segunda-feira, 28 de maio de 2012

Manifestação dos estudantes


Tudo começou quando o governo do primeiro ministro do Québec, Jean Charest, anunciou o orçamento da província. Este incluia um aumento de 75% das taxas escolares do ensino pós-secundário, que é o mais barato de todo o Canadá. Os estudantes não gostaram e foram às ruas protestar.

Em geral as manifestações são pacíficas, mas houveram casos de vandalismo e confrontos com a polícia. Pelo simples fato de estarem ocupando as ruas de Montréal, isso já atrapalha o trânsito mas chegaram a bloquear vias de pontes, que causa um congestionamento ainda maior. O caso mais extremo foi quando colocaram bombas de fumaça em algumas estações do metrô que causou sua paralização completa da rede. Os culpados foram identificados, presos e liberados mediante pesadas multas. Aqui em Québec, as manifestações foram muito reduzidas e só o que chegou a aparecer com ais ênfase na imprensa foi quando colocaram algo na água da fonte que fica em frente ao parlamento para deixá-la vermelha.

O governo tentou algumas fórmulas para gerenciar a crise, mas só o que conseguiu foi agravá-la. Começou tentando ignorá-la para ver se passava e percebeu que deveria negociar, mas viamos que a ideia era resolver o problema sem ceder nada. Ofereceram empréstimos, o que não satisfez os estudantes. Depois, pegou a ideia destes de cortar algumas partes do orçamento das universidades que eram vistos por eles como desperdícios e reverter esses recursos em abatimento do aumento. O problema era a forma pela qual isso seria implementado: uma comissão de 19 pessoas, das quais apenas 4 estudantes, analisaria os orçamentos da instituições de ensino pós-secundária para encontrar esses eventuais itens que poderiam ser economizados. O problema é que não existia garantia nenhuma de que isso pudesse acontecer e os estudantes interpretaram isso como uma tentativa do governo de ludibriá-los.

Ainda mais enfurecidos, os estudantes reforçaram as manifestações, o que fez com que a ministra provincial da educação pedisse demissão do cargo e abdicasse da sua função de deputada. Charest, por sua vez, tentou ser ainda mais linha dura tentando resolver o impasse com a criação da polêmica lei 78. Esta determina a suspenção temporária das aulas e impõe uma série de regras e restrições em relação às manifestações. Por ela, uma manifestação com mais de 50 pessoas tem que ter seu trajeto, horário e duração enviados à polícia com antecedência mínima de 8 horas, sujeita a aprovação. Caso fujam desses parâmetros, a manifestação é considerada ilegal, os manifestantes podem ser presos e terão que pagar entre 1.000 e 5.000$, ou mesmo entre 7.000 e 35.000$ caso seja um líder estudantil ou de uma união.

Foi como jogar gasolina para apagar a fogueira. Houveram manifestações bem violentas, comfrontação com a polícia madrugada a dentro e 308 prisões em uma só virada de noite. As redes de televisão estavam cobrindo o evento o tempo todo. O grupo estudantil C.L.A.S.S.E. ousadamente conclamou os estudantes à desobediência civil à lei 78, oferecendo suporte financeiro e político aos que fossem presos por infringi-la. Em pouco tempo, começaram a prender em Montréal, Québec e Sherbrook  pessoas sob essa nova lei mas ainda não se sabe como vai ser a aplicação das penas, visto que são bem pesadas e é muito cedo para que tenham diretrizes de como usá-la. Ouvi no rádio de que poderiam enquadar os presos como simples contravenção ao código de trânsito ao invés desta.

Passados mais de 100 dias de manifestação, agora esta toma novas formas como o mouvement des casseroles/movimento das panelas que causa um barulhão pelas ruas de Montréal, com adesão de crianças, adultos e idosos que nem mesmo são estudantes. Também começaram manifestações de solidariedade em Nova York e Paris. A reivindicação original de cancelamento das altas das taxas escolares deu lugar a uma causa difusa que adiciona, por exemplo, o desejo de um ensino pós-secundário totalmente gratuito como o da Finlandia, o protesto contra a corrupção do governo Charest e os grandes grupos econômicos internacionais sendo beneficiados na exploração de recursos naturais do Plan Nord/Plano Norte, com consideráveis prejuízos ao meio ambiente.

