Mostrando postagens com marcador gafes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gafes. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cada vez menos mancadas


Para a infelicidade de vocês, mas felicidade minha, eu estou ficando mais safo e dando menos mancadas. Uma boa parte se deve a uma das primeiras mancadas que eu esqueci de contar. Achei um prato pronto indiano bonito e preparei-o no micro-amigo. Quando botei a comida na boca, cospi fogo igual a dragão. Eu sabia que a comida baiana e a mexicana eram apimentadas, mas não sabia que a indiana era também. Aí me disseram que na caixa, com certeza tinha um aviso. Realmente não li porque sei como é pimenta e apimentado nos dois idiomas (inglês e francês) que tem em todas as embalagens.
Daí eu aprendi: Leia, seu tapado! Isso evitou a mancada do dockside que peguei morto de animado porque era muito barato, mas eram pantufas (vide foto), dentre outras mais que evitei. Mas também causou outra. Ontem eu estava comprando algumas coisas tarde da noite no supermercado, estava com medo dele fechar e eu ter que jantar só maçãs. quando cheguei no primeiro caixa, tinha um aviso de que estava fechado. Quando cheguei no outro, a atendente se virou para mim e apontou para um aviso. Comecei a ler o aviso, que não era pequeno. E as duas começaram a rir. Lá vai eu tentar entender o que estava se passando. Então ela me disse que não estava ainda falando comigo. Estava apontando para algo longe conversando com a amiga e por coincidência, foi na hora que eu cheguei e a mão parou justamente no aviso. Aí também teve o azar, né?
Os sentidos são muito importantes aqui. Saí da imobiliária e peguei o ônibus para o trabalho. As janelas estavam brancas de neve e não dava para ver quase nada. Então, fiquei absorto em minhas divagações efêmeras (válvula de escape de quem passa o dia falando só o arroz com feijão em outros idiomas). Derrepente, eis que eu leio: Université Laval. 'stie!!! (palavrão daqui) Eu estou no outro lado da cidade! Quando dobrei a avenida procurando a imobiliária, vi pela numeração que ficava do outro lado dela, mas não atualizei meu cérebro na saída.
E começo a criar hábitos daqui naturalmente. Por exemplo, o de bater as botas (no sentido próprio) para derrubar a neve antes de entrar em algum lugar. Como tinha muita neve, antes de entrar no shopping, plantei um baita chutão na coluna de concreto. POU!!! A danada da coluna era revestida de madeira oca, na cor da outra que era de concreto de verdade, e fez um barulhão. Entrei com cara de curioso querendo saber também quem foi o idiota que fez esse barulhão, porque tinha algumas pessoas do lado de dentro da porta.
Tem mancadas que puxam outras. Fui avisado e vi alguém cair na brincadeira tradicional logo no primeiro dia de trabalho. Se esquecermos o computador destravado, alguém manda email para todo mundo prometendo uma caixa de donuts. Pois bem, na semana passada, baixei a guarda e esqueci. Quando cheguei, todo mundo sorrindo para mim e comentando entre si, e eu nem sonhava. Quando vi o email, caiu a ficha.
No outro dia, para respeitar a tradição, lá estava eu com uma caixa com 12 donuts de massa beeeem macia e gostosa, feito com o primor das matérias primas, e uma cobertura do delicioso sucre du sirop d`erable/açucar do xarope de bordo (árvore muito comum aqui cuja folha aparece na bandeira do Canadá). Hummm...!!! É muito gostoso (como muitas comidas daqui) e comprei todos desse sabor. Só que, para quem mora aqui, é tão novidade quanto rapadura no Ceará. Quando abriram a caixa, reclamação geral! Poxa! Você comprou todas de erable! É, mas mesmo assim comeram tudo e nem pude trazer alguma para casa.
Enfim, a rapadura é doce mais não é mole não.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Minhas mancadas diárias


