A saga de uma família de retirantes cearenses, comedores de rapadura,
rumo à terra onde a Cana dá.
Fortaleza -> Ceará -> Brasil -> Canadá -> Quebéc -> Québec
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Faça atenção à lingua mãe
O título dessa postagem foi propositadamente escrito assim, de uma forma esquisita, para ilustrar um fenômeno que acontece com quem vive em um ambiente que tem uma língua diferente da materna. A frase original seria "Fais attention à la mother langue". Já forma mais usual no português seria "Tenha cuidado com a língua materna". Mais esquisito ainda é saber que com algum tempo, se não cuidarmos, podemos falar assim sem nem percebermos. Mas para o brasileiro que vive no Brasil, vai soar esquisito como gringo falando.
Eu já estava querendo escrever sobre esse assunto, mas apareceu uma motivação mais forte. Tudo começou quando encontramos por acaso um brasileiro com a sua filha que também moram aqui. Vou deixar no anonimato porque não sei se ele se incomodaria com a publicação. Ele me parecia meio paranóico com a questão das crianças vivenciarem bem o português. Coisas do tipo só falar português em casa, desenhos animados em português via Internet ao invés dos das tv's daqui. Ele perguntava, por exemplo, se tinhamos amigos brasileiros que tinham crianças para que nossos filhos conversassem em português, e por aí vai.
Determinada hora, não sei como, mas ele contou a estória que explica essa postura. Ele é filho de pais não brasileiros. No começo, falavam o idioma materno em casa mas depois de algum tempo, passaram a conversar somente em português. Ele disse que começou a esquecer o idioma materno e depois, perdeu a capacidade de se comunicar neste.
A parte que me tocou foi dizer que a sua avó gostava muito dele, mas apesar de querer muito, não conseguia conversar com o seu neto pois não falava português. Por isso que ele insistia muito para que a filha não perdesse o português.
Eu sabia que as crianças podiam perder um idioma, mesmo sendo o materno, mas não sabia que era fácil assim. E mesmo os adultos não perdendo a capacidade de se comunicar, existe uma tendência de falar esquisito como extrangeiro. Vejo muitos brasileiros cometendo erros de português influenciados pelo francês sem perceber, como por exemplo: "Eu tenho um acento (sotaque) muito forte em francês"; "Eu adoro patinagem"; "Ele vai ir ao trabalho", "...ai eu acionei a vila (prefeitura, Ville de Québec, Ville de Montréal, etc.)", "Não depasse o colega na fila.", "Fiz por habitude (costume, hábito)", "Essa palavra tem dois sensos (sentidos)" e "Faça atenção! (tenha cuidado)". E existem também as interferências que não são erros de português, mas que denunciam por não serem a forma mais usual como: "Isso é bizarro (e nunca dizer esquisito)", "Não importa qual (qualquer um)" e por aí vai. Se eu começar a escrever assim, por favor me avisem! Eu me policio muito, mas pode acontecer.
Outro caso foi uma família que conheci no parque aqui perto. Os pais e as duas filhas estavam conversando em inglês impecável. Quando foram brincar com a Lara, as duas falavam francês também impecável. Começei a conversar com os pais em inglês porque não sabia se falavam francês. O pai nasceu em Nouveau-Brunswick e tem o inglês como lingua materna, ao contrário da mãe das meninas. Mas os pais dele convencionaram de alternar um dia falando em cada idioma. Como aqui em Québec o francês está muito presente, esse casal resolveu só falar em inglês em casa para tentar equilibrar. "Não queremos que as nossas filhas percam o inglês que já falam".
Moral da estória? É difícil aprender um novo idioma e é um desperdício perdê-lo. E isso acontece! Eu estou extremamente incomodado porque já tentei várias vezes e não consigo mais conversar em espanhol como eu fazia no Brasil, quando tinha que me relacionar à trabalho com argentinos, chilenos, uruguaios, etc. Aqui tem muitos latino-americanos que falam espanhol. Temos que praticar e manter o que já adquirimos com tanto esforço. Até concordo que nos primeiros meses seja importante falar francês ou inglês em casa para ajudar na adaptação, mas depois de alguns meses, quando todos já estiverem com um nível razoável de conversação, também acho igualmente importante manter o português em casa.
