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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Toronto

E finalmente conhecemos a maior cidade do Canadá: Toronto. Eu particularmente tinha muita curiosidade de saber como era esta cidade, tanto pela sua importância, quanto por causa dos comentários que ouvi.

Apesar de não gostar de grandes metrópoles, me surpreendi com Toronto. A GTA (Greater Toronto Area/Zona Metropolitana de Toronto) tem cerca de 6 milhões de habitantes, mas não tem os problemas de grandes metrópoles na medida que eu esperava. Ressalto 3 pontos:

- Densidade. Essa foto (horrível, por sinal!) foi tirada do alto da CN Tower, que fica bem no centro da cidade. Podemos ver que existem prédios altos, mas não são tantos e nem ficam tão próximos. A densidade é baixa e não sufoca a cidade. Tem inclusive uma quantidade relativamente boa de área verde.


- Trânsito. Se eu dissesse que não tinha congestionamentos, estaria mentindo porque até aqui em Québec tem. Mas para o porte da cidade, achei que o trânsito flue bem. Ficamos em um hotel no centro, andamos em horários
diferentes e para lugares diferentes. A única vez que pegamos um congestionamento considerável foi quando saímos da CN Tower. Mas é explicável pelo fato de estar tendo um evento grande (e esquisito!) ao lado da torre, ser no horário de rush e ainda ter um trecho de obras bloqueando uma parte da rua. Toronto tem muitos carros, mas tem artérias com muitas faixas. Também percebemos congestionamento na saída da cidade em direção a Montréal, em uma estrada com muitos caminhões somados ao trânsito metropolitano.

- É uma cidade organizada, bem cuidada e limpa, com áreas verdes. Também me disseram que o transporte público é bom, mas isso eu não posso dizer por experiência própria.

Uma dica que eu dou é analisar se vale a pena comprar o City Pass (Percebam que a página está em português!). Ele dá direito a entrada em cinco atrações da cidade: CN Tower, Royal Ontario Museum, Casa Loma, Toronto Zoo e Ontario Science Center. Acho que duas ou menos dessas atrações não justificam a compra do City Pass. Mas a partir de três, já pode ser que valha a pena dependendo de quais são.

A CN Tower tem 346 metros e é impressionantemente alta. A vista vale a visita. Para quem tem muito medo de altura, eu não recomendo. Para um nível gerenciável, acho que dá para suportar. A Monica, por exemplo, usou a estratégia de ficar em um canto do elevador semi-panorâmico, concentrada lendo um folheto e virada para uma parte do elevador que não é transparente. Lá em cima, tem apenas uma parte de um dos andares que tem o chão de vidro. Mas também tem como ser evitado.















Para quem tem crianças, o Ontario Science Center é tanto uma aula de ciências quanto uma fonte enorme de curiosidades. Infelizmente, nem a iluminação nem as crianças me deixaram tirar muitas fotos.







E a última atração que vimos foi o zoo. Para esse, reservem algumas horas, pernas e garrafas de água se estiver quente como estava. O zoo é imenso! Tem animais de todo tipo e de toda parte do globo. Para esse daí, eu prefiro deixar que vejam as melhores fotos.


 
 
Como destino turístico, não tenho dúvidas que vale a pena conhecer Toronto. Para morar, isso depende de gosto e do que cada um valoriza ou evita. Mas se eu gostasse de grandes metrópoles, provavelmente Toronto seria a minha escolha.

domingo, 22 de setembro de 2013

Niagara Falls




CA-Niagara Falls Flickr.

Como os destinos mais próximos já foram visitados, estamos tendo que viajar para cada vez mais longe. Finalmente, após esses 3 anos e meio vivendo aqui, topamos a parada de ir até tô tonto, digo, Toronto. E como Niagara Falls fica pertinho, resolvemos aproveitar e conhecer também.

Sem paradas, seriam umas nove horas de viagem. São longos 930Km, mas contando ida e volta, com mais uns passeios em cada cidade, acabamos gastando uns 2000Km de gasolina, pneus e coluna vertebral. A propósito, registro aqui meu "arre égua" por ter pago 1,42$/litro em Montréal e apenas 1,22$/litro em Toronto! Não notei diferença significativa de qualidade da pavimentação ao passar do Québec para Ontário.

Aviso aos navegantes: Um amigo disse que o GPS dele mandou ir pelo outro lado do Lago Ontario e isso faz com que de uma hora para outra, deem de cara com a barreira da fronteira com os EUA. Segue o diálogo que ele disse ter tido com a oficial da fronteira:
-O que vocês vão fazer nos EUA?
-Não tenho a menor ideia!
-(risos). Vão para onde?
-Niagara Falls.
-Ahh! É normal. Acontece com muita gente. Foi o GPS, né?
-Isso.
-E aí? Vão passar ou voltar?
-Já que viemos por esse lado, vamos continuar por aqui mesmo.

Moral da história: Se tiverem o visto estadunidense, é recomendável levar para não ter que voltar ao caminho canadense, o que aumenta o percurso já longo. Senão, é bom prestar atenção para não pegar o caminho que passa pela fronteira.

Para ter mais diversão para as crianças, ficamos em um hotel chamado Americana. A maior vantagem dele é o parque aquático indoor pas pire/nada mal, como podem ver nas fotos. Como a cidade não é tão grande (embora maior do que eu esperava), a localização dele em relação às cataratas (ô nome feio em português, viu?) não é um problema.

Chegando na atração principal que obviamente é a região onde podemos ver as quedas d'água (ficou melhor agora), ficamos deslumbrados. Além do espetáculo da natureza, os parques são bonitos e os estabelecimentos comerciais têm um jeito de Disneylândia (apesar de nunca ter pisado nem perto!).

Outra atração imperdível é o MarineLand. Reserve um dia só para explorá-lo, porque é grande e cansativo, principalmente se estiver fazendo o calor escaldante que encontramos.