No presente momento, o governo começa a falar em voltar a negociar com os grupos estudantis. A pressão está ficando cada vez mais forte porque o verão está chegando e esse caos em Montréal é extremamente prejudicial à sua imagem internacional, sobretudo do turismo. Imagino o estrago que pode haver se a crise continuar até a data da fórmula 1.

Sem dúvida esse desenrolar de eventos vai ter repercussões sociais e políticas na história do Québec. Nunca houveram manifestações com centenas de milhares de pessoas nas ruas como estão acontecendo e durante um período tão longo. A população está dividida entre a favor e contra, porque ambos os lados têm pontos de vista válidos. Espero as partes começem a entrar em consenso para que uma solução apareça e dê fim aos inconvenientes causados à população.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Montréal - Parc La Ronde

La Ronde é um parque de diversões que fica em uma ilhota vizinha à de Montréal, onde ficam também o Parc Jean-Drapeau e a Biosphère. O parque é bem grande e tem diversão para todas as idades...ou quase todas. É um programa para passar boas horas ou até mesmo o dia todo, principalmente se quiserem conhecer as atrações mais concorridas e exercitar a democracia nas longas filas. Como era o dia que prometia ser o último de temperatura quente antes do outono tomar ares de inverno, a fila começou mesmo antes de chegarmos na ponte Jacques-Cartier, que passa pela ilhota.

Mas descontando esse inconveniente, fui em uma montanha russa super radical chamada Vampire. Como podem ver nessa página, as cadeiras ficam suspensas por cima e em baixo é aberto. Ele faz uns mergulhos em loop que são de tirar o fôlego. Nos primeiros, eu via o monotrilho e dizia para mim mesmo: estás de brincadeira, né? Ele não vai fazer isso, vai? Recomendo ir ao banheiro antes e de preferência, de barriga vazia!

Tem um trem que dá uma volta grande no parque todo em trilhos altos. Graças a ele, pude filmar muito do parque e colocar nesse vídeo. Por falar em vídeo, a primeira parte dele foi gravada em um passeio de barco. Este foi feito especialmente para poder navegar na parte rasa do rio Saint-Laurent. O passeio nos dá uma visão privilegiada dessa parte de Montréal e a guia conta um pouco da sua história, falando em francês e repetindo em inglês, claro!

Esses foram dois programas que nossos amigos Tarcizo e Priscila nos levaram e que gostamos muito. Inclusive, compramos o passe do La Ronde que dava direito ao final do outono do ano passado e a primavera-verão-outono desse ano. Valeu Tarcizo e Priscila!

Fiquem ao som da québécoise Marie-Mai, com a participação da banda Simple Plan para dar o tom bilíngue da metrópole multicultural.



domingo, 22 de abril de 2012

Montréal - Biodome

Finalmente tive a oportunidade de chegar nas postagens de turismo em Montréal que estavam pendentes na fila há muito tempo. Um passeio que recomendo é o Biodôme e a Tour de Montréal.

O Biodôme é uma espécie de zoológico com ambientes que reproduzem alguns habitats naturais das Américas. O da floresta tropical e úmida, por exemplo, é quente e tem uns jatos que pulverizam água para simular o ambiente real. O mais legal é que temos contado direto com o ambiente, inclusive com as aves que ficam soltas.

Um habitat que acho particularmente super interessante é o subantártico por causa dos pinguins. Tem neve artificial e as paredes são de vidro, que nos permite ver os pinguins nadando por baixo da água também. O Davi ria muito porque eles interagiam com ele através do vidro.

 Vizinho ao Biôdome, temos a Tour de Montréal, que é a mais alta torre inclinada do mundo com seus 145 metros a 45° de inclinação. Tem um elevador panorâmico para subir e a vista de lá é maravilhosa. Podemos ver muito de Montréal do alto, inclusive o estádio que foi usado nas olimpíadas de 1976, cujo teto é suspenso pela torra. Vale ressaltar que foram as olimpíadas de verão porque nesse lado do globo, as olimpíadas de inverno também são populares. Não deixem de dar uma olhada no andar que fica acima do de visualização panorâmica, que tem umas fotos da cidade em 3D.

De fato, Montréal tem atrações turísticas que não temos em Québec, mas nada que 260Km e 3 horas de viagem nos impeça de conhecer.

sábado, 7 de abril de 2012

Ville de Québec


Há séculos... bom, na verdade há alguns anos, eu e outros temos repetido a mesma ladainha em relação ao nome da cidade. Como por esses dias a frequência tem se acentuado, resolvi escrever aqui para poder reaproveitar a explicação e fazer o velho copiar e colar. A questão é que muitos brasileiros chamam a cidade de Ville de Québec, mas também toscamente de Ville DU Québec, Québec Ville, Ville Québec, Vila do Québec, Cidade do Québec, Cidade de Québec, e por aí vai.

