A saga de uma família de retirantes cearenses, comedores de rapadura, rumo à terra onde a Cana dá.
Fortaleza -> Ceará -> Brasil -> Canadá -> Quebéc -> Québec
La Ronde é um parque de diversões que fica em uma ilhota vizinha à de Montréal, onde ficam também o Parc Jean-Drapeau e a Biosphère. O parque é bem grande e tem diversão para todas as idades...ou quase todas. É um programa para passar boas horas ou até mesmo o dia todo, principalmente se quiserem conhecer as atrações mais concorridas e exercitar a democracia nas longas filas. Como era o dia que prometia ser o último de temperatura quente antes do outono tomar ares de inverno, a fila começou mesmo antes de chegarmos na ponte Jacques-Cartier, que passa pela ilhota.
Mas descontando esse inconveniente, fui em uma montanha russa super radical chamada Vampire. Como podem ver nessa página, as cadeiras ficam suspensas por cima e em baixo é aberto. Ele faz uns mergulhos em loop que são de tirar o fôlego. Nos primeiros, eu via o monotrilho e dizia para mim mesmo: estás de brincadeira, né? Ele não vai fazer isso, vai? Recomendo ir ao banheiro antes e de preferência, de barriga vazia!
Tem um trem que dá uma volta grande no parque todo em trilhos altos. Graças a ele, pude filmar muito do parque e colocar nesse vídeo. Por falar em vídeo, a primeira parte dele foi gravada em um passeio de barco. Este foi feito especialmente para poder navegar na parte rasa do rio Saint-Laurent. O passeio nos dá uma visão privilegiada dessa parte de Montréal e a guia conta um pouco da sua história, falando em francês e repetindo em inglês, claro!
Esses foram dois programas que nossos amigos Tarcizo e Priscila nos levaram e que gostamos muito. Inclusive, compramos o passe do La Ronde que dava direito ao final do outono do ano passado e a primavera-verão-outono desse ano. Valeu Tarcizo e Priscila!
Fiquem ao som da québécoise Marie-Mai, com a participação da banda Simple Plan para dar o tom bilíngue da metrópole multicultural.
Finalmente tive a oportunidade de chegar nas postagens de turismo em Montréal que estavam pendentes na fila há muito tempo. Um passeio que recomendo é o Biodôme e a Tour de Montréal.
O Biodôme é uma espécie de zoológico com ambientes que reproduzem alguns habitats naturais das Américas. O da floresta tropical e úmida, por exemplo, é quente e tem uns jatos que pulverizam água para simular o ambiente real. O mais legal é que temos contado direto com o ambiente, inclusive com as aves que ficam soltas.
Um habitat que acho particularmente super interessante é o subantártico por causa dos pinguins. Tem neve artificial e as paredes são de vidro, que nos permite ver os pinguins nadando por baixo da água também. O Davi ria muito porque eles interagiam com ele através do vidro.
Vizinho ao Biôdome, temos a Tour de Montréal, que é a mais alta torre inclinada do mundo com seus 145 metros a 45° de inclinação. Tem um elevador panorâmico para subir e a vista de lá é maravilhosa. Podemos ver muito de Montréal do alto, inclusive o estádio que foi usado nas olimpíadas de 1976, cujo teto é suspenso pela torra. Vale ressaltar que foram as olimpíadas de verão porque nesse lado do globo, as olimpíadas de inverno também são populares. Não deixem de dar uma olhada no andar que fica acima do de visualização panorâmica, que tem umas fotos da cidade em 3D.
De fato, Montréal tem atrações turísticas que não temos em Québec, mas nada que 260Km e 3 horas de viagem nos impeça de conhecer.
Essa é velha, todo mundo já sabe. Então nem vale a pena contar. Bye! Fui!
Opa! Você não soube? O Wilian Bonner e a Fátima Bernardes não te contaram no Jornal Nacional? Ahh!! Come on!/Franchement!/fala sério! A copa está tomando todo o espaço.
Um terremoto de 5...eu disse 5 graus na escala Hisch...Hisht...como é mesmo? Perainda que eu vou pescar na Internet. Xiii!!! Seria Richter, mas a escala dele está obsoleta. Pois bem, foi de magnitude 5, quase o mesmo que devastou o Haiti, que foi de magnitude 7! Um terror! O epicentro foi a 50Km de Ottawa. As cenas que passaram no noticiário são chocantes! Um aquário que chegou a derramar um pouco de água, um supermercado que ficou com uns sacos de batatas fritas no chão, e no parlamento, um político teve que interromper o discurso para evacuarem...(não se precipitem! Esperem o final da frase) ...o prédio.
É, eu não sei fazer sensacionalismo. O fato é que foi o mais forte em 20 anos, mas não foi tão sério assim. Magnitude 5 só consegue rachar construções bem velhas, que só mostraram um caso, e dá uma balançada. Em Montréal, que fica mais perto de Ottawa, muita gente nem percebeu e outros acharam que havia sido um caminhão que passara (eu já disse que eu adoro o pretérito mais que perfeito, não?). Aqui em Québec, que fica bem mais longe, só era suficiente para derrubar uma caneta equilibrada em pé.
Aí vai um link de uma das matérias no Canoe.
E esses são alguns vídeos de Ottawa.
