cidade.É carnaval
Île d'Orleans
Uma ilha bonita que fica no limite da cidade e que tem um ar bucólico. Na época da colheta das maçãs, as pessoas fazem um programa de pagar uma pequena quantia para colherem quantas maçãs quiserem nos pomares.E muito mais. Não dá para listar tudo aqui, mas isso é um bom ponto de partida para ideias.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Pega o ladrão!
É meus colegas. O "cerumanu" é um bicho esquisito. Nem mesmo aqui na pequena, pacata e segura Québec, não estamos livres dos ladrões. E ainda mais em um bairro mais afastado e tido como ainda mais tranquilo!
Estava eu tranquilamente em casa, quando por volta de umas 21h20 ouvi um estouro e um alarme de carro soando. Meu instinto aranha começou a zumbir e aquela cena me pareceu muito familiar. Mas como meu cérebro já passou um ano e meio sem nem um minutinho de estado de alerta, ignorei. Ouvia vozes falando mais alto que o normal e o instinto aranha buzinando direto. Ahh! Não é nada. Até que não aguentei e abri a porta para ver o que era.
Eis que vejo no estacionamento do parque que fica na esquina, um cara imobilizando outro no chão dizendo: Calme-toi! Calme-toi! Tranquille! Sinon je pète ta gueule!/Se acalme! Se acalme! Fique quietinho! Senão eu papoco teu focinho! Pensei que fosse briga, mas depois lembrei do carro. Daí, fui saber o que era que estava acontecendo.
Um menor não tão menor assim passou por uma caminhonete cabine dupla que estava lotada até o teto de objetos no banco de trás, em um cantinho escuro e escondido de um circulador pequeno. Ele não viu ninguém por perto e escolheu o carro como vítima. O estouro que eu ouvi foi um golpe de machado. Isso mesmo! Um machado pequeno no vidro lateral traseiro. O alarme disparou. Acho que ele não esperava isso e correu assustado. No estacionamento do parque ao lado, tinha um cara que devia ter lá seus vinte e poucos anos e resolveu dar uma de herói. Apesar do machado na não, o Bruce lee correu atrás dele, deu um chute na canela e derrubou o ladrão amador. Caido no chão, ele aplicou algum golpe para imobilizá-lo enquanto as pessoas que chegavam chamaram a polícia.
O Bruce Lee perguntava seu nome e quem eram seus pais para ele ligar e contar o que aconteceu, mas esse não falava nada. Dois carros da polícia chegaram entre 5 e 10 minutos depois da ligação, e olhe que moramos mais afastado do centro! Chegando lá, os policiais pegaram a versão do dono do carro, do Bruce Lee e do meliante. Isso foi suficiente para revistarem, algemarem e retirarem tudo dos bolsos e inspecionarem minunciosamente. Trancado dentro do carro, começaram a pegar depoimento das testemunhas. O dono do carro teve que preencher uma ficha de ocorrência no local enquanto que o outro carro da polícia foi para a delegacia.
Apesar de ser um caso isolado, que foi uma tentativa de furto e não de roubo (não tinha ninguém no carro), que o ladrão foi pego, etc, etc, etc. É decepcionante para mim. Eu sei que nenhum lugar da terra está livre disso (quem sabe no Polo Norte?). Mas não esperava ver isso tão perto da nossa casa. Ser humano é ser humano no mundo todo, com suas qualidades e seus defeitos. O que muda são as proporções.
domingo, 19 de junho de 2011
Moi, je zap!
Uma dica que não vai restaurar a camada de ozônio nem combater a extinção do mico leão dourado (ou micro leão, como um amigo meu achava que se chamava), mas já me foi útil algumas vezes. É o Zap, um organismo sem fins lucrativos sustentado por voluntários que coordena a integração das infra-estruturas de Internet sem fio de instituições e comércios compartilhadas aos usuários cadastrados, de forma que estes tenham acesso gratuito.
Traduzindo em miúdos: Internet sem fio gratuita em vários pontos de Québec, Montréal e Sherbrooke. Basta se cadastrar no site para ter uma conta e começar a usar nos pontos da rede Zap espalhados pelas cidades. O organismo em Montréal se chama Île Sans Fil e foi a precursora, mas o nome não seria apropriado para as cidades que não ficam em uma ilha. Vocês podem ver o mapa com os pontos da rede em Québec.
Com poucos dias que havia chegado aqui, achei muito legal poder ligar para o Brasil de graça via Internet a partir do shopping center no qual eu comprava as roupas de Inuit/esquimó para encarar o inverno. Também, enquanto as crianças fazem natação no centro de lazer do bairro, eu também uso o celular para acessar Internet via Zap.
Em geral, o recém chegado já tem algum acesso provisório à Internet, mas é sempre bom saber onde se pode quebrar um galho em uma situação como a de apagão digital enquanto a Internet não é instalada no novo endereço, por exemplo. As bibliotecas públicas também têm Internet sem fio gratuita. Sabe que me deu vontade de ser voluntário desse organismo? Só não sei como vou me clonar para conseguir tempo!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Locais importantes de Québec
O Giovanni, o criador da lista de discussão Oxe Canadá teve a excelente ideia de montarmos mapas de locais importantes e interessantes, tanto para brasileiros recém chegados como também para quem já mora há algum tempo. Para quem chega, fica fácil saber onde ficam os órgãos governamentais que provêm os documentos necessários, os de ajuda aos imigrantes e os principais shopping centers. Esses e outros podem encontrar nesse mapa um diretório de serviços de saúde e lazer interessantes, inclusive onde encontrar carnes com cortes brasileiros e a rapadura (por sinal, acabou a nossa)!
