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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Canada Day


Aqui em Québec, a cidade estava cheia de bandeiras e o povo passou o dia nas ruas por causa do Canada Day.
Agora vamos colocar os pingos nos Is, já que pela revisão ortográfica, não existe mais tremas nos Us. As bandeiras são as da fête nationale/festa nacional do Québec, que ainda estão lá desde o dia 24 de junho, inclusive no nosso balcon/varanda. Bandeiras do Canadá, salvo onde teve uma tímida celebração oficial, só as que já existiam mesmo.
Quanto ao povo nas ruas, na verdade não estavam comemorando o Canada Day que, propositalmente escrevi somente em inglês. Aqui no Québec, o Canada Day é mais o dia de se mudar. Este artigo da Wikipedia o chama de Fête du déménagement/Festa da mudança.
Vamos começar do começo para explicar o fenômeno. O Canadá é um país com duas nações, fato este que foi oficializado há poucos anos. É bem fácil nomear a nação québécoise, descendente de franceses. Porém, é difícil de denominar o resto. Canadá menos Québec? Aí vocês dizem: anglófonos! E o lado anglófono de Montréal? Um pouco por isso, outra parte por questões separatistas mesmo, Canadá (que estou escrevendo cada vez mais esquecendo o acento. Se não fosse a revisão!) também significa a outra nação que habita o pais junto da nação québécoise.
Ponto número dois: Os franceses colonizaram primeiro a América não-hispanica e depois foram subjulgados pelos ingleses. Somado a isso, até décadas atrás, existia uma opressão destes e os québécois mais velhos que viveram estes tempos ainda remoem este rancor.
Conclusão: Que sentido faz comemorar o dia da rainha da Inglaterra? Melhor batizá-lo de dia dos patriotas. Por falar nela, a Elisabeth II está visitando algumas provincias do Canadá como já o fez outras vezes, mas não pisa no Québec, claro! A popularidade dela aqui não é das mais altas.
Pois bem, a concetração de contratos começando justamente nesse dia é uma conveniência de uma data chave, por ser dia primeiro, com o fato de ser no verão, ou seja, férias. Mas, também é uma forma de protesto, manifestado através da indiferença, por ter bem mais significado para a outra nação. Inclusive, vossa majestade, que curiosamente ainda é rainha do Canadá também (quack!!! Também da Austrália, Nova Zelandia, Jamaica e uma pancada de outros países) estava lá na festa em Ottawa. Lá sim, teve festa como a fête nationale/festa nacional daqui. Viu? Fica bem mais como cara de uma festa para cada nação que a festa do país todo.
Voltando ao que aconteceu. Teve um desfile militar e uns brinquedos infláveis no parque, mas até a chuva apareceu para minimizar o evento. Sim! São Pedro também é souveranist/separatista. Vive la pluie libre! (nota do tradutor: Esse chato faz a brincadeira e eu que me arrebento para explicar em poucas palavras. "Viva o Québec livre" é o slogan dos separatistas por causa da frase dita em 1967 por Charles de Gaulle, que era o presidente da França). Vale ressaltar que, apesar de às vezes parecer, eu não sou separatista!
Por outro lado, o começo da ave. Bevédère tinha congestionamento de caminhonetes, reboques e furgões. Uma loucura o dia todo! Eu também fui participar de uma mudança, mas foi leve porque os nossos amigos já pegaram um apartamento com a parte pesada toda resolvida. É! Pegar no pesado! Aqui, cerca de 70% das mudanças são feitas pelas proprias pessoas, sem contratar empresas. Apenas alugam os veículos, quando não conseguem emprestado. Faz parte da filosofia do faça você mesmo. Estou devendo falar sobre esse assunto.
Por isso, se quiserem saber como foi o Canada Day, infelizmente terão que procurar o blog de alguém que more no "Canadá", porque aqui o que se via mesmo era a fête du déménagement e muita gente pegando no pesado!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Vitória do Québec!! Campeão da copa do mundo de 2010!!!

Essa agora foi braba, né? Nem o Canadá tem seleção de futebol para jogar na copa, quanto mais a província do Québec. Apesar da associação digna de um baseado de maconha mofada, existe sim uma ligação forte entre os dois assuntos que se chama patriotismo.
Do lado de baixo da linha do Equador, o brasileiro faz a sua festa e se veste de verde e amarelo por causa da copa do mundo. Os brasileiros daqui também seguem a mesma tradição, salvo algumas exceções nas quais eu me incluo. Levei até um puxão de orelhas da minha mãe por isso. Não me levem a mal. Nada contra!
Já do lado de cima da linha do Equador, a folia lá fora está literalmente do barulho em plena meia noite. O camera foi até a esquina só para levar até vocês a dimensão da comemoração digna de final de copa do mundo.





Fora a multidão barulhenta caminhando na Grande Allée em direção ao Plaines d'Abraham, os carros buzinando e o helicóptero, a festa lá está bonne en maudit/boa pra caramba! Infelizmente, não vão ter cobertura no local por causa das restrições familiares. Estou acompanhando pela televisão e a festa vai até o dia nascer. Tem uma maré azul feita de bandeiras do Québec e muitos vestem a bandeira como capa amarrada no pescoço. Tem gente com rosto pintado, carros enfeitados, etc. Realmente lembra muito final de copa, inclusive com as barulhentas vuvuzelas.
Agora vamos ao âmago da questão. E depois que se passa a copa do mundo? Quando é que o brasileiro veste a bandeira verde e amarela e diz com orgunho para todo mundo ouvir: eu sou brasileiro! Ainda tinha as vitórias do Airton Senna e do Guga, mas nem isso mais. Só é legal ser brasileiro quando o esporte vai bem? Eu sempre tive o espírito patriota, talvez adquirido da educação da escola onde cantávamos o hino e hastiávamos a bandeira, porém nunca fui muito chegado ao futebol. Isso era paradoxal para mim durante as copas e ainda acho incômodo que as bandeiras brasileiras sempre sumam depois das copas.
 Além das várias bandeiras vermelho e branco do Canadá, tem muito mais bandeiras do Québec por aqui. Tem uma praça aqui que tem 10 mastros com a bandeira azul e branca. Mas não estou falando apenas de bandeiras. Essa folia toda festeja o orgulho de ser Québécois, mesmo sem ter nenhuma vitória de esporte a ser comemorada. E esse orgulho ganha um significado ainda mais forte se levarmos em conta toda a história de opressão dos franceses que acabaram sendo subjulgados pelos ingleses e a ainda presente opressão cultural e linguística da nossa ilha em um mar anglófono do resto do Canadá e dos EUA.
Por isso, no dia 24 de junho, dia de Saint Jean, comemora-se a festa da nação Québécoise que cohabita o pais junto da nação de decendentes de ingleses. É por essa razão que se chama fête nationale/festa nacional e capitale nationale/capital nacional em contraste ao Canada day/dia do Canadá (1 de julho) e à capital federal que é Ottawa.
Por isso digo que estão (ou estamos) comemorando a vitória do Québec hoje, que não cai no esquecimento e o próximo ano sempre reserva outra vitória.