Mostrando postagens com marcador adaptação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adaptação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

1095 dias, 36 meses, 8 estações, 3 anos



Hoje faz exatamente três anos que cheguei aqui nas terras nórdicas. Lembro bem do meu sentimento de cachorro que caiu do caminhão de mudanças, modo de sobrevivência em guerra ativo o tempo todo, achando tudo tão diferente, mas ao mesmo tempo, tão bonito e fascinante. A mudança é realmente radical.

Ao contrário de completar dois anos como descrito nessa postagem, esse marco de três anos tem uma implicação simbólica forte. Hoje, vendo nossas vidas estáveis, bem adaptados à cultura, idioma e costumes daqui, podemos dizer que é o nosso lar e o nosso país. O primeiro ou segundo ano poderia dar esse significado. Mas o terceiro ano é mais representativo porque é no seu término que ganhamos o direito à cidadania canadense.

O nome "residente permanente" quer dizer que não somos turistas ou estudantes passando apenas alguns meses. Mas também não quer dizer que possamos realmente passar a vida toda assim.  Pelo que ouço, a primeira renovação do status de residente permanente no final dos 5 anos de validade é facilmente aceita. Mas não necessariamente a segunda renovação, uma vez que completemos 10 anos, ou as demais.

Desta forma, usufruir desse direito significa ter que fazer de forma definitiva e pela última vez um processo do governo para garantir a nossa presença com status legal. Também significa poder exercer a cidadania sob a forma do voto, exercício esse que me fez falta nas eleições provinciais do Québec no ano passado. E, complementarmente, também nos abre a possibilidade de termos um passaporte canadense e não precisarmos mais de vistos para visitar os EUA, México e possivelmente outros. Eu já saí e voltei para o Canadá duas vezes e sem dúvida nenhuma, me sentiria bem mais confortável ao mostrar um passaporte que não gerasse uma certa desconfiança na hora de voltar para a minha própria casa (Quando você imigrou para o Canadá? Qual é o seu código postal?).

Claro que mesmo legal e oficialmente sendo tão canadenses quanto qualquer outro, nunca o seremos completamente porque não nascemos aqui, não vivemos tudo o que aconteceu durante décadas, etc. Os nossos filhos vão ser mais que nós. Por outro lado, o que importa mesmo é que adoramos a vida aqui, como ela é.  Além dos amigos brasileiros, temos também amigos não brasileiros com proximidade suficiente para passarmos um dia na piscina comendo churrasco, sairmos para jogar boliche ou para virem jantar em nossa casa.

Deixo vocês com essa música que encontrei quando estava estudando inglês para o exame do IELTS, para dar entrada no processo de imigração e que tem tudo a ver com a postagem. Para mim, é uma volta ao tempo que a imigração era somente um sonho!


terça-feira, 24 de julho de 2012

Os 12 mandamentos do turista/imigrante brasileiro no Canadá


 Os doze mandamentos do turista (ou imigrante) brasileiro no Canadá:

1. Seja pontual

Não é mito: No Canadá as pessoas são pontuais e esperam que você também seja. Pequenos atrasos são toleráveis, mas lembre-se de sempre avisar com antecedência. Os horários encontrados nos pontos de ônibus sao realmente cumpridos

2. Usarás “excuse me”, “sorry”, “please” e “thank you” à exaustão

E ouvirás bastante também. Os Canadenses podem não ser o povo mais caloroso do mundo, mas são extremamente educados e prestativos. Não custa nada retribuir com um pouco de gentileza.

3. Evitarás abraçar estranhos

Achou estranho esse mandamento? Por aqui as pessoas não estão acostumadas a ter contato físico com quem não se tem intimidade. Ao ser apresentado a alguém, um aperto de mão é uma opção segura para evitar constrangimentos.

4. Tomarás cuidado com teus pertences

Não se iluda: pequenos furtos também acontecem no Canada, principalmente nas academias.

5. No verão saia sempre com uma garrafa de água, principalmente se estiver em Toronto, Montreal e região. Em alguns períodos a sensação térmica pode chegar a 48 graus

6. Usarás o transporte público

No Canadá, faça como os canadenses. Use e abuse do eficiente sistema de transporte público. O metrô é parte importante das cidades.

7.Estando em Toronto evite insistir com o garçon para que sirva bebida alcoolica apos as 2 da manhã. Isso é a lei. Das 2 da manhã em diante o alcool é proibido na cidade. Se você fizer confusão vão chamar a polícia.

8. Não tentarás usar o jeitinho brasileiro

E se tentar, mas não se surpreenda com a resposta negativa. Com raras exceções, aqui não há espaço para improviso ou quebra de regras. Em hipótese alguma tente subornar um policial no Canadá. Aliás, por favor, não faça isso também no Brasil.

9. Aproveite a viagem para se despir da homofobia e preconceitos. O Canadá foi um dos primeiros países do mundo a instituir o casamento gay e você vai ver que as ruas estão cheias de casais do mesmo sexo. Também vai conviver com milhares de culturas diferentes. Vai ver desde pessoas semi nuas a mulheres usando burca. Nao se surpreenda se o caixa do banco tiver uma tatuagem no rosto. Também entenda que se um gay te paquerar você nao pode bater nele. Paquerar alguém é direito de todos. Aceitar ficar com ele ou não é com você mas ser violento ou agressivo é contra a lei, e no Canadá a lei é aplicada. Acredite.

10.Nas baladas nao pense que aquela menina dançando de forma sexy vão ficar e transar com você. As canadense dançam de forma ate erotica mas isso nao te da o direito a toca-las. Se você imaginar que estar no Brasil e que pode sair pegando na bunda das meninas nao se surpreenda se acabar jogado na rua pelos seguranças da casa, ou até mesmo ser levado pela polícia. Aliás, por favor, não faça isso também no Brasil. Nada pior do que um babaca se achando o gostoso do lugar. Respeite as meninas.

11. Dê gorjetas. Receber ao menos 10% do valor da conta é esperado pela maioria dos profissionais de bares e restaurantes do país. Evite confirmar a má fama dos brasileiros. E na balada, sempre que voce for pegar uma bebida, deixe 1 dolar no balcão. Estando no Canadá faça como os canadense. Se adapte.

12. Não falarás barbaridades em português pelas ruas

Não se engane, há brasileiros e lusófonos por todas as partes, sejam turistas ou residentes. Portanto, não diga nada em público que você não diria no Brasil.

(Materia da Revista Veja sobre Londres. Adaptada e perfeitamente aplicável ao Canadá)

terça-feira, 13 de março de 2012

Choque cultural reverso



Muito se fala das pessoas que não se adaptam à cultura do país estrangeiro e acabam voltando para o Brasil. Sim, acontece e não são raros os casos. Ao contrário do que muitos têm no inconsciente, aqui não é um Brasil de primeiro mundo. É muito diferente sim.

Porém, existe também o oposto: pessoas que têm muita afinidade com a cultura local, que se adaptam facilmente e que passam a achar o Brasil esquisito, ilógico e muito diferente. Isso causa curiosamente o que chamo de choque cultural reverso. Vejam um email que uma participante de uma das listas de discussão de imigração do Canadá relatou do seu caso, que copio aqui com a permissão dela.

"Eu amo o Brasil e tenho o maior orgulho de ser brasileira. Convivendo aqui no Canada com o mais variado grupo de amigos, vindos do mundo inteiro, me fez abrir a mente e ver que muitas coisas que a gente aprende com a nossa cultura nos ajuda a levar a vida aqui fora (liberdade religiosa, o estado separado da religiao, liberdade de mostrar a bunda na TV, seja la o que for...) de forma mais aberta. Vi isso muito de perto depois de conviver bem de perto com mulcumanos... eu sou tao livre e dona de mim!!!! Ai, numa segunda-feira de setembro passado, eu decubro que tenho que ir ao Brasil de urgencia (depois de 3 anos aqui) e na quarta-feira ja estava enfiada dentro de um aviao... Nao tive tempo de me preparar... alias, a preparacao foi feita dentro do aviao e durante as 8 horas de espera no aeroporto do Rio de Janeiro... que tristeza... parecia que eu estava vivendo um sonho e acordei no pesadelo... Eu olhava aquilo tudo e ficava me perguntando o que eu estava fazendo la... aquele aeroporto parece uma rodoviaria de beira de estrada... e a Copa de 2014 esta chegando (que vergonha!!!!!!!!!!!). E, a partir dai, foram 2 meses de Brasil que me deixaram tao confusa, deslocada, peixe fora d'agua... passava o tempo todo tentando me adequar ao ambiente, as pessoas... que situacao esquisita. Foram 2 meses que eu vivi com medo de ser assaltada, de entrarem na minha casa com uma arma... descobri que nao conseguia mais dirigir normalmente (tinha o meu coracao batendo acelerado o tempo todo com medo de acidente na BR-101), suava frio o tempo todo, olhava as obras, as ruas e entendia que nada eh bem feito, tudo sempre esta por ser terminado (um acostamento de estrada caindo aos pedacos, um viaduto todo remendado, umas ruas que nao levam a lugar nenhum)... e assim, me peguei varias vezes repetindo para mim mesma que "ainda bem que isso eh temporario e minha casinha, minha tranquilidade, minhas coisinhas estao me esperando la em Montreal". Tentei evitar ao maximo de falar do Canada e reparei que as pessoas tb nem queriam saber... tive a sensacao de que nada mudou... depois de 3 anos, as coisas ainda estavam no mesmo lugar: as pessoas ainda reclamando das mesmas coisas, falando mal das mesmas pessoas, o transito esta ainda pior, tudo acontece numa velocidade alucinante e ninguem para para respirar... e conclui que eu nao quero isso para minha vida e que na verdade eu nao cabia mais la... eu quero paz de espirito e tranquilidade... e me fez ver que apesar de toda "liberdade" que temos no Brasil.... ainda vivemos muito presos (dentro de casa com medo de ser assaltado, com medo de morrer num acidente de transito e vivendo dentro de padroes de vida para mostrar para os outros q eu sou o bom). E olha que eu sou de Florianpolis (o lugar para onde todo mundo quer fugir). Por enquanto, meu lugar eh no Canada e eh aqui que eu estou cabendo agora... nao eh o paraiso, mas esta suprindo minhas necessidades do momento."
 