O Giovanni criou o mapa de Calgary, cidade onde ele vive, e nos incentivou a replicarmos a ideia para as outras cidades do Canadá. Como acho que esse mapa pode ser útil, resolvi gastar um tempinho coletando esses locais para fazer o mapa de Québec. Quem conhece a cidade e tem boas dicas que possam interessar aos demais brasileiros pode contribuir enviando os dados para mim. Não acho interessante poluir o mapa com as localizações dos Tim Hortons ou McDonald's, mas por exemplo, um hotel que seja recomendado por experiência própria pode ser benvindo para quem fica perdido entre as muitas opções.
E você que mora em outra cidade do Canadá e que quer dar a sua contribuição para os irmãos brasileiros, faça o mapa da sua cidade e entre em contato comigo ou com o Giovanni para aumentarmos o nosso repertório de mapas. Caso tenha dúvidas de como usar o Google Maps ou sobre as convenções de ícones que adotamos, deixe um comentário nessa postagem com o seu email.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Conheça as cidades canadenses através de quem mora nelas
Estamos começando um projeto em parceria com os autores do blog Immigration Canada Tips com o intuito de mostrar pontos de vistas de diferentes tipos de pessoas que moram nas cidades canadenses mais visadas à imigração, em relação a estas. Em um formato de entrevista, os leitures poderão "sentir" cada cidade através das respostas às questões pertinentes.
Nossa intenção é de fazer uma primeira rodada de uma pessoa por cada uma das cidades mais visadas, como por exemplo: Québec, Montréal, Ottawa, Toronto, Calgary e Vancouver. Depois, tentaremos obter pontos de vistas de pessoas que moram nas mesmas cidades, mas que possuem perfis diferentes para dar diversidade às opiniões.
Aproveito para divulgar o blog Immigration Canada Tips que tem algumas características que o fazem ser diferente. Cito duas: É focado em dicas para imigrantes; É escrito por um grupo de pessoas, o que dá diversidade de opinião e de estilo;
A primeira cidade é Québec e o entrevistado, por acaso, sou eu.
Boa leitura: http://immigrationcanadatips.com/immigrant-talk-alexei-from-quebec/
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Da capital nacional para a capital federal
Dando prosseguimento à nossas excursões turísticas, esticamos um pouco mais o nosso alcance de viagens de carro e fomos até a nossa capital federal. São cerca de 450Km e 5 horas de viagem a partir daqui de Québec. Para Montréal, destino da nossa primeira viagem, fomos pela autoroute/estrada 40 que fica do lado de cá do rio São Lourenço. Dessa vez, fomos pela autoroute/estrada 20, do outro lado do rio. Ambas estradas são impecáveis em qualidade, segurança e conforto. Além de ser ligeiramente mais perto indo pela 20, achamos que tem mais pontos de apoio (postos, lanchonetes, etc.) ao longo desta. Uma estratégia que se mostrou bastante apropriada para quem viaja com crianças é dividir em dois trechos, fazendo uma pausa para almoço e descanso em Montréal. Devido à viagem anterior, dessa vez as crianças foram bem mais à vontade, foram brincando e não acharam ruim. Por falar em Montréal, que terra curiosa! Só no tempo de lavar as minhas mãos e as do Davi no banheiro, ouvi francês, inglês, árabe e chinês!
Ao chegarmos em Ottawa, tivemos uma impressão muito boa. Paramos em um parque à beira do rio Rideau que é bastante bonito e agradável. Tinha um playground com uma espécie de ruína de construção da Grécia antiga para as crianças explorarem.
À ce moment-là/nessa hora (nota do tradutor: os québécois usam e abusam dessa expressão), percebi de cara o bilinguismo da cidade. Ouvi uns 5 grupos de pessoas conversando em francês e apenas um grupo em inglês. Porém, a cidade é mais anglófona por ser de Ontário. É porque do outro lado do rio, fica Gatineau, que pertence ao Québec. Não é coincidência. A capital canadense fica na fronteira para simbolizar a neutralidade entre as suas duas principais nações. Ao contrário de Montréal que é metade inglesa e metade francesa, em Ottawa as placas das ruas são bilingues como, por exemplo, "rue Elgin st." (street/rua).
Chegamos finalmente ao hotel para um merecido descanço. Ficamos no Days Inn, do qual gostamos muito. A localização dele é estratégica. A poucos quarteirões, temos uma pizzaria, supermercado, mercadinho e um shopping center. Ainda tenho saudades da imensa cama king size/très grand (nota do tradutor: é o maior dos três tamanhos de cama de casal) com colcha extremamente macia.
A cidade é bem organizada e limpa, ao menos por onde passamos, e tem mais prédios altos que Québec. O outono deu um toque especial às fotos. E por fazer uma comparação, aí vai um aviso importante que não me deram: Cuidado para não atropelar uma multidão de pedestres de uma só vez! Aqui em Québec, os principais cruzamentos têm uma fase do semáforo exclusiva para pedestres, podendo estes inclusive atravessar em diagonal. Eu, muito acostumado com isso, ia dobrar à direita. Derrepente, quando o sinal abriu e começei a fazer a curva, eis que uma multidão atravessa a rua! Tabarouette/caracas!!! Que susto! Temos que esperar uma oportunidade para poder dobrar. Enquanto isso, o trânsito de carros fica parado até a velhinha atravessar sozinha. Quando ela chega no outro lado, lá vem uma lesma se arrastando e por aí vai. Do que vi, percebi que lá o respeito às leis de trânsito é bem mais rigoroso. O pedestre pode atravessar com bem mais segurança, procura atravessar nas esquinas e na hora certa. Bem... encontrei um québécois tentando atravessar a avenida com o semáforo de pedestres no vermelho, que ia e voltava se arriscando. A sua esposa, de voz muito estridente e de um sotaque québécois carregadíssimo disparou impiedosamente: Ataaaeeeiiinds, lô (attends, la)!! Tu peux casser ta taaaeeeeiiiite (tête)!!/Espere aí!! Tu pode quebrar tua cabeça!! Eu adoro ver esse tipo de situação curiosa!