Dada a proximidade de Toronto, é bem comum que Niagara Falls seja incluído no roteiro e a meu ver, vale a pena principalmente para quem tem crianças. Mas não deixa de ser interessante também para os adultos. Só o que me frustrou foi não ver ninguém caindo das cataratas dentro de um barril como via nos desenhos animados do Pica-pau e outros.

sábado, 1 de setembro de 2012

Visitando o Brasil-Choque cultural reverso


-O sistema está fora do ar.
-Como assim?
-O sistema não está funcionando!
-Hum... E qual é a previsão de retorno?
-Não temos previsão!
-Por que não? Bom, deixe para lá. Então podemos continuar em qual outro posto do Detran?
-Se você for a outro posto, vai ter que fazer outra vistoria do carro.
-Mas eu já tenho esse documento aqui que atesta que o carro foi vistoriado. Ele está datado, carimbado e assinado, emitido pelo próprio Detran e para o próprio Detran!!! É outro posto mas do mesmo órgão!
-Mas a regra é que a vistoria só vale para os posto onde a ela foi feita.
-Mas...mas....como é que...por que? Eu não acredito! Não faz sentido nenhum! Eu vou passar o dia e a noite só para pegar uma segunda via de um documento de transferência!!! Tabernak!

Esse foi um dos vários absurdos que me surpreenderam durante as duas semanas que passamos de férias em Fortaleza, após dois anos e meio morando aqui no Canadá. Uma parte foi apenas relembrar que essas loucuras existem, mas outras foram novidade mesmo que extrapolaram o meu conhecimento.

Eu não sou de ficar detonando sistematicamente o Brasil, até porque sei que tem gente que se sente ofendido com isso e outros que veem como esnobismo. Mas como uma das finalidades de um blog de imigração é relatar as experiências que passamos, e o retorno ao país de origem é uma delas que é importante de ser descrita, sou obrigado a contar como me senti. Se você não gosta de críticas ao Brasil, recomendo parar por aqui

Começou logo no aeroporto, quando ao invés de recebermos bilhetes de voo em papel mais grosso e de tamanho padronizado como em todo o resto do mundo, recebemos somente uns papeizinhos parecidos com cupons fiscais que se amassam e rasgam muito facilmente. Economia de palito de fósforo considerando-se quanto pagamos pelas passagens.

 Eu sempre pensei que um estrangeiro chegando aqui se esbaldaria por causa da moeda forte, achando tudo muito barato. De fato, tem coisas que custam menos mesmo, principalmente as que dependem de mão de obra. Mas mesmo vindo com a taxa de um dólar para dois reais, achei algumas coisas proibitivamente caras. Com pouco menos de 120$ para dois adultos e duas crianças, nos divertimos muito no parque aquático Village Vacances Valcartier aqui pertinho. Já no Beach Park de Fortaleza, nos custaria a bagatela de 270$, que é mais que o dobro. Vetado instantaneamente!

O trânsito é um capítulo à parte que vou tentar resumir para não ser ainda mais chato. Quando imigramos, já tinha muito congestionamento e a educação dos motoristas era digna de um homem das cavernas. Em apenas dois anos e meio, percebemos nitidamente que a quantidade de carros aumentou expressivamente e não houve quase nenhuma mudança na malha viária, a não ser muitas ruas fechadas por obras. Segundo esse artigo, a frota de Fortaleza duplicou de 2002 a 2012 e só no mês de julho, teve um incremento de 6.554 veículos. Planejamento, zero! Ação, zero! E vem aí a copa do mundo de 2014!!!

Tem partes da cidade onde não existe mais o conceito de horário de pico, porque cedinho da manhã já estão congestionadas e permanecem assim até por volta das 21h00. Quando paramos nos engarrafamentos, passa um enxame de motos por todos os espaços possíveis e impossíveis. Uma rua de duas faixas em Fortaleza tem na verdade, 5 vias. O padrão é calçada, moto, carro, moto, carro, moto, calçada, lembrando que também tem motos que andam sobre a calçada. Eu prestava muita atenção porque não raramente, tem delas que cruza a frente do carro abruptamente para dobrar em uma rua de forma que se não freiarmos, passamos por cima. Vi até um louco que pegou a contra-mão em uma avenida movimentada! Mas como pedestre, estava pensando como aqui onde nunca uma moto passa entre carros e por muito pouco, uma que vinha até rápido por entre os carros parados quase me atropelou. Via batida de carros quase todo dia e perto de voltarmos, bateram no carro do meu pai. Não poderia ser diferente! Não cabe tanto carro! Por causa dos muros, os carros não têm boa visão e avançam um pouco nos cruzamentos, o que me dava muitos sustos. É como os revestimentos fumé mais escuros dos carros: mais segurança contra roubos e menos segurança no trânsito.

Prometo que é o último grunido rabugento que faço sobre o trânsito. Estava em uma avenida cujo trânsito estava alternando entre parado e se arrastando como lesma com câimbra. Em uma rua perpendicular, podiamos ver uma fila longa de carros aguardando a oportunidade rara para conseguir entrar na avenida. Quando o motorista de trás percebeu que eu estava começando a deixar espaço do carro da frente para dar a vez a um dos carros da rua perpendicular, começou a buzinar e piscar os faróis repetida e insistentemente. Câlice!!! Não se pode nem dar a vez a um carro que vem um idiota encher o saco! Em Fortaleza é típico alguém buzinar assim que o sinal fica verde, não deixando tempo nem da luz viajar do semáforo aos nossos olhos. Pior que é só para perturbar mesmo, porque normalmente essas pessoa saem mais lentamente que o carro da frente.

Já que é para detonar mesmo, agora vou comprar inimigos no atacado. A Rede Globo continua sendo a fonte oficial de """""cultura""""" brasileira, fornecendo nas novelas as Carminhas, Ninas, empreguetes, "Oi oi oi...", "Eu quero tchu...", etc. Como o futebol, a novela ainda é uma mania nacional. Vale a pena ler um pouquinho sobre Chomsky para entender o porquê da minha crítica. Ele explica como as massas são manipuladas pela mídia através desse tipo de recurso, dentre outros que vemos serem empregados de forma muito competente no Brasil.