Mariana

terça-feira, 5 de julho de 2011

Qual vai ser o seu novo nome?


Inicialmente, eu pensava que quando chegasse aqui o meu nome completo se mantivesse o mesmo. Até poderia, mas quando fui tirar o primeiro documento canadense, o NAS (Numéro d'assurance social)/SIN (Securitity Insurance Number)/número de seguridade social, a funcionária do Service Canada me fez a seguinte pergunta: Qual sobrenome você quer manter? Pego de surpresa, eu disse Aguiar que é o último sobrenome que veio do meu pai e que passou aos nossos filhos. Ploft! Acabara de mudar de nome sem saber as implicações.

Quando cheguei ao banco para abrir a conta, a gerente perguntou meu nome: Alexei Barbosa de Aguiar. E ela disse: - Bom, oficialmente seu nome é Alexei Aguiar segundo o seu cadastro do NAS, e eu tenho que seguir o nome oficial. - É? Então tá. É bom saber. Já com um amigo meu, aceitaram o nome brasileiro diferente do que estava no NAS.

Depois disso, usei sempre Alexei Aguiar em todos os outros cadastros. Com o tempo, percebi que não foi algo planejado, mas foi bem conveniente. Primeiro porque alguns formulários como o de envio de encomendas dos correios mal tem espaço para escrever Alexei Aguiar. Segundo porque, devido às colisões de nomes, alguns cadastros mais exigentes pedem o sobrenome (último) da nossa mãe quando era solteira como forma de desambiguação. Não por acaso, é justamente o Barbosa que foi suprimido, já que temos também no Brasil uma certa convenção social de utilizar o sobrenome do pai no final e passá-lo aos filhos.

Agora se eu tivesse suprimido o Aguiar? Vejamos:

Nome completo brasileiro: Alexei Barbosa de Aguiar
Nome: Alexei
Sobrenome da mãe: Barbosa
Sobrenome do pai: de Aguiar

Escolhendo Aguiar:
Nome completo canadense: Alexei Aguiar
First name/prénom: Alexei
Last name/nom: Aguiar
Mother's maiden name/nom de naissance de la mère: Barbosa

Escolhendo Barbosa:
Nome completo canadense: Alexei Barbosa
First name/prénom: Alexei
Last name/nom: Barbosa
Mother's maiden name/nom de naissance de la mère: Barbosa

Esquisito, não? Isso causaria ainda mais confusão que o meu nome russo (que eu adoro)  já causa.

Mas, porém, entretanto, todavia, contudo... isso não é regra. Os próprios québécois usam dois nomes e/ou dois sobrenomes como Marie-Claire Legrand-Dubois, porém, ligados por hífens. E tem brasileiros que usam um sobrenome em alguns cadastros e dois sobrenomes em outros, ou mesmo outras formas.

Vale também citar que a interação de quem mora aqui com empresas estadunidenses é forte, logo, estamos sujeitos a problemas quando usamos acentos em sistemas que foram concebidos para nomes e endereços de lá. Recentemente eu mudei o cadastro no site que gerencia as ações que a empresa onde eu trabalho dá e escrevi Québec com o acento. O sistema aceitou, mas trocou o "é" por dois caracteres completamente malucos. Também, é interessante pensar em qual nome e qual sobrenome pode causar dificuldades de pronúncia, principalmente em inglês que é foneticamente bem mais limitado que o francês.

Outro fator que afeta o futuro nome é a limitação de comprimento no formulário que entregamos no landing ou mesmo erros de digitação nesse. Segundo relatos, uma vez truncado ou errado, o máximo que podemos fazer depois de chegar aqui é suprimir o nome ou sobrenome em questão, mas não permitem que o corrijamos.

Não quero impor regras, até porque nem mesmo as conheço e vejo que registram nomes de formas bem variadas. Mas é bom que saibam que os seus nomes poderão mudar e o que isso pode ajudar ou atrapalhar um pouco. Só um último aviso que me passou pela cabeça agora. É bom pesquisar se algum nome, sobrenome ou apelido tem um significado engraçado ou feio em inglês e em francês. Exemplos: Cacá em francês quer dizer cocô e Cris soa como crisse, que é um palavrão québécois bem pesado!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Cuidado com a secadora de roupas




Talvez a galera do sul já saiba disso e ache óbvio. Mas quem veio da terra do sol (que a propósito, está chovendo de forma atípica lá) normalmente não tem intimidade com as secadoras de roupas. Vim conhecê-las aqui na terra da neve e da chuva. Ocorre que a nossa passou a ficar cada vez mais ineficiente, necessitando de mais tempo para secar a roupa e gastando mais energia. Pensamos logo em defeito, visto que compramos o quarteto fantástico (geladeira, fogão, lavadora e secadora de roupas) já usados.
O meu espírito fuçador já me impeliu (eita português bem dizido!) a tentar consertá-la sozinho, seguindo a filosofia do faça você mesmo. Pesquisei na Internet e vi uma lista relativamente grande de possíveis causas para esse problema. Mas uma delas saltou da página e me deu um tapa na cara: Limpeza do filtro! Ahh, e tem filtro nesse trambolho?!?! Então faz todo sentido. Nunca mexi nele!
Lá vai eu atrás do filtro para limpar. Olhei por dentro e vi uma tela com furos por onde sai o ar. Mas não tinha parafusos nem era somente de encaixe. Matutamente, abri a tampa traseira e vi que teria que abrir uma parte muito chata para acessar o duto de saída de ar. O meu instinto aranha avisou logo que tinha algo errado. Não é o instinto do homem-aranha. É o excesso de teia de aranha dentro da caixa craniana!
Lá vai eu perguntar novamente à Anette (a net, ou a Internet). Em alguns modelos de secadoras, a tampa interna da qual falei sai apenas puxando-a. No caso específico da nossa, o acesso ao filtro fica em uma espécie de gaveta vertical cujo puxador fica na parte de cima. Muito mais fácil do que desparafusar! Dãã!
Esse vídeo do começo da postagem foi o que me esclareceu a questão. Antes de me fazerem comentários em relação a machismo na escolha do vídeo, explico que estou usando esse porque foi o primeiro e único que vi, é bem objetivo e explicativo e que além do mais, faz um alerta importante: o entupimento desse filtro pode fazer com que a máquina se superaqueça e cause um incêndio.
No caso da nossa máquina, tinha uma camada de um centímetro de sujeira tão compacta que saiu inteirinha como um retangulo. Depois da limpeza, a máquina passou a funcionar até melhor do que quando a compramos.
Mesmo depois de todo esse tempo, a cada dia descobrimos diversos detalhes que nos faz passar por bobos. Por exemplo, há pouco tempo chegamos à conclusão que não é recomendável beber água da torneira diretamente e voltamos a usar a garrafa que tem um filtro interno. Para quem nasceu e passou a vida aqui, tudo é óbvio. Para quem chega, nem tanto. Por isso é interessante conversar muito, perguntar e ser curioso. Também é bom desenvolver o instinto aranha e ter aquele aparelhozinho chamado desconfiômetro.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Colocando o pé no chão