Outra diferença cultural interessante é que lá, as pessoas procuram ficar do lado direito da escada rolante para que outros possam passar pela esquerda. Só percebi porque já havia lido sobre esse costume em um blog de Vancouver.
A parte mais turística da cidade fica na região próxima ao parlamento. Onze horas da manhã e eis que toca a famosa melodia de sinos do Big Ben londrino. Isso me fez perceber que o parlamento de Ottawa tem uma semelhança estética ao britânico. Do outro lado do canal Rideau, no Major's Hill Park, tem uma colina que nos permite ter uma vista muito bonita do rio, das pontes, do canal Rideau e dos prédios do Parliament Hill.
Mas o que eu gosto mesmo de fazer quando estou em uma cidade nova não é visitar os pontos turísticos. É "respirar" e sentir a cidade como ela é, com todos os detalhes. É, por exemplo, perceber que a mescla étnica da cidade é diferente da de Québec; ver que a faixa de ônibus e taxis que é apenas preferencial em Québec e em Ottawa tem uma placa bem grande mostrando que se paga uma multa de 150$; que o grande e moderno prédio espelhado reflete um castelo antigo; que se escuta gente conversando em francês, mas muito atendimento dos comércios é feito somente em inglês; que existem placas de carros com um nome ao invés da mistura aleatória; que eu ainda me expresso melhor em inglês que em francês e, finalmente, que parece que eu estou em outro país!
A única queixa que tenho da cidade é que conhecemos alguns parques, mas só encontramos playground para as crianças se divertirem em apenas um deles. Coversando com um casal de avós que mora em Gatineau, eles disseram que de fato, comparando com Québec, tem poucos. Nos indicaram um em Gatineau, mas não tivemos tempo de procurá-lo. Aqui em Québec é difícil encontrar um parque que não tenha brinquedos e que normalmente estes são variados e interessantes, seja este parque de bairro ou mais turístico.
Confirmamos nossa intuição de que seria a segunda opção de moradia depois de Québec. Ambas têm uma fórmula que considero bastante interessante: são cidades menores e por isso não têm os problemas das grandes metrópoles, mas com uma excelente infra-estrutura por serem capitais que ficam nas duas províncias mais fortes do Canadá. Epa! Eu não disse que Ottawa é a capital de Ontário! Eu sei que é Toronto! E Ottawa ainda tem uma vantagem que é de estar na fronteira e permitir ter os dois mundos ao mesmo tempo: morar na québécois Gatineau e trabalhar na ontarian Ottawa. Afinal, o único separatista que vi lá foi o rio!
sábado, 16 de outubro de 2010
Ventinho em Québec
Hoje a volta para casa foi legal. Quando sai da empresa, a MétéoMédia anunciava rajadas de vento de até 74Km/h, mas vi a informação de que chegaram a 89Km/h. Quando me preparava para sair de bicicleta, uma senhora passou e disse: -Você é corajoso para andar de bicicleta nessas condições! E eu respondi; -É mais emocionante!
Na verdade, não é o fim do mundo. Apenas temos que ficar atentos aos "empurrões" que mudam de sentido! Legal que em um trecho de vento lateral, eu andava com a bicicleta inclidada, mesmo em linha reta. A soma do vento e da chuva com a temperatura de 6°, dá uma boa desculpa para ficar em casa. De fato, iriamos fazer compras, mas o tráfego estava meio complicado devido a quedas de árvores e postes.
Aqui a galera é meio apocalíptica. Passaram nada mais nada menos que dois carros de polícia e cinco caminhões de bombeiros fazendo um barulhão enquanto eu chegava perto de casa. Legal que fica piscando uma luz estroboscópîca no semáforo que acho que é acionado remotamente para facilitar o deslocamento deles.
Uma bela hora da noite, simplesmente faltou energia. Curiosamente, ontem mesmo eu estava pensando nisso ao pesquisar algumas opções de casas para comprar. Se não tiver lareira e o aquecimento for elétrico, como é que fica quando faltar energia e lá fora estiver fazendo -25°? Pergunta retórica, né? Fica frio!!! Também para (não existe mais o acento diferencial em "pára") o aquecimento da água gelada, o fogão elétrico e o microondas. Por sorte, a HydroQuébec trabalha bem. Essa foi apenas a segunda interrupção de energia em nove meses aqui, e durou menos de uma hora. É porque dadas as circunstancias, não dá para evitar mesmo uma pane.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Turista, mesmo depois de 8 meses
-Você é de Québec? Perguntou-me então a senhora, quando conversávamos sobre o defeito do parquímetro que comeu meus dólares sem contar o tempo. -Não...quer dizer sim!...ehh...bom...ehh...dá pra tomar uma Kaiser antes? Se ela tivesse perguntado se eu tinha nascido aqui, a resposta era não, mas ela percebia facilmente pelo meu acento, digo, sotaque (depois eu escrevo uma postagem sobre esse efeito de falar em português pensando em francês). Já se ela perguntasse se eu morava aqui, ficava fácil de responder que sim.
