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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Le domaine de la forêt perdue




Le domaine de la forêt perdue from Alexei Aguiar on Vimeo.

Nossos queridos amigos também vindos do Ceará mas que moram em Montréal nos propuseram um programa diferente. A primeira coisa bizarra...hum...bizarro é muito comum em francês, mas é menos usado em português. A primeira coisa esquisita que saltou aos olhos foi o nome do lugar: Le domaine de la forêt perdue/O domínio da floresta perdida. É o que?!?! É o tipo de situação onde entendemos o que foi dito, mas não o que quer dizer. Me veio à ideia duendes, cavaleiros medievais e maconha mofada temperada com veneno de rato.

Bom, é uma fazenda que tem uma pista de patinação em forma de labirinto com 10 Km de extensão total. Além da patinação, tem os animais para as crianças verem. Sounds interesting/parece interessante! E onde fica isso? Fui consultar no site deles. Notre-Dame-du-mont-Carmel?!?! Hein?!?! Ahh bom! Porque é que não arredondam logo para Trois-rivière (ou troière como eu ouvi uma mulher de lá pronunciar)? É bom porque fica no meio do caminho entre Québec e Montréal, que não é longe. Principalmente quando já viajamos para Montréal o suficiente para não sabermos dizer quantas vezes foram.

Pagamos 14$ por adulto e 12$ por criança. Esses 4 ingressos nos deram direito a compra de produtos da fazenda na saída. Escolhemos um pote de mel puro. Lá é rústico, mas tem estrutura para a quantidade de visitantes, que não era pouca. Tem um galpão com muitas mesas para refeições e outro que não entrei, mas que tinha microondas. Não recomendo levarem para almoço feijoada, buchada, sarrabulho, e outras comidas pesadas e indigestas (a poutine, que é típica do Québec, entra na lista), sob o risco de não ter patinação depois do almoço.

O gelo estava muito bom, principalmente para eu que estava me acostumando a patinar em qualquer buraco. Tem uma máquina que eles desenvolveram para passar pela pista toda com pouco reabastecimento. Quanto à questão de ser um labirinto e se perder, bom, até que pode. Mas não é lá um labiriiiiinto com Minotauro e tudo mais. A melhor definição que eu pensei para esse labirinto foi que pediram para fazer um quadriculado de pistas, mas quem o fez tinha tomado umas cachaças e ficou ondulado. Também, o terreno é bem comprido, mas não tão largo. Se usarmos o tradicional macete para labirintos de seguirmos sempre com a mão na "parede" da direita ou da esquerda, em no máximo 2,8Km percorre-se todo o perímetro exterior e volta-se ao ponto de partida. Cuidado que isso fura para labirintos que tem ilhas, que é o caso, mas basta ir até a borda e seguir a regra.

Na entrada eles vendem baratinho um saquinho pequeno com comida para darmos aos animais. O Davi morria de rir com um cervo comendo na mão dele, porque devorava a comida rápido como um aspirador de pó. Vacas, cavalos, carneiros e bodes são animais de fazenda mesmo. Mas achei curioso que tem também lá lhamas, pôneis e emas ou avestruzes (nunca sei dizer quem é quem).

Portanto, colegas, é um programa legal para quem gosta de patinar e de quebra curtir a natureza. Nesse dia, acho que patinamos uns 7Km e o bonitão do Davi nem reclamou porque estava sendo puxado no trenó, só curtindo.

domingo, 6 de novembro de 2011

Halloween 2011

Como nessa postagem do ano passado já dei uma visão geral do Halloween, agora vou falar de outros aspectos, sobretudo do que aconteceu neste ano.

Primeiro, no trabalho parece que ficaram ainda mais malucos. Quando cheguei para trabalhar, tinha uma imitação de teias de aranha gigantes na sala e um doido que passou o dia todo trabalhando enrolado nela. Vejam na foto seguinte.

Depois, chega o outro maluco só de bermuda e um pano por cima de um dos ombros como um homem das cavernas. Para ficar mais realista, ele se sujou todo de lama que parecia um mendigo daqueles bem largados. Depois do almoço, levei um susto com o baita arroto que ele deu. Logo depois, disse: Désolé! Je joue mon rôle!/Desculpem! Estou interpretando meu papel (personagem). O detalhe é que apesar de sua boa camada adiposa, passou o dia com frio por ter pouca roupa para se cobrir, até porque as laterais eram abertas. E o pior é que ficou só com o terceiro lugar no concurso, perdendo feio para o monstrengo da esquerda nessa outra foto.