Agradeço muito toda a energia positiva de todos vocês que torcem por nós e comemoram cada conquista como se fossem de um irmão. É algo realmente forte e emocionante. De certa forma, os imigrantes e futuros imigrantes têm esses laços fortes que nos torna irmãos mesmo. Mas...
Desculpem ser estraga prazeres. É que vejo novamente a necessidade de colocar o trem nos trilhos para voltar a ficar de bem com a minha consciência. Sinto que mais uma vez estou criando uma imagem da imigração como um mar de rosas, uma panacéia, algo que é obviamente a melhor coisa a ser feita.
Infelizmente, a nossa história de imigração é totalmente atípica e não deve ser tomada como referência. Acho que não vão mais haver processos de imigração de somente 6 meses como o nosso.  É raríssimo ver alguém ser contratado ainda no Brasil, ainda mais com um bom salário que propicia uma boa qualidade de vida. Nem todo mundo se adapta tão bem, gostando do inverno e suportando bem a saudade. Muitos não conseguem comprar um carro e poucos conseguem comprar uma casa.
Não digo que não consigam uma boa imigração e sejam felizes. Mas não criem muitas expectativas com isso porque a decepção pode ser grande. Tem gente que volta imediatamente quando se vê em uma situação completamente diferente da sonhada e tem gente que vive maus momentos aqui. Já vi separações, gente à beira da falência, gente já com cidadania canadense voltando ao Brasil por não suportar a saudade, dentre outras histórias infelizes.
Uma estória mais típica de imigração que pode servir melhor de referência e que vai ajudar a ter expectativas mais seguras é a do casal brasileiro Patrick e Valéria na série de vídeos J'adopte un pays/Adoto um pais, primeira temporada. Vejam a série nessa página, na parte de baixo onde diz "Saison 1".
Vi essa série toda ao menos três vezes e me colocava na pele do Patrick em todas as dificuldades: quando fazia entrevistas de emprego e mal conseguia falar em francês, quando teve que lavar pratos para pagar as contas, quando alugou um apartamento pequeno e velho em um bairro longe e "violento" de Montréal, quando andava muito no frio do inverno, quando falavam de saudade, etc.
Lembro de ter lido em um blog uma postagem chamada reality check/checagem de realidade. O autor dizia para avaliarmos nossa empregabilidade e outros aspectos com uma visão mais crítica, sem a superestima que naturalmente criamos. Um teste exemplo é assistir filmes em francês e/ou inglês sem legendas para avaliar o aspecto comunicação.
Dessa forma, eu vim para cá com expectativas bem baixas e preparado para o pior. A probabilidade de uma decepção e volta ao Brasil é menor assim. O medo às vezes atrapalha, mas às vezes é quem evita que soframos. Relembrem a girafa: Cabeça nas núvens mas os pés no chão!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A solidariedade que nos une


Imigrar não é fácil e não é para qualquer um. Eu nunca tive dúvidas de que uma das nossas missões aqui era de ajudar outros imigrantes a superar suas dificuldades. Às vezes me sinto mal por não poder ajudar mais, mas temos também nossas limitações. Por esses dias, duas histórias que se entrelaçam reforçaram esse sentimento de solidariedade que une nós brasileiros que moramos aqui, que é algo realmente sincero e bonito.
Uma amiga me perguntou se eu poderia ajudar em uma mudança, fato esse que é muito comum por aqui. Disse que ajudaria como pudesse com caixas, com o carro (embora seja um sedan) e com a mão de obra. Nesse dia, mal cheguei do trabalho, comi um sanduíche e já sai.
Lá, encontro outros 3 brasileiros que também foram para ajudar. Eu ainda não conhecia um deles e uma das donas dos objetos. De cara, já ganhei dois novos amigos. Outro brasileiro ajudou emprestando seu apartamento que já não é lá tão grande para guardar alguns móveis temporariamente. O trabalho é cansativo: móveis pesados, muitas idas e vinda, escadas, encher e esvaziar os carros, etc. Começei às18h30 e só cheguei em casa às 01h00, ainda para tomar banho e "jantar". Mas o sentimento de estar sendo útil, de estar ajudando em algo importante, já vale a pena. Só ver a expressão de gratidão já paga tudo, por isso recuso dinheiro. E ainda mais, tivemos bons momentos de diversão. Brasileiro faz piada em cima de tudo.
Enquanto isso, a outra dona dos objetos estava internada no hospital. Teve fortes dores causadas por pedras na vesícula e sofreu duas cirurgias. Seria algo realmente difícil para ela, que imigrou e mora sozinha. Mas um desses amigos que estava ajudando na mudança levou-a para o hospital às duas horas da madrugada. Muitos outros se revezaram fazendo companhia a ela no hospital. Enquanto começava essa postagem, era a Mônica que estava com ela até a hora limite para visitas, que é 21h00. Graças a Deus ela está bem e deve ter alta amanhã.
 O ponto dessa postagem é convocar todos os futuros e atuais imigrantes a formarem uma grande família e ajudarem como puderem uns aos outros. Dar informações, passar experiência e tirar dúvidas via blog e listas de discussões é somente o básico. Mesmo quem chega muito bem preparado, com muito já resolvido ou encaminhado, às vezes ainda precisa de uma mão. Imagine então quem chega totalmente fragilizado, sozinho, sem conhecer ninguém, falando mal o idioma. Para esses, proponho que, se possível, nos ofereçamos para ir pegar no aeroporto, hospedar em casa, dar dicas e acompanhar de perto. Uma espécie de padrinho de imigração.
Me ajudaram quando cheguei aqui. Quando eu ajudo alguém e este me diz que está me devendo, eu digo: dê continuidade à corrente do bem. Retribua a quem precisar. Você também está convocado!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Frrrrette!!




Certa vez, vi um vídeo no qual uma pessoa entrevistava alguns québécois perguntando sobre palavras e expressões que só existem aqui. Em uma delas, a pessoa perguntou o que é frette/frio e a pessoa respondeu brincando que frette est plus froid que froid/frette é mais frio que frio. A galera da França não sabe o que é isso, nem a palavra, nem o frio daqui.
Estou atrasado na postagem, mas o assunto continua sendo válido. Segundo as estatísticas da Météo Media, no mês de janeiro, que é o mais frio, a média de temperatura máxima é de -7,5°C; a temperatura média é de -12°C e a média de temperatura mínima é de -16,5°C. Pas pire/nada mal, mas tranquilamente suportável se estivermos bem vestidos e preparados psicologicamente.
A pancada mesmo é quando tem uma queda de temperatura mais forte, que foi o que aconteceu pela primeira vez nesse inverno. Não deve ter durado uma semana, que é o típico, e nem foi tão abrupta quanto pode ser. Aqui em Québec, a temperatura chegou a -26°C com sensação térmica de -44°C, mas não foi tão diferente nas outras cidades canadenses do lado leste.
Colegas de trabalho me disseram que os carros mais modernos não precisam de nada em especial para esses dias de frio mais severo. Digo isso porque vemos carros que têm uma tomada pendurada para aquecer o motor mas o meu, por exemplo, nem tem. Quanto à descarga da bateria, me disseram que só acontece se a mesma já estiver no final de vida. Mesmo assim, não deu outra: o assunto de começo de expediente foi se o carro pegou logo ou deu trabalho. O nosso, que tem o pequeno motor 1.6, pegou de primeira mas rodou pesado como quando a bateria está descarregada. Mas foi por causa do óleo mais viscoso por causa do frio e não por causa da bateria. Dizem que quem tem problema mesmo são os donos de motores grandes como um V8 de seis litros (6.0). Estes não são tão raros assim em um lugar que tem uma gasolina de 1,20$/litro, que pesa no nosso bolso como se fosse R$1,20/litro. A propósito, está caro pra burro! Quando cheguei aqui custava só 1,00$/litro! As empresas de socorro automotivo como a CAA têm bastante trabalho nesses dias.
Outra coisa que percebi que muda é a aderência dos pneus. Eu vi uma caminhonete fazer uma curva derrapando igual a carro de rallye e por pouco não bateu em um poste. O asfalto fica mais escorregadio, mesmo sem neve ou gelo aparente. Um colega explicou que isso se deve mais ao endurecimento da borracha dos pneus, mesmo esses de inverno sendo bem mais moles que os convencionais.
Para quem não tem carro, é só colocar uma bermuda, sandálias, uma camiseta e pronto... para ir para o hospital! Temperaturas muito baixas podem causar queimadura de pele, dependendo do frio, do tempo e da presença de humidade como a que sai do próprio nariz. Para um frio extremo, o ideal seria usar todo o arsenal de frio e procurar passar o mínimo tempo possível exposto. Mas, como mon pays ce n'est pas un pays, c'est l'hiver/meu país não é um país, é o inverno, a vida continua! Algumas comissões escolares fecharam suas escolas, mas não a nossa. Acho que ela só fecha quando o vento fica tão forte que leva as crianças, que 75Km/h ainda não é suficiente ou quando cai muita neve em pouco tempo que o trânsito fica difícil. E até mesmo as pessoas que trabalham em ambientes externos continuaram trabalhando! C'est la vie/é a vida (essa mesmo quem não fala francês conhece!).
Para completar, durante o final de semana deu um problema no sistema de aquecimento que é coletivo e não pode ser ajustado por nós. A temperatura caiu dos agradabilíssimos 24°C para apenas 17°C. É a segunda vez que acontece em um ano. Por isso, comprei o contrário de ventilador, que não é rodalitnev. Se chama radiador parabólico. Ele tem o formato e gira como um ventilador, mas gera calor e o direciona através de uma parábola. Futuramente ele vai servir para termos um aquecimento mais eficiente quando precisamos de calor em somente uma parte de um aposento. Por exemplo, eu fico até uma hora da madrugada no computador e se tivéssemos o aquecimento elétrico controlável, poderia baixar a temperatura da enorme sala e deixar o aquecedor direcionado para onde fico. Olhe só a foto do garoto trabalhando!