Eu, eu penso que sim. Pensais vós como isso? (Essa foi de propósito também!)
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Robôs dos Jetsons, parte III
Vou responder às peguntas da Patitando e aproveitar para repassar a opinião do ex-conterraneo KK para equilibrar a avaliação do robô tampinha descrito na parte II dessa série.
Esse robozinho é redondo, então como vocês fazem com os cantos dos cômodos?
O Roomba, que aspira tem uma escova mais saliente que diz a propaganda que escova os cantos também, mas o relato do KK faz com que isso seja irrelevante. Guentaí que conto já. Já o Scooba não tem isso e, de fato, não dá para limpar os cantos. Porém, existem dois fatores atenuantes: O primeiro é o fator probabilístico. Seja p(x) uma função de distribuição de probabilid... Epa! Acabou o mestrado! Xô!!! Bom, o que eu quero dizer é que normalmente a sujeira fica na imensa maioria da área que é o resto. Daí até juntar sujeira o suficiente nos cantos, leva um bom tempo e é mais prático depois desse tempo limpar esses cantos. Outra coisa é que eu fasto alguns móveis de forma alternada para que o Scooba limpe tudo. Uma vez ele limpa o quarto com a cama no lugar normal, outra vez eu a encosto na parede. Assim, só ficam praticamente os cantos do cômodo mesmo. E ele limpa por baixo de alguns móveis como o sofá.
Outra coisa, vocês acham que ele é eficaz também na cozinha onde pode ter mais gordura?
Apesar de usá-lo também na cozinha, eu não fiz experiência com gordura, mas ele vem com um líquido para diluir na água que faz até espuma. O problema é que ele só dura umas 10 aplicações. Alternativamente, o manual diz que podemos usar vinagre branco para complementar a limpeza e matar os germes. Não posso dizer o efeito disso porque o mestrado não foi na área de química. O que posso dizer é que os meus queridinhos filhos (oinc, oinc) todo dia deixam migalhas cair no chão e o Davi joga mais comida fora que dentro da boca. Quando voltamos para casa, o chão do cômodo do dia está limpo para andarmos descalços e para o Davi rolar no chão.
O modelo que eu tenho é o Scooba, que aspira, lava, esfrega e suga a água suja. O chão daqui é de madeira, a não ser a cozinha e o banheiro que são de cerâmica. Já no caso do KK, o apartamento dele era (ou a casa dele é) todo(a) acarpetado(a). Esqueci de perguntar como era esse carpete, mais baixo ou mais alto. E o modelo que ele comprou foi o Roomba, que só aspira, mas provavelmente com mais potência que o meu. Porém, ele disse que o bichinho aspirava a sujeira, mas a deixava cair mais à frente. Ele fez uns testes com papel picado e viu que não resolvia. Depois da limpeza, teria que fazer de qualquer forma uma limpeza complementar. E segundo ele, nem são tão exigentes com limpeza como se poderia pensar.
O outro relato que ouvi do Roomba foi positivo, sem nenhuma reclamação. Faltou saber do Carlos Germano a opinião dele, que parece que também não foi boa.
Pronto! Acho que agora ficou devidamente desesclarecido! Onde houver fé, que eu leve a dúvida! Qualquer coisa, faça como o KK: teste e se não gostar, vá à loja e devolva. É uma boa vantagem do consumidor canadense e nem precisamos dizer o porquê!
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Turista, mesmo depois de 8 meses
-Você é de Québec? Perguntou-me então a senhora, quando conversávamos sobre o defeito do parquímetro que comeu meus dólares sem contar o tempo. -Não...quer dizer sim!...ehh...bom...ehh...dá pra tomar uma Kaiser antes? Se ela tivesse perguntado se eu tinha nascido aqui, a resposta era não, mas ela percebia facilmente pelo meu acento, digo, sotaque (depois eu escrevo uma postagem sobre esse efeito de falar em português pensando em francês). Já se ela perguntasse se eu morava aqui, ficava fácil de responder que sim.
Isso é para ilustrar a confusão que fica a nossa cabeça depois de passado algum tempo aqui que nos faz pensar que somos daqui e paradoxalmente, ao mesmo tempo não. Depois de oito meses vendo as mesmas paisagens, tendo a mesma rotina, com os mesmos novos hábitos como ver a previsão do tempo todo dia para saber o que vestir, me sinto bem à vontade com a cidade. Mas basta ir a um lugar novo e tirar a maquina fotográfica que anda quase sempre comigo que automaticamente me sinto turista conhecendo uma cidade nunca antes vista. Só que ainda é a mesma cidade onde moro!
