A saga de uma família de retirantes cearenses, comedores de rapadura,
rumo à terra onde a Cana dá.
Fortaleza -> Ceará -> Brasil -> Canadá -> Quebéc -> Québec
Mostrando postagens com marcador choque cultural. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador choque cultural. Mostrar todas as postagens
sábado, 1 de setembro de 2012
Visitando o Brasil-Choque cultural reverso
-O sistema está fora do ar.
-Como assim?
-O sistema não está funcionando!
-Hum... E qual é a previsão de retorno?
-Não temos previsão!
-Por que não? Bom, deixe para lá. Então podemos continuar em qual outro posto do Detran?
-Se você for a outro posto, vai ter que fazer outra vistoria do carro.
-Mas eu já tenho esse documento aqui que atesta que o carro foi vistoriado. Ele está datado, carimbado e assinado, emitido pelo próprio Detran e para o próprio Detran!!! É outro posto mas do mesmo órgão!
-Mas a regra é que a vistoria só vale para os posto onde a ela foi feita.
-Mas...mas....como é que...por que? Eu não acredito! Não faz sentido nenhum! Eu vou passar o dia e a noite só para pegar uma segunda via de um documento de transferência!!! Tabernak!
Esse foi um dos vários absurdos que me surpreenderam durante as duas semanas que passamos de férias em Fortaleza, após dois anos e meio morando aqui no Canadá. Uma parte foi apenas relembrar que essas loucuras existem, mas outras foram novidade mesmo que extrapolaram o meu conhecimento.
Eu não sou de ficar detonando sistematicamente o Brasil, até porque sei que tem gente que se sente ofendido com isso e outros que veem como esnobismo. Mas como uma das finalidades de um blog de imigração é relatar as experiências que passamos, e o retorno ao país de origem é uma delas que é importante de ser descrita, sou obrigado a contar como me senti. Se você não gosta de críticas ao Brasil, recomendo parar por aqui
Começou logo no aeroporto, quando ao invés de recebermos bilhetes de voo em papel mais grosso e de tamanho padronizado como em todo o resto do mundo, recebemos somente uns papeizinhos parecidos com cupons fiscais que se amassam e rasgam muito facilmente. Economia de palito de fósforo considerando-se quanto pagamos pelas passagens.
Eu sempre pensei que um estrangeiro chegando aqui se esbaldaria por causa da moeda forte, achando tudo muito barato. De fato, tem coisas que custam menos mesmo, principalmente as que dependem de mão de obra. Mas mesmo vindo com a taxa de um dólar para dois reais, achei algumas coisas proibitivamente caras. Com pouco menos de 120$ para dois adultos e duas crianças, nos divertimos muito no parque aquático Village Vacances Valcartier aqui pertinho. Já no Beach Park de Fortaleza, nos custaria a bagatela de 270$, que é mais que o dobro. Vetado instantaneamente!
O trânsito é um capítulo à parte que vou tentar resumir para não ser ainda mais chato. Quando imigramos, já tinha muito congestionamento e a educação dos motoristas era digna de um homem das cavernas. Em apenas dois anos e meio, percebemos nitidamente que a quantidade de carros aumentou expressivamente e não houve quase nenhuma mudança na malha viária, a não ser muitas ruas fechadas por obras. Segundo esse artigo, a frota de Fortaleza duplicou de 2002 a 2012 e só no mês de julho, teve um incremento de 6.554 veículos. Planejamento, zero! Ação, zero! E vem aí a copa do mundo de 2014!!!
Tem partes da cidade onde não existe mais o conceito de horário de pico, porque cedinho da manhã já estão congestionadas e permanecem assim até por volta das 21h00. Quando paramos nos engarrafamentos, passa um enxame de motos por todos os espaços possíveis e impossíveis. Uma rua de duas faixas em Fortaleza tem na verdade, 5 vias. O padrão é calçada, moto, carro, moto, carro, moto, calçada, lembrando que também tem motos que andam sobre a calçada. Eu prestava muita atenção porque não raramente, tem delas que cruza a frente do carro abruptamente para dobrar em uma rua de forma que se não freiarmos, passamos por cima. Vi até um louco que pegou a contra-mão em uma avenida movimentada! Mas como pedestre, estava pensando como aqui onde nunca uma moto passa entre carros e por muito pouco, uma que vinha até rápido por entre os carros parados quase me atropelou. Via batida de carros quase todo dia e perto de voltarmos, bateram no carro do meu pai. Não poderia ser diferente! Não cabe tanto carro! Por causa dos muros, os carros não têm boa visão e avançam um pouco nos cruzamentos, o que me dava muitos sustos. É como os revestimentos fumé mais escuros dos carros: mais segurança contra roubos e menos segurança no trânsito.
Prometo que é o último grunido rabugento que faço sobre o trânsito. Estava em uma avenida cujo trânsito estava alternando entre parado e se arrastando como lesma com câimbra. Em uma rua perpendicular, podiamos ver uma fila longa de carros aguardando a oportunidade rara para conseguir entrar na avenida. Quando o motorista de trás percebeu que eu estava começando a deixar espaço do carro da frente para dar a vez a um dos carros da rua perpendicular, começou a buzinar e piscar os faróis repetida e insistentemente. Câlice!!! Não se pode nem dar a vez a um carro que vem um idiota encher o saco! Em Fortaleza é típico alguém buzinar assim que o sinal fica verde, não deixando tempo nem da luz viajar do semáforo aos nossos olhos. Pior que é só para perturbar mesmo, porque normalmente essas pessoa saem mais lentamente que o carro da frente.
Já que é para detonar mesmo, agora vou comprar inimigos no atacado. A Rede Globo continua sendo a fonte oficial de """""cultura""""" brasileira, fornecendo nas novelas as Carminhas, Ninas, empreguetes, "Oi oi oi...", "Eu quero tchu...", etc. Como o futebol, a novela ainda é uma mania nacional. Vale a pena ler um pouquinho sobre Chomsky para entender o porquê da minha crítica. Ele explica como as massas são manipuladas pela mídia através desse tipo de recurso, dentre outros que vemos serem empregados de forma muito competente no Brasil.
Não estou dizendo que não existe cultura no Brasil. Pelo contrário. Por exemplo, foi bom rever os talentosos os músicos de bar com suas versões violão e voz, ao invés de ouvir o Michel Teló até quando estive na Polônia. Acreditem: um colega polonês cantou a letra toda do "Ai se eu te pego" em português bem explicado! "Ahh! Você é brasileiro? Então deve gostar dessa música...". Não! Eu detesto! Vá conhecer Bossa Nova, MPB, etc.
Bom, chega de estresse! Já passou mesmo! O importante é que é sempre bom rever a família e amigos depois de tanto tempo. Também foi bem forte a validação da nossa decisão de imigrar e que fizemos uma boa escolha. Não tenho nenhuma dúvida e não me arrependo nem um segundo. A Mônica e as crianças também pensam assim e de retorno, nos sentimos muito bem voltando não somente para o nosso lar, como também para a nossa cidade. Sim! Foram só dois anos e meio mas apesar do idioma, nos sentimos a vontade como nosso lar aqui e Fortaleza agora passou a ser uma cidade de turismo.
Marcadores:
Brasil,
brasileiros,
choque cultural,
Fortaleza,
transito,
viagem
terça-feira, 24 de julho de 2012
Os 12 mandamentos do turista/imigrante brasileiro no Canadá
Os doze mandamentos do turista (ou imigrante) brasileiro no Canadá:
1. Seja pontual
Não é mito: No Canadá as pessoas são pontuais e esperam que você
também seja. Pequenos atrasos são toleráveis, mas lembre-se de sempre
avisar com antecedência. Os horários encontrados nos pontos de ônibus
sao realmente cumpridos
2. Usarás “excuse me”, “sorry”, “please” e “thank you” à exaustão
E
ouvirás bastante também. Os Canadenses podem não ser o povo mais
caloroso do mundo, mas são extremamente educados e prestativos. Não
custa nada retribuir com um pouco de gentileza.
3. Evitarás abraçar estranhos
Achou estranho esse mandamento?
Por aqui as pessoas não estão acostumadas a ter contato físico com quem
não se tem intimidade. Ao ser apresentado a alguém, um aperto de mão é
uma opção segura para evitar constrangimentos.
4. Tomarás cuidado com teus pertences
Não se iluda: pequenos furtos também acontecem no Canada, principalmente nas academias.
5.
No verão saia sempre com uma garrafa de água, principalmente se estiver
em Toronto, Montreal e região. Em alguns períodos a sensação térmica
pode chegar a 48 graus
6. Usarás o transporte público
No Canadá, faça como os
canadenses. Use e abuse do eficiente sistema de transporte público. O
metrô é parte importante das cidades.
7.Estando em Toronto evite
insistir com o garçon para que sirva bebida alcoolica apos as 2 da
manhã. Isso é a lei. Das 2 da manhã em diante o alcool é proibido na
cidade. Se você fizer confusão vão chamar a polícia.
8. Não tentarás usar o jeitinho brasileiro
E se tentar, mas
não se surpreenda com a resposta negativa. Com raras exceções, aqui não
há espaço para improviso ou quebra de regras. Em hipótese alguma tente
subornar um policial no Canadá. Aliás, por favor, não faça isso também
no Brasil.
9. Aproveite a viagem para se despir da homofobia e preconceitos. O
Canadá foi um dos primeiros países do mundo a instituir o casamento gay e
você vai ver que as ruas estão cheias de casais do mesmo sexo. Também
vai conviver com milhares de culturas diferentes. Vai ver desde pessoas
semi nuas a mulheres usando burca. Nao se surpreenda se o caixa do banco
tiver uma tatuagem no rosto. Também entenda que se um gay te paquerar
você nao pode bater nele. Paquerar alguém é direito de todos. Aceitar
ficar com ele ou não é com você mas ser violento ou agressivo é contra a
lei, e no Canadá a lei é aplicada. Acredite.
10.Nas baladas nao pense que aquela menina dançando de forma sexy
vão ficar e transar com você. As canadense dançam de forma ate erotica
mas isso nao te da o direito a toca-las. Se você imaginar que estar no
Brasil e que pode sair pegando na bunda das meninas nao se surpreenda se
acabar jogado na rua pelos seguranças da casa, ou até mesmo ser levado
pela polícia. Aliás, por favor, não faça isso também no Brasil. Nada
pior do que um babaca se achando o gostoso do lugar. Respeite as
meninas.
11. Dê gorjetas. Receber ao menos 10% do valor da conta é esperado
pela maioria dos profissionais de bares e restaurantes do país. Evite
confirmar a má fama dos brasileiros. E na balada, sempre que voce for
pegar uma bebida, deixe 1 dolar no balcão. Estando no Canadá faça como
os canadense. Se adapte.