Isso é para ilustrar a confusão que fica a nossa cabeça depois de passado algum tempo aqui que nos faz pensar que somos daqui e paradoxalmente, ao mesmo tempo não. Depois de oito meses vendo as mesmas paisagens, tendo a mesma rotina, com os mesmos novos hábitos como ver a previsão do tempo todo dia para saber o que vestir, me sinto bem à vontade com a cidade. Mas basta ir a um lugar novo e tirar a maquina fotográfica que anda quase sempre comigo que automaticamente me sinto turista conhecendo uma cidade nunca antes vista. Só que ainda é a mesma cidade onde moro!
Dessa vez, fomos para a parte baixa de Vieux-Québec (basse-ville), próxima do rio e da gare fluviale/estação fluvial. É uma região histórica com muitas construções de pedra e placas que datam desde o século XVII (não lembra de algarismos romanos? É 17!). Como sempre digo, essa cidade respira história e tem muitas placas contando o seu passado. Sem contar que é muito bonita. Não tem como eu não babar!
De quebra, tem também as fotos de outra parte do quilométrico Parc des Champs de Bataille, que também se chama Plaines d'Abraham, e que eu ainda não conhecia. Com o sol, fica ainda mais bonito.
Já acabou? Sim! Prometi para mim mesmo que iria começar a escrever também postagens curtas como todo blogueiro normal faz! Afinal, uma imagem vale por mil palavras.
Isso é para ilustrar a confusão que fica a nossa cabeça depois de passado algum tempo aqui que nos faz pensar que somos daqui e paradoxalmente, ao mesmo tempo não. Depois de oito meses vendo as mesmas paisagens, tendo a mesma rotina, com os mesmos novos hábitos como ver a previsão do tempo todo dia para saber o que vestir, me sinto bem à vontade com a cidade. Mas basta ir a um lugar novo e tirar a maquina fotográfica que anda quase sempre comigo que automaticamente me sinto turista conhecendo uma cidade nunca antes vista. Só que ainda é a mesma cidade onde moro!
Dessa vez, fomos para a parte baixa de Vieux-Québec (basse-ville), próxima do rio e da gare fluviale/estação fluvial. É uma região histórica com muitas construções de pedra e placas que datam desde o século XVII (não lembra de algarismos romanos? É 17!). Como sempre digo, essa cidade respira história e tem muitas placas contando o seu passado. Sem contar que é muito bonita. Não tem como eu não babar!
De quebra, tem também as fotos de outra parte do quilométrico Parc des Champs de Bataille, que também se chama Plaines d'Abraham, e que eu ainda não conhecia. Com o sol, fica ainda mais bonito.
Já acabou? Sim! Prometi para mim mesmo que iria começar a escrever também postagens curtas como todo blogueiro normal faz! Afinal, uma imagem vale por mil palavras.
sábado, 28 de agosto de 2010
Atravessando por lá onde o rio se estreita
Québec, no idioma algonquine que era utilizado por algumas nações ameríndias daqui, significa "lá onde o rio se estreita". Esta parte do rio São Lourenço foi escolhida pelos franceses para começar a sua colonização no que hoje é a região da nossa capitale nationale (nota do tradutor: Essa eu não preciso fazer, né?).
Esse tipo de postagem é normalmente mais voltada para o lado turístico, mas vou também aproveitar o contexto para mostrar em um exemplo a diferença de visão dos administradores públicos daqui. Desde quando decidimos morar aqui que eu ficava intrigado com a seguinte questão: Porque tem duas pontes em uma parte do rio mais larga e já perto do fim das cidades se a parte mais estreita ligaria justamente o centro de Québec ao centro de Lévis? O raciocínio, moldado pelo ponto de vista que eu adquiri no Brasil seria de reduzir o custo de construção da ponte e ao mesmo tempo colocá-la onde tem mais usuários. Como diz o meu chefe: Make sense?/Faz sentido?
Já tinha esquecido dessa atroz questão filosófica que instigava minha irrequieta natureza analítica (nota do editor: Pô, cearense! Vê se não viaja muito!), quando escutei uma notícia ainda mais curiosa: Estão querendo fazer outra ponte, agora no outro extremo da cidade. Hein?! Ahh! Já sei! Já tem uma ponte até a Île d'Orleans, aí fica mais barato para fazer da ilha para a outra margem! Claro que não! Estragaria a tranquilidade da ilha!
Agora lascou mesmo! É a minha oportunidade de entender logo essa esquisitice. E porque não ligar o centro de Québec com o centro de Lévis e ainda aproveitar onde o rio é mais estreito? Parece mais lógico, não?
Isso seria ligar Vieux-Québec a Vieux-Lévis, que são as regiões mais antigas, com ruas mais estreitas e turísticas. Isso iria atrair mais tráfego justamente onde a cidade tem menos capacidade de escoá-lo. Seria matar o trânsito das duas cidades. A prefeitura está fazendo é o contrário! Tem a linha de ecolobus (pequenos ônibus elétricos) gratuitos que rodam Vieux-Québec até o traversier/ferry boat/balsa e voltam. Ou seja, se quiserem atravessar o rio por aí, pode e é viável, mas o projeto urbanístico desencoraja esse tráfego de carros para preservar a região. Também, o transporte coletivo é mais eficiente nesses casos.
Se bem pararmos para analisar, o Canadá é mesmo assim. Abrimos mão de alguns privilégios individuais e pagamos um preço para termos, por outro lado, benefícios coletivos. Só que o indivíduo participa dessa coletividade e ganha com essa troca. Esse é um dos segredos da qualidade de vida daqui, que não vem de graça, mas vale o preço.