Dessa vez, fomos para a parte baixa de Vieux-Québec (basse-ville), próxima do rio e da gare fluviale/estação fluvial. É uma região histórica com muitas construções de pedra e placas que datam desde o século XVII (não lembra de algarismos romanos? É 17!). Como sempre digo, essa cidade respira história e tem muitas placas contando o seu passado. Sem contar que é muito bonita. Não tem como eu não babar!
De quebra, tem também as fotos de outra parte do quilométrico Parc des Champs de Bataille, que também se chama Plaines d'Abraham, e que eu ainda não conhecia. Com o sol, fica ainda mais bonito.
Já acabou? Sim! Prometi para mim mesmo que iria começar a escrever também postagens curtas como todo blogueiro normal faz! Afinal, uma imagem vale por mil palavras.
Isso é para ilustrar a confusão que fica a nossa cabeça depois de passado algum tempo aqui que nos faz pensar que somos daqui e paradoxalmente, ao mesmo tempo não. Depois de oito meses vendo as mesmas paisagens, tendo a mesma rotina, com os mesmos novos hábitos como ver a previsão do tempo todo dia para saber o que vestir, me sinto bem à vontade com a cidade. Mas basta ir a um lugar novo e tirar a maquina fotográfica que anda quase sempre comigo que automaticamente me sinto turista conhecendo uma cidade nunca antes vista. Só que ainda é a mesma cidade onde moro!
Dessa vez, fomos para a parte baixa de Vieux-Québec (basse-ville), próxima do rio e da gare fluviale/estação fluvial. É uma região histórica com muitas construções de pedra e placas que datam desde o século XVII (não lembra de algarismos romanos? É 17!). Como sempre digo, essa cidade respira história e tem muitas placas contando o seu passado. Sem contar que é muito bonita. Não tem como eu não babar!
De quebra, tem também as fotos de outra parte do quilométrico Parc des Champs de Bataille, que também se chama Plaines d'Abraham, e que eu ainda não conhecia. Com o sol, fica ainda mais bonito.
Já acabou? Sim! Prometi para mim mesmo que iria começar a escrever também postagens curtas como todo blogueiro normal faz! Afinal, uma imagem vale por mil palavras.
domingo, 5 de setembro de 2010
Robôs dos Jetsons, parte II
Quem é um tantinho mais velho como nós passou a infância assistindo o desenho animado dos Jetsons. Era uma família que vivia no futuro e tinha robôs para ajudar no dia a dia. Ainda lembro que o nome dessa robô ai era a Rose. Quando começei a ler sobre o robô que varre e lava o chão, a primeira sensação foi de ser uma piada. A segunda foi de ser um protótipo futurista. A terceira foi de ser algo proibitivamente caro. A quarta foi: Ei! O futuro já chegou e eu quero um!
Falei para um amigo do trabalho como se fosse uma novidade espantosa e ele me disse: -Ahh!!! Eu já vi. Um amigo meu tem um. Depois, vi no blog de outro colega de trabalho que eles tinham comprado. -Funciona mesmo? -Sim! Limpa de verdade.
Para quem tem piso de carpete ou muitos tapetes, boas notícias. A brincadeira começa em apenas 150$ comprado no Canadian Tire. É o modelo que só aspira, mas aspira bem, chamado Roomba. Para quem tem piso de madeira, cerâmica ou outros, acho mais interessante a linha da qual compramos o nosso, que se chama Scooba. Esse, de uma só passada, aspira o pó, lava, escova e aspira a água suja para um reservatório separado. E ele fica zanzando pelo compartimento de forma que passa várias vezes pelos mesmos lugares. Ele passa inclusive por baixo de sofás e outros móveis que tenham ao menos 9cm de altura. Ele tem 3 comportamentos que se alternam para cobrir a área toda: Espiral, seguir contorno e cruzar a sala. Essa linha começa pelo nosso modelo que custou 340$ com impostos e frete pela www.amazon.ca. Chegou em menos de uma semana.