A cidade se chama simplesmente Québec. Não dá confusão com a província porque o artigo faz a distinção. Então, quando falando da cidade, dizemos:
Québec é uma cidade bonita; Moro em Québec; Vou a Québec; Venho de Québec.
Já em relação à província, dizemos:
O Québec é uma província bonita; Moro no Québec; Vou ao Québec; Venho do Québec.
É análogo a dizer que Fortaleza é capital do Ceará, por exemplo.

Ville de Québec é usado para se referir aos órgãos municipais, da mesma forma que Ville de Montréal, Ville de Gatineau, etc. Quando alguém se refere à prefeitura, usam o termo ville e a sede da prefeitura é o Hôtel de ville. Eis uma página da Ville de Montréal para ilustrar o exemplo:

http://ville.montreal.qc.ca/portal/page?_pageid=5798,86299744&_dad=portal&_schema=PORTAL

 Outro é o Service de police de la Ville de Montréal:

http://www.spvm.qc.ca/fr/

Perguntei ao meu chefe se por alguma razão histórica ou seja lá qual for, se justificaria chamar a cidade de Ville de Québec ao invés de simplesmente Québec. Ele me respondeu que a chamam de Ville de Québec, as pessoas cujos idiomas nativos não suportam a distinção entre a cidade e a prefeitura usando o artigo como se faz em francês como, por exemplo, o inglês (que usa Quebec e Quebec city).

Para terminar, um vídeo que mostra a cidade com várias pessoas, inclusive o prefeito bradando: Ça c'est Québec.

http://www.youtube.com/watch?v=7XXnD8Ftae8

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Turismo em Québec


De tempos em tempos, alguém vem para cá para conhecer a cidade e nos pergunta quais são os lugares mais interessantes. Resolvi fazer uma lista de sugestões com uma breve descrição para que a própria pessoa faça suas escolhas, de acordo com o gosto, a estação do ano e o clima mais apropriado (atividades internas e externas).

Vieux-Québec

Essa é obrigatória. É a parte mais antiga da cidade, que foi a primeira colônia da América do Norte não hispânica. É cercada por uma imensa muralha e conserva um ar antigo que lembra a Europa (apesar de eu nunca ter pisado para lá para comparar). Na parte alta tem o Chateau Frontenac, cartão postal da cidade, com uma linda vista para o rio São Lourenço. Na parte baixa tem uma pintura enorme em uma parede que é muito interessante, além de várias outras coisas que vale a pena ver.

Sejam benvindos à máquina do tempo
Turista, mesmo depois de 8 meses

 

Travessia do rio São Lourenço/Lévis/Boulevard Champlain

Se estiverem de carro, uma boa pedida é atravessar o rio São Lourenço de Traversier/Ferry Boat/Balsa, dar uma volta por Lévis (a cidade que fica no outro lado do rio) vendo as bonitas casas que ficam às margens do rio, e voltar por uma das duas pontes imensas que liga as duas cidades. Chegando de volta a Québec, usualmente passo por baixo das pontes pegando a boulevard Champlain e dou uma parada para mostrar uma torre de madeira em um pier que invade o rio. Depois, sigo a boulevard Champlain.

Atravessando por lá onde o rio se estreita
Ponte Québec-Lévis

Citadelle

Foi a mais importante fortificação britânica construida na Amérida do Norte. É o ponto natural mais alto e fica em Vieux-Québec.

Observatório

É um prédio alto de onde dá para ter uma boa visão da cidade e identificar alguns pontos turísticos.

Plaines D'abraham

É uma área imensa, com muitos kilômetros de extensão. Tem muitas áreas verdes, uma visão do rio São Lourenço, o Musée de Beaux Arts e próximo deste, tem um playground para as crianças, uma pista de patinação que vira pista de ski de fond no inverno. As pessoas também vão para lá para jogar futebol, freesbie, ou simplesmente ler debaixo das árvores ou se bronzear aproveitando o sol de verão. Um ótima pedida para um pique-nique para aproveitar a natureza, inclusive já tem os conjuntos de mesas com bancos.