Não estou dizendo que não existe cultura no Brasil. Pelo contrário. Por exemplo, foi bom rever os talentosos os músicos de bar com suas versões violão e voz, ao invés de ouvir o Michel Teló até quando estive na Polônia. Acreditem: um colega polonês cantou a letra toda do "Ai se eu te pego" em português bem explicado! "Ahh! Você é brasileiro? Então deve gostar dessa música...". Não! Eu detesto! Vá conhecer Bossa Nova, MPB, etc.

Bom, chega de estresse! Já passou mesmo! O importante é que é sempre bom rever a família e amigos depois de tanto tempo. Também foi bem forte a validação da nossa decisão de imigrar e que fizemos uma boa escolha. Não tenho nenhuma dúvida e não me arrependo nem um segundo. A Mônica e as crianças também pensam assim e de retorno, nos sentimos muito bem voltando não somente para o nosso lar, como também para a nossa cidade. Sim! Foram só dois anos e meio mas apesar do idioma, nos sentimos a vontade como nosso lar aqui e Fortaleza agora passou a ser uma cidade de turismo.

domingo, 26 de agosto de 2012

Visitando o Brasil-A viagem de ida


Depois de dois anos e meio vivendo em terras nórdicas, fomos finalmente a Fortaleza, nossa terra natal, visitar a família e amigos nesse mês de agosto. Os quase 500$ que pagamos pelos 4 vistos deram um retorno econômico bem interessante. Compramos as 4 passagens em fevereiro pela United Airlines por 6.000$, enquanto que para o mesmo período pela Air Canada, esse custo subiria para 9.000$. Pas pire/nada mal como economia. O outro benefício foi reduzir o tempo total de 24 horas para algo entre 21 e 22 horas. Poderia ser 21 mas uma das conexões ficaria com tempo muito curto e arriscado.

No nosso pequeno mas aconchegante aeroporto de Québec chamado Jean Lesage, temos uma área de lazer para crianças com mini-escorregador, piso macio de E.V.A., pista de montar com carrinhos, fogãozinho e outros brinquedos. Não tenho certeza absoluta, mas acho que também tem wifi aberta e gratuita.

Chegando no aeroporto Newark, em Nova York (na verdade, em Nova Jersey), passamos pelos vários postos e etapas, com direito a coleta de impressões digitais e passar descalço, mesmo que não tenha nada metálico nos sapatos. Curiosamente, tinha um pombo andando pelo meio das pessoas de uma fila em pleno aeroporto estadunidense. Alguém pode ter a brilhante ideia de mandar um pombo-bomba que ele terá acesso privilegiado! Gruu... gruu... CABOOM!!! Lá, vi wifi somente pago. Uma coisa interessante é a aparente flexibilidade de idiomas dos atendentes. Teve deles que começou o diálogo em espanhol, mas mudou para o inglês quando viu que era a minha escolha. Inclusive, tudo é escrito em inglês e espanhol. Outra atendente ouviu a Mônica falando em francês com as crianças e começou a falar em francês conosco. O mais legal foi um que dava as direções segundo o caso específico de cada um. Quando respondemos sua perguntou de para onde iríamos, disse em português com sotaque: -Beleza! Bom dia! Muito obrigado!

O interessante mesmo foi quando chegamos ao terminal de embarque do voo para Guarulhos. Pela primeira vez em todo esse tempo, ouvimos muitos brasileiros desconhecidos falando em português. O primeiro impacto que tive foi a perda de privacidade. Em Québec posso dizer, por exemplo, para o Davi não perturbar as pessoas em português, que é o idioma que uso sempre para falar com ele, que elas não entendem. Quando disse para a Mônica trocar de cadeira com o Davi para ele não chutar acidentalmente a perna da moça em frente, ela fez uma cara de que não tinha problema. Também foi a primeira vez nesse tempo todo que ouvimos um anúncio de som em português.

Durante o voo longo e cansativo, uma aeromulher (não tinha idade para aeromoça) era brasileira e falava em português. As demais eram estadunidenses e falavam somente inglês. O cara que dava os avisos pelo som em português tinha um sotaque esquisito e cometia uns erros curiosos que dava a oportunidade de perceber mais ou menos como os outros me ouvem quando falo em francês ou inglês. Graças à almofada inflável de pescoço, pude pela primeira vez dar uns cochilos durante voos, o que aliviou um pouco o cansaço.

Meu primeiro contato com um brasileiro na chegada do aeroporto em Guarulhos foi frustrante. Nem no Brasil e em português estou livre de problemas de comunicação! O cara saiu com um grotesco:

-Judagabagash?
Não decodifiquei nem mesmo qual o idioma nessa primeira vez.
-Desculpe?
-Judagabagash?
Dessa vez eu percebi que era português mas ainda não tinha entendido absolutamente nada.
-Como?
-Judagabagash?
Hum...AHH!!! Ele deve ter dito: "Quer ajuda com a bagagem?". Nada de gentileza e sim serviço pago, claro!
-Não, obrigado!

Que tenha wifi gratuito ou pago, tudo bem. Mas o que me incomodou foi ver muita propaganda de wifi gratuito pela Infraero e nenhuma das redes funcionava. De cara logo, já dava um erro quando tentava acessar qualquer uma das duas. Depois percebi que elas tinham um sufixo da empresa Tim e de outra. A meu ver, não por coincidência, cada uma dessas empresas tinha sua própria rede wifi para seus clientes. Posso estar cometendo uma injustiça, mas acho que é um esquema somente de marketing para dizer que tem, mas não foi feito para não funcionar mesmo.

