Mostrando postagens com marcador praticidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador praticidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Pra que simplificar se agente pode complexificar

 
Nós sabemos que as instituções brasileiras são burocratizadas e complicam desnecessariamente. Mas sem um referencial para comparação, fica até parecendo que é normal. Estou a mais de um ano aqui e ainda me surpreendo com a simplicidade, agilidade e eficiência de alguns serviços daqui. Vou começar pelo fim, por um exemplo que me ocorreu recentemente.
Missão: Pagar l'immatriculation/equivalente ao licenciamento do carro e renovar a Carte Soleil de l'Assurance Maladie/carteira do plano de saúde público.Não poderia pagar l'immatriculation pelo meu banco, por isso que contei como tarefa dupla.
O que é que a minha cabeça acostumada com os estressantes procedimentos brasileiros pensou: Primeiro de tudo, vou ter que fazer isso em horário de expediente. Segundo, vou ter que gastar um tempão, incluindo uma fila. Terceiro: Vou ter que juntar uma pilha de documentos.
Pois bem: o CAA (não são os Alcoólicos Anônimos Canadenses!) é um agente autorizado do SAAQ, o "Detran" daqui, e eles ficam abertos até certa hora da noite no Shopping Place de la Cité. E o SAAQ vai repassar os dados para a Régie de l'Assurance Maladie, que é outro órgão do governo. Terminado o expediente, peguei o metrobusão na esquina, fui sentadinho e parei lá em frente. Chegando lá, tinha duas atendentes e ninguém para ser atendido. Ops! Tinha eu! Eu precisei de uma tonelada de documentos: A própria Carte Soleil e a carteira de motorista. Isso parece óbvio, mas o Detran do Ceará não aceitou a própria carteira emitida por eles como CPF. Voltando para o norte, a foto foi tirada na hora que é bem comum. Quanto tempo para isso tudo? Te garanto que não foi mais que 5 minutos!
Agora generalizando: Para que uma carteira de identidade, CPF, título de eleitor, carteira de motorista, alistamento militar e comprovante de residência? Façamos o mapeamento entre os documentos do Brasil e do Canadá:
Identidade: Carteira de motorista ou carte soleil;
CPF: É mais ou menos equivalente ao NAS/SIN, mas este só é usado em raras situações como emprego, abrir conta de banco, financiamentos, etc.
Título de eleitor: Ué! Pra que? Basta uma identidade para provar que eu sou eu! Me disseram que agora no Brasil o eleitor tem que mostrar o título de eleitor E a identidade para votar! Quack!!!
Carteira de motorista: A própria que, como a carte soleil, é de PCV rígido como um cartão de crédito;
Alistamento militar: Não tenho certeza, mas acredito que só vai para o Forces Canadiennes, o exército daqui, quem quer. Logo, também não precisa provar que você cumpriu a sua obrigação de passar pelo enchimento de saco muitas vezes constragedor do alistamento militar.
Comprovante de residência: Na única vez que precisei, o endereço que tem na carteira de motorista foi suficiente.
Só precisei de mais de uma cópia de um documento uma vez, nunca precisei tirar uma cópia autenticada, muitas vezes nem precisamos mostrar o original e teve ocasiões nas quais aceitaram documentos nossos em português sem tradução.
Fazemos seguro de imóveis e de carro por telefone e sem mandar nada! Recebemos o contrato por correios. A ideia básica é a seguinte: Se o contratante mentir em relação aos dados e o incidente acontecer, vão investigar, perceber a fraude e o lindinho vai ficar chupando o dedo. Buá!!!
Claro que tem horas que temos que virar traça e comer papel, mas os procedimentos do dia a dia tendem a ser mais simples.
O outro lado da moeda é que o complicado sistema financeiro brasileiro trouxe como consequência a sofisticação da sua informática como a criação do Sistema de Pagamentos Brasileiro que permite a TED (transferência eletrônica disponível) entre bancos em menos de meia hora. É frustrante descobrirmos que aqui só podemos transferir dinheiro do nosso banco para alguns outros conveniados. A limitação também acontece quando temos que pagar alguma conta. Depois percebi que a necessidade é menor. Aqui é comum pagarmos uns poucos centavos para enviar um cheque de pagamento por correios comuns. A agencia fica na esquina. Também recebemos cheques por correios, como é o caso da francisação. No caso do pagamento da escola, ponho o cheque em uma caixinha na porta da coordenação quando vou deixar a Lara e pronto. No caso do aluguel do apartamento é que é mais interessante. Teria que ir em horário de expediente à imobiliária, o que seria chato. Porém, graças à confiança que a cultura local nos dá, deixo logo cheques pré-datados para os próximos seis meses. Também os serviços como TV, Internet e celular estão programados para débito automático. Isso ajuda a ter um bom histórico de crédito por não ter atrasos. Nunca tive nenhum problema com isso tudo que relatei.
Para quem teve que juntar 495 gramas, 95 folhas e 20 metros de papel para o processo de imigração, até que foi uma boa surpresa. Já comecei a fazer a declaração de imposto de renda daqui. Sempre fiz o meu e de outros no Brasil (herança do meu pai) e agora vou ver se me viro sozinho com a versão nórdica. Daí vamos ver como esta fica em relação à brasileira. Sim! Claro que vou escrever uma postagem sobre isso quando terminar!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Robôs dos Jetsons, parte III