Solzão, calor, bermudas, bronzeado e futebol
Solzão, calor, bermudas, bronzeado e futebol, parte II
Turista, mesmo depois de 8 meses

  

Museu da Civilização/ Museu de belas artes

Dois dos museus da cidade.

Musée de la civilisation

Hotel de glace/Hotel de gelo

No inverno, é uma atração curiosa ver esse hotel que tem dezenas de quartos e é todo feito de gelo. A iluminação colorida dá um toque artístico, tem bar, uma capela e um tobogã de gelo.

Hotel de gelo gelado

Village Vacances Valcartier

É o maior parque de inverno da América do Norte, com vários tipos de tobogãs de neve diferentes, dos mais suaves aos mais radicais. Tem centenas de câmeras de ar e cabos de aço com ganchos para nos puxar para os altos dos tobogãs.

Village Vacances Valcartier

Aquarium

É uma espécide de zoológico de animais marinhos, com muitos peixes, répteis, anfíbios, morsas, focas, ursos polares, e outros.

Visita ao Aquarium

 

Plage Baie de Beauport

Praia de rio com playground e jatos d'água para as crianças, bem como restaurante e esportes aquáticos.

Vamos a la playa?

Plage Jacques Cartier

Praia de rio nativa, mas com banheiros, bebedouros e mesas para pique-nique.

Vamos a la playa?

Chute Montmorrency

Queda d'água natural enorme, interessante em qualquer estação do ano. Recomendo estacionar em cima, descer pelas escadas e pagar o teleférico somente para subir.

Chute Montmorency

Projeção no moinho

Durante o verão, existem seções de exibição de vídeos na imensa superfície dos silos do moínho, no porto. Atualmente a projeção está sendo feita em 3D.

Festival d'Été

Como o próprio nome diz, esse festival acontece no verão. São 11 dias de dezenas de atrações musicais e outros divertimentos em vários pontos da cidade. Tive o privilégio de assistir Rush, Iron Mainden, Dream Theater, Elton John, Metallica e John Fogerty pagando apenas o laisse-passez.

Festival d'Été
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Festival d'été 2011 - Elton John
Festival d'été 2011 - Joe Satriani e Metallica
Festival d'Été 2011 - John Fogerty

Red Bull Crashed Ice 

Québec todo ano sedia a final da competição de descida em velocidade com obstáculos sobre o gelo. É a Meca desse tipo de competição, com as pistas mais longas, rápidas e emocionantes. Ocorre por volta de março.

Red Bull Crashed Ice 2010
Red Bull Crashed Ice 2011

Jogo de hockey do Remparts no Colisée Pepsi 

Como vocês sabem, o hockey aqui no Canadá é o esporte nacional como o futebol é no Brasil. É um ambiente fechado e aquecido que tem desde bebês de colo até idosos. Durante o dinâmico jogo, tem as músicas de incentivo, festa nos gols e nos intervalos do jogo tem sorteios, brincadeiras, jogo das crianças, etc. Tem jogo excluindo quase somente o verão.

Let's go Rempart, let's go

Patinação

Existem muitas pistas gratuitas interessantes para a prática da patinação. Quem quiser experimentar, normalmente tem patins de aluguel. A pista da Place d'Youville é a aberta que começa mais cedo e termina mais tarde porque tem refrigeração artificial. A do rio Saint-Charles é comprida e ao longo do rio.  A do Anneau Gaétan-Boucher  é uma pista de dimensões olímpicas com 400 metros de perímetro por 12 metros de largura. No Galeries de la Capitale tem uma pista de hockey grande em ambiente fechado, que garante a diversão praticamente o ano todo.

Vamos patinar?

Sky e snowboard

Sendo a cidade onde mais cai neve dentre as principais do Canadá, esses esportes são bem praticados aqui. Só conheço o Relais du Lac Beauport, que fica a 14Km daqui de casa, mas existem também o Stoneham a 23Km e o Mont Saint-Anne, a 47Km.

Ski e snowboard

Carnaval

O carnaval daqui é bem familiar, com atividades divertidas, tobogãs, esculturas de gelo, apresentações, etc. Existe também o desfile que passa por 3 roteiros na cidade.

É carnaval
Carnaval 2011
Desfile de carnaval 2011


Île d'Orleans

Uma ilha bonita que fica no limite da cidade e que tem um ar bucólico. Na época da colheta das maçãs, as pessoas fazem um programa de pagar uma pequena quantia para colherem quantas maçãs quiserem nos pomares.

