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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

FRRRRR



Eu ouvi alguém dizer que depois de -20°C, é tão frio que tanto faz a temperatura que nem sentimos a diferença.  Pantoute!/De feito nenhum! Eu decoro a temperatura mínima de cada inverno. Em 2010, fez -26°C e a já a -20°C o corno displicente motorista de ônibus me deixou congelando no meio do nada, completamente perdido e o próximo ônibus só passava depois de uma hora como contei nesta postagem. Em 2011 também fez -26°C, mas a sensação térmica chegou a -44°C como filmei e comentei nessa postagem. O inverno de 2012 foi chamado em uma reportagem da RDI de "o inverno que foi interrompido" de tão fraco e atípico. Mesmo assim, chegamos nos -24°C.

Esse inverno resolveu dar uma "refrescada" na lembrança dos québécois de idade mediana e mais avançada, ao chegar aos -29°C e sensação de -42°C. A temperatura mais fria em Québec desde quando começaram a registrar foi de -36,5° em 1972 como podem ver aqui. Não só isso. Quando a temperatura dá um mergulho desses, normalmente passa um ou dois dias e retorna a sua faixa típica acima dos -20°C. Mas passou cerca de uma semana de frio mais intenso, o que eu não tinha visto ainda. E mesmo quando a temperatura começou a subir, o vento gélido continuou impiedosamente a subtrair ao menos 10°C de sensação térmica. Comentei com uma colega de trabalho que mora em Boston, a apenas seis horas mais ao sul de Québec, que era o dia mais frio da minha vida. E ela respondeu que o dela também!

Passar dos -20°C parece romper um limite físico como a barreira do som, pois algumas coisas mudam visivelmente. Em vários lugares, começa a criar gelo na parte de baixo das janelas, mesmo as de boa isolação com vidro duplo e que ficam logo acima dos aquecedores regulados a 22°C. Quando abria a porta de manhã cedo, o choque térmico criava uma fumaça que entrava na casa. Mas o que mais apresenta mudanças são os carros. Muitos deles não dão partida e a quantidade de acionamento dos serviços de socorro mecânico aumenta absurdamente. 70% deles, por causa de bateria fraca. Ao me virar para colocar mochilas no bagageiro, quase bato o rosto na quina da porta traseira do carro porque ao invés de subir como sempre, ela simplesmente parou no meio do caminho. Mesmo esperando alguns minutos para o carro esquentar, tudo fica duro: direção hidráulica, freio, embreagem (no carro antigo que tinha). O carro fica tão doido que tem horas que ele avança uma marcha por engano e volta para a anterior imediatamente.

Não vou mentir. É frio pra burro, cavalo, boi e tudo quando é bicho, mais ainda para os bípedes (ir)racionais. O carinha do "Têtes à claque" conta que os ursos têm 5 cm de pele (será?) e mesmo assim, ficam até a primavera escondidos em uma caverna. E nous autres/nós? Compramos luvinhas no Walmart! Mesmo com o meu aparato que me permite praticar snowboard a -20°C sem que o frio me incomode (a atividade física ajuda), não dá para fazer piquenique no parque a -29°C. Só o que podemos fazer é controlar as duas outras variáveis: reduzir o tempo de exposição ao mínimo possível. Sabe as compras de supermercado? Que tal fazer antes do que a previsão meteorológica mostra como alerta em vermelho? Sem dúvida nenhuma, com um carro fica muito mais suportável.

Hein? A outra variável? Que outra vari...ahh, sim! A outra é a cabeça! Me perguntam em várias situações:
-Mas você não sente frio?
-Claro que sim! Não tenho a camada de gordura por baixo da pele para me proteger e uso menos roupa que a média das outras pessoas.
-E como você aguenta o sofrimento?
-Sendo masoquista!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Abrigo do carro


Segunda-feira preguiçosa e gelada. Você sai atrasado para o trabalho e ao invés de ver o seu carro, você encontra um sorvete. O seu carro deve estar lá embaixo, mas vais ter que tirar a neve para poder dirigir. Pior é que você descobre que tem gelo grudado no para-brisa e é daqueles que não dá para raspar. Esse episódio de Têtes à Claques faz uma sátira do inverno mostrando uma cena dessas. Daí, você tem que pacientemente esperar o desembaçador derreter o gelo para poder sair.

Mas os seus problemas se acabaram com o abrigo de inverno Tabajaras! Conheci esse mais que útil amigo dos atrasados-por-causa-das-crianças-sonolentas quando compramos a nossa casa. O antigo dono nos deixou de presente e ainda me chamou um dia para me ensinar como montar e desmontar. Um anjo de pessoa esse cara. Quando fui montar no outono, tive dificuldades. Imagine se não tivesse visto montado e com explicações!

Além do carro ficar sem neve nem gelo, também reduz a área de acúmulo de neve para limpar. Quando mais perto da rua, maior a economia, embora exista um limite mínimo definido por lei, talvez por causa da visibilidade. O meu vizinho colocou o dele quase na rua e talvez o trator que raspa a neve da rua cause algum dano. Outra questão legal é que existe uma parte do ano que compreende o inverno na qual é permitido ter esse abrigo montado, mas não pode ficar durante o ano todo. Acho que por questões estéticas, mas realmente não sei.

Depois de uns dois invernos, ficamos maceteados e monto o nosso abrigo sozinho. Mas recomendo fortemente comprar uma furadeira/parafusadeira com adaptador para porca borboleta sob pena de acabar os dedos nas várias dezenas de parafusos. É de suma importância deixar o abrigo bem preso e firme sob o risco de tê-lo sobrevoando os EUA em caso de ventos de 80Km/h. Para isso, existem blocos de cimento de tipos diferentes em lojas tipo Rona e ancoragem para prender ao solo no Canadian Tire como essa daqui, usadas com cintas de catraca como essas daqui.

Como hobby de fotografia, fiz um timelapse para mostrar em poucos segundos a montagem do abrigo que leva algumas horas. Tenham uma boa preparação para o inverno!


segunda-feira, 26 de março de 2012

Ski e snowboard

Sim, senhores e senhoras. Somente no finalzinho do terceiro inverno é que fomos experimentar os esportes de neve. Em parte, foi devido a ainda estarmos patinando muito, que é mais prático e barato. Também outro motivo foi a falta de amigos para fazermos juntos. E finalmente, tenho que reconhecer que também porque é um esporte caro.

Para experimentar e saber se vale a pena investir, recomendo ter uma aula inicial com um instrutor ou com um amigo com alguma experiência. Isso pode poupar algumas quedas e frustrações. Mas não se preocupe! Mesmo assim você vai cair!

Começando pelo ski. Compramos um pacote de uma hora e meia de aula com um instrutor para nós quatro e material incluso, fora o capacete e óculos, para o dia todo. Incluindo os capacetes e óculos, o custo ficou em quase 200$. O instrutor era bom, mas o proveito foi diferente. O Davi desistiu cedo. A Mônica bem que tentou, mas o exercício de subir a pente école/ladeira (ou pista) escola andando de ski foi treinamento militar dos brabos. A Lara ficou até o fim, levou quedas, aprendeu a frear um pouco e fez algumas descidas.

Eu comecei descendo desengonçadamente como um pato bêbado, mas fazendo o tradicional zigue-zague sem nenhuma queda (fora a tapadice na subida da pista puxado pelo cabo de aço). Depois dessa hora e meia de aula, eu já estava descendo na boa, nas pistas longas normais. No dia todo, só levei uma queda por cruzar os skis em uma curva com buraco.

Para decidir, em outro dia fui experimentar o snowboard de uma forma completamente diferente. Dessa vez fui com dois amigos que já tinham alguma prática. Eles me passaram algumas dicas, fomos para a pente école e desci duas vezes com o snowboard de lado e eu descendo de frente. Quando fui descer de costas, simplesmente não consegui. Resolvi dar uma de doido e propus descer nas pistas normais para aprender na marra. Levei boas quedas, mas funcionou! Aprendi a fazer as curvas fazendo-as de primeira tentativa. O pior do snowboard é quando ele se enterra na neve, travando abruptamente e nos fazendo cair para o lado da descida. Com velocidade e caindo de costas, é ainda mais violento.