Vou responder às peguntas da Patitando e aproveitar para repassar a opinião do ex-conterraneo KK para equilibrar a avaliação do robô tampinha descrito na parte II dessa série.

Esse robozinho é redondo, então como vocês fazem com os cantos dos cômodos?
O Roomba, que aspira tem uma escova mais saliente que diz a propaganda que escova os cantos também, mas o relato do KK faz com que isso seja irrelevante. Guentaí que conto já. Já o Scooba não tem isso e, de fato, não dá para limpar os cantos. Porém, existem dois fatores atenuantes: O primeiro é o fator probabilístico. Seja p(x) uma função de distribuição de probabilid... Epa! Acabou o mestrado! Xô!!! Bom, o que eu quero dizer é que normalmente a sujeira fica na imensa maioria da área que é o resto. Daí até juntar sujeira o suficiente nos cantos, leva um bom tempo e é mais prático depois desse tempo limpar esses cantos. Outra coisa é que eu fasto alguns móveis de forma alternada para que o Scooba limpe tudo. Uma vez ele limpa o quarto com a cama no lugar normal, outra vez eu a encosto na parede. Assim, só ficam praticamente os cantos do cômodo mesmo. E ele limpa por baixo de alguns móveis como o sofá.

Outra coisa, vocês acham que ele é eficaz também na cozinha onde pode ter mais gordura?
Apesar de usá-lo também na cozinha, eu não fiz experiência com gordura, mas ele vem com um líquido para diluir na água que faz até espuma. O problema é que ele só dura umas 10 aplicações. Alternativamente, o manual diz que podemos usar vinagre branco para complementar a limpeza e matar os germes. Não posso dizer o efeito disso porque o mestrado não foi na área de química. O que posso dizer é que os meus queridinhos filhos (oinc, oinc) todo dia deixam migalhas cair no chão e o Davi joga mais comida fora que dentro da boca. Quando voltamos para casa, o chão do cômodo do dia está limpo para andarmos descalços e para o Davi rolar no chão.
O modelo que eu tenho é o Scooba, que aspira, lava, esfrega e suga a água suja. O chão daqui é de madeira, a não ser a cozinha e o banheiro que são de cerâmica. Já no caso do KK, o apartamento dele era (ou a casa dele é) todo(a) acarpetado(a). Esqueci de perguntar como era esse carpete, mais baixo ou mais alto. E o modelo que ele comprou foi o Roomba, que só aspira, mas provavelmente com mais potência que o meu. Porém, ele disse que o bichinho aspirava a sujeira, mas a deixava cair mais à frente. Ele fez uns testes com papel picado e viu que não resolvia. Depois da limpeza, teria que fazer de qualquer forma uma limpeza complementar. E segundo ele, nem são tão exigentes com limpeza como se poderia pensar.
O outro relato que ouvi do Roomba foi positivo, sem nenhuma reclamação. Faltou saber do Carlos Germano a opinião dele, que parece que também não foi boa.
Pronto! Acho que agora ficou devidamente desesclarecido! Onde houver fé, que eu leve a dúvida! Qualquer coisa, faça como o KK: teste e se não gostar, vá à loja e devolva. É uma boa vantagem do consumidor canadense e nem precisamos dizer o porquê!