Por falar em valer o preço, quando vierem por aqui, vale a pena fazer essa traversia até Lévis. A visão do imponente Chateau Frontenac no topo da alta encosta escarpada é imperdível. O traversier tem uma estrutura que me impressionou e é super estável. Não se percebe nenhum balanço. O rio é muito largo e podemos ver ambas cidades a partir de um ponto de vista novo. Legal também foi ver um navio cargueiro que passou justamente durante a travesia, que nos faz perceber que o rio é também bastante profundo. Só na situação é que percebemos que a manobra de chegada na outra margem é algo que exige perícia, pois a grande massa metálica vai de encontro ao concreto.
O meu colega de trabalho é que me conta como é viável morar em Lévis e trabalhar em Québec, seja passando de carro pelo traversier, ou indo de ônibus, ou mesmo contornando pelas pontes que ficam no fim das duas cidades, mas que não toma tanto do seu tempo. Em compensação, ele pode ter uma casa maior e melhor em Lévis. Afinal, a menor distância entre dois pontos, é uma reta, mas não é necessariamente a melhor distância entre eles.
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sábado, 26 de junho de 2010
Balança mais não cai!
Essa é velha, todo mundo já sabe. Então nem vale a pena contar. Bye! Fui!
Opa! Você não soube? O Wilian Bonner e a Fátima Bernardes não te contaram no Jornal Nacional? Ahh!! Come on!/Franchement!/fala sério! A copa está tomando todo o espaço.
Um terremoto de 5...eu disse 5 graus na escala Hisch...Hisht...como é mesmo? Perainda que eu vou pescar na Internet. Xiii!!! Seria Richter, mas a escala dele está obsoleta. Pois bem, foi de magnitude 5, quase o mesmo que devastou o Haiti, que foi de magnitude 7! Um terror! O epicentro foi a 50Km de Ottawa. As cenas que passaram no noticiário são chocantes! Um aquário que chegou a derramar um pouco de água, um supermercado que ficou com uns sacos de batatas fritas no chão, e no parlamento, um político teve que interromper o discurso para evacuarem...(não se precipitem! Esperem o final da frase) ...o prédio.
É, eu não sei fazer sensacionalismo. O fato é que foi o mais forte em 20 anos, mas não foi tão sério assim. Magnitude 5 só consegue rachar construções bem velhas, que só mostraram um caso, e dá uma balançada. Em Montréal, que fica mais perto de Ottawa, muita gente nem percebeu e outros acharam que havia sido um caminhão que passara (eu já disse que eu adoro o pretérito mais que perfeito, não?). Aqui em Québec, que fica bem mais longe, só era suficiente para derrubar uma caneta equilibrada em pé.
Aí vai um link de uma das matérias no Canoe.
E esses são alguns vídeos de Ottawa.
Mas, para agregar algum valor aos futuros québécois, já que existem postagens bem mais interessantes sobre esse earthquake/tremblement de terre/tremor de terra como o do Carlos Last que mora em Ottawa, achei essa também esse vídeo. Não é lá muito papo cabeça, mas achei um bom exemplo de sotaque de francês québécois. É mais ou menos isso aí que vocês vão ter que decodificar nas ruas quando forem pedir informações, podendo ser um tanto melhor, mas também podendo ser pior. Perceba que ela usa palavras do inglês como shaky/oscilante e cool/legal. Isso é mais forte em Montréal, mas tem aqui também em Québec.
Opa! Você não soube? O Wilian Bonner e a Fátima Bernardes não te contaram no Jornal Nacional? Ahh!! Come on!/Franchement!/fala sério! A copa está tomando todo o espaço.
Um terremoto de 5...eu disse 5 graus na escala Hisch...Hisht...como é mesmo? Perainda que eu vou pescar na Internet. Xiii!!! Seria Richter, mas a escala dele está obsoleta. Pois bem, foi de magnitude 5, quase o mesmo que devastou o Haiti, que foi de magnitude 7! Um terror! O epicentro foi a 50Km de Ottawa. As cenas que passaram no noticiário são chocantes! Um aquário que chegou a derramar um pouco de água, um supermercado que ficou com uns sacos de batatas fritas no chão, e no parlamento, um político teve que interromper o discurso para evacuarem...(não se precipitem! Esperem o final da frase) ...o prédio.
É, eu não sei fazer sensacionalismo. O fato é que foi o mais forte em 20 anos, mas não foi tão sério assim. Magnitude 5 só consegue rachar construções bem velhas, que só mostraram um caso, e dá uma balançada. Em Montréal, que fica mais perto de Ottawa, muita gente nem percebeu e outros acharam que havia sido um caminhão que passara (eu já disse que eu adoro o pretérito mais que perfeito, não?). Aqui em Québec, que fica bem mais longe, só era suficiente para derrubar uma caneta equilibrada em pé.
Aí vai um link de uma das matérias no Canoe.
E esses são alguns vídeos de Ottawa.
Mas, para agregar algum valor aos futuros québécois, já que existem postagens bem mais interessantes sobre esse earthquake/tremblement de terre/tremor de terra como o do Carlos Last que mora em Ottawa, achei essa também esse vídeo. Não é lá muito papo cabeça, mas achei um bom exemplo de sotaque de francês québécois. É mais ou menos isso aí que vocês vão ter que decodificar nas ruas quando forem pedir informações, podendo ser um tanto melhor, mas também podendo ser pior. Perceba que ela usa palavras do inglês como shaky/oscilante e cool/legal. Isso é mais forte em Montréal, mas tem aqui também em Québec.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010
Serviços de utilidade pública de outros blogs
Juntei um lote de postagens úteis em relação à imigração, desde o mais geral para o Canadá, até o mais específico para nossa cidade, Québec. Bom proveito.