Para a minha surpresa, aqui na nova vizinhança em Lebourgneuf tem muito movimento de porta em porta e é bem animado. Corrigindo a postagem do ano passado, aqui se diz Joyeuse Halloween/Feliz Halloween, lembrando que os québécois não pronunciam o H de Halloween, fato esse que me incomoda principalmente quando falam "l'alloween" ou "d'alloween". They ave (have) a problem with the H!/Eles têm um problema com o H!

Neste ano, uns amigos nossos chamaram outros brasileiros para o Halloween superproduzido na casa deles. Só para dar ideia, tinha até máquina de fumaça! Muita gente compareceu, inclusive, era difícil saber quem era quem com as fantasias. Vejas as fotos que escaparam da pouca luminosidade.




Essa postagem de outro blog fala bem do impacto que o Halloween tem nas crianças com a inevitável superexposição à qual eles são submetidos nessa cultura macabra e amedrontadora. Em geral, os nossos reagem bem em todos os ambientes que vamos. Até porque, tem muito também de uma festa de fantasias de todo tipo como um carnaval, não somente as de terror. A exceção é o medo de aranhas que o Davi tem e uma loja que vimos nos Estados Unidos que jogava pesado. Um dos bonecos pegou a Lara de surpresa e ela não quis mais entrar lá, mesmo sabendo que era só um boneco. O vídeo que gravei nessa loja não passa o mesmo impacto porque o som não é alto como o da loja. Mas meu instinto sádico para sustos ficou imaginando esses bonecos na escuridão da noite sendo acionados pela pisada no sensor estrategicamente colocado no caminho de entrada da casa. O requinte de crueldade é um fundo musical de filme de suspense para preparar e amplificar a descarga de adrenalina.





Continuamos na linha de participar e mesclar a cultura local com a nossa, mesmo dessa vez eu não tendo encontrado uma fantasia para usar. Vou tentar no próximo encontrar uma boa fantasia com a qual eu possa ir até para o trabalho. O problema é acharmos uma que nos permita usar o casaco, pois uma fantasia fininha a zero graus é um verdadeiro terror!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Hockey, a paixão nacional


Assim como o futebol no Brasil, o hockey (ou mais precisamente, hockey sobre o gelo) é a paixão nacional aqui no Canadá. Não é para menos, afinal, esse jogo é originário daqui mesmo. Eu me identifiquei logo de cara com o esporte por causa do seu dinamismo e velocidade extremos. Não tem embromação! É ação durante todo o tempo de jogo, garantida por vinte jogadores que se revesam o tempo todo (fora os dois goleiros reserva), normalmente sem interrupção, para ter apenas cinco no gelo.

Aconteceu de eu chegar aqui bem na época das olimpíadas de inverno de 2010 em Vancouver. Fui logo premiado com duas finais de hockey Canadá versus EUA das quais, tanto a equipe masculina quanto a feminina do Canadá levaram a medalha de ouro, para frustração dos estadunidenses obcecados por vitórias.

Mas o que move realmente a vida do amante de hockey é a Ligue Nationale de Hockey (LNH)/National Hockey League (NHL)/Liga Nacional de Hockey (LNH). Começa em setembro, por ocasião da temporada de exibição, seguido da temporada regular, de outubro até o meio de abril. Os times selecionados nessa fase vão para as series éliminatoires/playoffs/séries eliminatórias, que são as quartas de finais, semi-finais, finais e a grande final do campeão da conferência oeste contra o da conferência leste.

Essas séries são mais emocionantes. Quem ganhar a melhor de 7 jogos passa para a outra fase, enquanto que o perdedor é eliminado. Quem ganhar 4 jogos garante a série, logo, esta pode ter entre 4 e 7 jogos. Não tem empate. Se o jogo não for decidido nos 3 períodos regulares de 20 minutos, este segue com prorrogações de 20 minutos até que alguém faça um gol, que é a morte súbita.

O time que Québec tinha na LNH, o Nordiques, foi vendido em 1995, mas estamos caminhando para tê-los de volta nos próximos anos. Na falta dele, o time mais próximo é o que teve mais campeonatos ganhos, com quase o dobro do segundo lugar, o Canadiens de Montréal. No ano passado, dentre os 6 times canadenses de um total de 30, o Canadiens foi o que foi mais longe nas séries, sendo eliminado na final da conferencia leste. Lembro que tinha muita comemoração em Montréal a cada vitória e mesmo onde trabalho, as pessoas comentavam muito e vestiam a camisa.

Nessa temporada, infelizmente eles foram eliminados mais cedo, mas temos outro representante para torcermos que já ganhou a série final da conferencia oeste, o Vancouver Canucks. Exatamente hoje começa o primeiro jogo da série final entre as conferências, jogando contra o vencedor do leste, o Boston Bruins.