12. Não falarás barbaridades em português pelas ruas
Não se
engane, há brasileiros e lusófonos por todas as partes, sejam turistas
ou residentes. Portanto, não diga nada em público que você não diria no
Brasil.
(Materia da Revista Veja sobre Londres. Adaptada e perfeitamente aplicável ao Canadá)
Marcadores:
adaptação,
choque cultural,
diferenças
terça-feira, 13 de março de 2012
Choque cultural reverso
Muito se fala das pessoas que não se adaptam à cultura do país estrangeiro e acabam voltando para o Brasil. Sim, acontece e não são raros os casos. Ao contrário do que muitos têm no inconsciente, aqui não é um Brasil de primeiro mundo. É muito diferente sim.
Porém, existe também o oposto: pessoas que têm muita afinidade com a cultura local, que se adaptam facilmente e que passam a achar o Brasil esquisito, ilógico e muito diferente. Isso causa curiosamente o que chamo de choque cultural reverso. Vejam um email que uma participante de uma das listas de discussão de imigração do Canadá relatou do seu caso, que copio aqui com a permissão dela.
"Eu amo o Brasil e tenho o maior orgulho de ser brasileira. Convivendo aqui no Canada com o mais variado grupo de amigos, vindos do mundo inteiro, me fez abrir a mente e ver que muitas coisas que a gente aprende com a nossa cultura nos ajuda a levar a vida aqui fora (liberdade religiosa, o estado separado da religiao, liberdade de mostrar a bunda na TV, seja la o que for...) de forma mais aberta. Vi isso muito de perto depois de conviver bem de perto com mulcumanos... eu sou tao livre e dona de mim!!!! Ai, numa segunda-feira de setembro passado, eu decubro que tenho que ir ao Brasil de urgencia (depois de 3 anos aqui) e na quarta-feira ja estava enfiada dentro de um aviao... Nao tive tempo de me preparar... alias, a preparacao foi feita dentro do aviao e durante as 8 horas de espera no aeroporto do Rio de Janeiro... que tristeza... parecia que eu estava vivendo um sonho e acordei no pesadelo... Eu olhava aquilo tudo e ficava me perguntando o que eu estava fazendo la... aquele aeroporto parece uma rodoviaria de beira de estrada... e a Copa de 2014 esta chegando (que vergonha!!!!!!!!!!!). E, a partir dai, foram 2 meses de Brasil que me deixaram tao confusa, deslocada, peixe fora d'agua... passava o tempo todo tentando me adequar ao ambiente, as pessoas... que situacao esquisita. Foram 2 meses que eu vivi com medo de ser assaltada, de entrarem na minha casa com uma arma... descobri que nao conseguia mais dirigir normalmente (tinha o meu coracao batendo acelerado o tempo todo com medo de acidente na BR-101), suava frio o tempo todo, olhava as obras, as ruas e entendia que nada eh bem feito, tudo sempre esta por ser terminado (um acostamento de estrada caindo aos pedacos, um viaduto todo remendado, umas ruas que nao levam a lugar nenhum)... e assim, me peguei varias vezes repetindo para mim mesma que "ainda bem que isso eh temporario e minha casinha, minha tranquilidade, minhas coisinhas estao me esperando la em Montreal". Tentei evitar ao maximo de falar do Canada e reparei que as pessoas tb nem queriam saber... tive a sensacao de que nada mudou... depois de 3 anos, as coisas ainda estavam no mesmo lugar: as pessoas ainda reclamando das mesmas coisas, falando mal das mesmas pessoas, o transito esta ainda pior, tudo acontece numa velocidade alucinante e ninguem para para respirar... e conclui que eu nao quero isso para minha vida e que na verdade eu nao cabia mais la... eu quero paz de espirito e tranquilidade... e me fez ver que apesar de toda "liberdade" que temos no Brasil.... ainda vivemos muito presos (dentro de casa com medo de ser assaltado, com medo de morrer num acidente de transito e vivendo dentro de padroes de vida para mostrar para os outros q eu sou o bom). E olha que eu sou de Florianpolis (o lugar para onde todo mundo quer fugir). Por enquanto, meu lugar eh no Canada e eh aqui que eu estou cabendo agora... nao eh o paraiso, mas esta suprindo minhas necessidades do momento."
Mariana
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Palestra sobre adaptação cultural ao mercado de trabalho canadense
Finalmente, depois de mais de dois meses de trabalho de tradução e inserção de legendas, agora temos os valiosos vídeos do Lionel Laroche mais acessíveis aos brasileiros. Quem já tem um bom nível de inglês pode pensar que foi um trabalho em vão. Porém, quem tem um nível intermediário perdia conteúdo e principalmente quem vem para o Québec somente com francês ficava totalmente excluido.
E essa palestra é realmente muito importante. Diria até obrigatória e não só para quem vai procurar emprego, mas com certeza também para quem já está empregado. O Lionel explica as sutis e invisíveis diferenças de comportamento dos canadenses e dos imigrantes, baseado na própria experiência vivida por ele e por vários outros imigrantes que ele tem aconselhado através das agencias para as quais ele trabalha.
Além de advertir sobre as armadilhas que a nossa experiência anterior em uma cultura tão diferente nos coloca, a palestra é bem divertida, com boas piadas.
Gostaria de agradecer à ajuda voluntária e altruísta das pessoas que compraram essa nossa ideia de permitir que mais imigrantes brasileiros possam abrir os olhos através da experiência do Lionel. Foi um trabalho de transcrição, tradução e inserção de legendas que tomou muito tempo de quem já não tem tanta disponibilidade, e sem nada em troca senão a satisfação de estar ajudando aos outros nessa difícil caminhada de imigração. São eles: Carlos Luz Junior, Denise Marques Leitão e Grazi Siqueira.
Aproveitem a palestra: http://vimeo.com/album/1486530
Marcadores:
adaptação,
choque cultural,
palestra,
trabalho
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Curiosidades 4
Como o salário mínimo daqui é alto, cerca de 1600$/mês caso sejam 40 horas semanais, algumas profissões simplesmente não existem (ou quase) como frentista de posto, borracheiro, jornaleiro e porteiro. E como se faz sem porteiro? Cartão de proximidade. Eu tenho um para a cancela do estacionamento do condomínio, um para a entrada na escola fora do horário padrão e um para entrar no trabalho. Quis dar uma de improvisador criativo colocando o da cancela em uma abertura no painel do carro e deu tão certo que descobri que foi feito para isso mesmo!
Você que está estudando francês: cleaner é limpar, catcher é capturar, drifter é derrapar, fixer é consertar, starter é inicializar e closer é fechar. Faltou avisar que todas essas palavras são do inglês e a galera transforma em francês. O ruim é perceber e decodificar isso em um diálogo!
Cuidado com a abrangencia das palavras em francês! Embrasser é abraçar, mas também abraçar e beijar, como também simplesmente beijar! Por sua vez, un baiser ou le baiser é um beijo ou o beijo, mas como verbo, baiser não significa beijar (função do embrasser) mas sim aquele verbinho terrivelmente feio começado com a letra F, tanto em português como em inglês! Opa! Cuidado!
Ainda no tópico francês, com uma questão cultural embutida: mur significa parede. E muro? O que é isso? Aqui, quando muito, algumas raras casa têm somente uma cerquinha baixa para as crianças não sairem! Inclusive a área ao redor das casas não é delimitada, principalmente quando a disposição delas é irregular. É de todo mundo e de ninguém em particular. Adoro isso!
"Quando eu chegar no Canadá, vou alugar uma casa!". Bem,são muito poucas as ofertas de casas para alugar e talvez os preços sejam inviável para o imigrante recém chegado. O que todo mundo que tenho notícia aluga mesmo são apartamentos ou, como chamam, condo (de condomínio). Depois de estabilizada a vida, podes voltar a morar em uma bela casinha de jardim verdejante.
O diálogo assimétrico onde um fala em um idioma e outro em outro idioma não é tão comum quanto eu pensei, principalmente depois de assistir o filme Bon cop, bad cop. Normalmente alguém comuta para o idioma do outro, mesmo que ambos sejam exímios bilíngues. Mas é algo incrivelmente natural, normal e faz parte do meu cotidiano. No trabalho, um colega nosso fala mais em inglês, mas eu sempre falava com ele em francês. Agora estou voltando a falar em inglês com ele porque o meu francês já está melhor e quero continuar evoluindo o inglês. E apesar de eu sempre falar em português com a Lara para que ela não desaprenda, ainda acontece de ela comutar para o francês e ficarmos conversando em idiomas diferentes. Ela nem nota. Os québécois que escutam a conversa é que ficam doidos porque só entendem a metade!
No Brasil, ouvi do próprio cara que trabalhava no atendimento do número de emergência dos bombeiros que mais de 80% das ligações eram trotes. Por causa disso, os atendentes dos números de emergência só consideram válidas as emergências que têm ao menos duas ligações para descartar a maioria dos trotes. Aqui, o acionamento não pode ser ignorado porque tem muitos incêndios devido às construções de madeira e eles chegam em 5 a 15 minutos, dependendo da região da cidade. Se algum desavisado cair na brincadeira de fazer um trote, não tem problema! Eles vão ao destino na mesma pressa. Apenas o gaiato vai receber a cobrança do acionamento indevido! Até alarme desregulado dá cobrança de acionamento indevido, o que força o dono a regulá-lo apropriadamente.
Descobri que alguns carros têm uma central que recebe via rádio-frequência a leitura de pressão dos pneus e alarma no painel se algum deles sair da faixa recomendada. O mais legal é que qualquer sensor de qualquer fabricante funciona com qualquer marca e modelo de carro! Claro que não funciona no meu carrinho porque ele não tem essa central! Quem sabe o próximo!
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
O petit Antoine vai à escola
Vemos nos filmes e desenhos animados as crianças norte-americanas indo para a escola sozinhas. Não tem nada demais na televisão. Quando vemos a opção no formulário para autorizar a criança a sair da escola sozinha, fica mais concreto, mas ainda longe da realidade.
Mas quando eu vou com a Lara para a escola e frequentemente encontramos o petit/pequeno Aintoine de cinco ou seis anos andando pelo menos cinco quarteirões sozinho, dá uma sensação esquisita!
-Salut, Antoine! Diz a Lara.
O petit Antoine olha para ela, sorri, não dá um piu e continua a caminhar! Quando chega no cruzamento, ele para, olha para um lado, olha para o outro, os carros param e ele atravessa com a maior naturalidade.