Cheguei para o gaúcho que trabalha na empresa e disse:
- A rata do dia de ontem foi...
- A o que?
- A rata do dia.
- Rata? Como assim?
-Desculpe. Rata é isso que acabou de acontecer. Uma mancada, só que no dialeto cearense.
E quase todo dia faço algumas. Eis uns exemplos.
- Cara, tem horas que tenho de falar algo específico com o pessoal da empresa e é uma dificuldade com o meu nível de francês.
- Ué! fala em inglês.
- Mas não estou falando da nossa equipe de desenvolvimento que é bilingue.
- Alexei, todos os funcionários dessa empresa falam inglês também. É requisito de contratação.
E a funcionária do HSBC me chamando se monsieur Agüiar (o som do u separado do i, como Agu-iar)? E eu nem aí, assinando meus 230 travellers cheques. Depois da segunda tentativa em vão, ela veio para a minha frente e só então percebi que era o meu sobrenome pronunciado por um francófono. Além do mais, nunca me chamaram pelo sobrenome.
Outra vez, estava vestindo o gorro e as luvas entre as portas interna e
externa do supermercado quando uma senhora veio guardar o carrinho de compras justamente onde eu estava. Pedi desculpas e fui para o outro lado. Eis que a porta interna não era de correr como a externa. Ela abriu na minha direção e estava ao lado de uma pilha de caixas. Fiquei segurando-a com o pé e ficamos brigando que quem empurra mais. Agora pronto! Vou ficar preso aqui! Depois de uns bons segundos, ela desistiu e fechou.
Quando vi o rio São Lourenço com as placas de gelo, fiquei tão embasbacado que nem percebi que o gelo perto da grade fazia uma pequena rampa um pouco inclinada. Quando pisei, o pé escorregou uns 20 centímetros em direção do outro e perdi o equilíbrio. Fiquei sambando no gelo com os dois pés até estabilizar. A galera que estava perto ficou rindo. E eu também, já que ainda não foi dessa vez que inaugurei minha pouca almofada glútea no chão daqui!
E tem pessoas que falam um francês mais enrolado de forma que não entendo, mas dizem que é só usar o contexto. Pois bem, estava sentado sozinho em uma das 6 cadeiras da mesa quando uma senhora apontou para uma delas e disse algo que não entendi nem mesmo uma só palavra. Bom, pensei que ela estivesse perguntando se poderia se sentar. Respondi que sim, mas para o meu espanto, ela se virou e continuou procurando cadeiras. Então percebi que ela deve ter perguntado se a cadeira estava reservada. Não funciona sempre. Já tinha acabado de jantar mesmo, me levantei e disse a ela que estava livre.
Na Zellers, uma loja de departamentos daqui, perguntei ao caixa se poderia tentar pagar com o cartão de débito temporário do HSBC, já que seria a primeira vez. Ele disse que sim e registrou a venda. Eu mostrei o cartão a ele e ele disse novamente:
- Sim, você pode.
E eu fiquei olhando para ele, esperando ele pegar o cartão, e ele parado estava, parado ficou. Depois de alguns segundos constrangedores, percebi que algo estava errado. Foi quando ele disse: Pode usar a maquininha!
Eu é que tenho que passar o cartão, confirmar o valor e escolher a opção CHQ de cheque que até hoje faço sem saber o porque, mas funciona!
No vestiário da empresa quando ia embora, a bota estava esquisita no meu pé. Até que percebi que naquele mar de botas, aquela não era a minha. Ainda bem que o dono não estava lá.
Da mesma forma, a chave não estava abrindo a porta porque estava no apartamento errado. Acho que só não chamaram a polícia porque não devia ter ninguém lá naquele momento.
Pior mesmo foi a de uma brasileira que disse para o chefe que iria "fouquer" no trabalho. Ele respeitosamente disse que não era aquilo que ela queria falar. Essa eu não cairia porque já havia suspeitado da pegadinha. Não existe cognato para o verbo focar em francês. Ao invés desse significado, eles entendem como sendo um anglicismo de to fuck, afrancesado como se fosse "fuckar" em português. Então, para o chefe, ela havia dito: "Eu quero f... no trabalho". Ainda bem que o chefe não entendeu como uma cantada.
O importante é não se grilar, pedir desculpas, rir da situação e se preparar para as próximas que com certeza virão.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Gafes de idiomas ainda no Brasil


Nem saímos do Brasil e já estamos colecionando gafes de idiomas.
A de hoje foi assim. Estávamos na casa de um amigo nosso que morou na França. Ele me apresentou uma senhora francesa e tirei algumas dúvidas com ela. Quando fui me despedir, ele me perguntou se a conversa tinha sido boa. E eu disse: -Sim ! Ela me deu muitos bizus !! Não sei se bizu é regionalismo, mas aqui significa dica. Um senhor que estava ouvindo começou a rir. E o meu amigo, percebendo o motivo, riu também. Eu, que não tinha entendido nada, fiz cara de curioso. O senhor disse: - É que disseste que ela te deu muitos bizus ! Tlim ! A ficha caiu. Bizou (que se pronuncia bizu) em francês é beijo ! Tchan !!
A outra foi no curso de francês, quando a Mônica ao invés de falar avec em francês, falou com em português mesmo. O professor disse: - Não fale isso lá no Canadá de maneira nenhuma ou vais passar uma grande vergonha. Con em francês é o órgão genital feminino !!!
E até hoje meus amigos do trabalho tiram onda comigo porque mesmo sabendo que manutenção em inglês é maintenance, escrevi em inglês tabajaresco como manutention.
Gente, errá é umanu ! Faz parte do aprendizado. O melhor a fazer é pedir desculpas caso seja ofensivo, explicar caso alguém ainda não tenham notado que estamos aprendendo, e rir junto para não ficarmos envergonhados, porque para praticar, temos que ser "sem vergonha".