Concluo resumidamente com apenas uma frase polêmica: Ainda assim, prefiro uma semana de -30°C a um ano todo de +30°C!

domingo, 23 de janeiro de 2011

365 dias, 52 semanas, 12 meses, 4 estações, 1 ano


É, caros leitores, um ano de Canadá! Passa rápido, né? Como presente de aniversário, ganhamos acesso a alguns serviços mais exigentes que têm como requisito ter um ano de histórico de crédito como o Communauto. Não é lá grande coisa. Com dois anos, ganharemos o direito de renovar o visto de residente permanente por mais 5 anos. Com três anos, estaremos habilitados para pedir a cidadania canadense. Ahh! Ai sim é interessante! Com quatro anos ou menos, o processo de cidadania chegará ao fim e ganharemos o passaporte canadense, com plenos direitos como um canadense nato.
O que acontece depois de um ano vivendo no Canadá? Sem dúvida nenhuma, não somos mais os mesmos. O único ano no qual eu tive mais descobertas e aprendizados que o que passou foi o meu primeiro ano de vida. Sim, claro que eu me lembro! Lembro até da cara do médico que me tirou da barriga da minha mãe! Ô mentira! Como é que tu viu se eles usam máscaras?! Deixem para lá.
Como está a adaptação? Terminada e ao mesmo tempo longe de chegar ao fim. Os detalhes do dia a dia já estão no piloto automático como, por exemplo: Como quebrar o pescoço para checar o ângulo cego ao mudar de faixa ou dobrar uma esquina de carro; ver a previsão do clima antes de sair de casa; como calçar botas, amarrar cadarços com dois nós, colocar cachecol, casaco, gorro, luvas em menos de um minuto; como escorregar os dois pés ao mesmo tempo no gelo e não cair; colocar o bac bleu/caixa azul de lixo reciclável domingo a noite na calçada (com aquela brrrrrizzzzzzinha legal!), e por aí vai. Agora, quando olho para trás é para ver se eu e a Lara não estamos bloqueando a calçada e atrapalhando quem quer passar. Um dia, me vi checando se a porta do carro estava travada antes de sair dirigindo. O que me espantei é que ela estava travada e eu a destravei! Parei um pouco para analizar o que tinha acontecido e cheguei a conclusão que faz sentido! Se acontecer uma emergência, a porta destravada vai ajudar.
Depois de um ano, melhor ou pior, acredito que todos nós cheguemos ao nível de termos uma comunicação que nos permite interagir com os nativos. Talvez não seja suficiente para quem precisa de uma comunicação impecável como alguns profissionais, mas dá para desenrolar os problemas mais corriqueiros até por telefone. Por outro lado, achava que depois de um ano eu estaria falando muito bem, a ponto de não cometer erros e de ter um sotaque quase imperceptível. Tolinho! Como é que se diz em francês ou em inglês: unha encravada, desentupidor de pia, dentre vários outros quebra cabeças linguísticos que nos ocorre a todo momento? Eu sabo! Vocês poder compreender me todos que eu falo, mas eu não sempre mas ainda fazer erros, você sabe? Se eu fazer erro, você me dizer, ok? Claro que nem todo mundo com um ano de imigração em um ambiente de outro idioma fala mal assim. A tendência é falar melhor ou bem melhor que isso, mas não é regra. Também depende o grau de exigência e eu inconscientemente quero falar tão perfeitamente quanto falo em português, o que é bem mais complicado. Também, preciso fazer apresentações em inglês e francês, então, tem que caprichar mesmo. Varia muito, mas em geral, dá para entender e ser entendido.
Eu enfatizo muito o idioma porque ele tem um papel muito importante na integração. Já fomos a algumas festinhas de aniversário de colegas de escola do Davi e da Lara, assim como uma amiga da Lara já veio passar a tarde aqui em casa. Temos amigos canadenses e de outras partes do mundo, mas na hora de ir para a casa de alguém ou de convidar para alguma atividade, sempre é mais fácil com outros brasileiros por causa da comunicação.
Não dá para dizer como é que fica o padrão de vida de um imigrante depois de um ano porque cada um tem uma história muito diferente do outro. Já vi gente comprar casa com seis meses aqui, como também gente que nem consegui emprego depois de um ano. Assim, vou passar a falar de minha percepção extremamente pessoal da vida aqui.
Não existe uma só forma de dizer quando o inverno começa e quando termina pois a neve, que é um dos parâmetros, não respeita os três meses de calendário. Mas uma coisa é certa: ele é bem longo e é uma das queixas que ouço. Quanto ao frio, é muito frio mesmo. Em geral, a temperatura fica entre -10°C e -20°C, mas às vezes o mercúrio dá um mergulho que pode ir bem além dos -20°C, embora seja por poucos dias. Por um acaso, a previsão para amanhã é de -28°C com sensação de -40°C. Isso não nos impede de passarmos uma hora e meia em ambiente aberto para curtir a festa de Lévis, a cidade do outro lado do rio, em plenos -15°C. Porém, tem gente que acha o frio insuportável e a reclamação começa já no outono.
As metades da primavera e do outono  que não são invadidas pelo inverno são belíssimas e agradáveis. O verão deixa tudo muito alegre e movimentado. Parece outro país. O que não gostei é que tem uns períodos nos quais faz um calor terrível e por vezes pior que Fortaleza.
Me identifico muito com a sociedade daqui. É muito pautada no respeito, na gentileza, na cortesia. Esperávamos pessoas frias e trancadas mas ao menos aqui em Québec, temos visto muita gente simpática e aberta. Nunca sofri nem um mínimo traço de preconceito ou discriminação por ser imigrante. Claro que existe aqui, como no mundo todo, mas ao menos dificilmente é explícito porque isso é levado muito a sério aqui. E é muito boa a sensação de confiança e honestidade que se manifesta nos postos de gasolina onde entramos para pagar e não tem ninguém fora ou em alguns caixas de alguns supermercado onde nós mesmos registramos os produtos e pagamos.
Um amigo meu, pouco antes da nossa partida, me desejou o seguinte: Que você encontre lá o que estás procurando. Depois desse ciclo, posso afirmar sim que encontrei aqui o que estava procurando: Qualidade de vida, bem estar, segurança, respeito ao próximo, bem como zilhões de pequenos detalhes difíceis de explicar a quem não mora aqui que me fazem sentir que nasci no pais errado mas agora estou no lugar certo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O que é o natal?




Desde adolescente eu me incomodava com a imagem que se faz do natal. Por que colocam algodão em um pinheiro de plástico para se passar por neve em plenos 34° graus no meio da caaringa nordestina? Como é que o gordo Papai Noel passa pela chaminé para deixar os pres...epa! O que é uma chaminé?!?! Tá! Eu sei o que é uma chaminé, mas chaminé em Fortaleza?!?! Já pararam para pensar o calor que os Papais Noéis sentem por usar uma roupa de frio em um lugar onde a temperatura mais baixa que registrei foi 24 graus, chovendo e de noite? Tem alguma coisa errada nessa história, aliás, várias.
Começando pelo fim: Isso é uma imagem de um natal de países frios, onde tem pinheiros, neve, chaminés, trenós e, dentre muitas outras coisas, onde as pessoas usam gorros de Papai Noel, acreditem, com a função de deixar a cabeça aquecida!! Encontrei algumas pelas ruas daqui.
Moramos em um desses países nos quais o pinheiro enfeitado e coberto de neve é de verdade e tudo mais passa a fazer sentido. Quase tudo. No Brasil desejamos feliz natal para todo mundo, mas derrepente, se eu fizer o mesmo ao meu colega de equipe que é indiano, posso estar o ofendendo pois ele provavelmente tem outra religião. Poderiamos convidar os nossos amigos ucranianos para a nossa festa de natal, mas como eles são católicos ortodoxos, comemoram o natal no dia 7 de janeiro. E o mais intrigante é que mesmo para muitos dos católicos apostólicos romanos como nós, natal é o dia do Papai Noel! Quanto a isso, tanto faz estar no Brasil ou no Canadá. Não se houve falar do nascimento de Jesus, mas Papai Noel, Pére Noël, Santa Claus ou Saint Nicolas está em todo lugar.
Pois bem, além dessas questões, natal para mim sempre foi sinônimo de reuniões de famílias. A do meu pai, por exemplo, é bem grande e sempre reúne muita gente. São gerações sob os olhares carinhosos da matriarca, minha querida avó. No natal passado eu já havia sido contratado por telefone e estava organizando tudo às pressas para vir para cá. Meu tio, habilidoso que é com as palavras, sempre faz um belo discurso. Mas este do natal passado só repercutiu seu eco um ano depois. Não sei se de propósito ou não, mas ele enfatizou ainda mais a questão da família presente, próxima, unida, vivendo o dia a dia, um do outro. Se por um lado o natal do menino Jesus simboliza o renascimento, e as nossas vidas renasceram depois daquele natal, por outro, o natal família ficou um pouco vazio. Se por um lado estamos no cenário perfeito do dito "espírito de natal", por outro lado, faltam os atores principais.
Mas mesmo com a distância física das grandes famílias, pois continuamos nos vendo e conversando via Skype, o sentimento de família continua forte. Isso porque, como muitos nos disseram que aconteceria, a nossa célula familiar de pai, mãe e filhos está mais unida e forte. Nos divertimos mais e juntos, não só adultos e só crianças. Somado a isso, tivemos uma noite bastante alegre e agradável em companhia de amigos brasileiros que, como nós, passam seu primeiro natal aqui. Criamos laços de verdadeira amizade com muita gente por aqui. Amizade solidária, inclusive. As dificuldades de um imigrantes são tantas que ajudamos a outros que muitas vezes nem sabemos quem são. Isso sim também é natal! Ajudar ao próximo sem esperar nada em troca e até sem nem saber que ele é nos permite experimentar o autruismo realmente sincero. Esse é um bom presente de natal sem cair no chavão do consumismo.
Para mostrar que o natal não está nos símbolos visíveis, mas como um sentimento dentro de cada um de nós e que se manifesta de formas diferentes, deixo aqui uma música que me tocou muito e que lembro até hoje. Estava sozinho há quase um mês e prestes a rever a família que estava vindo para cá, quando vi esta magnífica interpretação na abertura dos jogos de inverno de Vancouver, 2010. A letra dá margem a várias interpretações. Não passo nenhuma mas mesmo assim você vai criar a sua, mesmo se não entender nada da letra.