domingo, 5 de setembro de 2010

Robôs dos Jetsons, parte II


Quem é um tantinho mais velho como nós passou a infância assistindo o desenho animado dos Jetsons. Era uma família que vivia no futuro e tinha robôs para ajudar no dia a dia. Ainda lembro que o nome dessa robô ai era a Rose. Quando começei a ler sobre o robô que varre e lava o chão, a primeira sensação foi de ser uma piada. A segunda foi de ser um protótipo futurista. A terceira foi de ser algo proibitivamente caro. A quarta foi: Ei! O futuro já chegou e eu quero um!
Falei para um amigo do trabalho como se fosse uma novidade espantosa e ele me disse: -Ahh!!! Eu já vi. Um amigo meu tem um. Depois, vi no blog de outro colega de trabalho que eles tinham comprado. -Funciona mesmo? -Sim! Limpa de verdade.
Para quem tem piso de carpete ou muitos tapetes, boas notícias. A brincadeira começa em apenas 150$ comprado no Canadian Tire. É o modelo que só aspira, mas aspira bem, chamado Roomba. Para quem tem piso de madeira, cerâmica ou outros, acho mais interessante a linha da qual compramos o nosso, que se chama Scooba. Esse, de uma só passada, aspira o pó, lava, escova e aspira a água suja para um reservatório separado. E ele fica zanzando pelo compartimento de forma que passa várias vezes pelos mesmos lugares. Ele passa inclusive por baixo de sofás e outros móveis que tenham ao menos 9cm de altura. Ele tem 3 comportamentos que se alternam para cobrir a área toda: Espiral, seguir contorno e cruzar a sala. Essa linha começa pelo nosso modelo que custou 340$ com impostos e frete pela www.amazon.ca. Chegou em menos de uma semana.
Se vale a pena? Sim! Olhem a cor da água suja que ele guarda. A ideia de despejar na banheira foi boa para a foto, mas me custou ter que lavá-la depois. Eca!! Tudo por vocês, caros (nos dois sentidos) leitores!

O chão de madeira daqui ficou limpinho.É bem verdade que temos que enxaguar o tanque de água suja, lavar o pequenino filtro de nylon do aspirador, uma pecinha de borracha e a escova. Mas nada que 5 minutos não resolvam. Ele vem com um líquido desinfetante cheiroso que só dura umas 10 aplicações, mas podemos usar também vinagre branco ou mesmo só água. O manual recomenda deixá-lo sempre ligado na tomada enquanto não trabalha (claro!) para que a bateria dure mais. O chão ainda fica um pouco molhado, mas seca logo.
No nosso caso, o apartamento deve ter uns 110 metros quadrados e os nossos comedorezinhos de rapadura sujam pra caramba. Limpeza uma vez por semana tanto cansa, quanto gasta tempo, quanto não é suficiente. Com o super tampinha 3000, podemos limpar o chão do apartamento quase todo duas vezes por semana, e ainda de uma forma bem eficiente. Quando saio de casa, deixo-o trabalhando e quando voltamos está terminado. Às segunda-feiras ele limpa a sala de estar e a de jantar, terças-feiras os 11 metros de corredores em formato de T, quartas-feiras a cozinha, quintas-feiras as salas novamente, sextas-feiras os corredores novamente, sábados os quartos e domingo a cozinha novamente. Para os quartos, paramos no meio do seu ciclo de 45 minutos e o levamos para o outro quarto. Ele vem com uma barreira virtual infravermelha para limitar a área, mas fechar as portas tem sido suficiente.
Tipicamente canadense: máquinas mais baratas trabalhando para evitar o trabalho humano mais caro, que é melhor aproveitado em outras tarefas mais nobres. Já havia dito que a vida aqui sem empregada não é o fim do mundo, nem ficamos escravos do lar porque a vida aqui é mais prática. E agora então, está ainda mais prática, graças aos robôs dos Jetsons!
Bip, bip! -Xi!! E agora? Qual máquina apitou e para dizer o que?!?!





