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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pegue o 801 às 08h07


Com o referêncial que eu tinha, o sistema de transporte daqui de Québec é muito bom. Uma das coisas que eu acho fantástico é a pontualidade. Um benefício dela é nos programarmos para esperarmos menos na parada. Outra é poder fazer o planejamento do trajeto todo, levando em consideração a hora na qual vamos pegar e descer de cada ônibus. Melhor que isso, quem faz a programação para nós são os sistemas informatizados.
Até um tempo atrás, a única ferramenta que tínhamos era o Trajecto, da própria companhia de transportes daqui, a RTC. Ela não é ruim, mas tem limitações. Uma delas é que não funciona ao menos em alguns celulares, incluindo o meu. Outra é que ela é pouco interativa. Temos que fornecer os dados, apertar o botão e só então ver os resultados.
Mas recentemente, a RTC passou a trabalhar em parceiria com a Google para permitir que esta pudesse utilizar suas informações no Google Maps. Ganhamos em alguns pontos como ter acesso através de celulares (com direito a um aplicativo próprio para celulares, inclusive Symbian), em mais de um idioma e com uma visualização mais rica e interativa. Podemos arrastar e soltar os pontos de origem e destino que ele mostra o desenho do itinerário em tempo real. Isso nos permite de seguir a rota dos ônibus, entre outras vantagens. Entretanto, ele tem menos opções de pesquisa e não é tão atualizado em relação a desvios de rota. Aqui tem um comparativo de recursos entre os dois serviços complementares.
Segue aqui um exemplo de programação de ônibus de casa para o trabalho usando o Google Maps.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Agora eu posso ser pobre!


No Brasil, o perfil de classes sociais que usam os meios de transporte é bem mais definido. Pessoas das classes mais baixas não podem comprar um carro e uma parte deles anda a pé ou de bicicleta por não ter como pagar mesmo o custo do ônibus. Por outro lado, quem pertence às classes mais altas não pode usar a bicicleta como meio de transporte do dia a dia por causa dos assaltos. E ao menos em Fortaleza, tem mais dois ingredientes: Trânsito caótico com motoristas mal educados e arrogantes e o calor infernal.
Aqui o uso dos meios de transporte é bem mais difuso (ah como eu queria ter esse vocabulário rico em francês!). Com um salário mínimo de 1600$/mês, carros usados a partir de uns 4000$ e o inverno rigoroso, os carros são mais universais. Mas também, anteontem mesmo eu vim para casa ao lado de um cara com roupas sociais que trabalhava usando o notebook em pleno ônibus. Isso não é raro. Aqui, ônibus não é veículo somente de pobre. Existe inclusive promoções para quem paga estacionamento no trabalho que pode experimentar ir de ônibus de graça por uma semana. Essa é a concorrência deles.
Também se vê muito as pessoas usando não só como diversão, mas como meio de transporte rotineiro bicicleta e mesmo patins.
Feita essa introdução para tentar fazer uma troca de contexto, agora vamos à boa notícia: A Mônica tirou a carteria de motorista daqui. Aêêêê!!! Fiquei muito orgulhoso porque muita gente reprova e ela teve a maior pontuação que eu já tive notícia até hoje. E agora, o carro é dela porque as suas aulas terminam no meio da tarde e fica mais cômodo para pegar as crianças nos dois sentidos, do horário e agora indo de carro.
Agora vamos ao choque cultural. Eu devia estar triste, não? Voltar a andar de ônibus? Eca! Coisa de pobre!! Eu passei um tempo deixando o carro na garagem e indo de ônibus por opção, já que este passa a cada, no máximo 10 minutos, vai de porta a porta e muitas vezes eu ia sentado e lendo. O carro é um treco esquisito. Gastamos energia (embora a gasolina aqui custe somente cerca de 1$ por litro) para fazer com que uma massa de em torno de uma tonelada se mova para transportar apenas algumas dezenas de quilos de carga útil e ainda poluindo. Sem contar com o sedentarismo que ele traz.
Mas eis que surge a possibilidade de eu fazer o que eu queria no Brasil e não podia. Ser chique como os cidadãos de países desenvolvidos e poder ir para o trabalho de... bicicleta! Isso! É saudável, divertido, econômico, ecológico e até seguro! É um meio de transporte inteligente. Com apenas 140$ comprei uma bicicleta com quadro de alumínio, bem leve, com suspensão dianteira e traseira. Muito barato! Moro a apenas 3Km do trabalho, vantagem das cidades menores, tem vias cicláveis, ruas que quase não têm movimento e motoristas que respeitam. O único problema, que vai se resolver com o tempo, é que moramos na cidade alta e trabalho na cidade baixa. O desnível é grande. Para ir é uma maravilha! Metade do caminho é descida e chego nos mesmos 15 minutos de quando ia de carro. O problema é a volta! Haja fôlego! Mas a ideia é essa mesma! Exercício é saúde!
Escolhi esse tema como forma de ilustrar que os contextos dos dois países são muito diferentes e quem vem para cá tem que estar de cabeça e espírito abertos para se adaptar melhor. Vai ter gente que vai entender que para mim foi uma mudança que eu queria desde o começo, outras vão torcer o nariz e outras vão me chamar de mentiroso porque simplesmente não bate com o paradigma brasileiro. C'est la vie!/É a vida!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Aconteceu no ônibus


Esse título é tão comum quanto tirar a foto da folha d'érable/maple/bordo. Não me incomodo com o fato de ser bem cliché/clichê (nota do tradutor: Só para dizer que se usa esse termo no Brasil também). Ainda não tirei essa foto porque só agora é que as folhas começam a nascer. Em geral, os blogueiros costumam descrever em um post com um título desses uma situação inusitada que se passou dentro de um ônibus que surpreende pela diferença cultural. O meu não poderia ser diferente.
Estava eu lendo meu "livrinho" de como passar no exame prático de direção e depois fazer tudo diferente (mesma coisa do Brasil. Raros são os que desaceleram com o carro sempre engatado, sem o deixar livre como manda o manual), quando percebi que um cara cantava uma canção alegre (assim não é pleonasmo). E cantava um pouco mais alto do que o normal quando se canta para si mesmo. Dai, uma mulher que estava do outro lado do ônibus acompanhou. Achei curioso e parei de ler. Então, mais outra pessoa se junta ao coro, e outra, e outra. Quando tive que descer, tinha umas cinco pessoas que provavelmente não se conheciam cantando a mesma canção enquanto que a maioria dos demais, inclusive eu, abria um sorriso, contagiado pelo clima.
E aí vocês perguntam: Qual era a canção? Querem saber? Eu também!! Não entendi, nem tive tempo de pegar ao menos uma frase para pesquisar. E fiquei morrendo de curiosidade de saber o que tem de tão contagiante nessa música.
Mesmo assim, já é interessante o suficiente contar aqui da situação que parece coisa de filmes, mas para virar um filme aqui, basta eu filmar. E não deu tempo também! Que puxa!