Feliz sentimento de natal.







segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Palestra sobre adaptação cultural ao mercado de trabalho canadense


Finalmente, depois de mais de dois meses de trabalho de tradução e inserção de legendas, agora temos os valiosos vídeos do Lionel Laroche mais acessíveis aos brasileiros. Quem já tem um bom nível de inglês pode pensar que foi um trabalho em vão. Porém, quem tem um nível intermediário perdia conteúdo e principalmente quem vem para o Québec somente com francês ficava totalmente excluido.
E essa palestra é realmente muito importante. Diria até obrigatória e não só para quem vai procurar emprego, mas com certeza também para quem já está empregado. O Lionel explica as sutis e invisíveis diferenças de comportamento dos canadenses e dos imigrantes, baseado na própria experiência vivida por ele e por vários outros imigrantes que ele tem aconselhado através das agencias para as quais ele trabalha.
Além de advertir sobre as armadilhas que a nossa experiência anterior em uma cultura tão diferente nos coloca, a palestra é bem divertida, com boas piadas.
Gostaria de agradecer à ajuda voluntária e altruísta das pessoas que compraram essa nossa ideia de permitir que mais imigrantes brasileiros possam abrir os olhos através da experiência do Lionel. Foi um trabalho de transcrição, tradução e inserção de legendas que tomou muito tempo de quem já não tem tanta disponibilidade, e sem nada em troca senão a satisfação de estar ajudando aos outros nessa difícil caminhada de imigração. São eles: Carlos Luz Junior, Denise Marques Leitão e Grazi Siqueira.

Aproveitem a palestra: http://vimeo.com/album/1486530

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A volta da Branca de Neve




Calma lá! Esse do vídeo sou eu! A Branca de Neve... bem, deixe-me explicar.
Recapitulando, em janeiro quando cheguei em Toronto para fazer o landing, eu vi uma cidade sem neve em pleno inverno. Fiquei meio encucado, mas tudo bem. Mas quando o avião sobrevoou Québec, fiquei surpreso e encantado! A cidade estava toda... Branca de Neve! (Detalhes nessa postagem).
Pois bem, passados 10 meses desde a minha chegada aqui, eis que ontem começou a nevar novamente em Québec, deixando a nossa cidade ainda mais charmosa! Tem quem simplesmente tolere, tem quem não goste, tem quem deteste, mas eu e as crianças continuamos adorando o inverno!
Por falar nisso, ainda falta cerca de um mês para o inverno de calendário, mas já estão todos considerando que é inverno. É similar a quando dão boa noite às 03h30 da tarde ou bom dia às 20h00. A natureza varia tanto que as pessoas deixam de ser rigorosas quanto à cronologia oficial.
Interessante é que toda vez que olho pela janela para fora, levo um susto! Uau! Como a paisagem mudou da noite para o dia! A impressão que dá é que eu cheguei em uma cidade no inverno, depois fui para outra e agora estou de volta à primeira. A mudança visual é radical.
Muitos aspectos da nossa vida são cíclicos, mas não se passam da mesma forma. Não são círculos, mas espirais. Nesse inverno estamos de carro, o que é bom e é ruim. É bom porque temos mais liberdade de destino e de horário. Também, apesar do meu masoquismo, devo reconhecer que é bem mais confortável andar de carro com aquecedor que a pé a -20°C. Mas ainda estamos no patamar de -8°C por enquanto. O lado ruim é que dirigir na neve e no gelo é mais arriscado. Eu não vou mentir: sempre gostei de off-road e rally, só que nunca tive a oportunidade de experimentar. Pois bem! Ei-la! Um off-road on-road! Um rally de casa até o supermercado! A Mônica é que não está gostando nada dessa estória. Ela é quem usa o carro durante a semana. A bicicleta foi hibernar (claro!) e agora vou voltar a ter tempo para ler meus livros nos ônibus.
Seção de avisos! Inverno também é uma temporada de chutes, digo chutes/quedas! A neve escorrega um pouco. A neve amassada escorrega mais. Quando a temperatura fica positiva, a neve derrete e fica tudo cheio de água. Depois, fica negativo e a água congela. Aí esse gelo escorrega ainda mais! E estou falando daquele gelo brilhante como cubo de colocar em bebidas. Aí depois neva por cima e o gelo escondido vira uma armadilha. Levei um baita escorregão nessa daí, depois cavei para mostrar na foto. Ela fica exatamente atrás do nosso carro. Só agora sei porque deixaram para ocupar essa vaga por último! Se aproveitaram do matuto do cearense!


Achas que é o pior que pode acontecer? Amanhã vai ter outra vez a maior molecagem que São Pedro conseguiu inventar: A pluie verglaçante/chuva congelante. É um fenômeno raro quando a água cai líquida e congela ao entrar em contato com  as superfícies. Talvez seja mais seguro sair de casa logo de patins de gelo. Taí! Boa ideia! Foi a única vez que não adiantou meus anos de experiência com patins, skate e artes marciais. Os meus dois pés foram para o alto e aterrisei de ombro (detalhes nessa postagem). Dica valiosa que muitos me deram no inverno passado: não andem com as mãos nos bolsos. Em uma queda, pode ser que fiquem presas e caiam de cotovelo. Ouch/ai!
Mas não tem nada como voltar a ser criança e brincar com a Lara e o Davi de guerra de bolas de neve, fazer um bonhomme de neige/boneco de neve e a nossa patinação em família de todos os finais de semana. Afinal, como diz a música, "C'est l'hiver, c'est l'hiver, c'est l'hiver..." (É o inverno).



sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Nota 10


No trabalho, nós temos uma reunião periódica individual com o chefe. No começo, serve para dar diretrizes de como tudo funciona. Depois, passa a ser uma espécie de feedback bidirecional. No meu caso, rapidamente passou a ser uma reunião de discussão de sugestões de melhoria de processos e ideias novas que tenho. Nessa última reunião, ele disse que estavam muito contentes de terem me contratado porque, além de outros fatores positivos, eu era proativo e contribuia com algo a mais. Isso não me altera muito. Tenho os pés no chão. Mas é bom saber que sou bem visto na empresa.
Mas hoje, na reunião com a professora da Lara, fui pego de surpresa.  Elogio para cá, elogio para lá, e eu continuava indiferente na estória achando que era gentileza da parte dela, que dizia isso para todos os pais. Mas, dentre outros detalhes que provavam o contrário, o mais forte foi o ela contou que disse para a turma toda.
"Crianças, vocês sabem que a Lara está aqui há menos de um ano. Vocês a acompanharam desde quando ela chegou e sabem que ela não falava nada de francês. O boletim dela está cheio de notas altas, mas particularmente em leitura, ela foi a única da turma a conseguir 100%. Isso quer dizer alguma coisa, não?"
Sim. Quer dizer muito! Quer dizer que chegamos aqui cheios de medo, incerteza e assustados com tanta mudança. Mas Deus tem sido tão bom para nós que no Brasil eu não chorava por nada e aqui, acho que é a terceira vez que eu choro. Isso acontece por me preparar tanto para as dificuldades e ser pego de surpresa com esses presentes divinos. Eu não tenho nem como descrever esses momentos. As vezes é até uma coisa boba como ver o sol se pondo enquanto escuto uma música no carro, ver uma árvore dourada do outono, o vento no rosto quando desço a ladeira de bicicleta, etc.
Desculpem o sentimentalismo da postagem, mas imigrar é isso também. Adversidades, provações, mas também superações e recompensas. Que as graças de Deus acompanhem suas caminhadas também.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mais dicas para o próximo inverno


Estamos passando para o segundo dos três meses de outono, o que teoricamente estaria em um momento apropriado para escrever sobre roupas de inverno. Mas para muitos eu devo estar chegando atrasado com essas dicas. Desculpem! Eu estava (mais) envolvido com as traduções da palestra imperdível do Lionel Laroche sobre adaptação cultural para o mercado de trabalho canadense. Quando estiver pronta, publico aqui. Esse inverno promete! Boa leitura e curtam o friozinho, BRRR!!!!!!

As seguintes postagens já falam do assunto:
Inverno ou inferno?
Manual de roupas para frio - Parte zero
Manual de roupas para frio

O Fernando Katayama, como sempre altamente detalhista no sistema de vestimentas em camadas para o inverno, estruturou o seu conhecimento neste documento chamado "Como se vestir no inverno".

Eu achei esse email do Pastor Carlos, que tem bem mais invernos que eu, muito objetivo e esclarecedor, então estou reproduzindo-o aqui.