Então, vamos acompanhar as emoções dessa série final Canadá versus EUA e torcer para que tenhamos motivos para comemorar. Go Canucks go!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Locais importantes de Québec


O Giovanni, o criador da lista de discussão Oxe Canadá teve a excelente ideia de montarmos mapas de locais importantes e interessantes, tanto para brasileiros recém chegados como também para quem já mora há algum tempo. Para quem chega, fica fácil saber onde ficam os órgãos governamentais que provêm os documentos necessários, os de ajuda aos imigrantes e os principais shopping centers. Esses e outros podem encontrar nesse mapa um diretório de serviços de saúde e lazer interessantes, inclusive onde encontrar carnes com cortes brasileiros e a rapadura (por sinal, acabou a nossa)!

O Giovanni criou o mapa de Calgary, cidade onde ele vive, e nos incentivou a replicarmos a ideia para as outras cidades do Canadá. Como acho que esse mapa pode ser útil, resolvi gastar um tempinho coletando esses locais para fazer o mapa de Québec. Quem conhece a cidade e tem boas dicas que possam interessar aos demais brasileiros pode contribuir enviando os dados para mim. Não acho interessante poluir o mapa com as localizações dos Tim Hortons ou McDonald's, mas por exemplo, um hotel que seja recomendado por experiência própria pode ser benvindo para quem fica perdido entre as muitas opções.

E você que mora em outra cidade do Canadá e que quer dar a sua contribuição para os irmãos brasileiros, faça o mapa da sua cidade e entre em contato comigo ou com o Giovanni para aumentarmos o nosso repertório de mapas. Caso tenha dúvidas de como usar o Google Maps ou sobre as convenções de ícones que adotamos, deixe um comentário nessa postagem com o seu email.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Village Vacances Valcartier




O Village Vacances Valcartier é o maior centro de diversões de inverno das Américas, embora ele seja também um parque aquático no verão. Se me permitem o parêntese, no shopping Les galeries de la capitale fica o segundo parque de diversões indoor mais importante da América do Norte, segundo o site deles. Voltando ao primeiro, acho que essa era a última atração que me sentia devendo de ainda não conhecer e mostrar a vocês, tendo morado esse tempo todo aqui. Eu passei por chato algumas vezes por querer esperar, mas finalmente pudemos aproveitar ao máximo em um dia perfeito. Acontece que somos 4 e o pacote que dá direito às glissades/tobogãs e rafting/descida em botes soma 100$. Porém, em um dia de muito sol e temperatura ligeiramente positiva, vale muito a pena. Tive que usar somente a camada externa impermeável do casaco porque estava suando. Estava tão claro que saturou as cores da câmera. E com a companhia do casal Tarcizo e Priscila que vieram de Montréal para conhecer a cidade, ficou ainda mais divertido.
A estrutura é gigante. Tem 42 tobogãs, rafting, tornade que desce girando, 17 subidas mecânicas e 5000 câmaras de ar, fora a área de suporte e outras diversões como pista de cart no gelo e patinação. Quem quiser pode levar o almoço para esquentar no micro-ondas sem risco de ser chamado de farofeiro. Se preferir, existem uma lanchonete para recuperar as energias.
O destaque fica por conta do Everest, uma descida íngreme de 33 metros de altura de tirar o fôlego. Confiram a diversão no vídeo ao som do gritarrista Joe Satriani, relembrando que clicando duas vezes no vídeo, ganhamos o controle de assistir em High Definition (720p) e em tela cheia.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Hotel de gelo gelado




Eu passava vergonha porque as pessoas me perguntavam se eu já tinha ido ver o Hôtel de Glace/Hotel de Gelo, que é uma das atrações de inverno daqui de Québec e eu dizia que ainda não. E não podia deixar passar o segundo inverno sem conhecê-lo.
O dia não estava muito apropriado para passeios em ambientes externos. A temperatura estava em -20°C com sensação térmica de -30°C por causa do ventinho "refrescante". Mas... atrevidos que somos, topamos conferir e mostrar para vocês em vídeo. Resultado: Não passamos a tradicional hora e meia mas somente 45 minutos dentro do freezer. A temperatura de um freezer de geladeira é de -18°C! Se esquecermos as compras no porta-malas do carro, vai estar melhor conservada que na geladeira! Eu vi no sítio do hotel que a temperatura interna fica entre -3 e -5°C. Lá vou eu de luvas finas de couro para ficar mais à vontade para filmar. Nenhuma lareia estava acesa, não vi controle nenhum e estava bem mais frio que isso. Resultado: mãos geladas, o que não deveria acontecer.
Depois de ter visto os 36 quartos...sim! É um hotel de verdade! Só não sei quem consegue dormir nessas camas duras e geladas! Eles dão as dicas de como dormir lá nesta página. Continuando... a capela...Sim! Capela de verdade, onde fazem muitos casamentos bem originais. Continuando novamente...o bar e o tobogã, tudo devidamente filmado, os nossos pés pediram arrego!
Uma boa dica para quem vem visitar Québec durante o período no qual o hotel fica aberto. A outra dica é não descer de cabeça como eu fiz para registrar em vídeo! Se tiver um erro de cálculo, podem bater o chifre na parede. Ao menos não vai faltar gelo para colocar no galo da cabeça!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Centre de glisse Myrand