Para ficar ainda mais radical e traumático, tinha chovido durante alguns dias e a neve estava compacta e dura, quase como gelo. Por cima dela tinha apenas uma fina camada de neve fofa que não dava tanta manobrabilidade nas curvas e frenagens, dificultando ainda mais o aprendizado. O snowboard fazia frequentemente o barulho de madeira arrastando no chão duro. E as quedas doiam mais.

Achando pouco, os loucos dos meus amigos me chamaram para a pista difícil. E eu mais louco ainda, fui! Derrepente, a pista acaba e não vemos o que tem depois. Quando vemos, não tem mais jeito. É uma pista bem inclinada e ganhamos muita velocidade a todo momento. Eu cai do começo ao fim. Mas não antes de sair da pista e cair em um barranco, me enganchando nos galhos das árvores. Ainda bem que me enganchei neles! Foi bem difícil subir com a inclinação e a neve escorregadia.

Meu ponto de vista em relação aos dois.
Ski: Fácil de aprender, menos quedas, quedas para os lados são geralmente menos lesivas, em caso de queda, o ski solta da bota para evitar torções, anda bem em qualquer situação, mais familiar para quem já andou de patins, para o público em geral (crianças, pouco habilidosos, experts, etc.).

Snowboard: Mais difícil de aprender, mais quedas, quedas para frente e para trás são geralmente mais lesivas, os dois pés ficam presos ao snowboard arriscando torções, chato de se deslocar no plano e frequentes prende e solta botas, mais familiar para quem já praticou skate e/ou surf, para quem gosta de esportes mais radicais.

No final das contas, mesmo todo arrebentado, achei snowboard mais emocionante e já comprei o passe para a próxima temporada no Le relais du Lac-Beauport, que fica a 14Km daqui de casa. O passe que permite usar as pistas a partir de 16h00 custou 109$ na promoção até o fim de março, enquanto que o preço normal é de 300$. Sim! É caro mesmo! Mas o do dia todo custa ainda mais: 600$! Quando chegar mais perto, vou comprar o material. O conjunto de snowboard, botas, capacete e óculos vai desde uns 180$ sendo usado até entre 500 e 600$ sendo novos. Claro que em se tratando de preço de produtos, o céu é o limite.

O frustrante é que nessa época já não presta mais para praticar. J'ai hâte au prochain hiver! Estou ansioso pelo próximo inverno!

Obrigado ao Tarcizo pelos vídeos de ski e ao Gustavo pelos de snowboard.




terça-feira, 6 de março de 2012

Tirando a neve, parte 2.1

Esse é o suplemento do complemento, por isso é a parte 2.1. O amigo Taz colocou como comentário o vídeo que eu queria e que estava faltando: o trator tirando a neve do estacionamento. E melhor ainda, ele disse que o preço pago pelo serviço para uma garagem desse porte fica entre 300 e 350$ por inverno. Parece ser caro para o pouco tempo que o trator leva para limpar, mas com uma boa tempestade, esses estacionamentos desse tamanho e sem abrigo perto da rua consomem facilmente mais de uma hora e meia de trabalho.

Valeu Taz!




segunda-feira, 5 de março de 2012

Tirando a neve, parte II

De tempos em tempos, eu gosto de mostrar o lado não tão "bonitinho" da vida daqui do Canadá. Faço isso para não ficar como uma propaganda enganosa. Mas o meu amigo Tarcizo fez um comentário justo: assim fica parecendo que todo mundo tem que fazer essa musculação de tirar a neve de casa. E pela pergunta que um leitor fez, também fica parecendo que isso é algo bem frequente. Por causa disso, resolvi dar mais esclarecimentos como um complemento.

Começando pelo começo. Quando chegamos aqui, é quase certo começarmos alugando um apartamento. Nesse caso, geralmente o déneigement/remoção de neve é responsabilidade do proprietário e o inquilino não precisa se preocupar com nada, a não ser não escorregar e cair quando colocar o pé fora da porta! Olhe que acontece!

Os que compram uma casa têm algumas opções. Uma delas é contratar uma empresa que faça o serviço. Pelo que sei, paga-se por inverno e o preço varia com a área. Alguns exigem que tiremos o carro antes (que pode ser bem cedinho!) para que o trator limpe todo o estacionamento, outros limpam apenas a entrada. Isso acontece, claro, quando temos um abrigo. Acredito que geralmente a parte da entrada da porta da casa até o estacionamento ou a rua fique por conta do proprietário mesmo, mas é a parte mais leve do serviço.

Os aposentados da rua de trás que gostam de ter alguma ocupação, mas não têm mais condições de encarar entre meia hora e duas horas (dependendo da casa) de serviço pesado, adoram usar suas soufleuses/sopradoras de neve. Uma vez, vi um deles limpando mesmo a rua até a casa de frente. Mas não são só eles que usam soufleuses. Quem não gosta da "brincadeira" ou não tem tempo a perder com o serviço, fazem essa opção de bom custo benefício. Uma soufleuse potente, de boa marca e com bons recursos pode começar na casa dos 500$. O investimento se paga em poucos invernos. Rapidinho e quase sem fazer força, ela joga a neve toda para onde quisermos. O motor a gasolina a faz andar e ainda tem marchas para controlar a velocidade.

Já a galera da minha rua, que foi aberta em 2006, é jovem, disposta e ativa ou.... gastaram o dinheiro com outra coisa! Eu me incluo em ambos os casos. A maioria se diverte tirando a neve como eu. Bom, se eles não se divertem aí fica ruim!

Outro detalhe é que nem todo mundo pode acordar mais cedo para remover a neve e tirar o carro. Eu sou um desses. Um carro pequeno pode facilmente ficar atolado na neve da saída caso neve muito. Mas eu tenho o trunfo de ter um quatre pattes/quatro patas (carro com tração nas quatro rodas). Meto a ré, vou embora e deixo para tirar a neve quando volto para casa.

E em relação à frequência, é bem irregular e depende de São Pedro. Já tive que tirar muita neve durante uma hora cada dia, por três dias seguidos. Mas depois disso, passaram-se umas três semanas sem cair um floco de neve. Também tem vezes que cai pouca neve e basta meia hora de trabalho.

Para terminar, achei esse vídeo que mostra alguns aspectos da neve do inverno: um homem usando uma soufleuse, o trator raspando a neve para a margem da pista e o conjunto trator-soufleuse e caminhões removendo a neve. Alguém perguntou se a rua não ficava estrangulada porque eu e os outros jogáva-mos a neve na rua. A nossa rua é mais larga justamente para isso. Mesmo com acúmulo, dá para passar um trator entre dois carros estacionados um em cada lado. Eu é que não arrisco deixar o meu nessas condições! E quando acumula, esse comboio passa removendo a neve. Por sinal, acabou de passar por aqui.

O chato é que esse vídeo começa logo assustando pois mostra a poeira da neve soprada pelo vento forte em um cenário nada acolhedor! E lá vamos nós novamente!



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tirando a neve




Estou inaugurando agora uma nova modalidade de postagem, mas não sei como denominá-la. Bom, o formato texto é o mais clássico, podemos usar links e faço minhas traduções no próprio texto com cores para apresentar palavras e expressões interessantes. Mas descrever as cores do outono não é a mesma coisa que mostrá-las nas fotos. E uma foto vale por mil palavras, mas não expressa bem a velocidade de uma descida de tobogã na neve nem mostra quão forte está o vento.

Já faz um bom tempo que tenho editado vídeos para o blog, mas ainda não tinha percebido que posso colocar conteúdo falado nele ao invés de deixar tudo escrito (Dãã!! Meio óbvio, né?). É bem mais interessante fazer comentários enquanto mostramos o que está sendo comentado.