Como é que os pais deixam o filho ir sozinho para a escola? Como é que eles têm coragem!? Além dos motoristas respeitarem, ao menos na região próxima às escolas, se a nossa cidade não for a mais segura das de certo porte, é com certeza uma das mais seguras.
Mas mesmo assim, vai que a escola fechou por algum problema como falta de água? Aqui a falta de água é algo muito importante porque se acontecer um incêncio, não tem como apagá-lo. Só pode ter alguém em casa para recebê-lo de volta! Não consigo imaginar deixarem o filho ir para a escola e a casa ficar trancada vazia.
De qualquer forma, eu ainda não teria coragem de deixar a Lara ir sozinha para a escola. Ainda não estamos nesse nível de confiança, embora de vez em quando eu tenha alguns ataques de displicência em relação a furtos. Por exemplo, outro dia quando me dei conta, estávamos há centenas de metros da minha mochia no parque, e a minha máquina fotográfica estava em cima dela. Quando voltei, estava lá, graças a Deus!
Também de vez em quando, saíamos e as janelas ficavam abertas (no verão, claro!) e a porta destravada. Tudo bem! Não é no térreo! Mas fica na varanda a meio andar de altura somente. Eu subo e desço muitas vezes pela varanda.
Ministério da Justiça adverte: Não é certo fazer isso! Se der bobeira, pode aparecer algum voleur/ladrão, porque aqui tem também, afinal, gente é gente no mundo todo.
É um choque cultural ainda esquisito para nós, mas com certeza, bem mais agradável que o oposto quando um canadense vai ao Brasil!
Marcadores:
choque cultural,
crianças,
escola,
segurança
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Faça você mesmo!
Dizia um funcionário de um fornecedor da empresa na qual eu trabalhava, que sabemos quando estamos ficando velho quando o prazer dá trabalho e o trabalho dá prazer! A primeira parte pode até ser, mas eu discordo da segunda parte. O ser humano precisa se sentir útil e o trabalho pode fazer essa função. Se você já começou a ficar cansado só em ouvir a palavra trabalho, pode parar a leitura e se deitar, porque aqui no Canadá trabalha-se em todos os sentidos.
A mão de obra aqui é cara. O salário mínimo para 40 horas semanais fica em torno de uns 1600$/mês. É bom para quem recebe, mas é ruim para quem paga! Daí, como vocês já sabem, não tem essa de empregada e mesmo para fazer faxina é caro e só fazem o basicão do basicão!
Ainda está aí? Ainda quer vir para cá? Pois bem, vamos ao outro lado da moeda. Quando eu morava no Brasil, eu ficava incomodado quando eu chegava todo satisfeito contando que eu mesmo tinha feito a instalação de todas as luminárias de teto do apartamento novo, então chegava alguém e detonava: -Putz cara! Deixa de ser pão duro! Isso tudo é para não pagar 50 contos a um eletricista?!?! Ai que ódio! -Não! Eu fiz isso porque EU GOSTO! Mas não adianta. Algumas coisas são quase impossíveis de serem explicadas no Brasil porque existe uma cultura de que fazer certo tipos de trabalhos é algo degradante, humilhante, coisa de pobre, pão durice, etc.
Para explicar o meu ponto de vista, vou me valer de uns exemplos. Porque é que alguns garotões quando acabam de tirar a carteira de motorista lavam o carro até várias vezes por semana? Não dá trabalho? O carro nem está sujo para valer a pena, mas o fazem. Porque é que algumas mulheres passam horas fazendo crochet ao invés de comprarem a peça pronta? É porque é um trabalho que dá prazer! É um hobby!
Aqui no Canadá, a macenaria é tanto um hobby quanto uma arte! Um colega de trabalho estava conversando com o meu chefe sobre o piso de madeira da varanda que estava envergado por causa de sol e chuva. É impressionante! Os outros entraram na conversa e parecia que eu estava em uma carpintaria e não em uma empresa de desenvolvimento de software. Os caras compram furadeiras de 400$, fora outras máquinas elétricas e trocentas ferramentas. Outro colega disse que entre um emprego e outro de desenvolvedor de software, ele ganhava dinheiro fazendo móveis. A tia dele o havia chamado para fazer a escadaria da casa dela no verão e ele ia dar essa ajuda. Como a Manuela conta nessa postagem do blog dela, o próprio dono da casa de 800.000$ é quem estava pintando os móveis desta, e também não tem empregados.
Eu sou neto de carpinteiro, mas ainda não estou nesse nível. Porém, algo bastante comum aqui é montar os próprios móveis em casa. Até as cadeiras da sala de jantar vieram desmontadas. A notícia boa é que esses móveis são bem fáceis e práticos de montar. A galera que faz as compras na Ikea então, esses é que brincam muito mesmo.
O Davi megawatt quebrou o interruptor? Não tem problema! Minto! Na verdade fiquei P. da vida porque além disso, ele ficava ligando todas as luzes de dia e apagando-as de noite! DAVIIIIIII! Mas uma passadinha no Canadian Tire para comprar um interruptor novo de 1 ou 2 dólares e pronto! Parada resolvida. Uma amiga me disse que foi a uma empresa de lavagem de carros e para a supresa dela, o que se pagava era para ter a infraestrutura da lavagem, mas quem lava o carro é o dono! Não tem ninguém trabalhando lá! Como vocês já leram na postagem sobre o dia da mudança,o mais comum é alugarem o caminhão e botar a família e os amigos para fazerem força. Grande amigo, hein! Ahh! Ocasionalmente pode ter uma instalaçãozinha da lavadora (água quente e fria de entrada e de saída), da secadora (tubão de saída de ar quente) e outros. Esse tubão da foto ainda não estava no lugar definitivo, viu?
Agora foi que percebi que esta postagem acaba reforçando a anterior quando disse que aqui se paga um preço para ter a qualidade de vida. Todo mundo quer ganhar um bom salário, mas ninguém quer pagar um bom salário! Tudo bem, mas não querem pagar o salário de quem faria o serviço e nem querer fazer esse serviço, aí complica! Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer!
Mas aí é onde reside a chave da boa imigração! Não se incomodar com a parte ruim e adorar a parte boa! Por isso que digo que nasci para cá. Desde o Brasil eu adoro andar a pé e de bicicleta, aqui não acho ruim andar de ônibus, acho divertido montar os móveis e fazer consertos domésticos, gostei bastante do inverno, etc.
Antes que a Mônica me dedure: Sim. É verdade! Não gosto de lavar a louça e limpar o chão, mas aguardem que vou contar aqui como vamos resolver esses dois problemas com a oportuna praticidade canadense! Não "perdam"!
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Quantas nações tem o Canadá?
Dia 15 de agosto (que em francês dá trabalho de entender, porque a palavra toda se resume à pronuncia como a da letra "u"), comemora-se a fête nationale de l'Acadie/festa nacional da Acádia. Outra festa nacional?!?! Não vou falar dela, até porque não foi comemorada aqui em Québec (que eu saiba). O que chama a atenção, entretando são os acadianos por si mesmos e a extensão da visão do Canadá multinacional que o entendimento dos acadianos leva.
Acadioquê? Bom, vamos começar pelo começo. Muitos sabem que se fala inglês no Canadá, óbvio. Mas fora da comunidade de imigrantes, tem muita gente que não sabe que se fala francês aqui. Mesmo muitos canadenses do lado anglófonos não sabem de verdade a relação entre os francófonos e o Québec, que não é uma relação direta um para um. Complicou agora? Vamos explicar.
A América do Norte não hispanica foi primeiro colonizada pelos franceses em 1534, que fundaram os primeiros assentamentos da nova colônica francesa onde é atualmente a nossa cidade de Québec. Depois os ingleses vieram para também colonizarem o imenso continente. A moda era chamar de Nova França, Nova Inglaterra e a Nova Espanha, que deu origem ao México.
Eis que, voltando aos acadianos, estes vieram do oeste da França a partir de 1604 para as bandas do que hoje são as províncias de Nouveau-Brunswick e Nouvelle-Écosse. Só que a história deles se desenvolveu de uma forma diferente dos québécoises da Nouvelle-France. Uma diferença histórica é que os québécoises tiveram a opção de continuarem no seu território, mesmo que dominados pelos ingleses. Já os acadianos, foram mortos, deportados e levados como mão de obra semi-escrava para o sul dos Estados Unidos, como no estado que tem um nome bem francês: Louisiana. Com essa diáspora, eles acabaram se espalhando também pelas Antilhas, Guiana Francesa e até na...França!
Acredito que opressão inglesa forçou a mescla entre o francês e o inglês e deu origem ao chiac, que é uma mistura maluca que não basta saber francês e inglês para conseguir entender. Vejam esse exemplo: " Ej vas tanker mon truck full de gas à soir pis ej va le driver. Ça va êt'e right la fun". E mesmo falando francês, alguns deles fazem o som do R como no português ao invés do R gutural típico. Mais forte que isso é o fato de, mesmo não tendo um território definido nem oficial, eles têm uma bandeira (mostrada no começo da postagem) e um hino. Isso é a expressão da sua identidade cultural como nação, diferente até mesmo dos québécoises que, ao contrario desses, são uma nação reconhecida oficialmente pelo governo federal. E é também por causa deles, acadianos, que Nouveau-Brunswick é a única província do Canadá onde tanto o inglês quanto o francês são idiomas oficiais.
Mas já que falei da terceira nação, fora os descendentes de ingleses, os québécois e acadianos, ambos descendentes de franceses, porque não falar também das primeiras nações? Esse é o nome que se dá aos diversos povos ameríndios (nomezinho bonito, né?) que já habitavam aqui antes dos europeus chegarem e que ainda mantêm seus costumes, embora visivelmente em conflito com os valores do mundo moderno. É deles que os nomes Canadá e Québec vêm, dentre muitos outros. E eles têm radios nos idiomas deles, programas de tv e também seu dia e sua festa. Eles também são reconhecidos pelo governo, que lhes dá algumas prerrogativas legais que, embora eu tenha usado esse termo muito bonito em advoguês, eu não sei dizer quais são. Entrando nessa seara (que não é o Ceará), já se perde um pouco a visão clara de onde começa e onde termina cada nação, bem como seus idiomas. O território de Yukon é oficialmente bilíngue, Nunavut tem além do inglês e francês, o Inuktitut e Inuinnaqtun. E o território chamado de Territórios do Nordeste é uma verdadeira farra: 11 idiomas oficiais!
Vejam que curiosa é essa placa "pare" bilíngue no norte do Québec. É bilingue, mas é francês e inuit!
