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sábado, 3 de julho de 2010

Farofa cearense made in Africa


-Mônica, ainda num tinha acontecido, mas bateu uma saudadi da farofa du Ciará! -Vixe Maria! Eu também! -I ondi é que nóis vamu incontrá farinha de mandioca aqui? (Nota do tradutor: Hein? O que é isso?) -Bom, tem umas épiceries aqui no jornalzinho (Nota do tradutor: Ahh! Isso eu reconheci. É francês.São lojas que vendem temperos e outros produtos para cozinhar. "Especiarias").
Lái vai eu procurá a farinha di mandioca. -Je cherche fareine de mandiocá, s'il vous plaît. -Quoi? Ops! Achu qui num tá in francêis ainda não. Mas num tinha mermu! Di épicerie in épicerie, i di pergunta in pergunta, descobri qui u nomi certu era farine de manioc. Mais só mi mostraru fecule de manioc ou farine de tapioca (Nota do tradutor: Não vou traduzir porque são cognatíssimos! Isso mesmo, aqui tem tapioca, mas é tipo um iogurte com grãos da goma de mandioca). Quarta épicerie i néca! Arri égua! Ao menus a muié mi deu u endereçu di outra qui ela acha qui teim. (Nota do tradutor: AAAHHHH!!! Que droga é essa! Desisto! Tchau!).
Ô ruazinha fia duma égua! Curva prá lá, curva prá cá e nada du número 92! Opa é aqui! "Epiafrica. Marché Exotique International (afro-latino-américain)". Direpenti, o cabra mi mostra um saco i diz: -Não sei se é exatamente o que queres, mas é isso o que eu tenho. -I cadê u nomi? Quiria confirmá qui era di mandioca mermo. -Está aqui! -Gari?!?!?! -Sim! -I é di mandioca?-Sim! Tá bom.
Pensi numa farofa só u mi! Matamos a saudadi e já sabemu ondi é qui tem. A Mônica dissi qui in outra tem até rapadura! Mininu!!! Tamu cheganu pertu! I aqui in Québec!
Se você não é cearense e teve o saco de ficar tentando decodificar até agora, vai saber que foi com duplo propósito. O primeiro é saber que mesmo as coisas mais regionais e/ou específicas podem ser encontradas aqui, mesmo sendo uma "cidadezinha" de 500.000 habitantes e não um dos grandes centros. Não garanto tudo, claro!
O outro propósito é fazer um paralelo entre o francês québécois e o que se fala no Ceará. Entre o português neutro ("standard") e o extremamente regional, já bem povão e que é considerado um dialeto e não somente um sotaque, existem uma imensa gama de possibilidades. Inclusive uma mesma pessoa pode variar a forma de falar de acordo com o público alvo, atenuando ou refoçando o dialeto.
Pois o que acontece aqui no Québec é semelhante. Nos noticiários, ouve-se um francês standard ou internacional bem parecido com o da frança, que também tem lá suas variações. Já o fazendeiro do interior ou mesmo o povão das cidades maiores pode chegar no extremo que é o joual que, por incrível que pareça, é uma deformação da palavra cheval............ ou cavalo. Cadê o tradutor?
Então, muitas vezes o que se diz que é isso ou aquilo denominando de francês québécois na verdade faz referência ao modo mais regional de se falar, mas o modo mais standard que os jornalistas usam também é québécois, assim como nem todo cearense fala dirliga u rezistru (desligue o registro).
E cadê a rapadura? Se eu achar, em aviso!