Não pretendo transformar o blog em um vlog (vídeo log) até porque consome mais tempo e demora mais para ser publicado. Mas vou procurar usar esse formato onde for mais apropriado, na medida do possível.

Fica aqui minha primeira experiência mostrando o trabalho que dá tirar a neve de casa, embora eu goste (ao menos, por enquanto!). Desculpem minha ga-gagueira e falta de organização das frases. Foi tudo de improviso e não tive tempo de regravar na mesma ocasião pois, tinha uma tonelada de neve para tirar! Prometo que na próxima vai ser melhor. Obrigado à minha assistente de câmera, a Lara!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Le domaine de la forêt perdue




Le domaine de la forêt perdue from Alexei Aguiar on Vimeo.

Nossos queridos amigos também vindos do Ceará mas que moram em Montréal nos propuseram um programa diferente. A primeira coisa bizarra...hum...bizarro é muito comum em francês, mas é menos usado em português. A primeira coisa esquisita que saltou aos olhos foi o nome do lugar: Le domaine de la forêt perdue/O domínio da floresta perdida. É o que?!?! É o tipo de situação onde entendemos o que foi dito, mas não o que quer dizer. Me veio à ideia duendes, cavaleiros medievais e maconha mofada temperada com veneno de rato.

Bom, é uma fazenda que tem uma pista de patinação em forma de labirinto com 10 Km de extensão total. Além da patinação, tem os animais para as crianças verem. Sounds interesting/parece interessante! E onde fica isso? Fui consultar no site deles. Notre-Dame-du-mont-Carmel?!?! Hein?!?! Ahh bom! Porque é que não arredondam logo para Trois-rivière (ou troière como eu ouvi uma mulher de lá pronunciar)? É bom porque fica no meio do caminho entre Québec e Montréal, que não é longe. Principalmente quando já viajamos para Montréal o suficiente para não sabermos dizer quantas vezes foram.

Pagamos 14$ por adulto e 12$ por criança. Esses 4 ingressos nos deram direito a compra de produtos da fazenda na saída. Escolhemos um pote de mel puro. Lá é rústico, mas tem estrutura para a quantidade de visitantes, que não era pouca. Tem um galpão com muitas mesas para refeições e outro que não entrei, mas que tinha microondas. Não recomendo levarem para almoço feijoada, buchada, sarrabulho, e outras comidas pesadas e indigestas (a poutine, que é típica do Québec, entra na lista), sob o risco de não ter patinação depois do almoço.

O gelo estava muito bom, principalmente para eu que estava me acostumando a patinar em qualquer buraco. Tem uma máquina que eles desenvolveram para passar pela pista toda com pouco reabastecimento. Quanto à questão de ser um labirinto e se perder, bom, até que pode. Mas não é lá um labiriiiiinto com Minotauro e tudo mais. A melhor definição que eu pensei para esse labirinto foi que pediram para fazer um quadriculado de pistas, mas quem o fez tinha tomado umas cachaças e ficou ondulado. Também, o terreno é bem comprido, mas não tão largo. Se usarmos o tradicional macete para labirintos de seguirmos sempre com a mão na "parede" da direita ou da esquerda, em no máximo 2,8Km percorre-se todo o perímetro exterior e volta-se ao ponto de partida. Cuidado que isso fura para labirintos que tem ilhas, que é o caso, mas basta ir até a borda e seguir a regra.

Na entrada eles vendem baratinho um saquinho pequeno com comida para darmos aos animais. O Davi morria de rir com um cervo comendo na mão dele, porque devorava a comida rápido como um aspirador de pó. Vacas, cavalos, carneiros e bodes são animais de fazenda mesmo. Mas achei curioso que tem também lá lhamas, pôneis e emas ou avestruzes (nunca sei dizer quem é quem).

Portanto, colegas, é um programa legal para quem gosta de patinar e de quebra curtir a natureza. Nesse dia, acho que patinamos uns 7Km e o bonitão do Davi nem reclamou porque estava sendo puxado no trenó, só curtindo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Primeira neve de 2011-2012

A exotérica data de 11/11/11 passou e ainda não foi agora que o mundo se acabou. No dia seguinte, tivemos a primeira neve desse inverno que está chegando. Podem me chamar de bobão, mas está começando o nosso terceiro inverno e ainda ficou deslumbrado contemplando a neve caindo. Acho um espetáculo da natureza muito bonito.

Dizem que depois do terceiro inverno começamos a detestá-la, mas acho que depende de cada um e possivelmente não vai ser meu caso. Tem uma diferença considerável dessa vez. Agora estamos morando em uma casa e eu vou ter que tirar a neve da entrada da casa e da garagem. É o famoso verbo pelleter, que significa cavar com uma pelle/pá. Já me fizeram muito medo contando sobre o famoso invernão de 2008. Um cara com quem eu conversava no parque me contou que chegou uma hora que não conseguia mais jogar a neve para cima da trinchera de entrada da casa dele porque estava alta demais e não tinha mais onde colocar tanta neve. Quack!!! Exagero? Olhem essa foto que achei na Internet desse inverno de 2008 aqui em Québec e me digam se é ou não.



Ao menos nesse inverno temos um abrigo que vai nos poupar bons minutos de limpeza do carro, atividade essa que a Mônica se queixava muito. Também, mesmo antes de nevar já estávamos nos beneficiando dele porque os vidros do carro não ficam cheios de gelo das geadas. Mesmo assim, o serviço de déneigement/remoção de neve a joga na entrada da garagem e pode ficar bem "bonitinho" para sair de manhã cedo, já estando atrasado. Vamos ver.

Gravei um video curto dessa primeira neve que começa a transformar Québec na Branca de Neve. Faço algumas observações prévias porque baseado em experiências anteriores, sei que algumas pessoas vão tirar conclusões erradas do que vão ver: Esse carro preto em frente à nossa casa não é nosso e essas casas que aparecem são as casas dos vizinhos filmadas à partir da nossa, que não foi incluida. E também, antes que perguntem para que eu coloquei duas hastes na entrada da garagem, elas servem para que saibamos por onde podemos passar depois que o chão estiver cheio de neve sem subir nas pedras.



domingo, 6 de novembro de 2011

Bateram no nosso carro!


-Alexei, bateram no nosso carro e a bateria está acabando!
-Quack!!!

Batida já é por si só algo estressante. E em um país onde tudo é diferente, para resolver o problema em um idioma novo é ainda mais estressante. Graças a Deus, ninguém se machucou, o que já é um grande alívio.

Na verdade, essa é a quarta vez que batem em um carro nosso nesses um ano e dez meses que estamos aqui. Os québécois são muito habilidosos para dirigirem em alta velocidade, até mesmo em tempestades de neve. Mas parece que são desatentos quando o asfalto está seco, que foi a situação das quatro ocorrências.

A primeira batida causou apenas um arranhão na pintura do parachoque traseiro. A segunda não mudou muita coisa no que já estava arranhado. A terceira foi em um estacionamento e não vimos. Ela causou um vinco na porta e nenhum desses casos foi suficiente para merecer manutenção.

Mas essa última vez foi mais forte. O cara desatento bateu com força suficiente para estragar a parte de plástico do parachoque traseiro do nosso carro e acabar a frente do carro dele, que não andava mais. Esse é o principal motivo de termos comprado um carro grande, um SUV: a segurança. Não só a segurança passiva da maior resistência a impactos com seis air bags, mas também a ativa para andar na neve com melhor tração, controle e frenagem. Fazia pouco tempo que tinhamos comprado e eu adoro carros, mas aprendi a ter desapego com meu pai. Enquanto eu dirigia, bateram em um carro dele que eu gostava muito. Quando meu pai me viu irritado com o cara que bateu e triste com o estrago, ele disse: ninguém se machucou e isso é o que importa. O carro é lata que se conserta na oficina e depois de algum tempo acabamos trocando por outro de qualquer forma.