Infelizmente Ana, não dá para fazer isso pelo website e promoção boa, vc sabe como é, especialmente aqui que são verdadeiramente promoções. Vc pode chegar na loja e não ter nada e 5 minutos depois eles colocam, como vc pode chegar, ter e vc decidir ir olhar para ver se acha algo mais e qdo volta, não tem mais.
Me perdoe, não sei quem disse, mas está totalmente equivocado, os isolantes térmicos são totalmente diferentes e é o que mais reflete no preço. Depois do tipo, tem, quantas gramas de isolante térmico, outra coisa que reflete no preço e no que vc irá receber de frio, pois se tiver maior gramas, custa mais e te protege melhor. Existem vários tipos de materias externos, que fazem grande diferença, o melhor deles e o mais resistente é o Gore-Tex, mas é o que custa mais. Depois, tem o windproof e watherproof, não compre um que não seja bom nos dois quisitos, pois normalmente, os de baixa qualidade, muito mal é waterproof, mas não é windproof, portanto, vc ficará bem desde que não vente. Nisso tbm tem diferença, pois alguns são as duas coisas, mas não são bons em nenhum desses quisitos, outros, podem aguentar até mesmo 24 horas levando "água" na cabeça, outras são waterproof, mas não são breathable, se for, seguramente custa mais, mas é infinitamente melhor, pois vc pode transpirar que ela não irá molhar, o suor irá sair, tudo isso são coisas que fazem o preço. É como diz o ditado: "Vc tem aquilo que paga".
Outra coisa, não compre jaquetas rebook, nike, enfim, essas marcas tradicionais, não são especializadas e na maioria das vezes, são boas somente para o inverno brasileiro. Jaqueta de inverno é Burton, HH, Orage, Columbia, North Face, Canada Goose, Patagonia, Merrell, Clorophylle, Montain Hardware, Arc'teryx e assim vai. A Kanuk é muito boa, mas eu particularmente, acho o design horrível, mas isso é o meu gosto pessoal, para mim tem um visual muito de pessoa mais velha, mas muita gente gosta e a qualidade é indiscutível. Não sou de comprar coisa pela marca, porém, qdo se fala de jaqueta, no Canadá, onde temos um dos invernos mais rigorosos do mundo, por causa do vento, pois ontro dia conversava com um Suéco, ele me disse que aqui (Montreal) o inverno é muito mais rigoroso do que lá, por causa dos ventos que temos. Vc está na rua, a -10C e está tudo bem, de repente, começa a ventar e a temperatura despenca para -30C em questões de minutos, é terrível. Até -10C, é tudo alegria, mas qdo baixa disso, a coisa pega.
Enfim, eu sempre digo, comprar uma boa jaqueta de inverno, parece ser a coisa mais fácil do mundo, o brasileiro pensa que é, mas na realidade, é uma das coisas mais complicadas, pois precisa de um pouco de conhecimento técnico para comprar a coisa certa e não gastar dinheiro a toa.
Não conheço muitos websites para isso, além destes: http://winterjackets.ca/index.php http://www.sportsexperts.ca/sportsexperts/accueil.html http://www.lacordee.com/ http://www.leyeti.ca/ Winners é uma excelente opção, porém, chega tudo na quinta e como é um outlet store, chega a mercadoria na quinta e as vezes tem alguma coisa no teu número, as vezes não, etc... precisa ter um pouco de sorte para chegar na hora certa.
Um conselho te dou, não compre nada pela web, pois mesmo essas marcas que te disse, tem as jaquetas que são somente shells, ou seja, é somente para proteger o camarada do vento e da água e são caros, parecem jaquetas, mas não são, são feitos para ski, etc... e não tem a função de esquentar, enfim, só dá para comprar olhando, tocando, conversando com o vendedor, etc... e que seja um bom vendedor, que conhece aquilo que vende.
Espero de ter ajudado um pouco.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Serviços de utilidade pública de outros blogs 2.0i

Se outros já escreveram melhor do que eu escreveria, não faz sentido eu gastar bala com o assunto. Porém, acho interessante repassar para vocês, então ai vai outra leva de redireções a postagens de outros blogs:

Primeiro uma palestra que eu considero imprescindível para todos os imigrantes, sejam futuros, atuais, que vão procurar emprego, que já trabalham ou mesmo os que nem vão trabalhar. Infelizmente é em inglês, mas o palestrante fala bem explicado. Eu, a Denise e outros que venham a aceitar a missão vamos traduzir essa palestra para que mais pessoas possam ter acesso a ela. O conterrãneo Chuck, ou Tarcizo fez alguns comentários sobre ela nessa postagem.

Estão querendo ressuscitar o Nordiques, o time da liga nacional de hockey que existia aqui em Québec. Para isso, o primeiro passo é a construção de um anfiteatro multifuncional de porte adequado. O amigo que mora aqui, Idevan, resumiu muito bem a estória, inclusive com fotos nessa postagem do seu blog.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Faça atenção à lingua mãe


O título dessa postagem foi propositadamente escrito assim, de uma forma esquisita, para ilustrar um fenômeno que acontece com quem vive em um ambiente que tem uma língua diferente da materna. A frase original seria "Fais attention à la mother langue". Já forma mais usual no português seria "Tenha cuidado com a língua materna". Mais esquisito ainda é saber que com algum tempo, se não cuidarmos, podemos falar assim sem nem percebermos. Mas para o  brasileiro que vive no Brasil, vai soar esquisito como gringo falando.
Eu já estava querendo escrever sobre esse assunto, mas apareceu uma motivação mais forte. Tudo começou quando encontramos por acaso um brasileiro com a sua filha que também moram aqui. Vou deixar no anonimato porque não sei se ele se incomodaria com a publicação. Ele me parecia meio paranóico com a questão das crianças vivenciarem bem o português. Coisas do tipo só falar português em casa, desenhos animados em português via Internet ao invés dos das tv's daqui. Ele perguntava, por exemplo, se tinhamos amigos brasileiros que tinham crianças para que nossos filhos conversassem em português, e por aí vai.
Determinada hora, não sei como, mas ele contou a estória que explica essa postura. Ele é filho de pais não brasileiros. No começo, falavam o idioma materno em casa mas depois de algum tempo, passaram a conversar somente em português. Ele disse que começou a esquecer o idioma materno e depois, perdeu a capacidade de se comunicar neste.
A parte que me tocou foi dizer que a sua avó gostava muito dele, mas apesar de querer muito, não conseguia conversar com o seu neto pois não falava português. Por isso que ele insistia muito para que a filha não perdesse o português.
Eu sabia que as crianças podiam perder um idioma, mesmo sendo o materno, mas não sabia que era fácil assim. E mesmo os adultos não perdendo a capacidade de se comunicar, existe uma tendência de falar esquisito como extrangeiro. Vejo muitos brasileiros cometendo erros de português influenciados pelo francês sem perceber, como por exemplo: "Eu tenho um acento (sotaque) muito forte em francês"; "Eu adoro patinagem"; "Ele vai ir ao trabalho", "...ai eu acionei a vila (prefeitura, Ville de Québec, Ville de Montréal, etc.)", "Não depasse o colega na fila.", "Fiz por habitude (costume, hábito)", "Essa palavra tem dois sensos (sentidos)" e "Faça atenção! (tenha cuidado)". E existem também as interferências que não são erros de português, mas que denunciam por não serem a forma mais usual como: "Isso é bizarro (e nunca dizer esquisito)", "Não importa qual (qualquer um)" e por aí vai. Se eu começar a escrever assim, por favor me avisem! Eu me policio muito, mas pode acontecer.
Outro caso foi uma família que conheci no parque aqui perto. Os pais e as duas filhas estavam conversando em inglês impecável. Quando foram brincar com a Lara, as duas falavam francês também impecável. Começei a conversar com os pais em inglês porque não sabia se falavam francês. O pai nasceu em Nouveau-Brunswick e tem o inglês como lingua materna, ao contrário da mãe das meninas. Mas os pais dele convencionaram de alternar um dia falando em cada idioma. Como aqui em Québec o francês está muito presente, esse casal resolveu só falar em inglês em casa para tentar equilibrar. "Não queremos que as nossas filhas percam o inglês que já falam".
Moral da estória? É difícil aprender um novo idioma e é um desperdício perdê-lo. E isso acontece! Eu estou extremamente incomodado porque já tentei várias vezes e não consigo mais conversar em espanhol como eu fazia no Brasil, quando tinha que me relacionar à trabalho com argentinos, chilenos, uruguaios, etc. Aqui tem muitos latino-americanos que falam espanhol. Temos que praticar e manter o que já adquirimos com tanto esforço. Até concordo que nos primeiros meses seja importante falar francês ou inglês em casa para ajudar na adaptação, mas depois de alguns meses, quando todos já estiverem com um nível razoável de conversação, também acho igualmente importante manter o português em casa.
Eu, eu penso que sim. Pensais vós como isso? (Essa foi de propósito também!)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Faça você mesmo!