Île d'Orleans



E muito mais. Não dá para listar tudo aqui, mas isso é um bom ponto de partida para ideias.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Ski e snowboard

Sim, senhores e senhoras. Somente no finalzinho do terceiro inverno é que fomos experimentar os esportes de neve. Em parte, foi devido a ainda estarmos patinando muito, que é mais prático e barato. Também outro motivo foi a falta de amigos para fazermos juntos. E finalmente, tenho que reconhecer que também porque é um esporte caro.

Para experimentar e saber se vale a pena investir, recomendo ter uma aula inicial com um instrutor ou com um amigo com alguma experiência. Isso pode poupar algumas quedas e frustrações. Mas não se preocupe! Mesmo assim você vai cair!

Começando pelo ski. Compramos um pacote de uma hora e meia de aula com um instrutor para nós quatro e material incluso, fora o capacete e óculos, para o dia todo. Incluindo os capacetes e óculos, o custo ficou em quase 200$. O instrutor era bom, mas o proveito foi diferente. O Davi desistiu cedo. A Mônica bem que tentou, mas o exercício de subir a pente école/ladeira (ou pista) escola andando de ski foi treinamento militar dos brabos. A Lara ficou até o fim, levou quedas, aprendeu a frear um pouco e fez algumas descidas.

Eu comecei descendo desengonçadamente como um pato bêbado, mas fazendo o tradicional zigue-zague sem nenhuma queda (fora a tapadice na subida da pista puxado pelo cabo de aço). Depois dessa hora e meia de aula, eu já estava descendo na boa, nas pistas longas normais. No dia todo, só levei uma queda por cruzar os skis em uma curva com buraco.

Para decidir, em outro dia fui experimentar o snowboard de uma forma completamente diferente. Dessa vez fui com dois amigos que já tinham alguma prática. Eles me passaram algumas dicas, fomos para a pente école e desci duas vezes com o snowboard de lado e eu descendo de frente. Quando fui descer de costas, simplesmente não consegui. Resolvi dar uma de doido e propus descer nas pistas normais para aprender na marra. Levei boas quedas, mas funcionou! Aprendi a fazer as curvas fazendo-as de primeira tentativa. O pior do snowboard é quando ele se enterra na neve, travando abruptamente e nos fazendo cair para o lado da descida. Com velocidade e caindo de costas, é ainda mais violento.

Para ficar ainda mais radical e traumático, tinha chovido durante alguns dias e a neve estava compacta e dura, quase como gelo. Por cima dela tinha apenas uma fina camada de neve fofa que não dava tanta manobrabilidade nas curvas e frenagens, dificultando ainda mais o aprendizado. O snowboard fazia frequentemente o barulho de madeira arrastando no chão duro. E as quedas doiam mais.

Achando pouco, os loucos dos meus amigos me chamaram para a pista difícil. E eu mais louco ainda, fui! Derrepente, a pista acaba e não vemos o que tem depois. Quando vemos, não tem mais jeito. É uma pista bem inclinada e ganhamos muita velocidade a todo momento. Eu cai do começo ao fim. Mas não antes de sair da pista e cair em um barranco, me enganchando nos galhos das árvores. Ainda bem que me enganchei neles! Foi bem difícil subir com a inclinação e a neve escorregadia.

Meu ponto de vista em relação aos dois.
Ski: Fácil de aprender, menos quedas, quedas para os lados são geralmente menos lesivas, em caso de queda, o ski solta da bota para evitar torções, anda bem em qualquer situação, mais familiar para quem já andou de patins, para o público em geral (crianças, pouco habilidosos, experts, etc.).

Snowboard: Mais difícil de aprender, mais quedas, quedas para frente e para trás são geralmente mais lesivas, os dois pés ficam presos ao snowboard arriscando torções, chato de se deslocar no plano e frequentes prende e solta botas, mais familiar para quem já praticou skate e/ou surf, para quem gosta de esportes mais radicais.

No final das contas, mesmo todo arrebentado, achei snowboard mais emocionante e já comprei o passe para a próxima temporada no Le relais du Lac-Beauport, que fica a 14Km daqui de casa. O passe que permite usar as pistas a partir de 16h00 custou 109$ na promoção até o fim de março, enquanto que o preço normal é de 300$. Sim! É caro mesmo! Mas o do dia todo custa ainda mais: 600$! Quando chegar mais perto, vou comprar o material. O conjunto de snowboard, botas, capacete e óculos vai desde uns 180$ sendo usado até entre 500 e 600$ sendo novos. Claro que em se tratando de preço de produtos, o céu é o limite.