Mas então, o que fazer? Não sabia ao certo como proceder mas disse para a Mônica ligar para a seguradora que eles a orientariam. Perguntam inicialmente se alguém se machucou. Se sim, tem que acionar a polícia. Caso contrário, basta pegar certos dados do condutor. O Desjardins dá um formulário com duas partes para ficar dentro do carro para essas ocasiões. Uma parte está parcialmente preenchida com nossas informações para passarmos para a outra pessoa envolvida no acidente. A outra parte é para ser preenchida com as informações requeridas dessa pessoa.

O motorista do outro carro foi super educado e humildemente assumiu logo a culpa, pedindo desculpas pelo susto e transtorno. Mesmo não sendo obrigatório, ele acionou a polícia que fez um relatório e passou o número desse para ambas as partes. E foi só isso! Quando liguei para a Mônica para dizer que o prestativíssimo amigo Tiago estava vindo para irmos ao encontro dela, já não estava nem mais lá no local do acidente.

Em casa, conforme a orientação da seguradora, ligamos para fazer o acionamento e dar mais detalhes. Foi basicamente relatar o que aconteceu e repassar os dados do outro condutor. Feito isso, a atendente explicou como seria o processo e já deu a indicação de uma oficina que fica perto de casa.

Fui à oficina em um sábado para tirarem as fotos e para fazerem um orçamento para ser avaliado pela seguradora. Apesar de ter danificado exclusivamente a parte plástica do parachoque que nem é pintado, custou a bagatela de 1800$. Ouch! Na sexta-feira, me ligaram da oficina dizendo que tinha sido aprovado e que poderia deixar o carro. Deixei-o na segunda-feira e me emprestaram um Toyota Yaris com câmbio automático e retrovisores, travas e vidros elétricos. É a seguradora que paga o uso desse carro, mas eu tive que devolvê-lo com o tanque cheio. Na quarta-feira o carro já estava pronto, novinho de novo e sem nenhuma marca de acidente.

A seguradora disse que caso eu quisesse consertar o carro antes de eles receberem o relatório da polícia, que levou duas semanas, eu teria que pagar a franquia à oficina e ser ressarcido caso realmente não fosse nossa culpa. Não me cobraram, mas também não foi nossa culpa mesmo. Por isso, não ficamos com nada no nosso histórico, que causaria uma alta no custo dos próximos seguros. O interessante é que a culpa não é contabilizada como sim ou não, mas como um percentual. Suponho que existam situações onde cada parte fica com 50% da culpa. Também imagino como seria a apuração da culpa sem o acionamento da polícia, visto que cada seguradora paga o prejuízo do seu cliente, cobram a franquia de quem tiver culpa e se resolvem entre si para ressarcir a outra. Acho que fariam um batimento dos relatos de ambas as partes para chegarem a uma conclusão.

Um colega meu disse que por causa da questão de histórico de culpa, que se não me engano é reportado a um cadastro compartilhado entre as seguradoras, em casos menores, as partes podem negociar para não acionar as seguradoras. O fato é que nem mesmo os próprios nativos sabem dizer como é que isso funciona ao certo, mas estou muito satisfeito com o atendimento e a clareza da nossa seguradora. Agora já posso é explicar para os nativos ao invés de perguntar!

De qualquer forma, melhor mesmo é prevenir e dirigir com prudência, atenção e cuidado, principalmente no inverno. E por falar em prevenção, é bom deixar o telefone da seguradora, bem como o seu número de apólice no porta-luvas do carro!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pneus de inverno mais baratos


Conversando com meus colegas de trabalho aficcionados por carros, descobri que podemos reduzir o preço dos pneus de inverno utilizando aros menores e compensando na altura da banda do pneu. Fiz uma tabela para exemplificar. Normalmente, só baixamos um degrau no diâmetro do aro (geralmente, un pouce/one inch/uma polegada), mas esse caso do exemplo é diferente. O modelo básico do carro tem aro 17' e o de 18' é um pneu mais "esportivo", mas não muda nada estruturalmente que possa atrapalhar. Uma dessas coisas que pode impedir essa redução é o tamanho do sistema de freios, por exemplo. Daí, mesmo este carro tendo aros de 18', podemos pular para 16' porque ele poderia ter os de 17' também sem nenhuma diferença estrutural. Um detalhe importante é que se não constar no manual, acho prudente ter uma resposta oficial da concessionária confirmando que podem ser usados sem problemas. O uso não oficial pode levar a uma perda na garantia, bem como até danificar o carro.
Esses preços são do pneu Michelin Latitude X-Ice Xi2 no Canadian Tire. Usei esse pneu na comparação porque está disponível nas três medidas, mas não o recomendo. Ele parece ser muito bom para gelo, mas não para neve. E das cidades mais importantes do Canadá, Québec é uma das que tem mais neve.
Lembrando que o aro bom para inverno é aquele de aço, preto, sem calota e bem feioso. Não é legal ficar batendo aro bonito que quebra ou calota nos meio-fios escondidos debaixo da neve! No inverno, achamos algumas calotas soltas e quebradas nas ruas.
Continuo adepto à fisolofia de ter os pneus de inverno montado nos aros e trocá-los eu mesmo em casa como descrito nessa postagem. Depois de dois ou três invernos, passa a ser mais barato. Até meu vizinho de 71 anos faz isso!


Modelo Aro Pneus 1 pneu 4 pneus Economia
Luxo 18' 235/60R18 $242.50 $970.00 $0.00
Básico 17' 235/65R17 $212.50 $850.00 $120.00
Reduzido 16' 235/70R16 $185.50 $742.00 $228.00

quarta-feira, 30 de março de 2011

Village Vacances Valcartier




O Village Vacances Valcartier é o maior centro de diversões de inverno das Américas, embora ele seja também um parque aquático no verão. Se me permitem o parêntese, no shopping Les galeries de la capitale fica o segundo parque de diversões indoor mais importante da América do Norte, segundo o site deles. Voltando ao primeiro, acho que essa era a última atração que me sentia devendo de ainda não conhecer e mostrar a vocês, tendo morado esse tempo todo aqui. Eu passei por chato algumas vezes por querer esperar, mas finalmente pudemos aproveitar ao máximo em um dia perfeito. Acontece que somos 4 e o pacote que dá direito às glissades/tobogãs e rafting/descida em botes soma 100$. Porém, em um dia de muito sol e temperatura ligeiramente positiva, vale muito a pena. Tive que usar somente a camada externa impermeável do casaco porque estava suando. Estava tão claro que saturou as cores da câmera. E com a companhia do casal Tarcizo e Priscila que vieram de Montréal para conhecer a cidade, ficou ainda mais divertido.
A estrutura é gigante. Tem 42 tobogãs, rafting, tornade que desce girando, 17 subidas mecânicas e 5000 câmaras de ar, fora a área de suporte e outras diversões como pista de cart no gelo e patinação. Quem quiser pode levar o almoço para esquentar no micro-ondas sem risco de ser chamado de farofeiro. Se preferir, existem uma lanchonete para recuperar as energias.
O destaque fica por conta do Everest, uma descida íngreme de 33 metros de altura de tirar o fôlego. Confiram a diversão no vídeo ao som do gritarrista Joe Satriani, relembrando que clicando duas vezes no vídeo, ganhamos o controle de assistir em High Definition (720p) e em tela cheia.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Frrrrette!!