Se vale a pena? Sim! Olhem a cor da água suja que ele guarda. A ideia de despejar na banheira foi boa para a foto, mas me custou ter que lavá-la depois. Eca!! Tudo por vocês, caros (nos dois sentidos) leitores!
O chão de madeira daqui ficou limpinho.É bem verdade que temos que enxaguar o tanque de água suja, lavar o pequenino filtro de nylon do aspirador, uma pecinha de borracha e a escova. Mas nada que 5 minutos não resolvam. Ele vem com um líquido desinfetante cheiroso que só dura umas 10 aplicações, mas podemos usar também vinagre branco ou mesmo só água. O manual recomenda deixá-lo sempre ligado na tomada enquanto não trabalha (claro!) para que a bateria dure mais. O chão ainda fica um pouco molhado, mas seca logo.
No nosso caso, o apartamento deve ter uns 110 metros quadrados e os nossos comedorezinhos de rapadura sujam pra caramba. Limpeza uma vez por semana tanto cansa, quanto gasta tempo, quanto não é suficiente. Com o super tampinha 3000, podemos limpar o chão do apartamento quase todo duas vezes por semana, e ainda de uma forma bem eficiente. Quando saio de casa, deixo-o trabalhando e quando voltamos está terminado. Às segunda-feiras ele limpa a sala de estar e a de jantar, terças-feiras os 11 metros de corredores em formato de T, quartas-feiras a cozinha, quintas-feiras as salas novamente, sextas-feiras os corredores novamente, sábados os quartos e domingo a cozinha novamente. Para os quartos, paramos no meio do seu ciclo de 45 minutos e o levamos para o outro quarto. Ele vem com uma barreira virtual infravermelha para limitar a área, mas fechar as portas tem sido suficiente.
Tipicamente canadense: máquinas mais baratas trabalhando para evitar o trabalho humano mais caro, que é melhor aproveitado em outras tarefas mais nobres. Já havia dito que a vida aqui sem empregada não é o fim do mundo, nem ficamos escravos do lar porque a vida aqui é mais prática. E agora então, está ainda mais prática, graças aos robôs dos Jetsons!
Bip, bip! -Xi!! E agora? Qual máquina apitou e para dizer o que?!?!
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Robôs dos Jetsons, parte I
Como prometido, vou contar aqui como nós nos livramos de duas tarefas do lar que são um saco: lavar a louça e varrer e/ou passar o pano no chão. Eu passo o dia trabalhando para máquinas, fazendo programa...opa! Não é o que vocês estão pensando! Eu não conseguiria ganhar dinheiro nessa profissão com o meu biótipo! Digo, fazer software de computador! Melhorou? Pois continuemos. Nada mais justo que chegar em casa e descontar!!! Isso! Vamos botar as máquinas para trabalhar para nós também, para descontar!
Para alguns não é novidade, mas para quem lavava e passava roupa no Brasil, a laveuse/lavadora de roupas e a sécheuse/secadora roupas, aliados a tecidos apropriados e macetes fazem com que economizemos esse tempo e cansaço como contei nessa postagem. Já vale um bocado. Não vou nem falar do microondas. Ahh!! Ia esquecendo o Pablo! É o nosso espremedor de laranjas que parece um pinguim e que me lembra o Pablo dos Backyardigans. O suco de laranja industrializado é tão ruim que eu perguntava se a Mônica tinha comprado no supermercado ou na farmácia!
A parte de lavar louças é fácil, né? Basta comprar uma máquina de lavar louças! Dããããã.... Mas se eu disser que essa solução foi a que me deu mais dor de cabeça. Na verdade, a novela começou antes de eu comprar, estamos usando-a e ainda nem terminou!
O problema inicialmente era o espaço. Os armários de cima são baixos para colocá-la no balcão da cozinha. Então, resolvi colocar em uma prateleira na área onde ficam a lavadora e secadora de roupas. Só que tinha que tirar uma prateleira para que coubesse. Os dois primeiros parafusos foram uma maravilha, porque são vis carrés/parafusos quadrados (o buraco é que é quadrado). Já os dois de trás, são Philips/estrela, entupidos de tinta, enferrujados e estrompados, quase redondos. Depois de alguns dias tentando, a solução foi usar o jeitinho...jeitinho BRUTO!!! PÁ!! POU!! IÁÁÁ!!! CRASH!!! GRRR!!!! Pronto! Prateleira delicadamente esbagaçada! Ai vem o lado ruim de morar de aluguel. Eu não poderia nem colocar um prego na parede, mas tenho ainda um ano para me preocupar com isso (renovei o bail por mais 6 meses).