Continuando a mostrar o lado bom do inverno, o canal do imigrante foi hoje ao Centre de glisse Myrand. É mais uma entidade de lazer da prefeitura de Québec com uma boa infraestrutura para a diversão de toda a família. Sim, mas faltou dizer o que raios é glisse né, bonitinho?! Obrigado pelo elogio, apressado! Glisser é deslisar, escorregar. Glissade é tudo que é feito para descermos deslisando, do escorregador ao tobogã, seja sem nada ou com qualquer coisa que reduza o já pouco atrito da neve ou gelo, incluindo bóias grandes.
O centro conta com duas pistas que tanto são altas quanto longas para quem tem a partir de 1,32m de altura. Para os menores como a Lara e o Davi, tem mais quatro pistas mais apropriadas. Nas grandes, descemos com essas bóias grandes e tem um cabo de aço que as puxa nos levando de carona até em cima. Claro! Quem é que aguentaria subir tudo isso a pé? Nas pequenas, descemos em uma espécie de soucoupe/pires que cabe um adulto e uma criança.
Os tobogãs pequenos são gratuitos, porém os grandes são pagos. Mas para quem mora no Québec e vai em família, custa apenas 5$ por adulto. Acho difícil que isso pague a infraestrutura e todos as pessoas que trabalham no local. Como é muito comum por aqui, lá tem também uma pista de patinação, que também é gratuita.
Estava um dia de sol aberto com céu de brigadeiro (não o de chocolate), o que nos faz sair de casa para atividades externas seguindo a filosofia il fait beau, il faut en profiter/o tempo está bonito, tem que aproveitar. E sol aberto e céu azul no inverno, como vocês já devem saber, muitas vezes significa massa de ar frio e seco. Estava fazendo -10°C com sensação térmica de -18°C, mas isso não é problema. Basta colocar roupas apropriadas. Se for fazer algum esforço físico como subir puxando o Davi no pires deslisante, aí é que não sentimos frio mesmo! Quando muito, pode esfriar os pés por causa do suor, mas até para isso tem solução. Só não pode é ficar trancado em casa durante o inverno todo! Aí, só urso mesmo!















quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Lazer de inverno




Na postagem anterior, devo ter assustado muitos pretendentes ou mesmo futuros residentes permanentes do Canadá. Acho que também assustei algums turistas potenciais, inclusive da família. Désolé/sorry/sinto muito, mas faz parte da minha responsabilidade de mostrar os dois lados da piasse(piastre)/loonie/moeda de 1 dólar.
Para compensar e mostrar que o inverno aqui não é um preço a pagar, o lado ruim do Canadá ou pagar os pecados, esta postagem mostra um pouco das oportunidades de lazer que o inverno proporciona, sobretudo para quem uma família ou pretende constituir uma aqui.
As crianças adoram a neve. É macia, pode ser modelada, não irrita os olhos com a areia e é escorregadia. Depois de transformar nosso ambicioso projeto de construir um iglu em mais modesto de construir um forte de neve, descobrimos que temos que ter ferramentas mais produtivas. Os tijotos feitos com uma caixa de papelão dão muito trabalho e esta não durou muito. Não passsamos do terceiro andar de tijolos e uma chuva derreteu tudo. O interessante é que a neve estava boa e o acabamento fica perfeito. Às vezes a neve fica parecida com açucar e não dá para fazer nem uma bola de neve, quanto mais um bonhomme de neige/boneco de neve.




Os adultos aproveitam a neve para esquiar, tanto no plano (ski de fond) quanto descendo, de esqui ou planche de neige/snow board. Pretendemos fazer mais essa aventura ainda nesse inverno. Mais prático, barato e universal mesmo é a patinação. É o esporte de inverno mais popular. Aqui temos patinoires/skate rinks/pistas de patinação gratuitos externos e internos com uma boa infraestrutura de apoio. O da Place d'Youville (mapa aqui), por exemplo, tem um sistema de refrigeração que permite seu funcionamento começar antes e terminar depois do período de temperaturas negativas. Já o Anneau Gaétan-Boucher (mapa aqui) tem uma pista em formato de zero de 400 metros de extensão por 12 metros de largura. No interior, além dos três patinoires utilizados para partidas de hockey e patinação artística, tem desde um microondas de uso público (e gratuito) até a lanchonete (essa é paga, claro!). Nos que eu conheço, sempre tem um serviço de aluguel e afiação de patins. Nesses dois que eu citei, tem também armários (basta levarmos os cadeados) e aluguel de suportes para crianças. 