Dizia um funcionário de um fornecedor da empresa na qual eu trabalhava, que sabemos quando estamos ficando velho quando o prazer dá trabalho e o trabalho dá prazer! A primeira parte pode até ser, mas eu discordo da segunda parte. O ser humano precisa se sentir útil e o trabalho pode fazer essa função. Se você já começou a ficar cansado só em ouvir a palavra trabalho, pode parar a leitura e se deitar, porque aqui no Canadá trabalha-se em todos os sentidos.
A mão de obra aqui é cara. O salário mínimo para 40 horas semanais fica em torno de uns 1600$/mês. É bom para quem recebe, mas é ruim para quem paga! Daí, como vocês já sabem, não tem essa de empregada e mesmo para fazer faxina é caro e só fazem o basicão do basicão!
Ainda está aí? Ainda quer vir para cá? Pois bem, vamos ao outro lado da moeda. Quando eu morava no Brasil, eu ficava incomodado quando eu chegava todo satisfeito contando que eu mesmo tinha feito a instalação de todas as luminárias de teto do apartamento novo, então chegava alguém e detonava: -Putz cara! Deixa de ser pão duro! Isso tudo é para não pagar 50 contos a um eletricista?!?! Ai que ódio! -Não! Eu fiz isso porque EU GOSTO! Mas não adianta. Algumas coisas são quase impossíveis de serem explicadas no Brasil porque existe uma cultura de que fazer certo tipos de trabalhos é algo degradante, humilhante, coisa de pobre, pão durice, etc.
Para explicar o meu ponto de vista, vou me valer de uns exemplos. Porque é que alguns garotões quando acabam de tirar a carteira de motorista lavam o carro até várias vezes por semana? Não dá trabalho? O carro nem está sujo para valer a pena, mas o fazem. Porque é que algumas mulheres passam horas fazendo crochet ao invés de comprarem a peça pronta? É porque é um trabalho que dá prazer! É um hobby!
Aqui no Canadá, a macenaria é tanto um hobby quanto uma arte! Um colega de trabalho estava conversando com o meu chefe sobre o piso de madeira da varanda que estava envergado por causa de sol e chuva. É impressionante! Os outros entraram na conversa e parecia que eu estava em uma carpintaria e não em uma empresa de desenvolvimento de software. Os caras compram furadeiras de 400$, fora outras máquinas elétricas e trocentas ferramentas. Outro colega disse que entre um emprego e outro de desenvolvedor de software, ele ganhava dinheiro fazendo móveis. A tia dele o havia chamado para fazer a escadaria da casa dela no verão e ele ia dar essa ajuda. Como a Manuela conta nessa postagem do blog dela, o próprio dono da casa de 800.000$ é quem estava pintando os móveis desta, e também não tem empregados.
Eu sou neto de carpinteiro, mas ainda não estou nesse nível. Porém, algo bastante comum aqui é montar os próprios móveis em casa. Até as cadeiras da sala de jantar vieram desmontadas. A notícia boa é que esses móveis são bem fáceis e práticos de montar. A galera que faz as compras na Ikea então, esses é que brincam muito mesmo.
O Davi megawatt quebrou o interruptor? Não tem problema! Minto! Na verdade fiquei P. da vida porque além disso, ele ficava ligando todas as luzes de dia e apagando-as de noite! DAVIIIIIII! Mas uma passadinha no Canadian Tire para comprar um interruptor novo de 1 ou 2 dólares e pronto! Parada resolvida. Uma amiga me disse que foi a uma empresa de lavagem de carros e para a supresa dela, o que se pagava era para ter a infraestrutura da lavagem, mas quem lava o carro é o dono! Não tem ninguém trabalhando lá! Como vocês já leram na postagem sobre o dia da mudança,o mais comum é alugarem o caminhão e botar a família e os amigos para fazerem força. Grande amigo, hein! Ahh! Ocasionalmente pode ter uma instalaçãozinha da lavadora (água quente e fria de entrada e de saída), da secadora (tubão de saída de ar quente) e outros. Esse tubão da foto ainda não estava no lugar definitivo, viu?

Agora foi que percebi que esta postagem acaba reforçando a anterior quando disse que aqui se paga um preço para ter a qualidade de vida. Todo mundo quer ganhar um bom salário, mas ninguém quer pagar um bom salário! Tudo bem, mas não querem pagar o salário de quem faria o serviço e nem querer fazer esse serviço, aí complica! Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer!
Mas aí é onde reside a chave da boa imigração! Não se incomodar com a parte ruim e adorar a parte boa! Por isso que digo que nasci para cá. Desde o Brasil eu adoro andar a pé e de bicicleta, aqui não acho ruim andar de ônibus, acho divertido montar os móveis e fazer consertos domésticos, gostei bastante do inverno, etc.
Antes que a Mônica me dedure: Sim. É verdade! Não gosto de lavar a louça e limpar o chão, mas aguardem que vou contar aqui como vamos resolver esses dois problemas com a oportuna praticidade canadense! Não "perdam"!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Mãe natureza, pai clima


A mãe natureza aqui é linda! Cara estação tem sua beleza e seu charme. Só vendo mesmo para acreditar. E olhe que nem vimos ainda o outono, que dizer ser um festival de cores e tons de amarelo, laranja, vermelho, marron, entre outros. As folhas já começaram a cair!
Mas o papai clima é severo! Tudo que imaginarem de fenômeno climático tem aqui. Só que tem também outros que vocês não vão conseguir imaginar. Começa por uma coisa boba, mas que é diferente para quem vem do Ceará. Aqui chove! Dããã!! Claro, né! É, mas no Ceará agente passa bem sem o guarda chuva. Para os menos destemidos que vêm também do Ceará, às vezes quando chove tem trovão. Normal também, né?!?! E vemos na televisão os estragos dos raios nas árvores e até nas casas. Também esses raios provocam incendios no norte da província quando está seco. Normalmente a chuvinha é fraca e basta colocar um casaco. Eu vou e volto do trabalho na super bike e acho é bom porque diminui o calor na hora da subida da ladeira. Mas tem horas que chove de tal forma que quase não vemos nada quando dirigimos. E o aviso vermelhão da Météo Média de orage violent/tempestade violenta sempre me fazem ficar de orelhas em pé.
Saindo da matutice da caatinga, já viram nessa postagem que, embora mais raro, tem momemtos que tem vendaval, né? 74Km por hora dá para assanhar o cabelo. Embora não seja dos piores como os famosos que tem no golfo do México, tive notícias de tornados ou ciclones. Não entendo muito disso para saber diferenciá-los, mas agente vê na televisão alguns pequenos estragos que eles fazem.
Recompondo o cabelo, a temperatura aqui varia muito. Às vezes tão rápido quanto cair 24°C em apenas 14 horas como nessa postagem. No inverno a temperatura fica normalmente em um patamar de um pouco menos que -20°C e no verão, o calor vai até uns 25 a 28°C. Mas durante alguns dias,  frio piora para menos de -30°C e nas canicules/ondas de calor como a que contei aqui, chegou a 34°C e sensação térmica de 44°C. Vancouver não conta nessa porque lá tem temperaturas de Europa e é uma excessão no Canadá. Por isso que muitos vão para lá. Também tem cidades mais ao norte que têm um patamar de frio pior que as cidades mais badaladas, como por exemplo, Edmonton que chegou a -46,1°C com sensação térmica de -58,4°C nesse inverno passado. E o inverno é looooooongo!
Quando se fala em neve,  os ameríndios têm acho que 14 ou 16 palavras diferentes para descrevê-la. Vai desde a que parece chuva mas não molha, passando pela tradicional até a fina que combinada com o vento, faz a poudrerie/poeiral, que é um fenômeno que não tem em todo lugar do mundo onde neva. Mesmo restrito à região leste, a geografia causa uma diferença no volume de neve de forma que neva pouco em Toronto, médio em Montréal e Ottawa, e muito aqui em Québec. O inverno passado foi atipicamente fraco e tinha neve no meio da coxa fora das valas de entrada do nosso apartamento. Me disseram que no inverno retrasado, nevava sem parar e para cavar a neve, tinha que fazer força para jogá-la na montanha da altura de uma pessoa.
Para carinhosamente aterrorizar você, caro leitor, vamos sair da seção incômodo para a seção perigo! Que tal uma chuva de granizo? (granito é outra coisa!). São aquelas pedrinhas de gelo! Para quem conheçe o sul do Brasil, isso não é novidade. Mas não é tão comum assim e muito menos as que tem pedras grandes. Senão a galera não deixava o carro fora e a garagem cheia de tranqueira! (agora eu pareci paulista!). Mas tem! E no clima maluco de Calgary, caiu nesse verão como contado e apropriadamente registrado com fotos pelo Vitor no seu blog. Lá, no verão passado, nevou! E como viram nesta postagem, aqui teve um tremor de terra de magnitude 5 perto de Ottawa e que tremeu aqui, a 400Km de lá. Mas depois de somente um mês (curioso: 23/6 e o outro 23/7), teve outro de magnitude 4,1 entre Québec e Trois-Rivières que, por ser mais próximo, balançou mais o prédio onde eu trabalho. Disse a minha colega de trabalho: Outra vez! Que meleca!
E que tal sair de casa com capacete, joelheiras e cotoveleiras? Talvez também com um treco de prender em baixo das botas que tem umas travas metálicas. Para que?  Para não ver os pés mais altos que a cabeça em um escorregão caso aconteça uma pluie verglaçante/chuva congelante com a que contei aqui. Em uma condição particular, a água cai líquida e congela ao tocar nas superfícies, formando uma camada de gelo que às vezes é bem safada. Parece uma calçada molhada.
Não me interpretem mal. A intenção não é fazer com que todo mundo desista de vir para cá ou ficar detonando o Canadá como os insatisfeitos. Mas acho que tão importante quando conhecer os atrativos, é também saber o que tem de ruim para não se decepcionarem. Repito a frase que li em algum lugar e agora descobri que é do Bob Dylan: "Some people feel the rain. Others just get wet/Alguns sentem a chuva. Outros somente ficam molhados".