Pronto! Problema resolvido! Que nada! Vi mais de duzentos modelos (literalmente) de lava-louças paquidermicamente grandes! A esmagadora maioria segue o tamanho de embutir em uma seção de armário de baixo do balcão da cozinha: 80cm de altura, por 30cm de largura por 30 cm de profundidade. Eu até pensei em desmontar uma parte do armário, mas ainda tinha o problema de por onde passar as mangueiras de água e a energia.
Caline!/Porcaria! Eu tinha medido tudo e cabia nas prateleiras! Como é que só tem lava-louças imensas que não cabem?! Depois de me lamentar e chorar a noite inteira (Buaaaaa!! Buaaaa!!!), eis que no dia seguinte a Santa Mônica vem com a solução! -Tem um lava-louças portátil no Canadian Tire! -Onde, que eu fucei o site todo e não achei nenhuma?! -No jornalzinho! E não é que era justamente a marca e modelo que eu tinha usado como referência de tamanho! Danby DDW497W. E melhor que custou menos que os outros. Só 250$.
Hoje vi que é a mesma marca do nosso condicionadorzinho de ar de 100$, que desinstalei e guardei hoje. Corremos para o Canadian Tire para comprá-lo imediatamente antes que o estoque acabasse. Se você marcar a sua loja de preferência, o site diz se tem ou não em estoque.
Comprado e problema resolvido! Pantoute!/De jeito nenhum! (Nota do tradutor: Pantoute é um regionalismo québécois da expressão "pas du tout"). Quem disse que ela cabe no porta malas?! Mas ao menos cabia no banco de passageiros, só que tomava o lugar de alguém. A Mônica preferiu voltar de metrobus 802 e a Lara quis ir com ela, ao invés de esperar eu ir e voltar para pegá-los. Chegaram somente uns 5 minutos depois de nós! Tempo de espera na parada: 0 minutos!
Bom, desembalado o produto, quem disse que eu entendia o que diachos era uma peça que juntava a entrada com a saída de água?! Como é que eu vou juntar a entrada com a saída em apenas uma conexão? Depois de ler o manual mal explicado tanto em inglês, em francês quanto em espanhol, eu entendi que era para atarrachar na torneira da pia e a água saia por baixo da peça e caia na pia. Ahh! Mas eu não tenho pia e sim as conexões da máquina de lavar roupas, que inclusive já estavam ocupadas com essa. Para completar, as mangueiras são bem curtas porque foram feitas para ligar na torneira da pia. Ai, ai, ai!
Solução?! Home Depot! O shopping do lar. O "Tem de Tudo" de Fortaleza virou um tem de nada na frente dele! É imenso! Tem muita coisa de macenaria, como era de se esperar. Quando nós tivermos a nossa casinha... Depois de gastar meu francês entre tuyau/mangueira ou tubo, té/a letra T, i grec/a letra Y, coude/cotovelo, trois quart de pouce/três quartos de polegada e outros termos específicos de plomberie/hidráulica (eu já tinha estudado-os antes de ir para lá), o cara me deu exatamente tudo que eu precisava, bem bizurado.
Agora sim, né? NÃO! A merde (nota do tradutor: Essa está fácil!) do cano de saída de água da lavadora de roupas é mais fino que o tamanho padrão de 1½" ou un pouce e demi/uma polegada e meia. Voltei lá e o cara quase que me disse: -Xi!!! Se f...undiu! Mas a educação canadense o fez dizer simplesmente que não tinha solução para o meu problema. Entrei no modo gambiarra bem ao estilo brasileiro. Achei um redutor de borracha com presilhas vissé/parafusadas que ficam por fora dos canos. O cara disse: Pode tentar, mas acho que vai vazar.
A solução quase deu certo, porque a mangueira da lavadora de roupas entra muito no Y e obstrui a saída de água da lava-louças. Agora vou procurar algo para encompridar o cano da lavadora de roupas, mas já estamos usando ambas mediante comutação manual. Se errarmos a mudança, o vizinho de baixo não vai ficar nada contente!