Em Fortaleza foi só alegria! Final da maratona de 22 horas e o reencontro com pais, irmãos e o primão Adney com sua família. Este inclusive, é da família quem mais curte a nossa imigração pela nossa felicidade. Chegando na casa dos meus pais, mais gente da família foi nos receber, com muita demonstração de carinho.
-Está aqui um carro para você fazer o que quiser com ele, ir para onde quiser, quando quiser. Fique com ele o tempo que vocês passarem aqui que será um prazer para mim. Disse o primo. Olhe, não sei nem como agradecer tanta gentileza de todo mundo!

domingo, 5 de agosto de 2012

Conhecendo o Canadá



Descobri esse vídeo muito interessante que mostra um pouco de cada província e território do Canadá. Tem muitas coisas bonitas e interessantes para serem vistas por aqui. Ainda não conhecemos quase nada, mas temos tempo para viajar e conhecê-lo melhor.

http://www.youtube.com/watch?v=BbCM0rZuBbw&feature=share

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Estados Unidos do Paraguai do Norte


Aqui no Canadá nós temos algumas opções de viagens para conhecer os países vizinhos. Temos a Groelândia, que pertence à Dinamarca (vocês sabiam?), a Rússia se conseguirmos passar pelo Polo Norte, e a França pelas ilhas de Saint-Pierre-et-Miquelon. Sobrou uma opção viável para ir de carro que é os Estados Unidos, logo...

Da primeira vez que fomos para lá, escolhemos a cidade mais próxima que é Plattsburgh (estado de New York). Fica a uns 340Km e 4 horas de Québec e 100Km e 1 hora e 20 minutos de Montréal. Mentira grande! Dependendo da hora, temos que somar um bom tempo (porque bom? deveríamos dizer mau tempo!) por causa da fila na fronteira. Pense que uma hora de espera não é difícil de acontecer. Quando chegamos na guarita e pensamos que vamos continuar a viagem, a tia da cabine diz que temos que ir para a segunda etapa no prédio.

Nesse prédio, também tem fila, mas chamam pelo nome. Se tiveres um nome difícil de ser pronunciado em inglês, é bom ficar atento. Na terceira chamada o tom de voz é menos delicado! Aviso importante 1: Se não formos voltar no mesmo dia, temos que fornecer o endereço de onde vamos ficar. Aviso importante 2: Temos que pagar a taxa do danado do formulário i-94 que como somos quatro, custou 24$. E como não tínhamos dólares americanos, foi no cartão de crédito. Descobrimos que a tarja magnética dele está causando problemas de leitura, mas por sorte temos outro e deu certo. Me lembrem de falar mais sobre o safado do i-94, certo?

Passada a fronteira, rapidinho chegamos em Plattsburgh. Ela é uma cidade pequena, porém miúda! O que tem de interessante lá? Um shopping para comprar muambas, digo, mercadorias e um restaurante que tem um sirloin/surlonge (uma peça que inclui a picanha e outro corte) bem gostoso. Xii!!! Qual é mesmo o nome desse restaurante?

Falando de muambas, se voltarmos no mesmo dia, não temos isenção de impostos. A partir de um dia, temos direito a um valor sem pagar impostos. No momento está de 200$ por pessoa para um dia. Não sei como a escala progride com mais dias mas crianças também contam. Aviso importante 3: Chegue no posto de fronteira canadense com o total já calculado. Não sabia e o cara não gostou da minha desenvoltura como contador. Também, o valor dos impostos mudam de acordo com critérios nada claros e não divulgados. Um deles é o tipo de produto. Tem coisas que têm o mesmo preço lá e cá como o iPhone mas acaba saindo mais caro se pagarmos impostos estadunidenses e canadenses. Mas o dvd player com tela dupla para carro que compramos (uma maravilha para viajar com crianças!) custou com todos impostos uns 150$ enquanto que aqui custava pelo menos 220$.

A segunda cidade mais próxima é Burlington (estado de Vermont), mas me disseram que também não é lá mais interessante que Plattsburgh. O que mais vale a pena depois dessas duas parece ser Lake George (estado de New York) que fica a uns 510Km e 5 horas e 40 minutos de Québec e 270Km e 3 horas de Montréal com aquele adicionalzinho já comentado.

E o que tem lá? Tem um parque com montanha russa, outro brinquedo radical, passeio de barco e outros. Pagamos 18$ de estacionamento mas entramos com o passe de estação do La Ronde de Montréal. Também tem uma praia de lago que nem chegamos a ver porque dedicamos muito tempo para outro atrativo da cidade. Qual? Outlets! O paraíso das mulheres e desespero dos maridos. Tem uma área da cidade que tem um tráfego considerável de carros por ser a região onde se concentram os outlets de marcas como Guess, Tommy e muitas outras que não me lembro. Às vezes os preços nem são tão mais baratos que comprar aqui, mas como era feriadão do Canada Day (ou dia da mudança), tinham uns descontos loucos. Uma sandália de 60$ estava com desconto de 50% e para homens naquele dia, tinha outro desconto. Saiu por 20$. Agora vocês entendem o porquê do nome da postagem, né?

Voltando ao bonitinho do formulário i-94, este é pago e grampeado no passaporte ao entrarmos nos EUA. Ele tem validade por 6 meses. Caso voltemos de avião, eles têm o registro da nossa saída. Mas quando voltamos de carro, eles dizem que não têm como saber que deixamos o país (o que eu duvido). Por isso, temos que devolver o lindinho do i-94 a uma autoridade canadense na fronteira ou em um aeroporto, mas não sei se em qualquer um funciona.

Como não devolvemos em 6 meses (lembrei-me com 7 dias de atraso), tive que mandar uns documentos provando que cada um de nós estava aqui e não lá durante esse tempo. Foram comprovantes das empresas onde eu e onde a Mônica trabalha, um da escola da Lara e um da garderie/creche-escola do Davi. O detalhe é que tem que ser em inglês. Essa página detalha o assunto.