Não só no verão a prefeitura promove eventos de lazer para as famílias. Este, por exemplo, conta com dois tobogãs de gelo super rápidos, além das boias e pessoal de apoio. Apenas para reforçar, grátis, ou melhor, conta já paga pelos impostos. Tinha também um grande labirinto feito de pinheiros com uma casa iluminada no seu fim, bem como alguns carros decorados.










E além de tudo, ainda temos a infraestrutura fornecida pela própria mãe natureza. É comum vermos pais puxando as crianças em trenós, aproveitando as calçadas cobertas de neve e existem lugares interessantes para que elas possam usá-los para deslisar. Aqui perto tem o Parc des Braves que é inclinado, o que proporciona uma descida bem longa. Ideal para fazê-los gastar as baterias nas subidas! Depois ficam beeeem calminhos! Infelizmente, por engano, acabanos não gravando a descida das crianças e somente a minha tentativa de fazer uma trilha. Nem funcionou, porque cada descida teve um caminho diferente e nem mesmo serviu para eu me divertir porque por causa do meu peso, o trenó desceu muito devagar. Além do mais, a neve lá estava no meio da canela. Mas dá para ter uma ideia.








Tudo isso, somado ao fato de que não temos mais a mínima preocupação com a violência faz com que tenhamos muito mais programas de lazer externos que tínhamos no Brasil, mesmo no inverno. Mesmo quem tem bebês faz tudo mesmo com eles: patinação e cooper empurrando carrinho (tem carrinhos próprios para corrida), bicicleta puxando reboque fechado, etc. e com temperaturas bem negativas.
É por isso que digo que enquanto a Europa para por causa de um inverno mais rigoroso, o canadense faz piquenique. O inverno aqui é normal e faz parte da nossa vida, quer queira ou não!

domingo, 14 de novembro de 2010

Halloween


Ralou o que? O ween! O termo halloween, ou como os québécois chamam "l'alloween" (l'halloween) veio de all hallows eve, que significa noite de todos os santos. É uma festa tradicional de alguns povos anglo-saxões, que veio parar aqui na América do Norte. Esta é comemorada na noite de 31 de outubro a primeiro de novembro.
Quando perguntei a um québécois o que significava a festa, primeiro ele disse que não sabia a origem. Depois, que era a festa dos mortos e das assombrações. Por último, que se tratava na verdade, da festa onde as pessoas gastam um bocado de dinheiro com fantasias e decorações, mas sem saber qual a origem e o real significado.
O fato é que o halloween mexe com todo mundo aqui no Québec também, embora não tenham uma orígem anglo-saxônica. Só para terem ideia, a empresa na qual trabalho, além da decoração, fez um concurso de fantasias. Não tenho certeza, mas acho que quem ganhou foi um cara que foi com uma fantasia extremamente convincente de personagem do filme Avatar, com direito a rosto pintado e rabo comprido.
Na instituição de lazer daqui do bairro, o Loisir Montcalm, teve uma festinha gratuita (na verdade, já paga pelos impostos, assim como muitas outras coisas) para as crianças. Teve uma bruxa comediante, abóboras para as crianças pintarem, brincadeiras, pintura de rosto e bombons, é claro!
A noite, fomos convidados pela vizinha para participar do pedido de bombons de porta em porta. Faltando 15 minutos para sairmos, resolvi entrar no clima e improvisei uma fantasia maluca. Batizei-a de Fernando Collor ninja corno. Lembrei que quando criança eu colocava uma blusa na cabeça com as mangas amarradas atrás que lembra um  ninja. Na saída, a vizinha ofereceu os chifres, daí o termo corno. E o Fernando Collor? Bem, vocês se lembram do episódio onde ele disse que quando nasceu tinha "aquilo roxo"? Pois bem, foi a cor que escolhi por ser macabra e por ter um lençol para me cobrir. Por coincidência, os chifres eram da mesma cor.