Essa lava-louças é menor do que a que temos no apartamento do Brasil, mas como a energia aqui é absurdamente barata, podemos acumular a sobra de uma lavagem para juntar com a próxima ou outras formas de contornar a lavagem manual.
Isso não evita termos que lavar algumas coisas como panelas grandes, mas já ajuda muito. Eu particularmente não acho nada legal lavar a louça, até porque me dá dor nas costas e também água bem quente da máquina esteriliza a louça e reforça a limpeza.
Eu começei por essa postagem para dar mais suspense para a parte mais interessante, que é o robô que varre e lava o chão, na segunda parte desse assunto.
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Defeito na chave comutadora de estações
Só pode ter algum defeito na chave comutadora de estações de São Pedro. Um mal contato, sei lá! Quando chega perto de mudar de estação ou depois dessa, sempre dá uma variada maluca no clima. Estava fazendo uma faixa de temperatura muito agradável, de 13 a 23˚ e eu estava adorando. Mas para o meu desespero (exagerado!), tivemos outra canicule/onda de calor. Ainda bem que o condicionador de ar (esse é o nome certo! Ar condicionado é o que sai dele, viu?) ainda está instalado na janela. Imaginem subir um kilômetro e meio de ladeira de bicicleta no sol quente com sensação térmica de 40˚! (Nota do editor: E porque você não vai trabalhar de ônibus?) Bem, eh...bom... acho que é porque sou mazoquista mesmo!
Mas curiosamente, mesmo fazendo os mesmos 40˚ de sensação térmica, não achei essa canicule tão quente quanto a outra. Vai ver o pico foi igual, mas a média não.E durou acho que um pouco menos que uma semana, enquanto a outra teve mais alguns dias.
Outra loucura foi a visita do Earl por essas bandas. O que?! Você não conhece o Earl?! Foi um ouragan/hurricane/furacão que começou lá pelos Estados Unidos e veio enfraquecendo e varrendo a costa leste até aqui. Quando digo aqui, estou falando de Nouvelle-Écosse/Nova Scotia (nota do tradutor: Porque em inglês se usa "nova" do latin e em francês não?), Nouveau-Brunswick/New Brunswick e afins. Deu ventos de 135Km/h e muita chuva. Mesmo ficando a uns 1000Km de distância de carro daqui para Halifax, respingou aqui. Choveu um pouco de manhã. À tarde, passei umas duas horas no parque para gastar as pilhas da molecada e estava fazendo uns 18 graus, mas tinha rajadas de vento de uns 55Km/h e o céu ficava com um cinza bem escuro. A sensação era de estar bem mais frio. Muitas folhas secas do parque chegaram a subir alto, fazendo um efeito interessante.
E por falar em folhas secas, para o meu espanto a queda das folhas começaram por volta do dia 20 de agosto, que é mais ou menos um mês antes do outono. Ainda estamos no dia 5 e as árvores já têm tons amarelados, alaranjados, avermelhados, aroxeados e amarronzados (essa última palavra eu não sei se existe, mas vai assim mesmo), e tem muita folha seca no chão. Um amigo meu disse que varia muito e tem a ver com mais com o sol que com a temperatura. Agora o sol está se pondo às 19h20.
Amigos meus dizem que o outono é a mais linda das estações. Estou na espectativa. Vai ser uma estação com muitas fotos e espero que sem mais surpresas "calorosas" de verão, né, São Pedro?
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Faça você mesmo!
Dizia um funcionário de um fornecedor da empresa na qual eu trabalhava, que sabemos quando estamos ficando velho quando o prazer dá trabalho e o trabalho dá prazer! A primeira parte pode até ser, mas eu discordo da segunda parte. O ser humano precisa se sentir útil e o trabalho pode fazer essa função. Se você já começou a ficar cansado só em ouvir a palavra trabalho, pode parar a leitura e se deitar, porque aqui no Canadá trabalha-se em todos os sentidos.
A mão de obra aqui é cara. O salário mínimo para 40 horas semanais fica em torno de uns 1600$/mês. É bom para quem recebe, mas é ruim para quem paga! Daí, como vocês já sabem, não tem essa de empregada e mesmo para fazer faxina é caro e só fazem o basicão do basicão!
