A saga de uma família de retirantes cearenses, comedores de rapadura,
rumo à terra onde a Cana dá.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Agora eu posso ser pobre!
No Brasil, o perfil de classes sociais que usam os meios de transporte é bem mais definido. Pessoas das classes mais baixas não podem comprar um carro e uma parte deles anda a pé ou de bicicleta por não ter como pagar mesmo o custo do ônibus. Por outro lado, quem pertence às classes mais altas não pode usar a bicicleta como meio de transporte do dia a dia por causa dos assaltos. E ao menos em Fortaleza, tem mais dois ingredientes: Trânsito caótico com motoristas mal educados e arrogantes e o calor infernal.
Aqui o uso dos meios de transporte é bem mais difuso (ah como eu queria ter esse vocabulário rico em francês!). Com um salário mínimo de 1600$/mês, carros usados a partir de uns 4000$ e o inverno rigoroso, os carros são mais universais. Mas também, anteontem mesmo eu vim para casa ao lado de um cara com roupas sociais que trabalhava usando o notebook em pleno ônibus. Isso não é raro. Aqui, ônibus não é veículo somente de pobre. Existe inclusive promoções para quem paga estacionamento no trabalho que pode experimentar ir de ônibus de graça por uma semana. Essa é a concorrência deles.
Também se vê muito as pessoas usando não só como diversão, mas como meio de transporte rotineiro bicicleta e mesmo patins.
Feita essa introdução para tentar fazer uma troca de contexto, agora vamos à boa notícia: A Mônica tirou a carteria de motorista daqui. Aêêêê!!! Fiquei muito orgulhoso porque muita gente reprova e ela teve a maior pontuação que eu já tive notícia até hoje. E agora, o carro é dela porque as suas aulas terminam no meio da tarde e fica mais cômodo para pegar as crianças nos dois sentidos, do horário e agora indo de carro.
Agora vamos ao choque cultural. Eu devia estar triste, não? Voltar a andar de ônibus? Eca! Coisa de pobre!! Eu passei um tempo deixando o carro na garagem e indo de ônibus por opção, já que este passa a cada, no máximo 10 minutos, vai de porta a porta e muitas vezes eu ia sentado e lendo. O carro é um treco esquisito. Gastamos energia (embora a gasolina aqui custe somente cerca de 1$ por litro) para fazer com que uma massa de em torno de uma tonelada se mova para transportar apenas algumas dezenas de quilos de carga útil e ainda poluindo. Sem contar com o sedentarismo que ele traz.
Mas eis que surge a possibilidade de eu fazer o que eu queria no Brasil e não podia. Ser chique como os cidadãos de países desenvolvidos e poder ir para o trabalho de... bicicleta! Isso! É saudável, divertido, econômico, ecológico e até seguro! É um meio de transporte inteligente. Com apenas 140$ comprei uma bicicleta com quadro de alumínio, bem leve, com suspensão dianteira e traseira. Muito barato! Moro a apenas 3Km do trabalho, vantagem das cidades menores, tem vias cicláveis, ruas que quase não têm movimento e motoristas que respeitam. O único problema, que vai se resolver com o tempo, é que moramos na cidade alta e trabalho na cidade baixa. O desnível é grande. Para ir é uma maravilha! Metade do caminho é descida e chego nos mesmos 15 minutos de quando ia de carro. O problema é a volta! Haja fôlego! Mas a ideia é essa mesma! Exercício é saúde!
Escolhi esse tema como forma de ilustrar que os contextos dos dois países são muito diferentes e quem vem para cá tem que estar de cabeça e espírito abertos para se adaptar melhor. Vai ter gente que vai entender que para mim foi uma mudança que eu queria desde o começo, outras vão torcer o nariz e outras vão me chamar de mentiroso porque simplesmente não bate com o paradigma brasileiro. C'est la vie!/É a vida!
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