Certa vez, vi um vídeo no qual uma pessoa entrevistava alguns québécois perguntando sobre palavras e expressões que só existem aqui. Em uma delas, a pessoa perguntou o que é frette/frio e a pessoa respondeu brincando que frette est plus froid que froid/frette é mais frio que frio. A galera da França não sabe o que é isso, nem a palavra, nem o frio daqui.
Estou atrasado na postagem, mas o assunto continua sendo válido. Segundo as estatísticas da Météo Media, no mês de janeiro, que é o mais frio, a média de temperatura máxima é de -7,5°C; a temperatura média é de -12°C e a média de temperatura mínima é de -16,5°C. Pas pire/nada mal, mas tranquilamente suportável se estivermos bem vestidos e preparados psicologicamente.
A pancada mesmo é quando tem uma queda de temperatura mais forte, que foi o que aconteceu pela primeira vez nesse inverno. Não deve ter durado uma semana, que é o típico, e nem foi tão abrupta quanto pode ser. Aqui em Québec, a temperatura chegou a -26°C com sensação térmica de -44°C, mas não foi tão diferente nas outras cidades canadenses do lado leste.
Colegas de trabalho me disseram que os carros mais modernos não precisam de nada em especial para esses dias de frio mais severo. Digo isso porque vemos carros que têm uma tomada pendurada para aquecer o motor mas o meu, por exemplo, nem tem. Quanto à descarga da bateria, me disseram que só acontece se a mesma já estiver no final de vida. Mesmo assim, não deu outra: o assunto de começo de expediente foi se o carro pegou logo ou deu trabalho. O nosso, que tem o pequeno motor 1.6, pegou de primeira mas rodou pesado como quando a bateria está descarregada. Mas foi por causa do óleo mais viscoso por causa do frio e não por causa da bateria. Dizem que quem tem problema mesmo são os donos de motores grandes como um V8 de seis litros (6.0). Estes não são tão raros assim em um lugar que tem uma gasolina de 1,20$/litro, que pesa no nosso bolso como se fosse R$1,20/litro. A propósito, está caro pra burro! Quando cheguei aqui custava só 1,00$/litro! As empresas de socorro automotivo como a CAA têm bastante trabalho nesses dias.
Outra coisa que percebi que muda é a aderência dos pneus. Eu vi uma caminhonete fazer uma curva derrapando igual a carro de rallye e por pouco não bateu em um poste. O asfalto fica mais escorregadio, mesmo sem neve ou gelo aparente. Um colega explicou que isso se deve mais ao endurecimento da borracha dos pneus, mesmo esses de inverno sendo bem mais moles que os convencionais.
Para quem não tem carro, é só colocar uma bermuda, sandálias, uma camiseta e pronto... para ir para o hospital! Temperaturas muito baixas podem causar queimadura de pele, dependendo do frio, do tempo e da presença de humidade como a que sai do próprio nariz. Para um frio extremo, o ideal seria usar todo o arsenal de frio e procurar passar o mínimo tempo possível exposto. Mas, como mon pays ce n'est pas un pays, c'est l'hiver/meu país não é um país, é o inverno, a vida continua! Algumas comissões escolares fecharam suas escolas, mas não a nossa. Acho que ela só fecha quando o vento fica tão forte que leva as crianças, que 75Km/h ainda não é suficiente ou quando cai muita neve em pouco tempo que o trânsito fica difícil. E até mesmo as pessoas que trabalham em ambientes externos continuaram trabalhando! C'est la vie/é a vida (essa mesmo quem não fala francês conhece!).
Para completar, durante o final de semana deu um problema no sistema de aquecimento que é coletivo e não pode ser ajustado por nós. A temperatura caiu dos agradabilíssimos 24°C para apenas 17°C. É a segunda vez que acontece em um ano. Por isso, comprei o contrário de ventilador, que não é rodalitnev. Se chama radiador parabólico. Ele tem o formato e gira como um ventilador, mas gera calor e o direciona através de uma parábola. Futuramente ele vai servir para termos um aquecimento mais eficiente quando precisamos de calor em somente uma parte de um aposento. Por exemplo, eu fico até uma hora da madrugada no computador e se tivéssemos o aquecimento elétrico controlável, poderia baixar a temperatura da enorme sala e deixar o aquecedor direcionado para onde fico. Olhe só a foto do garoto trabalhando!


Concluo resumidamente com apenas uma frase polêmica: Ainda assim, prefiro uma semana de -30°C a um ano todo de +30°C!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Hotel de gelo gelado




Eu passava vergonha porque as pessoas me perguntavam se eu já tinha ido ver o Hôtel de Glace/Hotel de Gelo, que é uma das atrações de inverno daqui de Québec e eu dizia que ainda não. E não podia deixar passar o segundo inverno sem conhecê-lo.
O dia não estava muito apropriado para passeios em ambientes externos. A temperatura estava em -20°C com sensação térmica de -30°C por causa do ventinho "refrescante". Mas... atrevidos que somos, topamos conferir e mostrar para vocês em vídeo. Resultado: Não passamos a tradicional hora e meia mas somente 45 minutos dentro do freezer. A temperatura de um freezer de geladeira é de -18°C! Se esquecermos as compras no porta-malas do carro, vai estar melhor conservada que na geladeira! Eu vi no sítio do hotel que a temperatura interna fica entre -3 e -5°C. Lá vou eu de luvas finas de couro para ficar mais à vontade para filmar. Nenhuma lareia estava acesa, não vi controle nenhum e estava bem mais frio que isso. Resultado: mãos geladas, o que não deveria acontecer.
Depois de ter visto os 36 quartos...sim! É um hotel de verdade! Só não sei quem consegue dormir nessas camas duras e geladas! Eles dão as dicas de como dormir lá nesta página. Continuando... a capela...Sim! Capela de verdade, onde fazem muitos casamentos bem originais. Continuando novamente...o bar e o tobogã, tudo devidamente filmado, os nossos pés pediram arrego!
Uma boa dica para quem vem visitar Québec durante o período no qual o hotel fica aberto. A outra dica é não descer de cabeça como eu fiz para registrar em vídeo! Se tiver um erro de cálculo, podem bater o chifre na parede. Ao menos não vai faltar gelo para colocar no galo da cabeça!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Centre de glisse Myrand




Continuando a mostrar o lado bom do inverno, o canal do imigrante foi hoje ao Centre de glisse Myrand. É mais uma entidade de lazer da prefeitura de Québec com uma boa infraestrutura para a diversão de toda a família. Sim, mas faltou dizer o que raios é glisse né, bonitinho?! Obrigado pelo elogio, apressado! Glisser é deslisar, escorregar. Glissade é tudo que é feito para descermos deslisando, do escorregador ao tobogã, seja sem nada ou com qualquer coisa que reduza o já pouco atrito da neve ou gelo, incluindo bóias grandes.
O centro conta com duas pistas que tanto são altas quanto longas para quem tem a partir de 1,32m de altura. Para os menores como a Lara e o Davi, tem mais quatro pistas mais apropriadas. Nas grandes, descemos com essas bóias grandes e tem um cabo de aço que as puxa nos levando de carona até em cima. Claro! Quem é que aguentaria subir tudo isso a pé? Nas pequenas, descemos em uma espécie de soucoupe/pires que cabe um adulto e uma criança.
Os tobogãs pequenos são gratuitos, porém os grandes são pagos. Mas para quem mora no Québec e vai em família, custa apenas 5$ por adulto. Acho difícil que isso pague a infraestrutura e todos as pessoas que trabalham no local. Como é muito comum por aqui, lá tem também uma pista de patinação, que também é gratuita.
Estava um dia de sol aberto com céu de brigadeiro (não o de chocolate), o que nos faz sair de casa para atividades externas seguindo a filosofia il fait beau, il faut en profiter/o tempo está bonito, tem que aproveitar. E sol aberto e céu azul no inverno, como vocês já devem saber, muitas vezes significa massa de ar frio e seco. Estava fazendo -10°C com sensação térmica de -18°C, mas isso não é problema. Basta colocar roupas apropriadas. Se for fazer algum esforço físico como subir puxando o Davi no pires deslisante, aí é que não sentimos frio mesmo! Quando muito, pode esfriar os pés por causa do suor, mas até para isso tem solução. Só não pode é ficar trancado em casa durante o inverno todo! Aí, só urso mesmo!















sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

De olho no higrômetro


Sim, vocês se lembram o que é um higrômetro! Não estou nem questionando o fato de saberem o que é porque estudamos isso na escola, por isso escolhi o verbo lembrar. Vou usar uma questão de múltipla escolha para provar que vocês sabem o que é.