Com uma base de várias nações mesmo antes da colonizações européias, passando por estas e somada à forte imigração que reina até hoje (Toronto tem mais de 50% de imigrantes), dá para perceber porque o Canadá é um país extremamente tolerante à diversidade cultural. E nós que chegamos aqui só temos a ganhar assimilando essa qualidade. D'accord? Right? Certo?
Marcadores:
choque cultural,
fête nationale,
idiomas,
québécois
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Curiosidades 3.0 16 soupapes (válvulas)
Colecionei mais um lote de curiosidades. Vamos a elas.
Aqui os nomes são muito malucos por causa dos imigrantes. Pra que nome para dar mais confusão que desses russos que vêm para cá, como Alexei? Mesmo sem contar com os imigrantes, os canadenses têm muitos homônimos (Nota do tradutor: Nome e sobrenome iguais!) e nome por telefone é sempre algo passivel de confusão e perda de tempo. Opa! Tempo? Tempo é dinheiro! Então, que tal usar outra informação para identificar os clientes de forma mais clara? Aqui, muitos estabelecimentos perguntam para saber quem é o cliente, o seu número do telefone. Na locadora, digitamos o telefone e a senha para pegar um filme.
Quando os motoristas são mais "civilizados" e conscientes do porquê de seguir regras (chamo isso de maturidade), os mecanismos de tráfego podem ser mais livres e todos podem se beneficiar de um transito mais fluido. Um exemplo interessante é que em alguns cruzamentos, vemos uma fila de uns 5 carros em uma faixa e nenhum na outra. É porque, embora possamos ficar parados nessa faixa, é mais eficiente PARA OS OUTROS motoristas quando essa faixa é usada para quem vai dobrar e o semáforo abre primeiro para esse sentido. O motorista que fez o favor dessa vez será beneficiado por outros depois e assim, pensando coletivamente, todo mundo ganha.
Por outro lado (literalmente, depois vocês vão entender porque), quando vamos abastecer o carro, no começo é uma confusão. A mangueira é bem curta e temos que saber qual é o lado certo do carro. Se parar do lado errado, tem que sair e voltar ao contrário. Só que fica carro virado para lá, outros para cá, tem gente que desce para pagar na loja de conveniência e o carro fica impedindo a passagem. Até entramos no ritmo é meio confuso.
A piada aqui é que as quatro estações são o inverno, o inverno, o inverno e a estação de obras de estrada. Os caras literalmente arrancam kilômetros de asfalto e reasfaltam novamente, com aquele tipo que é grosso como de estradas. Isso porque depois de um tempo de alternancia entre calor e frio, ele fica rachado. E repintam a sinalização das pistas da cidade toda, porque ela se apaga no inverno. Além disso, a galera troca o encanamento das ruas, que significa cavar beeeem fundo por alguns quarteirões. Hora também de tirar as infiltrações dos telhados e janelas. Ou você vai querer arriscar quebrar a janela a -25 graus no inverno?
Como aqui é muito tranquilo e existe respeito, é comum vermos mulheres dirijindo ônibus e tem muitas policiais. Também! Só o que tem de trabalho é multar motoristas infratores, e nem isso tem muito!
Capital do Canadá? Toronto! Não! Ottawa. Capital do Québec? Montréal! Não! Québec. Capital de British Columbia? Vancouver! Não! Victoria. Capital de Alberta? Calgary! Não! Edmonton! Capital de Saskatchewan? Saskatoon! Não! Regina. Capital de Ontario? Toronto! Até que enfim vocês acertaram uma!! Ninguém aí sabe nada de geografia do Canadá?!?! Poxa!!! Eu também não sabia! Parece que eles procuram fazer com que a capital não seja a maior cidade para descentralizar.
E encontrei a solução para os papoucos dos choques de eletricidade estática. Eles acontecem porque nos aproximamos lentamente e criamos proximidade em uma pequena área. E como se evita? Toda vez que saio do carro, dou um tapa de mão cheia na lataria atrás da porta. Te garanto que levando choques todo dia, agente começa a se lembrar antes de sair do carro. Resolveu mesmo! Só tem um problema: Não é muito delicado usar esse método com pessoas e é comum quando as crianças descem do escorregador. POC!!
Não compre do produto que eu vendo! É mais ou menos o que a HydroQuébec diz nas propagandas. Ela faz de tudo para que gastemos pouca energia, dá dicas e até diz explicitamente para baixarmos a temperatura da casa! Ué? Apagão? Não! Então porque diachos ela diz para os consumidores para não comprarem do produto que paga o leite das crianças? Than!!! Porque ela vende a energia por um preço mais caro para a galera de baixo, os estadunidenses! Ahhh!!! Agora fez sentido!
Eu nunca pensei que a comunicação gestual fosse ao mesmo tempo universal e regional. Um dedo médio estendido é algo que a grande maioria das culturas reconheçe como... bem... vocês sabem! Mas o que é o indicador e o polegar formando um ângulo reto (aquele de 90 graus!) em formato de L no meio da testa? L de looser/perdedor. Na América do Norte, sobretudo os sobrinhos do tio Sam que querem ser sempre os melhores em tudo, chamar alguém de perdedor é uma ofensa grave! E esfregar o indicador no polegar para falar de dinheiro? Será que vão entender ou não? Sim, entendem. Mas ao menos aqui é pouco usado. E quando você pergunta algo a alguém e este está ocupado? O que ele faz de gesto? Não é o do dedo médio! Mas ele mostra o indicador que no Brasil agora está associado a pedir uma Antártica. Aqui significa "aguarde um minutinho, por favor". A mão aberta como quem diz pare, que é o mais usado no Brasil, me parece ser pouco cordial.
E o décimo quarto andar fica a quantos andares do chão? Depende! Tem prédios que começam a contagem pelo rez-de-chaussée/térreo, mas outros consideram o térreo como sendo o primeiro andar. E, supersticiosamente, alguns prédios não têm o famoso décimo terceiro andar. Nos botões, do 12 pula para o 14 como se na prática este não fosse o décimo terceiro. Ai, ai, ai...
E é legal ver o aviso dessa foto que diz que um aparelho celular foi perdido pelo quarteirão. Quem souber quem é o dono, ligue para o telefone tal para que seja devolvido. Como diz a Lara: É tão cute! Tão mignon! (bonitinho nos dois idiomas).
Aqui os nomes são muito malucos por causa dos imigrantes. Pra que nome para dar mais confusão que desses russos que vêm para cá, como Alexei? Mesmo sem contar com os imigrantes, os canadenses têm muitos homônimos (Nota do tradutor: Nome e sobrenome iguais!) e nome por telefone é sempre algo passivel de confusão e perda de tempo. Opa! Tempo? Tempo é dinheiro! Então, que tal usar outra informação para identificar os clientes de forma mais clara? Aqui, muitos estabelecimentos perguntam para saber quem é o cliente, o seu número do telefone. Na locadora, digitamos o telefone e a senha para pegar um filme.
Quando os motoristas são mais "civilizados" e conscientes do porquê de seguir regras (chamo isso de maturidade), os mecanismos de tráfego podem ser mais livres e todos podem se beneficiar de um transito mais fluido. Um exemplo interessante é que em alguns cruzamentos, vemos uma fila de uns 5 carros em uma faixa e nenhum na outra. É porque, embora possamos ficar parados nessa faixa, é mais eficiente PARA OS OUTROS motoristas quando essa faixa é usada para quem vai dobrar e o semáforo abre primeiro para esse sentido. O motorista que fez o favor dessa vez será beneficiado por outros depois e assim, pensando coletivamente, todo mundo ganha.
Por outro lado (literalmente, depois vocês vão entender porque), quando vamos abastecer o carro, no começo é uma confusão. A mangueira é bem curta e temos que saber qual é o lado certo do carro. Se parar do lado errado, tem que sair e voltar ao contrário. Só que fica carro virado para lá, outros para cá, tem gente que desce para pagar na loja de conveniência e o carro fica impedindo a passagem. Até entramos no ritmo é meio confuso.
A piada aqui é que as quatro estações são o inverno, o inverno, o inverno e a estação de obras de estrada. Os caras literalmente arrancam kilômetros de asfalto e reasfaltam novamente, com aquele tipo que é grosso como de estradas. Isso porque depois de um tempo de alternancia entre calor e frio, ele fica rachado. E repintam a sinalização das pistas da cidade toda, porque ela se apaga no inverno. Além disso, a galera troca o encanamento das ruas, que significa cavar beeeem fundo por alguns quarteirões. Hora também de tirar as infiltrações dos telhados e janelas. Ou você vai querer arriscar quebrar a janela a -25 graus no inverno?
Como aqui é muito tranquilo e existe respeito, é comum vermos mulheres dirijindo ônibus e tem muitas policiais. Também! Só o que tem de trabalho é multar motoristas infratores, e nem isso tem muito!
Capital do Canadá? Toronto! Não! Ottawa. Capital do Québec? Montréal! Não! Québec. Capital de British Columbia? Vancouver! Não! Victoria. Capital de Alberta? Calgary! Não! Edmonton! Capital de Saskatchewan? Saskatoon! Não! Regina. Capital de Ontario? Toronto! Até que enfim vocês acertaram uma!! Ninguém aí sabe nada de geografia do Canadá?!?! Poxa!!! Eu também não sabia! Parece que eles procuram fazer com que a capital não seja a maior cidade para descentralizar.
E encontrei a solução para os papoucos dos choques de eletricidade estática. Eles acontecem porque nos aproximamos lentamente e criamos proximidade em uma pequena área. E como se evita? Toda vez que saio do carro, dou um tapa de mão cheia na lataria atrás da porta. Te garanto que levando choques todo dia, agente começa a se lembrar antes de sair do carro. Resolveu mesmo! Só tem um problema: Não é muito delicado usar esse método com pessoas e é comum quando as crianças descem do escorregador. POC!!
Não compre do produto que eu vendo! É mais ou menos o que a HydroQuébec diz nas propagandas. Ela faz de tudo para que gastemos pouca energia, dá dicas e até diz explicitamente para baixarmos a temperatura da casa! Ué? Apagão? Não! Então porque diachos ela diz para os consumidores para não comprarem do produto que paga o leite das crianças? Than!!! Porque ela vende a energia por um preço mais caro para a galera de baixo, os estadunidenses! Ahhh!!! Agora fez sentido!