Quando formos mais longe como a Portland, Boston ou New York City, eu escreverei outra postagem com mais informações. Ahh!! Na volta, não deixe de encher o tanque em Plattsburgh a 0,94$/litro ao invés de 1,26$/litro que é o preço atual da gasolina aqui em Québec/Montréal!

domingo, 30 de maio de 2010

Montréal




Aproveitamos o feriado do dia da rainha para o lado anglófono e dia dos patriotas para o Québec (descendentes de franceses não teriam muito o que comemorar no dia da raínha da Inglaterra após serem dominados por eles) e fomos finalmente conhecer uma cidade de interior: Montréal. Sempre faço essa piada sem graça porque acho muito curioso a segunda maior cidade do Canadá não ser a capital da província e sim uma cidade de apenas 500.000 habitantes.
Primeiro quero deixar registrada aqui a minha matutice em relação a qualidade da estrada entre Québec e Montréal. Primeiro de tudo, são duas, mas fomos e voltamos pela autoroute 40 porque passa por Trois-Rivières. Duas pistas de cada sentido com acostamento e 50 a 100 metros de distancia entre eles, com uma sinalização excelente e com uma pavimentação perfeita. Se vocês já estão acostumados com isso, tudo bem, mas eu tenho um coringa na manga: Tem um sonorizador na lateral das pistas para acordar os dorminhocos em toda a extensão da estrada. Isso pode salvar vidas e acho que não tem no Brasil. Vejam a foto a seguir. Se onde você mora/morava também tem isso, então é porque eu sou matuto mesmo!
Depois de 3 horas e 260 kilometros de viagem, fomos muito bem recebidos e hospedados na casa dos ex-conterraneos Lino e Cecília (http://www.leparcours.net), que moram perto dos também cearenses Márcio e Tuana (http://indoemboahora.wordpress.com) e da também cearense que conhecemos lá, Manuela (ou Carol, se preferirem!). Uma coisa que me chamou logo a atenção foi o fato de eu ouvir muito mais inglês que francês nas ruas, supermercado, e em outros lugares que nem são turísticos. Depois descobri que, ao contrário do que todos pensávamos, essa região é mesmo mais anglófona.







Outra coisa curiosa é o serviço de aluguel de bicicletas Bixi. Por 78$/ano, os usuários podem pegar uma bicicleta em um dos inúmeros estacionamentos e devolvê-la no mesmo ou em outro. E vi muita gente usando essas bixicletas (Nota do tradutor: É bicicleta no idioma da Xuxa) por lá.
Estava fazendo um calor fiu duma égua/horrível. Usei uma expressão cearense porque me senti de volta à terrinha quente. 33 graus e um sol de deixar marcas de brozeado, embora não seja como o de lá. Por isso fomos à Place des Arts para que as crianças se divertissem nas fontes e ao mesmo tempo se refrescassem.







No dia seguinte, visitamos a basílica de Notre-Dame e fomos conhecer o Mont-Royal, que deu o nome à cidade. O parque é grande e bonito. Tinha muita gente praticando esportes, fazendo piquenique e aproveitando o "solzinho". Do topo do monte, a vista da cidade é muito bonita.







Tem uma construção que serve de apoio com máquinas de bebidas e lanches e dois microondas. Descendo, para o lado do lago, tem também um restaurante/lanchonete para almoço e gente nos matando com o cheiro de churrasco!







Um recurso útil para os deslocamentos na cidade é o celular com acesso à Internet. O Lino e a Cecília fazem a programação da rota pelo Google Maps para saber qual ônibus e metro pegar, e a que hora. Aqui em Québec, a companhia de transportes não repassa os dados para a Google, mas ela tem a sua própria ferramenta que é o Trajecto. Depois de instalar outro browser no meu Nokia, o Skyfire, agora posso fazer isso também (invejoso!!!). Já conhecia o metro de São Paulo, então não fui matuto nesse quesito. Mas não esperava ver o metro com pneus de borracha como os de um carro. Eu esperava pneus como os de trens. Para o meu espanto, não vendiam bilhetes de uso livre por um dia na estação onde estávamos, somente com o cartão, que custava 2,50$. O legal da estória é que é o mesmo cartão Opus que usamos aqui em Québec, mesmo sendo outra empresa de transportes. Carregamos os nossos dois, o Davi não paga e o cara disse que a Lara não precisava pagar também, mesmo o informativo dizendo que paga um valor menor entre 6 e 11 anos. Bom, deixa prá lá.







Infelizmente, as crianças se cansam mais cedo que os adultos e isso limitou os nossos passeios. E olhe que andei muito e subi ladeiras e o monte carregando os 15 quilinhos do Davi! Andar kilometros todo dia na neve me deu marra para isso.
Sem dúvida, a solução para a acomodação das visitas é o sofá-cama de casal e os colchões infláveis. Os que compramos não deixam nada a dever a colchões normais e são super práticos e portáteis. Agora temos lugar para nós quatro, com mais quatro visitas aqui em casa (que na verdade é um apartamento). Só falta o pessoal do Brasil guardar dinheiro e criar coragem para nos visitar. E para quem tem medo do frio, basta virem no verão que vão ver um Canadá quente de derreter o juizo como o nordeste brasileiro.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Chorando pedras de gelo

Estive um tempo afastado porque me mudei para casa e não tinha Internet ainda. Agora estou de volta à grande rede mundial. Pois bem, imigração boa é aquela com emoção. Agora está sendo a vez da Mônica, da Lara e do Davi. A Mônica não fala inglês ou francês o suficiente para resolver o que precisa para chegarem até aqui. Mesmo assim, não dá para andar com duas malas (no sentido próprio), a Lara e o Davi (mala no sentido figurado). Se soltar o Davi, ele sai correndo. Para poderem chegarem até aqui sãos e salvos, contamos com a grande experiência internacional da super prima Alessandra. Ela tem no currículo meio ano de Austrália, alguns meses de EUA e dois passeios pela Europa. Ao menos um deles passando por vários paises. Tá preparada, não?
A ansiedade maior foi patrocinada pelos Correios. O Doidex estava tão desorganizado que nem estavam mais atualizando a página de rastreamento. O sogrão foi pessoalmente ao escritório dos Correios e disseram a ele que ainda não tinha chegado, hoje, no dia da viagem!!! AAAAHHH !!!
Eu estava perto de entrar na Hertz para alugar o carro quando o celular fez o pi piripipi. É o aviso do Fring, que é a alternativa para usar o serviço de mensagens instantânea do Skype para celulares que não estão na restrita lista da versão móvel do próprio Skype. Viva a tecnologia! A Mônica escreveu: O papai disse que o passaporte não chegou. Viagem abortada. Eu disse a ela que é porque, para o nosso bem, não devesse ser apropriado. Devia ser a vontade de Deus.
Eu já estava de certo modo preparado, então fiquei triste mas conformado. Mais uma semana sem a família. Quem esperou um mês (amanhã faz exatos 30 dias) consegue esperar mais alguns dias. Entrei no shopping Place Laurier para pesquisar os assentos de carro das crianças.
Um dado momento, pi piripipi outra vez. Quando pego o celular, tem escrito: A Alessandra recebeu o passaporte agora. Vamos aprontar tudo correndo e vamos viajar. Nessa hora, abri um sorriso de orelha a orelha. Fiquei tão boboca que demorou a perceber que deveria retomar o planejamento inicial de alugar o carro e comprar os assentos.
Quando sai do shopping, me dei conta de como amo a minha família. O durão aqui que quase nunca chora foi pego desprevinido e começou a chorar. Esse negócio de imigração mexe mesmo com as nossas emoções. Ainda bem que eram lágrimas de alegria. Enxuguei logo para não congelar. Quando Deus quer, não tem quem possa atrapalhar.
Pois bem, a esta hora, devem estar cruzando a linha do Equador e amanhã vou buscá-los no aeroporto. A partir de amanhã, a rotina aqui vai mudar completamente mais uma vez. Só que agora não vai ser mais só a minha.

