Hoje faz exatamente três anos que cheguei aqui nas terras nórdicas. Lembro bem do meu sentimento de cachorro que caiu do caminhão de mudanças, modo de sobrevivência em guerra ativo o tempo todo, achando tudo tão diferente, mas ao mesmo tempo, tão bonito e fascinante. A mudança é realmente radical.
Ao contrário de completar dois anos como descrito nessa postagem, esse marco de três anos tem uma implicação simbólica forte. Hoje, vendo nossas vidas estáveis, bem adaptados à cultura, idioma e costumes daqui, podemos dizer que é o nosso lar e o nosso país. O primeiro ou segundo ano poderia dar esse significado. Mas o terceiro ano é mais representativo porque é no seu término que ganhamos o direito à cidadania canadense.
O nome "residente permanente" quer dizer que não somos turistas ou estudantes passando apenas alguns meses. Mas também não quer dizer que possamos realmente passar a vida toda assim. Pelo que ouço, a primeira renovação do status de residente permanente no final dos 5 anos de validade é facilmente aceita. Mas não necessariamente a segunda renovação, uma vez que completemos 10 anos, ou as demais.
Desta forma, usufruir desse direito significa ter que fazer de forma definitiva e pela última vez um processo do governo para garantir a nossa presença com status legal. Também significa poder exercer a cidadania sob a forma do voto, exercício esse que me fez falta nas eleições provinciais do Québec no ano passado. E, complementarmente, também nos abre a possibilidade de termos um passaporte canadense e não precisarmos mais de vistos para visitar os EUA, México e possivelmente outros. Eu já saí e voltei para o Canadá duas vezes e sem dúvida nenhuma, me sentiria bem mais confortável ao mostrar um passaporte que não gerasse uma certa desconfiança na hora de voltar para a minha própria casa (Quando você imigrou para o Canadá? Qual é o seu código postal?).
Claro que mesmo legal e oficialmente sendo tão canadenses quanto qualquer outro, nunca o seremos completamente porque não nascemos aqui, não vivemos tudo o que aconteceu durante décadas, etc. Os nossos filhos vão ser mais que nós. Por outro lado, o que importa mesmo é que adoramos a vida aqui, como ela é. Além dos amigos brasileiros, temos também amigos não brasileiros com proximidade suficiente para passarmos um dia na piscina comendo churrasco, sairmos para jogar boliche ou para virem jantar em nossa casa.
Deixo vocês com essa música que encontrei quando estava estudando inglês para o exame do IELTS, para dar entrada no processo de imigração e que tem tudo a ver com a postagem. Para mim, é uma volta ao tempo que a imigração era somente um sonho!