Eu nunca pensei que a comunicação gestual fosse ao mesmo tempo universal e regional. Um dedo médio estendido é algo que a grande maioria das culturas reconheçe como... bem... vocês sabem! Mas o que é o indicador e o polegar formando um ângulo reto (aquele de 90 graus!) em formato de L no meio da testa? L de looser/perdedor. Na América do Norte, sobretudo os sobrinhos do tio Sam que querem ser sempre os melhores em tudo, chamar alguém de perdedor é uma ofensa grave! E esfregar o indicador no polegar para falar de dinheiro? Será que vão entender ou não? Sim, entendem. Mas ao menos aqui é pouco usado. E quando você pergunta algo a alguém e este está ocupado? O que ele faz de gesto? Não é o do dedo médio! Mas ele mostra o indicador que no Brasil agora está associado a pedir uma Antártica. Aqui significa "aguarde um minutinho, por favor". A mão aberta como quem diz pare, que é o mais usado no Brasil, me parece ser pouco cordial.
E o décimo quarto andar fica a quantos andares do chão? Depende! Tem prédios que começam a contagem pelo rez-de-chaussée/térreo, mas outros consideram o térreo como sendo o primeiro andar. E, supersticiosamente, alguns prédios não têm o famoso décimo terceiro andar. Nos botões, do 12 pula para o 14 como se na prática este não fosse o décimo terceiro. Ai, ai, ai...
E é legal ver o aviso dessa foto que diz que um aparelho celular foi perdido pelo quarteirão. Quem souber quem é o dono, ligue para o telefone tal para que seja devolvido. Como diz a Lara: É tão cute! Tão mignon! (bonitinho nos dois idiomas).
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Diferenças culturais
Esta postagem estava esquecida nos rascunhos. Estava guardando-a para o período entre o fim do processo e a nossa vinda para cá. Só que viemos antes da hora e esse período foi muito curto para isso. Desculpem a indecência da foto, mas a intenção é reforçar a ideia do choque cultural.
Encontrei em uma revista de turismo este guia do viajante bem-educado. Ele é muito interessante para nos abrir a percepção de que outros povos tem costumes e formas de interpretar nossas ações de maneira muito diferente da nossa. E isso pode chocar ou até virar um problema. Assim, é bom prestarmos atenção às reações das pessoas e tentarmos entender e respeitar a cultura local. Segue o artigo.
No México, quem bota as mãos nos quadris está querendo briga. Já na Coréia, assoar o nariz na rua é falta grave. Aprenda aqui o que é gafe em alguns lugares do mundo.
À mesa, com toda a fineza
Ainda que o molho seja irresistível, não limpe o prato nos países árabes. É terrivelmente grave e grosseiro comer tudo o que for servido.
Tampouco se atreva a limpar o molho do prato com um pãozinho, se estiver na Inglaterra. Ingleses detestam esses modos!
Já no Japão, raspar o prato e lamber os beiços cai bem. O anfitrião (ou o vizinho da mesa) acha indelicado deixar um restinho.
Na China, jantar é teste de resistência. Não há ofensa maior do que recusar comida – não importa o que seja. Engula!
Certas coisas proibidas em público
Se você estiver na Coréia do Sul, não assoe o nariz na rua. Lá isso é considerado ofensa gravíssima!
Não importa o quanto seja engraçada a piada que seu amigo contou. Jamais gargalhe nas ruas do Japão, principalmente se você for mulher (lembre-se que as japonesas sempre cobrem a boca para rir).
Veja lá o que você fala!
A menos que você seja um médico, jamais pergunte a um americano quanto ele pesa ou mede. É mais fácil ele contar algum segredo sujo do que revelar as medidas do corpo.
Ao telefone, em todos os países da Europa, você diz seu nome antes de mais nada. Mesmo que a ligação seja só para pedir informações.
Não elogie uma japonesa, nem que ela seja a musa dos seus sonhos. Ela vai achar que é falsidade.
Olhe a mão-boba
Na Tailândia, é muito indelicado ficar conversando com alguém com as mãos nos bolsos. Deixe-as bem à vista, sempre.
Também não coloque as mãos sobre as costas da cadeira na qual outra pessoa está sentada: para os tailandeses, isso é grave.
Mão no bolso, no México, é coisa de grosso. E se um homem colocar as mãos nos quadris e olhar para você, está chamando para a briga.
A arte de presentear
No Oriente, é fundamental dar ou receber presentes com as duas mãos. É sinal de apreço.
Se você não for da Máfia, nunca dê um relógio para um chinês: significa que deseja a morte dele.
Os chineses são mesmo cheios de dedos: antes de aceitar um presente eles recusam três vezes. Nem mais, nem menos.
Cada um no seu lugar
Os americanos odeiam quem vai abrindo caminho no meio da multidão. Peça desculpas a cada empurrão inevitável.
E olho no chão: americanos ficam muito, mas muito zangados, ao levar um pisão no pé.
Quando você está em pé, conversando com alguém, é normal um coreano passar no meio. Dê um passo para trás, para dar passagem. Na Coréia, é falta de educação alguém dar a volta por trás de você.
Marcadores:
adaptação,
choque cultural,
diferenças
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Agora eu posso ser pobre!
No Brasil, o perfil de classes sociais que usam os meios de transporte é bem mais definido. Pessoas das classes mais baixas não podem comprar um carro e uma parte deles anda a pé ou de bicicleta por não ter como pagar mesmo o custo do ônibus. Por outro lado, quem pertence às classes mais altas não pode usar a bicicleta como meio de transporte do dia a dia por causa dos assaltos. E ao menos em Fortaleza, tem mais dois ingredientes: Trânsito caótico com motoristas mal educados e arrogantes e o calor infernal.
Aqui o uso dos meios de transporte é bem mais difuso (ah como eu queria ter esse vocabulário rico em francês!). Com um salário mínimo de 1600$/mês, carros usados a partir de uns 4000$ e o inverno rigoroso, os carros são mais universais. Mas também, anteontem mesmo eu vim para casa ao lado de um cara com roupas sociais que trabalhava usando o notebook em pleno ônibus. Isso não é raro. Aqui, ônibus não é veículo somente de pobre. Existe inclusive promoções para quem paga estacionamento no trabalho que pode experimentar ir de ônibus de graça por uma semana. Essa é a concorrência deles.
Também se vê muito as pessoas usando não só como diversão, mas como meio de transporte rotineiro bicicleta e mesmo patins.
Feita essa introdução para tentar fazer uma troca de contexto, agora vamos à boa notícia: A Mônica tirou a carteria de motorista daqui. Aêêêê!!! Fiquei muito orgulhoso porque muita gente reprova e ela teve a maior pontuação que eu já tive notícia até hoje. E agora, o carro é dela porque as suas aulas terminam no meio da tarde e fica mais cômodo para pegar as crianças nos dois sentidos, do horário e agora indo de carro.
Agora vamos ao choque cultural. Eu devia estar triste, não? Voltar a andar de ônibus? Eca! Coisa de pobre!! Eu passei um tempo deixando o carro na garagem e indo de ônibus por opção, já que este passa a cada, no máximo 10 minutos, vai de porta a porta e muitas vezes eu ia sentado e lendo. O carro é um treco esquisito. Gastamos energia (embora a gasolina aqui custe somente cerca de 1$ por litro) para fazer com que uma massa de em torno de uma tonelada se mova para transportar apenas algumas dezenas de quilos de carga útil e ainda poluindo. Sem contar com o sedentarismo que ele traz.
Mas eis que surge a possibilidade de eu fazer o que eu queria no Brasil e não podia. Ser chique como os cidadãos de países desenvolvidos e poder ir para o trabalho de... bicicleta! Isso! É saudável, divertido, econômico, ecológico e até seguro! É um meio de transporte inteligente. Com apenas 140$ comprei uma bicicleta com quadro de alumínio, bem leve, com suspensão dianteira e traseira. Muito barato! Moro a apenas 3Km do trabalho, vantagem das cidades menores, tem vias cicláveis, ruas que quase não têm movimento e motoristas que respeitam. O único problema, que vai se resolver com o tempo, é que moramos na cidade alta e trabalho na cidade baixa. O desnível é grande. Para ir é uma maravilha! Metade do caminho é descida e chego nos mesmos 15 minutos de quando ia de carro. O problema é a volta! Haja fôlego! Mas a ideia é essa mesma! Exercício é saúde!
Escolhi esse tema como forma de ilustrar que os contextos dos dois países são muito diferentes e quem vem para cá tem que estar de cabeça e espírito abertos para se adaptar melhor. Vai ter gente que vai entender que para mim foi uma mudança que eu queria desde o começo, outras vão torcer o nariz e outras vão me chamar de mentiroso porque simplesmente não bate com o paradigma brasileiro. C'est la vie!/É a vida!
Marcadores:
bicicleta,
carro,
choque cultural,
ônibus
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Zilhões de pequenas coisas
É fácil perceber alguns aspectos bem marcantes da vida daqui como, por exemplo, a segurança que permite apartamentos que têm apenas uma parede de vidro separando a sala da rua. Mas é difícil de passar para vocês a satisfação que um simples passeio nos proporciona por estar repleto de pequenas surpresas agradáveis. São detalhes que isolados até passam desapercebidos, mas são tantos que fazem a diferença. Para ilustrar, vou mostrá-los dentro de uma pequena estória.
Era uma bela manhã de chuva. Epa! Normalmente é uma bela manhã de sol! Não importa o clima. O povo aqui sai de casa para curtir a vida, faça neve, faça sol (1). Fomos experimentar um programa que só conheciamos através dos filmes e desenho animados norte-americanos: Ir à biblioteca (2).
Tem uma há uns quatro quarteirões daqui (3). No Brasil, teriamos que ir de carro por causa da violência (4). Aqui, criamos o saudável hábito de andar muito, mesmo com o Davi de 3 anos (5). Casacos impermeáveis para todo mundo e vamos lá, afinal, a temperatura está bem agradável (6). A chuvinha fina nem molha a calça então nem precisamos de guarda-chuvas.
Ainda temos algum traço de associação de instituições públicas com algo de qualidade bem ruim. Então, ainda nos dá surpresa encontrar uma biblioteca muito bonita (7), com computadores para o público (8), multimídia (9), e uma seção infantil separada (10). Esta tem um acervo vasto, interessante e atual (11), com livros bem conservados (12).
Escolhemos os livros, mas será que dá para fazer a inscrição? Afinal, eu não havia levado nada! Vamos tentar. A funcionária sorridente foi super gentil e educada, que é muito comum por aqui (13). Basta uma identidade e um comprovante de endereço. Sabia que não ia dar certo!
-O senhor possui carteira de motorista?
-Sim.
-A sua carteira é suficiente, pois ela tem o endereço (14)!
Câline/caraca! (Nota do tradutor que voltou de férias: mais uma suavisação de palavrão, no caso câlice, para ficar socialmente aceita). Nem tinha reparado nisso! Não preciso do kit identidade, cpf, comprovante de residência, título de eleitor (que não existe aqui), alistamento militar com cópias autenticadas. Basta mostrar a carteira de motorista e para muitas coisas, posso enviar uma cópia simples dela por fax ou correios (15).