Higrômetro é um equipamento que nos permite medir:
a) A umidade relativa do ar;
b) A humildade das pessoas;
c) A viscosidade do óleo que lubrifica a barriga dos crocodilos de papo amarelo;
d) A popularidade dos presidentes.

Não disse?! Pois bem, agora que você lembrou, vou explicar porque devemos monitorar a umidade do ar.
Não que Fortaleza não tenha um clima que agrida a saúde, mas o daqui do Canadá agride de forma diferente. Algumas lições de cuidados com a saúde no clima daqui são aprendidas facilmente, apesar de na porrada. Por exemplo, quando desci do taxi que peguei no aeroporto, tive que levar algumas malas pesadas subindo bons lances de escada. Eu fiquei ofegante e, inocentemente, respirei pela boca no ar seco e bem frio do inverno. Isso me rendeu uns 5 minutos de tosse forte e sem conseguir falar. Podemos brincar de soprar para fazer fumaça e falar normalmente nesse ambiente externo seco e frio, mas inspirar o ar pela boca é algo que só fazemos poucas vezes até aprender que não dá.
Por outro lado, existem outros detalhes que nem sempre percebemos. Hoje falo, ou melhor, escrevo sobre a umidade relativa do ar dentro de nossos lares.
Meu aprendizado também foi na porrada, apesar de eu já estar atento. Na primeira vez que medi a umidade aqui no nosso apartamento, ela estava em somente 10% já que este estava desocupado. Depois de passar o esfregão molhado no piso todo, tomar banho e cozinhar (Sim! Eu mesmo!), esta aumentou para uns 25%. Quando acordei no dia seguinte, achava que o meu nariz estava cheio de catarro. Quando me assoei na pia, ela ficou toda vermelha de sangue arterial, aquele vermelho beeeem vivo. Mesmo passando água no chão todo, deixando a banheira e a pia com água, a umidade não passava de 30% e eu tinha esse problema com o nariz e com a garganta seca. Tem gente que também sente dor de cabeça e principalmente quem trabalha muitas horas com computadores pode ter problemas de ressecamento dos olhos. A atenção à tela faz com que pisquemos pouco. Isso, aliado à mania de coçar os olhos me rendeu uma conjuntivitezinha leve que me fez ter a única falta ao trabalho do ano.
A umidade de ambiente para ambiente. Depende do tamanho, do tipo de aquecimento, do ajuste de temperatura deste, do quanto que se usa o banheiro e a cozinha, água e exaustores, da vedação e de vários outros fatores. Quanto à faixa de humidade ideal, pelas pesquisas que fiz vi que esta varia. No nosso caso, percebemos que nos sentimos melhores quando esta fica entre 40 e 50%. Cuidado que a umidade alta também é prejudicial! Ela causa a proliferação de agentes alérgicos como ácaro, fungos, mofo, etc. Isso pode acontecer naturalmente nos apartamentos de subsolo. Estes podem precisar de um desumidificador, ao contrário de outros. Por outro lado, se a humidade estiver bem ajustada, tendemos a ter menos problemas de alergia.
Como no nosso apartamento, com o nosso perfil de utilização e no meio do inverno a umidade fica em uns 30%, temos que usar um umidificador. Nesse inverno, mesmo com o umidificador no máximo, a umidade não chegava nos 40%, enquanto que no inverno passado, tinha que regular para evitar que chegasse aos 60%. Descobri que era por causa das infiltrações de ar nas frestas das janelas. Depois de vedadas (e mesmo assim só parcialmente), ficou como era antes. Também a temperatura aumentou de um a dois graus por causa de alguns poucos metros de fita adesiva, tipo um durex largo, nessa frestas.
Existem basicamente três tipos de umidificadores. Um deles eu nem lembro mais, porém nunca o vi à  venda. O tipo que não recomendo é o de vapor fresco. Ele faz barulho por usar um ventilador, temos que trocar o filtro de tempos em tempos e refresca o ambiente, o que não é lá uma uma prioridade nacional no inverno! O tipo mais apropriado, a meu ver, é o de vapor tiède/warm/morno. Ele aquece a água, logo, não tem ventilador e assim, não faz barulho, nem tem filtro e ainda ajuda no aquecimento. Comprei esse modelo da Honeywell por 50$ no Canadian Tire, mas outros devem fazer bem o seu papel. E também uso um só para o apartamento todo, que é grande (uns 110 metros quadrados).
Sugestão: Se não quiser gastar dinheiro, peça emprestado um termômetro que seja também higrômetro para saber como está seu lar (o meu já está emprestado, mas podem se acotovelar na fila que vai se formar depois dessa postagem!). Essa foto é a do nosso termômetro higrômetro, embora tirada no verão. Ele está marcando 10h09 da manhã, 29,3°C de temperatura interna, 66% de humidade interna e 30,4°C de temperatura externa transmitida sem fios pelo outro termômetro. Caso a umidade medida esteja baixa, compre tanto o umidificador quanto o higrômetro para poder controlá-la (lembre-se que a umidade alta também é maléfica). Isso porque o Ministério da Saúde NÃO adverte, mas a umidade baixa é prejudicial à saúde.
Ahh! Não esqueçam de tomar vitamina C e feliz 2011 com muita saúde!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lazer de inverno




Na postagem anterior, devo ter assustado muitos pretendentes ou mesmo futuros residentes permanentes do Canadá. Acho que também assustei algums turistas potenciais, inclusive da família. Désolé/sorry/sinto muito, mas faz parte da minha responsabilidade de mostrar os dois lados da piasse(piastre)/loonie/moeda de 1 dólar.
Para compensar e mostrar que o inverno aqui não é um preço a pagar, o lado ruim do Canadá ou pagar os pecados, esta postagem mostra um pouco das oportunidades de lazer que o inverno proporciona, sobretudo para quem uma família ou pretende constituir uma aqui.
As crianças adoram a neve. É macia, pode ser modelada, não irrita os olhos com a areia e é escorregadia. Depois de transformar nosso ambicioso projeto de construir um iglu em mais modesto de construir um forte de neve, descobrimos que temos que ter ferramentas mais produtivas. Os tijotos feitos com uma caixa de papelão dão muito trabalho e esta não durou muito. Não passsamos do terceiro andar de tijolos e uma chuva derreteu tudo. O interessante é que a neve estava boa e o acabamento fica perfeito. Às vezes a neve fica parecida com açucar e não dá para fazer nem uma bola de neve, quanto mais um bonhomme de neige/boneco de neve.




Os adultos aproveitam a neve para esquiar, tanto no plano (ski de fond) quanto descendo, de esqui ou planche de neige/snow board. Pretendemos fazer mais essa aventura ainda nesse inverno. Mais prático, barato e universal mesmo é a patinação. É o esporte de inverno mais popular. Aqui temos patinoires/skate rinks/pistas de patinação gratuitos externos e internos com uma boa infraestrutura de apoio. O da Place d'Youville (mapa aqui), por exemplo, tem um sistema de refrigeração que permite seu funcionamento começar antes e terminar depois do período de temperaturas negativas. Já o Anneau Gaétan-Boucher (mapa aqui) tem uma pista em formato de zero de 400 metros de extensão por 12 metros de largura. No interior, além dos três patinoires utilizados para partidas de hockey e patinação artística, tem desde um microondas de uso público (e gratuito) até a lanchonete (essa é paga, claro!). Nos que eu conheço, sempre tem um serviço de aluguel e afiação de patins. Nesses dois que eu citei, tem também armários (basta levarmos os cadeados) e aluguel de suportes para crianças. 