Robôs dos Jetsons, parte I


Como prometido, vou contar aqui como nós nos livramos de duas tarefas do lar que são um saco: lavar a louça e varrer e/ou passar o pano no chão. Eu passo o dia trabalhando para máquinas, fazendo programa...opa! Não é o que vocês estão pensando! Eu não conseguiria ganhar dinheiro nessa profissão com o meu biótipo! Digo, fazer software de computador! Melhorou? Pois continuemos. Nada mais justo que chegar em casa e descontar!!! Isso! Vamos botar as máquinas para trabalhar para nós também, para descontar!
Para alguns não é novidade, mas para quem lavava e passava roupa no Brasil, a  laveuse/lavadora de roupas e a sécheuse/secadora roupas, aliados a tecidos apropriados e macetes fazem com que economizemos esse tempo e cansaço como contei nessa postagem. Já vale um bocado. Não vou nem falar do microondas. Ahh!! Ia esquecendo o Pablo! É o nosso espremedor de laranjas que parece um pinguim e que me lembra o Pablo dos Backyardigans. O suco de laranja industrializado é tão ruim que eu perguntava se a Mônica tinha comprado no supermercado ou na farmácia!

A parte de lavar louças é fácil, né? Basta comprar uma máquina de lavar louças! Dããããã.... Mas se eu disser que essa solução foi a que me deu mais dor de cabeça. Na verdade, a novela começou antes de eu comprar, estamos usando-a e ainda nem terminou!
O problema inicialmente era o espaço. Os armários de cima são baixos para colocá-la no balcão da cozinha. Então, resolvi colocar em uma prateleira na área onde ficam a lavadora e secadora de roupas. Só que tinha que tirar uma prateleira para que coubesse. Os dois primeiros parafusos foram uma maravilha, porque são vis carrés/parafusos quadrados (o buraco é que é quadrado). Já os dois de trás, são Philips/estrela, entupidos de tinta, enferrujados e estrompados, quase redondos. Depois de alguns dias tentando, a solução foi usar o jeitinho...jeitinho BRUTO!!! PÁ!! POU!! IÁÁÁ!!! CRASH!!!  GRRR!!!! Pronto! Prateleira delicadamente esbagaçada! Ai vem o lado ruim de morar de aluguel. Eu não poderia nem colocar um prego na parede, mas tenho ainda um ano para me preocupar com isso (renovei o bail por mais 6 meses).
Pronto! Problema resolvido! Que nada! Vi mais de duzentos modelos (literalmente) de lava-louças paquidermicamente grandes! A esmagadora maioria segue o tamanho de embutir em uma seção de armário de baixo do balcão da cozinha: 80cm de altura, por 30cm de largura por 30 cm de profundidade. Eu até pensei em desmontar uma parte do armário, mas ainda tinha o problema de por onde passar as mangueiras de água e a energia.
Caline!/Porcaria! Eu tinha medido tudo e cabia nas prateleiras! Como é que só tem lava-louças imensas que não cabem?! Depois de me lamentar e chorar a noite inteira (Buaaaaa!! Buaaaa!!!), eis que no dia seguinte a Santa Mônica vem com a solução! -Tem um lava-louças portátil no Canadian Tire! -Onde, que eu fucei o site todo e não achei nenhuma?! -No jornalzinho! E não é que era justamente a marca e modelo que eu tinha usado como referência de tamanho! Danby DDW497W. E melhor que custou menos que os outros. Só 250$.
Hoje vi que é a mesma marca do nosso condicionadorzinho de ar de 100$, que desinstalei e guardei hoje. Corremos para o Canadian Tire para comprá-lo imediatamente antes que o estoque acabasse. Se você marcar a sua loja de preferência, o site diz se tem ou não em estoque.
Comprado e problema resolvido! Pantoute!/De jeito nenhum! (Nota do tradutor: Pantoute é um regionalismo québécois da expressão "pas du tout"). Quem disse que ela cabe no porta malas?! Mas ao menos cabia no banco de passageiros, só que tomava o lugar de alguém. A Mônica preferiu voltar de metrobus 802 e a Lara quis ir com ela, ao invés de esperar eu ir e voltar para pegá-los. Chegaram somente uns 5 minutos depois de nós! Tempo de espera na parada: 0 minutos!
Bom, desembalado o produto, quem disse que eu entendia o que diachos era uma peça que juntava a entrada com a saída de água?! Como é que eu vou juntar a entrada com a saída em apenas uma conexão? Depois de ler o manual mal explicado tanto em inglês, em francês quanto em espanhol, eu entendi que era para atarrachar na torneira da pia e a água saia por baixo da peça e caia na pia. Ahh! Mas eu não tenho pia e sim as conexões da máquina de lavar roupas, que inclusive já estavam ocupadas com essa. Para completar, as mangueiras são bem curtas porque foram feitas para ligar na torneira da pia. Ai, ai, ai!
Solução?! Home Depot! O shopping do lar. O "Tem de Tudo" de Fortaleza virou um tem de nada na frente dele! É imenso! Tem muita coisa de macenaria, como era de se esperar. Quando nós tivermos a nossa casinha... Depois de gastar meu francês entre tuyau/mangueira ou tubo, /a letra T, i grec/a letra Y, coude/cotovelo, trois quart de pouce/três quartos de polegada e outros termos específicos de plomberie/hidráulica (eu já tinha estudado-os antes de ir para lá), o cara me deu exatamente tudo que eu precisava, bem bizurado.