O frustrante é que nessa época já não presta mais para praticar. J'ai hâte au prochain hiver! Estou ansioso pelo próximo inverno!

Obrigado ao Tarcizo pelos vídeos de ski e ao Gustavo pelos de snowboard.




terça-feira, 13 de março de 2012

Choque cultural reverso



Muito se fala das pessoas que não se adaptam à cultura do país estrangeiro e acabam voltando para o Brasil. Sim, acontece e não são raros os casos. Ao contrário do que muitos têm no inconsciente, aqui não é um Brasil de primeiro mundo. É muito diferente sim.

Porém, existe também o oposto: pessoas que têm muita afinidade com a cultura local, que se adaptam facilmente e que passam a achar o Brasil esquisito, ilógico e muito diferente. Isso causa curiosamente o que chamo de choque cultural reverso. Vejam um email que uma participante de uma das listas de discussão de imigração do Canadá relatou do seu caso, que copio aqui com a permissão dela.

"Eu amo o Brasil e tenho o maior orgulho de ser brasileira. Convivendo aqui no Canada com o mais variado grupo de amigos, vindos do mundo inteiro, me fez abrir a mente e ver que muitas coisas que a gente aprende com a nossa cultura nos ajuda a levar a vida aqui fora (liberdade religiosa, o estado separado da religiao, liberdade de mostrar a bunda na TV, seja la o que for...) de forma mais aberta. Vi isso muito de perto depois de conviver bem de perto com mulcumanos... eu sou tao livre e dona de mim!!!! Ai, numa segunda-feira de setembro passado, eu decubro que tenho que ir ao Brasil de urgencia (depois de 3 anos aqui) e na quarta-feira ja estava enfiada dentro de um aviao... Nao tive tempo de me preparar... alias, a preparacao foi feita dentro do aviao e durante as 8 horas de espera no aeroporto do Rio de Janeiro... que tristeza... parecia que eu estava vivendo um sonho e acordei no pesadelo... Eu olhava aquilo tudo e ficava me perguntando o que eu estava fazendo la... aquele aeroporto parece uma rodoviaria de beira de estrada... e a Copa de 2014 esta chegando (que vergonha!!!!!!!!!!!). E, a partir dai, foram 2 meses de Brasil que me deixaram tao confusa, deslocada, peixe fora d'agua... passava o tempo todo tentando me adequar ao ambiente, as pessoas... que situacao esquisita. Foram 2 meses que eu vivi com medo de ser assaltada, de entrarem na minha casa com uma arma... descobri que nao conseguia mais dirigir normalmente (tinha o meu coracao batendo acelerado o tempo todo com medo de acidente na BR-101), suava frio o tempo todo, olhava as obras, as ruas e entendia que nada eh bem feito, tudo sempre esta por ser terminado (um acostamento de estrada caindo aos pedacos, um viaduto todo remendado, umas ruas que nao levam a lugar nenhum)... e assim, me peguei varias vezes repetindo para mim mesma que "ainda bem que isso eh temporario e minha casinha, minha tranquilidade, minhas coisinhas estao me esperando la em Montreal". Tentei evitar ao maximo de falar do Canada e reparei que as pessoas tb nem queriam saber... tive a sensacao de que nada mudou... depois de 3 anos, as coisas ainda estavam no mesmo lugar: as pessoas ainda reclamando das mesmas coisas, falando mal das mesmas pessoas, o transito esta ainda pior, tudo acontece numa velocidade alucinante e ninguem para para respirar... e conclui que eu nao quero isso para minha vida e que na verdade eu nao cabia mais la... eu quero paz de espirito e tranquilidade... e me fez ver que apesar de toda "liberdade" que temos no Brasil.... ainda vivemos muito presos (dentro de casa com medo de ser assaltado, com medo de morrer num acidente de transito e vivendo dentro de padroes de vida para mostrar para os outros q eu sou o bom). E olha que eu sou de Florianpolis (o lugar para onde todo mundo quer fugir). Por enquanto, meu lugar eh no Canada e eh aqui que eu estou cabendo agora... nao eh o paraiso, mas esta suprindo minhas necessidades do momento."
 
Mariana