Mas, para agregar algum valor aos futuros québécois, já que existem postagens bem mais interessantes sobre esse earthquake/tremblement de terre/tremor de terra como o do Carlos Last que mora em Ottawa, achei essa também esse vídeo. Não é lá muito papo cabeça, mas achei um bom exemplo de sotaque de francês québécois. É mais ou menos isso aí que vocês vão ter que decodificar nas ruas quando forem pedir informações, podendo ser um tanto melhor, mas também podendo ser pior. Perceba que ela usa palavras do inglês como shaky/oscilante e cool/legal. Isso é mais forte em Montréal, mas tem aqui também em Québec.
Aproveitamos o feriado do dia da rainha para o lado anglófono e dia dos patriotas para o Québec (descendentes de franceses não teriam muito o que comemorar no dia da raínha da Inglaterra após serem dominados por eles) e fomos finalmente conhecer uma cidade de interior: Montréal. Sempre faço essa piada sem graça porque acho muito curioso a segunda maior cidade do Canadá não ser a capital da província e sim uma cidade de apenas 500.000 habitantes.
Primeiro quero deixar registrada aqui a minha matutice em relação a qualidade da estrada entre Québec e Montréal. Primeiro de tudo, são duas, mas fomos e voltamos pela autoroute 40 porque passa por Trois-Rivières. Duas pistas de cada sentido com acostamento e 50 a 100 metros de distancia entre eles, com uma sinalização excelente e com uma pavimentação perfeita. Se vocês já estão acostumados com isso, tudo bem, mas eu tenho um coringa na manga: Tem um sonorizador na lateral das pistas para acordar os dorminhocos em toda a extensão da estrada. Isso pode salvar vidas e acho que não tem no Brasil. Vejam a foto a seguir. Se onde você mora/morava também tem isso, então é porque eu sou matuto mesmo!
Depois de 3 horas e 260 kilometros de viagem, fomos muito bem recebidos e hospedados na casa dos ex-conterraneos Lino e Cecília (http://www.leparcours.net), que moram perto dos também cearenses Márcio e Tuana (http://indoemboahora.wordpress.com) e da também cearense que conhecemos lá, Manuela (ou Carol, se preferirem!). Uma coisa que me chamou logo a atenção foi o fato de eu ouvir muito mais inglês que francês nas ruas, supermercado, e em outros lugares que nem são turísticos. Depois descobri que, ao contrário do que todos pensávamos, essa região é mesmo mais anglófona.
Outra coisa curiosa é o serviço de aluguel de bicicletas Bixi. Por 78$/ano, os usuários podem pegar uma bicicleta em um dos inúmeros estacionamentos e devolvê-la no mesmo ou em outro. E vi muita gente usando essas bixicletas (Nota do tradutor: É bicicleta no idioma da Xuxa) por lá.
Estava fazendo um calor fiu duma égua/horrível. Usei uma expressão cearense porque me senti de volta à terrinha quente. 33 graus e um sol de deixar marcas de brozeado, embora não seja como o de lá. Por isso fomos à Place des Arts para que as crianças se divertissem nas fontes e ao mesmo tempo se refrescassem.
No dia seguinte, visitamos a basílica de Notre-Dame e fomos conhecer o Mont-Royal, que deu o nome à cidade. O parque é grande e bonito. Tinha muita gente praticando esportes, fazendo piquenique e aproveitando o "solzinho". Do topo do monte, a vista da cidade é muito bonita.
Tem uma construção que serve de apoio com máquinas de bebidas e lanches e dois microondas. Descendo, para o lado do lago, tem também um restaurante/lanchonete para almoço e gente nos matando com o cheiro de churrasco!
Um recurso útil para os deslocamentos na cidade é o celular com acesso à Internet. O Lino e a Cecília fazem a programação da rota pelo Google Maps para saber qual ônibus e metro pegar, e a que hora. Aqui em Québec, a companhia de transportes não repassa os dados para a Google, mas ela tem a sua própria ferramenta que é o Trajecto. Depois de instalar outro browser no meu Nokia, o Skyfire, agora posso fazer isso também (invejoso!!!). Já conhecia o metro de São Paulo, então não fui matuto nesse quesito. Mas não esperava ver o metro com pneus de borracha como os de um carro. Eu esperava pneus como os de trens. Para o meu espanto, não vendiam bilhetes de uso livre por um dia na estação onde estávamos, somente com o cartão, que custava 2,50$. O legal da estória é que é o mesmo cartão Opus que usamos aqui em Québec, mesmo sendo outra empresa de transportes. Carregamos os nossos dois, o Davi não paga e o cara disse que a Lara não precisava pagar também, mesmo o informativo dizendo que paga um valor menor entre 6 e 11 anos. Bom, deixa prá lá.
Infelizmente, as crianças se cansam mais cedo que os adultos e isso limitou os nossos passeios. E olhe que andei muito e subi ladeiras e o monte carregando os 15 quilinhos do Davi! Andar kilometros todo dia na neve me deu marra para isso.
Sem dúvida, a solução para a acomodação das visitas é o sofá-cama de casal e os colchões infláveis. Os que compramos não deixam nada a dever a colchões normais e são super práticos e portáteis. Agora temos lugar para nós quatro, com mais quatro visitas aqui em casa (que na verdade é um apartamento). Só falta o pessoal do Brasil guardar dinheiro e criar coragem para nos visitar. E para quem tem medo do frio, basta virem no verão que vão ver um Canadá quente de derreter o juizo como o nordeste brasileiro.