Pronto! Cadastro feito, já recebi na hora um cartão em PVC (16) válido em todas as bibliotecas públicas da cidade (ops! Não tem só essa. São 25 distribuidas em uma cidadezinha de apenas 500.000 habitantes)(17). Recebi um folheto com o regulamento e a moça perguntou se eu queria que ela explicasse como tudo funciona (18). Claro! E ainda assim, continuei matuto! Legal a parte na qual ela diz:
-Se o dia do vencimento dos livros for um feriado, mesmo assim, a qualquer hora você pode deixar os livros na caixa que fica do lado de fora da porta de entrada que os mesmos serão aceitos (19). Ou seja: não tem desculpa para atrasar!
-E para pegar os livros? Esperando que ela fosse registrar para mim.
-Passe o código de barras do seu cartão em algum terminal de auto atendimento (20), depois passe o código de barras de cada livro, colocando a etiqueta nesta parte para desmagnetizá-la. Se não fizeres isso, vai alarmar na saída (21).
Ainda estou com a mentalidade de que sempre tem que ter alguém fiscalizando tudo, senão algum """"""esperto""""" se aproveita. Ahhh, comedor de rapadura! Mas com um sistema anti-roubo desses, como é que alguém vai fraudar? Não sei, mas os caixas self-services dos supermercados são bem mais fáceis de serem enganados (22). Melhor! Nunca tem ninguém para saber se você vai entrar para pagar ou não a gasolina que você mesmo colocou no seu carro! (23) Apesar disso, prefiro a praticidade do débido automático na própria bomba (24).
E para terminar, como de praxe, a informática aqui normalmente funciona muito bem e torna a vida prática e reduz custos (25). No site www.bibliothequesdequebec.qc.ca podemos consultar o acervo, fazer reservas, ver os livros que pegamos e sermos avisados por email da disponibilidade de reservas ou de atraso, dentre outras funcionalidades (26). Acabei de ter mais outra surpresa durante as minhas pesquisas. A biblioteca tem Internet sem fio para o público! (27)
O mais valioso: Poder desenvolver nos nossos filhos o gosto e hábito pela leitura (28) por ter muitos títulos interessantes, inclusive em inglês também (29). E de quebra, achamos um livro que, apesar de ser concebido para alfabetizar crianças, é muito bom mesmo para nós adultos aprendermos a fonética associada aos grupos de letras em francês (30).
Como podem ver, em um resumo de um evento simples pude contar 30 agradáveis detalhes (o número fechado foi mera coincidência, juro!). Adicione os muitos que não lembrei, outros mais que não tenho como transmitir a vocês como a paisagem colorida da primavera no caminho e ponha isso no dia a dia dos 5 meses durante os quais estou morando aqui.
Isso me faz lembrar do que o amigo Júlio Falcão, que agora mora na Austrália me disse, repassando o que haviam lhe dito:
"Que você encontre lá o que estás procurando, seja este o que for".
Pois bem, achei bem mais do que procurava!
Era uma bela manhã de chuva. Epa! Normalmente é uma bela manhã de sol! Não importa o clima. O povo aqui sai de casa para curtir a vida, faça neve, faça sol (1). Fomos experimentar um programa que só conheciamos através dos filmes e desenho animados norte-americanos: Ir à biblioteca (2).
Tem uma há uns quatro quarteirões daqui (3). No Brasil, teriamos que ir de carro por causa da violência (4). Aqui, criamos o saudável hábito de andar muito, mesmo com o Davi de 3 anos (5). Casacos impermeáveis para todo mundo e vamos lá, afinal, a temperatura está bem agradável (6). A chuvinha fina nem molha a calça então nem precisamos de guarda-chuvas.
Ainda temos algum traço de associação de instituições públicas com algo de qualidade bem ruim. Então, ainda nos dá surpresa encontrar uma biblioteca muito bonita (7), com computadores para o público (8), multimídia (9), e uma seção infantil separada (10). Esta tem um acervo vasto, interessante e atual (11), com livros bem conservados (12).
Escolhemos os livros, mas será que dá para fazer a inscrição? Afinal, eu não havia levado nada! Vamos tentar. A funcionária sorridente foi super gentil e educada, que é muito comum por aqui (13). Basta uma identidade e um comprovante de endereço. Sabia que não ia dar certo!
-O senhor possui carteira de motorista?
-Sim.
-A sua carteira é suficiente, pois ela tem o endereço (14)!
Câline/caraca! (Nota do tradutor que voltou de férias: mais uma suavisação de palavrão, no caso câlice, para ficar socialmente aceita). Nem tinha reparado nisso! Não preciso do kit identidade, cpf, comprovante de residência, título de eleitor (que não existe aqui), alistamento militar com cópias autenticadas. Basta mostrar a carteira de motorista e para muitas coisas, posso enviar uma cópia simples dela por fax ou correios (15).
Pronto! Cadastro feito, já recebi na hora um cartão em PVC (16) válido em todas as bibliotecas públicas da cidade (ops! Não tem só essa. São 25 distribuidas em uma cidadezinha de apenas 500.000 habitantes)(17). Recebi um folheto com o regulamento e a moça perguntou se eu queria que ela explicasse como tudo funciona (18). Claro! E ainda assim, continuei matuto! Legal a parte na qual ela diz:
-Se o dia do vencimento dos livros for um feriado, mesmo assim, a qualquer hora você pode deixar os livros na caixa que fica do lado de fora da porta de entrada que os mesmos serão aceitos (19). Ou seja: não tem desculpa para atrasar!
-E para pegar os livros? Esperando que ela fosse registrar para mim.
-Passe o código de barras do seu cartão em algum terminal de auto atendimento (20), depois passe o código de barras de cada livro, colocando a etiqueta nesta parte para desmagnetizá-la. Se não fizeres isso, vai alarmar na saída (21).
Ainda estou com a mentalidade de que sempre tem que ter alguém fiscalizando tudo, senão algum """"""esperto""""" se aproveita. Ahhh, comedor de rapadura! Mas com um sistema anti-roubo desses, como é que alguém vai fraudar? Não sei, mas os caixas self-services dos supermercados são bem mais fáceis de serem enganados (22). Melhor! Nunca tem ninguém para saber se você vai entrar para pagar ou não a gasolina que você mesmo colocou no seu carro! (23) Apesar disso, prefiro a praticidade do débido automático na própria bomba (24).
E para terminar, como de praxe, a informática aqui normalmente funciona muito bem e torna a vida prática e reduz custos (25). No site www.bibliothequesdequebec.qc.ca podemos consultar o acervo, fazer reservas, ver os livros que pegamos e sermos avisados por email da disponibilidade de reservas ou de atraso, dentre outras funcionalidades (26). Acabei de ter mais outra surpresa durante as minhas pesquisas. A biblioteca tem Internet sem fio para o público! (27)
O mais valioso: Poder desenvolver nos nossos filhos o gosto e hábito pela leitura (28) por ter muitos títulos interessantes, inclusive em inglês também (29). E de quebra, achamos um livro que, apesar de ser concebido para alfabetizar crianças, é muito bom mesmo para nós adultos aprendermos a fonética associada aos grupos de letras em francês (30).
Como podem ver, em um resumo de um evento simples pude contar 30 agradáveis detalhes (o número fechado foi mera coincidência, juro!). Adicione os muitos que não lembrei, outros mais que não tenho como transmitir a vocês como a paisagem colorida da primavera no caminho e ponha isso no dia a dia dos 5 meses durante os quais estou morando aqui.
Isso me faz lembrar do que o amigo Júlio Falcão, que agora mora na Austrália me disse, repassando o que haviam lhe dito:
"Que você encontre lá o que estás procurando, seja este o que for".
Pois bem, achei bem mais do que procurava!
Marcadores:
choque cultural,
lazer,
qualidade,
vida
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Curiosidades, parte 2
Vocês sabiam que apesar de Montréal ficar a somente 260Km e 3 horas de viagem daqui, existe uma defasagem de até três semanas entre as mudanças na vegetação a cada estação? Não?!?! Eu também não sabia.
E por falar em estação do ano, se o apartamento estiver com uma temperatura menos confortável que o desejado, o uso de lâmpadas incandescentes pode aumentar um ou até mesmo dois graus. Se é de gastar energia com um aquecedor complementar ao sistema coletivo, desse jeito gasta-se a energia mas ao mesmo tempo ilumina-se o ambiente. Existem também aquecedores direcionais que gastam menos energia que aquecer a casa toda.
E por falar em casa, como é que podemos fazer compras vai Internet se sai todo mundo de casa, não tem empregada e nem porteiro? O "carteiro" deixa um papel dizendo que a encomenda pode ser recebida na agência dos correios mais próxima que, no nosso caso, fica na esquina cada vez mais mágica.
E por falar em eficiência, fiquei surpreso quando troquei o chip pré-pago pelo pós-pago porque a comutação de linha é instantânea. O celular já recebe ligações no mesmo número assim que o religamos. O mais impressionante para mim foi trocar um canal pouco interessante pela RDS no site da Vidéotron e após apertar o botão de confirmação, o decodificador já passou a exibir o canal no mesmo momento, bem no começo do jogo do Canadiens! Vamos ganhar a copa Stanley!!!
E por falar em rapidez, escolham o que tiver de escolher logo senão o atendente escolhe por você para não perder tempo! A Mônica escolheu o sabor de morango para o sorvete, mas tinham dois. A mulher nem perguntou qual dos dois ela queria. Também aconceceu outro caso semelhante comigo, mas não lembro com o que foi.
E por falar em não lembrar, no Brasil eu não usava mais os cheques porque muitas vezes são acompanhados de burocracia para minimizar os calotes. Aqui se usa cheque até para terem somente os dados bancários. Neste caso, eles escrevem que o cheque está anulado.
E por falar em calote, no Brasil o cheque volta por estar sem fundos. Chegou ontem uma correspondência enviada pelo banco com os cheques que usamos, mas que foram devidamente compensados e carimbados. Voltaram apenas para que tenhamos registro e para servir como recibo.
E por falar em diferenças entre países, ouvi algo relativo a proibição do uso de carros com o volante no lado direito. Hein?!?! É isso mesmo. É raro, mas tem carros aqui que são do padrão da Grã-Bretanha (Eca! Grã fica esquisito pacas em português!) e da Austrália. Acho correto porque é complicado de ultrapassar estando sentado do lado oposto.