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

E as crianças? Como vão?


Para os pais que ficam angustiados com a adaptação dos filhos, vou contar agora como estão os nossos após seis meses de adaptação. Muito bem, obrigado! Claro que não vai ser regra geral e absoluta, mas foi como muitos me disseram: Esqueça a adaptação das crianças que você vai ficar surpreso de ver como é rápida. O problema somos nós adultos (véios!).
Primeiro que criança faz amizade muito facilmente e nem precisa falar. Uma chega para a outra, sorri e sai correndo. A outra responde com outro sorriso e sai correndo atrás! Pronto! Já começou uma amizade! O Davi então, muito cara de pau, conversa com todo mundo que passa em português que às vezes nem nós entendemos. Mas ele não está nem aí. O objetivo dele é que alguém fale algo de resposta e consegue. Também, a necessidade de comunicação das crianças é menos sofisticada que a nossa e só o contexto muitas vezes já diz tudo.
A parte que dá mais ansiedade é deixar a criança nos primeiros dias na escola, como eu escrevi nessa postagem. A Lara adorou a escola e não teve nada que a incomodasse, pelo contrário, ficou até ansiosa para chegar logo o dia no qual ela começaria a chegar um pouco antes e ficar um pouco depois da aula. Porém, ela teve uma recaida na timidez extrema que tinha e que foi magicamente corrigida pela escola Casa de Criança onde ela estudou enquanto estávamos no Brasil. Simplesmente ficou muda durante os três primeiros meses de escola. Antes de entrar na escola, ela passou mais um mês sem muito contato com o mundo exterior. Um pouco disso foi por causa do evento que contei nessa postagem.
Mas, como haviam me contado que acontecera com outra criança, depois desses três meses a mudez acabou. Depois das aulas, não tive mais um pingo de preocupação em relação à sua comunicação quando ela começou o camp de jour/colônia de férias.
Ela já está com a cabeça pensando tão naturalmente em francês que percebemos no português como quando ela diz: "O Davi é lá" (ao invés de dizer está aqui), "Eu vou ir", "depassar na fila", "mais grande", "isso faz mal" (isso dói), "isso é por (pour/para) brincar", dentre muitos outros exemplos.
E a pronúncia? Meu Deus! Bastam três vezes para um fonema novo já sair perfeito! E ainda me faz passar vergonha! "Papai, não é du (U igual ao do português) lait. É DU (com o fonema que mistura o U e o I) lait!", "shhh (je suis em francês québécois) prête! Você quer dizer prêt (pronuncia-se como pré sem o T)? Papai! Eu sou menina! É prête (pronuncia-se prét, com o T)!". Xi!!! Foi mal!!! Sem contar que ela conhece palavras que eu não conheço, e vice-versa. Assim, todo mundo é professor e aluno ao mesmo tempo. Ahh! E já aprende com sotaque daqui! Enfim: O vocabulário ainda não permite falar de forma tão sofisticada e ainda comete alguns errors, mas está falando muito bem. Principalmente para quem tem somente alguns poucos meses de contato com o idioma.
O Davi começou em uma garderie en milieu familiale/creche em meio familiar, que nada mais é que uma mulher de paciência budista que toma conta de até seis crianças em casa. Nada muito interessante para o Davi, já que os outros eram bebês. Para matar o tédio, ele desregulava o aquecimento do apartamento até ficar pegando fogo, destrancava e abria a porta, brincava de pular por cima do bebê deitado no chão (ai meu Deus!) e outras bêtises/besteiras ou bobeiras. Mas ele não gostava porque não tinha nada muito interessante para fazer.
Depois que ele foi para uma garderie grande e que tem estrutura de escola, uma CPE (Centre de la Petite Enfance), mudou tudo, inclusive a nossa dor no bolso! Pagávamos uns 500$/mês e agora só 150$/mês porque ela é subsidiada pelo governo. Nada como ter muita coisa interessante para brincar, com muitos coleguinhas para bater..., digo, brincar! Bom, ele não é o recordista de estrelinhas de bom comportamento na agenda, mas já melhorou muito. Tem dias que a professora começa a escrever assim: "Afff!!!!...". Mas ele está adorando e percebemos no dia a dia que agora ele também está aprendendo francês.
O carinha é uma figura! Muitas vezes quando ele aprende uma palavra em francês, ele substitui a do português e não a usa mais. É tão curioso que ele diz "sim" em português e sempre "non/não" em francês! E às vezes ele faz gozação com quem fala francês e responde com um blá, blu, blé, blô, ... -Davi, o que é que tu está dizendo? "Eu tô falando com ela", apontando para a simpática senhora que pergunta algo a ele. Legal é que outro dia ele disse: Go papa! Go é vai em inglês e papa é papai em francês, que é como ele me chama agora.
A adaptação tem sido quase que puramente ao idioma. As comidas são as mesmas, adicionadas gostosas novidades. Quando ao frio, as crianças sentem bem menos que os adultos e adoram a neve. Parece que a circulação sanguínea deles é mais eficiente. Sinto pela temperatura das mãos. Também, conversando com amigos, dá a impressão que eles adoecem menos aqui que no Brasil. O resto é só festa. Muitos parques, muitos brinquedos interessantes, muita área verde para correr, praia de rio ou de lagoa, piscinas públicas gratuitas, muita área para andar de bicicleta, etc. e ainda com segurança.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Diferenças culturais



Esta postagem estava esquecida nos rascunhos. Estava guardando-a para o período entre o fim do processo e a nossa vinda para cá. Só que viemos antes da hora e esse período foi muito curto para isso. Desculpem a indecência da foto, mas a intenção é reforçar a ideia do choque cultural.

Encontrei em uma revista de turismo este guia do viajante bem-educado. Ele é muito interessante para nos abrir a percepção de que outros povos tem costumes e formas de interpretar nossas ações de maneira muito diferente da nossa. E isso pode chocar ou até virar um problema. Assim, é bom prestarmos atenção às reações das pessoas e tentarmos entender e respeitar a cultura local. Segue o artigo.

No México, quem bota as mãos nos quadris está querendo briga. Já na Coréia, assoar o nariz na rua é falta grave. Aprenda aqui o que é gafe em alguns lugares do mundo.

À mesa, com toda a fineza

Ainda que o molho seja irresistível, não limpe o prato nos países árabes. É terrivelmente grave e grosseiro comer tudo o que for servido.
Tampouco se atreva a limpar o molho do prato com um pãozinho, se estiver na Inglaterra. Ingleses detestam esses modos!
Já no Japão, raspar o prato e lamber os beiços cai bem. O anfitrião (ou o vizinho da mesa) acha indelicado deixar um restinho.
Na China, jantar é teste de resistência. Não há ofensa maior do que recusar comida – não importa o que seja. Engula!

Certas coisas proibidas em público

Se você estiver na Coréia do Sul, não assoe o nariz na rua. Lá isso é considerado ofensa gravíssima!
Não importa o quanto seja engraçada a piada que seu amigo contou. Jamais gargalhe nas ruas do Japão, principalmente se você for mulher (lembre-se que as japonesas sempre cobrem a boca para rir).

Veja lá o que você fala!

A menos que você seja um médico, jamais pergunte a um americano quanto ele pesa ou mede. É mais fácil ele contar algum segredo sujo do que revelar as medidas do corpo.
Ao telefone, em todos os países da Europa, você diz seu nome antes de mais nada. Mesmo que a ligação seja só para pedir informações.
Não elogie uma japonesa, nem que ela seja a musa dos seus sonhos. Ela vai achar que é falsidade.

Olhe a mão-boba

Na Tailândia, é muito indelicado ficar conversando com alguém com as mãos nos bolsos. Deixe-as bem à vista, sempre.
Também não coloque as mãos sobre as costas da cadeira na qual outra pessoa está sentada: para os tailandeses, isso é grave.
Mão no bolso, no México, é coisa de grosso. E se um homem colocar as mãos nos quadris e olhar para você, está chamando para a briga.

A arte de presentear

No Oriente, é fundamental dar ou receber presentes com as duas mãos. É sinal de apreço.
Se você não for da Máfia, nunca dê um relógio para um chinês: significa que deseja a morte dele.
Os chineses são mesmo cheios de dedos: antes de aceitar um presente eles recusam três vezes. Nem mais, nem menos.

Cada um no seu lugar

Os americanos odeiam quem vai abrindo caminho no meio da multidão. Peça desculpas a cada empurrão inevitável.
E olho no chão: americanos ficam muito, mas muito zangados, ao levar um pisão no pé.
Quando você está em pé, conversando com alguém, é normal um coreano passar no meio. Dê um passo para trás, para dar passagem. Na Coréia, é falta de educação alguém dar a volta por trás de você.