A saga de uma família de retirantes cearenses, comedores de rapadura,
rumo à terra onde a Cana dá.
Fortaleza -> Ceará -> Brasil -> Canadá -> Quebéc -> Québec
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Obtendo o visto estadunidense por aqui
DEIXEM OS CELULARES EM CASA E CONTEM ATÉ 1000! Depois eu explico melhor.
Alguém tinha que ter escrito sobre isso antes de eu bater cabeça na marra. Por causa de um planejamento baseado em achismos, acabamos não podendo ir para o Brasil nessas minhas férias. Daqui para Fortaleza e vice-versa é sempre complicado. O trecho complicado de Fortaleza faz com que a rota mais rápida nos faça perder 12 horas para descer até São Paulo e voltar. Via Air Canada na vinda, gastamos 24 horas de viagem e eu não consegui dormir.
Para as duas semanas que tirei de férias nesse mês, teríamos novamente a rota YQB(Québec) -YYZ(Toronto) -GRU(Guarulhos) -FOR(Adivinhe!). Mas indo pelos Estados Unidos, poderiamos fazer uma conexão em New York ao invés de Toronto e isso reduziria a viagem em 5 horas, além de alguns bons dólares multiplicados por 4 passagens. Então decidimos que era a hora de tirar o visto estadunidense (americano, todos nós que moramos nas Américas também somos!)
Ai vem a primeira má assunção (em minúsculo, é o ato de assumir algo): Temos que minimizar o risco de ter os 560$ do processo (140$ cada) jogados no lixo, já que ouvimos muitas histórias de vistos negados mas no Brasil e no Equador. Para isso, vamos esperar comprar a casa para ter mais vínculos com o Canadá. O furo é que pelo que vi, a impressão é que sendo residente permanente e mostrando uma carta da empresa que comprova o emprego aqui, para eles é suficiente. Um amigo meu disse que o contrato dele era temporário e disseram que bastava ele conseguir uma carta da empresa que dissesse que eles tinham a intenção de renovar o contrato.
A segunda foi em relação a prazos. Aqui no Canadá, cada cidade entre as mais importantes tem seu consulado ou a embaixada (em Ottawa (já perceberam que eu abuso (dos parênteses?))). Os canadenses não precisam de visto para entrar nos Estados Unidos. E além disso, Québec só tem cerca de 512.000 habitantes e a proporção de imigrantes é bem menor que de outras cidades. Eu imaginava que agendar uma entrevista e conseguir o visto seria bem rápido por causa desses fatores. Que nada! Quando eu terminei de preencher os quilométricos e estúpidos formulários DS-160, dei de cara com uma página que dizia que não tinha disponibilidade para entrevistas! Em Montréal e Ottawa também não estava nada tranquilo. Fiquei tentando diariamente até conseguir uma vaga e finalmente só fizemos a danada da entrevista hoje, cerca de dois meses após o começo do processo.
Quando percebemos que não ia dar tempo de tirar o visto, a única e restrita rota da Air Canada estava proibitivamente cara, mas já era! Não cometam os mesmos erros que nós cometemos! Agora vamos ter que esperar o fim do ano ou começo do seguinte para visitar a família e amigos.
Agora falando do processo, essa página dá o endereço das páginas dos consulados de cada cidade (http://www.usembassy.gov/). De página em página, vais acabar encontrando a que interessa. Recomendo ler tudo, mas adianto que vão ter que preencher o formulário DS-160 que é poche en 'stie!!/chato pra @#&%$*!! Nessas horas, é bom saber inglês. Para piorar, tive que preencher quatro vezes, porque apesar de ter um aplicante principal, é um visto para cada membro da família! Preenchia um e dava uma pausa de bons minutos xingando os yankees paranóicos. Esses formulários têm toneladas de perguntas idiotas como: Você é terrorista? Você vem para os EUA praticar atos de terrorismo? Você pretende financiar atividades terroristas aqui? Quem vai responder, SIM!!! ISSO MESMO! Eu quero explodir essa bodega? Você pretende se envolver com negócios de prostituição nos EUA? SIM! Adivinhe a mãe de quem eu vou contratar?!?!?!