Imigração para o canadá: por onde começar?
Onde ficar durante o primeiro mês em Québec.
Locação de imóvel: guia para imigrantes.
Canadá, um pais, duas nações.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Vitória do Québec!! Campeão da copa do mundo de 2010!!!
Essa agora foi braba, né? Nem o Canadá tem seleção de futebol para jogar na copa, quanto mais a província do Québec. Apesar da associação digna de um baseado de maconha mofada, existe sim uma ligação forte entre os dois assuntos que se chama patriotismo.
Do lado de baixo da linha do Equador, o brasileiro faz a sua festa e se veste de verde e amarelo por causa da copa do mundo. Os brasileiros daqui também seguem a mesma tradição, salvo algumas exceções nas quais eu me incluo. Levei até um puxão de orelhas da minha mãe por isso. Não me levem a mal. Nada contra!
Já do lado de cima da linha do Equador, a folia lá fora está literalmente do barulho em plena meia noite. O camera foi até a esquina só para levar até vocês a dimensão da comemoração digna de final de copa do mundo.
Fora a multidão barulhenta caminhando na Grande Allée em direção ao Plaines d'Abraham, os carros buzinando e o helicóptero, a festa lá está bonne en maudit/boa pra caramba! Infelizmente, não vão ter cobertura no local por causa das restrições familiares. Estou acompanhando pela televisão e a festa vai até o dia nascer. Tem uma maré azul feita de bandeiras do Québec e muitos vestem a bandeira como capa amarrada no pescoço. Tem gente com rosto pintado, carros enfeitados, etc. Realmente lembra muito final de copa, inclusive com as barulhentas vuvuzelas.
Agora vamos ao âmago da questão. E depois que se passa a copa do mundo? Quando é que o brasileiro veste a bandeira verde e amarela e diz com orgunho para todo mundo ouvir: eu sou brasileiro! Ainda tinha as vitórias do Airton Senna e do Guga, mas nem isso mais. Só é legal ser brasileiro quando o esporte vai bem? Eu sempre tive o espírito patriota, talvez adquirido da educação da escola onde cantávamos o hino e hastiávamos a bandeira, porém nunca fui muito chegado ao futebol. Isso era paradoxal para mim durante as copas e ainda acho incômodo que as bandeiras brasileiras sempre sumam depois das copas.
Além das várias bandeiras vermelho e branco do Canadá, tem muito mais bandeiras do Québec por aqui. Tem uma praça aqui que tem 10 mastros com a bandeira azul e branca. Mas não estou falando apenas de bandeiras. Essa folia toda festeja o orgulho de ser Québécois, mesmo sem ter nenhuma vitória de esporte a ser comemorada. E esse orgulho ganha um significado ainda mais forte se levarmos em conta toda a história de opressão dos franceses que acabaram sendo subjulgados pelos ingleses e a ainda presente opressão cultural e linguística da nossa ilha em um mar anglófono do resto do Canadá e dos EUA.
Por isso, no dia 24 de junho, dia de Saint Jean, comemora-se a festa da nação Québécoise que cohabita o pais junto da nação de decendentes de ingleses. É por essa razão que se chama fête nationale/festa nacional e capitale nationale/capital nacional em contraste ao Canada day/dia do Canadá (1 de julho) e à capital federal que é Ottawa.
Por isso digo que estão (ou estamos) comemorando a vitória do Québec hoje, que não cai no esquecimento e o próximo ano sempre reserva outra vitória.
Do lado de baixo da linha do Equador, o brasileiro faz a sua festa e se veste de verde e amarelo por causa da copa do mundo. Os brasileiros daqui também seguem a mesma tradição, salvo algumas exceções nas quais eu me incluo. Levei até um puxão de orelhas da minha mãe por isso. Não me levem a mal. Nada contra!
Já do lado de cima da linha do Equador, a folia lá fora está literalmente do barulho em plena meia noite. O camera foi até a esquina só para levar até vocês a dimensão da comemoração digna de final de copa do mundo.
Fora a multidão barulhenta caminhando na Grande Allée em direção ao Plaines d'Abraham, os carros buzinando e o helicóptero, a festa lá está bonne en maudit/boa pra caramba! Infelizmente, não vão ter cobertura no local por causa das restrições familiares. Estou acompanhando pela televisão e a festa vai até o dia nascer. Tem uma maré azul feita de bandeiras do Québec e muitos vestem a bandeira como capa amarrada no pescoço. Tem gente com rosto pintado, carros enfeitados, etc. Realmente lembra muito final de copa, inclusive com as barulhentas vuvuzelas.
Agora vamos ao âmago da questão. E depois que se passa a copa do mundo? Quando é que o brasileiro veste a bandeira verde e amarela e diz com orgunho para todo mundo ouvir: eu sou brasileiro! Ainda tinha as vitórias do Airton Senna e do Guga, mas nem isso mais. Só é legal ser brasileiro quando o esporte vai bem? Eu sempre tive o espírito patriota, talvez adquirido da educação da escola onde cantávamos o hino e hastiávamos a bandeira, porém nunca fui muito chegado ao futebol. Isso era paradoxal para mim durante as copas e ainda acho incômodo que as bandeiras brasileiras sempre sumam depois das copas.
Além das várias bandeiras vermelho e branco do Canadá, tem muito mais bandeiras do Québec por aqui. Tem uma praça aqui que tem 10 mastros com a bandeira azul e branca. Mas não estou falando apenas de bandeiras. Essa folia toda festeja o orgulho de ser Québécois, mesmo sem ter nenhuma vitória de esporte a ser comemorada. E esse orgulho ganha um significado ainda mais forte se levarmos em conta toda a história de opressão dos franceses que acabaram sendo subjulgados pelos ingleses e a ainda presente opressão cultural e linguística da nossa ilha em um mar anglófono do resto do Canadá e dos EUA.
