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terça-feira, 17 de maio de 2011

Padrão de vida versus qualidade de vida


Li essa postagem de um blog e achei muito importante deixá-la registrada aqui. Trata-se da distinção entre padrão de vida e qualidade de vida. É difícil mostrar para quem só conhece a realidade brasileira que são dois conceitos distintos. Pior ainda é querer convencer alguém de que pode ser um excelente negócio abrir mão do padrão de vida que tínhamos no Brasil para ter a qualidade de vida daqui, principalmente quando se valoriza muito o status social.

Digo uma coisa que pode ser chocante para alguns: não troco a nossa vida daqui morando em um apartamento da década de 60, com apenas um carro que foi o mais barato que existia, indo trabalhar de bicicleta ou ônibus e fazendo todas as tarefas de casa sozinhos pela vida de empresário que morava em apartamento novo e pomposo em bairro nobre de Fortaleza, com dois carros e empregada. Não me arrependo nem um minuto dessa troca! E digo mais! Poderíamos ter dois carros que são considerados de luxo no Brasil, pois aqui eles custam entre metade e um terço dos carros brasileiros e a gasolina pura daqui custa muito menos. Mas vou continuar indo ao trabalho de ônibus por opção, aproveitando também que ninguém aqui me julga por isso e sim pelo que sou! Aproveito para ler e se quiser, tenho o direito de ouvir música e até de usar o laptop dentro do ônibus sem riscos como os outros fazem.

Minha postura agora é de que para achar melhor o Canadá que o Brasil, tem que ter sintonia com a cultura e estilo de vida daqui. Senão, o Brasil vai ser realmente a melhor opção, principalmente para quem visa o padrão de vida. Mas se quiser ter qualidade de vida sem se importar com o padrão de vida, o lugar é aqui mesmo!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Zilhões de pequenas coisas

É fácil perceber alguns aspectos bem marcantes da vida daqui como, por exemplo, a segurança que permite apartamentos que têm apenas uma parede de vidro separando a sala da rua. Mas é difícil de passar para vocês a satisfação que um simples passeio nos proporciona por estar repleto de pequenas surpresas agradáveis. São detalhes que isolados até passam desapercebidos, mas são tantos que fazem a diferença. Para ilustrar, vou mostrá-los dentro de uma pequena estória.
Era uma bela manhã de chuva. Epa! Normalmente é uma bela manhã de sol! Não importa o clima. O povo aqui sai de casa para curtir a vida, faça neve, faça sol (1). Fomos experimentar um programa que só conheciamos através dos filmes e desenho animados norte-americanos: Ir à biblioteca (2).
Tem uma há uns quatro quarteirões daqui (3). No Brasil, teriamos que ir de carro por causa da violência (4). Aqui, criamos o saudável hábito de andar muito, mesmo com o Davi de 3 anos (5). Casacos impermeáveis para todo mundo e vamos lá, afinal, a temperatura está bem agradável (6). A chuvinha fina nem molha a calça então nem precisamos de guarda-chuvas.
Ainda temos algum traço de associação de instituições públicas com algo de qualidade bem ruim. Então, ainda nos dá surpresa encontrar uma biblioteca muito bonita (7), com computadores para o público (8), multimídia (9), e uma seção infantil separada (10). Esta tem um acervo vasto, interessante e atual (11), com livros bem conservados (12).
Escolhemos os livros, mas será que dá para fazer a inscrição? Afinal, eu não havia levado nada! Vamos tentar. A funcionária sorridente foi super gentil e educada, que é muito comum por aqui (13). Basta uma identidade e um comprovante de endereço. Sabia que não ia dar certo!
-O senhor possui carteira de motorista?
-Sim.
-A sua carteira é suficiente, pois ela tem o endereço (14)!
Câline/caraca! (Nota do tradutor que voltou de férias: mais uma suavisação de palavrão, no caso câlice, para ficar socialmente aceita). Nem tinha reparado nisso! Não preciso do kit identidade, cpf, comprovante de residência, título de eleitor (que não existe aqui), alistamento militar com cópias autenticadas. Basta mostrar a carteira de motorista e para muitas coisas, posso enviar uma cópia simples dela por fax ou correios (15).
Pronto! Cadastro feito, já recebi na hora um cartão em PVC (16) válido em todas as bibliotecas públicas da cidade (ops! Não tem só essa. São 25 distribuidas em uma cidadezinha de apenas 500.000 habitantes)(17). Recebi um folheto com o regulamento e a moça perguntou se eu queria que ela explicasse como tudo funciona (18). Claro! E ainda assim, continuei matuto! Legal a parte na qual ela diz:
-Se o dia do vencimento dos livros for um feriado, mesmo assim, a qualquer hora você pode deixar os livros na caixa que fica do lado de fora da porta de entrada que os mesmos serão aceitos (19). Ou seja: não tem desculpa para atrasar!
-E para pegar os livros? Esperando que ela fosse registrar para mim.
-Passe o código de barras do seu cartão em algum terminal de auto atendimento (20), depois passe o código de barras de cada livro, colocando a etiqueta nesta parte para desmagnetizá-la. Se não fizeres isso, vai alarmar na saída (21).
Ainda estou com a mentalidade de que sempre tem que ter alguém fiscalizando tudo, senão algum """"""esperto""""" se aproveita. Ahhh, comedor de rapadura! Mas com um sistema anti-roubo desses, como é que alguém vai fraudar? Não sei, mas os caixas self-services dos supermercados são bem mais fáceis de serem enganados (22). Melhor! Nunca tem ninguém para saber se você vai entrar para pagar ou não a gasolina que você mesmo colocou no seu carro! (23) Apesar disso, prefiro a praticidade do débido automático na própria bomba (24).
E para terminar, como de praxe, a informática aqui normalmente funciona muito bem e torna a vida prática e reduz custos (25). No site www.bibliothequesdequebec.qc.ca podemos consultar o acervo, fazer reservas, ver os livros que pegamos e sermos avisados por email da disponibilidade de reservas ou de atraso, dentre outras funcionalidades (26). Acabei de ter mais outra surpresa durante as minhas pesquisas. A biblioteca tem Internet sem fio para o público! (27)
O mais valioso: Poder desenvolver nos nossos filhos o gosto e hábito pela leitura (28) por ter muitos títulos interessantes, inclusive em inglês também (29). E de quebra, achamos um livro que, apesar de ser concebido para alfabetizar crianças, é muito bom mesmo para nós adultos aprendermos a fonética associada aos grupos de letras em francês (30).
Como podem ver, em um resumo de um evento simples pude contar 30 agradáveis detalhes (o número fechado foi mera coincidência, juro!). Adicione os muitos que não lembrei, outros mais que não tenho como transmitir a vocês como a paisagem colorida da primavera no caminho e ponha isso no dia a dia dos 5 meses durante os quais estou morando aqui.
Isso me faz lembrar do que o amigo Júlio Falcão, que agora mora na Austrália me disse, repassando o que haviam lhe dito:
"Que você encontre lá o que estás procurando, seja este o que for".
Pois bem, achei bem mais do que procurava!