Agora sim, né? NÃO! A merde (nota do tradutor: Essa está fácil!) do cano de saída de água da lavadora de roupas é mais fino que o tamanho padrão de 1½" ou un pouce e demi/uma polegada e meia. Voltei lá e o cara quase que me disse: -Xi!!! Se f...undiu! Mas a educação canadense o fez dizer simplesmente que não tinha solução para o meu problema. Entrei no modo gambiarra bem ao estilo brasileiro. Achei um redutor de borracha com presilhas vissé/parafusadas que ficam por fora dos canos. O cara disse: Pode tentar, mas acho que vai vazar.
A solução quase deu certo, porque a mangueira da lavadora de roupas entra muito no Y e obstrui a saída de água da lava-louças. Agora vou procurar algo para encompridar o cano da lavadora de roupas, mas já estamos usando ambas mediante comutação manual. Se errarmos a mudança, o vizinho de baixo não vai ficar nada contente!

Essa lava-louças é menor do que a que temos no apartamento do Brasil, mas como a energia aqui é absurdamente barata, podemos acumular a sobra de uma lavagem para juntar com a próxima ou outras formas de contornar a lavagem manual.
Isso não evita termos que lavar algumas coisas como panelas grandes, mas já ajuda muito. Eu particularmente não acho nada legal lavar a louça, até porque me dá dor nas costas e também água bem quente da máquina esteriliza a louça e reforça a limpeza.
Eu começei por essa postagem para dar mais suspense para a parte mais interessante, que é o robô que varre e lava o chão, na segunda parte desse assunto.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Empregada versus vida prática