Por isso, no dia 24 de junho, dia de Saint Jean, comemora-se a festa da nação Québécoise que cohabita o pais junto da nação de decendentes de ingleses. É por essa razão que se chama fête nationale/festa nacional e capitale nationale/capital nacional em contraste ao Canada day/dia do Canadá (1 de julho) e à capital federal que é Ottawa.
Por isso digo que estão (ou estamos) comemorando a vitória do Québec hoje, que não cai no esquecimento e o próximo ano sempre reserva outra vitória.
domingo, 13 de junho de 2010
Esta é Québec!
Gente! Eu vi esse vídeo e fiquei apaixonado por essa cidade. Opa! Nós já moramos nela, só que nunca tinhamos visto um vídeo com tanta coisa bonita da cidade e filmado de um jeito tão bem feito. Tem até a fachada do estacionamento da empresa onde trabalho! É um conjunto de placas onduladas cor de ferrugem e depois dele aparece a o prédio da Ubisoft.
O vídeo é de encher os olhos. Melhor ainda se colocarem o vídeo em tela cheia.
p.s. Desculpem o bairrismo. Foi a empolgação!
O vídeo é de encher os olhos. Melhor ainda se colocarem o vídeo em tela cheia.
p.s. Desculpem o bairrismo. Foi a empolgação!
sábado, 29 de maio de 2010
Île d'Orleans
Para aproveitar o final de semana agradável, resolvemos dar uma conferida na Île d'Orléans/Ilha de Orleans que fica a uns 15Km daqui de casa seguindo para leste, depois de Beauport. É pertinho e valeu a pena. Como o rio São Lourenço é utilizado por navios de porte considerável, a ponte para chegar lá é bem altinha. A ilha é muito bonita. Tem um ar bucólico, com fazendas e uma casas magníficas. Mais bonito ainda é ver essa paisagem com o colorido da privamera.
Não vimos de cara estabelecimentos como restaurantes ou lanchonetes, mas tem uma relação no site http://www.iledorleans.com. O que encontramos foi uma galeria de arte bem interessante. Tirei umas fotos até encontrar o aviso de que é proibido fazê-lo. Agora já era! Também tirei umas foto de fora porque, como casa, é um espetáculo de agradável.
A ilha é chamada de berço da América francesa porque lá se estabeleceram as primeiras quase 300 famílias fundadoras da Nouvelle-France/Nova França. E por causa do valor histórico e turístico, estão querendo construir uma segunda ponte ou túnel entre Québec e Levis neste lado, mas sem passar pela mesma para preservar o seu estado atual. Na saída da ponte, vimos duas quedas d'água do Parc de la Chute-Montmorency, mas isso é um assunto para outro post, quando fizermos mais uma incursão turística por lá.
domingo, 9 de maio de 2010
4 meses. E aí? Valeu a pena?
Já não vemos mais a cidade como turistas. Muita coisa não é mais novidade e sim rotina. Em uma esquina da blv. Charest tem uma pedinte de sinal com uma mensagem em um papelão. Três quarteirões mais à frente, é um cara de visual maluco que pede uns trocados. E depois desse trecho, tem um engarrafamento longo na hora do rush. Teve mais um episódio de corrupção no governo provincial. Vai chover durante esse final de semana todo e tomei uns banhos de chuva a 5 graus para colocar e tirar as compras no carro. Chuva de molhar mesmo e estava sem luvas!
E aí? Valeu a pena?
Para dar um ar de suspense, peço desculpas pela mentira. Ainda faltam 7 dias para completar quatro meses. Ia escrever com três meses, mas resolvi esperar até a situação na qual estamos agora e depois descrevo-a.
Voltando a pergunta shakespereana (ser ou não ser, eis a questão), bom, eu começei o post fazendo drama para criar um falso clima de decepção, mas eu nasci para morar aqui! Me identifico demais com tudo, tudo, até com o frio. Não quero nem falar mais da minha paixão por essa terra e essa gente para não exagerar as expectativas dos futuros imigrantes. A Lara é outra que adora tudo daqui. Precisavam ver a ansiedade dela para ficar mais tempo na escola com a nossa nova rotina. O Davi agora fica em uma garderie que tem, dentre outras crianças, um coleguinha do potencial elétrico dele, e está finalmente imerso em um ambiente francófono. Está aprendendo até árabe! Conto essa no fim do post. E a Mônica, ou melhor, Monica Martins, que se pronuncia Monicá Martan (que sobrenome chique!) e não tem mais o acento, era a que estava menos contente. Só ficava em casa cuidando desta e do Davi, o que não era lá muito interessante. Ressaltei o nome francês porque agora ela está no curso de francisação em tempo integral, ou seja, também imersa no ambiente francófono e ao mesmo tempo inserida em um grupo social. Agora sim! Já faz uma semana que estamos todos no que chamo de fase dois da imigração: Todo mundo fora de casa de dia, convivendo com québécoises, aprendendo francês, absorvendo a cultura e valores, se integrando e adaptando cada dia mais.