Eu pensei que só existissem fantasias amedrontadoras, mas tem horas que parece um carnaval. Tem fantasias de robô, de Papai Noel, de super-heroi, de presidiário e de Senhor Macho! Esse cara, a propósito, era macho mesmo! Com um frio de 2°, ele saiu conosco e com a criançada de casa em casa vestindo somente uma bermuda, uma camisa, a capa e um par de tênis. E olhe que tinha aquele ventinho "refrescante" e começou a cair alguns floquinhos de neve tímidos! Mas não tem essa de frio não. Canadense que é canadense não deixa de sair de casa por causa de nenhuma condição climática. E lá fomos nós pedir bombons na estratégica e rica Avenue des Braves. Cada mansão milionária que vou te contar!
Em inglês, existe a tradicional frase "tricks or treats", que significa mais algo do tipo "doces ou travessuras". Mas em francês, a meninada diz mesmo é "me dá uns bombons!" ou nem diz nada! Em compensação, tem alguns donos de casas que pedem que alguém cante algo como forma de pagamento. Quem quer participar da brincadeira, decora a casa e deixa as luzes acesas. Porém, tem casos que fica meio difícil de saber. Olhem, a galera compra bombons é de toneladas! As crianças chegaram em casa com sacos cheios e são muitas crianças batendo nas portas durante horas.
Como sempre digo, até atravessar a rua aqui é diferente. E olhe que basta ir para Montréal para mudar de regras outra vez! Imigrar é estar aberto às novidades e experimentar essas curiosidades. Integração não é só uma questão de aprender o idioma. É se harmonizar com a cultura, os valores e tradições. Só não esqueça de escovar bem os dentes depois de comer tantos bombons! Pensando bem, acho que foram os dentistas que inventaram essa festa!



terça-feira, 17 de agosto de 2010

Vamos a la playa?

Por falar em plage/praia, queria pedir desculpas ao amigo Idevan que nos convidou para conhecer essas duas praias daqui por ter feito essa postagem justamente depois dele ter feito a dele. Mas não foi plágio! Já estava na programação! Ele é gente boa, acho que não vai se importar. (Nota do revisor: Pô cara! Tu bota plage lá no começo e plágio lá na baixa da égua! Tem gente que não vai perceber o trocadilho!)
Praia, sim! Qual é o problema? Tem até surf! Bom, kite surf e wind surf, mas tem surf no nome! De fato, só não tem onda mesmo, mas de resto tem tudo e mais um pouquinho, inclusive sol e calor.




Vamos começar pelo litoral oeste...opa! Litoral não! Aí já é demais! Lá no final da cidade, quase em Cape Rouge, fica a Plage Jacques Cartier. O parque tem muitas árvores, que é muito agradável para fazer um almoço nas mesas de piquenique na sombra. A vista é encantadora! A natureza ainda preservada forma uma paisagem bem acolhedora. Uma constante por aqui é a infraestrutura dos locais públicos. Para onde vamos sempre tem no mínimo banheiros bem cuidados e bebedouro com água gelada. Agora só levamos a garrafa por questão de praticidade, mas sai de casa vazia. Muitos parques têm as mesas de piquenique. Outra constante daqui é a preocupação com acidentes. Onde tem banho público, tem sempre um ou até mesmo dois salva vidas, mesmo que seja uma piscina. Isso mesmo! Uma piscina nem tão grande e dois salva vidas olhando a galera! Só que dessa vez, o cara que entrou substituindo o outro era meio paranóico. Ele veio falar com agente, que sempre acontece por causa do Davi, mas dessa vez para dizer para todos que ninguém podia entrar na água além da altura do joelho. Assim é pra lavar os pés e não tomar banho!
Tem umas pedras e uma ilhota interessante para a meninada explorar e tudo é totalmente de graça. Em compensação, pode faltar vaga no estacionamento se chegar mais tarde.




No outro lado, mais perto do Centro, fica a Baie de Beauport! Diferente da outra praia, esta é mais badalada. Tinha muita gente se bronzeando na areia e tem mais infraestrutura. Tem até um salão de eventos! O playground é imenso e cheio de brinquedos bem interessantes, que não tem na outra. Até estranhei porque aqui é regra. Tem quadra de voley de praia (se chama quadra, mesmo sendo só de areia?) e muita gente vai para fazer esportes náuticos. Uma atração que os baixinhos da titia Xuxa adoram são as fontes que jorram água com intensidade e duração variadas. As crianças adoram o fato de levarem sustos quando a água sai de surpresa. Alguns parques daqui também tem isso.
A vista é também é magnífica. Podemos ver, seguindo o rio, a Île d'Orleans, que descrevi nessa postagem, e sua ponte. Ao contrário da outra praia, esta tem estacionamento de sobra, porém é pago: 8$ no final de semana, mas também é só isso que se paga. A não ser que vá colocar seu iate, veleiro, barco, caiaque ou tronco de árvore na água, mas não é o meu caso.
Tem também outras praias como uma de lagoa que fomos, mas não estava quente o suficiente para tomar banho, embora tivesse que tirar o Davi da água à força porque já estava roxo! E devem ter outras mais. Ou seja, existem boas opções para se refrescar do calor do verão e lazer para gastar as pilhas da molecada. De quebra, podemos até pegar aquele broze maneiro para tirar o aspecto de urso polar do inverno! Mas usem protetor solar porque aqui fica mais perto do buraco da camada do Osório!!!


