P.S. Congelei os pés e as mãos, com fome e cansado, mas fiz uma cobertura cheia de fotos do carnaval de Québec, com a parada inclusive. Aguardem o próximo post.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Eu posso te mandar de volta ao Brasil agora mesmo! Parte 2

Depois fui pegar as malas. Como estava entrando com mais de 10.000$, segui para alfandega/aduana/customs/douane. Lá, já começei pagando o primeiro mico. estava com uma mala pequena, uma grande, a super mochila Tabajaras e a pasta de documentos. Quando tirei o formulário de muamba, faltou mão. Então, eu o segurei temporariamente com os lábios.
-Ei! Não bote na boca! Eu vou pegar nele!
-Desculpe, desculpe!
-OK
Ao contrário do que fazia com os outros, ele não reteve o formulário e me encaminhou para uma sala. Legal é que o aeroporto é bem grande e às vezes saimos por um lado diferente do que entramos, então, é bom perguntar para onde fica o próximo passo, senão perdemos tempo por causa do tamanho do aeroporto. E quatro horas de conexão podem não ser suficientes, caso tenha que fazer tudo que eu tive que fazer e com as filas.

Chegando nesta sala, o cara tirou a clássica dúvida do que colocar no formulário de Goods to Bring/Goods to Follow (bens de entrada/bens posteriores). Eu perguntei se deveria declarar as roupas e ele respondeu sorrindo que não. Apenas coisas de valor. Entendi como fiscalização antimuamba, já que a vizinha estava levando cachaça e outras bebidas em várias garrafas e o fiscal estava vendo até o conteúdo delas contra a luz. Ele também riscou a linha onde eu declarava dinheiro e disse que não era necessário declará-lo. Eu mostrei a relação das séries de travellers cheques bem organizadinha com os valores, totais, etc. e ele adorou pois tinha que preencher em um formulário e ficava mais prático assim. Aí, ele disse:
-Quatro celulares?!
-Cinco.
-É muito, não?
Entendi que estava fazendo uma insinuação e que mais uma vez, se o inglês e a humildade não estivesse sendo bem utilizados, poderia entrar em fria, mesmo com o aquecimento do aeroporto.

-A minha esposa trabalha em uma operadora celular e eu trabalhei também. E essas operadoras dão celulares para os funcionários.
-Ahh sim! Tudo bem.
Na saída, embarquei novamente as malas, simplesmente colocando-as em uma esteira. Ainda perguntei ao funcionário se elas iriam para o Québec mesmo. Ele disse que havia uma triagem baseada no número da etiqueta. E chegaram mesmo. A galera da lista disse que tem um aviso de que temos que colocar com as rodinhas para cima e que eles reclamam quando não o fazem. Nem vi o aviso, mas intuitivamente fiz assim mesmo. Oba! Menos um mico.

Saindo de lá, fui atrás do embarque para Québec. Li o cartão de embarque e não encontrei o número do treco de embarque. Realmente não tinha. Perguntei a uma funcionária e ela disse que era o treco 2 e escreveu somente 128 no cartão. Estou usando a palavra treco porque me esqueci o termo que ela usou. Quando subi, vi a indicação de terminal 1. Andei um bocado e achei o 3. Então perguntei ao faxineiro onde ficava o terminal 2. Ele disse:
-Foi desativado. Não existe terminal 2.
Ué!! E agora? Depois que percebi que 128 era o número do portão de embarque. Putz ! O aeroporto de Fortaleza só tem 6 portões de embarque, como é que eu ia saber que no aeroporto de Toronto a numeração vai até 136?! Depois de andar uma eternidade, achei-o no final do final de um corredor. Interessante que vi dois carrinhos motorizados levando pessoas com dificuldades de locomoção, com motoristas. Pensei até em pedir carona porque as pernas estavam cansadas.