Não só no verão a prefeitura promove eventos de lazer para as famílias. Este, por exemplo, conta com dois tobogãs de gelo super rápidos, além das boias e pessoal de apoio. Apenas para reforçar, grátis, ou melhor, conta já paga pelos impostos. Tinha também um grande labirinto feito de pinheiros com uma casa iluminada no seu fim, bem como alguns carros decorados.










E além de tudo, ainda temos a infraestrutura fornecida pela própria mãe natureza. É comum vermos pais puxando as crianças em trenós, aproveitando as calçadas cobertas de neve e existem lugares interessantes para que elas possam usá-los para deslisar. Aqui perto tem o Parc des Braves que é inclinado, o que proporciona uma descida bem longa. Ideal para fazê-los gastar as baterias nas subidas! Depois ficam beeeem calminhos! Infelizmente, por engano, acabanos não gravando a descida das crianças e somente a minha tentativa de fazer uma trilha. Nem funcionou, porque cada descida teve um caminho diferente e nem mesmo serviu para eu me divertir porque por causa do meu peso, o trenó desceu muito devagar. Além do mais, a neve lá estava no meio da canela. Mas dá para ter uma ideia.








Tudo isso, somado ao fato de que não temos mais a mínima preocupação com a violência faz com que tenhamos muito mais programas de lazer externos que tínhamos no Brasil, mesmo no inverno. Mesmo quem tem bebês faz tudo mesmo com eles: patinação e cooper empurrando carrinho (tem carrinhos próprios para corrida), bicicleta puxando reboque fechado, etc. e com temperaturas bem negativas.
É por isso que digo que enquanto a Europa para por causa de um inverno mais rigoroso, o canadense faz piquenique. O inverno aqui é normal e faz parte da nossa vida, quer queira ou não!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Placar empatado com a pluie verglaçante


A pluie verglaçante/chuva congelante dessa vez foi bem mais tranquila. Teve muita calçada com gelo, mas não tanto quanto da outra vez do inverno passado. Por exemplo, tudo isso que estão vendo no chão dessa calçada da foto é gelo mesmo. Também estamos mais treinados por causa da patinação e mais maceteados. Nenhuma queda ou batida de carro dentre os conhecidos, mas teve um cara da empresa na qual trabalho que teve duas fraturas na perna. Ai!
Para ver o que é trauma. Eu dobrei a esquina do trabalho e lembrei que da vez passada, eu tentei subir esse quarteirão de calçada, mas era impossível. Eu pegava embalo, mas descia escorregando. Lembrei também que eu ficava imaginando que quem dobrasse a dita esquina, iria escorregar no imenso tobogã e só iria parar no asfalto da rua. Só que dessa vez, eu estava em cima e descendo. Fiquei parecendo um bobão pisando de leve com a ponta da bota a cada passo para saber se era gelo ou chão molhado, porque é bem difícil de distinguir.
Isso porque também lembrei que da outra vez, quando cai, foi justamente após pensar que tudo era chão molhado e que não tinha gelo. Melhor bobão pisando devagarinho que bobão de video cacetada!
O mais legal que eu achei foi a escada da saída do condomínio para a calçada. Dei um escorregão, mas estava segurando no corrimão de tubos metálicos. Só que este também estava congelado! Escorregou o pé, escorregou a mão! Samba, samba, balança, mas não cai!
Na postagem passada o placar terminou 1x0 para a dona verglas. Agora ficou 1x1! Let's go Remparts, let's go! clap, clap!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A volta da Branca de Neve




Calma lá! Esse do vídeo sou eu! A Branca de Neve... bem, deixe-me explicar.
Recapitulando, em janeiro quando cheguei em Toronto para fazer o landing, eu vi uma cidade sem neve em pleno inverno. Fiquei meio encucado, mas tudo bem. Mas quando o avião sobrevoou Québec, fiquei surpreso e encantado! A cidade estava toda... Branca de Neve! (Detalhes nessa postagem).
Pois bem, passados 10 meses desde a minha chegada aqui, eis que ontem começou a nevar novamente em Québec, deixando a nossa cidade ainda mais charmosa! Tem quem simplesmente tolere, tem quem não goste, tem quem deteste, mas eu e as crianças continuamos adorando o inverno!
Por falar nisso, ainda falta cerca de um mês para o inverno de calendário, mas já estão todos considerando que é inverno. É similar a quando dão boa noite às 03h30 da tarde ou bom dia às 20h00. A natureza varia tanto que as pessoas deixam de ser rigorosas quanto à cronologia oficial.
Interessante é que toda vez que olho pela janela para fora, levo um susto! Uau! Como a paisagem mudou da noite para o dia! A impressão que dá é que eu cheguei em uma cidade no inverno, depois fui para outra e agora estou de volta à primeira. A mudança visual é radical.
Muitos aspectos da nossa vida são cíclicos, mas não se passam da mesma forma. Não são círculos, mas espirais. Nesse inverno estamos de carro, o que é bom e é ruim. É bom porque temos mais liberdade de destino e de horário. Também, apesar do meu masoquismo, devo reconhecer que é bem mais confortável andar de carro com aquecedor que a pé a -20°C. Mas ainda estamos no patamar de -8°C por enquanto. O lado ruim é que dirigir na neve e no gelo é mais arriscado. Eu não vou mentir: sempre gostei de off-road e rally, só que nunca tive a oportunidade de experimentar. Pois bem! Ei-la! Um off-road on-road! Um rally de casa até o supermercado! A Mônica é que não está gostando nada dessa estória. Ela é quem usa o carro durante a semana. A bicicleta foi hibernar (claro!) e agora vou voltar a ter tempo para ler meus livros nos ônibus.
Seção de avisos! Inverno também é uma temporada de chutes, digo chutes/quedas! A neve escorrega um pouco. A neve amassada escorrega mais. Quando a temperatura fica positiva, a neve derrete e fica tudo cheio de água. Depois, fica negativo e a água congela. Aí esse gelo escorrega ainda mais! E estou falando daquele gelo brilhante como cubo de colocar em bebidas. Aí depois neva por cima e o gelo escondido vira uma armadilha. Levei um baita escorregão nessa daí, depois cavei para mostrar na foto. Ela fica exatamente atrás do nosso carro. Só agora sei porque deixaram para ocupar essa vaga por último! Se aproveitaram do matuto do cearense!


Achas que é o pior que pode acontecer? Amanhã vai ter outra vez a maior molecagem que São Pedro conseguiu inventar: A pluie verglaçante/chuva congelante. É um fenômeno raro quando a água cai líquida e congela ao entrar em contato com  as superfícies. Talvez seja mais seguro sair de casa logo de patins de gelo. Taí! Boa ideia! Foi a única vez que não adiantou meus anos de experiência com patins, skate e artes marciais. Os meus dois pés foram para o alto e aterrisei de ombro (detalhes nessa postagem). Dica valiosa que muitos me deram no inverno passado: não andem com as mãos nos bolsos. Em uma queda, pode ser que fiquem presas e caiam de cotovelo. Ouch/ai!
Mas não tem nada como voltar a ser criança e brincar com a Lara e o Davi de guerra de bolas de neve, fazer um bonhomme de neige/boneco de neve e a nossa patinação em família de todos os finais de semana. Afinal, como diz a música, "C'est l'hiver, c'est l'hiver, c'est l'hiver..." (É o inverno).