quarta-feira, 23 de junho de 2010

Zilhões de pequenas coisas

É fácil perceber alguns aspectos bem marcantes da vida daqui como, por exemplo, a segurança que permite apartamentos que têm apenas uma parede de vidro separando a sala da rua. Mas é difícil de passar para vocês a satisfação que um simples passeio nos proporciona por estar repleto de pequenas surpresas agradáveis. São detalhes que isolados até passam desapercebidos, mas são tantos que fazem a diferença. Para ilustrar, vou mostrá-los dentro de uma pequena estória.
Era uma bela manhã de chuva. Epa! Normalmente é uma bela manhã de sol! Não importa o clima. O povo aqui sai de casa para curtir a vida, faça neve, faça sol (1). Fomos experimentar um programa que só conheciamos através dos filmes e desenho animados norte-americanos: Ir à biblioteca (2).
Tem uma há uns quatro quarteirões daqui (3). No Brasil, teriamos que ir de carro por causa da violência (4). Aqui, criamos o saudável hábito de andar muito, mesmo com o Davi de 3 anos (5). Casacos impermeáveis para todo mundo e vamos lá, afinal, a temperatura está bem agradável (6). A chuvinha fina nem molha a calça então nem precisamos de guarda-chuvas.
Ainda temos algum traço de associação de instituições públicas com algo de qualidade bem ruim. Então, ainda nos dá surpresa encontrar uma biblioteca muito bonita (7), com computadores para o público (8), multimídia (9), e uma seção infantil separada (10). Esta tem um acervo vasto, interessante e atual (11), com livros bem conservados (12).
Escolhemos os livros, mas será que dá para fazer a inscrição? Afinal, eu não havia levado nada! Vamos tentar. A funcionária sorridente foi super gentil e educada, que é muito comum por aqui (13). Basta uma identidade e um comprovante de endereço. Sabia que não ia dar certo!
-O senhor possui carteira de motorista?
-Sim.
-A sua carteira é suficiente, pois ela tem o endereço (14)!
Câline/caraca! (Nota do tradutor que voltou de férias: mais uma suavisação de palavrão, no caso câlice, para ficar socialmente aceita). Nem tinha reparado nisso! Não preciso do kit identidade, cpf, comprovante de residência, título de eleitor (que não existe aqui), alistamento militar com cópias autenticadas. Basta mostrar a carteira de motorista e para muitas coisas, posso enviar uma cópia simples dela por fax ou correios (15).
Pronto! Cadastro feito, já recebi na hora um cartão em PVC (16) válido em todas as bibliotecas públicas da cidade (ops! Não tem só essa. São 25 distribuidas em uma cidadezinha de apenas 500.000 habitantes)(17). Recebi um folheto com o regulamento e a moça perguntou se eu queria que ela explicasse como tudo funciona (18). Claro! E ainda assim, continuei matuto! Legal a parte na qual ela diz:
-Se o dia do vencimento dos livros for um feriado, mesmo assim, a qualquer hora você pode deixar os livros na caixa que fica do lado de fora da porta de entrada que os mesmos serão aceitos (19). Ou seja: não tem desculpa para atrasar!
-E para pegar os livros? Esperando que ela fosse registrar para mim.
-Passe o código de barras do seu cartão em algum terminal de auto atendimento (20), depois passe o código de barras de cada livro, colocando a etiqueta nesta parte para desmagnetizá-la. Se não fizeres isso, vai alarmar na saída (21).
Ainda estou com a mentalidade de que sempre tem que ter alguém fiscalizando tudo, senão algum """"""esperto""""" se aproveita. Ahhh, comedor de rapadura! Mas com um sistema anti-roubo desses, como é que alguém vai fraudar? Não sei, mas os caixas self-services dos supermercados são bem mais fáceis de serem enganados (22). Melhor! Nunca tem ninguém para saber se você vai entrar para pagar ou não a gasolina que você mesmo colocou no seu carro! (23) Apesar disso, prefiro a praticidade do débido automático na própria bomba (24).
E para terminar, como de praxe, a informática aqui normalmente funciona muito bem e torna a vida prática e reduz custos (25). No site www.bibliothequesdequebec.qc.ca podemos consultar o acervo, fazer reservas, ver os livros que pegamos e sermos avisados por email da disponibilidade de reservas ou de atraso, dentre outras funcionalidades (26). Acabei de ter mais outra surpresa durante as minhas pesquisas. A biblioteca tem Internet sem fio para o público! (27)
O mais valioso: Poder desenvolver nos nossos filhos o gosto e hábito pela leitura (28) por ter muitos títulos interessantes, inclusive em inglês também (29). E de quebra, achamos um livro que, apesar de ser concebido para alfabetizar crianças, é muito bom mesmo para nós adultos aprendermos a fonética associada aos grupos de letras em francês (30).
Como podem ver, em um resumo de um evento simples pude contar 30 agradáveis detalhes (o número fechado foi mera coincidência, juro!). Adicione os muitos que não lembrei, outros mais que não tenho como transmitir a vocês como a paisagem colorida da primavera no caminho e ponha isso no dia a dia dos 5 meses durante os quais estou morando aqui.
Isso me faz lembrar do que o amigo Júlio Falcão, que agora mora na Austrália me disse, repassando o que haviam lhe dito:
"Que você encontre lá o que estás procurando, seja este o que for".
Pois bem, achei bem mais do que procurava!