Muitos futuros imigrantes ficam pensando como vai ser penoso morar no Canadá sem a empregada. O salário mínimo daqui é de cerca de 1.500$/mês para 40 horas semanais e esse é um dos muitos fatores que faz esse país ser o que é, com bem menos problemas sociais. Mas não é só na América do Norte que as pessoas se viram sozinhas. Isso é comum também na Europa. E aí? Como é que dizem que o Canadá é um pais de alta qualidade de vida sendo escravos do lar, trabalhando em casa além de trabalhar na empresa?
A resposta é: com uma vida mais prática.
Vamos começar pelas tarefas domésticas mais cansativas. Vou tentar falar daí em termos gerais e não necessariamente o caso particular de alguém. Mas já aqui, a visão vai ser de poucas amostras, logo, não necessariamente o caso geral. Até porque não conheço também fora do Québec.
Faxina: No Brasil, é comum entrar com sapatos sujos em casa e as janelas trazem poeira da rua. Para completar, varremos a casa toda e depois passamos um pano molhado com um rodo. Ufa! Quando pensava em fazer isso, já dava preguiça. Aqui no inverno, só entramos de botas cheias de neve poucas vezes até aprendermos que dá mais trabalho enxugar a água que fica. Sem contar a lama! Por isso, a primeira coisa que fazemos ao entrar em casa é deixar os calçados na "bandeja" de plástico. O sal usado para derreter a neve corrói o verniz do piso de madeira. Quando visitarem alguém, escolham meias legais porque é de meias que ficamos na casa dos outros. Logo, evitem comprar meias brancas. Compro meiões pretos e com o mínimo de algodão possível na composição porque absorve o suor e dá frio em temperaturas abaixo de -5 graus. Também, a casa fica fechada a maior parte do ano, logo, não entra muita sujeira. Logo, ela se suja muito menos, principalmente se vocês conseguirem disciplinar os anjinhos a não comerem coisas que se esfarelam no chão ou no sofá. Quando fazemos a limpeza do chão, que é muito menos frequente, já fazemos duas operações em uma: usamos uma espécie de escovão com esponja, tecido descartável seco ou já com um produto embebido em baixo. Este escovão já "varre" a sujeita grossa e absorve a sujeira fina. Uma passada e o chão já fica limpinho. No caso da esponja, tem uma alavanca para a espremermos com pouco esforço. Não vejo acumular sujeira no resto da casa, e não vejo aranhas para fazer suas teias artísticas, logo, se precisar, vai ser uma vez perdida.
Lavar, secar e passar roupas: É só jogar na máquina de lavar, colocar uma folha de detergente sólido, apertar o botão e assistir a série de hockey Québec versus Montréal. Quando terminar, ela avisa. Aí tiramos as roupas e a folha que vai servir agora como amaciante, perfume e anti-estática, jogamos na secadora, apertamos o botão e voltamos para o terceiro tempo. Ela avisa quando estiver pronto. Acabei o tópico. Epa! você não falou de passar as roupas! Quando eu pedi um ferro de passar à amiga que me hospedou pelo primeiro mês, ela disse: eu te empresto mas eu nem sei porque eu o tenho. Nunca uso! E conversando com amigos, todos dizem que passar roupa é uma perda de tempo (isso depois de me encherem o saco por eu falar engomar ao invés de passar. Coisas do dialeto cearense!). Quando as camisas saem quentinhas da secadora, seguro pelas extremidades de baixo e dou três "sopapos" para esticá-las. Depois, botamos no cabine que elas ficam bonitinhas. As calças também. A escolha dos tecidos também ajuda, porque o velho algodão, linho e companhia vão pedir para serem passados mesmo. Mas as malhas, moleton e jeans são uma tranquilidade.
Louça: Se quiser, podem usar uma máquina de lavar louça também. No Brasil, duvidava da limpeza delas, mas faz milagre mesmo. Não precisa de pré-lavagem manual. Fazia isso porque não confiava. Foi bom eu ter tocado no assunto porque, conversando com a patroa, ficamos de pesquisar o preço e o que precisa para instalá-la. Lai vou eu de plombier/encanador outra vez.