E por falar em carros, vejo por aqui os alemães Audi, BMW, Mercedes, Porsche, VW, mas nenhum italiano, nem francês. Não vejo Ferraris por aqui mas provavelmente não por causa do preço. Aqui a galera tem muuuuita grana para comprar carro. Acho que é apenas uma questão cultural. O que se vê aqui são os ícones norte-americanos chamados de muscle cars/carros "musculosos": Mustang, Camaro, Corvette, Charger, etc.
E por falar em Charger/carregador, vou recarregar minhas baterias para o dia de amanhã!
Vou ver se junto mais curiosidades para um terceiro lote.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Não encontro isso no Canadá: Ligue o desconfiômetro!
Muito antes de pensarmos em vir para o Canadá, já existia uma gozação que até hoje é lembrada entre os imigrantes. Em uma lista de discussão, alguém perguntou se tinha para vender aqui ou se precisava levar do Brasil uma panela de pressão. Depois disso, com medo de não encontrar aqui, já vi gente querendo trazer de tudo, desde rodo e farinha láctea até móveis e granito, importando por navio. Estou falando sério!
Gente! Apesar de estarmos bem perto, vocês não estão vindo para o meio do polo norte! Em parte, isso é fruto de alguns que alardeam que não encontraram blá, blé e bli. De fato, algumas coisas são difíceis de encontrar, ou até nem mesmo são vendidas aqui. Mas normalmente tem uma razão. É importante termos em mente que muita coisa aqui é bem diferente, desde o clima e comidas até os costumes. Então, agucem (Nota do tradutor: Isso é português, do verbo aguçar, mas o cearense está pensando em francês, onde o verbo é bem mais utilizado) a percepção para saber se não estão tentando fazer igual a história dos índios usando rádio. É uma história didática que diz que os índios não aprovaram a comunicação via rádio porque ele faz menos fumaça que a madeira para transmitir sinais de momaça (Nota do tradutor que não está traduzindo nada hoje! É fumaça no idioma do Davi). Ou seja, não necessariamente algo novo vai funcionar da mesma forma que se fazia com o velho.
Seguem alguns exemplos para ajustarem o desconfiômetro.
-Esse é o exemplo mais legal que lembro para ilustrar o que quero passar. É difícil de encontrar filtros aqui. Quando encontramos, muitas vezes são de adaptar na saída da torneira e são uns trambolhos. Claro! Aqui a água da torneira é de boa qualidade e é de lá de onde bebemos diretamente! Nunca viram em filmes a pessoa acordar no meio da noite e beberem água na torneira do banheiro? Comprei uma garrafa que tem um filtro embutido só para ter um conforto mental, mas também tomo direto da torneira. É bom usar uma garrafa aberta para deixar o cloro evaporar e melhorar o gosto.
-Lembrei de escrever isso porque meu desconfiômetro disparou quando estava a caminho da Canadian Tire para comprar pregos para prender um quadro na parede. Daí, lembrei que a parede é de drywall/"gesso" e não alvenaria como usualmente é no Brasil. Por isso, poderia ser que o prego ficasse frouxo facilmente. Pensei em um parafuso, mas chegando lá vi que uma outra solução é mais apropriada. Vejam na foto. Os pregos são obrigados a ficar em diagonal para baixo e o quadro tem uma espécie de cabo de aço atrás para pendurar nos ganchos.
-Na lista, vi as pessoas batendo cabeça para encontrar rodo. Não se joga água em piso de madeira, portanto, não precisamos de rodo. Para limpar o chão, existem esfregões que são mais práticos que um rodo com um pano de chão enrolado.
-Ferro de passar, tem, mas pouca gente usa e só para alguns tecidos que são evitados. Se dá para evitar o trabalho de passar roupas, porque não?
-A panela de pressão é função do que se vai cozinhar. Dizem que é essencial para o feijão, mas tem feijão aqui que é pré-cozido ou algo assim que dispensa o seu uso. Também, nem lembrava mais que existia feijão! Mas mesmo assim, se for essencial à sua sobrevivência, tem para vender sim!
-Agora um exemplo cultural. Aqui se usa demais a boite vocal/secretária eletrônica. Se ligarem para alguém ou alguma instituição e não atenderem por mais de uma vez, não estranhem. Simplesmente deixem um recado dizendo nome, telefone e opcionalmente o assunto que normalmente eles ligam de volta. Também é recomendável não atender o telefone no meio de uma reunião ou conversa mais importante, já contando que alguém vai deixar recado com a nossa amiguinha. A não ser que vejas que é importante, claro. É a cultura do uso eficiente do tempo.
O importante é ter em mente que aqui é outro ambiente e vir de mente e coração abertos para que a adaptação seja mais suave e rápida. Pensando de uma forma mais abrangente que os exemplos que usei aqui, evitem criticar alguns costumes daqui sem antes tentar saber o porquê deles. Por exemplo, os apartamentos feitos quase que totalmente de madeira, ironicamente são ecológicos! É porque a madeira tem um isolamento térmico melhor, reduzindo o gasto de energia, evita a poluição das indústrias de fabricação dos outros materias, é reciclável e pode ser extraída de maneira sustentável.
domingo, 14 de março de 2010
Curiosidades aleatórias
Essa é uma coleção de curiosidade que vinha juntando para ficar em um mesmo post.
Quando cheguei aqui, dia 15/jan, o sol nascia às 07h30 e se punha às 16h30. Depois de somente 20 dias, o sol já nasce às 07h00 e se põe às 17h00. Me disseram que no verão, chega a ficar claro em plenas 21h00 da "noite". No inverno ao meio-dia, o sol fica bem inclinado e fazendo sombra lateralmente, o que dá impressão de ser cedo da manhã ou tarde da tarde.
Quando está mais frio, não neva. A neve aparece quando a temperatura está mais próxima de zero graus. A temperatura de congeladores de geladeiras é de aproximadamente -18 graus. Embora seja bem raro, a temperatura aqui pode chegar a -30 graus. Porém, pode fazer até +35 no verão. Nevou em pleno verão em Calgary.
No inverno, é obrigatório usar pneus de neve e freios ABS são padrão há muitos anos. Quando ligamos o carro, o farol já fica acesso, sem podermos apagá-lo, salvo se o controle for automático. Aqui, podemos dobrar a direita avançando o sinal vermelho, a não ser que tenha uma placa dizendo que é proibido. Nós mesmos abastecemos os carros e podemos pagar com cartão passando na bomba de combustível. Existem 3 tipos de gasolina de qualidade tão boa que um Corolla 1.8 chega a fazer 16Km/l na cidade. Isso por volta de 1$ por litro. O Celta 1.0 mais barato é mais ou menos do preço de um Honda Civic ou Toyota Corolla 1.8, sendo ambos zero quilômetro.
Os fogões são elétricos e normalmente têm temporizador (timer). O frio faz com que usemos aquecedores, que ressecam o ar. E o ar seco evita a proliferação de ácaros, fungos e outros agentes alergolépticos. E é mais fácil aumentar a humidade do ar seco que baixar a do ar húmido. Basta usarmos um humidificador e ajustarmos para o valor mais saudável.
Atualmente, tem mais imigrantes em Toronto que nativos. O inglês daqui é bem parecido com o dos EUA, mas o francês chega a ser diferente ao ponto de ter programas com legenda para os franceses. Quase 30% da população de Vancouver é de chineses (censo de 2006). Tem 4,5 horas de diferença de fuso-horário entre a costa oeste e leste do Canadá. Repare que tem um fuso-horário de somente meia hora de diferença entre os 5. Aqui o horário de verão dura a primavera, verão e outono, ou seja, é horário de não inverno.
Usa-se frequentemente só o primeiro nome e o último nome. Assim, meu nome oficialmente em documentos deixou de ser Alexei Barbosa de Aguiar para ser somente Alexei Aguiar. Porém, como dá muita ambiguidade (não com o meu nome, claro!), alguns cadastros pedem o sobrenome de solteiro da mãe que, no caso, foi justamente o que foi suprimido do meu nome.
Se você comprar algo e simplesmente não gostar, pode devolver em até acho que 30 dias. Da primeira vez eu tentava explicar o porque e a mulher não queria saber. Realmente, eles só querem saber do cupom fiscal e do cartão para fazerem o reembolso do dinheiro. Isso é bom porque obriga o fabricante e as lojas a terem bons produtos, senão eles voltam.
Muitas salas não tem instalação elétrica para iluminação no teto. Usa-se lampadaires/abajours compridos para iluminar o teto e as paredes. É tão proposital e cultural que aqui no nosso apartamento tem um interruptor que liga e desliga as quatro tomadas de uma das paredes, enquanto todos os demais cômodos têm luminária no teto.
Quando cheguei aqui, dia 15/jan, o sol nascia às 07h30 e se punha às 16h30. Depois de somente 20 dias, o sol já nasce às 07h00 e se põe às 17h00. Me disseram que no verão, chega a ficar claro em plenas 21h00 da "noite". No inverno ao meio-dia, o sol fica bem inclinado e fazendo sombra lateralmente, o que dá impressão de ser cedo da manhã ou tarde da tarde.
Quando está mais frio, não neva. A neve aparece quando a temperatura está mais próxima de zero graus. A temperatura de congeladores de geladeiras é de aproximadamente -18 graus. Embora seja bem raro, a temperatura aqui pode chegar a -30 graus. Porém, pode fazer até +35 no verão. Nevou em pleno verão em Calgary.
No inverno, é obrigatório usar pneus de neve e freios ABS são padrão há muitos anos. Quando ligamos o carro, o farol já fica acesso, sem podermos apagá-lo, salvo se o controle for automático. Aqui, podemos dobrar a direita avançando o sinal vermelho, a não ser que tenha uma placa dizendo que é proibido. Nós mesmos abastecemos os carros e podemos pagar com cartão passando na bomba de combustível. Existem 3 tipos de gasolina de qualidade tão boa que um Corolla 1.8 chega a fazer 16Km/l na cidade. Isso por volta de 1$ por litro. O Celta 1.0 mais barato é mais ou menos do preço de um Honda Civic ou Toyota Corolla 1.8, sendo ambos zero quilômetro.
Os fogões são elétricos e normalmente têm temporizador (timer). O frio faz com que usemos aquecedores, que ressecam o ar. E o ar seco evita a proliferação de ácaros, fungos e outros agentes alergolépticos. E é mais fácil aumentar a humidade do ar seco que baixar a do ar húmido. Basta usarmos um humidificador e ajustarmos para o valor mais saudável.