Quando terminou tudo e fui sentar para descançar, já era 08:00h e o voo saia às 09:20h. Tentei usar a rede Wifi do aeroporto para ligar para casa do super Voip phone Nokia Tabajaras, mas não funcionou e perdi meus 6$ por uma hora de acesso. Acho que barram a porta do protoloco SIP. Tentei ligar do telefone da Bell que usa cartão de crédito (tem vários desses lá), mas ele disse que a operadora utilizada para esse destino não aceitava cartão de crédito.
O voo para Québec foi num avião Bombardier pequeno da Jazz/Air Canada. Tinha filas com 2+1 assentos, que é menos que os 2+2 do Boeing 737e Airbus A320. Tinha uma parte da parede do meu lado solta e também uma argola da cortina. A aeromoça deu um jeito na cortina. Dessa vez, os avisos eram dados primeiro em francês e depois em inglês, já mostrando a mudança de província. Como já era dia, pude ver que Toronto e o lago são muito grandes, vi a Sears Tower, e vi que só tinha umas sujeirinhas de neve. Era tão pouca que nem tinha percebido que era neve. Achava que era areia, já que não era tão branca.
Depois de tantas horas de voo, o trecho de uma hora até Québec foi moleza. Quando ficamos abaixo das nuvens, vi a cidade linda. Estava com tanta neve que apelidei-a de Branca de Neve.
Cheguei, peguei as malas rapidinho porque tinha pouca gente, e fui trocar as notas de 100$ que o super papai me deu. Na casa de câmbio, a mulher trocou uma por 5 notas de 20$. Sai para pegar um taxi. Nesta hora, ficou mais complicado, porque troquei o inglês que estava me saindo super bem pelo francês meia boca. Consegui me comunicar mas por segurança, mostrei o endereço escrito. O cara não era muito de conversa e eu sou mas, dadas as circunstâncias, só coube perguntar qual era o nome de uma avenida e depois se as pessoas de lá falavam inglês. Ele respondeu que todo mundo lá fala inglês. Dei um desconto na expressão "todo mundo" e fiquei feliz, porque não era o que eu pensava.
Na hora de pagar, dei duas notas de 20$ e nem conferi o troco que teve moedas. Não foi nem por confiança. É que as porcarias das moedas tem os número bem pequenos e escondidos. Temos que decorar logo para poder usá-las sem demorar e atrapalhar. Ele falou umas coisas que não entendi. Depois que ele saiu, lembrei do lance da grojeta/tip. Acho que o que ele tinha falado era que não tinha o troco exato e que ele iria arredondar para mais porque tinha me ajudado com as malas.
Finalmente, cheguei ao apartamento da Ana, que é uma brasileira que mora há 10 anos em Québec e que aluga um quarto do seu apartamento para os recém chegados. Aí, pude finalmente voltar a falar sem dificuldades em português e ter a segurança e o bem estar de um lar, embora não seja meu.
E vendo maravilhado a parte baixa da Branca de Neve até o horizonte a partir da janela do meu quarto que termino essa emocionante aventura com final feliz.

Ainda estou devendo as fotos. Calma! Vai já.

Eu posso te mandar de volta ao Brasil agora mesmo!

Saindo do avião no aeroporto de Toronto, pude ver que ele é muito grande. Fiz a filosofia de seguir a manada (muuuu!!). Tem umas esteiras móveis nas quais esqueceram de colocar a placa "veículos lentos à direita". Digo isso porque muitos brasileiros ficam parados, já que ela se move, e os canadenses passam voando.
Chegamos a umas cabines de não sei qual órgão. Neste, entregamos nosso formulário de declaração de muamba  que é entregue no avião. Não achei legal preenchê-la durante o voo e tive que a preencher enquanto estava na fila. Basicamente, dizemos de onde viemos, se temos objetos comerciais (mesmo que não os vendamos), se temos dinheiro a ser declarado, etc. Não tem uma categoria de imigrantes, mas temos que preenchê-lo como todos os outros. A mulher ficou olhando para o meu passaporte e para mim. Saquei logo: -É que eu cortei o cabelo.
Meu cabelo ia até o meio das costas e agora é curto. E ela:
- Notei.
Depois, segui para o birô de imigração. Que coisa esquisita: Vim do Ceará para ficar suando a camisa em uma sala que tem até ventiladores em pleno Canadá, no meio do inverno! Bizarro.
Pois, bem. Vocês devem estar curiosos para saber o porque do título deste post. Vamos lá.
Cheguei com a minha pasta super organizada, com tudo necessário para o procedimento de landing. Aí a funcionária perguntou o meu endereço para mandar o PR card. Mostrei o endereço impresso por recomendação da Ana (vou explicar quem é em outro post) porque eles poderiam não me entender por ser francês. Aí ela perguntou:
-O que é que você vai fazer no Québec ?
-Consegui um emprego lá.
-E cadê o seu &$#& ?
-Como ?
-Para ir ao Québec você precisa do &$#&.
-CSQ ?
-Isso.
-Não tenho.
-Você não pode ir ao Québec. Você não sabia disso? Você não pode trabalhar no Québec, nem seus filhos poderão estudar lá.
-Um amigo meu disse que o governo dá uma carta de aceitação do Québec que substitui o CSQ.
-E o seu amigo trabalha na imigração? O Québec é outra coisa. Eles têm lá as regras deles e tudo funciona diferente lá.
-Não.
-Eu posso te mandar de volta ao Brasil agora mesmo, e cancelar os seus vistos, sabia? Vocês vão perder tudo o que fizeram.
Fui pego de surpresa. Passei por malandro ou desinformado. Por causa disso, nem lembrei que fui à palestra da Soraya só para perguntar se tinha algum problema e ela me disse: "Sem problema. basta fazer a conexão em Toronto e pronto. É previsto esse movimento entre os dois processos". E a Soraya é da imigração do Québec.
-O que eu faço agora então? Cancelo o voo e me estabeleço em Toronto como o meu planejamento inicial?
Disse isso mais estava imaginando perder o bom emprego e fazer um baita improviso de planos na hora. Não tinha nem o telefone de ninguém de Toronto.
-Se eu te liberar, como vou saber se vais ficar em Toronto e não vais trabalhar ilegalmente no Québec ?
Então ela se levantou e foi conversar com outro funcionário. Depois de bons segundos de expectativa, na volta ela disse:
-Vou te liberar mas não vais poder usar este endereço para o PR card. Quando você resolver este problema, mande o endereço neste formulário para você poder receber seu PR card. Enquanto isso, não vais poder sair e voltar ao Canadá por causa da falta dele. Vá tratar desse problema com o governo do Québec para resolver a sua situação senão não vais poder nem trabalhar nem seus filhos poderão estudar lá.
Pedi mil desculpas pelo transtorno e agradeci muito pela liberação, mas muito chateado por ter passado por isso, me sentindo culpado. Ainda não lembrava do que a Soraya tinha dito.