Realmente, ao menos em Québec, a qualidade de vida é um enorme atrativo: A porta da varanda para a rua, que fica a meio andar de altura mas facilmente escalável só fica tracada se o Davi mexer, não sei mais o que é preocupação com segurança e violência. A foto do post é de um apartamento vizinho que tem o lado voltado para a rua totalmente de vidro, de parede a parede, do chão ao teto e sem absolutamente nada entre este e a rua. E um brasileiro amigo meu mora eu outro apartamento assim. Às 05h00 da tarde já estou brincando com o Davi no carro, de volta para casa e a Mônica já está lá com a Lara, assim temos mais tempo para a família. Se não tiver chovendo, dá para brincarmos no parquinho público que tem brinquedos muito interessantes até o sol se por, que no momento, está sendo às 08h00 da noite. Final de semana de sol e temperatura acima de 20 graus está ficando comum e a cidade toda aproveita.
Respondendo a pergunta outra vez: No nosso caso, sim! Valeu a pena demais. O que nós procurávamos, achamos aqui.
Ministério da Imigração adverte: Não necessariamente vai valer a pena para o seu caso!
Anexo A:
Quanto à estória do Davi aprender árabe, foi assim. A Nacima, que é a santa que atura o Davi e o outro pimentinha, me perguntou se português era parecido com árabe. Fiquei curioso porque a pergunta é bem esquisita. Ela explicou:
-É que eu sou marroquina e o Halmstad (se o nome do outro menino não for esse, é algo parecido) é argelino. Normalmente falo com ele em francês, mas tem horas que ele não entende e então falo em árabe, já que é nossa língua materna. Muitas vezes o Davi obedece e faz o que eu peço, mesmo que o Halmstad fique parado. Por isso que achei que português talvez fosse parecido com árabe.
-Não é nada parecido. E me surpreendo também de ele te obedecer falando em árabe porque em casa nós falamos em português e ele não obedece quase nada!
Aí vocês dizem: Que legal! Está aprendendo português, francês, inglês e árabe! Muito bem! Mas vai dar um trabalhozinho para entendê-lo, já que ele começa a misturar o português com algumas palavras dos outros três idiomas!
E aí? Valeu a pena?
Para dar um ar de suspense, peço desculpas pela mentira. Ainda faltam 7 dias para completar quatro meses. Ia escrever com três meses, mas resolvi esperar até a situação na qual estamos agora e depois descrevo-a.
Voltando a pergunta shakespereana (ser ou não ser, eis a questão), bom, eu começei o post fazendo drama para criar um falso clima de decepção, mas eu nasci para morar aqui! Me identifico demais com tudo, tudo, até com o frio. Não quero nem falar mais da minha paixão por essa terra e essa gente para não exagerar as expectativas dos futuros imigrantes. A Lara é outra que adora tudo daqui. Precisavam ver a ansiedade dela para ficar mais tempo na escola com a nossa nova rotina. O Davi agora fica em uma garderie que tem, dentre outras crianças, um coleguinha do potencial elétrico dele, e está finalmente imerso em um ambiente francófono. Está aprendendo até árabe! Conto essa no fim do post. E a Mônica, ou melhor, Monica Martins, que se pronuncia Monicá Martan (que sobrenome chique!) e não tem mais o acento, era a que estava menos contente. Só ficava em casa cuidando desta e do Davi, o que não era lá muito interessante. Ressaltei o nome francês porque agora ela está no curso de francisação em tempo integral, ou seja, também imersa no ambiente francófono e ao mesmo tempo inserida em um grupo social. Agora sim! Já faz uma semana que estamos todos no que chamo de fase dois da imigração: Todo mundo fora de casa de dia, convivendo com québécoises, aprendendo francês, absorvendo a cultura e valores, se integrando e adaptando cada dia mais.
Realmente, ao menos em Québec, a qualidade de vida é um enorme atrativo: A porta da varanda para a rua, que fica a meio andar de altura mas facilmente escalável só fica tracada se o Davi mexer, não sei mais o que é preocupação com segurança e violência. A foto do post é de um apartamento vizinho que tem o lado voltado para a rua totalmente de vidro, de parede a parede, do chão ao teto e sem absolutamente nada entre este e a rua. E um brasileiro amigo meu mora eu outro apartamento assim. Às 05h00 da tarde já estou brincando com o Davi no carro, de volta para casa e a Mônica já está lá com a Lara, assim temos mais tempo para a família. Se não tiver chovendo, dá para brincarmos no parquinho público que tem brinquedos muito interessantes até o sol se por, que no momento, está sendo às 08h00 da noite. Final de semana de sol e temperatura acima de 20 graus está ficando comum e a cidade toda aproveita.
Respondendo a pergunta outra vez: No nosso caso, sim! Valeu a pena demais. O que nós procurávamos, achamos aqui.
Ministério da Imigração adverte: Não necessariamente vai valer a pena para o seu caso!
Anexo A:
Quanto à estória do Davi aprender árabe, foi assim. A Nacima, que é a santa que atura o Davi e o outro pimentinha, me perguntou se português era parecido com árabe. Fiquei curioso porque a pergunta é bem esquisita. Ela explicou:
-É que eu sou marroquina e o Halmstad (se o nome do outro menino não for esse, é algo parecido) é argelino. Normalmente falo com ele em francês, mas tem horas que ele não entende e então falo em árabe, já que é nossa língua materna. Muitas vezes o Davi obedece e faz o que eu peço, mesmo que o Halmstad fique parado. Por isso que achei que português talvez fosse parecido com árabe.
-Não é nada parecido. E me surpreendo também de ele te obedecer falando em árabe porque em casa nós falamos em português e ele não obedece quase nada!
Aí vocês dizem: Que legal! Está aprendendo português, francês, inglês e árabe! Muito bem! Mas vai dar um trabalhozinho para entendê-lo, já que ele começa a misturar o português com algumas palavras dos outros três idiomas!
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