Cozinhar: Agora eu vou ter que fazer uma boa contextualização primeiro. Bem grosseiramente, uma pessoa que ganha X reais no Brasil tende a ganhar X dólares aqui. Repito: é uma regra grosseira, só para dar uma ordem de grandeza. Assim, algo que custa 10$ aqui tem o "peso" no bolso de algo que custa R$10,00 para quem ganha em reais. Porém, o produto que compramos com 10$ custa uns R$17,00 (cotação de exemplo). Assim, com essa diferença, muitas vezes dá para pagar a importação e ainda pegar as melhores seleções de frutas, por exemplo. Compramos castanha de caju mais ou menos do mesmo preço que comprávamos no Ceará, seguindo a regra do 1$=1R$ e é importado, enquanto que o Ceará exporta. Quando são produzidos aqui, o custo fica baixo. No Brasil, muitas vezes impera a lógica do vende mais o produto que for mais barato, porém às custas de uma redução de qualidade. Aqui, vende mais o que é melhor, levando-se em conta o custo-benefício, claro, mas não focado só no custo. Para dar o exemplo mais radical: sorvetes de marca como o Kibon tem gosto de água, enquanto que já comprei que o delicioso Häagen-dazs (eita nome complicado!) por até 4$ o pote de 500ml. No Brasil, acho que custa mais de R$30,00. Também, quando o mercado consumidor é grande e exigente, pode-se e deve-se investir nos produtos.
Pronto! Isso dito, agora posso dizer que não é pecado, nem fast-food, nem apelação comprar um papillote (não sei como se traduz isso, mas é um saco de papel tipo o de pipoca) de frutos do mar e fazer no microondas. É uma delícia com camarão, peixe e algumas coisas mais que nem imagino o que sejam. E tem outras coisas que, se não estão prontas, estão semi-prontas como batatas descascadas e cortadas. Se quiserem um bolo mais gostoso que o comprado no supermercado, vão ter que ser competentes como a Mônica, senão, vai dar mais trabalho e não vai ser tão bom quanto. Isso porque muita gente consome e exige, então, como dissera (lembram do finado pretérito mais-que-perfeito?), tem mais investimentos para produzir com qualidade.
Basta dizer que eu não sabia cozinhar e me virei aqui sozinho durante o primeiro mês. Não estou dizendo para só comer comida pronta e se matar de fast-food. Vou dar um exemplo: Jogava sal, óleo, e arroz na água quente, ajustava o timer e ia ver se entendia alguma coisa na televisão. Quando dava o bipe, já tinha o arroz para esta e outra refeição. Depois fritava uma posta (eu disse Posta!) de salmão que já vinha bonitinho do supermercado, colocava uma salada que já vinha cortada e misturada e batatas fritas. Voilà/vualá! (nota do tradutor já enchendo o seu saco: não é uma tradução porque todo mundo conheçe essa palavra quando falada, apenas não sabem como se escreve) Taí um almoço gostoso, sem trabalho e que até eu faço!
Fora os afazeres de casa, as instituições aqui são na média menos burucráticas, as embalagens mais fáceis de usar e protegem mais, os eletrodomésticos são mais fáceis de desmontar e limpar, etc. Uma amiga minha devolveu o processador multi-uso Tabajaras só porque não era tão prático de desmontar e limpar. Esse tipo de produto morre fácil porque aqui os consumidores os devolvem e pegam o dinheiro de volta nos 30 primeiros dias.
E o tempo aqui é bem aproveitado. Tem rendez-vous/agendamento/hora marcada para tudo. Assim, não precisamos perder tempo esperando e normalmente somos atendidos na hora certa mesmo. As crianças daqui se viram bem mais que as brasileiras e ajudam ao invés de atrapalhar. Já trabalhavamos nessa linha no Brasil e estamos reforçando isso aqui, mas.... ai, ai, ai!
Enfim, não é a mesma coisa que ter uma pessoa dentro de casa só para trabalhar para nós, mas pensando bem, tem muito esforço desnecessário que pode ser otimizado na nossa rotina para que ela fique leve o suficiente para não nos importarmos, principalmente depois de acostumados.
No próximo capítulo dessa série, pretendo falar sobre a filosofia do faça você mesmo, que não é a mesma coisa do te vira malandro!