Quando cheguei aqui em Québec, fui logo à tarde ao MICC (Ministère de l'Immigration et des Communautés Culturelles) que, por sorte, fica a um quarteirão daqui. Já a funcionária de lá, muito simpática, explicou o seguinte: O CSQ é só um documento para a etapa de seleção do processo que lhe dá o visto de residente permanente. Se você já tem o visto, não faz sentido falar de CSQ. Você pode fazer tudo o que um residente permanente tem direito, tendo ou não o CSQ. A única diferença é que durante o primeiro ano, quem tem CSQ vai ter direito ao subsídio do Québec nas universidades, se você ou a sua esposa quiserem estudar, e você vai pagar como alguém que mora em outra província. A exceção desse ponto, vais ter tudo igual a quem tem o CSQ.
Poxa, passei por essa situação toda de graça! Um susto desgraçado! Ficou parecendo que fui vítima da rixa entre o Québec e o resto do Canadá.

continua...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pulando a linha do Equador sem dormir

Desculpem a velocidade das postagens, mas é muita coisa para contar em pouco tempo que estou tendo aqui. Vocês sabem, né: passear, conversar sobre os maçetes, fazer compras no shopping, tirar fotos...he, he, he. Essa moleza vai já acabar!

O voo da Air Canada saiu às 22:30h (horário local) e estava cheio. Percebi logo que já estava em território internacional. Muitas conversas em várias línguas. Ao meu lado, sentou um cara da Arábia Saudita que estava estudando em uma universidade de Vancouver. Aliás, quase todos os brasileiros que tive contato estavam indo para Vancouver. Conversamos um bocado em inglês. Foi bom porque serviu de aquecimento para Toronto.
A viagem é realmente muito longa. Principalmente para quem não consegue dormir. 10 horas de sono, é como se fosse uma viagem curta, mas para ficar acordado, é outra coisa. Fiquei no assento do meio e não consegui nenhuma posição que fosse confortável o suficiente. Talvez no assento vizinho à janela pudesse escorar a cabeça, mas não pude escolher o assento. Quando cheguei aqui, vieram me dizer que a "boia" que eu havia visto era um apoio para a cabeça que colocamos no pescoço, justamente para este caso.
O avião é bem grande. As filas tinham 3+3+3 assentos. Cada assento tem uma tela sensível ao toque com menus. Tem filmes (inglês, francês e achei um em espanhol), programas, músicas, indicações de viagem, etc. Tem também um conector que me pareceu ser USB. O meu vizinho disse que podemos colocar nossos próprios vídeos e músicas. Não garanto a informação! As aeromoças e os aeromoços são muito educados e simpáticos. Achei interessante que ao menos uma aeromoça falava português e alguns anúncios também eram feitos em português.
Serviram um jantar de avião. Comi um frango com não lembro o que, com uma salada de mamão com melão e tinha um pãozinho. No café da manhã, perguntavam se queriam $%*&#@# ou @*#$*#. Depois entendi que a segunda opção era scrambled eggs (ovos mexidos) e que a primeira era uma nome que não conhecia e que não lembro agora. Parecia com cheese. Pedi este segundo e quando comi, perbi que era um tipo de omelete aerado com queijo. De tempos em tempos eles passam perguntando se queremos beber algo. Certa vez, perguntei que horas eram e percebi que não basta. Tem que dizer de onde porque Fortaleza está com fuso-horário GMT-3, São Paulo com GMT-2 por causa do horário de verão e Toronto com GMT-5. No meio da madrugada, apertei o botão de chamar a aeromulher (a maioria tinha cabelos grizalhos, logo...). Quando ela veio, já estava com a garrafa e o copo adivinhando que era isso que eu queria.
Chegamos em Toronto às 05:30h (horário local) com -3º e como estava escuro, não deu para ver direito como é.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Corre, corre, corre e... espera, espera, espera

Após umas 4 horas de viagem, eis que chego a São Paulo, no aeroporto de Guarulhos. Mala é mala. Realmente enche o saco. Eu estava com uma mala pequena e uma grande que adiantará algumas roupas da Mônica, além das minhas. Mas me arrependi. Dá muito trabalho e cansa. Usei o carrinho só até a escada rolante, já que ele não pode subir. E ainda não entendi porque tive que pegar as duas malas e despachá-las novamente, se a viagem toda foi comprada da somente da Tam.
Lá no outro lado do aeroporto ficam os balcões das companhias aéreas internacionais, incluindo o da Air Canada. Cheguei no fim da fila, e perguntei com um sotaque bem puxado: -Air Canada? E a jovem respondeu: -Yes. Jurava que ela era canadense e estava voltando. Pois quando puxei conversa com o casal de brasileiros que estavam atrás de mim, ela começou a falar em português com um sotaque estranho. Eu perguntei de qual país ela era e ela disse: Bah! Sou gaúcha! Tá explicado. O casal que estava atrás de mim ia visitar a filha em Québec também, mas o voo deles de Toronto para Québec saia mais cedo.
Após o despacho de bagagens e checkin, a atendente disse que era bom eu já embarcar. Quando eu disse que ainda tinha que entregar a Declaração de Porte de Valores na Receita Federal, ela disse: -Pois eu acho bom o senhor correr. -Mas o voo só sai às 22:30h! E ela disse: -Mas é voo internacional, com raio x, Polícial Federal, etc.
Lá vou eu apressado para resolver isso. Do bureau da Receita Federal, me levaram para uma outra sala e lá eu apresentei a DPV impressa a partir do que foi preechido pelo site https://www4.receita.fazenda.gov.br/dpv-viajante/SelecionarIdioma.do. A atendente pediu para ver os travellers cheques mas não os conferiu. Aliás, ninguém pegou neles ainda. Nem eu. Depois desse correria, cheguei no portão de embarque e ainda faltava muito tempo para o embarque, mas ficaria apertado se fossem menos de que as quatro horas de conexão que tive.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

1, 2, 3 e já!

É hoje!! Às 14:00h sai o meu voo (agora sem acento) para a nova vida. Estou passando aqui rapidamente só para dizer que estou bem de saúde e de cabeça para pular a linha do Equador e, por assim dizer, preparado.
Também para agradecer toda a força, o carinho e a atenção de todos vocês que fazem essa grande família de imigrantes brasileiros que se unem fortemente pela superação do desafio comum.
Valeu galera e prometo relatar o máximo que puder quando estiver lá.