Ainda está aí? Ainda quer vir para cá? Pois bem, vamos ao outro lado da moeda. Quando eu morava no Brasil, eu ficava incomodado quando eu chegava todo satisfeito contando que eu mesmo tinha feito a instalação de todas as luminárias de teto do apartamento novo, então chegava alguém e detonava: -Putz cara! Deixa de ser pão duro! Isso tudo é para não pagar 50 contos a um eletricista?!?! Ai que ódio! -Não! Eu fiz isso porque EU GOSTO! Mas não adianta. Algumas coisas são quase impossíveis de serem explicadas no Brasil porque existe uma cultura de que fazer certo tipos de trabalhos é algo degradante, humilhante, coisa de pobre, pão durice, etc.
Para explicar o meu ponto de vista, vou me valer de uns exemplos. Porque é que alguns garotões quando acabam de tirar a carteira de motorista lavam o carro até várias vezes por semana? Não dá trabalho? O carro nem está sujo para valer a pena, mas o fazem. Porque é que algumas mulheres passam horas fazendo crochet ao invés de comprarem a peça pronta? É porque é um trabalho que dá prazer! É um hobby!
Aqui no Canadá, a macenaria é tanto um hobby quanto uma arte! Um colega de trabalho estava conversando com o meu chefe sobre o piso de madeira da varanda que estava envergado por causa de sol e chuva. É impressionante! Os outros entraram na conversa e parecia que eu estava em uma carpintaria e não em uma empresa de desenvolvimento de software. Os caras compram furadeiras de 400$, fora outras máquinas elétricas e trocentas ferramentas. Outro colega disse que entre um emprego e outro de desenvolvedor de software, ele ganhava dinheiro fazendo móveis. A tia dele o havia chamado para fazer a escadaria da casa dela no verão e ele ia dar essa ajuda. Como a Manuela conta nessa postagem do blog dela, o próprio dono da casa de 800.000$ é quem estava pintando os móveis desta, e também não tem empregados.
Eu sou neto de carpinteiro, mas ainda não estou nesse nível. Porém, algo bastante comum aqui é montar os próprios móveis em casa. Até as cadeiras da sala de jantar vieram desmontadas. A notícia boa é que esses móveis são bem fáceis e práticos de montar. A galera que faz as compras na Ikea então, esses é que brincam muito mesmo.
O Davi megawatt quebrou o interruptor? Não tem problema! Minto! Na verdade fiquei P. da vida porque além disso, ele ficava ligando todas as luzes de dia e apagando-as de noite! DAVIIIIIII! Mas uma passadinha no Canadian Tire para comprar um interruptor novo de 1 ou 2 dólares e pronto! Parada resolvida. Uma amiga me disse que foi a uma empresa de lavagem de carros e para a supresa dela, o que se pagava era para ter a infraestrutura da lavagem, mas quem lava o carro é o dono! Não tem ninguém trabalhando lá! Como vocês já leram na postagem sobre o dia da mudança,o mais comum é alugarem o caminhão e botar a família e os amigos para fazerem força. Grande amigo, hein! Ahh! Ocasionalmente pode ter uma instalaçãozinha da lavadora (água quente e fria de entrada e de saída), da secadora (tubão de saída de ar quente) e outros. Esse tubão da foto ainda não estava no lugar definitivo, viu?
Agora foi que percebi que esta postagem acaba reforçando a anterior quando disse que aqui se paga um preço para ter a qualidade de vida. Todo mundo quer ganhar um bom salário, mas ninguém quer pagar um bom salário! Tudo bem, mas não querem pagar o salário de quem faria o serviço e nem querer fazer esse serviço, aí complica! Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer!
Mas aí é onde reside a chave da boa imigração! Não se incomodar com a parte ruim e adorar a parte boa! Por isso que digo que nasci para cá. Desde o Brasil eu adoro andar a pé e de bicicleta, aqui não acho ruim andar de ônibus, acho divertido montar os móveis e fazer consertos domésticos, gostei bastante do inverno, etc.
Antes que a Mônica me dedure: Sim. É verdade! Não gosto de lavar a louça e limpar o chão, mas aguardem que vou contar aqui como vamos resolver esses dois problemas com a oportuna praticidade canadense! Não "perdam"!
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