1, 2, 3, 4,... 1000! Desculpem, caros leitores! Passou! O site avisa que não podemos entrar "nas seções do consulado" com eletrônicos, incluindo controle remoto do alarme do carro, dentre outras coisas. O senso comum é que o guarda guarda (não foi proposital, mas vou deixar assim mesmo) esses objetos na entrada, né? Né...ca! Da rua mesmo o rotundo guarda já avisa que não pode entrar com eles. E aí? Ele diz: Não sei! Se não puder deixar em casa ou no carro, talvez possa deixar em algum hotel ou restaurante, mas aí é com você! O cara do hotel quase vizinho fez esse favor. Não foi antipático nem grosseiro, mas também não foi gentil como costumeiramente são e nem sorriu. Acho que não fui o primeiro a pedir esse favor.
Entrando no cofre forte do Tio Patinhas, temos que tirar tudo que é metálico para passar nos raios Z (mais modernos que os X), inclusive os cintos! Eu já estava tirando a obturação do dente mas ele disse que não precisava. Dentro da caverna do Batman tem quatro guichês blindados. Dois estavam sendo usados por funcionárias québécoises para receber os documentos e fazer as perguntas básicas. Se for o caso padrão, vai ser só entregar os passaportes, cartões de residente permanente, a carta da empresa comprovando o emprego, de preferência com salário, data de contratação, cargo, etc., folhas de salários (rolerite) e, claro, as folhas de confirmação do....DS-160 impressas com foto e código de barras. A Mônica disse que era estudante e ela pediu algo para confirmar. O cartão da Laval foi suficiente. As perguntas são do tipo: Qual seu status aqui? Quando chegaram? O que fazem aqui (trabalho, estudo, etc.)? O que pretendem fazer nos EUA? (como respondi no maldito formulário, papocar a bodega e contratar a tua mãe!) Turismo! Qual cidade? (Bagdad!) Portland e New York. Tome um chazinho de cadeira enquanto o consul te chama no outro guichê, por favor!
O consul até que limpou um pouco a imagem. Foi simpático, brincou com o Davi e nem fez muitas perguntas. Basicamente, confirmou o que já sabia sem pegadinhas. Como todo bom presidiário, tivemos as nossas digitais digitalizadas (também não foi proposital!) e ele nos deu um papelzinho dizendo que os vistos foram aceitos e que vamos receber os passaportes de volta em torno de uma semana. No site diz que, em geral, são 3 dias úteis. Somando com os inúteis, dá mais ou menos na mesma.
Tenho ouvido muito falarem que mesmo pedindo somente o B2 de turismo, eles dão o B1 de negócios e B2, com validade de dez anos. Tive notícia de até um bebê ganhou o B1/B2 e assim, está apto a fazer negócios no Zestado Zunido. Só pretendemos usá-los por dois anos até termos os passaportes canadenses, mas melhor sobrar que faltar. Por falar nisso, a validade do passaporte brasileiro tem que ter ao menos 6 meses a contar da previsão de visita para que não expire lá, visto que é o prazo máximo de permanencia. E também em cada entrada no país, o oficial de fronteira vai avaliar o caso particular e mesmo com o visto, a entrada pode ser negada.
Agora vamos aproveitar esses suados vistos e pretendemos viajar até Portland, a maior cidade do estado de Maine, que fica vizinho ao Québec e fica no litoral. Como de carro, fica a umas cinco horas e meia daqui, podemos usar até um final de semana sem ser nas férias para conhecer. Depois, mas ainda sem previsão, pretendemos conhecer a Big Apple! Não é uma loja grande da Apple! É Niu Iórque, maxo matuto!
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