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Carros bem calçados para o inverno


A neve já está chegando! E vem mais cedo esse ano. No inverno passado, estávamos sem carro ainda e nem precisamos nos preocupar. Compramos o carro com algum risco de outra neve na primavera, mas não aconteceu.
Agora, temos que usar os pneus de inverno. Tanto porque a partir do dia 5 de dezembro o seu uso é obrigatório aqui no Québec, quanto porque aqui em Québec, sem eles fica emocionante demais para dirigir! Pense só a quantidade de neve que cai aqui, mais que noutras cidades canadenses, e nas várias ladeiras bem inclinadas que ligam a cidade alta à cidade baixa! Uou!!
Os pneus de inverno são mais biscoitudos, com sulcos mais largos, desenho apropriado e a borracha é tão mole que conseguimos deformar os biscoitos com a mão. Assim eles deformam e tiram a neve dos sulcos, enquando que os outros ficam lisos como pneus carecas. Também a temperatura muito baixa requer uma boracha adequada.
Conselho do amigo Idevan: Compre-os logo porque depois da primeira neve, as lojas ficam lotadas! Fiz minha pesquisa e já resolvi o problema. Porém, não sem antes consultar a comunidade sobre duas possibilidades: Pagar para trocarem os pneus ou comprar com aros e trocar em casa.
A primeira possibilidade é a que aparece logo, e é mais cômoda. O sujeito vai à loja, compra os pneus e paga o serviço de desmontagem dos pneus toutes saisons/all seasons/para todas as estações, montagem dos pneus de inverno e equilibrage/balanceamento. Pelo que me disseram, esse serviço custa ao menos 65$. Só que, passado o inverno, tem que pagar novamente para recolocar os pneus originais e balancear novamente. A parte ruim é que tem que agendar horário, que dependendo da época, pode ser bem difícil ou em horários chatos.
A segunda possibilidade é comprar os pneus, com mais quatro aros e pagar o serviço de montagem e balanceamento, que é mais barato. O dos meus saiu por 32$ (na Canadian Tire). Cada aro custa 50$ (aro 14, de aço). Nesse caso, o lado ruim seria trocar os pneus em casa, mas em compensação, não precisaria pagar nem marcar horário. O serviço de montagem dos pneus inclui a troca deles, mas é só na primeira vez.
Depois de dois invernos, a primeira opção custaria 4 x 65$ = 260$. A segunda já sai mais barato, por 200$ + 32$ = 232$. A partir daí a primeira opção fica 130$ mais cara a cada ano, enquanto que a segunda se mantém no mesmo valor. Foi a que eu optei! Até por ser adepto da filosofia do faça você mesmo.
Para finalizar, mais uma gafe de matuto que acha que neve é igual a areia. O meu diálogo com o vendedor:
-Qual é o carro?
-Kia Rio 2010.
-Aro 14, né?
-Sim. Eu vou querer o 185.
-185?
-Sim.
-A velocidade?
-Não!
-O preço?
-Não! A...como se diz? É larjura? (fazendo a mímica que não dá para fazer por telefone)
-Largura?
-Isso!
-Mas o pneu original do seu carro é 175! Para que você quer um mais largo?
-Para andar melhor na neve! (claro, bicho brabo!)
-Mas é justamente o contrário! É pior!
-Hein?!?!?!
-O pneu mais largo afunda menos e não encosta no asfalto. Fica deslisando na neve. Também nas curvas ele cava menos na neve e derrapa mais lateralmente.
-Ai é?!?! (então o bicho brabo sou eu! Inclusive porque o 185 é mais caro!) Obrigado pela informação! Vou querer 175 mesmo!
Confirmei a teoria do vendedor com outras pessoas. Fica aí a dica para não quere usar pneus de bugre na neve!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais dicas para o próximo inverno


Estamos passando para o segundo dos três meses de outono, o que teoricamente estaria em um momento apropriado para escrever sobre roupas de inverno. Mas para muitos eu devo estar chegando atrasado com essas dicas. Desculpem! Eu estava (mais) envolvido com as traduções da palestra imperdível do Lionel Laroche sobre adaptação cultural para o mercado de trabalho canadense. Quando estiver pronta, publico aqui. Esse inverno promete! Boa leitura e curtam o friozinho, BRRR!!!!!!

As seguintes postagens já falam do assunto:
Inverno ou inferno?
Manual de roupas para frio - Parte zero
Manual de roupas para frio

O Fernando Katayama, como sempre altamente detalhista no sistema de vestimentas em camadas para o inverno, estruturou o seu conhecimento neste documento chamado "Como se vestir no inverno".

Eu achei esse email do Pastor Carlos, que tem bem mais invernos que eu, muito objetivo e esclarecedor, então estou reproduzindo-o aqui.

Infelizmente Ana, não dá para fazer isso pelo website e promoção boa, vc sabe como é, especialmente aqui que são verdadeiramente promoções. Vc pode chegar na loja e não ter nada e 5 minutos depois eles colocam, como vc pode chegar, ter e vc decidir ir olhar para ver se acha algo mais e qdo volta, não tem mais.
Me perdoe, não sei quem disse, mas está totalmente equivocado, os isolantes térmicos são totalmente diferentes e é o que mais reflete no preço. Depois do tipo, tem, quantas gramas de isolante térmico, outra coisa que reflete no preço e no que vc irá receber de frio, pois se tiver maior gramas, custa mais e te protege melhor. Existem vários tipos de materias externos, que fazem grande diferença, o melhor deles e o mais resistente é o Gore-Tex, mas é o que custa mais. Depois, tem o windproof e watherproof, não compre um que não seja bom nos dois quisitos, pois normalmente, os de baixa qualidade, muito mal é waterproof, mas não é windproof, portanto, vc ficará bem desde que não vente. Nisso tbm tem diferença, pois alguns são as duas coisas, mas não são bons em nenhum desses quisitos, outros, podem aguentar até mesmo 24 horas levando "água" na cabeça, outras são waterproof, mas não são breathable, se for, seguramente custa mais, mas é infinitamente melhor, pois vc pode transpirar que ela não irá molhar, o suor irá sair, tudo isso são coisas que fazem o preço. É como diz o ditado: "Vc tem aquilo que paga".
Outra coisa, não compre jaquetas rebook, nike, enfim, essas marcas tradicionais, não são especializadas e na maioria das vezes, são boas somente para o inverno brasileiro. Jaqueta de inverno é Burton, HH, Orage, Columbia, North Face, Canada Goose, Patagonia, Merrell, Clorophylle, Montain Hardware, Arc'teryx e assim vai. A Kanuk é muito boa, mas eu particularmente, acho o design horrível, mas isso é o meu gosto pessoal, para mim tem um visual muito de pessoa mais velha, mas muita gente gosta e a qualidade é indiscutível. Não sou de comprar coisa pela marca, porém, qdo se fala de jaqueta, no Canadá, onde temos um dos invernos mais rigorosos do mundo, por causa do vento, pois ontro dia conversava com um Suéco, ele me disse que aqui (Montreal) o inverno é muito mais rigoroso do que lá, por causa dos ventos que temos. Vc está na rua, a -10C e está tudo bem, de repente, começa a ventar e a temperatura despenca para -30C em questões de minutos, é terrível. Até -10C, é tudo alegria, mas qdo baixa disso, a coisa pega.
Enfim, eu sempre digo, comprar uma boa jaqueta de inverno, parece ser a coisa mais fácil do mundo, o brasileiro pensa que é, mas na realidade, é uma das coisas mais complicadas, pois precisa de um pouco de conhecimento técnico para comprar a coisa certa e não gastar dinheiro a toa.
Não conheço muitos websites para isso, além destes: http://winterjackets.ca/index.php http://www.sportsexperts.ca/sportsexperts/accueil.html http://www.lacordee.com/ http://www.leyeti.ca/ Winners é uma excelente opção, porém, chega tudo na quinta e como é um outlet store, chega a mercadoria na quinta e as vezes tem alguma coisa no teu número, as vezes não, etc... precisa ter um pouco de sorte para chegar na hora certa.
Um conselho te dou, não compre nada pela web, pois mesmo essas marcas que te disse, tem as jaquetas que são somente shells, ou seja, é somente para proteger o camarada do vento e da água e são caros, parecem jaquetas, mas não são, são feitos para ski, etc... e não tem a função de esquentar, enfim, só dá para comprar olhando, tocando, conversando com o vendedor, etc... e que seja um bom vendedor, que conhece aquilo que vende.
Espero de ter ajudado um pouco.