Atualmente, tem mais imigrantes em Toronto que nativos. O inglês daqui é bem parecido com o dos EUA, mas o francês chega a ser diferente ao ponto de ter programas com legenda para os franceses. Quase 30% da população de Vancouver é de chineses (censo de 2006). Tem 4,5 horas de diferença de fuso-horário entre a costa oeste e leste do Canadá. Repare que tem um fuso-horário de somente meia hora de diferença entre os 5. Aqui o horário de verão dura a primavera, verão e outono, ou seja, é horário de não inverno.
Usa-se frequentemente só o primeiro nome e o último nome. Assim, meu nome oficialmente em documentos deixou de ser Alexei Barbosa de Aguiar para ser somente Alexei Aguiar. Porém, como dá muita ambiguidade (não com o meu nome, claro!), alguns cadastros pedem o sobrenome de solteiro da mãe que, no caso, foi justamente o que foi suprimido do meu nome.
Se você comprar algo e simplesmente não gostar, pode devolver em até acho que 30 dias. Da primeira vez eu tentava explicar o porque e a mulher não queria saber. Realmente, eles só querem saber do cupom fiscal e do cartão para fazerem o reembolso do dinheiro. Isso é bom porque obriga o fabricante e as lojas a terem bons produtos, senão eles voltam.
Muitas salas não tem instalação elétrica para iluminação no teto. Usa-se lampadaires/abajours compridos para iluminar o teto e as paredes. É tão proposital e cultural que aqui no nosso apartamento tem um interruptor que liga e desliga as quatro tomadas de uma das paredes, enquanto todos os demais cômodos têm luminária no teto.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Choque cultural

O blog deu uma pausa abrupta, mas é por uma boa causa. Por esses dias, vou voltar com muita informação acumulada que está só aguardando uma confirmação. Aguardem que vai ser quente! Por enquanto, um post coringa sobre choque cultural.
Choque Cultural descreve a montanha russa emocional e psicólogica que adultos vivenciam quando se mudam para outros países. É um período de socialização cultural que se diferencia do processo de assimilação cultural pelo qual as crianças passam.
Este fenômeno afeta cidadãos comuns, estrelas do esporte, professores de línguas, empresários e suas famílias. Qualquer pessoa que se muda para um outro país experimenta algum tipo de choque cultural logo após as primeiras semanas no novo ambiente.
O choque cultural é sentido como uma falta de direção, um sentimento de não saber o que fazer ou como fazer, o que é apropriado ou não. Há confusão quanto aos limites culturais. Manifesta-se também, ainda que em menor grau, em mudanças de cidades, estados ou províncias de um mesmo país. É tão mais intenso quanto mais diferentes forem as culturas.
Reconhecer e não negar o choque cultural é crucial para lidar com o problema e minimizar o risco de desilusão com o novo país e de uma volta prematura para casa.
Sintomas
- Tristeza, solidão e melancolia;
- Mudanc,as de humor, depressao, sentimento de impotencia;
- Raiva, irritação, resentimento, falta de motivação para interagir com os outros.
- Sentimento de estar perdido, de estar sendo ignorado, explorado ou abusado;
- Medo excessivo de ser roubado ou passado pra trás.
- Problemas de saúde: dores, alergias, problemas de digestão e intestinais;
- Sono excessivo ou insuficiente;
- Insônia.
- Comportamento obsessivo/paranóico com limpeza, segurança etc;
- Medo de tocar os nativos.
- Perda de identidade;
- Falta de confiança;
- Sentimento de inadequação ou insegurança;
- Incapacidade de resolver problemas simples.
- Identificação excessiva com a própria cultura;
- Idealização do antigo país.
- Esforços exagerados de absorver tudo na nova cultura.
- Esteriotipação e ridicularização da nova cultura e povo;
- Críticas injustas à nova cultura e povo;
- Reclamações constantes sobre o clima.
- Desculpas para ficar em casa;
- Recusa em aprender a língua local e em interagir com os nativos.
- Saudade excessiva da família;
- Idéia fixa de voltar pra casa;
- Atividades exclusivas com conterrâneos;
- Vida em gueto.
Estágios do Choque Cultural
Os especialistas concordam que o choque cultural tem fases e que uma vez superados os estágios iniciais mais difíceis, a vida no novo país se torna muito melhor.
Cada pessoa reage de maneira individual dependendo da personalidade, maturidade, experiências anteriores, condições sócio-econômicas, nível de instrução, conhecimento do idioma, apoio familiar e social e apego pessoal às coisas, às pessoas e ao passado.
Nem todo mundo passa por todas as fases ou permanece tempo suficiente no novo país para passar por todas elas:
1. Lua de Mel
Durante este período inicial, as diferenças entre as culturas antiga e nova sao romanceadas. Tudo é lindo e novo. A nova cultura é exótica e fascinante. Ao se mudar para um novo país, o indivíduo é inundado por novas impressões e sensações e "adora" as novas comidas, o rítmo diferente das coisas, os hábitos das pessoas, as roupas típicas, os prédios, os monumentos etc. É a fase divertida, excitante e aventureira de conhecer novas pessoas e lugares, e de cogitar novas oportunidades.
2. Negociação
Após algum tempo, geralmente algumas semanas, as diferenças entre as duas culturas se tornam evidentes e começam a criar ansiedade e frustração. Bate saudade da comida preparada no país de origem. O rítmo das coisas fica muito rápido ou muito devagar. O comportamento diferente e imprevisível das pessoas irrita. Alguns hábitos diferentes incomodam ou causam nojo. Esta fase é marcada por mudanças de humor causadas por pequenas coisas ou mesmo sem razao aparente. A depressao nao é incomum.
Pequenas crises se tornam frequentes, quase diárias, são agravadas por problemas de comunicação tanto para entender quanto para ser entendido e geram sentimentos de descontentamento, impaciência, raiva, tristeza, incompetência e impotência.
A transição entre as práticas e os métodos antigos e os novos é um processo difícil e toma tempo para ser concluído. E quanto maior a diferença entre as culturas, mais longo e intenso este processo se torna.
A tentação é considerar os diferentes costumes ruins ou tolos. O estrangeiro começa a criticar e a ridicularizar (apelidos e piadas) ou mesmo mostrar animosidade em relação aos habitantes da nova terra.
Como lidar com o Choque Cultural
O choque cultural pode ser uma oportunidade de redefinição dos nossos objetivos de vida. E exatamente os desconfortos e estranhamentos podem revelar facetas desconhecidas de nossa personalidade, estimular e desabrochar áreas potenciais ou adormecidas do nosso ser. Um novo ambiente pode ser terreno fértil para atitudes ousadas, criativas e surpreendentes!
A maioria dos indivíduos e das famílias que mudam de país têm a habilidade de confrontar de maneira positiva os novos obstáculos.
Permita-se sentir triste pelo que ficou para trás: família, amigos, situações, lugares, prazeres. Reconheça e viva o luto destas perdas.
Crie logo uma rede de apoio no novo país: conterrâneos e nativos. Nao é preciso gostar de todo mundo na nova terra.
Aceite o novo país. Concentre sua energia em superar a transicão.
Mantenha contato com a nova cultura. Aprenda a língua local. Participe de alguma atividade cultural, esportiva ou social em que possa praticar os novos conhecimentos.
Concentre-se no que pode controlar. Não desperdice energia em coisas que não pode mudar ou em problemas menores.
Encare os grandes problemas de frente, com convicção. Nao os evite.
Inclua alguma forma de atividade física regular (caminhada, natação, academia etc) na sua rotina. Relaxamento e meditação (yoga) são muito indicados para quem está passando por períodos de stress.
Cultive um hobby.
Seja paciente, o processo de adaptação a outro país pode durar meses mesmo.
Estabeleça pequenas metas realistas e vá avaliando o seu progresso.
Quando for invevitável, encontre maneiras de conviver com coisas e situações que não te agradam 100%.
Evite se colocar novamente em situações que foram desfavoráveis uma primeira vez. · Deixe para insistir depois que se sentir mais adaptado.
Não se esforce demais. Seja gentil consigo mesmo.
Mantenha a confiança em você mesmo e focado nos seus planos.
Registre seus pensamentos, frustrações e sentimentos.
Procure ajuda. Há sempre alguém disponível, amigo ou profissional.
Algumas pessoas são incapazes de aceitar a nova cultura e se integrar. Elas se isolam no novo ambiente que consideram hostil se recolhendo em guetos. Consideram a volta prá casa a única saída. Costumam também ter mais problemas de reintegração quando retornam ao país de origem. Aproximadamente 60% das pessoas se comporta assim.
Algumas pessoas se integram totalmente e incorporam praticamente todos aos aspectos da cultura hospedeira, deixando inclusive sua identidade cultural original para trás. Normalmente permanecem no novo país em definitivo e mesmo quando retornam não se readaptam. Cerca de 10% se encaixam neste grupo.
E, finalmente, há aqueles que conseguem se adaptar aos desafios da nova cultura. Absorvem os aspectos que consideram positivos, mas mantêm jeitos do próprio país, criando sua mistura cultural original. Não costumam ter maiores problemas na volta ou de recolocação a outro país. Uns 30% se encaixam neste grupo de cosmopolitas.
3. Adaptação
Assim, depois de certo tempo (de alguns meses a um ano), acostuma-se com a nova cultura e cria-se uma nova rotina. Agora já se sabe o que esperar da maioria das situações e o país adotado não mais parece tão novo assim. Esta terceira fase é caracterizada por um entendimento e um sentimento mais profundo da nova cultura e suas motivações. Aceita-se melhor o comportamento das pessoas e diminui o sentimento de isolamento, aumentando a integração e a confiança em lidar com a nova cultura.
Uma nova sensação de prazer e senso de humor levam ao equilibrio psicológico. O novato não mais se sente tão perdido e começa a ter um senso de direção. Agora quer fazer parte do ambiente e se sente mais em casa. Inicia-se um processo de avaliação dos velhos hábitos e jeitos em contraposição aos novos, récem-adquiridos. A pessoa racionaliza e sente que a nova cultura tem coisas boas e ruins para oferecer, se sente bem no novo ambiente e até mesmo prefere alguns aspectos culturais e comportamentos novos que adota como seus.
Os desafios comuns da vida voltam a ser prioritários e as coisas voltam a ser mais normais. O indivíduo começa a estabelecer novas metas de vida e se sente em casa.
4. Contra-choque Cultural
Voltar prá casa depois de se adaptar a outro país pode causar os mesmos sintomas e efeitos descritos acima. E será uma surpresa para muitos. As coisas já não serão as mesmas, os familiares e amigos terão levado suas vidas adiante, nada ficou como era esperado na nossa volta... E a gente se dá conta de quanto mudou também, de que incorporou novos hábitos mesmo sem sentir. E agora sente outra saudade!
Assinar:
Comentários (Atom)