domingo, 14 de março de 2010

Vamos patinar?




Patinage

Vou começar de uma forma meio esquisita. Perguntei ao meu chefe como iriam fazer a pista de gelo do Redbull Crashed Ice agora em março, já a temperatura estava positiva. Ele me respondeu: Com dinheiro! Vão resfriar a pista toda! E é devido a este recurso bancado pela prefeitura que estamos patinando na patinoire/pista de patinação da Place d'Youville, na entrada de um dos portões da muralha de Vieux-Québec. Como pegamos somente o fim do inverno para começar este lazer, estamos indo todo sábado enquanto a pista está funcionando ainda nesse mês. Lá tem patins para alugar por 6$ por dia, bem como suporte para as crianças aprenderem por 4$. Acho muito barato porque tem uma parafernália pesada para resfriar a pista, que é grande, tem funcionários para alugar o material, manter a estrutura de bebedouros, banheiros, vestiário, e tem um veículo que recupera o gelo quando está muito irregular.
A primeira vez que a Lara patinou foi ainda em Fortaleza. Estavamos perto de vir para cá e quisemos ter um gostinho do nosso lazer futuro. Nesta vez, ela aprendeu a ficar em pé, que já é muito difícil. Na segunda vez, aqui, ela aprendeu a andar, embora devagarzinho. Hoje, que foi a terceira vez, ela já dá impulso com o pé direito para trás e para o lado e desliza legal. Já dá para fazer a volta na pista. E também já aprendeu a se levantar sozinha, o que é muito útil. Descobrimos para que servem os glúteos!
Já o Davi!!! Ai ai ai! Ele cai pra caramba no chão normal e descalço. Imagine no gelo! Esse vai dar muita dor nas minhas costas. Alugo o suporte e vou empurrando-o ao menos para ele curtir. Ele só diz: rápitu, rápitu, papai! E ainda conseguiu uma vez virar o suporte, bater nos meus pés e nos derrubar!
A minha prima Alessandra comentava nas olimpíadas de Vancouver que os atletas têm as pernas muito grossas. Não é para menos. Ficar com joelhos flexionados força bastante os músculos da coxa. Eu fiquei banhado de suor a quatro graus e fiz a besteira de tirar o casado. Um senhor parou e me recomendou colocá-lo. Eu disse que estava com muito calor e ele disse que era melhor o calor que uma gripe. De fato!
Encontrei uma boa solução. O super casaco tem duas camadas. Tirei a de dentro que é a mais aquecida e fiquei com a de fora. Inclusive, cada camada pode ser usada sozinha como casaco! O pessoal daqui é muito gente boa. Uma senhora deu umas dicas para a Lara e se ofereceu para levá-la segurando, mas ela acha melhor desenvolver o equilíbrio sozinha. Diz a Lara que entendeu o que ela falou em francês. Acho que por causa dos gestos e dos cognatos.
O meu desafio é aprender a freiar derrapando e raspando o gelo com os dois patins. Acho muito legal, mas é uma excelente oportunidade para cair. Por enquanto, quando erro, dou um giro, apoio as mãos no chão e vou escapando. Mas eu sei que cair faz parte. Todo mundo aqui cai, até os senhores mais experientes que também patinam.
Só não é mais legal porque a Mônica quebrou a perna com patins de rodas inline há muito tempo atrás. Não estamos muito a fim de inaugurar o sistema de saúde canadense, então ela fica só olhando e servindo de suporte técnico.
Em outubro vai começar outra vez a temporada de patinação e estaremos lá novamente. Quem sabe não teremos um goleiro de hockey (o Davi tem muita flexibilidade e esta é necessária para fechar o gol) e uma atleta de patinação artística.